Se você chegou até aqui já leu os avisos, certo? Não vamos perder tempo então.
Vamos ao que interessa: estou liberando os capítulos VII (sexta)e VIII (domingo) porque semana que vem não haverá atualização.
Volto depois da Páscoa.
Pra quem curti, divirta-se!
-W-
Sam cobriu 616 quilômetros de Payne, Ohio até West Liberty em Iowa em quatro horas e vinte minutos, dirigindo a maior parte do tempo muito acima do limite de velocidade, ao chegar circulou pela pequena cidade até localizar um motel onde possivelmente ele estaria. Seu instinto lhe dizia onde procurar.
Estacionou o carro roubado algumas horas atrás no centro da cidade, e fez o caminho até o motel escolhido a pé. Apesar de não ver o Impala estacionado, tinha certeza que dos três motéis por que passou aquele seria o escolhido por Dean. Meio decrépito, sem sistema de segurança, recepção afastada. O esconderijo ideal.
Cansado e irritado da viagem, rezando para seu instinto tê-lo levado ao lugar certo, Sam se dirigiu à recepção onde tocou a campainha, uma mocinha de não mais de uns dezoito anos veio atendê-lo, toda sorridente dentro do jeans apertado, mascando chicletes e jogando os cabelos para lá e pra cá, piscando os olhos feito uma boneca quebrada.
Sam retribuiu os sorrisos se debruçando sobre o balcão e lançando olhares insinuantes pelo decote dela. Explicou todo sedutor, que estava com uma emergência de família e precisava localizar o irmão, e ela seria realmente um amor se o deixasse dar uma olhada nos livros de registro.
Lá estava, quarto quatorze, John Smith. Sam bateu com dedo sobre o registro.
_Esse aqui, meu bem.
"Fala sério, Dean! João Ninguém? Você já fez melhor!"
A garota se debruçou sobre o registro virando o livro para ler o nome.
_John Smith?
_É. Louro, alto, jeito invocado, jaqueta...
_Isso mesmo –respondeu a mascadora - É seu irmão?
_É. É o John.
_Vocês não se parecem muito. Você é moreno. – A garota observou lançando um olhar de cabo a rabo em Sam, sorrindo e piscando mais ainda, batendo os cílios, insinuante , como se tivesse dito a coisa mais espirituosa do mundo.
A mocinha mascadora de chicletes continuava jogando os cabelos para um lado e para o outro enquanto Sam pedia por um quarto próximo ao quarto quatorze.
_Pode ser o dezenove? É bem perto, no final do corredor.
Ploc!
Sam teve que se esforçar para manter o sorriso olhando para sua boca ruminando e estourando bolas de chiclete cor de rosa.
_Dezenove está ótimo.
_Certo – Ploc! – tá aqui as chaves – Ploc!
"Que nojo!"
_Obrigada.
_Ahn, ei! o cara que você procura não tá aí não!
Sam já sabia, pois o Impala não estava em nenhum lugar no estacionamento, mas talvez estivesse com sorte.
_E você saberia dizer onde ele foi?
Ploc!
Tome balançada de cabelo, masca-masca-masca, sorriso e mais balançada de cabelo.
Ploc!
_É!
Sam sorriu de volta pra sua bolha de chicletes enquanto pensava que adoraria grudar a goma no seu cabelo, bem junto da raiz, na parte de traz da cabeça. Se imaginou esfregando o chiclete entre os cabelos dela, apertando com os dedos até virar uma bola grudenta de goma e fios emaranhados.
Abriu mais ainda o sorriso quando imaginou o caminho de rato que ela teria que fazer na cabeça para conseguir desgrudar a goma.
_E ele estaria onde mesmo, princesa?
Ploc!
A princesa voltou a sorrir e se debruçar com os peitos no balcão oferecendo-lhe uma ampla visão de sua versão do "paraíso".
_Ele perguntou se tinha algum bar descente por aqui, gato. Eu falei pra ele ir no Shark's
_Shark's?
_É. – ploc! – duas quadras para frente, vire a direita, ande mais três quadras, direita de novo. Segue reto até o fim da rua, é longe, mas é só seguir reto. Shark's. Não tem erro, gatinho. Diz pro Shark que foi a Lucy que te indicou. Assim eu ganho uma rodada de graça, da próxima vez que eu for lá.
Cacarejou uma risada pra Sam.
_Claro, digo sim. Obrigada.
Ploc!
Sam pegou as chaves do quarto, ia deixar suas coisas e sair em busca do irmão imediatamente.
-W-
Depois de se instalar aproveitou para ligar para Bobby, e informá-lo onde estava e que ia se encontrar com Dean. O velho caçador andava bastante preocupado e cada vez mais insistente em descobrir o motivo do afastamento dos irmãos.
Bobby era família, merecia saber que ele e Dean estavam se entendendo e que podia parar de se preocupar.
Aproveitou também para dar uma conferida no quarto quatorze só para ter certeza. Ficou puto da vida quando viu que as coisas de Dean já estavam arrumadas, o safado tinha intenção de se mandar. Até sua escova de dentes já estava dentro da mochila.
"Você não vai escapar tão fácil, Dean!"
Resolveu que esperaria por ele ali mesmo.
Sentado comodamente na cama, esperou no escuro, mas não precisou esperar muito.
Pouco mais de meia hora depois, ouviu a chave virar na fechadura e a luz ser acesa cegando-o momentaneamente.
_Puta merda! Calma Dean, sou eu!
Dean estava branco, com a arma em punho apontando para a cara de Sam.
_Porra Sam, quer me matar! Quase meti uma bala na sua cara!
_Calma cara! Sou eu.
Dean jogou a arma na cama e passou a mão pelo cabelo num gesto nervoso.
_Oque você tá fazendo aqui? – perguntou bravo já se dirigindo ao frigobar e pegando uma cerveja. – você disse que chegava amanhã.
_Ainda bem que eu resolvi vir antes, né? – Sam respondeu com raiva também, lançando olhares acusadores para a mochila arrumada a um canto. - Ia a algum lugar, Dean?
Dean ignorou a pergunta.
_A sua mão? Como tá? –Dean perguntou olhando para a tala de gesso envolvendo a mão esquerda dele.
_Tá bem, não foi nada.
_Tem que tomar mais cuidado, Sam. Isso podia ser mais grave. – Dean disse segurando a mão dele pelo gesso e virando de um lado pro outro analisando a firmeza e extensão da tala – quebrou onde?
_Aqui. – Sam indicou o lugar na outra mão – foi só um ossinho pequeno que trincou. Dean, eu pensei que você também queria me ver.
Dean soltou a mão dele e se afastou alguns passos.
_Sam, não é isso... é só que ainda tá cedo pra gente!
_Cedo é o caralho, você ia fugir de novo. Por que? Por causa de ontem?
_Olha, não vamos falar disso, tá...
_Você falou que isso era temporário, que a gente não ia se afastar, você só queria dar um tempo. Falou que a gente podia conversar o que eu quisesse, mas era tudo mentira. Você nem fala comigo direito nem por telefone, e agora ia se mandar e me deixar na mão de novo.
Dean suspirou resignado, Sam tinha razão. Ele estava fugindo, mas não poderia fugir para sempre, não dava pra ficar enganando Sam, enrolando como fazia quando ele era criança.
_Você tá certo. Eu ia mesmo me mandar e largar você pra traz.
_Por que, Dean?
Dean sentou-se na beirada da cama, falando calmamente como se ele fosse uma criança.
_A gente tem que encarar os fatos. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Não dá mais pra gente ficar junto.
_Não! Não! Eu não aceito isso, não é só você que decide.
_Sou sim, Sam. E você sabe por que? Porque sou eu que sofro.
_Dean...
_Escuta, é difícil pra mim ficar perto de você, ainda mais agora. Parece que tudo mudou, sei lá, parece que eu não mando mais em mim – deu uma risadinha sem graça para ele – tá difícil.
Sam puxou uma cadeira para perto dele e sentou-se, disposto a ouvi-lo com tranquilidade, sem interrupções, e só depois que ele falasse tudo Sam ia argumentar com ele.
_Tenta entender. Eu não sei, eu acho que por que agora você sabe, eu não consigo mais fingir, eu não me seguro, igual ontem. Eu ...olha, me desculpa ter desligado na sua cara, daquele jeito, tá?
Dean levantou-se, passeou pelo quarto, encostou no batente da janela olhando o estacionamento lá fora pelo vão da cortina.
_Imagina como ia ser se eu visse você com alguém... – deu uma risada curta com um fundo de tristeza – ontem eu quase tive um ataque quando eu percebi que você estava com alguém.
Dean falava baixo e contrariado.
_Dean, não significou nada, eu juro.
_Não precisa se explicar. Eu não tenho o direito, o errado sou eu! É isso que estou tentando te dizer, você não merece que eu faça você passar por isso.
Dean esfregou os olhos parecendo cansado e chateado.
_Isso é tão idiota...depois de tanto tempo...quer dizer, eu já te vi com um monte de mulher – deu uma risadinha – bom, quer dizer, um monte não, mas ...você entendeu.
_Você não ligava antes? – Sam perguntou. Dean pensou um pouco antes de responder.
_Não é que eu não ligava, eu só...conseguia lidar melhor, sabe? Acho que eu vivia meio no piloto automático. Eu só guardava para mim e tentava não pensar nisso. – deu de ombros, e seu sorriso fingido voltou, como se não fosse grande coisa aqueles anos todos sofrimento.
_Você não...o merda! – Sam queria dizer para ele que ele não tinha motivos pra ter ciúmes. De ninguém, mas não sabia como dizer isso e muito menos exatamente o que queria dizer com isso. Só não queria que ele sofresse mais. Não queria mais ver aquela expressão nos olhos dele.
_Dean, essas garotas que você fica, essas suas "garotas- diversão" o que elas significam para você? – não era isso que ele queria dizer, mas foi o que saiu e Sam percebeu que estava muito curioso. Era exatamente isso que ele queria saber. O que aquelas mulheres todas significavam.
Dean virou-se surpreso, não esperava aquela pergunta.
_Sei lá. Nada, eu acho. É só sexo.
_Mas você gosta de mulher?
Ele achou o jeito de Sam engraçado apesar da tensão do momento. Estava com as mãos enfiadas nos bolsos, olhando para o chão e cutucando o tapete velho com o bico do sapato.
_Você quer saber se eu sou gay? – devolveu incisivo e com uma pontinha de desafio, o tom de voz deixando claro que aquele ainda era Dean Winchester.
_Não!
Sam respondeu rápido demais, mas diante das sobrancelhas arqueadas de Dean complementou.
_É. Sei lá...você é?
Dean pensou um pouco, aquela era uma pergunta que ele mesmo já havia se feito várias vezes, a resposta era sempre a mesma.
_Não sei.
_Como assim não sabe?
_Não sabendo. – deu de ombros
_Dean, mas se você diz que...sente essas coisas por mim...eu sou homem.
_Acredite, eu sei que você é homem.
Sam piscou diante da declaração fácil de Dean e do tom malicioso que ele usou.
_Mas você nunca... – Sam gesticulou com a mão para dar andamento a pergunta sem ter que completa-la exatamente.
_Se eu já – Dean repetiu o gesto de Sam – com um homem? Não cara! Deus me livre!
Sam ergueu os olhos para ele curioso.
"Como assim, Deus me livre?"
_Então isso que você sente por mim é... totalmente platônico?
Dean pensou nas noites em que ele acordava suando, sentindo todo o equipamento que Deus lhe deu pegando fogo, da raiz do cabelo até o dedo do pé, com ênfase lá pelo meio, e o nome de Sam na ponta da língua. Noites em que ele corria para o banheiro, se encolhendo todo debaixo do jato de água gelada, se sentindo sujo e cheio de culpa.
As vezes chorava.
_Não Sam, não tem nada de platônico!
Foi a resposta envergonhada dele.
Se tinha alguma pontinha de descontração naquela conversa, desceu pelo ralo naquele momento.
Dean teve que se controlar para não sair correndo, sua vontade era de se esconder embaixo da cama.
_Olha, teve uma vez, com um cara, mas não rolou nada!
Sam arregalou um pouco os olhos pra ele, coçou o nariz, olhou de um lado para o lado, fixando um ponto qualquer com o olhar, tentado decidir se queria mesmo saber.
_Como assim, não rolou nada?
Dean deu de ombros.
_Era um caçador, o cara era mais velho e tava muito afim de mim, saca? Foi uns meses depois daquele quatro de Julho, você tinha uns treze,quatorze então eu tinha sei lá, uns dezenove, talvez. E cara, como eu tava confuso! Eu não entendia bem o que tava rolando comigo, eu tava tão doido por você... eu não conseguia parar de pensar... – Dean engasgou, raspou a garganta, virou o rosto pro outro lado –...bom, eu não conseguia parar de pensar em você.
Sam se remexeu incomodado.
_A questão é que esse cara apareceu.
_Quem era?
_Um caçador, só um cara que caçava com o pai às vezes.
_Quem, eu conheço?
_Acho que não, você sabe, o pai só pedia ajuda quando a coisa era grande, e esse lance foi coisa grande mesmo. Você era muito pivete, não ia com a gente nessas. Geralmente você ficava de fora. – Dean fez uma pequena pausa antes de continuar – O nome dele era Terry. Uma noite nós precisávamos de suprimentos, estávamos numa cabana de tocaia, esperando o dia amanhecer para atacar. Vampiros, sabe, um ninho grande. Precisávamos de sangue de homem morto, muito sangue. Eu me ofereci para ir buscar, mas o pai falou que era pra eu ficar e descansar um pouco. O cara também se ofereceu, mas o pai disse que não precisava, então ele foi sozinho atrás do sangue.
Dean fez uma longa pausa e Sam achou que ele não ia mais contar o resto.
_E aí Dean, o que aconteceu.
Dean soprou o ar com força pela boca antes de continuar, se sentindo muito, mas muito envergonhado.
_Bom, acontece que o cara me beijou.
_Como? - Sam perguntou rápido meio indignado – Como assim, ele simplesmente te beijou?
_Mais ou menos. Eu já tinha sacado que tinha alguma coisa, tipo ele tinha falado umas coisas, meio dado em cima, saca. Mas de leve, sem pressão, então a gente tava conversando e ele falando aquelas coisas e disse que queria me beijar. – Dean raspou a garganta de novo – eu deixei.
_Você deixou um cara te beijar? – o tom de Sam era de total incredulidade e Dean se sentiu intimidado.
_Olha, eu sei que é estranho falando assim, tá? Mas eu tava confuso, cara.
Sam balançou a cabeça de um lado por outro.
"confuso estou eu, isso sim!"
_Ok, e daí, o que mais aconteceu?
_Como assim o que mais? Mais nada! Eu falei que não queria, não gostei. O cara não forçou a barra. Eu fiquei com nojo, sei lá. Eu não queria...
_Dean, eu não tô entendendo, se você não gostou... – havia uma pergunta implícita ali.
_A verdade Sam, é que eu nunca senti nada assim por ninguém, só você.
Dean voltou a caminhar pelo quarto, pegou outra cerveja, ofereceu para Sam.
_Se você não sente atração, não tem... sabe...por homens? ...como você sabe que é isso que você quer? Quer dizer, como você...e se você não gostasse?
"Ô pergunta difíci!l"
Sam pensou, mas tinha que perguntar porque ele mesmo não estava entendendo muito bem o que estava sentindo parado ali olhando Dean andando de lá para cá, aparentando estar todo nervoso e tímido, e olha se isso não era o inferno, achando que ele estava era uma graça todo vermelho e gaguejante.
E bem, "sentindo uma pontinha de ciúmes", pra ser franco.
_Sam - Dean chamou baixo, com os olhos pregados no chão, as bochechas vermelhas – Eu ia gostar de qualquer coisa com você!
Por alguns segundos Sam achou que respirar era uma coisa totalmente desnecessária para o ser humano, necessário mesmo era chegar perto dele, por que tinha uma coisa quente correndo por dentro que estava fazendo seu coração pular e suas mãos tremerem, e ele precisava chegar bem perto de Dean e pedir pra ele repetir aquilo, só pra ter certeza que tinha ouvido certo.
Mas Dean voltou a excursionar pelo quarto, fugindo dele, de novo todo nervoso e angustiado.
"Puta merda, dá onde tá saindo essas coisas?" - Dean se perguntava, parecia que o cara da censura mental dele tinha simplesmente se demitido.
_Olha Sam, desculpa. Eu não sei dá onde tá saindo isso, eu não tive a intenção, eu juro!
_Não Dean, eu te disse, você pode falar o que quiser porque eu quero te ouvir. Não tem nada que você não possa me falar, tá bom?
_É, mais acho que isso não inclui ficar te passando cantada.
Sam riu pra ele, achando aquela conversa estranha e confusa, mas se sentindo bem com isso. Estava nervoso, mas não sentia nada daquele pânico agressivo de antes.
_Isso foi uma cantada? – Sam perguntou meio risonho, o nervoso estava fazendo ele sorrir, em vez de ficar bravo, e isso era uma boa coisa, pelo menos foi o que pensou por alguns segundos.
_Você tá levando na brincadeira?Qual é? Tá de sacanagem comigo?
Sam não entendeu o tom magoado dele, nem o poruqe da irritação e da raiva.
_Oque? Não!
_Você fica aí parado rindo, como se fosse a coisa mais normal do mundo, cara! Você devia é...devia...sei lá! Quebrar minha cara! Isso sim! É isso que eu merecia!
_Eu não acho isso Dean!
_Então você é mais doente que eu.
_Dean, para com isso!
_Oque? Você acha isso normal? – Dean estava se exaltando e a tranquilidade de Sam só o deixava mais irritado – você é meu irmão Sam, meu irmão! Eu devia era cuidar de você, e não querer...transar com você! Me diz como isso pode ser normal, hein? Isso tudo é nojento Sam, isso sim. Você não pode querer ficar perto de mim.
Sam não sabia o que fazer, não era o que esperava daquela conversa. Num minuto estavam conversando, Sam tinha muitas perguntas e Dean estava aceitando respondê-las quase numa boa, e no minuto seguinte aquela explosão. Sam não sabia como reagir a toda aquela angústia culpada dele.
_Dean, para com isso. Para de falar assim – tentou alcançar Dean que rodava pelo quarto passando as mãos pelo rosto, esfregando a boca com a palma da mão pra lá e pra cá. – Para, Dean!
_Eu não mereço você, Sam.
Sam segurou-o pelo pulso o puxou para si, apertando-o contra o peito. Teve que fazer força para mantê-lo ali, Dean tentou se libertar empurrando Sam com as duas mãos,mas Sam só apertou o abraço, sussurrando contra seus cabelos.
_Shiii! Para, fica quieto...tá tudo bem.
-W-
Dean se encolheu dentro do abraço de Sam, encostou o rosto no peito dele, sentiu seu calor, aspirou seu cheiro. Se ele pudesse ficar ali...
Se permitiu só mais um minuto de aconchego, só um minuto longe do frio e da solidão, no calor do corpo dele, depois se empurrou suavemente para longe do seu peito. Sam permitiu que ele se afastasse um pouco, mas não liberou o abraço.
_Não Sammy. Não tem nada bem, nem nunca mais vai ter. Não pra mim. – Dean mantinha as mãos no seu peito tocando de leve, e pela primeira vez encarava Sam direto nos olhos – Eu tenho que ficar longe, Sam. Juro que é melhor assim.
_Não!
Foi a resposta sofrida de Sam. Ele não sabia se estava dizendo não para a tristeza no olhar de Dean, ou para seus braços que afrouxam em torno dele, ou para a distância que teimava em tentar se impor entre eles novamente, ou para o frio que se infiltrou no vão dos seus corpos afastados, gelando seu peito e apertando seu coração.
Talvez estivesse dizendo não para tudo isso junto.
-W-
_Dean, eu não vou deixar você fugir de mim de novo. Entende isso.
Dean se afastou suavemente, voltando a se sentar na cama de cabeça baixa.
_Olha, eu não entendo o que tá acontecendo direito, mas ficar sem você foi a pior coisa que podia me acontecer. Sei lá, foi como quando você foi pro inferno, só que diferente. Eu penso em você o tempo inteiro, Dean. Sonho com você, vejo você pra todo lugar que eu olho. Eu sinto tanto a sua falta... - Disse sorrindo meio sem graça.
_Qual é Sam? Tá tentando me dizer o que? Que também tá apaixonado? – o tom dele era de escárnio. - Foi dormir normal e acordou gamado?
_Eu não sei Dean!O que eu sei é que agora mesmo eu queria era ter te beijado, isso é o que eu queria ter feito de verdade!
_Sam, tá confundindo as coisas, cara. – Dean respondeu assustado.
_Por que? Por que que eu tenho que acreditar nos seus sentimentos e você não pode acreditar nos meus?
Dean se levantou.
_Por que não é assim que as coisas acontecem, porra! Você tá romantizando. Eu acredito que você sente minha falta, mas é só isso. Não complica, Sam!
Sam se aproximou dele e tentou tocá-lo, mas Dean o empurrou e fugiu pelo quarto.
_Oque você acha que tá fazendo? Você acha que eu não queria acreditar nisso? Hein? – Dean passava as mãos pelo cabelo, sua expressão era meio apavorada, andando pelo quarto fugindo de Sam que tentava aproximar-se, fazê-lo se acalmar, ele estava claramente em pânico – Não dá! Não dá, Sam! nem que fosse verdade! o que você quer? quer experimentar? quer fazer um teste? ver como se sente?hum?...é isso, quer fazer um teste drive na cama, Sam?
_Dean, não é...
_E se você não gostar hein, Sam? E aí? Como eu fico, o que você vai fazer comigo? Vai dizer sinto muito, não era bem isso? Vai me dar um abraço e me mandar cair fora?
Dean parou no meio do quarto, com os olhos marejados. Sam não sabia o que falar pra ele. Não tinha como lhe dar nenhum tipo de garantia, essa era a verdade, estava se sentindo desesperado com a possibilidade de perdê-lo de novo, mas não sabia o que fazer.
_Responde seu puto, desgraçado! Responde! E se você se arrepender?
_Dean...não é assim, Dean. Isso não é a porra de um teste, pelo amor de Deus.
_Você não pode garantir nada, Sam, essa que é a verdade. E tem mais, agora é só conversa, mas você já pensou mesmo nisso? Isso é incesto, Sam. Incesto.
_Olha, eu nunca faria isso de te usar assim, e você tem razão, eu não posso te garantir nada, por que eu não sei como vai ser a porra do amanhã, e nem você sabe! Eu não sei dar nome pro que eu sinto, mas eu te quero, eu quero ficar com você, e disso eu tenho certeza.
Sam tentou se aproximar dele novamente, e vendo que ele não recuava, continuou a falar.
_E quanto ao resto, não é da conta de ninguém, o que acontece com a gente é problema nosso, sempre foi. Porque agora seria diferente?
_Ah é? Eu sei oque eu sinto Sam, eu sei o nome, eu tenho certeza do meu amor, sabe porque? porque eu convivi com isso a minha vida inteira e eu sei que EU enfrento qualquer coisa por você, mas e você? Já pensou, se os outros soubessem?Como você ia se sentir, hein? – Dean perguntou pontuando cada palavra para deixar bem claro o que estava tentando dizer.
Sam riu um riso de deboche, estava ficando com raiva, irritado com a recusa de Dean em tentar entender seu lado e se recusando a aceitar seus sentimentos.
_Que outros Dean?
_Bobby! Por exemplo.
Aquilo foi como um tapa na cara de Sam. Dean ergueu as sobrancelhas para ele.
_Isso dá uma outra perspectiva pra coisa né, Sam?
_É Dean! Dá sim, mas não muda o que tá acontecendo aqui.
_Como não muda? Pelo amor de Deus!
_Sabe oque eu acho?
O tom de voz de Sam tinha mudado, de tenso e suplicante para frio e irritado.
_Você tem medo de ser feliz, isso sim.
_Porra Sam...não vem com psicologia de revista pra cima de mim...
Dean bufou e Sam berrou com ele.
_Cala a boca, seu martirzinho sofredor! Quem você pensa que você é? Você acha que é o único que sabe o que significa lealdade, aqui? você acha que eu não sou capaz de enfrentar o mundo por você? Acha que ia desistir de você assim? Você acha que eu não enfrentaria qualquer um por você? Que se foda o Bobby! Por que o seu amor vale mais que o meu? Você acha que eu sou assim tão desgraçado que ia te usar e depois te chutar como se você fosse uma puta de beira de estrada?
Dean estava estático, calado olhando para Sam berrando contra sua cara, sem conseguir esboçar nenhuma reação.
_Você não é o único que sofreu na vida Dean! Você só é o único que finge que não precisa de ninguém.
_Sam...
_Eu sei que eu já te decepcionei um monte de vezes. – Sam voltou a se acalmar, falando baixo e comedido com ele – Eu juro que eu me arrependo, me arrependo demais, será que você não vai me perdoar nunca? Não pode confiar em mim de novo?
Dean não esperava por isso.
_Não é isso. Eu confio em você, Sam. Só não quero que você afunde nisso junto comigo.
_É? Pois eu tenho uma novidade pra você: eu já to nessa, então o que vai ser? Você vai sumir de novo, é isso?
Sam parecia cansado, esgotado.
_Se fosse resolver ...
_Oque a você vai fazer, então?
Dean sentou-se na cama ao seu lado apoiando os cotovelos nos joelhos, desprezar Sam não era a melhor solução. Se tentasse afastá-lo Sam podia acabar se fixando naquela fantasia de desejo confuso, ia ser pior. A melhor maneira de fazê-lo ver as coisas com clareza era manter-se por perto, com o tempo Sam ia ver que só estava confundindo os sentimentos por conta de tudo que tinham passado. A confissão de Dean, aquela distância imposta por ele, a barreira contra Lúcifer ameaçando ruir lentamente, enfim tudo aquilo só contribuiu para piorar as emoções confusas dele. Dean não nutria nenhuma esperança ou expectativa de que o que Sam dizia sentir poderia ter algum fundo de verdade.
_Sam, vamos fazer assim. A gente continua trabalhando separados – Sam abriu a boca para protestar – espera, me escuta. Eu não vou sumir, eu juro. Deixo o GPS do celular ligado, tá bom? – Dean riu para ele como se fosse uma piada, mas Sam levou a sério a coisa do GPS.
_Deixa mesmo? – ele perguntou meio aflito.
Dean deu de ombros.
_Deixo, claro. Você me acha quando quiser, ok. E a gente se fala e eu vou te encontrar sempre que você quiser. A gente faz como você queria, pode até pegar uns casos juntos.
_Como eu queria?
_É. É só você me chamar que eu vou. –Dean se remexeu na cama, a proximidade do rosto dele, o tom de voz suave e o calor estavam deixando-o meio confuso. - só tem uma condição.
_Que condição Dean?
_Quartos separados e você não toca mais nesse assunto, certo?
_Dean!
_Por favor Sam. Vamos fazer assim, ver como a gente se sente, tá? Como você se sente.
Sam pensou um pouco antes de responder, estava contrariado, mas sabia que aquela promessa era o melhor que ia conseguir de Dean, pelo menos naquele momento.
_São duas condições , idiota!
_Hein?
Sam levantou os dedos para ele.
_Não sabe contar? Quartos separados: uma, não falar no assunto: duas. –deu uma risadinha de lado – aceito as duas, por enquanto...
Ficaram em silêncio se olhando. Deam pensando que provavelmente estava tomando a melhor decisão para Sam e a pior para ele mesmo. Pensou em como seria fácil apenas se curvar um pouco e tocar-lhe os lábios de leve. Como seria fácil aceitar e fingir que todo aquele desejo confuso de Sam era verdade e viver um pouco o gostinho daquele sonho.
Mas sabia que no fim, tudo seria muito pior, quando Sam se desse conta de que não era real, ele sofreria mais ainda, e pior, faria Sam se sentir culpado. E os sentimentos e o bem estar de Sam ainda vinham em primeiro lugar. Sempre.
Voltou a falar com ele, tentando aparentar tranquilidade.
_Onde você tá hospedado?
A mudança súbita de assunto deixou Sam momentaneamente perdido.
_Oque...oque você disse?
_Tá onde? Onde se hospedou?
Sam coçou a testa, um gesto tão típico de quando estava confuso que Dean chegou a sorrir.
_Aqui. Aqui mesmo, no dezenove.
Dean ergueu as sobrancelhas para ele.
_É melhor você ir pro seu quarto então.
Sam se empertigou todo.
_Não senhor, você não vai fug...
_Não vou, Sam. Fica tranquilo. Só acho que você precisa descansar e eu também. Amanhã a gente conversa melhor. Eu tenho um caso novo, amanhã te mostro os arquivos e você me ajuda, ainda tem umas lacunas que eu não preenchi.
_Sobre o que é?
_Acho que é um metamorfo, sei lá! Vai dormir que amanhã eu te mostro.
Sam pesquisou o rosto de Dean para ver se ele estava mentindo ou tentando enganá-lo.
_Tá bom. – concordou – mas só se você me der as chaves!
_Oque?
_Dá as chaves do seu carro, Dean!
_Sam, qual é? Eu não vou fugir na calada da noite.
Sam continuou bicudo com a mão estendida para ele.
Dean rolou os olhos e jogou as chaves do Impala na mão de Sam, estava cansado demais, assustado demais, confuso demais para mais discussão, então apenas atirou as chaves na mão dele, seguiu em direção a porta e abriu fazendo um gesto convidando-o a sair.
Sam ainda ficou alguns minutos parado, estranhando aquele comportamento deles.
Tinha dirigido feito um doido para alcançá-lo, tinham conversado, brigado, conversado novamente e Sam tinha pensado seriamente em beijá-lo, se arrependendo por não tê-lo feito. Talvez se o tivesse beijado teria feito ele calar a boca e os poupado de toda aquela ladainha.
Ou talvez Dean estivesse certo e aquela fosse a melhor decisão.
O tempo ia ser seu aliado, Dean era desconfiado e cabeçudo e não ia adiantar nada ficar berrando com ele. Não ia convencê-lo assim. Se Dean achava que ia mudar alguma coisa estava muito enganado, porque se ele chegou confuso e perdido naquele quarto, agora estava muito mais calmo e mais consciente do que estava sentindo. Talvez não devesse dar nome àquele sentimento ainda, mas sabia muito bem o que queria.
Queria se enroscar com ele, beijar sua boca e jurar por Deus que ia fazê-lo feliz. Queria puxar Dean contra o seu peito e protegê-lo de toda dor do mundo.
Queria era vê-lo sorrir, um sorriso de verdade e queria ser feliz com ele.
-W-
Dean mal tinha acordado e alguém já batia à porta, levantou meio tonto de sono, batendo o dedinho contra o pé da cama, xingando e resmungando, deparou-se com Sam com o punho erguido pronto para esmurrar a porta novamente.
_Porra Sam! Caiu da cama?
_Porque demorou pra atender? Achei que você tinha dado um jeito de se mandar!
Dean só bufou abrindo mais a porta e fazendo um sinal pra ele entrar.
_Como? se você ficou com minha chave idiota!
_Toma –Sam estendeu o telefone pra ele – É o Bobby, quer falar com você.
Dean arregalou os olhos sentindo uma pontinha de pânico, gesticulou para Sam perguntando o que ele queria.
_Sei lá – Sam sussurrou de volta – põe no viva voz.
_Hei Bobby!
_Garoto, eu quero saber o que está acontecendo e quero saber agora.
Sam mordeu o lábio assutado.
_Bobby, do que você tá falando?
_Sam me disse que vocês se acertaram...
_É.
_Então porque vocês estão em quartos separados? Dá pra explicar? Vocês não se acertaram nada, né. Ainda estão brigados.
_Não Bobby – Dean estava se sentindo pego fazendo arte, Bobby era muito astuto e não era fácil mentir pra ele, principalmente com Sam gesticulando e tentando pegar o telefone. – A gente tá bem.
_Então...
_É complicado.
_Escuta aqui garoto, e você também Sam, eu sei que você tá ouvindo... – Sam pulou pra trás se afastando do tom ameaçador – não sei que diabos vocês tão aprontando, mas eu quero ver vocês.
_Bobby, agora não dá!
_É. Eu sei, também estou enrolado com os lobisomens que eu te falei, mas quando eu te ligar, é melhor você e seu irmão arrastarem a bunda até aqui bem depressinha, senão eu vou atrás de vocês. Entendido?
_Sim Senhor.
_Sam?
_Cla-claro Bobby.
_Certo, cuidem-se.
_Você também.
Dean desligou o telefone bem devagar com cuidado como se ele pudesse explodir na sua mão.
_Merda.
"mais essa agora"
-W-
O acordo entre os irmãos estava dando relativamente certo, embora Sam chegasse ao cúmulo de rastrear Dean pelo GPS e depois ligar para conferir o endereço. Dean reclamava que ele parecia uma esposa ciumenta e ele devolvia que não tinha culpa que Dean era escorregadio e vivia tentando passar a perna nele.
Se falavam pelo menos uma vez a cada um ou dois dias e Sam brigava com ele se ele não retornassem seus telefonemas quase que imediatamente. E continuavam enrolando Bobby, Dean não queria confrontá-lo e como ele e Sam aparentemente estavam superando as divergências, na opinião de Bobby, podia dar esse tempo para eles.
Ainda que permanecesse com a pulga atrás da orelha.
A situação não era confortável para Dean, mas ele estava sinceramente tentando fazer dar certo.
Pelo bem de Sam.
Também se viam com frequência, se estavam muito distantes Sam largava tudo e ia ao seu encontro. Passavam algum tempo juntos, bebendo, estudando os casos de um ou de outro, quando estavam juntos sempre se hospedagem no mesmo lugar e embora Sam insistisse várias vezes na quebra de acordo, Dean não aceitava ficar se não fosse em quartos separados, e também não admitia uma única palavra sobre aquele assunto.
Estavam aprendendo um novo jeito de conviver e embora Sam tentasse seguir as regras impostas por Dean, não tinha desistido. Esperava com paciência ele baixar a guarda.
-W-
_Dean, isso me parece perigoso. Tem certeza que não quer ajuda?
_Não Sam tá tudo bem, eu dou conta.
Dean estava em uma caçada sozinho, Sam estava próximo, mas em outra cidade. Aparentemente um caso de possessão. Dean tinha mandado os arquivos para Sam dar uma olhada.
Alguns corpos com as gargantas abertas. Típico de demônios atacando pessoas, mas não conseguiam descobrir a nenhuma conexão entre as vítimas.
_A Dra. Mitchel vai autopsiar a última vítima, e vai me ligar quando tiver os resultados dos exames.
Dean tinha contado a Sam que a tal doutora era filha de caçador, conhecia muito do sobrenatural. Inclusive eles já se conheciam, John foi amigo do pai dela e pelo tom de Dean, Sam suspeitou que talvez eles se conhecessem um pouco mais intimamente do que ele deixava transparecer.
Sam se perguntou se ela seria bonita.
Foi ela quem ligou para Bobby pedindo ajuda por causa da estranheza dos casos. A polícia achava que tratava-se de um caso de múltiplos assassinatos, mas a experiência da médica lhe dizia que havia algo muito errado ali.
Sam não gostou muito do tom de admiração na voz de Dean enquanto ele discorria sobre o quanto a "Dra. Mitchel era perspicaz".
"Perspicaz? Fala sério, se você era metido com o sobrenatural, o que tinha de perspicaz em desconfiar de algumas gargantas cortadas? Perspicaz uma ova!"
_A Grace disse...
_Grace?
_É, a Dra. Mitchel, então... ela disse que as vítimas não aparentam nenhum outro tipo de ferimento, e duas delas foram mortas juntas, sem resistência. Dois policiais que faziam uma ronda. Me diz como alguém corta a garganta de dois policiais armados, treinados e eles se quer tentam reagir. Muito estranho.
-É, bem estranho. Tem certeza que não quer que eu vá, eu chego aí em duas, três horas no máximo.
_Não, não precisa. Eu tenho uma pista da onde esse demônio andou se escondendo, só vou esperar a ligação da Grace para ver se ela tem mais alguma novidade e depois vou dar uma olhada na cabana.
_Dean, cuidado ok.
_Ah, Grace tá na linha, tchau Sam.
_Oque... –Dean já tinha desligado - Mas quem é essa tal de Grace afinal? – Sam perguntou pra si mesmo se sentindo ciumento e irritado.
Seu instinto estava lhe dizendo que tinha algo errado e mesmo contra vontade de Dean resolveu que iria até ele. Deixou o laptop conectado no GPS do celular e se pôs na estrada.
Pouco depois seu telefone tocou com uma nova mensagem. Era de Dean, ele enviara várias fotos da última vítima dizendo que foram feitas pela tal Dra. Mitchel, Grace para Dean. Nessas fotos Sam pode notar uma marca estranha no ombro, próximo ao corte no pescoço. Por algum motivo a marca despertou sua atenção. Fez uma parada numa loja de conveniência e providenciou uma impressão amplificada da foto.
Gelou com o resultado, era uma marca antiga que ele conhecia bem, um símbolo associado a uma seita de bruxaria.
Não era um demônio que Dean caçava, era uma bruxa.
E Dean não estava nem minimamente preparado. Sam tentou falar com ele desesperadamente, mas não conseguia completar a ligação.
Pesquisou e encontrou a tal Dra. Mitchel, resumiu o caso para ela em poucas palavras enquanto acelerava fundo pela estrada, pedindo para ela rever os arquivos referentes as outras vítimas e verificar se encontrava marcas semelhantes.
Depois de quarenta minutos ela retornou a ligação, informando que tinha localizado marcas semelhantes em pelo menos mais duas das outras três vítimas, acrescentando que as marcas não chamaram atenção antes por parecerem-se muito com manchas de nascença, daquelas formadas por vazamentos sanguíneos de vasinhos capilares fracos.
Sam não entendia qual poderia ser o motivo dos membros da seita estarem sendo dizimados um a um, mas suspeitou que poderia tratar-se de uma disputa por poder, talvez um membro mais ambicioso roubando o poder dos outros. Não seria a primeira vez que um bruxo poderoso se virava contra sua própria seita.
Sam não pode deixar de notar o quanto a Dra. Mitchel, "Grace" se você fosse intimo, estava apreensiva e preocupada com Dean.
-W-
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