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Capítulo VIII
Considerações sobre o capítulo: Não estou focando no caso da bruxa por que francamente, não é meu forte elaborar casos sobrenaturais. Sei que isso pode ser uma falha, mas peço que relevem até porque, o foco não são os casos e nem os mistérios, e sim a evolução do relacionamento deles. Os casos citados não servem senão para criar um "gancho" entre uma situação e outra.
Sinceramente, me desculpem a falta de imaginação quanto a isso, espero que não afete a apreciação da história como um todo.
Se quiser curtir fique à vontade. Pra quem já curti, divirta-se!
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Não foi difícil localizar a cabana graças ao GPS do celular de Dean. Se não fosse por isso, provavelmente ele estaria morto antes que pudesse alcançá-lo, porque se demorasse mais um minuto a bruxa o teria partido ao meio.
Graças a Deus Sam estava preparado e conseguiu finalizar o ritual a tempo.
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Ele andava rápido pela mata sendo seguido não tão de perto por Dean que ofegava bastante., logo percebeu que Dean estava machucado e teve que brigar com ele para poder ver o ferimento. Depois de depositar a mochila com os apetrechos que utilizaram para o ritual no chão, Dean ergueu a camisa e mostrou para Sam onde estava doendo. Todo o lado esquerdo do corpo dele das costelas até o osso do quadril começava a arroxear num enorme hematoma.
_Porra Dean, porque não me falou que tava feio assim?
_Não é nada Sam.
_Ah não é? Pode ter até quebrado uma costela isso sim! Pode estar com hemorragia, sei lá.
_Unf! – Dean gemeu enquanto Sam apalpava suas costelas em busca de ossos quebrados.
_Acho que não tem nada quebrado, mas pode ter trincado alguma coisa. Vamos, quando chegarmos eu olho direito. Pelo menos não está quebrado, vem!
Enquanto falava Sam enganchou a mochila de Dean nos ombros, passou a sacola que ele próprio segurava por cima do ombro direito e pegou o rifle que Dean carregava. Estendeu a mão livre para o irmão, que ficou olhando para ela com cara de bobo, a boca meio aberta, sem entender bem o que ele queria, na dúvida apenas rosnou alguma coisa para Sam que soou como "nem fodendo!"
_Vem logo!
Sam enganchou a mão enorme na mão de Dean e praticamente o rebocou morro acima ignorando seus guinchos de indignação. Apesar de chiar um bocado por achar ruim ser arrastado assim, de mãos dadas,"parecendo duas menininhas passeando no parquinho" em sua opinião, não pôde reclamar muito porque estavam cobrindo a distância muito mais rapidamente, sem todo o peso extra para ele carregar, e com Sam fazendo todo o esforço da subida, estava conseguindo caminhar melhor sem sentir tanta dor.
_Me dá a chave! – Sam abriu a porta do carona e ajudou Dean a sentar-se, depois abriu o porta malas e jogou as ferramentas e sacolas lá. Em menos de dois minutos estavam de volta à estrada rumo ao quarto que Dean alugava..
Sam passou o trajeto lançando olhares preocupados ao irmão que tentava encontrar uma posição confortável recostado contra o banco do impala.
Mal fechou a porta do quarto já foi ordenando a Dean que tirasse a camisa e começou a examiná-lo, sempre sob protesto.
Sam virava Dean pra lá e pra cá, apalpando-o e fazendo-o se esticar e dobrar até ter certeza que todos os ossos estavam inteiros.
_É! Acho que é só a pancada mesmo, mas ainda tem risco de ter afetado algum órgão.
_Argh! Que chato que você é! Eu só preciso de um banho!
_Certo!
Sam foi entrando com ele no banheiro, ligou a água quente e fria da banheira testando a temperatura, fechou a tampa do ralo e se sentou na borda cruzando os braços.
_O que?
_O que oquê?
_Qual é? Vai querer me dar banho agora?
Dean estava começando a ficar meio assustado com Sam, isso sim.
_Não! Não vou te dar banho!
_Então...
Dean continuou parado no meio do banheiro apenas de calças, olhando em expectativa para Sam.
_...eu não vou te deixar sozinho, Dean! Você pode desmaiar, sei lá! Você pode ter uma hemorragia, eu já disse! Não vou te deixar sozinho.
_Nem fodendo que eu vou tomar banho com você aqui!
_Ah qual é? Eu já te vi pelado um milhão de vezes! – Sam estava se divertindo com o constrangimento de Dean, ele estava muito engraçado, segurando as calças abertas e a toalha na frente do peito, corando feito uma mocinha.
_É diferente!
_O que é diferente Dean? – realmente estava divertido aquilo de provocar Dean, apesar de Sam estar sinceramente preocupado com ele.
_Sai fora, Sammy! Eu deixo a porta aberta.
Sam considerou um pouco lançando olhares avaliadores sobre Dean.
_Beleza, mas se você fechar a porta eu arrombo, ouviu?
Dean só terminou de se despir quando teve certeza que ele não iria voltar para mais uma conferida, até pensou em desobedecer e fechar a porta, mas achou que ia parecer provocação, e acabar com Sam invadindo mesmo o banheiro, e ele todo peladão lá dentro.
"Melhor não."
Mergulhou na banheira e escorregou se ajeitando confortavelmente, a água morna relaxando todos os seus músculos tensos e doloridos. Se ensaboou e enxáguo cuidadosamente. Encostou a cabeça na borda e fechou os olhos curtindo aquele pequeno luxo.
Quando abriu os olhos novamente, sentiu-se meio desorientado sem saber direito onde estava. Sentou-se rápido na banheira, cobrindo-se lá no meio com as mãos, todo vexado. Devia ter cochilado porque a água já começava a esfriar.
Sam estava sentado na borda olhando-o, e Dean enrubesceu imediatamente. Aquilo estava ficando embaraçoso, ficar vermelho e tremelicando a toda hora não estava ajudando muito a manter a sua pose de "não tô nem aí que você veio."
Sentiu-se ridículo cobrindo as partes com as mãos.
"Como se meu pinto fosse alguma novidade! Ai, como eu sou besta!"
E ficou pior quando Sam pôs a mão no rosto dele e empurrou sua cabeça levemente pra trás.
_O que...
_Não lavou o cabelo, tá cheio de terra.
Sam jogou água em seus cabelos e os lavou delicada e cuidadosamente, Dean estava paralisado dentro da banheira, concentrado apenas em respirar sem gemer, chegou a fechar os olhos por um momento totalmente embriagado pela sensação dos dedos de Sam correndo por seus cabelos numa carícia suave.
"Ai meu Deus, tira ele daqui!"
Mais um minuto daquela mãozona segurando sua nuca e a outra acarinhando seus cabelos e Sam ia perceber como Dean tinha as mãos pequenas.
Sam levantou dando-se por satisfeito finalmente, estendeu uma toalha para Dean, que a pegou de dentro da banheira.
_Estou te esperando! – disse saindo do banheiro antes que Dean pudesse perguntar para que exatamente, ele o esperava.
Quando chegou ao quarto ainda envolto na toalha viu com um certo alívio que Sam tinha o kit de primeiros socorros sobre a cama e o esperava para os curativos que ele certamente precisava. Foi até a sua mochila onde pegou roupas limpas, teve vontade de xingar Sam quando ouviu o risinho dele por Dean voltar ao banheiro para se trocar, mas nem a pau ia deixar a bunda no vento na frente dele.
Pensar em ficar pelado na frente de Sam fazia Dean se sentir...pelado!
Vergonha do seu corpo? Eis um sentimento totalmente novo.
"Oh merda! Virei uma virgem!"
_Não põe camisa! – ele gritou do quarto – suas costas estão cheias de cortes.
_Tá bom!
Sentado na cama com Dean posicionado na sua frente, Sam tinha limpado e desinfetado os cortes e arranhões e terminava de enfaixar suas costelas, lutando contra o suave tremor das próprias mãos e a clara excitação da respiração rápida de Dean, que o estava levando as alturas.
_Tá muito apertado?
_Não! tá bom!
Sam deixou as mãos pousadas levemente sobre sua cintura e encostou a testa contra seu ombro. Dean podia sentir o calor da sua respiração batendo contra sua pele nua. A tensão do momento fazendo seu coração pular no peito. Se esquentou e arrepiou inteiro ao sentir o suspiro lento dele soprando suave e morno sobre a pele do seu ombro.
Seu corpo todo estava tremendo, era impossível Sam não notar, e sentir o calor do corpo dele logo ali, quase colado as suas costas era o inferno e o paraíso ao mesmo tempo.
Sam pensava em qual deveria ser seu próximo passo. Sentia os tremores do corpo dele sob as palmas das suas mãos e via a pele arrepiando a cada movimento sutil que fazia. Era delicioso-assustador-estranho-adorável saber que era por ele que Dean arfava e tremia, se arrepiando todo com a penugem loura da nuca toda eriçada, mas infelizmente o momento foi quebrado porque o estômago de Dean roncou alto e de um jeito esquisito, parecendo um animal rugindo.
Foi tão desproporcional no silêncio tenso do quarto que os dois começaram a rir.
_Porra Dean, você sabe mesmo acabar com o clima!
Dean aproveitou a deixa para levantar da cama, disparando pelo quarto e pondo uma distância segura entre ele e Sam antes de perguntar.
_Sam, o que significa tudo isso, cara? Eu não tô entendendo, pensei que a gente tinha esclarecido as coisas, meio que se acertado.
_Não Dean, a gente não acertou nada. Eu aceitei esse acordo idiota porque senão você ia fugir. Mas agora chega Dean, o tempo já passou, eu sei bem o que eu quero e não adianta você continuar fugindo de mim. Você disse que a gente não ia se separar, mas a gente tá se separando aos poucos, e eu não quero mais ficar longe de você. Eu não aceito mais ficar longe de você!
_Sam, tenta me entender.
_Não!
_Sam!
_Olha, eu vou buscar alguma coisa para gente comer, tem analgésico e relaxante muscular na minha mochila, toma um de cada, sabe quais são, né? Eu já volto.
_Sam! Volta aqui!
_Tchau Dean!
Saiu batendo a porta ignorando os berros irritados do irmão.
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Sam voltou logo com alguns sanduíches, encontrando Dean cochilando no sofá. Enquanto comiam Dean tentou voltar ao assunto do motivo da separação deles, mas Sam recusou-se a conversar, dizendo que estavam ambos cansados e que era melhor dormirem. Como Dean já começava a sentir o efeito dos comprimidos, com as pálpebras pesadas e os músculos lentos do efeito dos remédios e de sono, acabou por aceitar.
Caiu na cama e desmaiou de cansaço.
Sam continuou acordado ainda por muito tempo, sem conseguir relaxar. Nem se importou muito, por que ainda estava preocupado com Dean, ele estava mesmo muito machucado.
Sam passou a noite alternando entre breves cochilos, e momentos despertos em que aproveitava para dar uma olhada no irmão.
Se estava com febre ou com dor, e também para apenas admirá-lo, seu rosto bonito repousando sereno, seus longos cílios, a boca carnuda quase feminina, se não fosse o complemento do rosto belo, mas totalmente masculino.
Dean era bonito demais e toda aquela beleza aliada à pose de machão e o jeito sacana de ser fazia com que ele fosse praticamente irresistível.
Namorou descaradamente as sardas que pontuavam seu nariz e o alto das bochechas, a pele branquinha, os expressivos olhos verdes com aquelas ruginhas deliciosas quando ele ria.
Riu de si mesmo, sentado na penumbra, babando igual a um tarado, morto de vontade se jogar em cima dele e fazer um monte de coisas que gostava de fazer na cama e outro tanto que nunca tinha feito, mas estava louco pra experimentar.
Experimentar com ele, experimentar nele.
Não era a toa que Dean arrancava olhares onde passava. Com aquela cara e aquele corpo, sem falar naquela pose dele. Sam sorriu ao rever em pensamentos o modo como o irmão andava, olhando para tudo com aquela cara cínica dele e aquele meio sorriso safado, o peito empinado, as pernas tortas, se balançando suavemente pra lá e pra cá enquanto andava. Olhando tudo em volta como se fosse o dono do pedaço.
Dean se remexeu na cama, esparramando as pernas pelo colchão, empurrando e puxando o lençol com os pés até se descobrir totalmente.
Sam prendeu a respiração com medo que ele acordasse. Seus olhos foram atraídos pelo pedaço de pele da barriga, exposto logo abaixo da linha das ataduras, parando um pouco para apreciar os pelos louros do baixo ventre e imaginar qual seria a sensação de passar a ponta dos dedos ali.
Ou os lábios.
Ou a língua.
Chegou a estremecer com a sensação, jogou a cabeça pra trás, respirou fundo, riu de novo da sua própria "sem-vergonhice" espantado com sua imaginação. Voltou a correr os olhos descendo para o volume macio entre as pernas formado pelo pênis flácido por baixo da roupa de dormir. Por um momento teve ímpetos de se deitar com ele e tocá-lo suavemente ali, até fazer aquilo ficar bem visível por baixa da cueca, bem visível mesmo. Balançou a cabeça, continuou sua apreciação se sentindo meio tarado, escorregando os olhos pelas coxas grossas, pelos deliciosos pelos louros. Teve mesmo que se segurar para não estender a mão e agarrar a carne branca e saborosa da coxa dele.
Estava ficando com tesão.
De novo.
"melhor tomar um banho antes de acabar fazendo uma besteira"
Rumou para o banheiro totalmente disposto a se comportar pelo resto da noite, e até quando fosse necessário para fazer Dean baixar a guarda.
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Pela manhã Dean estava decidido a enfiar algum juízo na cabeça de Sam, e Sam decido a fazê-lo entender seus sentimentos.
_Dean, você deu as ordens até agora, e eu obedeci, você disse que eu precisava desse tempo para descobrir como eu me sinto de verdade, não foi? Então...
_Você tá louco!
_É! Estou louco por você! –Sam se aproximou dele de um jeito predador, e Dean disparou para longe dele. – Você não vai mais fugir de mim, Dean! Eu não deixo, por que eu quero você!
_ Oque você quer? Quer oque...ficar comigo? É isso? Tá dizendo que tá afim?
_É seu cabeçudo! Eu quero ficar com você, eu tô muito afim!
_Não tá nada!
_Pelo amor de Deus Dean, acredita em mim! eu quero você, por que você não acredita?
_Não pode Sam, tá errado!
_Que se dane que tá errado! Foda-se, eu não ligo!
_Sam, você já pensou nisso? Isso é incesto! Sabe o significado da palavra incesto?
_É! Eu sei bem oque significa, tá!
_Parece que não sabe não!
_ Dean, eu sei que incesto é muito mais que um tabu cultural ocidental, eu sei porra!
_Ah meu Deus, Sam! – Dean rodava pelo quarto com as mãos agarrando os próprios cabelos, claramente tendo um ataque de pânico. Mais um, andava tendo muitos desses ultimamente.
_Tabu cultural? – ele oscilava entre a raiva e a incredulidade – tabu cultural é o cacete, é muito mais que isso! É...sei lá, é... é... é errado, porra!
_Eu sei. - Sam respondeu calmamente - eu sei que é errado. Também é errado roubar, mentir, matar e a gente faz tudo isso.
_Puta que o pariu! Isso é diferente!
_Por que?
_Por que? Por que é o nosso trabalho, a gente faz isso para ajudar os outros. Pra salvar pessoas!
_Ah, quando é em benefício dos outros vale fazer tudo que é errado? Tudo se justifica, quando é pra nossa felicidade, aí não pode? Fala sério!
_Fala sério você! Você tá doido, isso sim. Você pirou de vez, é essa porra de barreira de merda, né? Caiu? Só pode!
_Dean, se acalma!
_Não! Não tem como ficar calmo com isso. – Dean gesticulava e andava em círculos sem conseguir se expressar, sem conseguir por pra fora todo o desespero que ele estava sentindo.
_Sammy, isso é muito mais que um tabu cultural! Me diz um lugar no mundo, uma cultura que ache isso normal Sam, pelo amor de Deus! Aqui mesmo, tem lugar que é até considerado crime, sabia? E você vem e me diz que quer isso? Você não pode aceitar isso assim!
Isso era um absurdo, Dean estava irritado com ele porque era correspondido? O que ele queria? Que ele o odiasse, não olhasse mais na sua cara? Queria que ele fizesse o que? Enchesse a barra da camisa de pedras e tacasse na cabeça dele?
_Não é isso que eu tô dizendo, Dean, eu não tô dizendo que é normal! Em lugar nenhum! Mas também não é essa coisa nojenta que você tá fazendo parecer. Nosso caso é diferente!
Sam buscava modos de esclarecer para Dean a maneira como ele via o sentimento entre eles, que apesar de não ser normal, era no seu ponto de vista, aceitável, porque a vida que eles levavam não era normal. O relacionamento afetivo deles também não, a ligação entre eles transcendia essas barreiras.
_ A gente não tá falando de gente louca que seduz crianças, de pai violentando filho, eu sei lá, crianças abusadas dentro de casa!
_ Continua sendo incesto, Sam!
_Nossa relação não é uma relação forjada pela coação Dean, entende isso! Nem pela força, nem pela sedução pela figura de autoridade em que essas leis se baseiam.
Sam falava baixo, manso, tentando fazê-lo entender, chamar a sua atenção, entrar por baixo do pânico que ele demonstrava estar sentindo e fazê-lo ouvir seus argumentos, entender sua posição e acreditar nos seus sentimentos.
Realmente acreditar.
_Essas leis existem para proteger os mais fracos Dean, crianças abusadas, o que é muito justo! Não dá pra aceitar uma criança sendo abusada por gente que deveria protegê-la! Nosso relacionamento não é assim! Quer dizer, nós somos adultos Dean e eu escolho você! Entendeu?
Sam batia a mão no peito pra ilustrar, usando todos os recursos para conseguir fazer Dean entender sua aceitação e fazer ele próprio parar de se condenar e aceitar.
_Eu não me importo com a opinião dos outros, Dean, não ligo pro que vão pensar. Eu sei que vai ser uma barra mas a gente enfrenta!
Se nem os anjos e nem o diabo conseguiram separar os dois, então porque Dean ainda relutava tanto em aceitar que eles eram um do outro?
_Eu estou escolhendo você! Eu te escolho e isso não é errado! Não importa que as pessoas achem errado, nojento. Eu não acho! O que você sente é nojento? É sujo? O que você sente por mim é sujo, Dean?
_Onde você quer chegar?
_Responde! Seu sentimento, não, seu amor – essa era apalavra certa – seu amor por mim é nojento Dean? Seu amor é sujo?
_Não! É claro que não! Eu nunca faria nada para te magoar, meu Deus, não! Tente entender Sammy! Eu só quero o melhor pra você, eu quero que você seja feliz!
_Eu sei e eu entendo, então tente entender você também. Eu quero ser feliz, eu quero ter alguém, eu não quero mais ser sozinho. Eu não quero passar o resto da minha vida sozinho, por que a gente não pode ficar junto então?
Sam tentava argumentar com ele, fazê-lo entender que queria o que ele queria, que podiam ficar juntos e ser o apoio um do outro, fazer a felicidade um do outro apesar de tudo.
_Ah Sam! Você pirou cara! Isso é algum tipo de acordo? É isso, você tá propondo algum tipo de seguro contra a solidão? Você pirou! Não pode estar falando sério!
Ele estava se descontrolando novamente e Sam não conseguia encontrar uma maneira de fazê-lo entender seus sentimentos, seus desejo, seu amor.
-Não é nada disso, porra! Você não tá me ouvindo! Que merda!
_Então o que é, cara? Sério, eu não tô entendendo onde você tá querendo chegar com essa conversa do que é certo pra nós , esse papo de felicidade e essas porras!
Sam passou as mãos pelos cabelos, estava decidido, não ia perder Dean, não ia deixar toda aquela culpa, todo aquele instinto de auto punição ficar entre eles. Não agora que tinha se dado conta de todo aquele sentimento, que tinha aceitado o amor dele e tinha assumido o seu próprio.
Que fosse tudo a merda, se ele não conseguia ver a lógica, ouvir a voz da razão, Sam ia partir para uma forma inquestionável de expressão.
Avançou sobre Dean prendendo seu rosto entre as mãos enormes, esfregou o polegar sobre seu lábio, colou a testa na dele, respirando forte, mordendo os próprios lábios.
_Essa sua boca me deixa louco, Dean! É isso que você precisa entender! Olha para mim!
Sam segurou seu rosto entre as mãos olhando dentro dos seus olhos.
_Eu também tô apaixonado por você, Dean! Entendeu agora? Eu tô apaixonado e não vou te perder! Eu não aceito te perder, ninguém vai tirar você de mim!
Esfregou a boca na dele, Dean permaneceu paralisado, as mãos se apoiando suavemente nos antebraços dele.
_Você me deixa louco, sabia? Me deixa com tesão, eu olho para você e fico tarado! – deslizou a mão do seu rosto para seu pescoço, por suas costas até sua bunda, puxou-o contra si se apertando nele, deixando claro do que estava falando.
_Não é nenhuma porra de seguro contra solidão, é tesão Dean! Eu tô assim desde que eu cheguei! Eu tô com tesão e eu quero foder você, entendeu? Eu tô assim por você! Porque eu te amo e você me enche de tesão, me deixa duro só de te olhar, olhar essa sua boca desgraçada de gostosa!
Segurou Dean pelo pulso e forçou sua mão lá para baixo, a outra mão apertando sua nuca, a boca no seu ouvido, respirando forte e quente, deixando Dean zonzo.
_Sente! Tá sentindo como eu estou? Eu quero te beijar e te lamber inteiro! Eu quero te morder! Isso é de verdade, meu amor é de verdade! Eu sinto saudade e tô morrendo de ciúme, eu fiquei com ciúme daquela médica, sabia? Aquela cadela! Sabe porque eu resolvi vir Dean? Hum... sabe? Porque eu fiquei com medo de você acabar fodendo ela.
Esfregou a mão de Dean sobre si, no volume duro do pênis, gemendo e mordiscando o queixo dele, Dean permanecia paralisado, todo o corpo em turbilhão sem conseguir reagir e nem pensar.
_Você fodeu ela, Dean? Fodeu?
Sam ofegava e enquanto falava foi empurrando Dean contra a parede onde ele bateu com um baque. Sam se encostou mais nele, esfregou o polegar de novo contra o lábio carnudo puxando pra baixo.
Mordiscou-o ali.
Segurou seu rosto com força entre as mãos, bateu sua cabeça de leve na parede, seu rosto se torceu de raiva e Dean viu que era sim, ciúmes.
Quente, forte, possessivo, desesperado.
_Vai, me fala! Fala logo de uma vez, você comeu aquela vaca?
_N-não!-Dean mais gemeu do que respondeu, e Sam soltou o ar num suspiro profundo contra sua boca.
_Jura? Você jura que não?
_Porra Sam, eu tô falando que não.
_Então jura!
Dean buscou seus olhos, mordeu a boca, puxou o ar em haustos, assustado com o jeito desesperado de Sam, as palavras dele dançando na sua mente, o rosto muito próximo transtornado de ciúme. Sorriu para ele, nervoso e feliz, passou a língua nos lábios, mordeu de leve, vendo o olhar febril de Sam sobre eles.
_Eu juro, Sam. Nem cheguei perto.
Sam esfregou o rosto nele, suspirando aliviado.
Dean sentiu o seu alívio.
_Essa sua boca é um pecado sabia? – envolveu a mão na sua cintura e subiu pelas suas costas sentindo o tecido das ataduras por baixo da camiseta fina, mas sem se dar conta do que era, tão excitado que estava.
Apertou as costas de Dean com força, arrancando um gemido dele.
_Ah merda! Desculpa, esqueci.
_Tudo bem! – agora era Dean quem estava ofegante e apertava Sam entre os braços enquanto buscava sua boca. Sam mordiscou seus lábios, lambeu e esfregou seu rosto no dele, num roçar alucinante, respirando forte com a boca aberta, perto e longe, tocando de leve com a língua sua boca febril.
_Porra Sammy, beija logo, caralho!
Sam riu e se empenhou em corresponder ao beijo, quente, molhado, apertado, voraz.
Enfiou a língua na sua boca e a perna entre suas coxas, esfregou o pênis duro contra sua virilha gemendo indecente, sem vergonha, dentro do beijo. Dean abriu mais os lábios, deixou a língua dele entrar bem dentro da sua boca, tocando e lambendo tudo que pudesse alcançar, sentiu seus dentes arranhando seus lábios, sentiu sua boca sendo devorada. Sam mexia os lábios e enfiava a língua com força, lambendo e chupando com desespero, as mãos enormes prendendo seu rosto, puxando-o contra si, se enfiando entre seus cabelos, apertando sua nuca. Sam correu a boca pelo seu queixo, mordendo e lambendo até chegar a orelha. Botou a boca ali e gemeu bem alto deixando Dean com as pernas bambas. Deslizou a mão pela coxa, agarrando a carne sob o jeans.
_Ah que gostoso, Dean!
Ergueu a coxa e puxou o quadril dele pra frente, o movimento brusco arrancou outro gemido de Dean, mas de desconforto.
Sam levou as mãos para sua cintura, apoio a testa contra seu ombro, respirando rápido. Voltou a beijá-lo, mas com delicadeza, tentando acalmar aquele fogo todo que estava sentindo.
_Melhor a gente ir com calma, senão acabo te partindo as costelas de verdade.
Dean bateu a cabeça contra a parede num gesto de frustração.
_Puta merda, agora que eu entreguei o jogo! – riu contra o ombro dele todo nervoso, excitado e feliz.
Sam passou as mãos delicadamente por sobre a camiseta sentindo as ataduras ásperas.
_Te machuquei? Tá doendo muito?
_ Tá doendo para cacete.
_Desculpa, eu não queria te machucar!
_Tudo bem. É só não me apertar muito aí! - respondeu sentindo as mãos de Sam acariciando de leve suas costelas.
Sam desceu uma mão para sua bunda e perguntou rindo contra seu pescoço.
_E aqui, pode?
Safado.
Dean riu, beijando sua bochecha.
_É, aí acho que pode.
Sam deslizou a outra mão pela sua barriga e pelo seu baixo ventre suavemente, virou o rosto lambendo da sua boca até sua orelha, enfiou a língua lá dando uma lambida bem molhada, escorregou a mão para o volume sob o jeans, puxando o ar entre dentes ao tocá-lo ali e ver que ele estava duro também. Deu-lhe um apertão enchendo a mão, gemeu rouco no seu ouvido.
_E aqui, Dean? Pode?
Dean jogou a cabeça para trás, fecahndo os olhos e mordendo a boca.
_Ai meu Deus!
Sam mordeu seu pescoço, distribuiu deliciosos beijos chupados por toda a extensão, enlaçou sua cintura e puxou-o contra si. Dean gemeu de dor de novo.
_Droga! Bruxa lazarenta, filha de uma puta! - praguejou com tanta raiva que Sam riu do jeito dele.
_Tudo bem, eu posso esperar! - Dean resmungou e praguejou de novo, Sam o beijou fazendo ele se calar - É melhor a gente ir com calma, porque eu não vou conseguir me segurar, Dean.
Dean arfou, aquilo soou tão erótico em seus ouvidos que ele se sentiu até um pouco assustado com o jeito dominador de Sam, que falava no seu ouvido entre beijos e sussurros, enquanto acariciava suas costas e cintura de leve, tentando se acalmar.
_É muito azar, que merda! - só de ficar em pé contra a parede sentindo parcialmente o peso de Sam, suas costelas já estavam pegando fogo de dor, se remexeu incomodado - Acho que não vai dar mesmo!
_Ah, vai dar sim! Mas não agora! – encostou o rosto contra a curva de seu pescoço rindo enquanto fazia força para manter-se abraçado a ele, já que Dean tentava empurrá-lo em protesto.
_Tá bem convencidinho, hein?
_Você me quer que eu sei, então pode parar de fazer doce!
_Quem disse que eu vou dar...ahnn, Sam! – Dean perdeu o fôlego e as palavras quanto Sam juntou as duas mãos no seu traseiro e se esfregou bem gostoso nele, com cuidado, devagar mais firme.
_Puta merda, Sam! Tá querendo me matar!
_Pelo menos agora você para com essa bobagem de me mandar embora, né?
O tom era de brincadeira mas Dean sabia que aquela resposta valia todo o resto da vida deles. O que ele decidisse ia moldar seu futuro como irmãos, como amigos, como amantes. E ele viu que queria mesmo ser um casal com Sam, por mais que ainda se enchesse de vergonha com aquele pensamento.
_Eu não vejo como viver minha vida sem você, Sam!
_Isso é um sim, Dean?Tá dizendo que me ama e vai me deixar ficar?
Sam acariciava o rosto dele, beijando suavemente seus lábios, seu pescoço, sua orelha, seu ombro. Dean se deixava beijar, rindo e se arrepiando.
_Não idiota! Cata suas coisas e vaza!
Sam mordeu o ombro dele.
_Ai!
_Dean, é melhor você começar a me tratar bem!
_Ah é? E por que, hein?
Dean só ria e pensava "que conversa besta! Dois tontos, se beijando e rindo, de pau duro, cheios de tesão e frescurinha! Ai meu Deus! Que coisa de viado!" mas não tinha como achar ruim, estava feliz demais pra se importar, e ganhar uma bela de uma roçada com direito a mão na bunda e tudo, de um cara do tamanho de Sam e achar pra lá de gostoso?
"Definitivamente coisa de viado!"
_Por que se você me tratar bem, eu vou te tratar bem também, mas se você me tratar mal eu vou te judiar, entendeu?
_É!
Aquela mãozona dando um tranco na sua bunda ajudava bem a esclarecer as coisas.
_Entendi! Eu acho que eu vou deixar você ficar então... pra gente resolver esse seu problema.
Falou suavemente contra seu ouvido dando leves beijos chupados e estalados no seu pescoço, correndo as mãos pelos seus ombros, pelas suas costas até a bunda, remexendo os quadris de leve, se esfregando nele com cuidado, mas deixando bem claro de que tipo de problema ele estava falando.
_Tarado!
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Vamos a um pouquinho de blablabla?
Oi para você que chegou até aqui!
Já que você se dedicou a ler minha história até aqui, não gostaria de comentar?
Sua review é importante e não é só pelo fato de que ler uma review é melhor do que comer chocolate, é porque eu aprendo com o que você me diz!
Quando alguém cita ou comenta um capítulo dizendo que foi bom, que impressionou, eu vejo que consegui por no papel o que eu senti no meu coração no momento que eu escrevi. E as vezes as pessoas entendem de um jeito que eu nem tinha pensado. isso é surpreendente.
A tal da interpretação pessoal.
As vezes eu fico impressionada com alguma frase ou situação e acaba que aquilo que tanto me impressionou não tem um único comentário: interpretação de novo!
Enfim, todo esse falatório é para pedir que você comente, me dê a sua interpretação, principalmente por que esse capítulo em particular foi muito tenso para mim. Abordar o tema do incesto de uma maneira objetiva, tentando não ser influenciada pelo Tabu Social e Psicológico que existe foi muito complexo e eu não sei se consegui.
Pesquisei muito sobre o assunto, a maioria dos autores, (tanto no campo da sociologia, psiquiatria como criminologia) concordam que o incesto se desenvolve principalmente tendo como pano de fundo a inexistência ou a existência deturpada de alguma forma, da estrutura social chamada "família". (A maioria dos textos sobre o assunto enfoca as relações incestuosas contendo elementos de coação, física ou emocional)
Existência deturpada da estrutura familiar? Winchesters! De cabo a rabo.
Outro fator importante, esse com relação à legislação, é que a maioria das leis que tratam do assunto focam o crime de incesto num contesto de pedofilia.
A maioria dos países cujas leis eu andei dando uma pesquisada (pura ciência de internet, não se impressione!) tem esse enfoque: A proteção contra o abuso infantil.
Existem exceções, é claro. Algumas legislações preveem punição considerando apenas o fato de uma relação ser incestuosa, independente da idade ou grau de parentesco, sendo a menor idade de um dos envolvidos, um fator agravante. Não me aprofundei nessas casos por serem irrelevantes para a história.
Não tenho a intenção de defender nem acusar ninguém, e também não tenho a pretensão de fazer uma análise sobre o tema, embora tenha ficado extremamente curiosa de como e porque esse tabu se desenvolveu e é inerente à maioria das culturas. (Existem exceções, algumas tribos indígenas, por exemplo)
Apenas busquei informações para me ajudar a compor os personagens.
Isso É uma história ficcional, portanto não deve servir de parâmetro para nada.
Espero que tenha conseguido transmitir o que eu acho que seria a angústia de uma vida inteira vivendo um amor errado, condenável, e também espero que os personagens sejam consistentes para você, nas suas dores, seus argumentos e decisões.
Feliz Páscoa a todos.
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