Lembranças! Não, obrigada. Capítulo XII.
Gente, eu fiz de novo. Esqueci de responder aos "deslogados" no último capítulo, então, tá lá embaixo, ok? Respostas para as reviews dos capítulos X e XI
Vamos ao que interessa.
Divirta-se!
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Em algum momento da madrugada Sam acordou e se arrastou para a velha caminha de armar, depois de ajeitar um Dean sonolento o melhor que pode no sofá cheio de molas. Só deixou Dean dormir no sofá porque ele mesmo não cabia ali, ficaria com as canelas para fora se esticasse as pernas.
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Dean e Sam não viram Bobby na manhã seguinte, Bobby só apareceu bem depois da hora do almoço.
Chamou-os para conversar logo depois e sem dar voltas foi direto ao assunto.
_Não concordo com isso! – apontou um dedo calejado para um e outro – estão me ouvindo! Não concordo com isso, ainda estou tentando não dar uma surra em vocês dois!
_Bobby...- Sam tentou intervir
_Cala a boca Sam!
_Bobby, por favor...- foi a vez de Dean receber um olhar raivoso e uma advertência.
_Eu tô avisando, não me teste rapaz! Nenhum dos dois! Eu ainda posso dar uma surra em vocês! Ainda tá em tempo!
_Sim, senhor – Sam respondeu, Dean sequer se atreveu a erguer os olhos para enfrentá-lo.
_Eu não concordo com essa coisa de vocês...isso é...olha, eu nem sei dizer o que eu acho que isso é! - Bobby andou pela sala, tirou o boné, coçou a cabeça, tornou a por o boné. Sam e Dean o conheciam o suficiente para entender que ele estava absolutamente contrariado e apenas conseguia se controlar a muito custo.
_Eu sei que vocês são adultos e não precisam da minha permissão para nada, mas se minha palavra vale alguma coisa... – foi interrompido por Dean.
_Vale, Bobby, é claro que v...
_Cala a boca, Dean! Não vem me adulando não.
_De-desculpe.
_Se minha palavra vale alguma coisa pra vocês, eu digo que isso é errado! O que vocês estão fazendo é errado e eu não aprovo! Não aprovo.
Aquilo era uma loucura completa.
_Onde já se viu, dois meninos que eu ajudei a criar, dois irmãos! Vocês são o que? Namorados? Vocês são namorados...? pelo amor de Deus, onde já se viu?
Não tinha como aceitar aquilo como normal.
_Graças a Deus John não está vivo pra ter esse desgosto.
Sam se levantou e empinou o peito, pôs a mão do ombro do irmão.
_Vem Dean! Vamos embora!
_Sammy...
_Senta aí, Sam! – Bobby rosnou pra ele.
_Não! Vem Dean, a gente não tem que ouvir isso. Quer saber Bobby, eu tô cagando pro John e pro que ele ia pensar! Tô cagando pro resto também! Não tenho que ficar aqui ouvindo isso!Vamos Dean, vamos embora, porra!
Bobby perdeu a cabeça, avançou para cima de Sam, enfiou as duas mãos no peito dele dando um empurrão forte, Sam cambaleou dois passos para trás antes de conseguir se firmar, Dean entrou no meio separando os dois.
_ Você tem que ouvir isso sim, seu sujeitinho ingrato! Sabe porque, porque eu te criei, dei comida na sua boca! Troquei suas fraldas!
Bobby bateu no peito e continuou aos berros, socando o ar.
_Eu troquei suas fraldas cagadas , limpei sua bunda! Sabia? Eu! Eu fui pai pra você quando seu pai estava tão louco de dor que nem se lembrava que tinha dois menininhos pra criar! Eu embalei você e cantei pra você dormir! Seu filho da mãe ingrato, seu...seu cretino arrogante!
_Sammy, Sammy, pelo amor de Deus, cara! Não fala assim... é o Bobby!
Sam se afastou tentando se acalmar. Dean tinha razão e Bobby tinha mais razão ainda. Se alguém tinha o direito de falar alguma coisa era ele.
Longos e tensos minutos se passaram sem que ninguém proferisse nenhuma palavra, até Sam juntar coragem o suficiente para falar de novo.
_ Você tá certo Bobby! Você é o único pra quem a gente deve satisfação. Me desculpa, por favor! Me perdoa Bobby!
Bobby bufou para ele dando com a mão, ignorando seu pedido de desculpas. Sua vontade era chutar o traseiro daquele arrogantezinho ferro velho à fora! Ninguém falava com ele daquele jeito, muito menos dentro da sua própria casa.
_Eu vou ajudar vocês! – Bobby finalmente disse. – mas depois que isso acabar, eu não sei o que vai ser, entenderam? Eu não sei...
Dean entendeu que Bobby estava se reservando o direito de virar as costas pra eles a qualquer momento, ia fazer o possível para ajudá-los com o problema de Sam, mas depois disso, provavelmente seria adeus.
_Tudo bem! Obrigado. – Dean tentou se aproximar daquele que era muito mais que um amigo pra ele – Obrigada, Bobby, nem sei o que te dizer...
_Não quero falar com você agora, Dean. Com nenhum dos dois.
Dizendo isso Bobby saiu porta afora, deixando os dois Winchesters com um peso no coração.
_Merda.
_Dean, a gente sabia que podia ser assim..a reação dele..a gente sabia.
_Eu sei Sammy, mas é foda cara!
_Dean! – Sam chamou se sentindo inseguro – isso muda alguma coisa? Pra gente, eu quero dizer...entre nós?
Dean viu medo e incerteza nos seus olhos, sorriu para ele.
_Não Sammy, não muda nada! Eu te disse, ninguém vai me afastar de você.
Tocou no seu rosto e o puxou pela nuca, juntando seus lábios num beijo casto mas cheio de promessas.
_Ninguém vai separar a gente nunca. Eu juro! Ninguém vai me afastar de você! – Dean repetiu contra seus lábios, Sam soltou o ar num suspiro aliviado, encostou a testa no seu ombro.
_Eu dei mancada! Desculpa cara, não sei o que me deu. Eu não tô mesmo no meu normal.
_Deixa pra lá.
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Bobby evitou a companhia dos rapazes o máximo que pode nos primeiros dias, apenas os encontrando nos horários das refeições. Dean passava o tempo mexendo no motor do Impala, arrumando uma coisinha ou outra, Sam dormia cada vez mais, comia cada vez menos, e passava longos períodos meio aéreo.
Chegou a ter alguns surtos, momentos em que Dean percebeu que ele simplesmente saia do ar olhando para o nada em particular.
Depois de muita insistência por parte de Dean, confessou que via Lúcifer por todos os cantos da casa e que ele ficava sussurrando coisas em seus ouvidos. Ao perguntar que coisas, recebeu de Sam a resposta apavorada de que Lúcifer afirmava que ele ainda estava na jaula e que tudo aquilo não passava de ilusão.
Sam confessou que já tinha dificuldade em distinguir realidade de alucinação, e nem tinha certeza se Dean estava ali mesmo. Dean pode apenas abraça-lo e afirmar que estava ali e estaria sempre.
Bobby observou essa cena do canto, visivelmente contrariado, mas sem nada dizer.
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Bobby era um homem genioso, de temperamento forte, mas quando o assunto eram os dois rapazes Winchester seu coração falava mais alto e não foi preciso muito para que ele esquecesse aquela discussão.
Ainda estava irado com eles, e pensar "naquele assunto" ainda fazia suas entranhas se revirarem, mas era realista o bastante para saber que as pessoas têm uma infinita capacidade de adaptação e ele, ainda mais que a maioria.
Afinal, não havia adaptado-se a um mundo onde esposas amadas são possuídas por demônios, onde Deus não liga para o que você faz e os anjos não são doces guardadores da humanidade, e sim assassinos violentos?
Era realista o bastante para enfrentar o fato que só tinha aqueles dois garotos no mundo, sem eles não passava de um velho beberrão, meio psicótico e solitário. Por mais errados que achasse que eles estivessem não poderia e não queria virar as costas para eles.
Não era certo aquilo dos dois juntos, mas quem eles estavam prejudicando afinal além deles mesmos?
Ele, Bobby? Não!
Havia alguma promessa de amor ou felicidade no futuro daqueles jovens? Não!
Nenhuma mocinha iludida esperando para ter o coração partido, nenhuma família, nem filhos, nem futuro!
Nada nem ninguém!
Se eles tinham um ao outro, quem era ele para dizer que não!
Se eles encontraram amor e conforto nos braços um do outro, por mais errado, indecente ou pecaminoso que isso pudesse parecer, ninguém se importava realmente. Não havia um Deus para decepcionar, não havia uma sociedade onde eles estivessem inseridos, não havia um pai, uma mãe, um lar a perder. Não havia nada, porque eles já tinham perdido tudo!
Ninguém ligava para o sofrimento deles, nem para a solidão, as perdas ou a dor.
Se isso fosse um erro, e Bobby acreditava realmente que era, o sofrimento caberia apenas a eles. Dean particularmente, na sua opinião, seria o maior afetado, isso sim! Porque por mais que pensasse a respeito não conseguia acreditar na recíproca daqueles sentimentos.
-W-
_Dean! Vem cá! – Bobby o chamou em uma manhã
Dean se assustou e correu a atendê-lo, Sam esticou o pescoço para ouvir a conversa.
_O compactador tá dando problema, pode dar uma olhada para mim?
Dean deu de ombros surpreso, depois de todo aquele clima Bobby se dirigia a ele normalmente pela primeira vez.
_Claro. Dou sim.
Bobby ficou olhando na sua cara como se esperasse alguma coisa, Dean levantou os ombros pra ele num questionamento mudo.
_É pra hoje, idiota. Vai lá e vê se arruma aquela bosta.
_Agora?
_Não, pro natal! Lógico que é agora.
_Ah tá, tô indo.
Sam se levantou para acompanhá-lo mas Bobby fez um gesto indicando que era para ele ficar.
Dean parou no meio da sala esperando pra ver o que ia acontecer.
_Pode ir Dean, Sam vai me ajudar a separar uns livros para gente começar a pesquisar esse problema dele.
Sam entendeu que Bobby queria falar com ele a sós.
_É! Pode ir!
A contra gosto Dean deixou-os a sós.
_Precisamos conversar Sam.
_Eu sei, olha Bobby, antes de qualquer coisa eu quero que você saiba que eu realmente me arrependi do jeito que eu falei com você aquele dia.
_Esquece.
_Não, não! Você tinha toda razão Bobby, você é muito mais que um amigo pra gente, eu não tinha o direito. E não é porque a gente tá precisando de você, não. Você sabe. A gente te deve muito! Eu sei que pra você isso foi um choque! Você tinha e tem todo o direito de falar! Droga... se alguém nesse mundo tem o direito de recriminar a gente é você!
Bobby apenas abanou a cabeça concordando.
_Eu...não devia ter falado com você daquele jeito! Me perdoa...eu sinto muito.
_Tudo bem, você sempre foi bocudo e malcriado mesmo... !
Sam sorriu para ele, pelo menos por aquilo Bobby parecia tê-lo perdoado.
_Então...você quer falar comigo?
Bobby coçou a barba, se ajeitou puxando a gola da jaqueta, Sam pressentiu que a conversa seria difícil.
_Sam, eu acredito que o Dean te ama! Eu acredito nisso, de verdade!
Sam ergueu as sobrancelhas para ele, não esperava esse tipo de abordagem.
_Mas, e você Sam?
_O quê?
_Você ouviu, Sam. Olha não tem outro jeito de dizer isso. Quem sou eu pra dizer o que se passa no seu coração? Mas o caso é que eu tô com uma pulga atrás da orelha, então eu vou dizer do único jeito que eu sei!
Sam se empertigou todo.
_Seu irmão disse que sente isso desde sempre, eu acredito, mas e você? O que aconteceu? Como você foi se apaixonar assim? Não faz sentido!
Sam entendeu o ponto em questão.
_É! Eu sei que não faz sentido.
_O que eu tô tentando te dizer Sam é que talvez, talvez...o que eu acho é que você se pegou numa situação delicada. Seu irmão que sempre cuidou de você, a única pessoa que você tem no mundo, vem e te diz que te ama como homem. O que você faz?
Bobby andava pela sala gesticulando e desenvolvendo o raciocínio para Sam.
_É uma situação difícil. Você tá doente, sozinho, sabe que nunca mais vai poder contar com ele como antes, afinal não é como se vocês pudessem só fingir que nada aconteceu, não é?
Sam não se manifestou, deixou o caçador mais velho falar, por suas dúvidas em palavras.
_Será Sam, que você não escolheu o caminho mais seguro. Garantir a presença de Dean ao seu lado? Eu sei que isso soa egoísta pra caramba e faz você parecer um puto, mas vendo direito nem me parece assim tão estranho. Eu acho que você tá é se iludindo, confundindo os sentimentos. O problema é você cair na real e ver que não era nada disso. Como seu irmão fica nessa?
_Você tem razão Bobby.
Sam respondeu calmamente, Bobby quase deixou o queixo cair diante da afirmação, não esperava isso, esperava negação, até uma explosão de raiva, não essa concordância suave.
_O que?
_Eu disse que você tem razão! E tem mais, além disso tudo ainda tem o fato de que eu sempre fui um puto com ele como você diz. Ele tava sempre do meu lado e eu só...cara, eu só sacaneando! Essa é a verdade.
_O que você tá me dizendo?
_Eu tô dizendo que eu já pensei sobre tudo isso, qual é Bobby? Você acha que eu sou idiota? Você acha que eu não tive minhas dúvidas também? Que foi fácil aceitar o que eu tava sentindo? Não foi cara, eu te garanto que não foi! O que eu sei é que eu preciso dele para viver, eu sei que ele é a melhor pessoa do mundo, a mais corajosa, a mais integra. Eu me sinto seguro com ele, me sinto amado, admiro ele, preciso dele.
Sam concluiu seu pensamento.
_ Tudo isso que você tá falando eu mesmo já pensei, mas sabe qual é a verdade? Eu não sou ninguém sem ele Bobby, ninguém. Ele me faz feliz. Eu olho pra ele e tudo fica bem, eu sei que tudo vai ficar bem se ele estiver comigo, entende?
Sam passou as mãos pelos próprios cabelos e sorriu para Bobby.
_Eu que não mereço! Eu que não mereço esse amor todo que ele tem por mim!
Bobby achou que estava começando a entender qual era o ponto ali.
_Por isso que eu digo que você tem razão! Eu preciso dele, só confio nele, só ele me acalma, me faz sentir que vai ficar tudo bem. ..esse sentimento pode ter nascido do jeito errado, mas me diz se isso não é amor? Você saber que não consegue viver sem uma pessoa? Achar que tudo vai ficar bem só porque essa pessoa tá com você? Se sentir capaz de enfrentar qualquer coisa por causa dela? Eu olho pra ele e o mundo parece certo! Eu pareço certo! É tão estranho! As vezes é como se eu estivesse olhando para ele pela primeira vez! Tem tanto coisa dele que eu nunca prestei atenção...ele é tão...especial!
Sam respirou fundo e voltou a falar.
_Eu nunca me senti assim, tão seguro do que eu quero, juro! Essa última semana... foram os melhores dias da minha vida. Quando a gente tá junto...eu não lembro de nada...do resto do mundo...parece que só tem nós dois . Eu enfrento qualquer coisa por ele, qualquer coisa. Sou capaz de morrer e de matar por causa dele – deu outra risada curta - se eu pudesse eu dava o mundo pra ele! Ver ele feliz me deixa feliz, sabe como é? Se ele sorri eu sorrio também, é até meio besta, mas é assim, não consigo segurar cara, quando eu vejo, tô rindo também. –deu outra risadinha meio sem graça - e eu tenho ciúmes...fico roxo de ciúmes, sério! Quase perco a cabeça... – continuou sorrindo – sabia que eu ainda sinto frio na barriga e minhas mãos tremem quando ele chega perto de mim? Isso não é amor Bobby?
_Falando assim...
Bobby tinha que reconhecer que mais do que as palavras apenas, a expressão de Sam, o jeito como ele se referia ao irmão, a adoração que ele via em seu olhar, lhe diziam que sim, poderia ter nascido do jeito errado, afinal tudo naquele relacionamento era errado, mas não deixava de ser amor.
_Não tem como provar essa coisas... quando a gente tá apaixonado...a gente sabe que tá apaixonado e pronto! Eu tô apaixonado e com todo respeito, eu não tô nem aí se você acredita ou não, o que importa é que ele sabe! E Bobby... eu sei que você não vai querer saber, mas eu tenho que te falar, pra não restar dúvida... porque se já não bastasse tudo isso que eu sinto... ainda tem o resto.
_Resto? Que resto? - Bobby perguntou inocentemente.
Sam desviou o olhar, meio sem graça, era pra Bobby ter entendido.
_Você sabe! A gente...a gente já ...fez! ...tudo...sabe...nós já fizemos...juntos, tudo...
Bobby arregalou os olhos finalmente compreendendo a que "resto" ele se referia.
_Opa, chega! Informação demais.
_Tá...mas você entendeu?
_Puta que o pariu, claro que eu entendi! Vai querer desenhar pra mim agora? Idiota!
_É que...se você acha que talvez eu não tenha certeza...sobre ele..sobre nós...cara...eu tenho certeza! Certeza absoluta!
A expressão de Sam não deixava dúvidas de que ele estava perfeitamente bem, feliz e satisfeito com a escolha que fez.
_Chega, Sam! Sério.
Bobby rumou para o escritório todo sem graça deixando Sam também todo sem graça na sala.
Depois de uns minutos chamou-o e lhe indicou uma pilha de livros, raspou a garganta ainda meio sem graça e lhe disse que era melhor cortaram o papo e começarem a pesquisar naqueles livros para ver se achavam alguma coisa útil.
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Quando Dean voltou o clima parecia bem mais ameno, Bobby lia num canto e Sam navegava pela internet conferindo livros e sites. Os dois totalmente compenetrados em suas pesquisas.
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Apesar das muitas horas dedicadas às pesquisas nenhum dos três achou nada nem minimamente útil. Sam começava a se desesperar e sua capacidade de concentração estava cada vez mais baixa. Via Lúcifer em todo canto da casa, não conseguia comer direito, vivia exausto, mas não conseguia descanso no sono pois quando dormia era carregado para um mundo de pesadelos que o deixavam ainda mais moído e tenso ao acordar.
Dean percebeu que ele começou a beber litros de café e a fazer o impossível para se manter acordado, depois de uma boa prensa ele acabou confessando que quando dormia tudo ficava pior, por isso não queria mais dormir.
Estavam todos no limite quando Bobby os questionou sobre Castiel.
_Dean, você já tentou chamar o Cas?
_Já Bobby! – Dean passou as mãos pelos cabelos e esfregou os olhos num gesto de exaustão – foi a primeira coisa que eu fiz lá na cabana.
_E...
_E? E nada! nem sinal.
_Chama de novo.
_Pra que cara? Ele não vem.
_Será que dá pra princesinha fazer uma oraçãozinha e tentar chamar o anjinho mais uma vez? Por favor?
Dean bufou e revirou os olhos, mas fez o que Bobby pediu, abaixou a cabeça e pediu em oração.
_Castiel, seu anjo de uma figa, eu oro e peço pra você arrastar essa bunda cheia de penas até aqui! Amém!
Dean abriu os olhos olhando de um lado a outro, deu de ombros.
_Eu disse que ele...
Castiel apareceu bem na sua frente, cabeça inclinada para o lado, lhe pregando mais um susto daqueles.
_Por que você supõe que eu tenho penas na bunda, Dean?Não entendo!
_Cas!
_Sim. Você me chamou.
_...?
Dean ficou vermelho de raiva.
_Eu te chamei a mais de uma semana, onde você se meteu?
_Eu estou em guerra Dean. Pensei que você tivesse entendido.
Dean deu com a mão para ele.
_Cas, nós...o Sam...a gente precisa de ajuda, cara! Não sei mais o que fazer.
_Sim, eu sei!
_Você sabe?
Cas olhou profundamente de Dean para Sam e depois voltou para Dean.
_Eu sei. Eu sei tudo que há para saber.
Dean engasgou com aquela declaração, Bobby assumiu o controle da conversa.
_Você sabe de alguma coisa, pode nos ajudar com a barreira de Sam. Está cada vez pior.
_Não posso ajudá-los.
_Não pode...ou...
_Ou o que Dean?
Dean se aproximou dele disposto a implorar se fosse preciso.
_Ou não quer mais nos ajudar por causa...de...nós?
Castiel tombou a cabeça para o lado novamente.
_Não estou entendendo, Dean.
_Certo, você não tá puto com a gente? Quer dizer, comigo e com o Sam? A gente...juntos?
_Por que eu me importaria?
Dean se exaltou com a tranquilidade do anjo.
_Ah Cas, porra! Sei lá? Porque é pecado, talvez?
Cas sorriu para Dean como se ele fosse uma criança tola, que não entendia alguma coisa óbvia.
_É claro que é pecado Dean!
Os caçadores se entreolharam, Bobby revirou os olhos para o anjo.
_É por isso que você não vai ajudar? – Bobby perguntou.
_Não, Bobby! – virando-se para Dean, Cas continuou – apesar do que você pensa Dean, não me importo com seus pecados e nem com os pecados de Sam. Já tenho os meus para me preocupar, não me interessa seu envolvimento, até porque não é nenhuma novidade.
Isso definitivamente atraiu a atenção dos três caçadores.
_Co-como assim, não é nenhuma novidade?
Dessa vez foi Sam quem inquiriu Castiel.
_Zacharias sempre nos alertou para o fato de que vocês eram muito mais ligados e próximos, indo muito além do que relacionamento de irmãos justificaria. Sua interação com Dean sempre foi além, vocês sempre estiveram em perfeita sintonia um com o outro e essa sempre foi sua maior vantagem. Zacharias dizia que vocês eram – Castiel fez um sinal de aspas com os dedos – "psíquica-fisica-emocional e eroticamente co-dependentes" – sem dar atenção às expressões de assombro deles continuou – além do fato óbvio, de vocês serem almas gêmeas. Portanto, como eu disse, não é nenhuma novidade.
Dean e Sam continuaram olhando Castiel com expressão confusa, como se ele estivesse falando enoquiano, Bobby meneou a cabeça de um lado para o outro, foi o único que conseguiu por sua surpresa em palavras.
_Hum...que coisa, hein...?
_A questão - Castiel continuou ignorando o ar abobalhado deles – é que eu não sei como ajudá-los, mas vou tentar descobrir. Volto quando e se encontrar alguma coisa.
Dizendo isso, desapareceu num suave farfalhar.
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_Hei, Sam! Sammy... psiu! – Dean chamou Sam, estavam os três no escritório, cada um com um livro na mão, o silêncio era pesado. Sam levantou a cabeça para encarar Dean sentado ao seu lado.
_Que?
_Sabe o que o Cas falou?
Dean cochichou para ele, com um olho em Bobby que continuava concentrado do outro lado do cômodo.
_Que que tem? – Sam respondeu também cochichando de olho em Bobby. Quando voltou os olhos para Dean viu não ia sair boa coisa dali por causa do sorriso safado que ele lhe lançou.
_Almas gêmeas, hein? –Dean arqueou as sobrancelhas divertido, Sam rodou os olhos.
_E daí? O que é que tem, idiota? – Dean abriu mais ainda o sorriso.
_Acho que eu sou seu príncipe encantado! –Deu uma piscada para ele e se ajeitou na cadeira toda empertigado, Sam retribuiu com uma careta.
_Você não é...deixa de ser besta, você não é nenhum príncipe encantado! Era só o que faltava, príncipe encantado? Como você é idiota! – resmungou pra si mesmo voltando a se concentrar no livro.
Dean se aproximou mais um pouco e cochichou novamente no seu ouvido cheio de sorrisinhos.
_Eu sou o príncipe encantado e você é a Cinderela!
Sam se revoltou e lhe deu uma cotovelada, cochichou de volta bem baixinho.
_Eu vou te mostrar a Cinderela seu cretino, te boto de quatro e te mostro a Cinderela...
Bobby rosnou do outro lado da sala e sem levantar a cara do livro mandou-os fazer silêncio.
Passados alguns minutos Dean recomeçou com as gracinhas.
_Você é a Cinderela, eu sou o príncipe encantado e Bobby é a Madrasta Má! – Sam não aguentou e estourou numa gargalhada.
_Calem a boca os dois, ou vou botar vocês para fora! Que tanto vocês ficam de cochichos aí hein?
Dean se ajeitou na cadeira e Sam pigarreou.
_Nada não, Bobby! Nada não.
_Você não tem jeito! Pra mim tá mais pra bobo da corte, isso sim!
-W-
Por mais que se esforçassem não conseguiam avançar um passo sequer em busca de uma solução.
Dean tinha deixado Sam e Bobby pesquisando e tinha voltada à manutenção do compactador de sucatas de Bobby, não havia nada de errado com o equipamento, exceto a falta crônica de manutenção, Dean se acalmava e ordenava os pensamentos enquanto desmontava, limpava e voltava a montar o maquinário. Sabia como aquela engrenagem funcionava, sabia o que estava errado só em ouvir o motor funcionando.
Se fosse assim com Sam. ..se pudesse entrar na cabeça dele, desmontar as peças e montar de novo, cada peça no seu lugar certo. Queria tanto poder fazer alguma coisa, aquela sensação de impotência estava botando ele louco.
Estava divagando em pensamentos quando viu Sam se aproximando, largou as ferramentas e cruzou os braços se encostando no grande e velho motor, esperando ele chegar perto.
_Oi.
_Oi Dean.
_Tudo bem?
_Hu-hum...
Dean perscrutou seu rosto demoradamente.
_Tudo bem mesmo, Sammy?
Sam balançou para trás e pra frente com as mãos nos bolsos, sorrindo de lado respondeu.
_Ainda tô me mantendo dentro dos sapatos, se é o que quer saber.
Dean sorriu de volta pra ele.
_Cadê o Bobby? - perguntou.
_Lá dentro, fazendo o almoço.
Dean pegou de novo a ferramenta que estava usando e voltou sua atenção para a máquina, Sam se encostou ao seu lado, depois deslizou e se recostou contra ele insinuante.
_Sabe, acho que ele vai demorar por lá...
_É?
_É!
Sam se desencostou da máquina e seguiu em direção aos fundos do ferro-velho, atrás do velho barracão, Dean lançou um olhar em torno e seguiu-o a passos rápidos. Ao dar a volta foi surpreendido por Sam que o puxou com força e o jogou contra a parede se apertando nele e o beijando sôfrego.
_Sammy, se o Bobby pegar a gente, cara...é capaz dele meter chumbo... – Dean disse no meio do beijo, sentindo Sam desabotoando suas calças e descendo o zíper.
_É! Então para de falar e me fode logo.
Dizendo isso Sam se virou de costas contra a parede, desabotoou e desceu as próprias calças, esticando a mão pra trás puxou Dean pelo quadril.
_Vem Dean...faz comigo...
Dean se encostou nele esfregando o pau na sua bunda, beijando sua nuca. Esticou a mão e tocou-o entre as pernas, Sam já estava duro.
_Porra Sammy! Já tá assim?
_Eu tô com tesão, cara! Tô morrendo de tesão!
Dean se esfregou um pouco nele se excitando rápido, apertando sua cintura e beijando sua nuca, se afastou minimamente e abaixou a cueca, ergueu a camiseta de Sam expondo suas costas e liberando a visão da sua bunda, sentiu o pau fisgar de tesão. Cuspiu na mão e passou entre as nádegas dele, cuspiu de novo e esfregou saliva na cabeça do pênis. Separou as nádegas com as mãos sussurrando no seu ouvido.
_Empina mais a bunda, Sam!
Sam se remexeu, livrando um pé de sapato e tirando uma perna do jeans, abriu mais as pernas, encostando o rosto e o peito contra a madeira do velho barracão empinou os quadris para trás, se arrebitando o máximo para ele. Dean encaixou o pau entre suas nádegas, a glande contra o ânus.
_Eu vou por...pode Sam?
_Ah cara, põe logo de uma vez porra!
Dean o agarrou pelos quadris e se forçou para dentro dele, deslizando devagar, Sam fechou os olhos respirando rápido com a boca entreaberta.
_Puta que o pariu! Porra, cara! Puta merda!
_Para de xingar!
_Dói, caralho!
_É muito apertado! Relaxa que para...
Sam continuou de olhos fechados respirando e tentando relaxar, Dean puxou sua camiseta mais para cima, passando a gola pela sua cabeça deixando-a presa apenas pelos braços dele, beijou e mordeu sua nuca, seus ombros e suas costas suadas .
Sam desvencilhou-se da camiseta deixando-a cair no chão, levou uma mão para trás puxando Dean pela bunda, a outra servindo de apoiou para o corpo, deitou a cabeça de lado oferecendo o pescoço para ele beijar.
Dean começou um vai e vem suave e ritmado dentro dele, que foi ficando mais intenso a medida que Sam gemia e se descontrolava, a mão que antes servia de apoio, se lançou contra o próprio pênis se masturbando freneticamente, Sam teve que soltar a mão que puxava Dean para se apoiar na parede novamente, se forçando contra ele.
Ia gozar rápido.
_Porra Dean, tô quase cara! Ai delicia...
Dean se empurrava erraticamente dentro dele, mordendo suas costas e gemendo no mesmo ritmo.
_Você gosta, né Sammy? ...fala tá...me fala...quando for gozar... tá bom? Fala que tá gozando, cara...eu gosto que você fala...
_Tá!...continua assim...assim Dean...puta merda...assimmm...
Dean puxou Sam pelos cabelos fazendo-o torcer o pescoço para trás, beijou sua boca com fúria, mordeu seu lábio, sem deixar de meter com força e rápido.
_Agora Dean...agora...assim...assim eu tô...eu gozo assimmmm...ahmmmmDeannnn !
Dean prendeu seu corpo, o braço passado sobre seu peito, entrando fundo e forte, apertando seu corpo inteiro com desespero, se derramando dentro dele.
Ficaram abraçados, Sam ainda apoiado contra o barracão, Dean apoiado contra seu corpo nu.
Dean beijou-o entre os omoplatas, lambeu seu suor, beijou sua nuca e mordeu seu ombro fazendo ele se arrepiar. Sam sorria largado.
_Cara, se o Bobby pega a gente...
_Ele arranca seu pinto!
Dean saiu de dentro dele com um suspiro satisfeito. Sam se abaixou e puxou as calças observando Dean fazer o mesmo.
_Porque meu pinto? Tem que arrancar o seu, você que veio aqui me seduzir.
_Ah é mesmo, esqueci! Esqueci que você resistiu até...quase que eu tenho que te pegar na marra, né?
Dean se abaixou e pegou a camiseta de Sam no chão, fez uma careta e mostrou para ele.
_Fudeu Sam!
_O quê?
Dean esticou a camiseta e mostrou a grande mancha de esperma bem no meio, na parte da frente da peça.
_Ai caralho, que mancada.
_É...camiseta gozada essa sua!
_Há-há! Você me mata de rir!
Dean pegou a camiseta das mãos dele e puxou um pedaço encardido de estopa do bolso de trás da calça, Sam se indignou e tomou a camiseta dele.
_Você não vai passar esse trapo imundo de graxa na minha blusa.
_Ah tá! Então vai lá assim, todo cheio de porra! O Bobby vai adorar te ver, Cinderela.
_Dá aqui! Deixa que eu limpo.
Limpou como pode passando a parte molhada na parede várias vezes, sempre xingando Dean.
_Para de rir, e se me chamar de Cinderela de novo te meto uma porrada!
_Ah Sammy, não fica bravinho não, vai! Vou comprar lencinhos umedecidos pra você, tá bom? Vem cá com seu príncipe vem!
Sam se deixou abraçar tentando não rir.
_Você é muito tonto, Dean!
_Eu sou tonto mas você me ama!
Sam bufou e o empurrou, vestindo a camiseta manchada.
_Não que você mereça...vamos, melhor eu voltar, vou tentar entrar escondido. – falou fazendo uma careta pra enorme mancha na blusa.
Antes de sair andando porém, puxou Dean e lhe deu um beijou apaixonado.
_Você é o pior príncipe encantado que eu já vi sabia?
_É, eu sei. Você também é meio grande para uma princesa!
_Vai se foder Dean, princesa é o caralho!
_E é bocudo também!
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Se Dean pudesse ao menos imaginar que aquela seria a última vez que veria Sam bem em muito tempo, o teria prendido entre os braços e o teria mantido ali, não o teria soltado por nada no mundo.
-W-
O estômago de Dean estava roncando, já passava muito da uma da tarde e ninguém tinha vindo chamá-lo para almoçar. Será que Bobby tinha pego Sam no flagra?
Meio apreensivo Dean rumou para a casa. Entrou direto par o banheiro, onde se lavou. Relanceou os olhos para o cesto de roupa suja constatando com um sorriso que a camiseta manchada de Sam encontrava-se lá dentro, enfiada por baixo das outras roupas, saiu e dirigiu-se à cozinha onde foi recebido por Bobby.
_Ah, finalmente! Tem quase uma hora que eu mandei o Sam te chamar.
O estômago de Dean gelou.
_O quê?
Bobby pressentiu algo no tom de voz assustado dele.
_Sam não foi te buscar, Dean?
_Na-não...Sam! Sammy!
Dean disparou pela casa aos berros a procura do irmão com Bobby o seguindo de perto
Procuraram pela casa toda, procuraram pelo pátio, entre o labirinto que eram os corredores do velho ferro velho, Dean voltou até o compactador, depois olhou atrás e dentro do barracão. Nada.
Chegou a conclusão que Sam saiu da casa em direção ao compactador, porém não chegou lá. Bobby checou o portão de entrada e confirmou que continuava trancado.
Ou Sam havia sido levado por algo ou alguma coisa ou estava ali, em algum lugar entre as pilhas de carros sucateados, o que era mais provável.
Dean refez o caminho entre a casa e o compactador, dessa vez parando para observar cada canto ou fresta onde ele pudesse ter se escondido.
Se abaixou olhando através da janela quebrada de um carro prensado sob uma pilha enorme de outros carros. Bem lá no fundo do monte de sucatas, no final do túnel estreito viu uma forma se mexer.
_Sam! Sammy! Bobby, achei, trás a lanterna!
Bobby veio correndo em sua direção e lhe entregou a lanterna., Dean iluminou a forma embolada de Sam escondido dentro daquela caverna estreita.
_Sam...Sam..olha para mim!
_Porra, como ele conseguiu entrar lá? – Bobby perguntou espantado, o túnel formado era estreito e cheio de pontas de metal retorcido.
_Não sei, mas ele não tá me ouvindo, vou ter que entrar também.
Devolveu a lanterna pra Bobby e se enfiou no buraco rastejando de encontro a forma encolhida de Sam. Da onde estava podia ouvir Sam choramingando e implorando para algo o deixar em paz.
Apreensivo, Bobby viu os pés de Dean sumirem túnel a dentro e como se não fosse o bastante o monte de sucatas começou a fazer ruídos, o metal estalando e rangendo.
_Dean, sai logo daí, isso parece que vai desabar.
No final do túnel havia um espaço onde Sam estava encolhido forçando o corpo pra longe de Dean tentando fugir dele, abalando a frágil estrutura que rangia conforme ele empurrava com as mãos tentando abrir passagem para o outro lado.
Dean pode ouvir o metal retorcido ceder aos poucos ameaçando soterrá-los em baixo daquela pilha de sucatas mal equilibradas.
_ Sam, olha pra mim pelo amor de Deus.
_Não, não! Me solta, me deixa em paz, me deixa em paz...
_Sammy, sou eu, sou eu.
_Mentira, mentira...me deixa em paz.
_Sam, olha para mim! – Dean ordenou na sua melhor voz de irmão mais velho. – Olha pra mim agora, Samuel! Eu tô mandando você olhar para mim, olha pra mim quando eu falo com você!
_De-Dean?
_Vem comigo Sam, vem. Eu vou tirar você daí.
_Dean, não me deixa aqui sozinho Dean, ele vai me machucar.
_Ninguém vai te machucar, e só vir comigo. Vem comigo, vai ficar tudo bem, eu prometo!
Dean foi se arrastando lentamente para fora do túnel falando firmemente com Sam, ordenando a ele que o seguisse até estarem os dois sãos e salvos do lado de fora. Envolveu Sam com os braços falando baixinho com ele, com o coração aos pulos de medo.
_Tudo bem Sammy, tudo bem! Eu tô aqui, eu tô aqui!
-W-
_Cas? Castiel? Se está me ouvindo eu estou mesmo precisando de você!
_Estou aqui Dean!
_Cas!
_O que foi Dean?
Dean fungou e apontou para o corpo do irmão estendido na pequena cama do escritório.
_Sam não acorda Cas, tem três dias. Ele não acorda!
Bobby e Dean contaram para Castiel o último surto de Sam que resultou naquele aparente coma, Castiel chegou a conclusão que Sam não estava mais conseguindo se manter consciente, provavelmente estava preso dentro da sua própria cabeça, achando que ainda estava preso na jaula Junto com Lúcifer.
_Sinto muito Dean, não sei o que fazer.
_Não! Eu não aceito isso! Eu tenho que tirá-lo de lá!
_Dean, calma filho!
_Não Bobby, não vou perdê-lo, não vou.
Castiel pendeu a cabeça para o lado, estreitou os olhos, fitou o nada com expressão vazia, quando falou, disse a única coisa que Dean queria ouvir.
_Vá buscá-lo, então.
_Co-como!
_Só vejo um jeito Dean, nem sei se pode dar certo! Não sei por que não pensei nisso antes.
_O que Cas, fala.
_Você sabe, você o achou no céu! Pode achá-lo no inferno.
_Não entendi Cas, explica isso!
_Você não o encontrou no paraíso, quando morreram?
_Encontrei!
_Como você fez?
_Eu...não sei...eu só segui a estrada, só isso.
_É o que você tem que fazer, siga a estrada, encontre a jaula, tire ele de lá.
_Cas, como? Não tem jaula nenhuma, é tudo loucura da cabeça dele.
_Não significa que não exista! Está lá, dentro da cabeça dele, mas está lá. Você só tem que entrar e tirá-lo de lá.
_Como eu faço isso?
_Eu coloco você lá, eu posso colocar você lá e posso te tirar, mas não posso tirar Sam entende? Não posso tirar nenhum dos dois de dentro da jaula, você tem entrar, pegá-lo e tirá-lo de lá, quando estiverem fora da jaula eu tiro vocês. Se você entrar e tirá-lo de lá, você destrói a ilusão.
_Bobby?
Bobby deu de ombros.
_Pode dar certo, Dean. Eu acho! Ele pensa que não saiu, você entra e tira ele. Fim da ilusão. Eu acho...
_Só tem um problema Dean! – Cas proferiu e Bobby revirou os olhos pra ele.
_Quando eu disser que temos que ir embora, temos que ir embora, com ou sem o Sam entendeu?
_Sim, porque?
_É o caos lá dentro Dean. Você não ia conseguir manter sua sanidade por muito tempo, acredite, até eu mesmo tenho um limite para aguentar, depois é demência, pra sempre. Ficou claro?
_Ficou Cas, ficou!
Cas deu um passo para a frente e tocou sua fronte com a ponta do dedo.
-W-
Cinza.
Tudo cinza.
Uma imensidão cinza.
Dean estava sentado no chão, um chão cinza, olhando a sua volta, um infinito sem cor, apenas nuances de cinza e um silêncio terrível.
Solidão.
Uma solidão terrível, uma dor terrível.
Abandono.
Tentou se levantar e não conseguiu, se desesperou com tanto espaço vazio a sua volta, tanta solidão.
Estava há muito tempo ali, desde sempre estava ali sozinho.
Ficaria ali sozinho para sempre, por toda eternidade.
Aquilo era o inferno.
Ficar sozinho pra sempre. Nunca mais ver outro ser humano. Nunca mais ouvir a vez de outro ser humano, por toda a eternidade. Nunca mais poder tocar...
_Sammy!
Dean se lembrou.
Tinha que procurar Sam e tirá-lo de lá. Levantou-se trôpego tentando firmar-se nas pernas, começou a correr, a princípio sem destino, meio perdido naquela vastidão sem cor, depois se deixou guiar pelo instinto, correu sem se preocupar para onde estava indo, em alguns momentos chegou a fechar os olhos, mudava de direção de tempos em tempos só pelo desejo de mudar. Estava sendo levado a Sam, guiado por ele.
Deparou-se finalmente com uma parede cinza e uma porta. Tateou nos bolsos procurando por algo que o ajudasse com a fechadura trancada, não encontrou nada. Bateu com o punho cerrado na porta, nada. Ouviu alguém gritar La dentro.
_Sam! Sammy!
Tateou a roupa de novo e lá estava, enfiada no cós da calça a faca de matar demônios de Sam. Usou-a para arrombar a fechadura e entrar.
O que viu fez seu sangue gelar.
Sam estava pendurado no meio da sala, preso ao teto por correntes, seu peito nu tinha talhos cortando-o dos ombros até a cintura. Feridas abertas mostrando a carne meio esbranquiçada por baixo das camadas da pele. Seus pulsos estavam em carne viva e sangravam. Dean se aproximou e tentou levantar seu rosto.
_Sammy, Sammy! Sou eu. Eu vou te tirar daqui.
Sam não reagiu, Dean usou a ponta da faca para abrir os grilhões das correntes, Sam desabou quando finalmente conseguiu soltá-lo.
Dean o abraçou sentindo horrorizado a umidade quente e escorregadia das suas costas. Virou-o para ver a extensão dos ferimentos e teve que tapar a boca para conter o grito que subiu por sua garganta.
Da base do pescoço até a linha da cintura não havia pele, ele tinha sido esfolado,estava em carne viva.
_Meu Deus...meu Deus...meu Deus...
_Deus? Acho que não!
Lúcifer em pessoa observava a cena com um sorrisinho nos lábios.
Dean estava entrando em pânico, obrigou-se a controlar-se porque Sam dava sinais de voltar a consciência.
_Sammy, eu vou tirar você daqui!
_Eu quero ver você tentar!
Lúcifer respondeu sem esboçar nenhum gesto contra ele , enquanto Dean arrancava a camisa que vestia e vestia em Sam para proteger ainda que minimamente seus ferimentos.
_Quem é você?
Dean afastou seus cabelos grudados na testa, beijou seu rosto.
_Sou eu Sammy, sou eu! Vou tirar você daqui.
_Ah que lindo!
Sam gemeu e tentou empurrá-lo.
_Não, me deixa em paz, eu sei que você não é ele, eu sei. Me deixa em paz.
_Sam, sou eu, sou eu!
Sam se arrastou pra longe dele chorando, se encolheu sobre si mesmo, Dean via rosas de sangue se formarem e encharcarem o tecido, Lucifer ria dobrando o corpo e segurando a barriga.
_Seu desgraçado!
Dean brandiu a faca e partiu para cima dele que desviou desdenhando.
_Você não pode me ferir com isso aí, filho.
_Eu posso tentar!
Partiu de novo para cima dele enterrando a faca fundo no seu peito, Lúcifer não deu mostras de sentir o ferimento, puxou a faca e jogou no chão com desdém. No instante seguinte estava sentado numa cadeira a um canto cutucando a unha e rindo debochado.
_Sam, pelo amor de Deus Sam, vem comigo.
_Vai! Leva ele! Leva se puder! Leva! Leva! Leva! Leva!LEVA!LEVA!LEVA!– Lucifer berrava a plenos pulmões com um sorriso divertido.
_Você tá com a Lisa, com a Lisa! Você não tá aqui.
Dean tentou erguê-lo de novo mais ele gritou de dor, Dean chorou junto com ele.
_Vem Sammy, não consigo sozinho, vem.
Sam gritava para ser deixado em paz e chorava de dor implorando para ele parar de machucá-lo.
_Buá, buá, buá! Bebezinho chorão! Sammy bebezinho chorão! Bebezinho chorão!
Dean tentou erguê-lo, adulou, implorou, gritou. Tentou com todas as forças colocá-lo de pé, mas não conseguiu. Não conseguia carregá-lo, por mais que tentasse, caiu com ele inúmeras vezes ouvindo seus gritos de dor, se sentindo cada vez mais fraco, mais sem forças, mais exausto e desesperado.
_Ah, desiste logo de uma vez e cai fora daqui filho, vai!
_Cala a boca, seu desgraçado! Cala a boca!
_Uia! Desculpa! Fica aí então, seu metido!
Dean não pôde mais, não conseguiu mais ouvir seus gritos. Puxou-o para seu colo e o embalou, sentindo o sangue quente escorrer pelas suas mãos.
_Tudo bem Sammy, tudo bem! Não vou te machucar mais, tudo bem amor. Descansa agora! Pode descansar, eu vou ficar com você. Eu vou cuidar de você, eu vou cuidar de você, meu amor. Por que você é meu amor, você é o amor da minha vida. Eu vou ficar com você pra sempre.
_Sniff! Sniff! Você me faz chorar!
Dean deixou que as lágrimas rolassem abundantes enquanto embalava e ninava Sam, estava desistindo, não tinha mais forças.
-W-
_Dean!
Dean levantou a cabeça para ver Castiel brilhando em luz a sua frente.
_Temos que ir agora Dean.
Lucifer se levantou de um salto e ficou pulando em volta de Castiel, saracoteando de lá pra cá berrando para ele ir embora.
_Você vai embora! Você tem que ir, não pode ficar aqui, não pode, não pode!Some daqui!
Lúcifer pulava de um lado por outro em volta de Castiel berrando a plenos pulmões.
_Xô! Xô! Passa!Some daqui , some! Tá enchendo aqui de pena, volta por seu poleiro! Volta pro seu poleiro no céu, vai!
Castiel virou o corpo e o surpreendeu com uma manobra rápida, prendeu sua cabeça entre as mãos, Lúcifer gritou e esperneou enquanto luz vazava de seus olhos, suas narinas e sua boca. Cas soltou o corpo sem vida no chão e se dirigiu a Dean novamente.
_Venha agora, não há mais tempo.
_Não vou, não vou deixá-lo.
_Dean, lembre-se do que eu falei! Você vai enlouquecer se ficar aqui com ele.
_Não importa, não vou deixá-lo.
Sam se mexeu no seu colo, olhou o corpo de Lúcifer inerte no chão, olhou para Dean e sussurrou seu nome.
_Dean, é você?
Dean sorriu para ele.
_Sou eu amor, sou eu.
Sam estendeu uma mão trêmula e tocou seu rosto.
_Eu tive um sonho tão lindo com você!
_Não foi sonho Sam! Vem comigo que eu te mostro.
Sam voltou a chorar.
_Não posso Dean, não consigo, desculpa.
Dean o acariciou e beijou.
_Shi...não chora Sam, tá tudo bem!
Dean olhou a sua volta e viu as paredes começarem a ruir, começando a esfarelar de cima para baixo.
_Dean, se você não vier agora vai ficar preso aqui!
Sam relanceou o olhar para o anjo.
_Cas? O que ele tá fazendo aqui?
_Nada Sammy, nada!
_Dean, vem agora!
_Oque ele tá falando Dean, eu não entendo!
_Nada Sammy, não é nada.
O lugar desabava, grandes buracos se abriam no chão, no teto e pelas paredes deixando entrever apenas aquela imensidão cinza. Castiel sentia que fracassava, num ato de desespero se ajoelhou em frente a Sam tentando chamar sua atenção, não podia tocá-lo ali dentro, mas podia falar com ele.
_Sam, Dean vai morrer aqui!
_Não! Dean não!
_Você tem que tirar ele daqui, Sam. Tira ele daqui.
Com um gemido Sam rolou o corpo se apoiando nas palmas das mãos ensanguentadas, se ergueu nos joelhos puxando Dean pela gola da camiseta. Chamou por ele mas ele não respondeu, já estava se perdendo dentro da própria loucura e não reagia mais. Gritando de dor Sam se ergueu arrastando Dean consigo, Castiel o incentivava.
_Vem Sammy, pela porta. Não posso tirá-lo daqui contra sua vontade, só você pode tirar ele daqui, mas você tem que sair também Sam. Vem, aqui pela porta, eu te pego, pego vocês dois assim que passar pela porta.
Gritando e se apoiando em Dean, meio puxando e meio arrastando o irmão, Sam rumava a passos lentos, deixando um rastro de sangue vivo.
Ao cruzar a soleira da porta Castiel se lançou sobre os dois envolvendo-os em sua luz enquanto a sala se encolhia sobre si mesma e sugava toda aquela imensidão cinza num implosão de vazio infinito, sem cor e sem som.
-W-
Luckaz: Querido, o dia que você parar de suar com meus "lemons" eu paro de escrever! Tô preparando uma surpresa que vai te fazer suar horrores, acredite!Obrigada, meu bem.
E sobre sua review para o capítulo XI, uau! É tão bom quando uma história pega a gente de jeito que a gente que até esquece do resto! Adorei quando você me disse isso! Fiquei tãaaaaaao feliz! Obrigada mesmo.
Luluzinha: ah que legal! Que bom ouvir isso, saber que os lemons são bons mas o resto também é! Afinal não dá pra segurar uma fic só na safadeza né? Eu pensei bastante sobre isso, em como a cois aconteceu pelo lado de Sam, espero que tenha ficado verossímel. Depois você me diz.
Beijinho e obrigada por ler e comentar querida.
Meire: Você leu mesmo? Você leu tudo? Você emendou um capítulo no outro e leu tudo de uma vez? Nossa, então acho que você gostou mesmo, né? Que bom que você gosta do meu jeito de escrever, gosto muito quando as pessoas falam isso, me deixa mais segura.
É! Eu acho que os avisos que eu deixo para os lemons não são exagerados não, né? As vezes até eu fico meio com vergonha do que eu escrevo, sabe? Tipo, eu vou ler depois e me dá até um frio na barriga! Antes eu ficava "posto, não posto?" mas agora eu mando bala...hi, hi, hi, hi!
E acredite, a coisa tá ficando pior a cada dia.
Também não curto quando os dois viram duas "Julietas" depois de transar. Porra, é macho com macho, né! Não dá para ficar melando cueca! Ops, até dá, mas só no mal sentido, certo?
Um milhão de obrigadas por ler tudo e comentar cada capítulo. Eu realmente adorei que você tenha tido o carinho de postar uma review para cada capítulo dizendo o que achou.
Um beijo grande.
