3 anos depois.

Sábado em Hogwarts. Era ainda o começo do ano, e no 4º ano de Luce, ela não tinha tanta coisa pra fazer naquela época do ano. Ela estava sentada embaixo de uma arvore, ouvindo rock trouxa, porque ninguém pagava as contas dela. Usava uma calça jeans preta, um casaco gigante vermelho, com o leão da Grifinória no meio, all star preto, com os cabelos cacheados nas pontas presos num coque malfeito.

Ela viu Scorpius e Albus vindo na sua direção. Ela fechou os olhos. Não queria falar sobre o que tinha acontecido na aula de DCAT. Se eles perguntassem, seriam os nonos a perguntar. Eles sentaram, um de cada lado dela, largando suas coisas no chão.

- E ai. – ela disse.

- Como você fez aquilo? – Scorpius perguntou, já tirando a varinha do bolso e fazendo alguns feitiços aleatórios.

- Caramba, o Al também conseguiu.

- Mas o pai dele é Harry Potter.

- E daí? – Albus perguntou.

- Meu pai me disse que na época da escola seu pai era realmente bom com esses feitiços. E disse que o seu, – ele apontou para a menina – sem ofensas, era um fiasco.

- Sei lá como eu fiz. Só fiz.

Naquela aula de DCAT, Sonserina com Grifinória, o Professor Catterick perguntou aos alunos quem conhecia o Feitiço do Patrono. Prontamente, a mão de Rose se levantou no ar. Ela respondeu corretamente, e o professor sugeriu que cada um que quisesse, tentasse a fazer o Patrono. Ninguém conseguiu. Apenas Albus, que fez um grande cavalo sair da varinha ("Não me admira, com a sua idade, eu me lembro do seu pai fazendo igualzinho, a única diferença era que o cavalo era de sua mãe"). Quando os alunos estavam saindo da sala, Luce resolveu tentar fazer, aproveitando que a atenção dos outros estava nos livros. Pensou no dia em que chegou a Hogwarts, que ficou no mesmo dormitório de Rose, com Kayla Wood e Jean e Alexandria Thomas. Não acreditava realmente que fosse conseguir fazer um Patrono, mas não custava tentar. Quanto pronunciou "Expecto Patronum", viu uma luz clara sair da varinha. Todos pararam para olhar, surpresos com a pessoa que segurava a varinha. A luz foi aumentando, até uma criatura duas vezes maior que Luce se formar em meio à luz. Ali poderia ser visto claramente um grande urso pardo.

- Se você diz. Ouvindo trouxas de novo? – Scorpius disse.

- Sim.

- Bom, eu vou fazer meus deveres de Herbologia, por Deus, Luce, seu pai pega pesado. – Albus disse, levantando e andando em direção ao castelo.

- Boa sorte – Luce disse, olhando para um lugar no nada.

Um silêncio se instalou entre os dois amigos. Scorpius começou a olhar para as roupas da menina. Sempre as mesmas, um jeans e um casaco que não deixava ninguém ver nada. E os olhos, bem marcados de preto.

- Você não cansa não?

- Cansar de que? – ela respondeu, ainda olhando para o nada.

- Usar essas roupas enormes e ficar aí, sentada ouvindo suas musicas estranhas.

- As minhas musicas são normais, e minha roupa também, creio que você também tenha algum casaco assim, só que com aquela cobra esquisita e malfeita. – agora ela olhava para o loiro.

- Aí ta o problema, eu também tenho um. Esse modelo serve para os meninos dos times de Quadribol. O das meninas tem um zíper.

- Não enche o saco, Scorp. Você não tinha treino hoje?

- Tinha, foi cancelado. Ah é, aquele ridículo do irmão do Al mandou te avisar que hoje tem treino às cinco. Mas não muda de assunto. Por que você se veste assim?

- Sei lá Scorp, já falei pra não encher. Eu só acho que fico vulgar com aquele casaco feminino. E o James não é ridículo, ele é bem legal se você parasse pra conversar com ele. Você só não gosta dele por que ele é melhor apanhador que você.

- Você fala como se fosse uma excelente jogadora de Quadribol não é?

- Eu sou uma excelente artilheira ta, você só diz isso por que eu fiz o gol mais bonito do ano passado.

- E você não se cansa de esfregar isso na cara de todo mundo. Aquele troféu idiota nem fica com você.

- Pelo menos eu tenho um troféu. – ela alfinetou, rindo.

- Cala a boca. Você devia ser mais feminina, Luana Alice.

- O que quer dizer com isso, eu sou muito feminina ta.

- Ah, tão feminina quanto eu.

- E você devia ser um pouco mais gentil sabe Scorpius? Se eu não soubesse que você não tem cérebro pra pensar antes de falar, eu saia daqui agora. Mas acho que seria impossível você ser gentil. – ela olhou nos olhos dele, ofendida.

- Quer apostar que consigo?

- Eu duvido que consiga.

- Se tem tanta certeza assim, por que não aposta? Eu duvido que consiga ser feminina. Só não combina com você.

- Ok então, Malfoy. Temos uma semana pra provar que eu posso ser feminina, e que você consegue ser gentil. Quem ficar convencido primeiro, perde. Se eu perder, você fica livre dos deveres de Feitiços por um mês. Se você perder, eu fico livre dos deveres de Astronomia. – ela disse, levantando e catando a bolsa de couro e colocando no pescoço.

- E como posso ter certeza de que você não está convencida ainda? – ele perguntou, se levantando e ganhando vantagem, já que era uma testa mais alto que a menina.

- Você verá, Malfoy. Amanha eu falo com você, agora eu tenho treino, por que, ao contrario de você, os treinos me ajudam, enquanto você só fica pior a cada treino.

Com isso, ela levantou e andou até o campo, deixando um sonserino bem bravo falando sozinho.