Luce não contava com ficar doente. Eram quase 5 horas da manha, quando ela sentiu um borbulhamento no estomago. Ela conhecia essa sensação. Correu para o banheiro e vomitou. Vomitou mais do que comeu. Sim, ela vomitou sangue.
Se olhou no espelho. Suor escorria pela cara, e quando colocou a mão na testa, estava pegando fogo.
Pegou um casaco e colocou por cima do pijama mesmo. Saiu correndo para a porta, mas no meio do Salão Comunal sentiu ânsia e voltou correndo para o dormitório vomitar mais. O que estava acontecendo?
Dessa vez correu de verdade até a enfermaria, não se preocupando com o barulho. Bateu na porta, e Madame Pomfrey abriu a porta à tempo dela conseguir vomitar mais uma vez, dessa vez uma porção de sangue maior.
- Querida, o que aconteceu? – a enfermeira disse, levando Luce para uma das macas.
- Eu não sei, já vomitei duas vezes, e ta saindo sangue, Madame Pomfrey!
- Você forçou?
- O que? Claro que não, eu não tenho bulimia.
Ela vomitou de novo, com mais sangue ainda.
- Deite-se, rápido!
A velhinha passou a varinha, que tinha uma luz preta saindo da ponta, por toda a extensão do corpo da menina. Parou na região do esôfago, e examinou com mais cuidado.
- Aqui está o problema. Comeu as coxinhas do jantar rápido de mais, não é?
- Eu tava com um pouco de pressa.
- Você engoliu um osso pequeno, mas ele está entalado no esôfago. Fez um cortinho na parede, por isso que tem sangue no vomito. Procure não comer coisas muito acidas. É fácil tirar. Auferre! – a menina sentiu um alivio – Pronto. Agora vamos ver... Meu Deus! Você está fervendo!
Madame Pomfrey foi até um armarinho e pegou um potinho e um termômetro. Luce abriu a boca, e mal tinha arrumado direito o termômetro na boca e a enfermeira já tinha tirado.
- Trinta e nove! Vamos ver – ela pegou uma colher e mediu um pouco – pronto, beba, é bem ruim, mas vai melhorar a febre. Tenho más noticias, se pretendia ir à Hogsmeade, desista, vai ter que ficar aqui.
Luce resmungou, mas sentiu os efeitos do remédio. Ela adormeceu, e acordou no meio da noite, para cuspir sangue. Fora isso, dormiu bem.
Na manha seguinte, Scorpius acordou animado. Estava ansioso para ganhar a aposta. Era obvio que ele ia ganhar, Luce nunca conseguiria ser feminina. Se vestiu, acordou Albus, e saiu para tomar café.
Logo que chegou ao Salão Principal, procurou a cabeleira desgrenhada castanha da amiga na mesa da Grifinória. Não encontrou, então começou a comer. Albus chegou um pouco depois dele, e começou a comer também.
- Ei, você viu a Luce? – Scorpius perguntou.
- Não, mas a Rose disse que ela passou mal à noite e saiu correndo, fez uma barulheira tremenda. – o moreno disse, com a boca cheia de cereal.
Como se fosse uma confirmação, o bracelete dele começou a vibrar no seu pulso. Na parte de dentro, lia-se "Ala Hospitalar, Hogwarts". Ele terminou de comer, preparou-se para ser o máximo gentil com a amiga e foi andando até o quarto andar.
Quando chegou lá, toda a gentileza preparada esvaiu-se. Luce estava em péssimo estado. Os cabelos, levemente brilhantes por causa do suor, os olhos inchados, a pele mais pálida do que nunca, as mãos tremendo, e o balde, onde Luce vomitava sangue mais uma vez. O Prof. Longbottom estava sentado ao lado dela, segurando os cabelos da menina, para que não caíssem no balde. Quando ela terminou, ela deitou de novo e o Prof. colocou a mão na testa dela, fazendo carinho.
- Meu amor, eu tenho que ir, vou ver se acho alguém pra te fazer companhia, mais tarde eu volto pra ficar aqui com você ta?
Scorpius deu uma risadinha. Era bem estranho ouvir o professor de Herbologia falando assim.
- Não precisa pai, fica tranqüilo ta? Eu vou ficar bem, Madame Pomfrey disse que amanha eu posso voltar à atividade. – ela disse com uma voz que Scorpius quase não reconheceu, de tão fraca que era.
- Oi. – ele disse, se aproximando.
- Ah, você veio. – ela disse.
- Pronto, agora você tem companhia, qualquer coisa me chama ta? – Prof. Longbottom disse.
- Ta.
Scorpius viu o professor sair da sala e tomou o lugar dele, sentando no banquinho ao lado da cama.
- Trégua só por hoje? – ele disse, olhado para ela.
- Trégua só por hoje. Então começa amanha. Vai até domingo. – ela pegou a varinha no criado-mudo e tocou no bracelete, que perdeu um pouco do brilho. O do menino também fez isso.
- Feito. Que que aconteceu?
- Engoli um osso de galinha sem querer.
- Entendo. – ele colocou a mão na testa dela, só para ter uma idéia, e levou um susto – Deus, você está pelando!
- Pois é, acabei de tomar o remédio pra abaixar a febre. O ruim é que não vou poder ir à Hogsmeade.
- Eu fico aqui com você.
- De jeito nenhum, você vai lá e vai me comprar muitos doces, alias, fiz uma lista de coisas que você tem que me trazer. Tó - ela entregou um pedaço de pergaminho dobrado, que estava ao lado da varinha.
- Quanta coisa, mas eu gostaria de ficar com você.
- Ei, eu sei que eu to bem mal, mas minha cara ta tão ruim assim? Já falei que só começa amanha.
Ele fez uma careta e analisou a lista de novo. Resumiam-se em coisas da Dedosdemel e da Gemialidades Weasley, a loja do tio de Rose.
- E quem vai ficar com você?
- A Rose disse que não ia pra la de todo jeito, que tinha umas matérias para repassar.
- Tem certeza?
- Tenho, toma, ta tudo contadinho. – ela entregou uma bolsa cheia de moedas.
- Ok, tchau então. Melhoras – ele se abaixou para beijar a testa dela.
- Obrigada.
Ele saiu. Rose chegou lá pouco tempo depois, e na hora do almoço Luce já estava completamente curada da febre. Ela teria que ficar lá até a hora da janta, mas não tinha problemas com isso. Às três horas, Kayla, Alex e Jean apareceram. Ficaram um tempo e depois foram embora. Às quatro, Arnold e Gabe, os batedores do time, e James, foram fazer uma visita rápida. As cinco, Scorpius, Albus, Dom e Giovanna apareceram, os dois últimos meio de má vontade, mas ficaram lá um bom tempo. Luce conferiu a sacola de doces e tirou uma bala de cobra e botou na boca. As oito, ela pode sair da enfermaria, e foi tomar um banho. Depois, colocou um pijama limpo e dormiu, pois teria um dia cheio na manha seguinte.
