A primeira aula de quinta-feira era Defesa Contra as Artes das Trevas. Aprenderiam sobre Grindylows. Ahh. Luce não estava com a menor vontade de saber sobre grindylows. O Professor Catterick falava, falava, e ela não estava escutando absolutamente nada. Suas pálpebras caiam, quase não dormiu à noite. Nas outras aulas, a mesma coisa. Até mesmo na ultima aula, a de Feitiços com a Corvinal, Luce quase dormiu.
No final da aula ela ainda estava desfazendo todos os passarinhos que tinha feito com as folhas do livro e colando-as de volta na capa. Todos já tinham saído, e o Prof. Flitwick parecia impaciente por ter que esperar ela desfazer duzentos passarinhos de papel que voavam alegremente pelo teto.
- Senhorita Longbottom, se não se importa, eu tenho que ir embora, tenho uma reunião com a Diretora. Alias, é pra falar sobre as suas aulas. Será que poderia fechar a sala depois que sair?
- Claro, Professor. – ela disse, distraída, sentada em cima mesa e apontando para os passarinhos alegres do teto.
- Ótimo, o feitiço senha é Dolorcrinem, a senha é "O que não te mata te faz mais forte". Mas não conte para ninguém hein!
- Claro, Professor. – ela disse, ainda distraída nos passarinhos.
- Agora, eu vou embora, tenha uma bela tarde. – e saiu.
Ela continuou sentada em cima da mesa, balançando os pés de leve, apontando para os bichinhos com a varinha e dizendo "Finite Incantatem", repetidamente. Nem notou quando um menino entrou na sala.
- Ei. – o menino disse.
Ela levou um susto, quando o viu parado ao lado dela. Quem tinha entrado na sala ela Carter Dolley. Carter era um menino do ano dela, da casa dela. A primeira vez que Luce falou com ela foi no primeiro dia de aula em Hogwarts. Logo depois da cerimônia da Seleção das Casas, quando ela estava comendo ao lado de Rose, ele se sentou ao lado dela. Na época era um menino gordinho, baixinho, bochechudo, com os dentes tortos e cabelos curtíssimos cor-de-mel, assim como os olhos. Tinha algumas sardas no rosto, e a pele clara. Puxou um assunto interminável, que Luce não entendeu. Com o passar dos meses ela se tocou que ele estava afim dela, porque no dia dos namorados ele lhe mandou uma carta de amor, com uma rosa e uns doces de abóbora, que ela não comeu, já que era alérgica. Pareceu ter superado a paixão não correspondida no terceiro ano, quando parou de puxar qualquer assunto com ela quando a encontrava. Nas férias do terceiro pro quarto ano, varias mudanças aconteceram. Ele deixou de ser o gordinho baixinho, como tinha sido pelos primeiros três anos, para ser alto, magro à beça, chegando até a ser musculoso, com os braços fortes no ponto, mas ainda com as sardas. O cabelo tinha crescido e ele penteava cuidadosamente para o lado. Os dentes agora eram retos e tinha um sorriso bonito. Ele, que antes ficava uma testa abaixo da garota, agora era uma cabeça maior. Ela não sabia que tipo de magia obscura ele tinha feito para mudar tanto, mas o que quer que tenha sido, tinha funcionado. Chegava até a ser charmoso, se não fosse um tanto irritante. Ela não falava com ela desde o mês passado, onde ela teve que fazer dupla com ele na aula de Trato de Criaturas Mágicas, mas mesmo assim não se falaram nada alem da aula. Na verdade, ela não o via muito, ele sempre sentava mais atrás do que ela nas aulas, e nunca o via nas refeições. Luce desceu da mesa e girou a varinha nos dedos. Ainda faltava um passarinho, que ela fez voltar para o livro rapidinho.
- Ah, oi Carter. Você me assustou.
- Ah, me desculpe. Se importa se eu fechar a porta?
- Não, mas...
- Dolorcrinem – ele pronunciou, interrompendo a garota.
- Pra que senha?
- É que eu tenho um assunto... Particular.
- Ok então... – ela estranhou, se afastando um pouco do menino, que tinha se aproximado – e qual é a senha?
- Quando a gente terminar eu abro. Sente-se – ele disse, puxando uma cadeira da mesa para três que Luce estava sentada antes.
Ela olhou desconfiada para ele, mas sentou. No mesmo momento, sentiu um aperto nos pulsos, nos braços e nas pernas. Sua varinha caiu com o susto. Ele tinha dito quase inaudivelmente um Incarcerous.
- Por que fez isso? Carter me solta. Agora.
- Pra que? Temos bastante tempo ainda – ele disse, pegando outra cadeira e colocando bem perto dela.
- O que você ta fazendo seu jumento? Me larga agora.
- Isso, me xinga, eu amo quando você fica bravinha. – ele caçoou, levantando e indo para trás dela.
- Carter Dolley me solta agora.
- Nope. Olha o que temos, sua varinha! Cerejeira, pena de fênix, 28,5 centimetros não é?
- Como sabe? – ela se surpreendeu.
- Meu amor, eu sei tudo sobre você.
- Me larga seu nojento.
- Eu sou nojento? Ah, me dói saber disso. Talvez você mude de idéia depois de hoje, não é? – ele se aproximou dela e passou a mão pelo rosto da menina.
- Não toca em mim! – ela gritou, depois de morder o dedo dele.
- Isso, me morde, eu acho super sexy – ele se sentou na cadeira de novo, e ficou passando o dedo pela cara dela.
- SCORPIUS! JAMES! ROSE! ALBUS! – ela gritou.
- Nem tenta gritar, eu...
- PAI! PROFESSOR! ALGUEM! KAYLA, ALEX, JEAN! DOM!
- ...coloquei um feitiço contra barulho, nem adianta.
- Seu imundo. – ela sibilou.
- Primeiro, antes da gente fazer o que tem que fazer, vou ter explicar tudo né?
- Filho da puta – ela disse, enquanto tentava retirar o bracelete, sem sucesso.
- Ei ei ei! Olha que boca suja tem essa menina! Minha mãe pode até ser trouxa, mas não é nenhuma putinha que fica andando por aí com uma saia minúscula. Que tal a gente limpar essa boca?
Ele se aproximou bem devagar dela, e ela arqueou as costas par trás o máximo que conseguiu, mas foi inevitável. O moço encostou os lábios nos dela, e ela mordeu o mais forte que pode.
- Ah, seus lábios, você não tem idéia o quanto eu esperei para senti-los nos meus! Pena que agora o gosto foi apagado por todo esse sangue – ele disse, enquanto observava a ferida que tinha ficado, e sangrava bastante. – Episkey! Bom, eu ainda vou ter tempo pra provar o doce mel deles de novo.
- Ridículo. Eu te odeio.
- Me odeia! Ah, que triste saber disso, mas eu sei que em algum lugar ai dentro você me ama. – ele disse, tocando no seio esquerdo da menina, pra indicar o coração.
- Por que você ta fazendo isso?
- Ah, que bom que você perguntou – Carter se levantou – É uma longa historia sabe? Tudo começou no primeiro ano. Eu me apaixonei por você no instante que te vi. Era tão linda, ainda é! Passei o primeiro ano inteiro sendo ignorado. Até mesmo quando te mandei aquela cartinha – ele riu – Quando voltei para casa, minha mãe disse que era pra eu tentar conversar com você, que talvez você me notasse. Não funcionou – ele andava de um lado para o outro – No terceiro ano, eu tentei realmente falar direito com você, mas não, você só andava com aquele sonserino preconceituoso, o filho de Harry Potter: o famoso, e a ruivinha irritante. Nunca deu bola para mim. Nas férias, eu me toquei. Todos com quem você andava eram bonitos. Nunca pensei que você fosse daquele jeito, mas não custava tentar. Passei as férias inteiras fazendo treinamento duro pra emagrecer, tomando vários remédios pra crescer, deixando o cabelo no mesmo corte daquele ridículo do seu amigo Scorpius, arrumando os dentes. Não comi nada gostoso nas férias. Alias, elas foram péssimas. Minha amiga trouxa me aconselhou parar de falar com você, para ver se você sentia a minha falta e me notasse. Mas não, você continuou ignorando. Me fez passar por toda a dureza para nada.
- Eu não te obriguei a nada! – sentindo um toque de remorso, ao perceber que era verdade.
- Não me interrompe. Ai você resolveu ficar bonitona. Usar essas roupas apertadas e curtas, não sei pra que. Eu sempre te achei bonita, e prefiro do jeito de antes. Mesmo com as roupas grandes, a maquiagem pesada e o cabelo bagunçado. Eu sempre tive o mesmo gosto musical que você. Alias, Panic detona. De repente todos os garotos da escola te elegeram a mais gostosa de Hogwarts. Todos queriam tirar um pedacinho da minha garota. Todos te queriam, e você deu atenção a todos, menos a mim, que sempre te amei. O que sempre esteve lá. Depois você escolheu um garoto. Se pelo menos fosse um dos seus dois amiguinhos sonserinos eu até entenderia, mas não. Você escolheu aquele cara que sempre te tratou como nada mais que a artilheira. A jogadora. Se ele te considerasse como um amigo eu não me surpreenderia. E ele só te queria agora porque você mostrou o corpo. E eu, que sempre te amei, desde que usava só preto, fiquei na mesma, ignorado.
Um silencio se instalou. Luce tentou achar uma brecha na historia, mas não achou. Era tudo a pura verdade.
- Me desculpe – ela murmurou.
- Não se desculpe, eu vou ter minha recompensa hoje. Não é?
Luce de repente viu uma luz no fim do túnel. Já sabia o que fazer. Era horrível e inescrupuloso, mas era a única saída.
- Não vai.
- Ah eu vou. Wingardium Leviosa.
Ela sentiu seu corpo ser erguido na cadeira, e ser transportado para a mesa. Ela não gostou disso.
- Eu soube que você deixou ele tocar aqui não foi? – Carter disse, enquanto passava a mão nos seios da garota.
- Não faz isso, por favor. – ela pediu enquanto ele ria – como sabe? Para de mexer nos meus peitos!
- Eu vi. Ou você acha que desde que você começou a sair com aquele trasgo eu não tenho seguido vocês em todo lugar, e assistido todas as pegações?
- Isso é bem estranho.
- Eu até descobri que você tem um fraco aqui – ele disse, passando o dedo delicadamente embaixo da orelha dela.
Ela sentiu um arrepio e fechou os olhos. Ela tinha que dar um jeito de sair.
- Ahhh, você gosta né? Bom, se você deixou um cara que sempre te tratou como um menino tocar aqui, – ele apontou para os seios – não vai ter problema em deixar um cara que te ama a mais de 3 anos tocar aqui, não é? – ele disse, apontando para a saia. – Alias, muito engenhoso seu short da invisibilidade, pena que não vamos precisar dele hoje...
- Carter não, você não faria isso... – ela disse, forçando os próprios olhos a encherem de lagrimas.
- Ah eu faria. E não chora, depois você vai perceber que nos fomos feitos um para o outro. No final, vai ver que o destino só precisava de um empurrãozinho.
- Por favor Carter – ela disse, com a voz embriagada, com cuidado para não sair forçado demais – me deixa ir embora e eu não conto para ninguém, por favor? – ela o encarou nos olhos.
- Desculpe, minha amada, mas eu não posso fazer isso – ele disse, passando a mão no rosto dela, limpando uma lagrima. Ela deixou – Não chore, cada gota desse liquido divino desperdiçado é uma perda enorme. Eu vou deixar você ir embora, e, dependendo do seu desempenho, talvez a gente fique junto antes mesmo do jantar! – ele tentou animá-la.
Ela sentia que ele realmente queria que ela visse que sentia amor por ele. Sentia no olhar dele que doía faze-la chorar, mas era necessário.
- Me solte então. Eu vou fazer o que você pedir. – ela disse, fechando os olhos.
Ele quase perdeu o equilíbrio quando ouviu as palavras sofridas da menina.
- Como é?
- Eu vou fazer o que você quiser, Carter. Mas me solte. Pode continuar com a minha varinha. Eu só quero que acabe logo.
- Eu não sei...
- Vamos, vou tentar de verdade. Talvez você esteja certo não é? – ela abriu os olhos e encarou os olhos dele, que tinham um brilho esperançoso nascendo. Ela riu sem graça – Bem, talvez seja tudo mesmo uma questão de destino.
Ele a abraçou, sentindo uma felicidade maior percorrer seu corpo. Guardou a varinha da moça no cós da calça, murmurou "Finite Incantatem", apontando a própria varinha para ela. Luce sentiu o aperto das cordas sumir, e, com as mãos atrás das costas, tirou o bracelete e guardou no bolso de trás da saia, sem deixá-lo perceber.
Ela desceu da mesa e andou a passos lentos até ele. Quando chegou bem perto, colocou a mão esquerda no rosto do garoto. Ele fechou os olhos, sentindo um prazer imenso ao toque dela. Só dela, um toque que nenhuma outra garota jamais poderia dar. Só ela. E só para ele.
- Me empreste minha varinha – ela disse, quando ele a olhou nos olhos.
- De jeito nenhum – ele deu um passo para trás.
- Deixe de ser desconfiado, é só pra conjurar um sofá. Ou você prefere fazer tudo em pé?
- Se você tentar outra coisa, eu te prendo de novo. – ele disse, tirando a varinha do bolso e a entregando, apontando a própria, pronto para prendê-la a qualquer momento.
- Está bem. Consolatio. Toma – ela disse, fazendo um sofá de veludo igual ao da Sala Comunal da Grifinória aparecer, e depois devolvendo a varinha. É claro que ela conseguiria o estuporar antes mesmo que ele pensasse em cordas, mas ela não tinha a senha para sair da sala.
- Boa garota – ele disse, guardando a varinha dela de volta – mal posso acreditar que você vai fazer mesmo – ele disse sorrindo.
Ela não respondeu. Não sabia como conseguiria fazer o que pretendia, mas era a única saída, por enquanto.
Carter estava animado. Deu um passou a frente e abraçou sua amada. Ela correspondeu, e o que sentiu ao ter os braços de Luce ao redor do pescoço foi inexplicável. Seria o melhor dia da vida dele. E se desse errado, o pior da vida dela.
Luce começou a agir. Se desvencilhou do abraço e o olhou nos olhos. Tinha que parecer real. Colocou uma mão na bochecha dele, ficou na ponta dos pés, fechou os olhos, e o beijou. Uma corrente elétrica percorreu o corpo dele, e ele sentiu todos os problemas do mundo sumirem, apenas para sentiu o gosto doce da boca dela. Ah, quantas vezes ele tinha sonhado com isso? Aproximou o corpo dela colocando uma mão na cintura, e a outra colocou nos cabelos dela. Ela fez carinho nos cabelos da nuca do moço, sentindo desgosto de estar fazendo isso. Onde estava aquele inferno de Malfoy?
Scorpius estava fazendo o dever de Poções em seu dormitório junto de Albus quando o bracelete começou a tremer. Ele discretamente olhou para o próprio pulso, vendo as letras "Sala de Feitiços, Segundo Andar, Hogwarts". Luce estava em perigo. Ele tinha certeza que não era um chamado pra comparecer, ela estava mesmo em perigo, por que não parou de vibrar nenhum segundo.
Deu a desculpa que ia arrumar alguma coisa pra comer na cozinha para Albus e ele e foi correndo em direção à Sala de Feitiços. Quando chegou lá, trancada, o que só fez sua preocupação aumentar.
- Videpermurum!
A porta ficou clara e ele conseguiu ver através dela. Parece que tinha se enganado. Luce não estava correndo perigo nenhum. Ela estava se pegando um muleque que Scorpius não conhecia. E ela tinha o chamado de novo só para irritar.
Luce beijava com vontade, mas tudo apenas encenação. Carter sentia um espasmo de prazer cada vez que sua língua entrava na boca dela, e vice-versa. Eles se separam e ela voltou a o encarar nos olhos.
Scorpius viu que eles estavam falando alguma coisa, mas o nível de magia da sala era grande, e ele não conseguiu ouvir nada. Dessa vez ele não ia ficar apenas assistindo. Ele ia interromper. Por que não agüentava mais ser feito de bobo por aquela garota. Apontou a varinha para a fechadura e ordenou "Alohomora". Sem sucesso. Que diabos eles tinham colocado na porta?
- O que você quer que eu faça? – ela perguntou, com um sorriso triste no rosto.
- Quero que faça igual ao que fez com aquele Potter.
- Está bem então. Mas não quer uma massagem antes? Pra – ela subiu de novo na ponta dos pés e sussurrou no ouvido, encostando a boca de leve – relaxar?
Ele sentiu um arrepio percorrer todo o corpo. Ela pegou a mão dele e o guiou para o sofá. O sentou e foi para trás dele.
Luce começou a massagear os músculos do ombro largo do moço. Estava apenas enrolando para o que pretendia fazer depois disso. Carter permaneceu quieto. Ela foi passando a mão pelo pescoço dele, beijou a orelha, o pescoço... Argh, ela não sabia se conseguiria fazer isso por muito mais tempo. Com a mão no ombro dele ela foi devagar até sua frente, e sentou no colo dele, com as pernas abertas, uma de cada lado do corpo do moço. Ele sentiu todo o seu corpo ficar quente. Ela o empurrou levemente, o fazendo encostar.
"Mas que diabos ela vai fazer com ele? Ela vai transar com um cara que nem conhece direito? Ah, mas eu não vou deixar, isso é muita vadiagem", o sonserino pensou do lado de fora, tacando todos os feitiços que sabia na fechadura, sem sucesso.
Luce deitou no peito dele e começou a beijar seu pescoço. Enquanto beijava, abria os botões da camisa dele. Carter estava muito feliz, feliz mesmo. Não importava que antes ele teve que a prendê-la, agora ela tinha finalmente achado o amor e eles iam ficar juntos. Como um só. Finalmente.
Logo, a camisa de Carter já estava do outro lado da sala. Luce passou as unhas no abdome recém definido dele. Ah, isso ela tinha que admitir. Carter tinha ficado com um corpo maravilhoso. Pena que as circunstancias não estavam ao favor disso. Ela sentiu uma protuberância se erguer logo abaixo de sua colega lá de baixo. "Mas já?" ela pensou.
Ele, num ato que a surpreendeu totalmente, a deitou no sofá e ficou por cima. Começou a beijar o pescoço da moça e abriu com tudo a camisa justa dela, que perdeu 3 dos 7 botões que estavam fechados. Ela xingou mentalmente. Ele lambeu de leve o ponto sensível dela, e ela estremeceu. Scorpius estava ficando realmente bravo.
Luce não pretendia realmente deixar que ele visse algo comprometedor, mas se não conseguisse ficar por cima logo, ele ia tirar seu sutiã a qualquer momento. Ela se virou, ficando por cima dele. Ele deu um sorriso malicioso. "Agora é a hora de agir", ela pensou. Começou a beijar o peito forte do moço, a linha das costelas, o umbigo. O tamanho só aumentava. Mas então, ela deu uma cotovelada em seu estomago e pegou as varinhas no cós da calça dele.
Antes que ele pudesse sentir a dor, ele pegou os pulsos dela e segurou com toda a força. Ela sentiu o sangue parar de circular na mão e andou para trás. Agora ela realmente esperava que Scorpius não estivesse vendo, seria bem triste se ele a visse apenas de sutiã.
Scorpius levou um susto quando a amiga fez aquilo. Por que ela havia feito isso? Mas agora o cara estava segurando ela forte de mais, ele pode ver a mão começar a perder a cor. Viu ela dando uns passos para trás, e a viu gritando algo. Agora ele realmente tinha que abrir a porta. Uma idéia lhe ocorreu. E se estivessem usado o feitiço senha?
- ME LARGA SEU TRASGO MONTANHES BAFORUDO!
- Tentando dar uma de espertinha e... UFFFH!
Luce tinha se afastado do sofá, a ponto de ter espaço o suficiente para chutar as bolas do rapaz com o joelho. Ele a soltou e se curvou de dor. Ela fechou o punho e lhe deu um soco bem dado no nariz. Ele caiu tonto no chão, e o nariz começou instantaneamente a sangrar.
Uma onda de alivio percorreu o corpo dela. Se virou para o sofá e pegou a varinha dele. Conjurou "Prior Incantato", mas antes que pudesse ver algo...
Scorpius viu o cara levantar. Luce estava fazendo algum feitiço, talvez desfazendo o da porta. Ele se aproximou cambaleante por trás, e quando a luz da varinha que Luce segurava começou a sair, ele a segurou pelo pescoço, numa chave de braço. Scorpius tentou gritar, mas a porta não deixava o som penetrar. O cara pegou a varinha de Luce enquanto a outra que ela segurava antes caiu no chão. Scorpius olhou para a luz que saia. As palavras "Dolorcrinem" e logo abaixo "Paciência nem..." se formaram bem lentamente.
Luce recebeu a chave de braço e começou a ficar sem ar. Deixou a varinha cair, e pode ver apenas metade da senha. Paciência nem é sempre... E o resto? Carter abaixou, com pescoço dela ainda nos braços, e catou sua própria varinha, acabando com a luz-resposta. Tacou a de Luce longe. Droga, era o fim. E Scorpius agora tinha descobrir o resto da senha sozinho.
- Tentando dar uma de espertinha né? E eu cai direitinho, mas agora chegou a minha vez. Icarcerous.
Ela sentiu as cordas prenderem seus pulsos atrás das costas, e um pedaço de pano apertou sua boca. Ela começou a chorar. Ela não queria de jeito nenhum que isso acontecesse, e agora sua ultima esperança era Scorpius. Scorpius, onde o menino estava quando ela precisava dele, aquele imprestável.
Carter a pegou com um pouco de força a mais pelas costelas enquanto ela esperneava. Ele a carregou até a mesa de novo e prendeu as pernas de Luce nas pernas da mesa, de um modo que as da menina ficavam abertas. Agora não tinha mais nada pra usar contra ele.
Ele arrancou o short da invisibilidade dela com um puxão. O short rasgou, e quando ele estava prestes a tirar a calcinha, ele caiu duro no chão, por cima da varinha. A varinha quebrou, e as cordas se desfizeram.
Scorpius tinha entrado na sala gritando "Paciência nem sempre é o melhor caminho!" e logo depois "Petrificus Totalus!".
Luce suspirou e desceu da mesa correndo. Pulou nos braços dele e o abraçou com força, chorando em seu ombro.
- Ah Scorp, ele queria abusar de mim, eu tentei enganar ele, mas não funcionou, ah, não pense que eu estava fazendo aquilo por que queria – não, eu nunca faria aquilo, me desculpe por te obrigar a ver isso, de verdade... – ela dizia em meio aos soluços.
Ele a abraçou de volta com força. Fechou os olhos e passou a mão pelos cabelos compridos dela. O fato de ela estar o abraçando praticamente sem camisa, apenas de sutiã, não estava mexendo nada com ele. Nadica de nada. Não.
- Ta tudo bem, não precisa se desculpar, não é sua culpa! Ta tudo bem... – ele dizia, tentando ignorar o fato dito antes.
- Ah Scorp...
Ela, no meio do abraço, tirou a varinha da mão dele e antes que ele conseguisse ver a cor do sutiã dela, a camisa já estava costurada. Ela fez o mesmo com o short, que caia em cima do pé de Carter, e colocou. Ela se aproximou dele, que tinha um olhar raivoso nos olhos.
- Obliviate.
Os olhos dele perderam o foco e ele ficou olhando para cima.
- Accio varinha.
A varinha dela voou para sua mão, e ela devolveu a do loiro.
- Reparo, Reparo, Reparo, Desconsolatio, Reparo. – ela disse, fazendo a mesa, a carteira, a parede e um jarro que tinha quebrado quando Carter caiu voltarem ao normal e o sofá desaparecer de novo.
Ela secou as lágrimas – Obrigada Scorp. Não conta pra ninguém não ta? Por favor.
Ele ficou indignado – Por que não? Ele tem que ser expulso, tava tentando transar com você a força!
- Eu já modifiquei a memória dele. Ele acha que nós dois brigamos por um motivo que não vai lembrar e duelamos e eu ganhei. Só isso.
Carter começou a se mexer, o efeito do feitiço da petrificação se desfazendo. Scorpius bufou e pegou-o pelos pés e o puxou até o corredor. Luce pegou seu material e fechou a sala com a senha do professor.
- Obrigada de novo. – ela disse, abraçando o moço de novo.
- Não há de que. – ele disse aproveitando o abraço.
- A aposta ainda ta de pé hein! – ela disse se desvencilhando e se virando para o outro lado do corredor.
Scorpius suspirou. O que havia acabado de acontecer ali? Sentiu o bracelete finalmente parar de tremer, e percebeu uma coisa. A barra de ouro tinha se preenchido até a metade com um liquido vermelho. Sorriu e foi cantarolando até o dormitório.
