Alice começou, contrariada a pentear a irmã. Ela tinha a certeza de que Bella estava prestes a cometer um grande erro. Não queria ver a irmã mais nova presa a um casamento forçado. Parecia até ridículo, era como se todos à sua volta se tivessem, subitamente esquecido que estavam em pleno século XXI.
-Pronto, Já está. Está perfeita, como sempre. – Alice afirmou.
-Posso ver? – Perguntou Bella curiosa, olhando diretamente para o espelho que sua irmã tapara cuidadosamente com um pano vermelho.
-Não. Só se vai olhar no espelho no final de tudo e ainda temos muito trabalho pela frente. – Alice se explicou. – Pelo amor de deus! Suas unhas estão horríveis.
-Não exagere! Não podem estar assim tão más!
-Pois, mas estão. E só temos quatro horas! – Alice dramatizou – Ainda há muito trabalho para fazer.
Elas continuaram se arranjando, entre risos e gargalhadas enquanto recordavam histórias vergonhosas de suas infâncias.
Lembraram de quando Alice acidentalmente partira a boneca preferida de Bella e culpara Lucas, o cão da família pelo sucedido e de quando cortaram metade do cabelo comprido de Emmett, o irmão mais velho das duas enquanto o mesmo dormia.
-Ele queria nos matar! – Alice riu se lembrando da atitude do irmão após ter acordado com aquele penteado alternativo.
-A ideia foi sua. – Bella pausou e perguntou entre risos – Lembra do Mike?
-Claro que me sim, estava obcecada por ele. – Soltou uma gargalhada. – E você também.
Há alguns anos atrás, quando Bella tinha catorze anos e Alice dezesseis, um novo garoto entrara para o colégio das irmãs. Mike tinha dezessete anos, era loiro e alto, lindo. Conseguiu assim captar em pouco tempo a atenção das duas, sem se ter de esforçar para isso.
-Eu sei. Na minha cabeça, ele me amava perdidamente. – Confessou Bella divertida. – Só que era demasiado tímido para admitir.
-Lembra de quando descobrimos? Foi a maior decepção da minha vida. – Relembrou Alice. - Eu tinha-me esquecido do casaco na sala de aula e você veio comigo buscá-lo.
-Sim e ele estava lá com o irmão da sua melhor amiga. – Bella sorriu. –Os dois estavam se pegando em cima de uma mesa.
-Foi bastante traumatizante. – Ressaltou Alice. – Passei as semanas seguintes, super deprimida, me questionando acerca do sentido da vida.
Em questão de duas horas, Bella já estava penteada e maquiada. A pedicure e manicure estavam impecavelmente elaboradas.
-Só falta o vestido. – Bella afirmou, aliviada.
–Agora tenho de ir tratar de mim. Não quero estar horrível no casamento da minha irmã. Eu tenho de ficar deslumbrante nas fotografias.
-Vá, então.
Bella ficou sozinha e isso não era propriamente bom. Estando sozinha, era impossível evitar pensar nos assuntos que a preocupavam.
-Querida, trouxe o vestido. – Rennée entrou no quarto sem se preocupar em pedir permissão. – Vai ficar fabulosa.
-Obrigada.
Isabella despiu a toalha cor-de-rosa que cobria o seu corpo, deixando-a cair ao chão. Rennée passou-lhe então o vestido, tendo o máximo cuidado para não o amassar. A noiva pegou no vestido feito de um suave tecido branco e fê-lo deslizar pelo seu corpo até este ocupar o devido lugar. Assentava-lhe como uma luva, demarcando todas as suas generosas curvas.
-Estou tão orgulhosa de você… - Rennée afirmou, enquanto uma lágrima escorregava pela sua face. – Minha menina vai se casar.
-Pois, essas coisas acontecem. – Bella sussurrou.
-Eu sei que não está completamente feliz com isso, mas eu sei que você vai se habituar à ideia. Vai ser muito feliz com o Jacob. Ele é um bom homem. – Rennée disse entusiasmada, numa tentativa falha de reconfortá-la. – Eu não queria casar com seu pai, mas olha para nós agora! Temos três filhos lindos e uma vida espetacular.
Bella anuiu enquanto sorria falsamente. Se a sua mãe acreditava que a sua relação com o marido era digna de exemplo, não a contrariaria. Se Rennée optava por ignorar as inúmeras traições de Charlie e fingir que nada se passava, o problema não era de ninguém, a não ser dela.
-Adiante, chegou a hora de ver o resultado final. – Avisou Rennée, segundos antes de remover o pano vermelho que cobria o grande espelho.
Bella estaria mentindo se afirmasse que não estava surpreendida com seu aspeto. Seu cabelo dourado, normalmente liso, estava agora ondulado deslizando pelos ombros em cachos perfeitos. Alice havia feito um trabalho extraordinário com a maquiagem: seus olhos cor de chocolate estavam delineados por um lápis preto e suas pestanas aparentavam ser mais longas e volumosas graças ao uso do rímel. O rouge aplicado nas suas bochechas conferia-lhe um saudável tom rosado. Por último, o batom vermelho dava o toque final colorindo de forma sensual os seus lábios volumosos.
O vestido estilo sereia cor de pérola demonstrara-se igualmente uma excelente escolha. O vestido que era colado ao seu corpo alargava a partir da zona do joelho, demarcando sua figura.
-Está linda, Bella. – Rennée fez questão de elogiar, com os olhos cinzentos marejados de lágrimas. – Estou muito orgulhosa.
Bella não respondeu de forma alguma. O nó da sua garganta estava mais apertado do que nunca. Sabia que se soltasse alguma palavra, o mais provável era que desatasse a chorar compulsivamente.
-Pare com isso. Não comece a chorar. - Rennée apressou-se a censurar. - Vai parecer mal se aparecer na cerimônia com os olhos vermelhos por causa do choro.
-Rennée, eu não vou chorar. Só preciso que me deixe uns instantes sozinha. Por favor? – Implorou quase agressivamente.
-Tudo bem, como você quiser. – Rennée concordou a contragosto, enquanto se encaminhava para o exterior do quarto.
Bella olhou em sua volta. Nunca mais dormiria naquele quarto. Era estranho, nele estavam presentes demasiadas recordações de seu passado. O quarto era um local acolhedor, onde muitos anos durante a infância e adolescência se refugiara.
-Então como é que eu estou? – Alice interrogou, entrando pela porta do quarto.
Alice usava o cabelo negro solto e portava um vestido azul que lhe chegava ao joelho. Estava simplesmente deslumbrante.
-Quem és você e o que fez com minha irmã? – Interrogou Bella, positivamente surpreendida.
-Muito engraçadinha. – Alice retorquiu, mostrando-lhe a língua de seguida, como uma criança.
-Não foi por mal, eu juro. – Bella defendeu-se.
-Eu sei. – A sua irmã garantiu, enquanto se aproximava em passos largos e ao mesmo tentava se equilibrar em seus saltos agulha. – Os convidados estão chegando aos poucos. Nervosa?
-Acho que vou vomitar. – A noiva respondeu apenas.
-Não se preocupe. É natural que esteja nervosa. – Alice tentou acalmá-la. – Acho eu.
-Espero que sim. – Murmurou Bella enquanto fitava o céu azul através da janela do seu quarto. – Eu já não devia estar descendo? Estamos quase em cima da hora, não quero chegar atrasada.
-O Jacob já lá está, mas você não pode ir já. As noivas têm de chegar atrasadas. – Relembrou Alice. – É a tradição.
-É, tinha esquecido disso.
-Então, já sabe onde vai ser a lua de mel?
-Ainda não sei. É suposto ser uma surpresa. – Bella esclareceu, revirando os olhos. Era óbvio para Alice que a irmã não estava propriamente confortável ao falar do assunto.
-Alguém está mesmo entusiasmada. – A ironia estava profundamente entranhada naquela observação.
-Não é nada… Só estou um pouco nervosa. – Disse Bella desvalorizando aquela situação.
-Nervosa com o quê?
-Com a noite de núpcias. – Explicou-se Bella. – Vai ser demasiado constrangedor. Eu nunca dormi com o Jacob. Ele nunca me viu nua sequer. Na verdade, eu mal o conheço. Não sei absolutamente nada sobre ele.
-Pois, sinceramente acho que não posso fazer nada para te livrar dessa. – Alice sorriu e acrescentou maldosamente. – Só me resta desejar que ele seja bom na cama, pelo menos. Boa sorte, Bellinha!
-Idiota. – Bella sussurrou entre dentes enquanto a sua irmã se ria às gargalhadas da expressão estampada no seu rosto.
Quando se acalmou, Alice olhou de relance para o seu relógio de pulso, já eram horas de ir.
-É melhor descermos, anda lá. – Ordenou num tom de autoridade fingido. – Está na hora.
Alice saiu do quarto, atravessou o corredor e desceu as escadas, seguida da irmã mais nova que erguia cuidadosamente o vestido acima dos pés para não correr o risco de tropeçar nele.
Charlie, pai delas, esperava no fundo das escadas. Usava um clássico fato preto que o favorecia.
-Bella, está tão linda! – Elogiou seu pai olhando na sua direcção. – Herdou a beleza do pai.
-Obrigada, Charlie. – Bella murmurou.
-Só estou dizendo a verdade, eu juro. – Charlie virou-se para Alice, olhando-a seriamente. – Vai lá para fora para junto dos convidados, preciso de falar com a sua irmã.
-Tudo bem. – Alice suspirou retirando-se.
-Então pai, o queria falar comigo? – A noiva foi direta ao assunto, apesar de não estar nem um pouco ansiosa pela cerimônia que se avizinhava, inconscientemente pensava que quanto mais cedo se despachasse, mais cedo estaria livre de convidados demasiado amistosos, sorrisos de falsa felicidade e por último, livre daquele vestido pouco cômodo que tornava o ato de respirar uma tarefa mais difícil do que deveria.
-Só queria pedir que não estrague tudo. Não, agora. Você pode nem gostar de Jacob, pode não conseguir suportá-lo, desde que seja dentro da vossa casa. Fora dela, vocês serão o casal mais feliz do planeta. – Explicou em forma de aviso. – Podem não ser nada um para o outro, mas têm a imagem da empresa nas vossas mãos.
-Eu sei, pai. – Bella bufou, levemente irritada. – Já tinha falado disso, mais do que uma vez.
Charlie ignorou a interrupção e continuou, ignorando-a.
-Também não pode continuar a ver aquele motorista. Até agora fechei os olhos, mas essa brincadeira tem de cessar, o mais cedo possível. – A voz de Charlie trovejou, ecoando na ampla divisão.
A boca de Bella abriu-se involuntariamente e os seus olhos se arregalaram de espanto. Era impossível que seu pai tivesse descoberto a relação que existira entre ela e Edward.
-M-Mas como? – Balbuciou ela, surpreendida.
-Como é que eu sei? Eu não sou burro, Bella. Muito menos sou cego como a Rennée. – Charlie retorquiu. – Isso tem de acabar.
-Já acabou. – Bella informou secamente.
-Tudo bem. Espero que não me arrependa de acreditar em você.
-Não se vai arrepender. – Ela garantiu.
A expressão de Charlie pareceu suavizar-se, contudo a longa ruga de preocupação na sua testa permaneceu fincada, deitando por terra sua quase brilhante encenação.
-Vamos. – Ele sussurrou, agarrando firmemente o pulso da filha, temendo que ela decidisse fugir à última da hora.
No momento em que atravessaram a porta principal, saindo da mansão, a marcha nupcial iniciou.
Um carpete branco se estendia desde seus pés até ao altar onde Jacob a esperava nervoso e sorridente. De ambos os lados do carpete permaneciam os convidados sentados nos bancos cor de neve que se viraram para observar a noiva.
Bella não conhecia nem metade das pessoas presentes na cerimônia, que muito provavelmente eram conhecidos da sua mãe. Charlie avançou lentamente ao ritmo da marcha nupcial com seu braço forte enlaçado no da filha.
Até que a Bella o viu. Ela sentiu seu coração perder uma batida e as pernas amolecerem mal seus olhos pousaram no rosto de Edward. Ela não esperava vê-lo ali, o que foi estúpido e impensado da sua parte: todos os empregados da casa haviam sido convidados para a boda. Edward estava perfeito vestindo seu velho fato preto da mesma cor que os seus cabelos, contudo a expressão no seu rosto era de partir o coração, o conflito interior que o atormentava era visível nos seus olhos verdes. Mal a viu, ele esboçou um sorriso fraco e sofrido em sua direção. O mal-estar e o nervosismo de Bella atingiram seu ponto máximo naquele preciso momento.
Bella continuou seu percurso, praticamente arrastada por seu pai. Quando parou ao lado de Jacob, este sorriu efusivamente, Bella olhou para ele e retribuiu o sorriso timidamente. O padre deu início à cerimónia com um discurso que Bella não ouviu por estar com o pensamento à deriva.
-Jacob Black, aceita Bella Swan como sua legítima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
-Sim. Aceito. – Jacob respondeu convictamente.
O padre fitou Bella sorrindo por detrás de suas barbas cor de neve.
-Bella Swan, aceita Jacob Black como sua legítima esposa, prometendo amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
-Aceito. – Bella balbuciou de forma quase inaudível, sentia seus olhos lacrimejando. Tentou se controlar, não pretendia chorar, pelo menos não enquanto dezenas de estranhos tivessem seus olhos postos nela. -Podem trocar as alianças.
Paul, padrinho do noivo tirou uma caixinha preta de um dos bolsos do blazer cinzento e depois de abri-la, entregou as alianças a Jacob. O noivo deslizou a aliança dourada pelo dedo anelar da mão esquerda de Bella e esta repetiu o mesmo ato na mão dele.
Bella olhou em sua volta, sua mãe chorava copiosamente com um lenço branco nas mãos, o mesmo se sucedia com a progenitora do noivo. Alice estava rodeada por Emmett e Jasper - seu namorado há mais de dois anos. Não conseguiu identificar Edward entre o mar de cabeças que a olhava. Soluçou ao ver que seu lugar estava vazio. As lágrimas que Bella tentara conter até àquele momento, rolavam agora livremente por seu rosto. Os convidados presentes no casamento observaram Bella, enternecidos pensando que aquele choro era causado apenas pelas emoções de uma noiva feliz vindo ao de cima, no dia mais importante de sua vida. Mas não era verdade, para Bella aquele dia era um potencial candidato ao esquecimento. -Pode beijar a noiva. – O padre falou dirigindo-se para Jacob.
Oi!
Desculpem-me pela demora.
Então, gostaram do capitulo?
Estou esperando por vossos reviews.
Beijos.
