Para: Edward Cullen
De: Esme Cullen
Assunto: Olá!
Por acaso isso é maneira de falar com a sua mãe? Eu SEI que você acha que está apaixonado pela Bella.
E reconheço que ela é uma garota muito simpática.
Mas não acho que ela seja a garota CERTA para você, Edward. Vocês dois vêm de mundo muito diferentes. Não me entenda mal, eu acho a herança cultural italiana dela ótima. Eles deram muitas contribuições maravilhosas ao mundo, como a massa e aquele maravilhoso Mario Batali do Canal de Culinária.
Mas que tipo de futuro você e a Bella podem ter juntos? Em que religião vocês criariam seus filhos? Vocês vão fazer árvore de Natal? Você sabe que os DiMarco, aqui na rua, montam um presépio completo na frente da casa deles todo ano, feitos com pedaços cortados de madeira compensada. É isso que você quer, Edward? O Menino Jesus no jardim da sua casa? Você quer me matar?
Só estou dizendo que tenho certeza de que a Jessica Stanley se transformou em uma mulher muito interessante e vibrante. Por que você não marca pelo menos um almoço com ela? Que mal um almocinho pode fazer? Vocês comem alguma coisa, relembram os velhos tempos... vai saber onde isto pode levar...
Ligue para mim, Eddie. Estou preocupada com você. De verdade.
Mamãe
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Para: Bella Swan
De: Logan Swan
Assunto: Olá, é a sua mãe
Estou usando o e-mail do seu irmão para escrever para você. O seu pai diz que eu não devo fazer isso, porque você é adulta e eu devo deixar que cuide da própria vida, como seus irmãos.
Mas todos os seus irmãos acharam boas moças italianas - tirando o Frankie, que arrumou aquela stripper. Mas até mesmo ela é uma boa cristã, quando não está tirando a roupa para ganhar dinheiro.
Até o Logan, até ELE encontrou um bom rapaz italiano. O Bobby veio jantar aqui ontem e comeu TODO o meu frango à parmigiana. Ele tem um ótimo apetite.
Não sei por que você não pode fazer como os seus irmãos. O que há de tão errado em encontrar um bom rapaz italiano para sossegar? Até um rapaz polonês estaria bem, se fosse católico. Por que você tem que ficar com este Edward? Ele é um rapaz muito simpático, mas não é católico. O que é que ele sabe sobre as coisas?
Estou pedindo a você que pense sobre o que está fazendo com a vida. A pessoas estão começando a pensar coisas a respeito de você e esse Edward. Encontrei a mãe da Alice Brandon no mercado, e ela falava como se você e o Edward fossem se casar. Se você não tomar cuidado, outras pessoas vão começar a pensar a mesma coisa, e no fim o boato vai chegar aos ouvidos do padre Robert, e então, como é que eu vou poder ficar de cabeça erguida na missa de domingo?
Pensa na sua vida, Bella. Faça a coisa certa.
Mamãe
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Para: Jasper Whitlock
De: Graziella Fratiani
Assunto: Ontem
Foi realmente bom demais encontrar com você ontem à tarde. Você é um homem do século 21, bem diferente desses moleques italianos que vivo encontrando. Sabe como é, que ainda moram com a mamãe e acham que todas as mulheres limpando e lavando para eles. É legal estar com um homem que lava as próprias meias.
Eu comentei que neste momento estou em um intervalo entre exposições? Então, posso tirar uma folguinha da galeria. Quem sabe se eu for me juntar a você no interior mais para o fim da semana? Acho que consigo..."ficar rústica"? Diga o que você acha.
Grazi
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Para: Alice Brandon
De: Julio Chasez
Assunto: Res: O Cara
Oi, Srta. Brandon. Recebi suas mensagens. Só estou escrevendo para dizer que o seu gato está bem. De verdade
E, não, ainda não precisei usar as luvas de cozinha. E sim, ele comeu todo o patê de salmão. E a ração seca Tender Vittles. E a ração especial Science Diet. E a ração da lata Fancy Feast. E a outra ração da lata Sheba. E tentou roer uma caixa de biscoito das bandeirantes que você deixou em cima do balcão, mas eu tirei antes que ele conseguisse.
Ele também abriu um buraco a dentadas no seu sofá. Mas acho que você já sabe disso. E ele tirou um bom pedaço do meu dedão quando eu o peguei mastigando um tubo de pasta de dente e tentei arrancar dele. Mas o médico disse que vou ficar bem.
Acho que o cuspe dos gatos é mais limpo do que o dos humanos ou o dos cachorros ou qualquer coisa assim.
Espero que a viagem esteja sendo boa.
Julio
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Para: Julio Chasez
De: Alice Brandon
Assunto: Res: O Cara
Ai, meu Deus, sinto muito mesmo a respeito do seu dedão! POR FAVOR, guarde a conta do médico para eu poder reembolsar o valor para você quando eu voltar!
Você é o MÁXIMO! Não tenho como agradecer o suficiente por você cuidar tão bem dele!
É, estou sabendo do sofá. Não faz mal, mesmo.
OBRIGADA! A gente se vê daqui a uma semana!
Bjs,
Alice
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Diário de Viagem de
Alice Brandon
Na verdade, é meio difícil escrever isto aqui com a mala que está no banco entre mim e a Bella, mas é melhor do que tentar conversar, porque parece que todo mundo está de mau humor desde que demos uma olhada nos Blackberrys depois do almoço. Bom, menos eu. Porque o Julio disse que o Cara está ótimo!
Claro que vou ter que me lembrar de pagar a conta do médico do Júlio. Mas só de saber que o Cara estava de tão bom humor a ponto de dar umas mordidinhas deve significar que ele não está assim com tanta saudade de mim.
Não sei qual é o problema de todo mundo neste carro...
Bom, meio que sei, sim. O Edward que estava encarregado de trazer os CDs para a gente ouvir no carro, esqueceu. Então, a única coisa que temos para ouvir é a rádio italiana (Alô! Você não sabe o que é incomodo até ouvir rap italiano) ou o CD do Queen que o Jasper por acaso tinha na mochila.
É. Queen.
Agora eu já ouvi "Fat- Bottomed Girls" doze vezes. A Bella brincou que esta vai ser o tema do casamento dela e do Edward.
Graças a Deus o Edward encostou quando chegamos ao sopé da montanha e deixou o Jasper assumir. Nunca vi estradas tão estreitas e cheias de curvas na vida. Achei que ia vomitar. Graças a Deus eu trouxe Dramin.
Além do mais, cada vez que fazíamos uma curva, a mala da Bella caía em cima de mim. Bom, não caía de verdade, porque a Bella estava segurando, mas ela se INCLINAVA COM TUDO para cima de mim.
Quando paramos para almoçar, eu estava toda ralada porque aquela coisa idiota ficava se esfregando no meu ombro, e eu mesma estava bem de mau humor...principalmente quando vi o restaurante na frente do qual o Jasper tinha parado.
Quer dizer, Deus me livre se ele pudesse escolher um lugar em uma CIDADE de verdade. Ah, não, o Sr. Eu Já Viajei De Mochila Pelo Mundo Inteiro Sem Nada Além De Um Barbeador E O Meu CD Do Queen (e algumas camisinhas, espero, já que ele parece ter hábito de traçar supermodelos em cada parada com seu ANEXO ANORMAL DE TÃO GRANDE - se o que a Bella disse é verdade, o que eu duvido. Ela provavelmente só está dizendo isso para me fazer gostar dele. Bom, NÃO vai dar certo).
Mas bom, o Tarado por Modelos tinha que parar neste lugar ridículo, que é um hotel/restaurante de beira de estrada com janelões de vidro no meio do nada, praticamente desabando em cima de um PENHASCO.
Só que, quando entramos - eu esfregando o ombro para ver se o fazia voltar à vida - vimos que tinha um milhão de pessoas ali, olhando através dos janelões de vidro para uma cachoeira linda que passava bem do lado do salão.
E o garçom foi totalmente legal, apesar de a gente não ter reserva, e nos colocou em uma mesa maravilhosa, bem do lado da janela da cachoeira. E, em vez de nos dar cardápios, ele simplesmente nos disse (em italiano, é claro) o que iam servir, e a Bella e o Jasper responderam que Si, apesar de eu não ter entendido uma palavra.
E daí, sem que eu nem me desse conta, apareceu uma jarra de bianco frizzante na nossa frente, vinda do nada!
Depois o garçom trouxe uma travessa gigantesca de uma massa com queijo deliciosa, que ele serviu no prato de cada um de nós, e que pareceu derreter instantaneamente ao tocar na minha língua.
Então ele trouxe um peixe ENORME, nadando na manteiga, para toda a mesa dividir, e uma tigela gigantesca de salada crocante ao molho vinagrete, e um monte de pão, e a coisa toda só custou, ouça esta: 28 euros.
Foram cinco Diet Cokes romanas bem ali.
Mas a verdadeira questão é a seguinte:
Por que não há mais mulheres gordas na Itália? É isto que eu quero saber. Por que as mulheres naquele restaurante pareciam ter o peso totalmente normal.
O Edward disse que é porque elas não se enchem de calorias vazias, como as americanas fazem. Sabe como é, de refrigerante e batata frita e coisas assim. E talvez seja verdade.
Mas, com mais algumas refeições destas, garanto que não vou caber no meu maiô. O que seria um saco, porque a Bella disse que tem uma piscina de arrasar na casa.
Então, depois do almoço, caminhamos um pouco pelo estacionamento para recuperar a circulação e aproveitar a vista, que era um arraso. E eu estava lá parada, aproveitando o sol batendo no meu rosto e ouvindo o murmúrio da água quando o Jasper - quer dizer, o Anexo Grande - chegou para mim e disse assim: "Sobre aquilo que você falou ontem à noite...".
Achei que ele estava falando de eu ter dito que a Bella e o Edward eram perfeitos um para o outro, e que ele ia pedir desculpa por ter dito o contrário - principalmente porque eles estavam perto do carro discutindo que agora era a vez de a Bella dirigir e o Edward dizendo que ele ficava mais à vontade com carro de câmbio mecânico do que ela e foi uma discussão totalmente fofa e eu fiquei louca para arrumar logo uma alma gêmea com quem discutir.
Só que, em vez disso, ele disse: "Graziella Fratiani por acaso é dona de uma das galerias de arte de maior sucesso em Roma e, além de ser uma empresária bem-sucedida, também é muito minha amiga. Ela não é nem um pouco... como foi mesmo que você disse? Ah, já sei. Uma vagabunda."
DÁ PARA ACREDITAR? Fiquei totalmente chocada. Só fiquei lá parada olhando para ele (aliás, por que é que ele precisa ser tão alto? E por que os homens altos são sempre tão... gostosos?), totalmente incapaz de pensar em alguma coisa enérgica ou sarcástica para dizer. Como sempre.
E, de certo modo, ele tinha MESMO direito de estar bravo. Quer dizer, eu não conheço a Graziseiláquem Fratitantofaz. Talvez ela não seja vagabunda mesmo. Talvez ela tenha um coração enorme e seja uma mulher generosa que doa quantias enormes para a pesquisa do câncer e trabalha como voluntária no orfanato local...
Ah, sei. Ninguém na casa do 30 tem coxas finas daquele jeito sem ajuda da comunidade médica.
E ninguém que fez tanta plástica daquele jeito fica andando com órfãos.
Além do mais, ninguém que não seja uma vagabunda dá uma passadinha no quarto de hotel de um cara à tarde.
E apesar de a Bella ter pedido para eu tentar me dar bem com o Anexo Grande, pelo menos durante a viagem, e de ficar falando dele como um enorme herói trágico, porque a ex dele o abandonou por um cara mais rico (aposto que ela está arrependida agora, se é que viu o programa do Charlie Rose sobre o qual a minha mãe comentou), eu ergui os olhos para ele antes que pudesse me conter e falei assim: "Uau, que coisa, uma das galerias de arte de maior sucesso em Roma?"
Jasper: "É."
Eu: "E ela, tipo, não herdou do pai nem recebeu em um acordo de divórcio do ex-marido?"
Jasper: (com uma cara meio contrariada) "Bom. É. Quer dizer, o avô dela abriu o negócio, mas..."
Eu: "Entendi. Bom, talvez você se interesse pelo fato de que existem mulheres que deram início ao próprio negócio do zero sem a ajuda do pai, e que conseguiram fechar contratos na casa dos milhões de dólares com o Cartoon Network devido a seu próprio trabalho e sua perseverança."
O que é tudo verdade. Quer dizer, eu só vou RECEBER os tais milhões de dólares se o Cartoon Network escolher o Wondercat para fazer um desenho animado.
Mas ele não precisa saber disso.
Além do mais, mesmo sem aqueles milhões, eu estou me dando bem. Tão bem quanto a Graziseiláquem. Provavelmente.
E mesmo que não estiver, o dinheiro é MEU. Eu ganhei com o MEU trabalho duro, não com o do meu avô. E daí que eu moro em uma quitinete? Ele não precisa saber disso. Para que eu preciso de muito espaço, aliás? Afinal de contas, somos só eu e o Cara.
Mas ele nem teve a fineza de parecer constrangido. Só falou assim: "Isso não faz a menor diferença. Você não tem direito de chamá-la de vagabunda."
Então eu olhei para ele bem nos olhos - bom, o mais perto que eu pude, de qualquer modo, devido à minha desvantagem de trinta centímetros de altura - e disse: "Bom, você não tem direito de dizer que o Edward e a Bella não deviam se casar."
"Na verdade", ele respondeu, "tenho sim."
E DAÍ ELE SAIU ANDANDO! Antes que eu pudesse proferir qualquer outra palavra! Antes que eu pudesse sair andando!
O que provavelmente foi uma coisa boa, porque quando eu tentei sair andando na outra direção, o salto do meu tamanco Steve Madden escorregou no cascalho e eu quase caí e teria caído se não tivesse me agarrado ao pára-choque de um Smart Car estacionado ali do lado.
Mas ele não viu.
Mas bom, o negócio agora já está praticamente resolvido.
Jasper Whitlock = Cria de Satanás.
Mas pelo menos eu sei qual é a nossa posição. E agora vou poder começar a tomar ações evasivas. Obviamente, a partir deste momento, nunca mais poderei
a) Deixar o Jasper e o Edward sozinhos em lugar nenhum.
b) Deixar o Jasper e a Bella sozinhos em lugar nenhum.
c) Deixar o Jasper sozinho em lugar nenhum.
Vou ter que vigiá-lo como um falcão. Seria tão a CARA dele ficar jogando diquinhas sobre a fenitelinamina e a dissolução do casamento dele aqui e ali pata abalar as convicções do Edward em relação a ir até o fim nisto aqui.
E a Bella, como eu sei muito bem, já está se perguntando se está fazendo a coisa certa. Não POSSO permitir que aquele homem destrua a única relação romântica verdadeiramente sólida que restou no universo... bom, tirando a da minha mãe o do meu pai, mas, eca, não quero pensar nisto agora.
O único problema é que ele obviamente pensa que sabe o que é melhor... não só para o Edward, mas para todo mundo. Quer dizer, aquele jeito mandão como ele escolheu onde a gente ia almoçar e daí, quando chegamos lá, o que a gente ia comer.
E, tudo bem, estava deliciosos.
Mas, ainda assim...
Preciso encontrar um jeito de mostrar a ele que ele NÃO manda aqui - SEM deixar que a Bella desconfie que tem alguma coisa errada. Se ela descobrir que o padrinho nem acha que o casamento é uma boa idéia, estará tudo acabado.
Preciso provar para este cara que não estou NEM UM POUCO impressionada com o tamanho do membro dele. O fato de ele ter um você-sabe-o-que enorme não tem absolutamente NENHUM efeito intimidatório sobre MIM.
E, sabe como é, eu realmente não acredito que a coisa dele possa ser assim tão grande, porque ele também não anda com as pernas arqueadas nem nada. O do Curt Shipley era ENORME e dava para ver o sol brilhando entre as partes de dentro das coxas dele quando ele vinha na sua direção...
Aaaaah, tive uma idéia. Se o e-mail dele for igual ao de todo mundo que trabalha no Journal...
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Para: Jasper Whitlock
De: Alice Brandon
Assunto: Bella e Edward
Sou eu. Aquele negócio que você disse no estacionamento - sobre como você vai fazer o que for preciso para o Edward não cometer o maior erro da vida dele -, foi um tanto presunçoso da sua parte, não acha?
A
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Para: Alice Brandon
De: Jasper Whitlock
Assunto: Res: Bella e Edward
Srta. Brandon. Que surpresa. Você me mandando e-mail...
Do banco de trás.
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Para: Jasper Whitlock
De: Alice Brandon
Assunto: Res: Bella e Edward
Ah, faça-me o favor. Até parece que você e o Edward não estavam fazendo a mesma coisa no táxi, ontem.
Eu sei que você e o Edward são amigos - bons amigos, desde criança, como a Bella e eu.
Mas você não o vê há muito tempo. Como é que ainda pode saber o que é bom para ele? E você com certeza não conhece a Bella o suficiente para fazer qualquer tipo de julgamento a respeito dela. Como é que você pode presumir que sabe o que é melhor para qualquer um deles quando, na verdade, você mal os conhece?
A
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Para: Alice Brandon
De: Jasper Whitlock
Assunto: Res: Bella e Edward
Você com certeza tem direito à sua opinião. Da mesma maneira como eu tenho direito à minha.
Jasper
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Para: Jasper Whitlock
De: Alice Brandon
Assunto: Res: Bella e Edward
Você não tem direito à sua opinião de jeito NENHUM. Porque está ERRADO. Você não tem absolutamente nenhuma base factual para tanto. Você não pode saber se o Edward está "cometendo o maior erro da vida dele" ao se casar com a Bella porque você mal conhece a Bella. Está baseando a sua opinião nos seus próprios preconceitos pessoais contrários ao amor e ao casamento. E isso não tem nada a ver com o Edward NEM com a Bella. É só a sua própria estupidez.
A
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Para: Alice Brandon
De: Jasper Whitlock
Assunto: Res: Bella e Edward
Agora, quem é que está dando uma opinião sem base factual?
Jasper
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Para: Jasper Whitlock
De: Alice Brandon
Assunto: Res: Bella e Edward
Hum, alô!, qualquer IMBECIL poderia dizer que se casar com uma modelo que você conhece há um mês é uma estupidez. Sinto muito, mas é verdade.
A
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Para: Alice Brandon
De: Jasper Whitlock
Assunto: Res: Bella e Edward
Por acaso alguém já lhe disse, Srta. Brandon, que falta de tato é uma coisa apavorante?
Jasper
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Para: Jasper Whitlock
De: Alice Brandon
Assunto: Res: Bella e Edward
EU? Não sou eu que sofro de falta de tato, Sr. Não Existe Tal Coisa Como Amor Romântico. A Bella e o Edward já estão na casa dos trinta, não na dos vinte, e já moram juntos há dois anos. NÃO estão cometendo o mesmo erro que você cometeu. São adultos conscientes - nenhum dos dois trabalha na indústria da moda - que estão apaixonados. Ponto final.
A
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Para: Alice Brandon
De: Jasper Whitlock
Assunto: Res: Bella e Edward
Talvez devêssemos discutir o assunto cara a cara. Os meus poderes de persuasão ficam em desvantagem nos nossos aparelhos portáteis de comunicação.
Jasper
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Para: Jasper Whitlock
De: Alice Brandon
Assunto: Res: Bella e Edward
De jeito nenhum! Não quero que a Bella desconfie que você não está cem por cento a favor deste casamento. Ela já está bem apavorada com o fato de a família dela não apoiar a idéia. Se ela descobrir que o padrinho também é contra, vai morrer.
A
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Para: Alice Brandon
De: Jasper Whitlock
Assunto: Res: Bella e Edward
Eu quis dizer em algum momento quando a Bella e o Edward não estiverem conosco.
Jasper
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Para: Jasper Whitlock
De: Alice Brandon
Assunto: Res: Bella e Edward
Bom, não sei quando isto vai acontecer.
A
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Para: Alice Brandon
De: Jasper Whitlock
Assunto: Res: Bella e Edward
Você não acha que, no decurso dos próximos sete dias que passaremos juntos, vai haver algum momento em que estaremos só nós dois juntos?
Jasper
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Para: Jasper Whitlock
De: Alice Brandon
Assunto: Res: Bella e Edward
Meu Deus, espero que não. Quer dizer, não, não acho. Vamos manter esta conversa apenas no papel. Ou no e-mail. Ou sei lá o quê. Não quero que a Bella desconfie. Eu...
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AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH!
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Diário de Viagem de
Alice Brandon
Bom, AQUILO foi a maior humilhação. O telefone da Bella tocou bem quando eu estava para reescrever aquela última mensagem para o Jasper, e eu apertei o Enviar sem querer.
Daí a Bella pediu para eu atender o telefone dela, porque ela estava concentrada em dirigir, e a bolsa dela estava mesmo no banco de trás, comigo e o Edward (o Jasper, é claro, teve que ir na frente, porque é alto DEMAIS) e o telefone estava tocando.
Então eu atendi, e uma senhora bem velhinha falou assim: "Alôôôô? Alôôô-ôôô?", e eu respondi: "Telefone da Bella Swan", e a senhora disse: "Quê? Quê?", com um sotaque alemão, e eu falei: "Bella, tem uma senhora alemã no telefone."
E a Bella disse: "Ah, é a Frau Schumacher, a caseira do meu tio. Ela vai nos encontrar na saída da estrada para nos levar à casa, e ela diz que é difícil demais para explicar. Diga a ela que estamos chegando."
Então eu falei: "Ah. Certo. Alô, Frau Schumacher?"
E a Frau Schumacher disse assim: "Alôôôô, Bella?"
"Não, aqui é a amiga da Bella, a Alice", respondi. "A Bella não pode falar porque está dirigindo. Mas ela disse para falar que estamos chegando."
"Onde vocês estão?", a Frau Schumacher quis saber.
Então, para tentar ajudar, olhei pela janela e vi uma daquelas placas em verde e branco que informa o nome da próxima cidade.
"Estamos pertinho de Carabinieri", eu disse.
E isso fez o Jasper começar a rir MUITO, mas MUITO mesmo. Apesar de, até onde eu sabia, não ter dito nada de engraçado.
"Quê?", a Frau Schumacher parecia confusa. Mas era difícil saber, com tanta RISADA no carro. "Onde vocês estão?"
"Acabamos de passar por Carabinieri", eu disse ao telefone. Agora a Bella também estava rindo. Eu me inclinei para a frente e dei um cutucão nela, enquanto o Edward perguntava, confuso: "Qual é a graça?"
"Alice", a Bella engasgou, entre as gargalhadas. "Carabinieri não é o nome de uma cidade. Significa polícia. A gente acabou de passar por um posto policial."
Realmente, não sei o que há de tão engraçado nisto. Quer dizer, como é que eu vou saber o que carabinieri significa? Só agora eu consegui aprender si - sim - e grazie - obrigada. Ainda estou tentando decorar buon giorno - bom dia - e buona sera - boa noite - direito... isso sem falar no Non ho votato per lui (não votei nele), para o caso de algum ataque de antiamericanismo para cima de nós.
"Onde os carabinieri estão?", Frau Schumacher quis saber, parecendo estar em pânico. "Estão seguindo vocês?"
"Não, não", eu disse ao telefone. "Desculpe. Não, eu cometi um erro."
"Eles acham que são donos da estrada, os carabinieri!", Frau Schumacher gritou. "Na Alemanha, a polizia sabe qual é o seu lugar!"
"Não, não tem carabinieri nenhum", respondi. "Os carabinieri não estão atrás de nós... eu cometi um erro..."
"Me dê isto aqui." De repente, o Tarado por Modelos estava se inclinando para trás, tentando arrancar o telefone da minha mão.
"Eu CUIDO disto", respondi ofendida, tirando o telefone do alcance dele.
"Pessoal", a Bella gritou, e deu uma guinada com a direção.
"Eu falei que você não sabia dirigir com câmbio manual", o Edward disse quando a mala da Bella caiu em cima dele.
Daí, por causa do olhar de sabichão que o Jasper lançou para cima de mim - como se, só porque o Edward estava criticando a maneira de a Bella dirigir, eles não estivessem destinados um para o outro - eu joguei o telefone em cima dele.
"Aqui está, seu bebezão", eu disse - provavelmente eu mesma soando como uma bebezona. Mas não estou nem aí.
O Jasper pegou o telefone e começou a falar com a caseira do tio da Bella em um alemão suave e fluente.
Enquanto os dois tagarelavam, cutuquei a Bella no ombro e perguntei: "Aliás, por que o seu tio tem uma caseira alemã na Itália?"
"Como é que eu vou saber?" Agora já estávamos saindo das montanhas, mas a Bella ainda estava prestando atenção total à estrada. "É que ela mora no chalé ao lado desde sempre, então o tio Matteo a contratou para ser a caseira."
Essa explicação foi muito insatisfatória.
Mais ou menos tão insatisfatória quanto a conversa por e-mail com o Jasper. Mas, aliás, quem é que ele pensa que é, achando que vai me dizer que a MINHA amiga não é digna do amigo dele? E que história foi aquela de querer conversar sobre isso cara a cara? Ele está chapado? Nunca vou me permitir ficar sozinha com ele em lugar nenhum. Ele pode tentar fazer o truque do Anexo Grande comigo! Exatamente como o Curt Shipley. Podia acontecer a mesma coisa com o Jasper Whitlock! Homens que confiam demais no tamanho de seu próprio você-sabe-o-que parecem liberar um certo ar...
Mas, falando sério, ele é tão cheio de pompa que eu não consigo me ver entrando na dele, com seus truques do Anexo Grande ou não.
Mas ele é meio gostoso, do jeito que o cabelo dele às vezes cai por cima dos olhos...
Se pelo menos ele pudesse calar a boca de vez em quando e parasse de falar da porcaria da Arábia Saudita...
Desculpe. De repente, passamos por um pico e os meus olhos ficaram OFUSCADOS pelo que eu vi lá embaixo:
Vales verdes profundos, sobre os quais cidades pequenininhas se empoleiram (as antigas cidades fortificadas do guia) aglomeradas dentro de muros de pedra em encostas iluminadas pelo sol...
Castelos em ruínas avultando-se por sobre uma colcha de retalhos de terras cultivadas abaixo deles...
Casas ensolaradas com telhados cor de laranja, com galinhas no quintal ciscando embaixo de lençóis coloridos pendurados nos varais da frente de janelas com persianas...
Ai, meu Deus. Acho que chegamos! Le Marche!
E aquele cara da imigração estava errado. É LINDO.
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Para: Graziella Fratiani
De: Jasper Whitlock
Assunto: Ontem
Se você falou sério quando disse que queria vir, será totalmente bem-vinda... pelo menos por mim. Uma aliada me seria útil. O meu ego já ficou bem machucado durante esta viagem. A madrinha é, para resumir em uma palavra, uma vaca.
Estou ansioso para encontrar você.
Jasper
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Para: Jasper Whitlock
De: Esme Cullen
Assunto: Olá!
Jasper, sou eu, a mãe do Edward! Como vai? Sei que você está com o Edward neste momento, no passeiozinho dele pela Europa. Ouvi dizer que a Itália é muito bonita nesta época do ano. Espero que você esteja descansando e relaxando bastante - com certeza merece, depois de tanto trabalho que teve com o seu livro. Vi outro dia para vender na livraria Barnes and Noble. Estava na posição número seis dos mais vendidos. Parabéns! Isto é fantástico.
Claro que o pai do Edward e eu sempre soubemos que você estava destinado ao sucesso. Isso ficou óbvio desde o dia em que o conhecemos, quando você e o pequeno Edward desmontaram o motor do nosso aspirador no chão da cozinha para ver como funcionava. Ele continuou funcionando direitinho depois que vocês montaram de novo, apesar das peças que sobraram.
Bom, imagino que esteja se perguntando por que eu estou escrevendo para você depois de tanto anos, então vou direto ao assunto:
Estou preocupada com o Edward. Tenho certeza de que essa Bella é uma moça muito bacana. Mas não estou bem certa de que ela é adequada para o nosso Edward. Ela é do tipo ARTÍSTICO, para começar. Sei que ela tem um emprego muito bom no jornal para o qual o Edward de vez em quando escreve aquela coluninha dele. Mas vamos encarar: ela não ganha exatamente tão bem quanto eu sei que algumas das ex-namoradas do Edward ganham atualmente - a Jessica Stanley, por exemplo. Você se lembra da Jessica, não lembra, Jasper? Agora ela é advogada, em um escritório muito importante. Acho que a Jessica é BEM MAIS o tipo do Edward do que essa tal moça, a Bella.
E NÃO é porque a Bella não é judia. Você sabe que eu NUNCA julgo as pessoas pela religião. Afinal de contas, a sua família não era - o que era mesmo? Protestante? - e isso nunca me incomodou nem um pouco! Nós gostávamos muito do coquetel que a sua mãe dava todo ano na véspera de Natal.
É só que o Edward sempre foi romântico demais. Tenho certeza de que, lá no fundo, ele acha que coisas como a formação religiosa não importam. Mas você sempre foi muito mais prático, Jasper - isso sem falar que você já viajou o mundo todo e já viu muito mais coisa do que o Edward - então eu sei que você compreende.
Além do mais, por já ter passado pessoalmente por um divórcio, tenho certeza de que gostaria muito de que alguém o tivesse puxado de lado, como um irmão, e dito a você não fazer nada às pressas com aquela tal de Rosalie. Ela não era adequada para você, qualquer pessoa era capaz de perceber. No minuto em que eu a conheci, já vi isso. O que ela tinha na cabeça de usar aquela coisa com decote no ombro no seu casamento? Sei que era alta costura e que era um Oscar de la Renta feito especialmente para ela. Mesmo assim, não combinou muito bem com o nosso country club, você não acha?
E os filhos? Do Edward e da Bella, quer dizer, se, Deus me livre, eles forem ter algum? Como é que vão criar estas crianças? Não quero que os meus netos não tenham noção de identidade por terem sido criados com DUAS religiões. Isso é pior do que ser criado sem nenhuma!
De todo modo, achei que, como você está com o Edward neste momento, poderia tentar colocar um pouco de juízo na cabeça dele. Ele sempre o respeitou, e sei que se você disser a ele para não tomar nenhuma atitude precipitada - que dê uma ligadinha para Jessica Stanley quando voltar para casa - ele vai escutar. O queixo dela não é mais para frente, sabe? Foi um dos milagres de que a ortodontia é capaz.
Obrigada, Jasper. E, por favor, mande lembranças aos seus pais. Tirando a carta anual de Natal da sua mãe, não tive muitas notícias dela desde que se separaram. Mas o sítio da Joan em Tucson parece lindo - pelo menos, de acordo com a carta dela. E espero que o Hank esteja bem na Cidade do México, e que aquele pequeno mal-entendido no jóquei de Dayton tenha sido esclarecido.
Atenciosamente,
Esme Cullen
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Palmtop de Jasper Whitlock
Bom... esta com certeza vai ser uma viagem interessante.
Parece que o tio da futura noiva emprega uma alemã meio retardada como caseira. Ela ficou falando ad nauseum sobre como as coisas são diferentes hoje em Le Marche em relação a como eram logo depois da guerra (nem é preciso perguntar qual... por aqui, só existiu uma guerra) e que os americanos são recebidos de braços abertos, apesar do que fizeram à Ancona. Isso sem falar, é claro, no fato de que foi o próprio país de origem dela que começou a guerra.
A mãe do noivo tem na cabeça uma outra moça para ser sua nora.
E parece que a madrinha me odeia profundamente.
Vai ser mesmo muito divertido.
Deixando o sarcasmo de lado, Le Marche é uma área extraordinariamente linda do mundo, cheia de cidades renascentistas, todavia praticamente intocadas pela influência norte-americana... não tem McDonalds, não tem lojinhas de conveniência 24 horas, não tem megalojas. Não é para menos que tanto italianos vêm para cá todo verão. Os resorts na beira-mar ficam lotados em julho e agosto. E parece que, perto de Portoforno e Osimo, há praias que rivalizam com as de Côte d'Azur por sua beleza natural.
Mesmo assim, tirando as paisagens estonteantes e as igrejas, Le Marche não é exatamente o lugar que eu escolheria para me casar. Se eu fosse cometer o erro de me casar de novo. O que, é claro, nunca cometerei.
E sinto uma certa responsabilidade de impedir que Edward cometa o mesmo erro também. Não porque, apesar do que a Alice Brandon possa pensar, eu ache que a Bella é outra Rosalie. E também não é porque a mãe dele pediu. Mas porque o cara ainda não viveu! Quanto tempo ele passou entre escola e faculdade? Uns vinte anos? E daí, saiu para um emprego em tempo integral... o cara não fez NADA. Nunca viajou de mochila pelo Nepal. Nunca fez caminhada pela Amazônia. Nunca engoliu minhoca no fundo da garrafa de tequila em Belize. Aventura, para o Edward, é uma convenção de médica em Washington.
E ele acha que está pronto para se casar? Está pronto para o divã de um terapeuta, isso sim.
A Bella é uma garota ótima - não tenho dúvidas a este respeito. Mas casamento? Não. Não agora. O cara primeiro precisa viver. Depois, se ele e a Bella estiverem mesmo destinados um para o outro, podem se amarrar.
Obviamente, vou ter que agir com muita sutileza. A Srta. Brandon sem dúvida vai ficar me vigiando em busca de qualquer sinal de motim que não é necessariamente algo ruim. Ela fica bem fofa quando empina o queixo em sinal de indignação.
Não acredito que acabei de escrever isto. Primeiro, charmosa. Agora, fofa. Acho que preciso sair deste carro. E beber alguma coisa.
Ela é a mulher que mais tem problemas com sapatos que eu conheço. Primeiro, o salto preso no calçamento ontem à noite, e hoje, o calcanhar torcido no cascalho. Não sei como ela consegue ficar em pé.
E ela tem o hábito irritante de ficar olhando para a minha virilha. Certo, ela é baixinha, mas não tanto a ponto de os olhos dela pousarem naturalmente neste ponto.
Ah, chegamos à saída em que Frau Schumacher vai nos encontrar. Ela disse que tem um Mercedes prateado. Parece que ela sabe falar inglês por ter assistido a muitos episódios daquela série de uma velhinha que resolve mistérios, Murder She Wrote.
Esta semana vai mesmo ser extremamente divertida.
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Diário de Viagem de
Alice Brandon
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Ai, meu Deus, CHEGAMOS. Villa Beccacia!
E é LINDO.
Vou confessar: no começo, tinha lá minhas duvidas. Aquela tal Frau Schumacher - acho que deve ter a idade daqueles castelos pelos quais nós passamos. E, hum, ela só está LEVEMENTE apaixonada pelo Anexo Grande. É enjoativo! Só porque ele fala alemão! Descemos do carro para nos apresentar a ela no acostamento da saída e ela ficou toda: "Qual de vocês é o Jasper?", e quando ele levantou a mão, praticamente dava para ver que ela se derreteu no asfalto.
E ela deve ter no mínimo cem anos! Quem poderia imaginar que os truques do Anexo Grande funcionam com centenárias?
Antes que eu percebesse, os dois já estavam no maior papo em alemão, deixando nós todos de fora.
Por sorte, o bisneto dela, o Peter, estava junto. E ele tem catorze anos e fala inglês...bom, fala bem direitinho. Também não me pergunte por que o Peter está morando com a bisavó na Itália e não está na escola, nem aqui nem no país dele, a Alemanha. Vai ver que ela o educa em casa. Ele tem aquele jeitinho de quem apanharia muito em uma escola de ensino médio nos Estados Unidos. Quer dizer, ele é mais para o gordinho e em a fala bem mansa, e ainda usa uma camiseta dos X-Men por baixo da jaqueta jeans.
De todo modo, achei que não seria educado perguntar. Sobre porque ele não está na escola, quer dizer.
Bom, o Peter perguntou para nós, que não falávamos alemão, como tinha sido a viagem, e se estávamos com fome, e explicou que a "Grandmuzzer" tinha enchido a geladeira da casa, então nós íamos passar bem até as "lojas" abrirem de novo amanha, já que estão todas fechadas porque hoje é domingo.
O Edward perguntou se tinha bebida - deu para notar que o fato de ele ficar sentado sem fazer nada enquanto a Bella dirigia tinha acabado com ele - e o Peter respondeu, com ar confuso: "Bom, acho que tem muitas garrafas na casa agora."
O Edward pareceu visivelmente aliviado.
Então a Frau Schumacher disse para todos nós que voltássemos para o carro e a seguíssemos. E foi o que fizemos. E, durante o trajeto, eu não pude deixar de notar um enorme paredão de nuvens que estava se formando ali perto da colina com um castelo em cima, pensando que provavelmente não ia dar para nadar, quando a Bella exclamou: "Olhem, o mar Adriático!"
E lá estava, aquele pedaço lindo de azul - safira, logo ali! Não tinha ninguém na praia, porque já estamos no meio de setembro, claro, fora da estação... apesar de a temperatura ainda estar acima dos 25°.
Mas alguém tinha colocado para fora um monte daquelas espreguiçadeiras com pano listrado branco e amarelo, para o caso de alguém aparecer.
E atravessamos uma cidadezinha adorável à beira - mar, Porto Recanati, cheia de lojinhas adoráveis - uma sorveteria e uma Benetton italiana - e uma coisa chamada Crazy Bar and Sexy Tatoo Shop, que eu acho que não pode se classificar como adorável - e então dobramos à esquerda em uma estrada que não tenho exatamente certeza, tecnicamente falando, se é MESMO uma estrada. Quer dizer, é de TERRA, e voava um monte de pó enquanto percorríamos, então precisamos fechar as janelas.
Mesmo assim, era toda ladeada de árvores, e através do espaço entre os troncos vislumbrávamos o Centro Ippico - um centro para andar a cavalo na mesma rua da Villa Beccacia... mas parece que não é longe o suficiente da casa, já que estou ouvindo relinchos enquanto escrevo isto.
E sente-se um leve odor de cavalo no ar quando o vento sopra.
Mas tanto faz. Seguimos a Frau Schumacher até um portão de madeira elétrico e esperamos enquanto ela apertava um botão e a coisa se abria bem devagar...
E daí a avistamos. Villa Beccacia, a casa do tio da Bella, que está aí há muito tempo mesmo...centenas de anos, já que foi construída no século XVII.
Claro que, desde lá, já foi reformada.
Mas não de modo que se possa notar do lado de fora. Quando percorremos a longa entrada, passando por árvores frutíferas ao redor das quais abelhas zumbiam e borboletas esvoaçavam, passando por uma lagoa de verde profundo, com a superfície coberta de lírios, passando por colinas verdejantes, a casa de pedra, com trepadeiras por todos os lados, apareceu.
E era como eu tinha imaginado!
Bom, tudo bem, não tinha nenhuma torre. Mas, falando sério, é IGUAL a um castelo. Quer dizer, é bem velha mesmo, e dentro tem um teto bem escuro e abobadado. E tem tapeçarias penduradas nas paredes e, na cozinha antiquada, tem um fogão de tijolos.
Não pode ser USADO... colocaram um fogão elétrico moderno para cozinhar. Mas o fogão de tijolos continua LÁ.
Os caixilhos das janelas ficam bem no fundo das paredes grossas, com peitoris em que se pode sentar, e abrem para fora como persianas. Não há telas porque, se houvesse, não daria para abrir as janelas.
E, no fundo, a piscina fica apenas a alguns passos do pátio de pedra - a terrazza, de acordo com o Peter - com uma churrasqueira/ lareira antiga embutida. Parece que é ali que o Zio Matteo passa a maior parte do tempo quando está em casa, já que havia cera espalhada por cima de toda a mesa de ferro fundido das muitas velas que pingaram por cima dela enquanto ele saboreava aquilo que a Frau Schumacher descreveu como uma de suas muitas lautas refeições (pelas fotos que eu vi espalhadas pela casa, Zio Matteo com toda certeza gosta muito de comer). Havia muita lenha na pilha para o futuro e alguns pega-moscas pendurados nas vigas.
A piscina é linda. Tem pelo menos 15x6m, com espreguiçadeiras listradas de branco e azul por toda a volta, e palmeiras a cada extremidade, com folhas farfalhando baixinho ao vento (que está ficando forte, graças às nuvens de chuva que se aproximam). Eu vou ficar colada ao lado daquela piscina assim que o céu limpar.
Ah, e a coisa toda do casamento está encaminhada.
A Bella deu a notícia a Frau Schumacher enquanto nós seguíamos a velhinha pela casa, ouvindo enquanto ela explicava com seu inglês capenga como havia montes de toalhas limpas, mas que ela tinha acabado de lavar e estavam secando no varal perto da casa dela.
"Vocês vão precisar de muitas toalhas", Frau Schumacher ia dizendo, "para a piscina e a praia."
"Bom", a Bella disse, olhando toda meiga para o Edward. "Na verdade, não viemos aqui para nadar, Frau Schumacher. O Edward e eu planejamos nos casar nesta semana, em Castelfidardo."
Frau Schumacher reagiu da maneira que qualquer pessoa NORMAL - leia-se, não como Jasper Whitlock - reagiria ao ficar sabendo que um casal jovem e bonito como o Edward e a Bella ia se casar: bateu palmas de alegria e quis saber de todos os detalhes, tipo como era o vestido da Bella e se o tio dela sabia e se algum parente viria.
Ao que a Bella respondeu, com o rosto vermelho: "Bom, eu não contei para o Zio Matteo nem para os meus pais. Na verdade vamos casar escondido..."
E isso deixou Frau Schumacher animadíssima - assim que o Jasper traduziu, porque nem ela nem o Peter tinham entendido muito bem o que ia acontecer. Ela exclamou, com seu inglês capenga, que conhecia o prefeito de Castelfidardo muito bem e que, se houvesse qualquer problema, que ela deveria ser consultada imediatamente. Onde seria o café - da - manhã para o dia do casamento? O quê? Não tínhamos planejado um café - da - manhã para o dia do casamento? Bom, tinha de haver um café - da - manhã de casamento. Ela organizaria tudo...
Então o olhar de Frau Schumacher pousou sobre o Jasper (na verdade, nunca se desviou dele por muito tempo, eu reparei) e ela olhou rápido dele para mim e perguntou, já sem sorrir: "E vocês dois? Também vão se casar?"
Tanto o Jasper quanto eu nos apressamos para assegurar à caseira que não - o Jasper com um pouco mais de pressa, o que me pareceu educado, para dizer a verdade. Quer dizer, ele pode não saber, mas teria SORTE se se casasse com uma garota como eu. Pelo menos eu posso me sustentar sem o dinheiro do papai - ou de algum investidor do mercado financeiro -, diferentemente de ALGUMAS mulheres que ele pode conhecer.
E o meu peso é absolutamente normal, e eu não preciso enfiar o dedo na garganta para mantê-lo.
Além do mais, tenho dois aparelhos de televisão. Quantos o Jasper tem? Ah, a resposta seria nenhum. Eu perguntei. É isso aí. O Jasper não "acredita" em TV.
Certo. Sabe no que eu não acredito? Em pessoas que não acreditam em TV.
E daí tem o Cara. Qualquer sujeito teria sorte de compartilhar o domicilio com o Cara.
Mas tanto faz. O azar é dele.
E até parece que eu QUERO me casar com ele. Ou com qualquer outra pessoa. Quer dizer, eu tenho um contrato de desenvolvimento. Para que e preciso de marido?
De todo modo, Frau Schumacher fez questão de preparar um lanche para nós enquanto Peter nos ajudava a levar as malas para o andar de cima. O Edward pegou a mala da Bella além da dele e o Jasper colocou nas costas a mochilinha ridícula dele (Queen. É o único CD que ele carrega. QUEEN. Mas, pensando bem, eu até que gosto do Queen. Só que nunca vou permitir que ELE saiba disso), então a única mala que sobrou foi a minha e, quando Peter foi pegá-la, ele meio que aprumou o corpo e disse: "Wondercat?", com uma voz cheia de surpresa, olhando para mim.
Então a Bella, já no meio da escada, exclamou, rindo: "É, Peter, você não sabia? Foi a Allie que criou o Wondercat."
E o Peter - para a minha eterna gratidão - gritou: "Você é Alice Brandon, a desenhista do Wondercat? O Wondercat é a minha tirinha preferida de todos os tempos! Eu tenho a coleção inteira do Wondercat! Eu tenho um site dedicado a tudo sobre o Wondercat!"
"Ah, é mesmo?" Não pude deixar de dar uma olhada para o Jasper, que ia atrás da Bella e do Edward escadaria acima. Será que era minha imaginação ou ele estava mesmo dando um sorrisinho de remorso? É isso aí, pode sentir MUITO remorso mesmo, Sr. Nunca Ouvi Falar do Wondercat. O Wondercat é RECONHECIDO INTERNACIONALMENTE. Ah, sim. Até mesmo garotos alemães estranhos na Itália, que aparentemente são educados em casa, ouviram falar do Wondercat! Eu posso não saber o que carabinieri quer dizer, amigo, mas pelo menos sou capaz de desenhar algo que tem apelo INTERNACIONAL.
"Bom, enquanto eu estiver aqui", eu disse, mais para irritar o Jasper, "posso desenhar com prazer alguns Wondercats originais para o seu site ou algo assim, Peter."
Um ar de alegria completa encheu o rosto redondo do Peter e ele subiu a escada em disparada com a minha mala, falando a um quilometro por minuto a respeito de suas tirinhas preferidas do Wondercat. Eu também fiz de tudo para ele não parar de falar, para o Jasper Whitlock escutar cada palavra.
A Villa Beccacia tem sete quartos. A Bella disse para eu e o Jasper escolhermos qualquer um deles. Seis são enormes, com camas antigas com dossel com cortinas dos lados, igualzinho à cama do Scrooge em Canção de Natal, de Charles Dickens, e as paredes são forradas de painéis escuros e estantes de livros, nas quais há volumes de tudo, desde livros sobre observação de pássaros até O Vale das Bonecas em italiano.
O sétimo quarto fica enfiado embaixo de um telhado inclinado, com a única janela dando vista para a piscina. Obviamente é um quarto de menino, com colchas azul - escuras nas duas camas de solteiro e ladrilhos azul - escuros combinando no banheiro contíguo. Todos os quadros nas paredes são de navios. O mais antigo tem a inscrição A sua eccellenza il sig Cav Francesco Seratti gravada embaixo. Sei lá o que isso quer dizer.
Na hora vi que era o quarto certo para mim.
O Peter ficou horrorizado. Ele disse: "Não, você não pode ficar neste quarto. Fique no quarto cor - de - rosa, que é lindo."
Mas eu disse: "O Jasper pode ficar com aquele." (Eu sei que ele ouviu sim, porque percebi uma gargalhada vinda do corredor).
Então o Peter colocou minha mala lá, resmungando, e desceu para ver o que a bisavó queria, porque ela estava gritando o nome dele (ela tem um belo par de pulmões para uma senhorinha tão pequena).
E agora estou deitada em uma das camas de solteiro escrevendo isto, enquanto o resto das pessoas está fazendo sei lá o quê. Durante toda a vida, a Bella falou da Villa Beccacia, um sugadouro de dinheiro que o tio excêntrico dela comprou com o primeiro milhão que ganhou...bom, sei lá como. E agora eu finalmente estou AQUI! E me sinto tão em casa como se o Zio Matteo fosse o MEU tio!
Aaah, Frau Schumacher está nos chamando. O lanche italiano autêntico (ainda que preparado por uma alemã) deve estar pronto. Nham-nham!
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Para: Alice Brandon
De: James Weatherly
Assunto: Ciao
Ei! Por onde você anda? Não recebi notícias. Espero que esteja tudo bem.
Olha, você se lembra se eu esqueci meu gorro verde da ESPN na sua casa? Porque eu não estou achando em lugar nenhum. Eu sei que posso simplesmente sair e comprar, mas aquele era meu gorro da sorte. Se você lembrar, pode me dizer? E quando voltar, pode mandar para mim, se ainda estiver lá?
Legal.
Detona aí.
J
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Para: Servidor de Listas Wondercatlives
De: Peter Schumacher – Webmaster Wondercatlives.
Ouçam esta, pessoal! Vocês não vão acreditar no que está acontecendo! A ALICE BRANDON, criadora do nosso amado Wondercat, está aqui na Itália! Isso mesmo! NA CASA VIZINHA À DA MINHA BISAVÓ! Ela está ajudando uma amiga a se casar em segredo em Castelfidardo!
E eu conversei com ela! Ela disse que vai desenhar para mim alguns originais do nosso gato mais adorado para este site! FALOU!
E a Alice Brandon ainda é a maior GOSTOSA! Ela tem cabelo preto curtos e olhos verdes enormes, e um corpo bem bonito (desculpem garotas).
E ela dilacerou o coração deste reles mortal!
Darei mais notícias sobre ALICE BRANDON na medida em que forem acontecendo!
Até lá,
PARA SEMPRE WONDERCAT
P. Schumacher
Webmaster, www (dot) wondercatlives (dot) com
