Capítulo 6
Passaram-se apenas dez minutos desde que ele terminara de ler os relatórios que lhe foram entregues pelo padawan, mas Ben já estava entediado. Encheu as bochechas de ar e apertava-as com os dedos, fazendo barulhinhos irritantes. Obi-Wan lançou-lhe um olhar reprovador e ele parou. Por exatos dois minutos e voltou a repetir o gesto. Não estava nem um pouco a fim de resumir quinhentas palavras em cem quando ele podia transformá-las em apenas dezesseis: "Photosabers não são mais usados então por que tenho que escrever uma maldita redação sobre isso?"
O jovem balançou a cabeça frustrado e tentou se focar nos relatórios diante de si mas sua tarefa parecia-lhe quase impossível por causa da dor de cabeça que sentia e apoiou-a em uma das mãos. As letras se misturavam como em uma dança, impedindo que formassem palavras legíveis e zombando de seu esforço para se manter acordado. Abraçou-se com as duas mãos. Pela Força, quando foi que tudo ficou tão frio?
- Você está bem, garoto? - A voz de Ben o trouxe para a realidade.
- Yeah. - Foi a resposta meio grogue.
Ben suspirou fundo, levantou-se e girou a cadeira de seu eu adolescente fazendo com que eles ficassem frente a frente. Ele não precisou de um convite e pressionou sua mão conta a testa do garoto, pouco ligando para as reclamações que recebera.
- Você está quente.
- Eu sou quente. - Obi-Wan tentou rir.
- Claro que é. Vamos lá, garoto. Para a cama. - Tentou levantá-lo.
- Photosabers. - Foi a única resposta.
- Certo, eu faço essa redação por você. Desde que você prometa que vai dormir.
Obi-Wan não respondeu, apenas assentiu com a cabeça, seus olhos semi-abertos.
- Okay, mas eu preciso que você coopere comigo. - Ben mordeu o lábio inferior. - Aonde foi a sua última missão? - Ele sentiu o garoto escorregar para trás em direção a cama, mas Ben o segurou antes que ele pudesse se deitar. - Concentração. Isso é importante! Onde foi sua última missão? - Murmurou cada palavra divagar para que ele entendesse.
Obedientemente, Obi-Wan forçou o olhar no rosto do outro.
- Khalisty.
- Khalisty, Khalisty, Khalisty... - Ben murmurou para si mesmo tentando se recordar - O ferimento no braço! - Tendo uma súbita recordação, ele puxou o braço enfaixado do outro para si, recebendo um gemido de dor ao fazer isso. - A faca estava envenenada... Mas Bant cuidou disso. Bant cuidou disso, ela... ela enfaixou de manhã e ela me deu o antídoto de tarde depois de fazer os exames... MERDA! Você passou a tarde comigo! Merda, merda, merda! - Ela gritou, levando a mão a testa. - Vamos, garoto. Você precisa ficar comigo... HEY! - Estalou os dedos na frente de Obi-Wan procurando chamar-lhe a atenção.
- Ok...kay. - Foi a resposta fraca.
- Eu não sei quais são as compicações desse veneno, por isso é melhor precaver, certo? Você precisa ficar acordado, pode fazer isso por mim? - Ele passou a mão pelo pescoço do outro e se surpreendeu com a temperatura alta que ele sustentava. - Você consegue se levantar? - Perguntou gentilmente.
- Cansado...
- Eu sei que você está cansado mas você vai poder descansar, eu prometo. Você tem que confiar em mim, ok?
- Por que?
- Eu pensei que já passamos por todo essa droga de "somos a mesma pessoa" e que você confirmou que eu estava falando a verdade.
- Eu treino o Sith que vai destruir a ordem jedi... - As palavras eram pronunciadas vagarosamente e em um tom de voz muito baixo. - Talvez fosse melhor para o ... o ... o...
- Anakin. - Ben completou, engolindo em seco.
- Se ele não fosse treinado por mim, se eu...
- Pare aí mesmo! Eu não vim aqui causar a morte de ninguém, com exceção da do Palpatine. Estou aqui para consertar as coisas e nós vamos fazer isso, vamos fazer isso juntos. Tá? E pra isso você não pode morrer, está ouvindo?
Obi-Wan assentiu a cabeça fracamente.
- Bom garoto. - Ele não conseguiu deixar de ironizar essas duas palavras, dando tapinhas de leve no rosto do outro.
- Você é um cretino.
- Eu sei e eu queria sentir muito por isso mas não sinto. E talvez eu sinta muito por não sentir muito. - Ben desandou a falar, preocupado em manter o jovem acordado.
- Talvez, só talvez... me tornar você não seja de todo ruim.
- Heh. - Ben riu e posicionando o braço de Obi-Wan em seus ombros, ele o levantou. - Lá vamos nós.
Não tinha dado nem tempo deles chegarem a porta quando Ben sentiu o corpo do garoto entorpecer e ele quase caiu com o peso.
- Obi-Wan! - Chamou, cutucando-lhe com o ombro. - Garoto!
O jovem virou a cabeça para ele bem a tempo para que Ben visse seus olhos revirarem para trás.
- Oh, merda. - Sem outra opção, ele tomou o garoto no colo e saiu correndo pelos corredores, tentando alcançar o comunicador e quando finalmente conseguiu, foi o maior alívio ouvir a voz da amiga lhe perguntar.
- Obi?
Por um momento um sentimento de nostalgia tomou conta dele e ele se perdeu em suas memórias mas a voz da garota lhe trouxe de volta a realidade.
- Obi!
- Padawan Eerin? - Ben perguntou, querendo se certificar.
- Sim, quem está falando? Onde está Obi-Wan? O que aconteceu com ele? - Ela parecia preocupada.
E ela deveria estar mesmo.
- Eu sou mestre... mestre... Skywalker - Ah, foda-se. - E eu achei padawan Kenobi caído em frente ao seu dormitório. Ele ainda conseguiu responder qual o planeta que visitara por último e tenho minhas razões para suspeitar de envenenamento.
- Oh, não! Traga-o aqui!
- Estou a caminho, padawan. Chegarei em cinco minutos.
XXX
- Ponha-o na cama. - Bant instruiu e e Ben obedeceu.
- Outra está sua mestra?
- Ela está chegando. Sinto que eu não possa ser de muita valia agora... - Ela estava a beira de lágrimas. - Foi o machucado no braço, não foi? Eu devia...
Ben colocou a mão no ombro da garota mas antes que ele pudesse pensar em reconfortá-la, um súbito movimento chamou-lhe a atenção.
- Obi-Wan! - Ela gritou.
O padawan começara a se debater compulsivamente.
- Lembre-se do seu treinamento! - Ben gritou pra ela mas a aprendiz gelara nesse momento. - Não podemos deixar com que ele morda a língua. Me dê alguma coisa pra ele morder! Agora! - Mas Bant continuava imóvel, o pânico não permitia que ela fizesse nada. - MERDA! - Sem ter outra opção, Ben forçou a própria mão na boca do garoto e não pode deixar de gritar com a força da mordida que recebeu.
Seu grito pareceu fazer Bant finalmente despertar e a garota saiu correndo gritando por sua mestra. Ben cerrava os dentes numa tentativa frustrada de conter a dor e permaneceu assim por sabe-se lá quanto tempo. A ideia de que Obi-Wan poderia acabar por arrancar-lhe a mão tamanha a ferocidade com que ele mordia e se debatia nunca lhe deixava a mente. Mas ele aguentou porque tinha coisas mais importantes para pensar nesse momento. Como a vida desse garoto.
Bant entrou correndo com a sua mestra e elas começaram a tentar prender Obi-Wan na cama com faixas grandes e largas, diminuindo assim o movimento até que este parasse completamente. Ben precisou de ajuda para fazer tirar os dentes do outro de sua mão.
A médica gritou algo a Bant e a garota saiu imediatamente para voltar com um bando de instrumentos em poucos segundos. Ela falava com Bem, mas ele só conseguia captar pedaços de poucas palavras, parecia que a dor de cabeça passara-lhe do garoto para ele por osmose e suas pernas começaram a fraquejar.
- Estúpi... rajoso... nunca... isso... bem? - Ela forçou-o a sentar.
- Cuide do garoto. - Ele respondeu meio grogue. - Eu vou ficar bem se ele ficar. - E bom, era verdade.
- Vou ter que realizar alguns testes para saber a natureza do veneno, mas vocês vão ter que me esperar lá fora.
- O QUÊ? - A resposta mútua e esperada veio imediatamente.
- Bant, você não está em condições emocionais para tratar o assunto com objetividade, você está envolvida demais.
A garota abriu a boca para responder, mas as lágrimas que teimavam em cair incessantemente por suas bochechas, a traíam completamente.
- E você, senhor, não consegue nem ficar de pé. Talvez os dois possam se ajudar. - E falando isso, ela puxou uma cortina, isolando-se com Obi-Wan do outro lado.
- Encantadora essa sua mestra, não? - Ben debochou.
- Você... você está bem? - A voz da garota saíra arrastada.
- Eu vou ficar. - Ele respondeu pensativo, pensando na ligação que compartilhava com seu "eu adolescente" a ponto dele se sentir mal só porque o outro estava doente.
Bant abriu a boca para responder, mas tudo que saiu foi um soluço e ela enterrou o rosto nas mãos. Comovido, Ben puxou-a para um abraço e a garota agarrou sua camisa, tentando enxugar as lágrimas nela, o que foi em vão, pois várias outras tomavam lugar das antigas.
- É minha culpa. Eu devia ter percebi -i -do! - Ela chorou, fungando no final da frase.
Não, a culpa é minha
Era o que Ben quis responder, mas ele sabia que nessas horas nada que fosse dito não faria a menor diferença. Ao invés de tentar, ele apenas a abraçou com mais força, deixando-a chorar.
Continua...
N/A: então... não era pra nada disso acontecer!
Mas meu instinto sádico falou mais alto. Perdoem-me mas se serve de consolo só vai piorar daí pra frente *risada maléfica*
Eu não entendo nada de convulsões, nada meeeeeeeeeeeeesmo. Então se tiver algo terrivelmente errado é só vc imaginar que é uma convulsão alienígena que é diferente das terráqueas e pronto *preguiça de ir pesquisar sobre convulsões* Talvez mais tarde eu pesquise e edite isso daqui Meu sonho era escrever alguém sofrendo uma convulsão, eu sei, sou sádica, me deixeeeeem
