Capítulo 3
- O que você quer? - Katara perguntou assim que viu a porta ser aberta.
- Sou eu. - Iroh entrou na cabine. - Meu sobrinho ainda não está se sentindo bem.
Katara levantou uma sobrancelha para a mentira deslavada contada pelo outro.
- Não está se sentindo bem-humorado, quero dizer.
Agora ela teve que rir. Zuko a estava ignorando desde a noite retrassada, quando eles brigaram.
- Sinto muito por te decepcionar. - Ele sorriu para ela.
- Não, não! Eu não estou decepcionada.
- Senhorita Katara, você gostaria de conversar sobre o que aconteceu?
- Seu sobrinho é um idiota!
Iroh não respondeu, apenas ficou olhando.
- Você sabe de uma coisa interessante, senhorita? Algumas pessoas tendem a usar a raiva como um meio de descontar seus medos e frustrações nos outros. E funciona expetacularmente bem se esse outro, por outro lado, tiver problema em se aproximar das pessoas e decidir afastá-las de si mesmo para não se machucar.
- Qualquer coisa que Zuko queira me dizer, ele pode fazer isso sozinho, não precisa usar o senhor como intérprete.
- Ele não me pediu para vir aqui.
- O que torna tudo pior! - Ela murmurou frustrada. - Isso só mostra que ele é orgulhoso demais para pedir desculpas.
- E você? Estaria disposta a deixar o orgulho de lado para perdoá-lo.
Katara calou-se, ficou com medo de dizer que tinha planos de rir na cara do dobrador de fogo se ele assim o fizesse.
- Senhorita, pelo que ouvi noite retrasada, você também não foi muito justa.
- Ele que começou! - Ela dedurou de modo infantil.
- Falar que não se sente atraído por você, por mais que seja mentira, não pode ser classificado como um desaforo.
- Eu... O quê? Mentira?
- Como você disse, eu não acho que deve servir de intérprete do meu sobrinho. Você devia perguntar a ele mesmo.
- Por que... - Ela corou. - O que ele pensa de mim me interessaria?
Iroh sorriu e se despediu com o pretexto de ir tomar chá.
XXX
- Jantar! - Zuko anunciou ao entrar na cabine, colocou o prato no chão e frente a garota e virou-se para ir embora mas teve seu braço direita agarrado por ela.
- Espera!
- O que você quer? - O dobrador de fogo não puxou seu braço de volta mas ajoelhou-se de modo que pudesse ficar cara a cara com ela mas manteve a seriedade e a indiferença estampados em seu rosto.
- Eu... - Katara começou, sem jeito. - Eu ainda não te agradeci por você ter devolvido meu colar. - Admitiu baixinho. - Significa muito pra mim. De verdade.
- Eu realmente não preciso...
- Zuko! - A garota o interrompeu, um sorriso ameaçando se formar em seus lábios. - Eu estou fingindo ser legal. Talvez você pudesse fazer a mesma coisa.
O príncipe balançou a cabeça tentando impedir que o canto de sua boca se elevasse. Tudo isso era estúpido, ele não devia se importar com o que ela estava sentindo e com o que ela achava dele mas...
- Trégua?
- Ainda não! Eu não terminei! - Ela fingiu irritação. - Mas sério... Como eu sei que você é mais cabeça dura que eu... vou começar dando o exemplo. - A dobradora de água tentou rir. - Eu sinto muito pelas coisas que eu disse antes. Quando você falou que eles não iam voltar pra me resgatar, uma pequena inconsciente parte de mim me deixou com medo. Porque... se eu não valer de nada pra eles, eu não vou valer de nada pra você e aí... eu vou ficar sozinha. - Ela sentiu os olhos lacrimejarem e se levantou de supetão, tentando se afastar dele. - E eu já fui abandonada uma vez... eu não... não quero... - Revelara demais. - Subitamente sentiu-se perder o equilíbrio ao ter seu braço puxado para baixo pelo outro e caiu de joelhos no chão.
- Você não vai ficar sozinha, Katara, eu não vou deixar. - Ele falou de maneira firme, as palavras saíram facilmente de sua boca antes que ele pudesse pensar nas implicações. Afinal ele conhecia bem a sensação e não desejava isso a mais ninguém. Seu pai já lhe havia dito que sua compaixão seria a sua morte. Por muitos anos ele ficou se sentindo mal com isso mas agora ele estava começando a achar que era uma coisa boa. Isso o diferenciava de seu pai.
Foi trazido de volta a realidade ao ouvir a garota fungar. Katara agora não conseguia - nem parecia tentar controlar o choro.
- Você promete? - Ela perguntou com aqueles olhos azuis, parecendo mais brilhantes por causa das lágrimas, olhando-o.
Foi uma pergunta estúpida. Nem que ele quisesse - e é importante ressaltar que ele não queria - o dobrador de fogo poderia manter essa promessa. Muito menos a alguém que ele não conhecia direito e com que não se importava. Não ia prometer de jeito ne...
Ela soluçou.
- Eu prometo.
Estúpido, estúpido, estúpido, estúpido.
Ele tornou a apertar as mãos dela procurando passar conforto pra ela por meio de tal gesto.
Katara não precisou de convite e se atirou nele, abraçando-o forte. Os músculos do príncipe ficaram imediatamente tensos com o súbito abraço e ele respirou fundo tentando acalmar as batidas de seu próprio coração. Como ele poderia ajudá-la se nem conseguia se concentrar? Ela agarrava a gola de sua roupa com força e chorava de encontro as roupas dele, molhando-as totalmente. Mas ele não se importou. Completamente sem jeito tentou retribuir o abraço e eles permaneceram desse jeito por quinze segundos.
No décimo sexto, a porta se abriu. No décimo sétimo, a porta fechou. No décimo oitavo, Zuko já estava correndo atrás do homem e gritando:
- NÃO É O QUE VOCÊ PENSA, TIO!
Tudo aconteceu tão rápido que Katara precisou de um minuto para perceber o que tinha acabado de acontecer. Ela havia o abraçado e chorado em cima dele e Zuko havia permitido. Lembrava de ter sentido frio naquele dia mas agora a atmosfera estava morna, agradável. Essa era a prova. Ele permitira. E ela não estava sonhando.
Continua...
N/A: Então, surtei com esse capítulos muito.
sou doente, eu sei. :va:
Mas quem sabe vocês não ganham um epílogo?
