Epílogo

No templo do ar do oeste...

- Vc pode ter convencido todo mundo da sua "transformação" . Mas nós dois sabemos que você já vacilou na hora de fazer o certo no passado . Então deixe-me te avisar algo agora mesmo. Dê um passo para trás.. . um deslize.. .Me dê uma razão para pensar que você pode machucar o Aang . . . e você não terá mais que se preocupar com o seu destino.

As pessoas pensam que o fogo é cruel, mas esquecem do quanto a água também pode ser. Elas não pensam na agonia de querer respirar, de precisar e não poder. De ter seus pulmões queimarem ao serem preenchidos por água ao invés de ar. A dor e a consciência de que não há nada que se possa fazer até... A água é impiedosa, não importa o quanto você lute e nade, não tem como emergir, como escapar.

Ele não a interrompeu.

- Porque eu vou me certificar que o seu destino acabe ali mesmo . Permanentemente!

E o problema de fogo e da água é que eles nunca param de extinguir um ao outro.

- Não precisa ser assim. Não precisamos ser inimigos. Venha conosco

Katara terminou seu discurso, mal conseguindo controlar a raiva e girou nos calcanhares preparando-se para sair, mas foi puxada para trás no mesmo instante.

- ME SOLTE! - Ela não pretendia gritar, mas já que não conseguiu controlar tão impulso, ela deixou a voz firme. - AGORA. - Numa tentativa de passar o medo que lhe fez arrepiar para ele, invertendo a situação.

Zuko não se deixou abalar pela ameaça e apenas apertou o enlace em torno do punho da garota. Ela puxou outra vez procurando desvencilhar-se em vão. A tensão entre eles era tamanha que o ar se tornara sufocante e algo parecia prestes a explodir. E ambos iam acabar se queimando.

- Olhe para mim. - Ele pediu.

Katara quase gargalhou com o pedido, descartando-o imediatamente. Ela não tinha medo do que pudesse ver nos dele - mentiras e mais mentiras - mas do que pudesse revelar nos dela. Por mais que no fundo ela quisesse acreditar nele, não se permitiria fazê-lo.

Se você não tiver sentimentos, eles não saem machucados.

- Eu sinto muito. - Ele sussurrou em seu ouvido. - Eu sei que você tem todos os motivos para não confiar em mim. Mas... eu... Eu fui um estúpido. Desde que te capturei... E lá em Ba Sing Se... Eu só tinha uma coisa em mente... Uma coisa que... E eu acabei me perdendo... E eu perdi você também. - Suas mãos tentaram acariciar-lhe o rosto, mas a garota fugiu do toque. - A maneira como você olhava pra mim... Era como se você conseguisse ver algum tipo de bondade que eu lutava com todas as forças para esconder. E isso me aterrorizava, eu me sentia fraco. Mas eu estava errado.

- Um pouco tarde demais para ter essa realização, não? - Ela respondeu, um sorriso sarcástico dançando em seus lábios.

- Mas eu vou recuperar. - Ele afirmou decidido.

- O quê? - Ela levantou uma sobrancelha, descrente.

Ele não respondeu, nem precisou. Com ambas as mãos no rosto da dobradora de água, ele o trouxe para perto do seu. Ela fechou os olhos numa tentativa de fugir dos dele e abriu sua boca para falar, mas não chegou a completar uma frase, o nome do dobrador de fogo morreu ao sentir a pressão de seus lábios nos dele. Abriu os próprios olhos surpresa com o súbito beijo, mas logo rendeu-se à medida que a língua dele brincava entre seus lábios partidos e terrivelmente secos. O contrário de seus olhos.

Mesmo quando o beijo terminou, ele relutava em separar-se dela, mordendo-lhe o lábio inferior de leve e distribuindo pequenos e rápidos beijos, numa tentativa desesperada de prolongar o momento.

Quem, enfim, precisa de oxigênio?

Com as testas coladas, ele enlaçou suas mãos nas dela, seus dedos acariciando-lhe levemente a pele. Os olhos dela abriram-se devagar e ela respirou fundo.

Era de extrema importância que. Ela. Não. Chorasse. De. Jeito. Nenhum.

Com um rápido movimento, Katara o empurrou com força.

- Você não pode recuperar. - Sussurrou enquanto balançava a cabeça ferozmente. - Você não pode... - Sua voz ia elevando-se e tornava-se cada vez mais fina a cada segundo que passava. - Você não pode recuperar! - Gritou e saiu correndo do quarto dele.

Ela não parou nem quando sua respiração ficou ofegante nem quando suas pernas tremeram. Precisava fugir para um lugar onde ficaria a salvo dele. Mas principalmente de onde ficaria a salvo de si própria. Enfiou o rosto nas mãos e deixou-se cair na areia, fungando.

- Você não pode... - Continuou falando mesmo sabendo que ele não poderia ouví-la. - Você não pode recuperar algo que nunca perdeu...

Apertou os olhos com os punhos cerrados.

E a maior ironia de tudo isso era que, depois de tê-lo xingado milhares de vezes, no final, era ela a maior idiota de todas.

FIM

N/A: Ai, acabou T_T

Fiquei super emo agora. T.T

Ai, sério, essa foi a minha primeira long que eu terminei em tão pouco tempo e eu surtei escrevendo. Muito. E eu também queria um final feliz, gente. Mas pode ser que haja sim A gente não sabe o que ocorreu depois disso... Eles podem ter feitos as pazer e terem vivido felizes para sempre eu quero muito acreditar nisso

Ai, espero que tenham realmente gostado porque eu amei escrever essa fic. Agradecimentos a minha beta linda que é minha filha kass, a todos vocês que leram e ao eduardo que me deu a idéia de fazer a Katara afundar o navio AHUHSUAHUS

Valeu mesmo