- Oi – disse a figura parada em frente a sua porta – Precisamos conversar.
Ele nunca se sentiu tão perdido na vida. Primeiro, o drama do bebê, sua popularidade indo por água abaixo e agora sua atual namorada o traíra (Deus sabe quantas vezes) com um de seus parceiros do time de futebol! Ele precisava de um ombro amigo, alguém que soubesse sobre o quê ele estava falando, alguém que lhe desse conselhos que fossem realmente úteis, ele precisava de sua melhor amiga.
E foi assim que Finn Hudson acabou ali. Parado, encharcado da chuva torrencial que caia furiosamente em seus ombros, os olhos inchados de lágrimas, nariz e dedos congelados, na porta de sua grande amiga: Rachel Berry.
- Finn! O quê você está fazendo? Está maluco? Quer pegar pneumonia? Tem noção de que horas são? – Ela protestou sob sussurros, para que não acordasse seus pais. Ela continuara até certo ponto, quando percebeu os olhos vermelhos de Finn. Ele tinha olheiras, o rosto estava marcado com tristeza e era óbvio que havia chorado, sem contar que ele tremia de frio. – Oh, Finn, mas você está tremendo! Venha, entre. – Ela puxou sua mão gentilmente e o trouxe para dentro. Ele tirou sua jaqueta molhada e entregou-a a Rachel, que pendurou no porta casacos e sentou-se no sofá, puxando-o para que sentasse com ela. Eles se olharam desconfortavelmente por um momento, até que ele decidiu quebrar o silêncio.
- Oh, Rach, desculpa, estou molhando seu sofá todo... – Ele falou em um tom baixo, tentando fingir felicidade, mas Rachel Berry conhece Finn Hudson melhor do que ninguém.
- Não seja bobo, não faz mal nenhum. – Ela disse, olhando pra ele. – Por Deus, Finn, como você está gelado! Espere aqui embaixo e tente não fazer nenhum ruído enquanto eu vou pegar uma camisa seca pra você. Uma toalha seria bom também... – Ela balbuciou a ultima frase para ela mesma enquanto subia as escadas.
Ela estava sentada na cama dela, olhando para as estrelinhas coladas no teto, enquanto esperava Finn terminar o banho. Antes de viajar novamente em seus pensamentos, ela fora puxada para a realidade com o som da porta do banheiro do seu quarto abrindo.
- Uh, Rach – ele disse – Você tem alguma coisa pra eu usar na parte de baixo? A calça também está bastante encharcada e eu meio que me sinto como se tivesse feito xixi nelas ou... – Ela deu um risinho abafado e levantou-se da cama, entregando-lhe uma calça de dormir branca.
- Desculpe, mas eu só tenho essa pra oferecer. Está muito grande no meu pai, ele é um cara bastante pequeno, especialmente considerando o seu tamanho. – ele sorriu com o comentário inocente da garota. Fora naquele momento que ele percebeu que ela era a única que conseguia fazê-lo sorrir em todos os momentos. – De qualquer forma, você está pronto pra falar o quê veio fazer na minha casa às duas horas da manhã? - ela lançou-lhe um olhar questionável e ele deu de ombros.
- Eu estava entediado. – mentiu.
- Certo. – ela falou, levantando uma sobrancelha, questionando-lhe de novo e prolongando o "e" – Então você estava numa festa cheia de garotos populares e seus assim por dizer, "amigos" – ela falou, fazendo aspas com as mãos. – E cheia de líderes de torcida loucas para colocar as mãos em você e decidiu andar sozinho nas ruas da cidade debaixo de uma chuva torrencial para vir até minha casa porque você estava entediado? Eu sinceramente esperava uma desculpa melhor vindo de você, Finn. – ela falou, com um tom de humor.
- É, ok, acho que você me pegou. – ele disse, compartilhando uma risada com ela. – É que... Muita coisa aconteceu hoje, Rach. Muita coisa mesmo.
- É, eu sei – ela soou triste. – Decisões importantes, certo?
- Claro. Mas não foi só isso... Antes fosse. – ele se lamentou, escondendo o rosto nas duas mãos.
- Oh Meu Deus, aconteceu algum acidente? Alguém se feriu? – Ela falou preocupadamente, alisando as costas dele com suas mãos pequenas.
- Não... Ninguém se feriu, mas eu quase quebrei o nariz de um cara. Tive que me controlar...
- Meu Deus, Finn, isso soa realmente sério. Diga-me o quê aconteceu! – Ele respirou fundo e começou.
Vinte minutos depois.
Ela parecia chocada. Chocada, mas ao mesmo tempo triste. Ela fechou os olhos por um momento, respirou fundo e disse-lhe.
- Oh, Finn, sinto muito. Sinto mesmo. Como você está reagindo a tudo isso?
- Uh, eu realmente não sei. Estou chateado, claro. Me sentindo traído. Mas ao mesmo, estou com uma vontade enorme de esganar o pescoço de alguém. – Rachel pôs as mãos ao redor de seu pescoço, como se o protegesse. Ele riu. – Menos o seu, Rach. – ela fingiu alívio e sentou-se no chão, ao seu lado. Nesses vinte minutos de conversa, Finn havia mudado de lugar inúmeras vezes.
- Vai tudo ficar bem Finn, eu prometo. – ela disse, deitando a cabeça em seu ombro. – Você deve estar realmente cansado, não? – ele deu de ombros.
- Na verdade, não muito. Eu fico bastante agitado quando estou com raiva, dormir agora não vai ser muito fácil pra mim. – Ele murmurou, encostando a cabeça na cabeça dela. – Mas você parece exausta, então acho melhor eu ir antes que... – Antes que ele pudesse continuar a frase e levantar-se, ela segurou seu braço firmemente.
- Não! Não vá, por favor. Eu me detestaria se o deixasse sozinho agora... Além do mais, já são duas e vinte da manhã, você não deveria estar andando por ai, é perigoso. – ela murmurou com um tom de preocupação. – Espere aqui. – ela disse, largando seu braço e levantando-se em um pulo.
- Onde você está indo? – ele parecia preocupado, como se tivesse medo de ficar sozinho naquele momento. Ela sorriu pacificamente.
- Pegar um cobertor pra você, ora. Você não pode dormir neste frio sem uma coberta, não é? – Disse, enquanto andava saltitando para fora do quarto.
- Pronto, acho que isso já basta... – Ela disse, tentando entrar pela porta estreita de seu quarto com vários cobertores e travesseiros em mãos. Ele levantou e tirou-os da mão dela.
- Aqui, deixe eu te dar uma mão... – Ele jogou todas as cobertas em um colchonete que estava estirado no chão do quarto. Ela sorriu agradecidamente.
- Obrigada, Finn. – Ela falou enquanto se ajustava em sua cama – Sabe, eu nunca pensei que iria dizer isso, mas travesseiros podem ser bastante difíceis de carregar! – Ele riu.
- Claro, Rach! Quero dizer, já viu seu tamanho? – ele zombou-a.
- O quê? Finn Hudson, fique você sabendo que eu sou uma pessoa de estatura mediana, ok? – ela retrucou fingindo estar ofendida, mas obviamente tentando esconder um sorriso que surgia em seu rosto.
- Sério, de vez em quando eu tenho que ter muito cuidado quando ando perto de você porque tenho medo de te esmagar, você é tão pequenininha... – ela riu sarcasticamente e jogou um travesseiro em sua cara.
- Há há! Não tem graça, seu crianção! Agora, vamos dormir, antes que meus pais acordem. – Ela deitou-se debaixo das cobertas e fechou os olhos, mas minutos depois levantou com um salto. – Ah meu Deus, Finn! – ela levou suas mãos à boca. – Sua mãe! Ela nem sabe que você está aqui! Acho melhor ligar o mais rápido possível- Mas ela foi interrompida.
- Rachel, eu já tinha avisado pra minha mãe que eu ia dormir fora. Eu tinha combinado de dormir na casa do Puck, então minha mãe já sabe que eu não vou voltar pra casa hoje. Relaxa, ok ?
- Ah, ok, certo. – ela ajeitou-se nas cobertas novamente e fechou os olhos. – Boa noite, Finn. – sussurrou, baixo o bastante para não acordar seus pais mas alto o bastante para que ele ouvisse.
- Boa noite... Ah, Rach, mais uma coisa.
- Sim?
- Obrigado... – ele falou baixo.
- Pelo quê? – ela perguntou, soando interessada.
- Por ser uma boa amiga.
- De nada, Finn – ela falou emocionadamente. Ouve um breve silencio, até que Finn decidiu quebrá-lo.
-. Durma bem. – ele disse atenciosamente e depois pensou consigo mesmo – Eu sei que eu vou.
