Ele acordou com uns barulhinhos... Mas não aqueles barulhinhos irritantes, como quando as pessoas da sala de aula ficam batendo a caneta nos cadernos, era um barulhinho agradável: Rachel estava falando enquanto dormia.

Ele levantou-se do colchão no chão e ajoelhou-se ao lado da cama dela e ficou observando-a. Ela balançava os pés de forma inquieta e batia as mãos no colchão, como se estivesse tendo um pesadelo; sua boca estava meio aberta enquanto ela murmurava bobagens em seu sono. Ele parou por um momento e encarou o rosto dela, ela parecia tão calma... Tão tranqüila. Seus cabelos estavam bagunçados e estavam por todo lado, suas bochechas estavam rosadas e seu corpo estava completamente contorcido na cama.

- Como alguém consegue dormir desse jeito? – ele pensou, dando um belo sorriso para visão na sua frente.

Porém, ele foi acordado de seu encanto quando a ouviu murmurar seu nome.

- Finn – ela falou, quase inaudível.

Suas orelhas ficaram escarlates ao pensar em Rachel tendo um sonho com ele. Ele ficou curioso e queria acordá-la, mas ninguém teria coragem de acordar alguém que ficava tão linda enquanto dormia. (Na verdade, Rachel ficava linda de qualquer jeito...)

Ou não. Aparentemente, os pais dela tinham a tal coragem. Ao ouvir os passos de seus pais subindo a escada, Finn surtou. Empurrou o colchão para debaixo da cama de Rachel, recolheu as roupas do chão e se trancou atrapalhadamente no banheiro, grudando os ouvidos na porta para ouvir tudo que se passava lá fora.

- Rachy, querida – um dos seus pais cantarolou. – Acorde! São quase nove e meia da manhã e você ainda está dormindo! – Finn ficou boquiaberto, afinal, às nove e meia ele ainda estava no seu segundo sono.

- Ora, amor, deixe-a dormir – disse o outro pai. – Olha só a carinha dela! – Ele sussurrou cuidadosamente para não acordar sua filhinha. – Deixe-a dormir mais um pouquinho, ela sempre acorda tão cedo! – O outro pai resmungou, dando-se por vencido.

- Ok, então... Mas só desta vez! Não quero minha filha tornando-se uma preguiçosa! – Ele protestou, fechando a porta devagar.

Quando Finn ouviu os passos dos pais dela indo escada abaixo, ele saiu do banheiro, pôs suas roupas que já estavam secas, puxou o colchão escondido debaixo da cama e deito-se nele, esperando Rachel acordar.

Seus olhos se arregalaram quando ela virou-se para o seu lado e sua camiseta subiu um pouco, mostrando a barriga dela. Ela se mexia pouco, mas continuava falando enquanto dormia.

- Ungf... Nã-Não... – ela murmurou, enquanto Finn se apoiava em seus cotovelos para ouvir o que ela dizia. – Deita aqui comigo, querido. – ela continuava, fazendo-o franzir a testa, tentando entender as palavras sem sentido que saíam de sua boca. – As crianças só vão acordar mais tarde... Temos tempo de sobra. – ele riu baixinho quando conseguiu entender o que ela queria dizer. Mas a última parte atingiu-lhe em cheio. – Também te amo, Finn.

Ele deitou-se no colchão, com um sorriso enorme no rosto. Ela também o ama. Com essas quatro palavrinhas, ele ganhou o dia, e porque não dizer o ano! Rachel Berry, a garota mais perfeita do mundo, o amava também. Ele poderia sair dando piruetas por ai se não fosse por Rachel dormindo. Ele não conseguia manter a felicidade e ficava abafando risinhos, até que deixou um dos risinhos sair e este a acordou.

- Finn? – ela perguntou, apoiando-se em seus cotovelos e esfregando os olhos. – O quê foi? Porque você está rindo? – ele parecia extremamente mais feliz em ouvir a voz dela. Ela o olhou questionando-o. – O quê? Eu disse algo engraçado?

- Não, nada. Eu só me lembrei de uma piada. Bem idiota. Você não quer saber. – ele foi adicionando, nervoso. - Então, como você dormiu? Algum sonho interessante?

- Hum... Nada interessante, para falar a verdade, só... Sonhos bobos. Bem idiotas. Você não quer saber! – ela adicionou, imitando-o.

- Espertinha! Mas não, sério, como foi?

- Ah, nada demais, eu sempre sonho com a mesma coisa. – O sorriso dele aumentou. Quer dizer que ela sonha comigo toda noite? Interessante. – pensou.

- Enfim! – ela disse, quebrando o silêncio. – Dormiu bem?

- Uh, claro. Dormi. Seus pais quase me pegaram aqui... Eu tive que me esconder no banheiro pra salvar a minha pele... – ela deu uma risadinha e deu-lhe uma tapinha nas costas.

- Ah, pobrezinho! – falou simpaticamente – mas tenho certeza que fora isso você ficou bem. Certo? – ele acenou com a cabeça. – Ok, então! Vou fazer panquecas para nós, meus pais provavelmente devem estar no trabalho a essa hora. Porque você não toma um banho enquanto espera? – ela sugeriu, mostrando-lhe onde ficava o banheiro.

- Ok. – Rachel sorriu e desceu as escadas.

Finn ligou o chuveiro e despiu-se completamente e começou seu banho. Encostou a cabeça na parede e fechou os olhos, deixando-se fluir em seus pensamentos. Talvez até demais...

- Finn, eu queria saber se - AH MEU DEUS! FINN! – Ele acordou de seu "transe" quando percebeu que Rachel estava no banheiro e o tinha visto tomando banho. Rachel, ele, banho, pelado. Muita informação. – POR QUE... QUER DIZER O QUÊ... VOCÊ NÃO FECHA AS CORTINAS? – ela tropeçou nas palavras, enquanto tapava os olhos. Finn rapidamente puxou as cortinas para cobri-lo, usando-as como toalhas.

- E-eu... Eu pensava que tinha trancado a porta! – ele falou com a voz esganiçada.

- Bom aparentemente você não trancou! Ah meu Deus, sinto muito! Eu-eu vou deixar você terminar seu banho... Te vejo lá embaixo! – ela apressou-se correndo escadaria abaixo.

- Maravilha – ele murmurou. – E quando você acha que não pode ficar mais complicado.

- Hey. – ele falou meio desconfortável do que havia acontecido alguns minutos atrás.

- Ah, olá! – suas mãos estavam meio trêmulas, ele podia perceber enquanto ela servia as panquecas na mesa. – Eu usei calda de morango, mas se você não gosta eu posso...

- Morango está ótimo. – ele a interrompeu, dando uma garfada feroz nas panquecas e enchendo a boca.

- Ok. – ela sentou na cadeira ao seu lado, desconfortável. Mais uma vez, foi ela quem decidiu quebrar o silêncio.

- Finn – ela disse suavemente, pegando sua mão – Não quero que fiquemos estranhos um com outro pelo o que anda acontecendo, ou até pelo que... Bom, acabou de acontecer. Você sabe que você é muito importante pra mim. – ela acariciava suas mãos com seu polegar.

- Eu sei. – sua voz saiu quase um sussurro. – Você também é muito importante pra mim. Até demais pra eu deixar você ir assim tão fácil. Rachel, eu acho que eu – mas ele fora interrompido pelo barulho que vinha da porta. Alguém estava tentando abri-la. Rachel rapidamente soltou sua mão e correu para a porta. Ela ficou na ponta dos pés e espiou pelo olho-mágico para ver quem era e abriu um grande sorriso. Ela abriu a porta e anunciou quem estava lá:

- Jesse! – ela disse, abraçando o namorado. Finn olhou para os seus sapatos enquanto Rachel cumprimentava Jesse com um leve beijo nos lábios. Jesse entrava na casa como se aquilo tudo fosse sua propriedade. Porém, ao ver Finn sentado na mesa da cozinha, ele parou e examinou o local friamente.

- O quê ele faz aqui? – ele perguntou para Rachel, como se Finn não os pudesse ouvir. Rachel puxou seu namorado para um lado e sussurrou-lhe algo sobre Finn. Jesse fez uma cara de quem não estava satisfeito com a explicação, mas engoliu seco e virou-se pra Finn.

- Hudson! – o cumprimentou, um sorriso falso surgindo em sua face.

- – Finn adicionou friamente. Rachel limpou a garganta.

- Hum, Jesse, eu e Finn estávamos tomando café. Gostaria de juntar-se a nós? – ela perguntou. Jesse deu um sorriso e beijou a testa da namorada.

- Não, obrigado, querida. Mas eu não me importaria de ficar sentado junto com vocês enquanto tomam café. – ele pôs um braço ao redor da cintura de Rachel, como se estivesse marcando território.

- Oh. Por mim, tudo bem. O quê você acha, Finn?

- Ah, claro. Contanto que sobrem panquecas. – ele disse brincando, fazendo Rachel rir e Jesse pigarrear. Contanto que sobrem panquecas? Não tinha algo mais idiota pra falar? Estúpido. Pensou sobre ele mesmo.

- Então, como foi sua noite passada, minha querida? – Jesse perguntou obviamente mais interessado em querer saber por que Finn ainda estava lá e não na noite de Rachel.

- Ah, ótima. Quero dizer, eu só... Dormi. Nada demais! – ela falou com sua felicidade natural. Isso era um das coisas que Finn mais gostava sobre ela, sua bondade natural.

- E você, Hudson? – seu tom era mais desgostoso quando se tratava de Finn. Não que ele ligasse, é claro, ele também nunca fora um grande fã de .

- É, tudo bem. – o silêncio pairou no ar novamente. Finn pigarreou e decidiu que era hora de ir. – Hm, bom, minha mãe vai ficar preocupada se eu demorar... Então eu devo ir. – ele falou, pegando as roupas e levantando-se rapidamente. – Hum, até mais Rach. – ele se despediu com um beijo na bochecha dela e uma tapinha nas costas de Jesse. – . – E no momento que ele fechou a porta ele jura que ouviu a voz esganiçada de Jesse dizendo: o quê raios foi isso? Por mais cruel que isso possa soar, ele nunca se sentiu tão bem.