N/a: Sim, eu estou aqui e vou terminar esta história :) Aqui está um capítulo, a meu ver, delicioso. Adoro ler seus comentários pois eles me mantém atenta (you guys keep me on my toes!). IASBr, imagino que a Caroline ainda teria um interesse romântico em Darcy, mas ao longo da escrita isso acabou não surgindo. Eu tenho a tendência de querer explorar todos os pontos possíveis, mas nesta história prometi a mim mesma que desenrolaria de forma a não me delongar muito (para não ficar com uma história inacabada, como aconteceram com outras), por isso tive que fazer escolhas. Maria Teresa C, tenho certeza que você vai curtir este capítulo!
Capítulo 20 - Nossa família, nosso futuro
Depois do casamento os convidados foram recepcionados em Netherfield para um café da manhã. Darcy, tendo enchido um prato com todas as frutas que vira na mesa, se sentou ao lado de Elizabeth e Lucy, pronto para descobrir mais a respeito de seus gostos. Os três conversavam a respeito da cerimônia quando Bingley e Jane se aproximaram, acompanhados de um homem mais alto.
-James, gostaria que conhecesse meu grande amigo, Darcy. Darcy, meu primo de Lancaster.
Os dois homens trocaram delicadezas e Lucy, com as mãos cheias de uvas, olhou para o homem com um sorriso.
-Você tem o mesmo nome do meu pai!
-Não sabia disso. - disse o homem, olhando para Darcy com um sorriso.
Lucy riu.
-Não esse pai, meu outro pai!
Jane e Bingley sorriram também, mas o primo de Bingley pareceu visivelmente confuso.
-É uma longa história, James. Tenho mais alguns amigos para lhe apresentar, vamos.
-Mr. e Mrs. Darcy, foi um prazer. - o homem disse, fazendo uma mesura antes de se afastar.
-Ele entendeu tudo errado, não foi? - disse Lucy, ainda rindo.
-O erro dele foi compreensível. - disse Elizabeth, sorrindo.
Darcy olhou para ela, certo do que lia em seu rosto, mas ainda assim temeroso.
-Você gostaria de caminhar um pouco, Elizabeth? - ele perguntou, incerto.
Ela concordou e se sentiu, de repente, extremamente nervosa.
-Lucy, sente-se um pouco com o vovô, está bem?
A menina fez exatamente isso, levando seu prato cheio de frutas para dividir com Mr. Bennet.
Darcy ofereceu o braço a Elizabeth e os dois saíram, descendo os degraus vagarosamente.
-Elizabeth... - ele disse baixinho quando os dois alcançaram o gramado, os barulhos da festa distantes. - Acredito que tenhamos chegado a alguma conclusão, depois de tanto tempo nos dividindo para cuidar de Lucy, não?
-Sim. - ela concordou - Que somos um ótimo time.
Ele riu antes de respirar fundo e ela se espantou ao perceber que a risada dele era muito parecida com a de Georgiana.
-Não quero soar repetitivo, mas há meses que você prometeu uma resposta e tenho tentado ser paciente, mas tem sido extremamente difícil, ainda mais depois de passar tanto tempo próximo de você. Minhas certezas só se fortalecem.
Ela ia falar, mas ele a interrompeu.
-Me deixe terminar, por favor…
-Fitzwilliam! Pare o que quer que esteja fazendo!
Os dois se viraram, surpresos. Caminhando em sua direção com dificuldade estava ninguém menos do que Lady Catherine, vinda de uma carruagem parada à entrada de Netherfield.
-Tia.. o que... o que está fazendo aqui?
-Impedindo-o de cometer um erro! Ah, Fitzwilliam, meu irmão me contou o que você anda fazendo, como perdeu totalmente a sanidade, mas não pude acreditar até ver com os próprios olhos!
-A que se refere?
-Ao seu desejo de se unir a esta... mulher! Já não basta a história que vem sendo discutida por todos os lados, arrastando o nome de nossa família na lama! Você pode achar que tem sentimentos muito nobres, não querendo separar a criança de alguém que cuidou dela. Mas essa não é a única solução! Você poderia contratá-la como tutora da menina!
-Meu relacionamento com Elizabeth não tem nada a ver com meu relacionamento com Lucy! Pois eu a pedi em casamento antes de sequer saber qualquer coisa a respeito da história de Lucy!
-Está feito, então? Vocês estão noivos? - ela gritou.
Darcy baixou os olhos e então os ergueu novamente, mas, antes que pudesse falar, Elizabeth se colocou à sua frente.
-Sim, nós estamos. E nada do que possa falar irá mudar isso. A senhora pode continuar a atirar insultos em minha direção, sei bem que estou abaixo do que esperaria de uma noiva para seu sobrinho. Mas também sei que, desde que me conheceu, tudo que fez foi me julgar e insultar então nada do que possa falar fará muita diferença.
Lady Catherine olhou para Darcy, horrorizada.
-Você vê o que está fazendo, Fitzwilliam? Com que tipo de pessoa está se associando? Irá acabar com a nossa família!
Mas Darcy não olhava para a tia.
-Você realmente quis dizer isso? - ele perguntou baixinho.
Elizabeth virou as costas para Lady Catherine, mirando-o.
-Você realmente me aceitaria? É essa a sua resposta final?
-Sim! - ela disse, sorrindo. Então falou mais alto, rindo: - Sim!
-Vocês dois não vão continuar a me ignorar! - gritou Lady Catherine.
Darcy venceu os dois passos que o separavam de Elizabeth e a beijou, ignorando os protestos, ao fundo, de quão inapropriado aquilo era.
~X~
Mais tarde Elizabeth estava na sala de visitas de Netherfield. Jane e Charles haviam partido para a lua-de-mel. Miss Bingley e Mr. e Mrs. Hurst já haviam se recolhido. Todos partiriam no dia seguinte. Lucy estava deitada no sofá, adormecida. A babá quisera levá-la para o quarto, mas Elizabeth a pediu que esperasse um pouco. Estava sentada ao seu lado, passando a mão em seus cabelos e a observando com carinho quando Darcy entrou na sala.
-Todos os preparativos foram feitos para que deixemos Netherfield amanhã. - ele disse, parando então ao ver a cena. - Elizabeth, talvez seja melhor que Lucy fique com você afinal.
-Não. - ela disse, finalmente erguendo os olhos. - Ela precisa de estrutura, algo que não posso oferecer sozinha no momento. Será melhor se você levá-la para Pemberley até o casamento. Será a casa dela, e tenho certeza que Georgiana irá ficar feliz com a companhia.
Ele se sentou ao lado dela, pegando sua mão.
-Eu posso conseguir uma licença especial...
-E eu já disse que não há necessidade. Licenças especiais são caras, e são requeridas em ocasiões específicas. Seríamos alvo de fofoca.
-Oh, você não sabe? Em cada condado da Inglaterra há uma história diferente a meu respeito.
Elizabeth riu, admirada com a habilidade dele de fazer brincadeiras mantendo um tom sério, em sua melhor pose de senhor de Pemberley.
-Dois meses é o mais rápido que consigo sem a licença especial. No entanto, eu realmente preciso voltar para Pemberley para resolver várias questões.
-Já discutimos isso, Darcy. - ela disse, o olhando de lado. - É estranho chamá-lo assim, considerando que você me chama por meu primeiro nome há algum tempo. Mas Fitzwilliam me lembra terrivelmente de sua tia chamando-o.
-Meus pais me chamavam de William.
-William. - disse ela, testando o nome, então sorrindo. - Já discutimos isso, William.
-E se você e Lucy ficassem na casa de seus pais? Seu pai me disse, de forma muito delicada, quão apegado é a ela. Sua mãe me disse o mesmo em um tom não tão delicado.
-Oh, Deus. Ela não lhe ameaçou, espero?
-Não. Mas deixou claro que, como avó, tem direitos especiais.
Elizabeth riu.
-Isso foi depois que sua tia apareceu? Me pergunto como minha mãe não ficou sabendo de tudo que se passou.
-Nós fomos os únicos a ver a aparição relâmpago de minha tia. E sua fúria. O que foi sorte, não queria criar uma cena no casamento de Charles e Jane.
-Sinto informar que logo minha mãe terá total conhecimento da situação.
-Sim. Mas sinto que, depois de ver minha tia se opor tão fortemente ao casamento, será ótimo ver alguém comemorá-lo com fervor.
Elizabeth riu e os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.
-Caso você não se oponha a passar dois meses com Lucy e seus pais, podemos propor a ideia para eles amanhã.
-Contanto que você venha nos visitar, acredito que consigo suportar. - ela disse, olhando rapidamente para os lábios dele e se lembrando da sensação de tê-los colados aos seus mais cedo - suave e gentil, exatamente como imaginara.
Os dois foram interrompidos por um pigarrear vindo da porta.
-Espero não estar interrompendo.
Darcy se levantou, se afastando do sofá onde estavam Elizabeth e Lucy.
-Richard, de forma alguma.
-Mrs. Sheffield, sua carruagem está pronta. Charlotte queria descer e lhe cumprimentar, mas temo que ela não esteja se sentindo muito bem.
-Não há problema, ela esteve indisposta durante todo o dia, deve descansar. - Elizabeth se ergueu, deixando um beijo na têmpora da filha. - Mr. Darcy, voltamos a conversar amanhã? Imagino ser melhor que Lucy durma aqui essa noite, de qualquer forma.
-Sim. - ele disse, sorrindo.
Elizabeth fez uma mesura para ambos, se despediu e saiu. Darcy se abaixou para pegar a filha no colo e levá-la para a cama, mas notou que o primo ainda estava parado na porta, observando-o.
-Você realmente vai partir para Pemberley, primo? Levando a criança e deixando a mãe dela para trás?
-Lucy irá ficar com Elizabeth, eu vou sozinho para Pemberley.
Darcy notou o olhar ainda duro de Fitzwilliam, o olhar que ele geralmente reservava a seus cabos.
-Tenho motivos muito fortes para fazê-lo, Richard. Tenho assuntos de urgência para tratar.
-Oh, é claro. Você sempre tem assuntos de urgência a tratar.
-Preciso preparar tudo para meu casamento.
O olhar duro de Fitzwilliam aos poucos se desfez.
-Seu casamento?
-Eu a pedi em casamento. Ela aceitou.
-Darcy! - o homem se aproximou, apertando o ombro direito dele e sorrindo. - Finalmente um movimento inteligente!
-Eu já havia pedido-a, foi ela quem me me negou!
-Você a culpa? - ele disse, rindo.
-Richard, se puder não contar a ninguém até amanhã... Irei até o pai dela logo cedo e esperaremos para fazer o anúncio.
-Não conto a ninguém, exceto Charlotte. Você tem que me deixar contar a ela, isso com certeza irá animá-la.
Darcy olhou para o primo. O casamento havia trazido um novo lado dele à tona e o relacionamento que ele desenvolvia com Charlotte era algo que Darcy admirava.
-É claro.
~X~
No dia seguinte, Mr. Darcy foi fazer o pedido ao pai de Elizabeth. A proposta não o pegou de surpresa, mas ainda assim, Mr. Benett conversou por quase uma hora com o homem, pois queria se certificar que a filha e a neta estariam em boas mãos.
Darcy e Elizabeth estavam ansiosos em contar a notícia para Lucy. Mas ela havia saído logo após chegar em Longbourn, acompanhando a avó em uma rápida visita aos Lucas. O casal resolveu andar pelos jardins próximos à casa até que ela chegasse. Kitty e Lydia caminhavam alguns passos atrás deles, tendo sido mandadas por seu pai como acompanhantes. Elas eram as piores acompanhantes da história, Elizabeth decidiu, já que estavam tão entretidas em cochichar e dar risadinhas que muitas vezes tinham que procurá-los quando percebiam que os haviam perdido de vista.
Os dois conversavam enquanto caminhavam, se sentindo cada vez mais à vontade nessa situação. Na maior parte das vezes em que eles haviam se encontrado antes, Lucy estava presente. O encontro em Pemberley fora a primeira vez que os dois se viram capazes de concentrar-se totalmente um no outro e, Elizabeth lhe confessou, foi um fator decisivo para que ela finalmente o aceitasse.
-Por que você me aceitou, no final? - ele perguntou, o que fez Elizabeth erguer as sobrancelhas, surpresa - Não me leve a mal, tudo que eu mais queria era que você o fizesse. Mas depois de me negar tão fervorosamente na primeira vez, e tão longa espera pela resposta na segunda vez…
Elizabeth balançou a cabeça, envergonhada.
-Eu tomei a decisão de aceitá-lo quando percebi que conseguia me ver ao seu lado, e que você respeitaria essa posição.
Darcy parou de andar, querendo prestar atenção ao que ela dizia, e os dois riram levemente quando Kitty e Lydia continuaram a caminhar, entretidas em uma conversa.
-O seu primeiro casamento com certeza lhe deu uma ideia de coisas que funcionam ou não em uma união. - ela disse - Assim como o meu. Eu não suportaria estar em uma união em que minha opinião e decisões não fossem respeitadas, não depois de já ter passado por isso uma vez, não depois de ter conseguido sobreviver sozinha, como viúva, tomando minhas próprias decisões. Mesmo quando eu era simplesmente a mãe adotiva de Lucy você me incluiu nas decisões e ouviu minha opinião com atenção, e isso foi algo de extrema importância para mim. Aquela manhã, em Pemberley, quando recebi a carta… eu percebi que você seria o tipo de pessoa que eu gostaria de ter ao meu lado, alguém com quem eu pudesse contar nos momentos tranquilos e nos momentos conturbados.
-Mas então por que demorou tanto para me dar uma resposta?
-A percepção não foi imediata. Foi só quando vim para Hertfordshire, sozinha, que consegui chegar a esta conclusão. Nossos finais de semana… em família… também me ajudaram a perceber como poderia ser uma vida em conjunto.
-Que sorte eu tenho com a perspectiva de tê-la comigo. - ele disse, sorrindo com a imagem que ela pintava de um futuro conjunto - Que sorte Georgiana e Lucy têm em poder tê-la como amiga e modelo, Elizabeth.
Os sentimentos transbordaram e ela soube, ao olhar para ele, que era como ele também se sentia. Ela olhou para frente, para as irmãs, que continuavam a caminhar e conversar, então para a casa, as janelas da biblioteca longe demais para serem vistas de onde estavam. Darcy percebeu para onde os pensamentos dela vagavam, pois se aproximou mais, devagar. Ela fechou os olhos, logo sentindo a sensação dos lábios dele contra os dela. Ele exalava um leve odor de cachimbo, com certeza por ter passado tanto tempo na biblioteca de seu pai, e o cheiro familiar trouxe a ela a deliciosa sensação de lar.
-Mama! Papa!
Os dois se separaram, surpresos. Pelo atalho no gramado que dava na estrada, Lucy vinha correndo tão rápido quanto suas pequenas pernas conseguiam.
-Vocês estão casados? E nem me contaram? - ela gritou zangada, antes mesmo de ter parado de correr.
-Nós estamos noivos, Lucy. Vamos nos casar. - disse Darcy, tendo imaginado uma cena diferente para tal revelação.
-Mas vocês se beijaram! Então com certeza já estão casados!
Ele pareceu levemente embaraçado com tal observação, mas foi Elizabeth quem se lembrou de uma conversa a respeito de casamento e beijos que havia tido com a filha.
-Você se lembra que eu lhe disse que é a partir do momento que duas pessoas se beijam que estão casadas? - ela disse, ao que a filha meneou a cabeça. - Eu omiti um fato muito importante, Lucy. Esse beijo deve acontecer em uma igreja, após o pastor realizar a cerimônia.
A menina balançou a cabeça, como se ponderasse que aquilo era uma hipótese razoável.
-Então, quando vocês vão se casar na frente de um pastor? - disse ela, abraçando a mãe pela cintura.
-Se dependesse de mim, semana que vem. - declarou Darcy - Mas sua mãe preferiu esperar dois meses.
-Por quê? - ela disse, a voz aguda de espanto. - Poderia ter sido meu presente de aniversário!
-Seu aniversário! - disse Darcy, surpreso que tivesse esquecido de assunto tão sensível até aquele momento. - Quando é seu aniversário?
Ele olhou de Lucy para Elizabeth, e esta última pareceu repentinamente apreensiva.
-Eu preciso confessar algo. - ela disse, acariciando os cabelos da criança de forma nervosa. - Lucy querida, seu aniversário não é em Agosto.
Elizabeth fechou os olhos, não suportando os olhares surpresos dos dois.
-Você nasceu em Abril de 1808, mas nesta época eu não estava em Norfolk ainda, então James e eu escolhemos uma nova data, na verdade a data… a data que meu filho nasceu, então veja bem, você já fez aniversário este ano, e você é mais velha do que pensa, e eu sinto tanto….
-Elizabeth, Elizabeth. - Darcy disse, colocando uma mão em seu rosto e sussurrando. - Está tudo bem. Eu compreendo que você precisou tomar decisões difíceis e eu tenho certeza que, se Lucy ainda não entende, com certeza entenderá. Não é algo ruim. Podemos ter bolo duas vezes ao ano. - ele disse, dando uma piscadela para a filha.
Elizabeth continuou a olhar para o chão, fungando de leve. Lucy ergueu os braços para o pai e ele entendeu o gesto, a pegando no colo para que ficasse na altura do rosto de Elizabeth. Ela colocou a mão sobre a outra face, dela, imitando o tom de voz de Darcy.
-Está tudo bem, mamãe. Eu te perdoo.
Aquilo a fez chorar mais e Darcy se aproximou, querendo oferecer conforto. Os três ficaram em uma espécie de abraço até que a respiração dela se normalizasse e as lágrimas parassem de escorrer. Elizabeth fechou os olhos então, querendo memorizar a sensação de estar naquele abraço. Não era só Lucy que ficaria bem, ela também ficaria, ela sabia disso agora.
