Notas iniciais: olá, mundo!
Desculpa a demora em trazer a atualização.
É com muito prazer que apresento a vocês minha personagem mais querida! Espero que gostem dela tanto quanto eu!
Mickky, eu simplesmente AMO seus comentários e suas suposições! Obrigada por dedicar alguns minutos do seu tempo, é muito importante saber que IdS é querida por mais alguém além de mim.
Sem mais, fiquem com a atualização dessa semana!
Feel my heart burning
Deep inside, yearning
I know it is coming
A fettered heart, waking
Tainted youth fading
Leave it all behind
(Anathema — Deep)
A viagem pela via Flu aconteceu sem grandes problemas.
Quando Hermione abriu os olhos, a primeira coisa que encontrou foi Minerva McGonagall, acompanhada de perto por um elfo doméstico, encarando atentamente à lareira em que estava parada, lado a lado da medibruxa e do enfermo sobre a maca flutuante.
— Já não era sem tempo! — McGonagall exclamou exasperada.
— Teríamos chegado mais cedo se o senhor Potter não tivessequasecolocado a porta da Sala de Transfiguração abaixo,procurando por ela.
Madame Pomfrey respondeu à saudação com seu tom prático, ainda que um pouco mais ácido que o normal, apressando-se na sequência para transportar o enfermo até um cômodo do outro lado da sala, sumindo de vista sem mais explicações.
Hermione saiu da lareira limpando a fuligem dos ombros, antes de pousar a maleta de couro pesada numa mesa de madeira próxima, para somente então voltar sua atenção à uma McGonagallclaramentecuriosa.
— Desculpe, professora. Harry veio atrás de mim, preocupado e disposto a me levar, junto com ele e os Weasleys, para A Toca. — Começou a falar timidamente, esforçando-se para não desviar o olhar da bruxa à sua frente.
Com as sobrancelhas arqueadas e os olhos levemente cerrados, McGonagall perguntou:
— Acredito que tenha conseguido despistá-logentilmente ?
— Não com facilidade... — Respondeu com hesitação — Depois do choque inicial, consegui convencê-lo de que estou de partida para rever meus pais. — Hermione finalizou entrelaçando as mãos agitadas às costas, tentando disfarçar a ansiedade crescente diante da polida inquisição.
— Isso é bom… — McGonagall acenou positivamente, antes de perguntar incisivamente — E a senhorita nãodeveriair ao encontro de seus pais?
Como explicar que eu apaguei grande parte das memórias deles e que agora eles vivem do outro lado do globo?,Hermione refletiu, não sendo mais capaz de aguentar a pressão do intenso escrutínio que continuava a receber, desviando então sua atenção para o seu redor, numa busca silenciosa pela melhor e mais breve resposta que poderia dar.
Antes que muito tempo se passasse e ela sucumbisse à necessidade de confessar seus atos em voz alta, Madame Pomfrey reapareceu na sala, agora quase correndo, enquanto falava:
— Merlin, passou da hora de medicar a senhorita Brown! Minerva, vou precisar da sua permissão para manter pelo menos dois aprendizes de St. Mungus em Hogwarts para me ajudar. E Horacio precisa voltar a preparar poções. Nosso estoque está chegando perigosamente ao fim, e está na hora de fazer aquele velhote sair do seu esconderijo nas Masmorras. — Ela concluiu sua fala de modo esbaforido, suas mãos apoiadas na cintura, aguardando uma resposta da Diretora.
— Eu só preciso verificar o histórico dos aprendizes que você indicar, Poppy. Confio em seu julgamento, mas todo cuidado é pouco… — McGonagall ajeitou os óculos sobre o nariz, falando e olhando diretamente para a medibruxa, mas, assim que finalizou a frase, virou-se mais uma vez para Hermione.
Por um momento, a bruxa mais velha pareceu titubear entre a necessidade de voltar a questioná-la e as obrigações que demandavam sua atenção imediata. Para o completo alívio de Hermione, após alguns segundos de tensão, McGonagall suavizou algumas linhas de expressão em seu rosto e, quando voltou a falar, era sobre um assunto muito diferente do anterior:
— Esta é Penny, senhorita Granger. Por questão de segurança, a lareira permanecerá funcionando apenas de Hogwarts para a Cabana, e não o caminho contrário. Penny vai providenciar alimento e também pode nos ajudar com a comunicação, não é mesmo Penny?
A elfa doméstica estufou o peito em uma clara representação de orgulho, respondendo McGonagall com firmeza:
— Penny está à serviço do Mestre Snape, Diretora McGonagall.
McGonagall ofereceu um breve sorriso na direção da criatura mágica, voltando segundos depois a falar com Hermione naquele tom professoral, tão inerente à sua personalidade:
— Imagino que Poppy tenha deixado instruções sobre o quê você deve fazer?
Ligeiramente insegura com a súbita mudança de assunto, e aturdida com a facilidade que McGonagall tinha em conseguir administrar tantos assuntos de uma única vez, Hermione concordou lentamente com um aceno de cabeça. Munindo-se com sua famosa coragem grifinória, e tentando não deixar que suas expressões transparecessem o receio que sentia, ela então respondeu:
— Madame Pomfrey listou as poções e os feitiços que vou precisar administrar, bem como os horários e algumas observações finais. Ainda tenho algumas dúvidas quanto ao manuseio correto da varinha em alguns feitiços-diagnósticos, mas não acho que será um grande problema.
— Muito bem! Se precisar, Penny pode buscar livros na biblioteca de Hogwarts. — McGonagall deu uma piscadinha quase imperceptível por sobre os óculos, conseguindo, com um simples gesto, atenuar parte da pressão que Hermione sentia crescer em seu peito.
— Minerva? Precisamos ir!
Madame Pomfrey já segurava um pote com pó de Flu em suas mãos, batendo um pezinho impaciente no chão.
McGonagall concordou com um aceno rápido de cabeça, curvando-se apenas o suficiente para sussurrar algo para a elfa doméstica que continuava ao seu lado. Da distância em que se encontravam, Hermione poderia apenas especular qual seria o assunto daquela troca rápida de palavras.
Voltando a se endireitar alguns segundos depois, a Diretora andou até a lareira, parando a poucos centímetros de distância de Hermione.
— Senhorita Granger, vou fechar a conexão Flu agora. Penny pode aparatá-los até Hogwarts em caso de emergência, não se preocupe. Como sabe, nossas leis antiaparatação não funcionam para elfos. — Fez uma pausa breve, diminuindo ainda mais o seu tom de voz quando voltou a falar — Hermione, sei que essa tarefa pode ser complexa, mas quero agradecer por oferecer sua colaboração. Contudo, não hesite em nos pedir ajuda a qualquer mínimo incoveniente e…
Instintivamente, Hermione inclinou-se na direção da bruxa, atraída à seriedade que transbordava naquelas palavras.
— Assim que ele recobrar a consciência, tenha cuidado. A amnésia pode ter sido apenas passageira, e Severus não costuma lidar muito bem com sua própria vulnerabilidade. — Por sob os óculos, McGonagall observou-a demoradamente, sua expressão mais uma vez inescrutável.
Hermione, por sua vez, absorveu avidamente cada palavra dita, concordando com rapidez e deixando transparecer sua gratidão pela preocupação da bruxa à sua frente.
Antes de partir, a Diretora deu um aperto gentil no seu braço direito, reiterando em atos o que suas palavras haviam significado.
— Eu venho checar a situação ao anoitecer, senhorita Granger.
Hermione ouviu a medibruxa dizer atrás de si, mas quando virou-se para agradecer, Madame Pomfrey já estava jogando um punhado de pó de Flu no chão da lareira, dizendo em alto e bom tom"Enfermaria de Hogwarts", sendo imediatamente engolida, junto da Diretora, pelas chamas verdes, ambas desaparecendo de suas vistas segundos depois.
Sozinha com seus pensamentos pela primeira vez depois de tantos acontecimentos, Hermione mordeu o lábio inferior ansiosamente, ainda mirando fixamente a lareira, mesmo depois de toda a fuligem já ter se dissipado. Assustou-se quando ouviu um barulho atrás de si, virando-se apressada, já com sua varinha em riste, apontada para o quê ela suponha ser o responsável pelo som.
A pequena criatura não pareceu se intimidar com sua atitude, apenas ergueu uma das sobrancelhas finas e abriu um sorrisinho muito diferente do que se esperava ver no rosto de um elfo doméstico. Prestando um pouco mais de atenção, Hermione percebeu que ela também não vestia os trapos velhos e surrados, iguais aos que os elfos de Hogwarts costumavam vestir.
Subitamente consciente de sua posição de ataque, Hermione enrubesceu e deu um passo para trás, abaixando sua varinha no processo, enquanto falava:
— Sinto muito! São apenas os reflexos... — Hermione ofereceu a desculpa em tom baixo, de repente muito consciente do pulsar ensurdecedor em seus ouvidos, que indicava a circulação acelerada de seu sangue pelo corpo, graças àquela mais nova e inesperada descarga de adrenalina.
— Melhor estar sempre preparada do que ser pega de surpresa, se é que eu posso opinar.
E, como se a situação não fosse bizarra o suficiente, Hermione também tinha certeza absoluta de que aquelenãoera um vocabulárionormalpara um elfo doméstico.
Com a curiosidade claramente estampada em sua expressão surpresa, a bruxa notou mais uma vez aquele sorrisinhofamiliarsurgir nos lábios da elfa doméstica, no mesmo instante em que falou:
— Nunca me canso de ver vocês,bruxos,com essa expressão de incredulidade na fuça!
A criaturinha usava um tom de voz zombeteiro, mas tão logo gracejou, sua postura ganhou uma expressão mais séria, seu corpinho mirrado empertigando-se rapidamente.
Agora mais séria e sem qualquer traço que lembrasse a subserviência característica dos elfos domésticos, ela anunciou:
— Sou Penny, uma elfa livre que acompanha o Mestre Snape pelos últimos vinte anos enão,eu não sou como os outros da minha espécie que vestem trapos e se escondem atrás de erros gramaticaispatéticos .
Havia um característico tom de superioridade na voz da criatura mágica, como se seu um metro e dez centímetros de altura de repente se transformasse em um metro e noventa centímetros, graças a uma confiança inerente que transbordava de suas palavras.
Hermione sabia que deveria estar parecendo uma completa idiota, boquiaberta e estupefata diante da apresentação da elfa livre, mas simplesmente não conseguia disfarçar o choque que sentia.
— Mestre Snape me libertou e me ensinou civilidade, pelo o quê eu soumuitograta, então pode se recompor e tirar essa expressão de susto da fuça. — A pequena elfa falava e agia de um modoassombrosamenteparecido com seu antigo Professor de Poções, virando-se de repente para se dirigir até mesa de madeira.
Hermione poderia jurar que, se ela também usasse um sobretudo, o tecido definitivamente teria rodopiado do mesmo modo que o de Snape fazia quando ele se virava tão abruptamente quanto ela havia acabado de fazer.
— Aqui estão as poções que o Mestre Snape precisa tomar?
A elfa livre apontava para a maleta esquecida em cima da mesa, e a pergunta direta funcionou perfeitamente para tirar Hermione do estado de estupefação em que se encontrava.
Limpando a garganta, a bruxa respondeu pausadamente, claramente ainda não se sentindo segura para falar com a confiança de sempre:
— Precisamente… e aqui estão as instruções para a administração delas, prescritas por Madame Pomfrey. — Retirou do bolso da calça um pergaminho cuidadosamente dobrado — E… é um prazer conhecê-la, Penny. — Acrescentou timidamente, esticando o pergaminho na direção da elfa livre.
A pequena criatura se virou e acenou afirmativamente, pegando o pergaminho oferecido em uma de suas mãozinhas, enquanto a outra sumia dentro de um dos bolsos de suas vestes, voltando segundos depois à superfície com um óculos em tamanho de miniatura, levando-os para repousar na ponta de seu nariz pontudo.
— Dobby tinha muito a falar de você e de seus amigos, senhorita Granger. E o medo que suas investidas para a libertação dos elfos causou em meus camaradas… Um anomemorávelaquele, se permite comentar. — A elfa livre falou em tom prático, sem levantar os olhos do pergaminho em momento algum.
Hermione tinha a impressão de que as palavras que a elfa livre falava tinham o mesmo poder de um feitiço estuporante. Encarou a criaturinha de perto, repleta de perguntas, porém não encontrando nenhuma abertura possível para pronunciá-las em voz alta.
— É verdade que ele não se lembra de nada?
Agora a elfa livre havia abaixado o pergaminho e voltado a encará-la. Pega de surpresa, Hermione desviou o olhar rapidamente, respondendo com cautela:
— É o que parece... Eu estava do lado dele quando ele acordou, e ele não me reconheceu. À princípio, pensei que fosse somente uma confusão devido ao trauma que sofreu… — Evitando os enormes olhos verdes da criatura, a bruxa vasculhou curiosamente o lugar em que estava.
Muito parecido com a estrutura da cabana de Hagrid, a Cabana do Gigante era composta de paredes e assoalho de madeira. A sala em que estavam tinha uma lareira magicamente enlarguecida, um sofá velho de três lugares, duas poltronas de couro antigo com mantas penduradas sobre o encosto, e uma mesa mediana de madeira, centralizada no meio da sala. Próximo do cômodo que Madame Pomfrey havia, existia uma bancada larga que dividia a sala da cozinha, que a lembrava muito da cozinha de Grimmauld Place, no. 12, porém com um tamanho mais compacto. Por último, do lado da porta, oposto à bancada e rente ao local onde Snape foi acomodado, havia outra porta fechada. De onde estava, isso era tudo o que Hermione podia ver.
— Mas, antes que ele voltasse a dormir, disse com suas próprias palavras que não se lembrava de nada, nem mesmo de quem era. — Ela então finalizou a breve inspeção pela cabana em conjunto com suas palavras, voltando novamente a olhar para Penny, agora sentindo-seligeiramentemenos impactada com a presença da elfa livre.
A criaturinha concordou com a cabeça, voltando seu olhar para a cozinha, parecendo consultar alguma coisa antes de falar:
— Vou preparar uma refeição leve para quando ele voltar a acordar. — E virou-se por completo, encerrando assim a conversa, aparentemente sem esperar nenhuma resposta de volta.
Mas, antes que Hermione pudesse refletir sobre o quê deveria fazer agora, além de esperar, a pequena criatura falou uma última vez, olhando-a por sobre o ombro:
— Devo ir à Hogwarts mais tarde, trazer os pertences do Mestre Snape para a cabana. Faça uma lista das coisas que precisa. — Finalizou com uma piscadela, novamente exibindo aquele sorriso familiar que a bruxa concluiu fazer parte de sua exótica personalidade.
— Obrigada, Penny! — Hermione respondeuanimada, agradecendo mentalmente à criaturinha pela solicitude e também por lhe dar alguma coisa para preencher a mente, e não deixá-la com a única alternativa que lhe sobrava: sentar e aguardar que Snape acordasse.
Notas finais: adoraria saber o quê estão achando da história até agora!
A próxima atualização deve vir ainda nessa semana, então fiquem ligados!
