Aêê! Mais um capítulo da minha fanfic :D obrigada pelos reviews gente, eu fiquei muito feliz! ^^'

Boa leitura :*

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Capítulo 2 – Pensando nele

Três dias depois de mandar a carta, e eu já pensava que a resposta estava demorando demais. Porque na verdade, não eram apenas três dias. Falando de forma mais exata, eu esperava notícias dele há três meses. E algumas semanas.

Durante esse tempo eu tentava desesperadamente encontrar algo para fazer. Decidi que esperaria calmamente a resposta chegar. Já tinha feito de tudo: eu lia livros, brincava com Den e Al, via os dois brincarem, fazia automails – mas, ultimamente, quase não tinha nada para fazer – e ajudava vovó com as tarefas da casa. Sem contar que vi o pôr-do-sol todos os dias. A alvorada também.

Provavelmente esses dois momentos fossem os únicos em que eu me sentia realmente ocupada com algo importante.

Mas é claro: quando que uma pessoa não faria uma relação entre o sol, que iluminava os campos de Risempool com sua iluminação dourada, que era quente e reconfortante principalmente nessas duas horas do dia, com Edward Elric, com os cabelos e olhos dourados, o sorriso mais lindo que eu já tinha visto, e a sensação quente e confortável de estar entre seus braços? Eram coisas que eu sentia... Muito mais saudades do que eu pensei que sentiria.

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No dia seguinte, eu acordava depois de uma milagrosa noite sem sonhos amedrontadores. Sem me levantar da cama eu olhei para o lado, para o resto do meu quarto. Os primeiros raios de sol deixavam uma iluminação agradável no meu quarto. Comecei a me levantar lentamente e depois me espreguicei.

- Bom dia, Ed – me peguei fazendo essa pergunta para o nada. Abaixei a cabeça e falei tristemente – Mais um dia... Quando você vai voltar?

Nem arrumei o meu quarto, simplesmente levantei, peguei um vestido branco simples, prendi os cabelos e desci.

- Já acordou Winry? – disse Pinako ao me ver entrar na cozinha. Apenas respondi um "sim" ainda meio grogue.

Peguei um café e fui para fora de casa, encontrando Al, que como já era comum nesses dois anos que passaram, brincava de jogar um graveto para Den. Sentei-me à pequena escada da entrada da minha casa e fiquei os observando.

- Bom dia, Winry – Al me cumprimentou quando me viu.

- Oi – sorri amigavelmente para o mais novo.

- Não quer vir com a gente? – ele me sugeriu logo depois de jogar o graveto para Den ir buscar. Eu recusei.

- Brinquem vocês... Eu não estou com cabeça para isso – eu acordei sentindo um misto de emoções naquele dia. Emoções nada agradáveis como agonia, angústia, medo, preocupação. Isso não seria nada útil para uma brincadeira. Era melhor não.

Al não me respondera nada, mas me olhava parecendo preocupado. Mas eu desviei o olhar, observando as árvores ao longe. Ele então voltou a brincar com Den, e eu voltei a observar as brincadeiras, com esperança de me distrair.

Mas em vez disso, apenas me trouxe lembranças...

... Da pior semana da minha vida.

Era uma cena um tanto parecida com aquela de dois anos atrás. Eu estava sentada naquela mesma escada observando Ed treinar. Era a última semana dele antes da... Daquela guerra. Eu apenas o observava tristemente, sentindo aquele pânico tomar conta de mim ao pensar que ele partiria para um lugar tão perigoso...

Chega. Eu pensei enquanto me levantava dali, pegando a xícara de café para levar de volta a casa, tentando pensar em alguma coisa que não tivesse relação ao Ed. Automail. Não dava, porque a primeira pessoa que me vinha à cabeça era Edward. Torta de maçã. Ele gostava. Livros. Ele os lia aos montes. Crianças. Lembrava-me das épocas em que eu, ele e Al brincávamos juntos. Animais. Lembrava-me Ed, pelas vezes que ele brigou com o irmão por ele ter escondido gatos na armadura. Ferramentas. Lembrava-me a chave inglesa que eu usava para bater nele quando fazia algo de errado. Alquimia então... Nunca. Simplesmente coloquei a xícara na bancada e respirei fundo. Não tinha nada que eu pudesse fazer meu coração descansar em paz?

-Aconteceu alguma coisa Winry? – vovó me perguntou. Fiquei parada no mesmo lugar por um bom tempo antes de responder:

- Está acontecendo há dois anos – quando não ouvi resposta, subi para o meu quarto.

Finalmente, alívio. Fechei a porta com força e fui em direção à minha cama. Por que isso está acontecendo comigo? Pensei enquanto me deitava e cobria as mãos com meu rosto. Qualquer coisa que eu pensasse, uma única imagem vinha à minha cabeça. Edward. Durante os dois anos de uma espera angustiante, isso não aconteceu comigo. E agora que acontecia, aquela ansiedade, a sensação terrível que eu sentia fazia com que eu me lembrasse de coisas passadas...

- Deu, parou. – ele estava parecendo mais um pai do que meu amigo - Mas, por favor, nunca mais faça isso.

- Isso? Isso o quê? – fiquei em dúvida.

- Dizer que não é nada e que está tudo bem quando na verdade você não está bem – desviei o rosto. Como ele tinha coragem de pedir que eu não fizesse isso? Ainda sem olhar para ele, respondi:

- Viu como é ruim? Escuto isso de você todos os dias.

Não me prestei a olhar para seu rosto, mas ele não respondeu, então olhei para ver o que ele estava fazendo. Ele também tinha fugido de meu olhar, fazendo com que eu me arrependesse do que tinha dito. Mas eu queria saber, não adiantava. Depois daquela noite, eu nunca me esqueci da promessa, que na verdade é mais um desejo, que eu tinha feito para mim mesma: queria ajudar, consolar, amar e ser amada por Ed. Depois de me lembrar de meus próprios pensamentos, me aproximei dele e coloquei a mão no seu ombro.

- Ei... Ed... Olhe para mim.

Nunca me esqueci da tristeza presente em seus olhos naquele dia.

- Não é algo que alguém possa me ajudar, Winry. Mas eu acho que te ver sorrindo feliz pelo resto do mês me ajudaria muito.

Eu parei de chorar e olhei para ele. Ele sorriu para mim. Eu tentei sorrir de volta, mas ele fez uma careta quando viu.

- Quero um sorriso de verdade. – ele me cobrou. Seria difícil sorrir naquele momento, será que ele não entendia?

Mas, então, cada lembrança boa que eu tinha com os irmãos resolveu passar em forma de filme na minha cabeça naquele momento. Todos os momentos divertidos, infantis, maduros, etc. Todos eles. Não tinha como não dar risadas.

E realmente não tinha como não dar risadas... Três crianças pequenas que brincavam das mais diversas coisas, brigavam por qualquer coisinha boba, para logo depois rirem de novo...

- Era só um pedido idiota, deixa – sorri. Céus, ele já pensava que eu iria começar a chorar de repente... – Você não está confiando em mim mesmo, não é verdade?

- Se era mesmo um pedido, quero que fale.

Desisto.

- Tá... – fiquei super envergonhada de pedir, mas criei coragem – Me... Me... Erm... Me beija?

Ficou me olhando por um tempo. Sem dizer nada, foi se aproximando. Quando nossos lábios iriam se tocar, ele parou.

- Idiota – disse entre risos – Não pelo pedido, mas por ter ficado com vergonha. Sabe que não precisa nem pedir – dito isso, ele me beijou. Carinhoso, doce e perfeito, como da outra vez.

Aquele tinha sido o melhor.

- E agora... COMO VOCÊ VAI CONTAR ISSO PARA A WINRY SEM MATÁ-LA DE PREOCUPAÇÃO?! – nenhum deles notou a minha presença naquele momento. Aquilo que Al tinha acabado de falar... Seria o tão falado problema que Ed passava? – Nii-san... Eu nunca pensei que sentiria vontade de te socar antes – dito isso, Al passou pela vovó. Naquele momento eu resolvi me manifestar.

- NÃO FAZ ISSO, AL! – corri. Mas, não sei como era possível, só que eu ainda não estava em condições de correr. Caí de joelhos, perto deles, as lágrimas rolando pelo rosto – Alguém poderia me explicar o que está acontecendo aqui?

- Winry! – Ed me ajudou a levantar.

- Por quê? O que está acontecendo...? – perguntei. Al respondeu.

- Esse... Esse... Idiota! Ele nos fez ficar preocupados, feriu você com palavras frias, me ignorou quando tentei ajudar, e só agora, que as coisas estão indo bem, ele conta o que era o seu tão preocupante problema!

Eu parei para olhar para Ed. Ele não se mexia, olhava para baixo e não falava nada.

- Eu não... – ele começou – Eu queria que tudo... Desse certo, que vocês não se preocupassem, mas... Uma hora ou outra vocês saberiam.

Saberiam do quê? Isso não era justo. Eu era, com certeza, a pessoa que tinha que saber do problema. Mas todos sabiam e ninguém ainda tinha me falado.

- Alguém me explica o que está acontecendo de uma vez por todas? – eu estava me irritando. Ed virou-se para mim e me abraçou, de uma hora para outra – Eu quero que me digam, eu não pedi um consolo. – para que tanto suspense?

- Winry... Eu... – ele parecia se controlar para não chorar. Isso me preocupou

- Ed... Fala! – eu correspondi seu abraço com força, encorajando-o a falar

- Eu... Eu vou... Eles me chamaram para a guerra.

Eu paralisei.

- Hein? – não devia ser verdade

- Isso mesmo. Guerra – ele me abraçou ainda mais forte – seria daqui a um mês, e então me liberaram para ficar aqui enquanto o dia não chegava.

Senti que iria desabar depois de me lembrar disso. Porque se não fosse pela maldita guerra, eu não teria pesadelos terríveis com a morte da pessoa que eu mais amo. Se não fosse por ela, Eu não estaria do jeito que estava naquele momento: deitada na cama, com as mãos cobrindo o rosto e sendo atormentada por lembranças com ele.

Eu estarei esperando você voltar. Você pode demorar dois dias, que nesses dois dias, eu estarei olhando para o horizonte esperando você aparecer. Você pode demorar um mês, eu estarei assim durante esse tempo. Mesma coisa se for um ano. E... Se você morrer, te encontrarei mais tarde. Daí, quem vai ter que esperar é você.

Levantei rapidamente, fiquei sentada na cama e olhando para o chão do meu quarto, mas com pensamentos bem diferentes em minha cabeça. Eu devia querer ter lembranças dele, não fugir delas. Porque mesmo que eu achasse que ele voltaria, ele poderia estar... Morto. Pensar nessa palavra me dava medo e trazia lembranças de meu pesadelo, mas mesmo querendo que ele voltasse eu tinha que pensar nisso também.

E se eu tentasse fugir das lembranças, como eu me sentiria se ele não estivesse vivo, e as recordações do mês mais triste e mais feliz da minha vida fossem apagadas da minha memória? Sinceramente, talvez eu não tivesse mais a metade – porque sei que tenho outros objetivos – da razão do meu viver.

O problema é quando nós não queremos apenas lembranças. E sim a coisa concreta na nossa frente.

Subitamente, senti vontade de sair do meu quarto e ir para um dos lugares que mais me trazia lembranças não só daquele mês, mas de toda a minha vida com Ed. Levantei da cama, desci as escadas e saí porta afora sem prestar atenção na pergunta que vovó tinha me feito. Assim que pisei no gramado verde, resolvi ir correndo para lá.

O lugar, como sempre, ainda era a mesma coisa: o lago raso, algumas árvores grandes e verdes na volta e pequenas flores e cogumelos espalhados pela grama verde. Cada pedacinho do lugar me trazia felicidade e boas lembranças.

Fiquei de pés descalços na grama e pisei na água. Estava terrivelmente fria, como já era esperado, mas não deixava de estar boa. Fiquei ali, chutando a água para cima, caminhando lentamente pela água que ia até quase o meu joelho enquanto pensava em como Edward estaria... Principalmente por causa do automail.

- Preocupada? – uma voz doce me despertou de meus devaneios. Virei para trás e encontrei Al, que se explicou – Vi você sair correndo e resolvi segui-la, me desculpe.

Saí do lago e me sentei encostada em uma árvore. Al sentou ao meu lado.

- Não se preocupe com isso – dei um sorriso leve – Preocupada... Um pouco...

- Winry... – Al se aproximou de mim – Você devia se preocupar um pouco mais com você mesma.

Qualquer vestígio de sorriso sumiu de minha face.

- Não. Eu não devia – respondi secamente, assustando o garoto. Mas eu tinha motivos para ter respondido daquele jeito – Eu nunca mais devo me preocupar comigo mesma.

- Hein? – ele perguntou confuso. Eu suspirei. Não gostava de falar sobre coisas daquele tempo.

- A última vez que eu resolvi pensar em mim – minha voz falhava quando eu me lembrava de épocas mais sombrias – eu quase esgotei a paciência de vocês.

Eu estava falando de minha reação ao descobrir sobre a guerra. Toda aquela depressão, aquele medo que eu sentia... Não fazia muito tempo que eu percebi que aquilo foi por mim. Em todo o momento eu pensei em como eu ficaria se ele não voltasse de lá, o que eu faria depois, por que ele tinha que ir... Era puro egoísmo. O tempo todo pensando em mim, nunca nele. Talvez, se eu tivesse pensado em como ele se sentiria em deixar não apenas eu, mas seu irmão aqui e partir com a chance de não voltar para revê-los... Se eu tivesse tentado ajudá-lo, como eu havia prometido para mim mesma, e não tivesse complicado a vida dele e feito ele se sentir mal... As coisas com certeza teriam sido melhores e mais lembranças boas poderiam ser aproveitadas se...

... Ele não voltasse.

Mas não. O que eu fiz? Esperneei. Chorei. Magoei. Virei um pequeno bebê que dependia de cuidados e atenção constante. Porque apenas pensava em meu próprio sofrimento por causa da guerra que nem ao menos era eu que enfrentaria.

- Isso não é verdade – Al colocou a mão em meu ombro – Você não esgotou a paciência de ninguém.

- Não precisa tentar me consolar, Alphonse – virei meu rosto para o lado, olhando as colinas verde-escuras ao longe – Eu fui um incômodo desnecessário, não fui? Principalmente para o Ed.

- Eu conheço o meu irmão – Al disse, decidido – Ele não te viu como um incômodo e sim como uma pessoa muito importante que estava precisando de alguém. Ele te amava, e quero muito acreditar que ainda te ama e que vai voltar para você. Ed cuidou de você pela própria vontade, porque sentia falta da Winry de sempre, mesmo que essa Winry batesse nele com a chave inglesa. Você sabe que Edward não era do tipo que pensava o tempo todo em si mesmo, não sabe?

- Sim... – respondi com o olhar distante. Eu sinto tanta falta... Olhei para o céu procurando por ele. Quando é que você volta, Ed? Quando é que você vai aparecer aqui novamente? Meus tristes pensamentos foram interrompidos pelos latidos de Den, que tinha nos seguido até ali. O meu querido cão sentou ao meu lado, me olhando com olhos cheios de perguntas.

- Eu vou indo agora... Vai ficar bem aí? – Al perguntou um pouco preocupado. Respondi que sim, então ele foi de volta para casa, me deixando ali com Den.

Fiquei ali um pouco distraída, olhando para o nada enquanto acariciava meu cachorro.

- Sabe Den... – resolvi falar com ele, sem saber se ele entenderia realmente – Eu queria novidades um pouco diferentes de uma carta mandada por ele.

O cachorro virou a cabeça para me olhar. Eu sorri para ele.

- Você também sente saudades do Edward, não é? – eu perguntei, sentindo um nó se formar na minha garganta. Den choramingou em resposta. Algumas lágrimas já caíam pelo meu rosto. Comentei com a voz fraca – Ele realmente é o tipo de pessoa que deixa uma sensação de vazio quando vai embora.

Abracei Den e apoiei meu rosto em sua cabeça, enquanto as lágrimas rolavam. Agora eu entendia o que eu estava sentindo.

Eu esperava por dois anos. Consegui agüentá-los e sobreviver a eles. Mas agora eu já sentia que estava esperando demais. Meu tempo já estava chegando ao limite e eu resolvi achar uma outra forma de combater isso.

É... Acho que seria a melhor coisa a se fazer... Eu pensava enquanto aquela pequena decisão me parecia cada vez mais certa.

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Eu sei, esse capítulo é CHATO! Mas é que eu precisava de uma introdução aos acontecimentos, já que pelo que se percebe no final desse capítulo a história fica mais interessante no capítulo 3. Mesmo assim, espero que não tenha ficado tão ruim D: não quero que as pessoas desistam da minha fic por causa dele D:

Mesmo assim, deixem reviews, ook? Mais uma vez obrigada para quem lê minha fanfic.

Beiijos :*