Algumas horas depois o sol já tinha se posto. Estava na hora de voltar para casa. Chamei Den e comecei a caminhar na direção da mesma.
- Finalmente você voltou – vovó disse da cozinha quando eu entrei. – Com fome?
- Um pouco – respondi enquanto fechava a porta e tirava a coleira do pescoço de Den. Depois, fui para a cozinha e vi que Pinako já tinha posto um prato de comida na mesa. Sentei ali, mas nem toquei na comida. Resolvi ser direta:
- Eu vou para a Central. Quero ter notícias ou até mesmo ver Edward. Cansei de esperar... Pretendo partir semana que vem.
Esperei alguma resposta, mas não tive nenhuma. Vovó continuava lavando os pratos como estava fazendo antes. Isso me irritou, até me irritou mais do que se eu recebesse uma resposta negativa.
Suspirei de forma audível.
- Você não vai dizer nada? – eu perguntei, vendo que mesmo meu suspiro não tinha chamado sua atenção.
- E o que você quer que eu diga? – ela me disse, ainda lavando os pratos. – Quer que eu te proíba? Ou que eu diga que Edward provavelmente esteja morto? Você sabe o que quer, garota. Mas pelo menos eu espero que saiba que a resposta que você receber do exército sobre o Ed pode não ser a melhor.
Sim, eu sabia. Eu sabia que Edward podia estar morto, oras. É claro que eu sabia! Estava muito bem ciente de que eu poderia receber a confirmação disso... Ou até mesmo ser expulsa do quartel da Central quando aparecesse por lá. Mas, maior ainda do que isso era o meu desejo de saber como ele estava. Era confirmar com fontes seguras e escutar por eu mesma: Edward está bem ou ferido ou morto. E mesmo que a resposta seja morto eu arranjaria uma maneira de suportar.
Porém, eu conheço as minhas limitações.
Eu não poderia negar. Mesmo que eu tentasse fugir ou disfarçar, eu sentiria aquela metade de mim que partiu se destruindo. Se ele morresse, seria simplesmente insuportável. Certamente, o meu limite.
- Eu sei o que eu posso ouvir – eu disse, decidida – Sei muito bem que pode ser o que, por toda a minha vida, eu nunca iria querer ouvir. Mas pode ser que eu ouça algo que me dê mais esperanças.
Parei um pouco de falar. Vovó ainda lavava os pratos, mas eu acho que ela não me ignorou. Continuei falando:
- Eu não agüento mais esperar. Passei dois anos completamente calada sobre isso, seguindo uma mesma rotina sem reclamar, sem chorar ou me lamentar. Mas sempre preocupada. Eu não quero mais passar noites acordada por causa de uma chuva insignificante que me faz ter pensamentos terríveis, eu não quero mais ver Al tendo como única diversão brincar com Den, porque perto de mim nada é tão divertido. Resumidamente, eu estou morta por dentro. Eu sinto falta, eu me preocupo, e se as notícias não chegaram, eu mesma vou atrás delas. Porque eu sei que já cheguei a um dos meus limites.
Dessa vez, vovó parou de fazer o seu pequeno trabalho e virou-se para mim, dizendo:
- Faça do jeito que você acha melhor – ela sorria levemente – Acho que você está seguindo seus objetivos da maneira certa.
Era quase como se eu sentisse um peso enorme sendo tirado das minhas costas. Eu não tinha percebido o quanto esse sentimento e essa sensação estavam me sufocando antes. E agora que eu tinha dito apenas palavras simples, elas foram embora. E eu percebi o quanto isso me atormentou durante dois anos sem que eu notasse.
- Obrigada por isso, vovó – eu lhe disse, sorrindo espontaneamente. Dessa vez, ela fez um rosto um pouco surpreso.
-Fazia um bom tempo que você não dava um sorriso desses. – ela me disse, explicando sua expressão.
Eu ri.
- Você vai ver... Eu voltarei puxando o Ed pela orelha. – eu disse, me levantando da cadeira e me espreguiçando – Bem, eu vou tomar um banho agora... Tenho que fazer automails novos para ele amanhã.
Depois de me despedir de Pinako, eu subi as escadas e segui em direção ao meu quarto, Peguei um pijama para vestir depois do banho e já aproveitei para soltar os meus cabelos. Quando saí do aposento encontrei Al, que me esperava na frente da porta do banheiro. Levei um susto daqueles.
- Al! – eu disse meio ofegante pelo susto. Ele não disse nada – o que foi?
- Eu ouvi um pouco da sua conversa com a vovó – ele começou, a voz doce e trêmula que não combinava com a imagem intimidante da armadura de aço – você vai... Para a Central?
Eu apenas assenti. Ele parecer murmurar algo inaudível, com uma voz desesperada.
- Winry... Eu preciso ir com você! – ele exclamou, segurando o meu braço – Por favor... Winry... Eu quero saber do meu... Irmão... O meu único irmão! Eu quero saber como o Ed está... – eu sentia o desespero do Al no braço em que a mão dele estava. Até mesmo ela tremia – Por favor... Me leve para a Central! Eu preciso saber se ele está vivo... Eu...
Eu conseguia ver as lágrimas que Alphonse não era capaz de derramar. Segurei a mão em meu braço, olhei novamente para o "rosto" dele, sentindo o tão comum nó em minha garganta. Eu sabia o que ele sentia, porque eu já me senti assim uma vez. Sabia que seu medo, seu desejo e sua esperança estavam fazendo-lhe mal. E, que acima desses sentimentos, a saudade que ele sentia era tremenda.
Mas isso era o que eu nunca seria capaz de entender. A ligação tão forte entre Ed e Al. O amor fraternal que sempre os fez tão unidos. Porque eu nunca teria um irmão para sentir o mesmo, para me preocupar, para cuidar e amar.
Porque Edward era a família de Alphonse. E Alphonse a família de Edward. Um tinha apenas o outro. E mais ninguém.
Ninguém.
- Al... – eu comecei. Não queria levá-lo para a Central... Porque eu queria levá-lo até o irmão. – Eu acho melhor apenas uma pessoa agüentar o peso da notícia se o Ed...
- Winry, fique quieta! – ele me interrompeu, me deixando pasma – Se ele morrer, não é só um que vai ter que agüentar. São todos que irão sofrer, não só um!
- Eu sei... – suspirei, derrotada. Mas mesmo assim mantive a minha decisão – Eu apenas queria... Ter o meu tempo. Depois eu voltaria com ele para cá... E recomeçaríamos a vida do jeito que ela era antes. Todos juntos.
Eu não disse "Se ele estiver vivo". Porque, por mais que eu não tivesse tanta certeza, era como se eu soubesse que ele estava lá, vivo. Sim, era algo bastante confuso.
- Eu espero... Que isso seja verdade – Al disse, derrotado.
- E será – eu respondi, sorrindo para ele – você vai ver.
Depois, eu o abracei. Eu sabia que ele nada sentiria, mas era uma forma de consolá-lo. Uma forma de demonstrar que estávamos juntos nisso.
Não só nós dois. Voltaríamos a ser as três crianças de épocas passadas.
Um tempo depois, eu me separei dele, sorri novamente e fui para o banheiro.
Antes de ir para o banho, olhei para os meus próprios olhos no espelho. Há muito tempo, eu percebi que faltava algo neles. Os meus olhos "azuis como o mar", como Ed me disse em uma de suas cartas... Já não eram mais tão brilhantes e vivos. Porque uma parte de mim havia partido...
... O que não significa exatamente que nunca mais voltará. Mas enquanto ela não está, faz muita falta.
Eu sorri. Ainda tinham muitas coisas para acontecer. E uma delas não seria a morte de Edward. Eu já havia dito e não cansava de repetir isso: eu tinha certeza que Edward voltaria.
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No outro dia, eu acordei o mais cedo que era possível para mim, vesti as roupas de trabalho, desci as escadas e entrei na salinha onde eu trabalhava com os automails. Depois era só concentração. Peguei um bloco de anotações, caneta, muitas peças de automail e as minhas ferramentas de sempre. Eu calculava, montava... Pensando nele. Porque, como sempre dizem, automail se faz pensando na pessoa.
Eu apenas tentava encaixar peças, montando, corrigindo... Não demorou muito e eu já não tinha mais noção de quanto tempo eu já teria permanecido dentro daquela sala. Para mim, isso não importava no momento. Ali e naquela hora, o que eu apenas faria e me concentraria em um trabalho bem feito e pronto o mais rápido possível.
Sem contar que eu me sentia tão maravilhosamente bem construindo automails. Nem eu mesma saberia descrever. Era algo empolgante que aquecia o meu sangue desde pequena. Além de ser interessante... Uma maravilha. Eu realmente era apaixonada por mecânica. Era como Ed e Al pela alquimia.
Cada vez mais o tempo passava. Os segundos, os minutos, as horas, os dias. Eu não tinha saído de lá e já sentia as conseqüências disso: eu sentia fome, sede e sono. E também, eu sentia que eu precisava de um banho. Mas ao mesmo tempo via o resultado da minha determinação se formando em dois automails perfeitos: uma perna esquerda e um braço direito precisamente calculados para a altura de Ed atualmente. Isso era algo fácil para que eu adivinhasse.
E eu tinha que admitir: eram as minhas melhores próteses! Eu me sentia simplesmente orgulhosa. E cada vez mais esperançosa.
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Mais dias se passavam, e eu ainda fazia as próteses. Mas observando o estado delas aquele seria meu último dia. E eu poderia me alimentar, descansar, me arrumar e partir imediatamente. A única coisa que eu não sabia era quantos dias eu passei construindo as próteses de Edward.
Tentando em vão calcular quantos dias eu passei ali dentro, notei que tinha encaixado a última peça. Estava pronto e perfeito. Senti-me empolgada. Guardei tudo em uma maleta e saí da sala, Indo direto para a cozinha e lá encontrando Pinako.
- Bom dia, vovó – eu disse sorrindo.
- Dia? – ela gargalhou – São três e meia da manhã.
- Sério? –perguntei sobressaltada – Quantos dias...?
- Cinco. – ela respondeu. Eu até que tinha sido rápida. – O resultado foi bom?
- Provavelmente sejam as minhas melhores próteses – eu respondi, orgulhosa de minha façanha.
- Então eu sugiro que você tome um bom banho – Pinako disse. Eu ri e logo depois já estava subindo as escadas, ainda na felicidade de ter finalizado a construção dos automails dele.
Nem parei para pegar a minha roupa. Fui direto para o banho, sentindo a água fresca caindo sobre o meu rosto e meu corpo, levando a sujeira deixada pelo trabalho com os automails embora. Senti que ela levava o que sobrou de minha tristeza e preocupação. Céus, eu poderia ter notícias dele! Eu agia como se eu soubesse que seriam boas notícias.
Saí do banho e peguei meu pijama. Fiquei um tempo o segurando na mão, pensativa, mas logo depois o joguei na cama desistindo de vesti-lo. Eu dormiria durante a viagem, porque agora a única coisa que eu queria era partir para a Central.
Peguei uma mala grande, joguei todas as roupas que me serviriam ali dentro, e mais alguns pertences. Fechei a mala e depois peguei um vestido azul claro para vestir, afinal, eu não sairia para a estação as três da madrugada apenas com uma toalha enrolada no corpo.
Penteei os cabelos e desci com a mala para a salinha dos automails, peguei a maleta com as próteses do Ed e a caixinha de ferramentas. Depois levei tudo para a sala de estar, e bingo. Eu, Winry Rockbell, estava pronta para ir para a Central. No meio da madrugada.
- Vai agora? – vovó estava sentada no sofá da sala. Olhou-me de cima a baixo e depois para as malas. Suspirou – Não vai nem descansar antes...
- Eu vou agora mesmo – eu disse sorrindo. Depois, fui até ela e a abracei – Prometo que eu vou voltar com ele.
- Boa viagem, garota – ela correspondeu meu abraço por um momento e depois me soltou. Peguei as malas e saí porta afora.
Fui caminhando na hora escura, com a lua cheia brilhando acima de mim, deixando apenas uma iluminação fraca e um pouco azulada para o meu caminho. Aquela paisagem melancólica contrastava bastante com o meu humor. Antes ela era uma demonstração feita pela natureza do mesmo.
Depois de andar praticamente sem saber exatamente para onde eu ia, consegui enxergar com um pouco de dificuldade a estação. Comecei a andar mais rápido, ansiosa por chegar, mesmo que provavelmente o lugar estivesse fechado. Mas quando cheguei, vi que estava aberto e que um trem partiria com destino à Central em quinze minutos. Parecia aquela história de que quando você verdadeiramente deseja algo, o universo inteiro conspira para que você consiga.
Entrei no trem e peguei um lugar. Para uma viagem em plena madrugada, estava bem cheio. O vagão em que eu estava já tinha quase lotado.
No início, a única paisagem visível eram árvores, morros e vacas. Típico do interior, era uma paisagem que eu já estava bastante acostumada. Mas não demorou muito para que aquilo me entediasse e eu pegasse no sono
Pela primeira vez, eu não me via no campo de batalha durante uma noite de sonhos. Eu enxergava várias pessoas em volta de algo que eu não conseguia ver. Fui chegando mais perto, curiosa.
Quanto mais eu me aproximava, eu conseguia escutar mais soluços entre as pessoas, o que aguçou ainda mais a minha vontade de saber o que era. Mas agora, eu também sentia medo de saber o que estava ali.
Quando eu vi o que era, senti um aperto no coração.
Uma menininha loira, que não devia ter mais de cinco anos de idade, chorava descontrolada em cima de uma lápide. A cena era tão deprimente, triste... Eu sentia quase a mesma coisa que a menina. Cheguei perto dela e pus a mão em seu ombro. Ela levantou a cabeça para me olhar.
Espantei-me ao ver os seus lindos olhos azuis, que com as lágrimas pareciam realmente um mar. Notei os cabelos loiros e curtos, tão parecidos com os meus quando eu tinha aquela idade. Era como se eu visse uma cópia minha, mas com alguns traços diferentes: o cabelo ligeiramente mais dourado...
- O que foi, querida? – parei de estudar seu rosto e tentei falar com ela da forma mais delicada possível. Eu tinha perdido os meus pais mais ou menos naquela época e sabia muito bem o que era perder pessoas importantes.
Ela me olhava com a mesma expressão triste, as lágrimas ainda correndo pelo rosto. Seu olhar suplicante me partia o coração.
- Você pode salvá-lo? – ela me perguntava com uma voz fina e fraca. Eu não respondi. Ao me ver hesitar, ela me segurou a mão com urgência – Você pode chamá-lo de volta? Por favor! Eu quero que ele volte!
Ela chorava novamente, berrando ainda mais alto do que antes. Lágrimas já teimavam em sair dos meus olhos. Eu nada poderia fazer pela pessoa ali enterrada.
- Quem é que você... – eu murmurei, em uma tentativa meio falha de ajudar.
- Meu papai – ela respondeu entre soluços e mais soluços. Perguntei o nome dele. Ela me olhou nos olhos novamente e respondeu – Edward.
Eu arregalei os olhos. Seria o mesmo...?
O sol já lançava suas primeiras luzes na manhã quando eu despertei no banco do trem. O sonho passou novamente em minha cabeça. Eu teria sonhado com minha filha? Até que ela era parecida demais comigo. Pelo resto da viagem eu apenas permaneci com aquelas dúvidas e com aquele sonho preenchendo meus pensamentos.
Aos poucos a paisagem mudava para uma coisa mais urbana. As montanhas eram substituídas por casas e prédios, as vacas e cavalos por pessoas. Minutos depois e eu já avistava a Central.
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Desci na estação me espreguiçando, sentindo dores pelo tempo que passei dentro do trem. Olhei no enorme relógio que tinha ali na plataforma: eram nove e meia da manhã. Eu estava exausta, então resolvi sair para procurar um lugar para ficar.
- Winry? – ouvi uma voz familiar me chamar logo quando eu saía da Estação. Olhei para trás e reconheci aqueles cabelos castanhos logo de cara.
- Sheska! – fui correndo abraçar a minha velha amiga.
- É você mesmo! – ela comentou, surpresa – O que te traz aqui?
Eu me separei do abraço e fiquei séria.
- Eu queria saber mais sobre... Você sabe. A guerra...
Ela me olhou tristemente.
- Eu sei... Ele foi, não é? Eu não sei muito sobre o que aconteceu – ela me disse. Mas logo depois sorriu novamente – Tem lugar para ficar?
Respondi que ainda não e ela me levou para os dormitórios no quartel da Central, dizendo que eu poderia ficar lá com ela. Abriu a porta para que eu pudesse colocar as malas em um canto.
- Obrigada por isso, Sheska – eu sorri, grata.
- Não se preocupe – ela sorriu amigavelmente – Bem, eu tenho que trabalhar. Vai ficar bem por enquanto?
- Sim...
Ela me olhou atentamente por um momento. Olhei de volta, confusa. Eu estava fazendo alguma cara estranha?
- Você parece meio abatida. Vai ficar bem mesmo...?
Disse que sim rapidamente. Ela se despediu e saiu. Resolvi sair também e ficar andando pelo quartel.
Eu passava pelos corredores e olhava para todas aquelas pessoas, tão calmas que nem parecia que ocorria uma guerra na zona leste do país. Eles estão aqui, calmos, com as suas famílias em segurança. Eles são adultos e com certeza, aptos para uma guerra. Por que Edward teve que ir, e não essas pessoas? Eu pensava, triste e indignada. Foi nesse momento de distração que eu esbarrei em alguém no corredor.
- Desculpe! – eu disse nervosa, vermelha e com os olhos fechados, sem notar a pessoa à minha frente.
- Winry! – era uma voz feminina e também conhecida por mim. Olhei para cima e vi Riza sorrindo para mim.
Fiquei feliz em revê-la. Mas logo depois me lembrei: ela tinha ido para a guerra também, pois era subordinada do Coronel Mustang. Se ela estava aqui...
- Riza?! Você foi para a guerra, não foi? – eu perguntei – O que faz aqui? O Ed também...?
Ela ficou séria.
- Vem comigo – ela disse, pegando minha mão e me levando junto com ela – Eu vou lhe contar o que eu sei.
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Ela tinha me levado para onde parecia ser a sala do Coronel. Colocou-me sentada no sofá e se sentou em uma poltrona de frente para mim.
- Dois anos atrás – ela começou. Prestei atenção somente nela –, nos mandaram uma notificação contando sobre conflitos na região leste. Essa notificação obrigava os subordinados do Coronel e até mesmo o próprio a comparecerem. Só que Falman acabou não indo por problemas sérios de saúde, e no lugar dele Mustang se viu obrigado a convocar Ed. Não o leve a mal, ele queria isso menos do que você, acredite em mim.
"Fomos avisados com um mês de antecedência para podermos passá-lo ao lado dos nossos familiares, antes do dia prometido para nossa partida. Por isso, Ed foi liberado a ir para Risempool e ficar com vocês durante o tempo. E bem, daí vocês que sabem o que aconteceu durante esse tempo, afinal, ele estava com você."
Enquanto ela falava, flashbacks do mês passavam pela minha cabeça. As partes ruins teimavam em ficar ali por mais tempo do que as boas... A última lembrança foi a da partida. E ela ficou ali por um bom tempo. Balancei a cabeça tentando expulsar as lembranças. Poderia pensar nisso depois de ouvir mais sobre a guerra. Fiz um sinal para Riza prosseguir.
- Quando chegamos lá, a guerra já tinha resultados visíveis para os dois lados. O exército perdia um homem a cada três que matavam dos outros. Era uma vantagem minúscula. Mas depois que Ed e o Coronel chegaram, a vantagem subiu para um homem a cada quinze. Edward transmutava armadilhas e armas, e Mustang queimava. Eu via que isso era cruel para o garoto. Ele sofria com a guerra e queria muito sair de lá. Não gostava de ver pessoas morrendo. Eu também nunca gostei, mas tinha que fazer isso. E ele também sabia que teria que matar pessoas lá
"A guerra seguiu assim até três meses atrás, quando fomos atacados de surpresa. Quarenta e cinco dos nossos foram cruelmente mortos em uma noite. Mais de cem ficaram feridos. Eu quebrei a perna, mas agora já está curada. Os feridos que se tornavam inúteis, como eu, foram mandados de volta para a Central."
- Você sabe se Edward se feriu naquela noite? – eu perguntei, nervosa. Porque se ele tivesse morrido, fazia sentido que ele não mandasse mais nenhuma carta... Senti uma onda de pânico se apossar de mim. Não... Ele não podia... Ele tinha prometido que voltaria... Meu coração batia forte e rápido, eu arfava pelo nervosismo e lágrimas já rolavam pelos meus olhos antes de Riza responder:
- Eu não sei sobre o que aconteceu com mais ninguém, só sei que o Coronel também ficou ferido, mas permaneceu na guerra por não ser algo que dificultasse o seu desempenho. Mas sei que Mustang protegeu Ed. Eu consegui ver. Não se preocupe, eu acho que ele ficou bem naquela noite.
Mesmo assim, eu não me sentia nem um pouco aliviada.
- Eu tenho tanto medo de perdê-lo... – eu falava com a voz fraca e rouca, com lágrimas nos olhos. – Eu não quero perder a pessoa mais importante para mim, não de novo... – eu já fungava brevemente.
- Winry... – Riza sentou ao meu lado e passou o braço pelos meus ombros, me consolando – Eu sei como é essa preocupação. Mas ele é um garoto forte, tenho certeza que está bem... E ele vai voltar para você.
Ele era forte. Ele era determinado. Se ele estivesse em meu lugar, provavelmente sofreria em silêncio e acreditaria em mim. Eu sabia disso. E eu também estou confiando em você, pensei. Então, por favor... Não me decepcione.
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Esse cap também é meio parado (e exageradamente gigaante O_O') mas eu espero que vocês gostem dele mesmo assim D:
Obrigada por estarem acompanhando a fic, e gostando, e mandando reviews. Estão fazendo de mim uma pessoa muito feliz *O* verdade :D
