O que fazer, quando não se pode fazer nada? O que fazer, quando se está sem reação? Quando algo lhe fere com tamanha força em seu psicológico, que você quase é capaz de sentir isso fisicamente? O que fazer quando você sente que irá... Quebrar?
Levante-se, eu pensava. Não fique parada aí, sua idiota. Eu estava acordada, mas não conseguia – e nem queria abrir os olhos. Era apenas o fato de que mais uma vez, eu apenas estava tentando fugir da realidade que me era imposta. Eu apenas tinha em mente uma coisa: o que eu poderia ser capaz de fazer se abrisse os olhos?
Mas é claro que eu sabia que a resposta era nada. Por isso, encolhi-me um pouco mais na cama, ansiando por voltar a dormir. Winry, você é uma covarde. Egoísta e covarde.
Minha consciência tocara na ferida. Abri os olhos, engolindo em seco. Podia ver os raios do pôr-do-sol iluminar parte de mim e do meu quarto. Era melancólico pensar que essa iluminação dourada já foi motivo para me levantar e, agora, era um motivo para que eu me encolhesse.
Talvez, eu só servisse para complicar as coisas.
O sol não tinha nada a ver com aquilo. Era apenas um motivo que eu encontrava para não pôr a culpa em mim mesma. Porque eu sabia muito bem que deixei de ajudar Edward não uma, mas duas vezes. Na verdade, na primeira vez, quem precisou de ajuda e meio sem motivo, fui eu mesma.
Na segunda vez eu não merecia a ajuda dele. Na verdade, não merecia a ajuda de ninguém em nenhuma das vezes. Se eu quisesse esquecer aquilo, ou tentar ajudar, ou até mesmo ignorar, eu tinha que fazer sozinha. Sempre...
... Sozinha.
Levantei da cama e fui em direção a janela do quarto. A discussão que tive com Edward, provavelmente algumas horas atrás, estava detalhadamente gravada em minha memória. Agora, eu tratava de revê-la como um filme em minha mente. Abri a janela de forma violenta, e o vento forte que entrou por ela foi como um tapa na cara.
Algo que eu realmente merecia. Porque eu era egoísta demais.
Não tinha sido capaz de reconhecer meus próprios defeitos. Achava que tudo aquilo tinha a ver comigo. Na verdade, pensei nessa possibilidade como a única possível. Achei que pudesse ter mudado algo depois daquele dia tão distante, em que eu ergui a cabeça depois que Ed tinha me ajudado. Ele me entendera, ele me ajudara. Eu não tinha sido capaz de entender absolutamente nada e acabei por decepcioná-lo. Na verdade, durante a guerra, eu sofri por mim, não por ele. Eu tinha sido cegada pelo meu próprio egoísmo.
Cega... Olhos...
Eu me encolhi com a lembrança dos olhos dele. Talvez eles fossem a peça do quebra-cabeça que parecia estar no lugar errado. Talvez tivesse sido aquilo que me incomodava em Edward desde que ele retornara. Olhos cheios de tristeza, repressão, amargura, raiva e lembranças sangrentas.
Sangrentas, como a coloração vermelha das poucas nuvens presentes no céu ao pôr-do-sol. Triste como o fim de um dia, como a lua solitária, que logo poderia ser avistada em um céu negro. Era como um sol abatido, para sempre marcado por traumas, temores e lembranças amarguradas.
Era isso que eu enxergava ao mirar o enorme sol dourado, agora suspirando por uma última vez. Era isso que eu pensava ao sentir a brisa bagunçar meus cabelos e acariciar meu rosto.
Eu tinha descoberto tarde demais o verdadeiro problema dele. Eu tinha sido burra por não ter ligado os fatos. Porque foi só ele voltar da guerra que eu a esqueci completamente. O que significa que as coisas que Gracia me falara entraram por um ouvido e saíram pelo outro.
Por mais que no início seja difícil, não desista de Edward. Ele precisa de você mais do que nunca.
- Sabe, Gracia – murmurei para o vento, para o sol que partia lentamente – Acho que você quis dizer que "ele precisa de distância de você mais do que nunca" – minha voz falhara ao dizer a palavra "distância". Baixei a cabeça – Porque você, Winry – comecei a rosnar para mim mesma, fechando o punho -, é sonsa demais para ajudar alguém quando essa pessoa realmente precisa.
Eu queria pelo menos dizer para Ed que eu tinha percebido finalmente pelo que ele passava. Pelo menos queria que ele soubesse que eu o entendia de certa forma. Eu queria dizer isso ao Ed antes que ele partisse para continuar a sua busca pelo corpo do Al, seu braço e sua perna. Queria que ele soubesse que eu estava ciente que era uma egoísta e uma covarde.
Aqueles foram os únicos motivos que me fizeram levantar da janela e sair do quarto, procurando-o pela casa.
Mas não encontrava Edward em parte nenhuma do segundo andar, nem Alphonse. O sol já sumira do céu, e agora o azul turquesa do dia escurecia cada vez mais. Talvez...
Desci as escadas quase correndo, certa de que o encontraria exatamente na hora em que ele partiria. Procurei pela cozinha e até pela sala onde eu e vovó trabalhávamos com os automails, mas não tinha nenhum sinal, nem de Edward, nem do irmão. Caminhei lentamente até a sala, já sem esperança alguma. E também não havia ninguém na sala.
Atravessei o aposento, indo em direção à porta de entrada instintivamente. Pousei a mão e girei a maçaneta fria, depois puxei, abrindo a porta. Como era de se esperar, não tinha nada além da relva que parecia negra, pela pouca iluminação.
- Eles partiram vinte minutos atrás. – disse Pinako, aproximando-se de mim.
Quaisquer reações que eu pensei que teria ao ouvir isso foram frustradas - Entendo... – comecei a caminhar para fora da casa, sem reação alguma, e sem esperar por mais nada que vovó falasse. A dor que eu parecia sentir fisicamente quando Edward me dissera palavras grosseiras parecia voltar com toda a força – Então... É assim que isso vai terminar? – perguntei baixinho, a voz esganiçada, sem me preocupar se vovó me ouviria.
Pelo menos Pinako era capaz de entender quando eu queria – ou quando eu precisava ficar sozinha. Pude ouvir a porta se fechando logo atrás de mim.
Continuei caminhando, olhando para a abóbada celeste e estrelada acima de mim, enquanto um vazio tremendo tomava conta. Eu não tinha tido a chance de melhorar as coisas, eu não pude conversar direito, eu não soube entendê-lo. E agora, dependendo de como a jornada deles terminaria, eu poderia ter perdido tais chances para sempre.
E tudo foi culpa minha.
Minhas pernas cederam e eu caí de joelhos no gramado, que se estendia por todo o relevo, entre as árvores, até onde a vista podia alcançar. Eu não me permitia chorar, por mais que só tivesse forças e motivação para isso. Eu não iria chorar. Para mim, seria como sentir pena de si mesma, e eu não era motivo de ter pena. Repulsa era melhor do que isso.
Às vezes, pensamos que agindo de determinada forma, ou simplesmente dizendo, perguntando ou cobrando algo de alguém, estamos tendo êxito em ajudá-la. Apenas para logo depois percebermos que estamos fazendo tudo tornar-se redondamente errado. Dependendo da maneira como você pensar que está entendendo-a, perguntará algo relacionado com suas idéias. Isso pode acabar por magoar alguém, e o que poderia terminar bem, acaba por terminar mal, ou até mesmo da pior maneira que se pode encerrar. Pelo menos era isso que eu pensava, naquele momento. Eu tinha feito tudo errado e agora, sofria as conseqüências.
Não uma, e sim duas facadas no peito. Eu realmente sentia dor por isso.
Nunca tinha sido capaz de fazer algo por ele. E ele sempre ficara ao meu lado quando eu precisei, como um companheiro, como um amigo.
De vez em quando, pensei. Parece que eu apenas sirvo para fazer ou dizer alguma coisa, e me arrepender depois.
Abracei meus joelhos sujos de terra e fiquei ali, contemplando a lua pálida. Era algo nostálgico, que me fazia lembrar das palavras de Alphonse: Ele não te viu como um incômodo e sim como uma pessoa muito importante que estava precisando de alguém. Ele te amava, e quero muito acreditar que ainda te ama e que vai voltar para você. Ed cuidou de você pela própria vontade, porque sentia falta da Winry de sempre, mesmo que essa Winry batesse nele com a chave inglesa. Você sabe que Edward não era do tipo que pensava o tempo todo em si mesmo, não sabe?
- Seria isso mesmo, Al? – perguntei para a silhueta redonda e brilhante no céu – Quanto a isso, eu não sei o que pensar. Quando você disse que ele não me considerava um incômodo... Você tinha sido sincero comigo, ou foi apenas uma forma de consolo?
Tinha sido sincero... Ou um consolo? Eu não sabia mais no que acreditar. Abracei meus joelhos com toda a força. Está tão... Frio... Pensei ao sentir uma brisa gelada agitar meu vestido e meus cabelos soltos. Talvez por culpa do início do outono, ou até mesmo pela tremenda sensação vazia que tomara conta de mim.
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À primeira vista, eu era quase um monstro.
Durante as três últimas semanas, parecia que eu tinha voltado a mergulhar em um lugar escuro e amargurado, uma vida sem nenhuma socialização ou verdadeira vontade de viver. Poderia ser mais uma reação demasiadamente exagerada, mas era a maneira que eu encontrei de não fugir mais da realidade. Já fizera isso vezes demais, e era hora de parar.
Embora eu quisesse muito ter a possibilidade de dizer certas coisas para Edward, eu não me permitia ir atrás dele em momento algum. Talvez, uma forma de me punir por ser tão idiota. Ou alguma coisa do gênero.
Eu vivia todos os dias tediosos da mesma forma. Na verdade, tudo o que eu fazia era apenas para não ficar tão entediada. Não achava muito conveniente tentar explicar a minha situação para Pinako, ela provavelmente pensaria que eu tinha algum tipo de problema mental.
Pelo menos, eu pensava que não era tão louca. E também não fiz drama... Pelo menos não chorava pelos cantos, não deixava de satisfazer minhas necessidades... Apenas uma coisa imparcial, inexpressiva, tediosa. Algo um pouco triste para quem olhava, mas nada para me tornar motivo de pena.
Era a forma que eu encontrava de pagar pelos meus erros bestas. Apenas isso.
Tinha acabado de construir um automail. Coloquei-o cuidadosamente no canto da pequena salinha de trabalho, peguei mais materiais e comecei a produzir outro. Como uma máquina. Pelo menos, era bom. Um pequeno tempo em que eu poderia apenas pensar no que estou fazendo, no meu amado trabalho.
Ouvi a porta se abrir lentamente atrás de mim – Já terminou aquele automail? – vovó me perguntara.
- Sim – respondi automaticamente, sem tirar os olhos ou a atenção das peças à minha frente. Pinako pegou a prótese de um braço que eu tinha posto ali e ficou parada. Apenas senti seu olhar em minhas costas por um momento, mas depois ela saiu da sala.
- Quero falar algo sério com você depois, Winry – disse ela, antes de fechar a porta.
Aquele ultimato repentino tinha sido uma novidade suficientemente assustadora para me fazer levantar a cabeça e ficar olhando, confusa, para a porta. Vovó nunca me perguntara nada, nem pedia para conversar sobre "algo sério" comigo. Talvez fosse realmente sério.
Mas, por enquanto, era hora de me concentrar em meu trabalho. Pinako falaria comigo depois de atender o cliente que estava sentado na sala. Na verdade, concentrar-se ouvindo gritos dolorosos vindo da sala de sua própria casa é algo meio difícil, principalmente pelas lembranças que isso me trazia. Apenas continue o automail, Winry...
Os gritos tardaram a cessar. Mas, pelo menos, eles tinham parado. Pinako entrara novamente na salinha – Ele já foi embora – vovó falou da porta. Apenas assenti com a cabeça em resposta – venha para a cozinha, Winry – ela disse afastando-se.
Apenas soltei um suspiro pesado e larguei o esboço de automail que eu tinha recém começado. Tirei as luvas sujas de graxa, joguei-as em um canto qualquer e saí da salinha escura, caminhando até a cozinha.
Ao adentrar, pude ver vovó sentada na mesa – Espere um momento – disse, enquanto ia até a pia lavar as mãos. Embora não precisasse. Talvez, meu subconsciente soubesse do que se tratava aquele pedido repentino por diálogo, e estivesse encontrando uma forma de atrasar as coisas.
- Winry – Pinako não esperou que eu sentasse à mesa em frente a ela para começar a falar – Se você está se torturando tanto pela partida do Ed, por que ainda está aqui?
Eu nunca me senti tão irritada com a vovó em toda a minha vida. Fechei a torneira com força e me virei para ela – Eu não estou me torturando! – rosnei – E também... Eu não me sinto mal pela partida dele.
Vovó não parecia nada surpresa - Você está se torturando sim. E você se sente mal sim. Qualquer um consegue ler essas emoções em seus olhos. Embora eu ainda não saiba o que tenha acontecido para você estar desse jeito. Poderia me contar? – ela me perguntou com calma, completamente oposta a mim, que estava visivelmente irritada com aquele assunto.
Não respondi. Tentava me acalmar, respirando fundo, fechando os olhos, sem tão bons resultados. Aquele era um assunto que eu preferia não tocar, exatamente pelo motivo de me deixar com raiva. Raiva de mim.
Sentei à frente de Pinako na mesa, esperando que conseguisse me recompor – Eu não quero falar sobre isso... – murmurei – E você não me entenderia.
Pinako suspirou – E você acha que alguém conseguiria entender você agora? Pelo menos poderia tentar me contar. Pode ser que eu consiga ter uma idéia do que aconteceu, não acha?
Desviei o olhar para os riscos e marcas na madeira da mesa, tentando esconder as emoções que poderiam ser vistas nele – Não foi nada de mais, vovó. – falei sem emoção alguma presente em minha voz - Apenas uma discussão insignificante que eu tive com Ed antes que ele... partisse.
- E por que, exatamente, vocês discutiram? – ela perguntou. Não respondi nada. Senti Pinako aproximar-se de mim por cima da mesa – Winry? Responda.
Apertei tanto meu punho naquela hora que provavelmente tenha perfurado a carne da palma de minha mão – Eu não quero falar sobre isso! – exclamei, com a voz vacilante. Senti, na verdade, que eu estava fraquejando, e a primeira prova disso foram meus olhos marejados. Levantei-me da mesa em um salto e caminhei rapidamente em direção às escadas. Queria ficar sozinha em meu quarto, apenas isso.
- Pode ir, Winry – a voz de Pinako vinha da cozinha, alta o suficiente para que eu ouvisse, e bastante despreocupada como normalmente – Apenas não irá resolver nada ficar no seu quarto pelo resto da vida.
Não resisti à imensa vontade de voltar para a cozinha. Aquilo sim estava me torturando – Por que isso agora? – perguntei, engolindo o nó na garganta – Você sempre me deu liberdade para agir da forma que eu bem entendesse, e nunca interferiu em nada, principalmente no meu relacionamento com Edward. Por que logo agora você resolve me atormentar com essas perguntas?
Pinako acendeu o cachimbo – Entenda, Winry – disse enquanto fumava -, eu sempre dei liberdade a você, porque eu sei que age de forma responsável. Mas não pense que eu não me preocupo. Até porque você é minha neta, e está agindo de uma forma estranha a tempo demais. E agora, você pode muito bem ir falar com Edward na Central, porque ele não está em guerra alguma. É só você pegar um trem e pronto.
Mordi o lábio e fechei os olhos – É essa parte que eu digo que você não entenderia – disse, por fim – Eu não quero ir para a Central falar com ele, por uma série de motivos.
- Você quer falar com ele sim – Pinako rebateu, dando mais uma tragada no cachimbo – Seus olhos estão dizendo isso, Winry. O que está esperando?
Eu teria perdido? Só sabia que minhas pernas fraquejaram e novamente eu estava de joelhos, sentindo uma tristeza tremenda se apossar de mim, a mesma tristeza que com a ajuda do tédio, eu conseguira reprimir durante três semanas – Na verdade... – murmurei, fraca, olhando para o ladrilho branco do chão – Queria poder pelo menos ter certeza que ele tenha ciência de que agora eu sei que estava... completamente errada. Não, não é só isso... Eu queria poder estar ao lado dele agora.
Pinako parecia satisfeita ao levantar-se da cadeira e sair da cozinha. Mas, antes disso, ela parou ao lado de onde eu estava – Não vou te perguntar o que aconteceu naquele dia, porque não me interessa, e você obviamente não gostaria de falar. – ela me disse, inexpressiva, despreocupada, como sempre - Mas, se isso ajuda, eu diria que ficar aqui não adiantaria em nada, nem para você, nem para o que deve ter acontecido entre ambos. Levante-se, vá atrás de Edward, fale o que você quer falar para ele. Não seja tola ao ponto de apenas ficar se deprimindo aqui. – dito isso, Pinako saiu da cozinha.
Levantei do chão e me virei para as costas dela – Obrigada, vovó.
Pinako parou de caminhar e deu mais uma tragada no cachimbo – Essa foi a primeira e última vez que eu vou aconselhar você a fazer algo.
Uma resposta bastante esperada. Sorri para ela e voltei ao meu quarto para preparar as coisas. Partiria para a Central no primeiro trem que aparecesse depois daquilo.
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O sacolejar do trem ao parar na estação da Central me acordou. Abri os olhos e vi pela janela a já conhecida parada. As pessoas dos outros vagões já se levantavam para sair e, ainda meio grogue, eu fiz o mesmo. Peguei minha mochila e saí para a rua, olhando para o céu cinzento. O chão molhado denunciava que tinha chovido na cidade, e as nuvens mostravam que provavelmente choveria de novo.
Agora, minha prioridade era chegar ao quartel da Central. Caminhei pela rua movimentada, o clima abafado tomava conta do ambiente. Não me lembrava muito do caminho, mas com paciência eu conseguiria chegar ao meu destino.
Tinha medo da reação de Edward quando me visse. Tinha medo até que ele não me deixasse chegar perto, como tinha feito comigo no dia que foi embora. Morria de medo que ele me mandasse embora antes mesmo que eu tivesse a chance de vê-lo. Tais pensamentos me faziam procurar ainda mais desesperadamente pelo quartel.
Mas eu não lembrava o caminho de jeito nenhum. Tinha parado em uma viela escura e bem menos movimentada do que a avenida onde ficava a estação de trem. Da outra vez que eu tinha vindo para a Central, não me lembrava de ter passado por aquele lugar com Sheska.
Virei para o outro lado, tentando voltar para a estação de trem. Senti gotas atingindo meu rosto e meus ombros; estava começando a chover. Eu estava quase definitivamente perdida na cidade Central.
No final, parei em outra avenida, já mais movimentada. A chuva começava a se intensificar. Eu nem ao menos sabia onde estava, e a chuva caía com força... Só me restava parar em algum lugar seguro.
Mas isso não seria preciso.
Pelo menos, foi isso que eu pensei ao avistar tranças douradas e uma capa vermelha um pouco mais adiante. Edward.
Corri ainda mais rápido do que quando descobri que ele retornara da guerra – Ed! – eu gritava, mas minha voz era abafada pela chuva forte e pelas pessoas na rua, que caminhavam rapidamente tentando chegar a um local seco – Edward! – gritei novamente. As pessoas à volta me olhavam.
Dessa vez, ele ouvira.
Logo mais à minha frente, Ed virava-se para trás, por ter escutado meus gritos. Quando me viu correndo na sua direção, os olhos dourados arregalaram-se – Winry...?
- Edward! – parei de frente para ele, olhando-o séria. Vi que ele me encarava da mesma forma, mas com um "ar" a mais, como se perguntasse o que diabos eu fazia ali, na cidade Central, no meio do asfalto e durante uma chuva forte. Engoli em seco – Edward, eu vim aqui para falar com você, e não para ser mandada de volta para Rizempool. – minha voz vacilou um pouco. Tive que respirar fundo para continuar – Eu sei o que eu sou. Eu sei que eu fui um monstro, eu sei que eu sou um monstro. Também estou ciente de que vocês precisam continuar a busca pelos seus corpos, tanto que eu não vim até aqui para arrastar você e Al de volta para Rizempool. Eu... Eu vim aqui para tentar te entender, e para isso, tenho que lhe perguntar uma coisa.
Parei de falar e fitei os olhos dourados de Edward, agora cheios de confusão. Os traços amargurados e violentos de seus orbes agora não me pareciam tão explícitos como naquele dia.
Mesmo assim, aqueles olhos pareciam me intimidar, de forma que eu não falasse nada. Porém, as palavras de Gracia voltaram mais uma vez à minha mente. Por mais que no início seja difícil, não desista de Edward. Ele precisa de você mais do que nunca.
- Ed... – engoli em seco, desviando o olhar para a poça de água que se formara pela chuva – O que... O que aconteceu na guerra? Digo... O que você teve que fazer?
Edward ficou ainda mais estático e calado à minha frente. Pude ver uma tristeza profunda transparecendo em seu olhar, logo depois seguida por seriedade. Segurou-me pela mão e começou a me conduzir a algum lugar – Vamos para o alojamento do exército onde eu estou hospedado – ele murmurou – A história é meio longa, e está chovendo.
Apenas concordei. Mas, no fundo, me sentia satisfeita por Edward ter me permitido ouvir o que ele tinha para dizer sobre a guerra.
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Voltei, gente!
Próximo cap, vai ter uma pequena diferença: vai ser todo flashback no POV do Ed :D
Eu iria postar o cap ontem, mas eu tive problemas com o meu PC. Por hoje, é isso
Beijão gente, obrigaada por lerem a fic! *-*
