Olá, cá estou eu para publicar mais um capitulo desta maravilhosa história, mas fico triste por só ter recebido um comentário. Mas agradeço imenso há Estrela Lunar, espero que continue acompanhando.
Esclarecimentos:
Como sabem Sailor Moon não me pertence, pertence sim a Naoko Takeuchi.
E esta linda história também não me pertence, pertence a Tuca Hassermann.
Espero que gostem de a ler como eu gostei. Quero simplesmente a da-la a conhecer mas com os nomes dos meus personagens favoritos.
O Príncepe e a Plebéia
Enjoi.
CAPÍTULO 2
Usagi Baker subiu até seu apartamento pela escada de incêndio e saltou para a sacada do quarto. Não queria que ninguém a visse chegando àquele horário.
Era perita em entrar e sair de qualquer ambiente sem ser vista. Aprendeu essa e muitas outras habilidades semelhantes no orfanato onde viveu até os nove anos, e as desenvolveu ao máximo nos doze lares adoptivos que teve, desde então, até se tornar maior de idade.
Seus pais, viciados em drogas, morreram muito cedo, deixando desamparados Usagi e seu irmão caçula, Shingo. Desde que saíra do orfanato, ela lutava por descobrir o paradeiro do irmão, sem sucesso.
Essa era uma das grandes metas de sua vida: achar seu irmãozinho, que fora levado para longe dela ainda bebê. Dali a dois meses, Shingo iria completar dezoito anos, Se estivesse ainda no orfanato, teria de sair de lá, por ter atingido a maioridade. E para onde ele iria?
Bobagem minha, ela se dizia pela enésima vez. Claro que Shingo foi adoptado. A esta altura deve viver com uma família amorosa, e talvez nem saiba que não é filho legítimo. Afinal, era apenas um bebê quando nos separamos.
A primeira providência de Usagi, ao se ver livre para tomar as rédeas de sua existência, foi buscar por Shingo Baker na internet. Encontrou diversas referências, mas nenhuma se encaixava no perfil de seu irmão. Portanto, era evidente que ele mudara de nome.
Sem acender as luzes, Usagi guardou no fundo falso do anuário a mochila que trazia. Com suas parcas economias conseguira abrir uma pequena loja de variedades, como costumava dizer. Ali ela vendia desde alfinetes e novelos de lã até relógios de grife e jóias caríssimas. Esses últimos, no entanto, se mantinham guardados a sete chaves, e só estavam disponíveis para clientes muito especiais — que faziam encomendas de vulto por conhecer o lado negro de Usagi.
Suspirou, muito satisfeita. Conseguira burlar o sistema de segurança de uma joalheria bastante conceituada em Manhattan, e as peças que roubara eram de excelente qualidade. Dwane ficaria surpreso e mais contente do que nunca quando recebesse o que pedira.
Usagi pegou o telefone.
— Seiya? Sou eu. O preço subiu, não é mais aquele.
Com toda a paciência, escutou as recriminações e os impropérios do outro lado da linha.
— Encontre-me amanhã na loja. Estarei lá às sete e meia. Você verá o que eu trouxe, e se achar que o que quero é excessivo, basta não pagar. Tenho certeza de que Lousada…
Seiya a interrompeu.
Usagi sorriu. Bastava citar o nome do concorrente para que Seiya se tomasse mais simpático.
— Não, Seiya, não pretendo arrancar sua pele. Que serventia ela teria para mim? Vamos, pare de choramingar. Quantas pessoas com minha competência você conhece? Tem de pagar de acordo, portanto — ela olhou para as unhas. Precisava ir à manicure com urgência. — Primeiro, dê uma olhada na mercadoria. Depois, diga o que acha. Às sete e meia, amanhã, não se atrase.
Desligou, tirou com certa dificuldade o macacão preto que se colava a seu corpo e foi tomar um banho de banheira, para tirar a tensão dos músculos. Jogou sais na água e mergulhou até o pescoço.
Se tudo continuasse caminhando tão bem, em breve teria um património invejável.
No entanto, Usagi não era boba. Jamais caiu na tentação de ostentar que tinha dinheiro. Seu apartamento era bom, mas simples e num bairro modesto, longe do centro de Nova York, e seu carro era popular. Tudo de acordo com os rendimentos de uma dona de loja pequena que vendia quinquilharias.
Usagi era uma sobrevivente, e não via problema algum em lançar mão de tudo o que estivesse a seu alcance para abreviar o tempo para conseguir independência financeira.
Era uma ladra; e das boas. Contudo, tinha sua ética. Nunca roubava dos amigos ou de pequenos comerciantes. Costumava até, dentro do possível, se informar se o dono da joalheria que ela visava tinha algum caso de doença ou problema sério na família. Se tivesse, ela o poupava.
De todo modo, lógico, se fosse pega, nada disso seria levado em consideração em seu julgamento. Ela não tinha ilusões a esse respeito. Sabia muito bem que seria condenada a muitos anos de prisão.
Mas o risco valia a pena. Por seus cálculos, muito em breve poderia se estabelecer com total honestidade. Amava jóias, e queria muito viver cercada delas, comprá-las e vendê-las, usá-las e admirá-las sem medo.
E seu gerente seria Shingo. Pagaria a ele um excelente salário, e os dois seriam compensados por toda a tristeza, o desamor e a insegurança que tiveram de enfrentar ainda tão pequenos.
De repente, Usagi ficou triste. Se morresse naquele instante, ninguém daria por sua falta. Era absolutamente só no mundo. Sim, havia Shingo, mas seu paradeiro era ignorado.
— Ah, pare de sentir pena de si mesma!
Aborrecida com seu momento de fraqueza, ela se levantou, enrolou-se na toalha e foi secar os cabelos.
Maata, naquela manhã, escolheu um vestido preto, sóbrio. Era muito jovem, e seu nariz arrebitado lhe dava um ar de adolescente. No entanto, era absolutamente necessário que passasse uma imagem de profissional séria. Nenhum joalheiro que se prezasse haveria de querer fazer negócios com uma garota recém-saída da escola, como sua aparência fazia crer que ela era.
Tinha recursos mais que suficientes para abrir a própria joalheria. Porém, bastaria que fizesse isso para Mamoru encontrá-la. E as instruções de Luna haviam sido muito claras: manter o irmão fora de Nakabir, e tão concentrado em achá-la que não teria tempo para se preocupar com os rebeldes em seu país.
Mas nem por isso Maata iria perder a oportunidade única de tentar alcançar sucesso com suas criações. Suas peças eram belíssimas, e seu desenho oriental, muito original. Tornar-se uma designer respeitada e famosa no mundo todo era mera questão de tempo.
Tinha hora marcada com o sr. Zoicite Davidovitch. Havia três meses que aguardava por aquela entrevista; na certa por isso se sentia tão nervosa.
Num estojo apropriado acomodara as melhores peças que trouxera consigo. Como viajara em um dos jatos da família, não houve problema em trazer tudo o que quis. Desse modo, teria condições de mostrar ao sr. Davidovitch uma coleção estupenda de colares, anéis e pulseiras para que fosse vendida em consignação em sua loja.
Terminando de aplicar o batom, Maata se mirou no espelho com os olhos brilhando. Tudo de que não precisava na vida era dinheiro. Como princesa que era, não havia bem material na face da terra que ela não pudesse ter. Mas isso não bastava. Era uma artista, e queria ser reconhecida por seu valor como tal.
Respirou fundo, apanhou a grande bolsa dourada, guardou nela o estojo com as jóias e chamou um táxi. No fundo do coração sentia que, dali em diante, nada mais seria como antes.
— De fato, srta. Faraj, estou encantado com suas peças. É difícil acreditar que uma moça tão novinha tenha tamanho talento.
O sr. Zoicite Davidovitch tinha uma reputação a zelar. Muito antes de o mundo ter ouvido falar pela primeira vez sobre os diamantes de sangue, ele já se recusava a adquirir pedras procedentes das zonas de conflito africanas. Por isso, ao ver aquela quase criança — embora refinadíssima e autoconfiante como uma rainha — sentada a sua frente, mostrando-lhe aquelas jóias fabulosas e afirmando que eram suas, ficou desconfiado.
A procedência das pedras, porém, era garantida. Ela lhe mostrara os documentos, que pareciam estar em ordem. De todo modo, teria de ser cuidadoso. Se a linda jovem fosse uma ladra cinco-estrelas, ter seu nome associado ao dela em manchetes de jornal poderia arruiná-lo.
— Eu me dedico à fabricação de jóias desde criança, sr. Davidovitch.
Não podia ser verdade. Apenas pais absurdamente ricos dariam ouro e pedras preciosas para sua filhinha brincar.
Maata compreendeu que falara demais, e se apressou em remediar:
— Na época eu utilizava latão e cobre, claro. Todas as minhas amigas na escola tinham pelo menos uma peça minha; nenhuma delas resistia — e esboçou seu mais lindo sorriso.
Zoicite retribuiu. Aquela mocinha o fazia se lembrar de sua neta, por sua meiguice.
Naquele momento, uma cliente entrou, olhou ao redor e se dirigiu ao atendente, na mesa ao lado da de Zoicite. Com um simples relance, o joalheiro viu se tratar de alguém de estirpe. A linda morena se movia com a graça e elegância de um guepardo.
Era alta, de olhos escuros — de um azul profundo —, cabelos muito pretos e altiva como poucas. Disse algo ao funcionário, que se afastou por instantes para ir buscar o que lhe foi solicitado.
Ela colocou a bolsa na outra cadeira e, com muita discrição, observou por não mais que três segundos as peças de Maata. Arqueou de leve uma sobrancelha e se voltou para o atendente, que acabara de retomar.
— Façamos o seguinte, srta. Faraj. Guardarei suas jóias em meu cofre e entrarei em contato com alguns clientes meus. Se eles demonstrarem interesse e eu fizer a venda, eu lhe telefono, e aí sim poderemos pensar em um catálogo e talvez até em exclusividade. O que acha?
— Concordo, sr. Davidovitch. Acho justo.
— Ótimo. Aguarde-me um instante. Registrarei todas as peças e lhe darei o documento referente — Zoicite se virou para o computador e começou a digitar.
Maata, sem conter a alegria, virou-se para o lado e sorriu para a cliente morena, que fez um leve e desinteressado aceno de cabeça.
— Aqui está, senhorita. Espero entrar em contato, em breve. De todo modo, esteja à vontade para me ligar quando quiser.
— Agradeço muito, sr. Davidovitch. Até logo.
Naquele instante, a cliente efetivava a compra de um anel de ouro com água-marinha, uma peça bonita, mas não muito cara, que pagou em espécie. Zoicite fechou o estojo com as jóias de Maata e foi para o cofre.
Assim que abriu a enorme porta, um arrepio subiu-lhe pela espinha.
Usagi Baker entrou em casa e guardou sua mais nova aquisição. Comprara o anel sem nem mesmo avaliá-lo direito. Sua cobiça se dirigira toda para as jóias que a garota loira oferecia a Zoicite Davidovitch.
Assim que as viu, apaixonou-se. E decidiu: faria sua visitinha noturna à loja de Zoicite, pegaria a mercadoria, mas não entregaria a Seiya aquelas maravilhas. Seiya não passava de um atravessador, que arrancava as pedras das peças e derretia o ouro para vender. por isso nunca fora pego. Ganhava fortunas com esse comércio. Usagi não podia reclamar dele, que lhe pagava muito bem pelo risco que corria. De todo modo, nada do que ela encontrasse no cofre de Zoicite Davidovitch que tivesse sido confeccionado pela belezinha platinada iria para as mãos hereges de Seiya. Permitir que aquelas jóias fossem destruídas seria um pecado punido com a danação eterna.
Não, nada disso. Mesmo que só pudesse vir a usá-las dali a anos, pouparia as jóias e as garantiria para si.
Usagi abriu a janelinha do banheiro da joalheria sem fazer ruído. Passou uma perna para dentro, depois a outra, virou-se de barriga para baixo e saltou para trás. Como sempre, alcançou o chão com a precisão de um gato.
Foi até o escritório particular de Zoicite e parou no corredor ao ver a luz sob a porta. Alguém falava lá dentro. Aproximou-se e se pôs a ouvir. Zoicite conversava ao telefone, transtornado:
— Não me diga uma coisa dessas, querida. Tudo dará certo. Nosso menino vai encontrar o doador a tempo e ficará bom.
Usagi franziu o cenho.
— Beatriz, todo o dinheiro que entra nesta joalheria tem servido para dois propósitos apenas: pagar aos funcionários e cuidar da saúde de nosso filho. Por que acha que ainda não fui para casa? É meia-noite e meia, ainda não jantei… Não, não estou reclamando. O que digo é que nada no mundo é mais importante do que a saúde de Ivan — Zoicite suspirou. — Eu sei, amor, todos nós nos prontificamos a ser doadores, mas não somos compatíveis. Se ao menos soubéssemos por onde andam os pais biológicos de Ivan…
Droga! Este meu coração mole ainda vai me levar à ruína! Usagi ia voltando para o banheiro, desistindo do roubo, quando teve uma idéia. Assim, escondeu-se embaixo de uma escrivaninha em outra sala, para aguardar até que Zoicite fosse embora.
Duas horas depois, Usagi fazia alguns alongamentos no carpete da Joalheria Davidovitch. Ter ficado encolhida por tanto tempo sob a mesa, aguardando que Zoicite — enfim! — fosse para casa, fizera suas pernas formigar.
Acendeu a lanterna, desativou o sistema de alarme que Zoicite acabara de ligar e foi abrir o cofre — outra de suas especialidades. Meu Deus!, não pôde deixar de exclamar. Os negócios vão bem, Beatriz. Logo, logo seu filho poderá fazer tratamento em Marte! Em segundos encontrou as jóias da garota morena e as enfiou na mochila, sem apanhar mais nada. Fechou o cofre e, ao passar diante da sala de Zoicite, sem entender direito por quê, teve vontade de dar uma olhada lá dentro.
Ligou o computador, e com muita facilidade achou o endereço da srta. Faraj.
Maata Faraj… Sem dúvida um nome árabe. Fez as anotações que queria — quantas outras jóias maravilhosas devia haver na casa dela? — e, ao erguer a cabeça, deparou com um porta-retrato.
Na foto, Zoicite Davidovitch abraçava uma senhora, decerto Beatriz, e uma mulher de seus quarenta anos. Agachado diante deles, um adolescente sorria largo. Aquele devia ser Ivan, o filho que precisava de transplante.
Usagi apanhou o porta-retrato e respirou fundo. Uma família completa. Ivan nem imaginava como era feliz por ser tão amado.
Zoicite se referiu aos pais biológicos dele… Pela idade, Ivan poderia ser Shingo. Bobagem! Quais as chances de uma coincidência dessas acontecer?
Apanhou a mochila e a lanterna, tornou a ligar o sistema de alarme e escapou pela mesma janela pela qual entrara.
— Pai, eu já revirei a Inglaterra de ponta a ponta, e nem sinal de Maata.
— Ela tem de estar em algum lugar, Mamoru! Faz meses que Maata se foi!
— Isso é evidente. Mas certamente esse "algum lugar" não é aqui.
Mamoru não se conformava. Mesmo tendo de ser discreto — nem ele nem a família desejavam que o mundo todo soubesse que um príncipe árabe deixara seu país para sair atrás da irmã fujona —, usara sua influência ao máximo, e não encontrara pista alguma de onde Maata poderia estar.
— Só posso acreditar que ela não veio para cá.
— Céus, onde aquela cabeça-oca se meteu?
— Calma, papai. Não descansarei enquanto não a encontrar.
— Isso é óbvio! Não me apareça aqui sem sua irmã, ouviu bem? Essa é a missão que lhe confiei, como pai e como sheik. Não falhe, Mamoru. É uma ordem. Quero minha menina sã e salva a meu lado.
— Jamais deixaria de cumprir uma ordem sua, Majestade.
— E há de continuar assim, Alteza.
Mamoru cerrou os dentes. Seu pai sabia como irritá-lo.
— Como está mamãe?
— Desesperada.
— Pai, todos os minutos do meu dia são dedicados a tentar achar minha irmã, e você me trata como se eu não estivesse levantando um dedo sequer. Por que faz isso? Afinal, não fui eu quem facilitou a fuga dela. Aliás, por acaso descobriu como Maata conseguiu deixar Nakabir? A nado é que não deve ter sido.
— Ah, que ótimo! Primeiro, o rapaz quase choraminga. Depois, imagina que está em condições de fazer piadinhas idiotas! — gritou Ártemis. — Escute aqui, Mamoru, após minha morte, você será o sheik. Porém, se nem ao menos é capaz de achar o rastro de uma garota desaparecida, como terá competência para dirigir uma nação?
Mamoru nada respondeu. Sua indignação lhe fechava a garganta.
— Não telefone mais para cá até encontrar Maata. Neste exato instante talvez alguém esteja ligando para lhe dar alguma informação, mas o aparelho está ocupado, porque você sentiu saudade de casa. Pois eu lhe digo que neste momento nada me importa menos do que seus sentimentos! Não durma, não coma, não respire até achar minha filha!
O príncipe teve de afastar o celular da orelha, porque Ártemis recolocou o fone no gancho com… digamos… uma força excessiva e desnecessária.
Mamoru respirou fundo. Aquela explosão de seu pai não o magoava. Compreendia muito bem a aflição imensa dele e de sua mãe.
— Maata, quando eu puser minhas mãos em você…
Fez força para reprimir um sorriso. Adoraria dar umas boas palmadas naquela pequena travessa, mas tinha plena consciência de que jamais faria isso. Para ser franco, sentia-se tão temeroso quanto seus pais. Não parava de pensar na irmã, tão ingênua e despreparada, solta pelo mundo, à mercê de aventureiros e toda espécie de gente sem caráter e maldosa.
Pegou o celular de novo para chamar seu secretário e meneou a cabeça. Estava tão acostumado a ser servido até nos menores detalhes, que por um segundo se esqueceu de que viajara sozinho; sem assessores, sem segurança.
Então, ligou para a gerência.
— Por favor, preciso de uma reserva para o primeiro vôo de amanhã para…
Para onde?
Ela pode estar em qualquer canto do globo terrestre.
Mamoru falou o primeiro destino que lhe ocorreu:
— Washington.
— Ida e volta, senhor?
— Apenas ida.
Quando Maata entrou na Joalheria Davidovitch, encontrou Zoicite, muito pálido, conversando com quatro policiais. Assim que a avistou, o dono da loja lhe fez um sinal para que se aproximasse.
— O que houve, sr. Davidovitch? Recebi seu recado e vim correndo.
— Srta. Faraj, as jóias foram roubadas.
Maata arregalou os olhos.
— As minhas também?
— Na verdade… só as suas.
— Como é que é?
— Por favor, sente-se.
Zoicite dirigiu um olhar súplice aos policiais, que lhe deram privacidade para falar com Maata.
— Eu guardei suas peças no cofre, e desde então não precisei abri-lo. Esta noite, no entanto, tive de fazê-lo, e dei por falta do estojo com suas jóias. Alguém entrou aqui em algum momento nos últimos cinco dias, srta. Faraj, e, embora houvesse muitas coisas de valor em meu cofre, decidiu levar apenas suas jóias.
Maata não sabia o que pensar.
— E agora?
— Tenho um seguro para tudo o que está dentro desta loja. Vou acioná-lo assim que os peritos terminarem com a inspeção. O valor que eu receber será seu. No entanto, há de ser bem abaixo do que de fato as peças valem…
— Isso é o de menos. Queria tanto que minhas jóias fizessem sucesso!
Zoicite, embora abatido pelo terrível contratempo, não perdia o bom-humor.
— A meu ver, senhorita, já fizeram.
Maata o encarou de cenho franzido.
— Eu não devia lhe dizer isso, srta. Faraj, mas você me parece uma excelente pessoa; portanto, confiarei em sua discrição.
— Sim?
— Além de seu estojo com as peças, estavam guardados em meu cofre mais de quinhentos mil dólares em dinheiro vivo, e pedras preciosas de altíssimo quilate. Diamantes, topázios, rubis… E em nada disso foi sequer mexido. O ladrão fez questão de levar apenas as suas jóias.
Maata resolveu dar um passeio no Central Park para clarear as idéias.
O que era tudo aquilo? Se estivesse em Nakabir, não haveria dúvida de que algum dos irmãos teria tentado sabotá-la.
Mas ali não havia como. Conversava com os pais todos os dias, e tinha certeza de que só Mamoru deixara seu país, e até o momento não a encontrara.
Portanto, qual o significado de um ladrão ter resolvido roubar apenas as suas jóias?
Zoicite Davidovitch lhe disse que o invasor cometera um erro. Embora a polícia estivesse longe de saber sua identidade, podia garantir que se tratava de uma mulher. Zoicite não revelou como os agentes da lei fizeram essa descoberta, nem que relevância poderia ter, mas…
Maata, apesar de frustrada e com muita raiva — desde que deixara suas peças com Zoicite, ela sonhava todas as noites que se tornara a predileta de dez entre dez estrelas de Hollywood —, não deixava de admirar o fato de uma garota ser tão arrojada a ponto de invadir uma casa comercial tão refinada, roubar o que bem desejava e sair sem deixar pistas.
Em outras circunstâncias, talvez tivesse até alguma simpatia por ela.
— Ora, o que é isso? A criatura é uma ladra!
Respirou fundo e deu tratos à bola. por que alguém — quem quer que fosse — haveria de querer para si justamente as jóias que ela confeccionara?
A imagem distante de uma bela morena de olhos claros surgiu como um relâmpago em sua mente.
— Mas ela não demonstrou o menor interesse pelas peças.
No entanto, embora inexperiente, Maata era mulher. E as mulheres costumam ter mil maneiras de conseguir o que querem.
— Mostrar desinteresse é uma das mais eficazes.
Usagi levou um susto ao ler o jornal. Levava a terceira xícara de café à boca quando deparou com a notícia do roubo na Joalheria Davidovitch. Pôs a xícara no pires e foi para a sacada, para enxergar melhor.
Amassou o periódico e o jogou no chão, furiosa com sua desatenção. A primeira providência ao entrar num lugar era desligar o sistema de alarme e a energia elétrica. Assim, se houvesse alguma câmera funcionando, por mais escondida que estivesse, seria desligada.
Então, Usagi lembrou:
— Eu usei o computador! — deu um tapa na testa. — Esqueci de desligar a energia! Como pude cometer um erro tão estúpido?
No entanto, sabia muito bem o porquê de sua distração. Assim que ouviu Zoicite comentar sobre o filho adotivo adolescente, que precisava de um transplante e não achava doador, a ilusão de que o garoto fosse Shingo a impediu de fazer direito seu trabalho.
Nunca perdia tempo procurando por câmeras escondidas; não havia necessidade disso, uma vez que a eletricidade estava sempre cortada. E agora seu descuido monumental poderia lhe trazer problemas.
Ao menos era impossível, por meio das imagens, saber quem ela era, pois Usagi se vestia sempre de um mesmo modo no exercício de suas funções: macacão preto colado ao corpo, luvas, botas — obviamente sem salto — e uma máscara ninja, que só deixavam de fora seus olhos, que ela escondia com óculos de lentes espelhadas.
Mas aquele deslize feria seu orgulho profissional.
E deixava mais uma coisa evidente: tinha de descobrir se Ivan Davidovitch era ou não seu irmão, Shingo. Por mais improvável que pudesse parecer, nenhuma possibilidade devia ser descartada.
— Muito bem, e o que farei se Ivan for Shingo?
Isso era algo a ser resolvido depois, em caso positivo. No momento, devia traçar um plano, e dessa vez com toda a perícia que lhe era peculiar.
— Além de seu estojo com as peças, estavam guardados em meu cofre mais de quinhentos mil dólares em dinheiro vivo, e pedras preciosas de altíssimo quilate. Diamantes, topázios, rubis…
E em nada disso foi sequer mexido. O ladrão fez questão de levar apenas as suas jóias.
