Ah Estrela-Lunar muito obrigado você tem sido a única a comentar esta história… fico muito grata por isso…. Beijinhos e espero que goste do capítulo e fique por ai pois os próximos capítulos vão ser no mínimo empolgantes…..

Obrigado a aqueles que lêm a fic e a quem a põe como favorito…

Esclarecimentos:

Como sabem Sailor Moon não me pertence, pertence sim a Naoko Takeuchi.

E esta linda história também não me pertence, pertence a Tuca Hassermann.

Espero que gostem de a ler como eu gostei. Quero simplesmente a da-la a conhecer mas com os nomes dos meus personagens favoritos.

O Príncepe e a Plebéia

Enjoi.

CAPÍTULO 4

Logo após o almoço, Mamoru telefonou para Luna, para informá-la de que sua amada filhinha mais uma vez escapara dos dedos do irmão mais velho.

— Filho, não é possível que uma garota de dezanove anos esteja fazendo de bobo um homem como você.

Mamoru ficou vermelho de indignação.

— Perdoe-me, mamãe. Passei tempo demais estudando e me preparando para um dia me tomar o sheik de meu país, e acabei negligenciando os cuidados com meninas mimadas que não conhecem o seu lugar.

Silêncio do outro lado da linha.

— Não seja rude com sua mãe.

— Você foi injusta comigo. Há cinco meses saí às pressas de meu país por ordem de meu pai, na noite de meu casamento. Deixei minha noiva para trás, sem nem mesmo me despedir, e desde então toda vez que pergunto de Beryl você me vem com evasivas. A única coisa que faço, desde que me fui de Nakabir, é tentar achar o paradeiro de Maata. Até agora não entendi por que vocês não mandaram nossos agentes da Inteligência atrás dela. Eles são homens treinados, e a esta altura ela já estaria a seu lado, e há muito tempo. Mas tudo bem, não discuti as ordens que recebi, e tenho dado o melhor de mim. Temo que algo de ruim possa acontecer àquela cabeça-oca, e me angustio toda vez que Maata me escapa de novo. E como recompensa ouço minha própria mãe vindo com ironias para cima de mim. Portanto, não espere que eu me desculpe.

— Eu entendo que…

— Mamãe, quero falar com minha noiva. Por que o celular está sempre desligado? Por que ela não me telefona?

— Mamoru, nós todos aqui cuidamos do bem-estar de Beryl. E gostaríamos de fazer o mesmo com Maata. Sendo assim, concentre-se.

Mamoru suspirou.

— Há algo de muito estranho em tudo isso, e eu ainda vou descobrir do que se trata.

— Está sendo paranóico, meu filho.

— Tomara. De todo modo, cheguei a meu limite.

— O que quer dizer?

— Farei as coisas a meu modo, de agora em diante.

— Você fará o que eu e seu pai mandarmos.

— A ordem do sheik foi que eu encontrasse minha irmã e a levasse de volta para Nakabir, e é o que farei. Mas, já que vocês não querem colaborar comigo, e sabe Deus por que motivo nem ao menos me deixam falar com minha noiva, digo o seguinte: só tomarei a me comunicar com o palácio quando estiver pousando no aeroporto de Nakabir.

— Nada disso! Quero notícias diárias, conforme combinamos!

— Então, chame Beryl. Quero falar com ela.

— Não é possível.

— Por quê?

— Não seja impertinente!

— Pense o que quiser. Voltaremos a nos falar em Nakabir. Adeus.

Assim que cortou a ligação, Mamoru ligou para o número do piloto de seu jacto, hospedado em outro quarto, naquele mesmo andar do hotel, que, como de costume, fora reservado inteiro para o príncipe, por medida de segurança.

— Jedite?

— Pois não, Alteza.

— Venha até aqui. Preciso de sua ajuda.

— Agora mesmo, Alteza.

As duas se miravam, uma ao lado da outra, no espelho de corpo inteiro no quarto de Usagi. Maata, de queixo caído, comentou:

— Que coisa mais esquisita! Você ficou igual a mim, e eu estou idêntica a você!

— Era essa a ideia.

Os cabelos de Maata, antes pretos como carvão, tornaram-se loirissimos. Os de Usagi assumiram uma tonalidade cor de areia. O toque final para a troca de identidades foram as lentes de contato: as de Sarah, azuis de um escuro meia noite; as de Maata, azuis cor do céu.

— Temos praticamente a mesma altura e constituição física.

De longe, ninguém notará as poucas diferenças. Assim, ganharemos tempo.

— Sem dúvida! — Maata continuava espantada demais com sua nova aparência. — Amanhã mesmo irei conversar com o sr. Davidovitch.

— Seja discreta. Se ele desconfiar de algo, poderá nos colocar em apuros.

— Sossegue. Não sou tão boba quanto posso parecer.

Usagi deu risada. Gostava daquela jovem, mas não podia se deixar levar por sentimentalismos. Porém, se tudo desse certo conforme ela planejava, as duas ficariam muito bem.

— Então é isso. A partir de hoje, você é Usagi Baker, e eu, Maata Faraj. Assuma minha casa e minha loja. Eu irei morar em seu apartamento.

— Mantenha-se longe de Mamoru. Ele pode ser perigoso — Maata detestava inventar aquelas calúnias sobre seu irmão, mas algo muito maior estava em jogo. Sempre haveria tempo para pedir perdão à amiga.

Usagi tomou as mãos dela e a encarou, muito séria.

— Guarde bem o que vou lhe dizer. Talvez um sujeito chamado Seiya a procure. No ato ele verá que não está falando comigo. Não permita de modo algum que Seiya a toque. O miserável é traiçoeiro. Ele insistirá em saber meu paradeiro. Diga-lhe apenas que entrará em contacto comigo e me dará o recado — Usagi fez uma descrição detalhada da aparência de Seiya. — Assim que o vir, dê um jeito de ter algo bem pesado à mão.

— Nossa!

— Seiya não tem nada contra você, óbvio, mas não aceitará você dizer que não sabe onde estou. Por isso. todo cuidado é pouco. Não revele meu endereço, mas procure não irritá-lo.

— Certo. E você, Usagi, não acredite em nada do que Mamoru lhe disser. Ele é capaz de inventar as histórias mais mirabolantes para se passar por bonzinho.

— Muito bem — Usagi apanhou a sacola de viagem e a bolsa a tiracolo. — Vou indo. Nos falaremos apenas pelos celulares novos, que compramos para esse fim.

Ela pôs a mão na maçaneta e olhou para Maata.

— Não hesite em me chamar se tiver algum problema. Promete?

— Pode deixar. Sossegue, eu ficarei bem.

Durante todo o trajecto até o prédio de Maata, Usagi se perguntou se agira bem em deixar uma moça tão frágil exposta a um bandido como Seiya. Mas, ao se lembrar de que talvez estivesse prestes a encontrar Shingo, conformou-se.

A sorte estava lançada.

— Alteza? Sua irmã acaba de entrar no prédio, carregando uma sacola de viagem.

— Óptimo! Mantenha a vigilância. Em breve eu lhe direi o que fazer.

— Como quiser, Alteza.

Jedite engoliu o último pedaço de seu sanduíche e pediu mais um café. Ainda bem que o estabelecimento funcionava vinte e quatro horas. Não poderia arredar pé dali até que o príncipe lhe desse permissão para isso.

Às sete da manhã, o despertador acordou Maata. Era hora de ir para a loja.

Ela tomou seu desjejum e foi se arrumar.

— Meu Deus…

Tocou o rosto. Mesmo com seu nariz arrebitado, sua marca registada, poderia passar por irmã de Usagi.

Colocou calça jeans, uma blusa de flanela e ténis. Todas roupas da amiga. As suas, que havia trazido de casa, estavam com Sarah. Vestiu um casaco grosso e impermeável. O dia amanheceu frio e chuvoso. O fim de Outono prenunciava um rigoroso inverno.

Maata sentiu uma saudade imensa de Nakabir, com seu céu sempre claríssimo, o sol dourando os tetos das residências. Não via a hora de poder voltar. O Ocidente acenava com incríveis possibilidades, sem dúvida. Mas o Oriente era seu lar. Desceu para a rua, e em instantes abriu o estabelecimento. Virou a placa da porta de vidro para "Aberto" e foi guardar a bolsa atrás do balcão.

Em menos de cinco minutos, o sininho da entrada anunciava um cliente. Ao olhar para ele, o sangue de Maata gelou. Pela descrição minuciosa de Usagi, aquele era Seiya.

Maata procurou por algo pesado, mas não deu tempo. Seiya, com um sorriso largo e a agilidade de um felino, estava a milímetros dela antes mesmo de Maata piscar.

— Bom dia, Us… — o sorriso desapareceu dos lábios dele, e seus lábios se tomaram uma linha fina e gélida. — Quem é você?

— Usagi, a dona da loja. Em que posso ser útil?

Seiya apoiou os dois cotovelos no balcão, num gesto despojado.

— Última chance: quem é você?

A entonação era suave como o silvo de uma cascavel.

— O senhor deseja…

A frase de Maata foi interrompida por um tremendo tapa, que a atirou sobre as prateleiras atrás do balcão. Desequilibrada e tonta, ela foi ao chão. Seiya se agachou, agarrou-lhe os cabelos e puxou a cabeça dela para cima, com brutalidade.

— Não chore, docinho. Eu avisei que era a última chance — ele olhou de lado e apanhou algo que caíra perto dela. — Hum, lentes de contato… A cabeleira é de verdade. Se fosse peruca, eu já a teria arrancado.

Seiya a obrigou a ficar de pé.

— Qual seu nome?

— Maata Faraj.

— Hum, que diferente… Então, Maata Faraj, a esperta Usagi Baker colocou você, uma farsante, para se passar por ela e tentar me enganar, não é? Más notícias, meu bem. Ou você me diz onde ela está ou esse seu lindo rostinho terá de ser reconstruído.

Maata, desesperada, tentava se soltar, mas Seiya apertava tanto seus cabelos que quase arrancava seu couro cabeludo. Nesse momento, o sininho da porta soou de novo. Seiya largou Maata, mas ainda sussurrou-lhe:

— Amanhã eu virei aqui de novo. Tenha as respostas na ponta da língua — e se foi.

Na hora do almoço, Maata fechou a loja e correu para casa. Em sua face esquerda começava a surgir um hematoma.

Foi directo para o quarto, largou a bolsa na cama e, ao se virar, encontrou o armário todo destruído. Roupas e prateleiras tinham sido arrancadas de dentro dele, e a tampa de um fundo falso ficara escancarada. Maata se aproximou, com o coração aos saltos, e verificou que estava vazio. Se existia algo ali dentro, o invasor o levara.

Tremendo muito, ligou para Sarah e a colocou a par de todos os últimos acontecimentos.

— Seiya bateu em você?

— Sim. E teria sido muito pior se um cliente não tivesse entrado naquele momento. Estou furiosa, Usagi. Jamais apanhei de um homem antes!

Assim que acabou de falar, Maata se deu conta do erro que cometera.

— Quer dizer… Nenhum que não fosse meu marido. E garanto que não gosto nada disso.

— Ele é mesmo um gangster.

— O que eu faço? O sujeito disse que voltará amanhã. O que direi?

— Diga a Seiya que me encontre às duas horas no Sidarta, um restaurante indiano que eu e ele conhecemos. Tentarei acalmá-lo.

— Olhe, esse camarada é muito perigoso. Não estou gostando nada de ter de entrar em contacto com gente assim — Maata tocou o rosto machucado. — Nem entendo direito por que tive de me disfarçar também, mas foi tudo tão rápido! Faz sentido você ficar parecida comigo. Assim, ao vê-la de longe, meu marido vai segui-la pensando que sou eu, o que o confundirá e atrapalhará seus planos; e eu terei tempo de fugir. Mas o tal Seiya viu que eu não era você assim que me encarou. Não sabia que isso ia acontecer?

— Não só sabia como a avisei.

— Então?

— Os clientes da loja…

— Bastava que eu me apresentasse como uma amiga que estava cuidando de tudo enquanto você viajava.

— É… Na hora não me ocorreu. Bem, agora já fizemos assim, não é? Paciência. Mas não se preocupe, vou dar um jeito em Seiya. Mudando de assunto, você prometeu ir hoje conversar com o sr. Davidovitch.

— Sim. Tenho uma boa desculpa. Vou perguntar do prémio do seguro de minhas jóias.

— Óptimo.

— E quanto a Mamoru? Nada dele ainda? Meu marido não apareceu?

— Ainda não.

— Fique atenta, entrar nesse edifício é bem fácil. Se tocarem a campainha, não deixe de verificar quem é no olho mágico. Ah, que bobagem a minha! Você é especialista em entrar na casa dos outros sem ser convidada, portanto deve saber muito bem se livrar desse tipo de incómodo. E seu amigo Seiya também. Óbvio que foi ele quem veio aqui e revirou suas coisas. Aliás, o que havia naquele fundo falso?

— Algo que está muito longe daquelas mãos sujas.

— Sei — Maata suspirou. — Nos falamos depois.

Maata desligou e pôs as mãos na cintura. Arrumaria aquela bagunça mais tarde. Agora iria comer alguma coisa e se arrumar para ir à joalheira.

No momento em que ela foi para a cozinha, um homem escondido embaixo da cama deslizou para fora e, num movimento ágil, saltou pela janela. Caiu de pé, na rua, ajeitou a roupa e olhou para cima, com um sorriso torto nos lábios.

— Usagi é mesmo uma especialista. Arranjou uma tolinha perfeita. Na certa vai colocar essa garota numa bela encrenca — deu de ombros. — Bem, não encontrei as jóias, mas descobri o que queria. Achar o endereço de Maata será muito fácil e a a srta. Usagi Baker receberá uma visitinha de seu grande amigo Seiya Riscoe.

Zoicite Davidovitch demorou alguns instantes para reconhecer Maata.

— A senhorita ficou bem diferente com esses cabelos.

Ela sorriu.

— Sabe como são as mulheres, não é? Sempre atrás de novidades. Eu tinha curiosidade de saber como ficaria com uma vasta cabeleira loira.

— Se me permite dizer, a senhorita ficou linda.

— Obrigada — Maata colocou uma mão em cima da outra sobre o tampo da mesa. — Sr. Davidovitch, alguma notícia sobre o pagamento do seguro? Eu contava vender rápido aquelas peças e… estou precisando de dinheiro.

— Esta manhã, recebi o telefonema da seguradora. Eles prometeram me enviar o cheque amanhã, no começo da tarde.

— Que óptimo! Posso vir buscar?

— Sem dúvida. Que tal às duas horas?

— Combinado.

Maata permaneceu sentada. Como abordar o assunto que de fato a trouxera até ali?

— Posso ser útil em mais alguma coisa, senhorita?

— Estava aqui pensando. O senhor me lembra muito meu pai. Sinto saudade dele.

— Ele mora longe?

— Muito. Não nos vemos há meses. Sou filha caçula, a única mulher. Eu e ele somos bastante próximos — ajeitou os grandes óculos escuros, que não tirara para disfarçar o hematoma. — O senhor tem filhos, sr. Davidovitch?

— Dois. Esmeralda é a mais velha, mãe de minha neta, Mimi. E Ivan.

— Seu filho ainda não lhe deu netos?

— Não, ele é solteiro.

— Muito jovem ainda?

— Isso mesmo.

— Quantos anos ele tem?

— Ivan é adolescente.

— Ora! Um temporão!

Zoicite começava a ficar desconfortável com aquela conversa. Não gostava de falar de sua família com estranhos. Nos dias de hoje, isso podia ser arriscado.

— Um dia ainda vou querer ter muitos filhos.

— Perdão. Meu celular está tocando — o sr. Davidovitch apanhou o aparelho no bolso e fingiu atender a uma ligação. Então, tapando o bocal, tomou a se dirigir a Maata: — Se a senhorita puder me dar licença… A chamada vai demorar, é internacional.

— Claro. Amanhã à tarde nos veremos. Até lá.

Quinze minutos após a saída de Maata, o investigador Yaten seguia o sr. Davidovitch até o escritório dele. Os dois se sentaram ao redor da escrivaninha.

— Pensei que ela fosse demorar mais um pouco para aparecer. Mas, pelo visto, a ganância falou mais alto. É o que leva essa gente para trás das grades todos os dias.

— O senhor tem certeza de que essa moça fina e gentil é mesmo uma ladra?

Yaten se levantou e começou a andar de um lado para o outro.

— Estamos atrás de Usagi Baker há muito tempo, sr. Davidovitch. No entanto, a mulher é um fantasma. Entra e sai dos lugares sem que ninguém descubra como, e nunca deixou digitais, cabelo ou alguma outra coisa que pudesse fornecer seu DNA ou qualquer pista de quem ela é. Mas, como o mundo dos ladrões é muito competitivo, a moça acabou arranjando muitos inimigos. Gente que a quer fora do negócio. E veio deles a informação: Usagi é uma mulher muito bonita, de cabelos loiros, alta, longilínea, de formas perfeitas e, apesar de bem nova, tem o porte de uma rainha. Evidente que é muito pouco para colocarmos as mãos nela, mas, ao analisar o vídeo que o senhor tem, para mim tudo se encaixou. A moça que aparece nas imagens cabe muito bem na descrição.

Davidovitch arregalou os olhos.

— Só o que se vê na fita é que se trata de uma mulher alta e elegante. Mais nada.

Yaten tomou a se sentar e cruzou as pernas.

— Acompanhe meu raciocínio. A garota pintou os cabelos de pereto, para disfarçar, veio até sua joalheira com jóias roubadas e as deixou em consignação. À noite, entrou aqui e apanhou apenas aquelas peças, para receber o dinheiro do seguro.

— E não levou tudo o mais de dentro do cofre porque…

— Algo deve tê-la assustado. Talvez o senhor ainda estivesse por aqui.

Zoicite pensou um pouco.

— Naquela noite eu saí muito tarde. Será que ela esteve por perto o tempo todo?

— É minha teoria. Em algum momento o senhor deve ter dado a impressão de ter ido embora, mas na verdade foi ao banheiro digamos. Ela se sentiu livre para agir, mas aí o senhor voltou, e Usagi apenas conseguiu pegar pouca coisa, temendo ser apanhada.

— Que perigo! Essa garota poderia ter me atacado!

— Tudo é possível. No entanto, não há nenhum relato de agressão física por parte dela — Yaten cofiou o bigode. — Continuando, hoje pudemos constatar que de fato nosso informante a descreveu direitinho. Ela cometeu um deslize ao vir aqui com os cabelos em sua cor natural. Talvez tenha se tomado arrogante, porque até hoje ninguém a capturou.

— Lamentável. Uma menina tão bonita, tão doce… Até falou da saudade que sente do pai, perguntou de minha família, meus filhos.

Yaten mudou de postura na cadeira.

— Sr. Davidovitch, os pais de Usagi Baker morreram quando ela era criança. Ela mentiu, na certa querendo extrair informações a seu respeito. A mulher está se tomando perigosa.

— O que diz? Será que planeja um sequestro?

— Quem pode garantir que não? Muitos bandidos costumam evoluir. De meros batedores de carteira passam a ladrões de carro, e daí em diante. São marginais, gente em quem não se pode confiar nunca.

— Meu Deus! Minha família!

— Fique tranquilo. Pedirei protecção policial para vocês todos. E mais do que isso: amanhã, quando Usagi Baker vier buscar o cheque do seguro, eu lhe darei voz de prisão. Estamos reunindo provas contra essa jovem há muito tempo. A bela larápia há de amargar muitos anos trancada numa cela.

No dia seguinte, conforme combinado, Seiya passou de novo na loja, e mais que depressa Maata lhe passou o recado de Usagi.

— Muito bem. Diga a ela que não falte, senão é você quem vai sofrer as consequências.

Maata ligou para Usagi assim que ele se foi.

— Tudo certo. O cretino estará às duas horas no Sidarta. Fez muito bem de escolher um local público, Usagi. Mesmo assim, cuide-se, ouviu?

— Sem problemas. Sei lidar com Seiya. E veja se consegue descobrir a idade de Ivan.

— Tenho de ir devagar. Notei que o sr. Davidovitch não estava gostando de minhas perguntas. E olhe que não fui nada invasiva.

— Ponha a cabeça para funcionar, Maata. Não falhe comigo.

— Tudo bem, pode deixar. Até mais.

Usagi saiu do prédio para ir ao encontro de Seiya faltando vinte para as duas. Já havia reparado no rapaz árabe sentado no café, do outro lado da rua, e por isso sempre dava um jeito de não permitir que ele visse seu rosto. Aquele devia ser Mamoru, o marido idiota de Maata. Pretendia dar um susto e tanto nele, quando o covarde decidisse abordá-la.

A quatro quadras do Sidarta, assim que entrou numa viela para cortar caminho, Usagi sentiu alguém logo atrás de si. Virou-se rápido e deparou com Seiya.

— Olá, meu bem. Senti tanta saudade que não pude esperar para encontrá-la no restaurante. Ficou uma graça nessa versão morena, sabia?

Usagi tentou impor uma distância segura entre eles, mas Seiya não permitiu.

— Antes de tratarmos de negócios, satisfaça minha curiosidade. O que está preparando para aquela menina… qual é mesmo o nome dela? Maata?

— Algo que a médio prazo será bom para nós duas. Mas não tem nada a ver com você.

— Não acredito nessa segunda parte — Seiya enfiou as mãos nos bolsos. — Mas vamos ao que me interessa. Onde estão as jóias? Espero que as tenha trazido.

— Não posso ir até elas ainda, Seiya. Você é do ramo, sabe bem como é. Porém, eu lhe trouxe isto — Usagi estendeu para ele um colar de ouro vermelho cravejado de tanzanitas. Quando resolveu devolver as peças para Maata, não resistiu e ficou com aquela. — As tanzanitas têm um valor de mercado superior ao dos diamantes, hoje em dia. Tem minha palavra de que darei sua parte no roubo assim que eu puder pegar as jóias de onde as escondi.

Seiya apanhou o colar. Seus olhos brilharam.

— Que coisa maravilhosa! Chego quase a ter pena de desfazer esta obra de arte.

Por um único segundo, Usagi se distraiu, e ele se aproveitou para agarrar-lhe o pulso e torcê-lo.

— Estou farto de você e de suas tramóias. Sei muito bem que fica com uma parte bem maior de tudo o que rouba, e não é esse o combinado. Portanto, minha cara, irá me levar agora mesmo até o esconderijo das jóias árabes…

Seiya esboçou um sorriso malévolo.

— Ora, ora! Só agora me dei conta. Maata Faraj é um nome árabe. É ela quem produz as jóias, não é? — Torceu mais ainda o braço dela. — Que coisa feia, Usagi Baker! Querendo passar seu patrão para trás?

— Você não é meu patrão!

— Engano seu — Seiya aproximou o rosto do de Usagi, quase encostando o nariz no dela. — Aquela garota é uma fonte excepcional, não é? Você farejou de longe o que poderia lucrar com ela, e teve o descaramento de não me dizer nada. Então, amiguinha, Maata vai ficar comigo até que você aprenda a se comportar. Talvez eu até nem precise mais de seus serviços. Vou fazê-la dizer de onde vêm essas pedras divinas que ela usa em suas jóias.

Usagi ficou horrorizada com a ameaça. Sim, estava usando Maata para atingir seus objetivos — um legítimo, o outro escuso —, mas em nenhum momento lhe passou pela cabeça prejudicá-la, e muito menos deixá-la-ia na mira de tiro de um facínora como Seiya Riscoe.

— Deixe disso, Seiya. Para que usar de violência desnecessária? A tontinha confia em mim. Prometo que lhe darei metade daquilo que conseguir.

— E para que eu precisaria de metade se posso ficar com tudo?

Um forte arrepio subiu pela coluna de Usagi. Embora estivessem em plena luz do dia, aquele era um local ermo. Nem mesmo um gato vira-lata aparecera durante aquele tempo todo. Se Seiya quisesse matá-la, levaria horas para encontrarem o cadáver.

— Querido, vamos conversar…

— Hum! Onde foi parar toda aquela sua empatia? Sempre me olhou com desprezo e agora me chama de "querido"?

— Ah, Seiya, uma garota tem de se valorizar. Mas isso não quer dizer que eu não tenha notado o quanto você é charmoso.

Seiya soltou uma gargalhada.

— Não perca tempo tentando me seduzir. Nenhuma mulher bonita é mais interessante do que uma montanha de dinheiro.

Usagi esboçou seu sorriso mais encantador.

— Nunca? Em momento algum? Poderíamos ir lá para minha casa e relaxar um pouco. Que tal?

— Boa tentativa, garota.

Mas, embora Seiya estivesse irredutível, acabou afrouxando os dedos em redor do pulso dela. Usagi se desvencilhou e saiu correndo. Seiya disparou logo atrás. Usagi foi derrubando latas de lixo pelo caminho, para dificultar ao máximo seu perseguidor.

Ao fim da viela, virou à direita, e logo em seguida vinha a imensa escadaria. Lá embaixo, a movimentada avenida. Se conseguisse chegar lá, estaria a salvo.

Porém, quando colocou o pé no primeiro degrau, pisou em falso e não foi capaz de amparar a queda.

Seiya, do alto da escada, ficou olhando Usagi despencar, rolando e batendo a cabeça, até alcançar a calçada. Quando o sangue começou a sujar o chão, ele deu meia-volta e retomou por onde tinha vindo.