Desculpem não ter postado mais cedo... mas surgiu uns problemas com o meu laptop ... e agora ... bem tou tramada... tenho que ir para outro computador... e surgiram uns problemas tecnicos que só hoje e que pude resolver ... me desculpem mesmo ...

mas agora sem demoras aqui vai mais um capitulo ...

Esclarecimentos:

Como sabem Sailor Moon não me pertence, pertence sim a Naoko Takeuchi.

E esta linda história também não me pertence, pertence a Tuca Hassermann.

Espero que gostem de a ler como eu gostei. Quero simplesmente a da-la a conhecer mas com os nomes dos meus personagens favoritos.

O Príncepe e a Plebéia

Enjoi.

CAPÍTULO 7

Maata entrou no apartamento e encontrou Usagi sentada no sofá da sala.

— Ora! Isso é o que eu chamo de déjà vu.

Usagi sorriu-lhe.

— Tudo bem com você, Maata?

— Agora, sim. Eu vou lhe contar tudo, mas antes quero que me diga: o que houve? Como se machucou desse jeito? Não me diga que…

— Mamoru…

— O quê? — Maata arregalou os olhos. — O que Mamoru fez, Usagi? Ele bateu em você? Não acredito!

Naquele momento, Mamoru saiu do quarto.

— Olá, fujona. Até que enfim!

Enfurecida, Maata avançou para o irmão e, numa atitude inesperada, deu-lhe um pontapé na canela. Mamoru se agachou, para esfregar o local da pancada, e levou um tapa que o desequilibrou, atirando-o no chão.

— Desgraçado! Papai nunca o perdoará por ter sido violento com uma garota! Por que fez isso com ela? Usagi só estava querendo me ajudar!

— Pare, Maata, não foi Mamorul — Usagi foi mancando até ela.

A princesa a encarou.

— Se ele não a obrigou a trazê-lo até aqui, por que não cumpriu nosso acordo, Usagi? Eu cumpri minha parte.

— Acalme-se primeiro e nós lhe contaremos tudo.

Mamoru se ergueu, afagando a face.

— Você me deve um pedido de desculpa, Maata. E muitas explicações também.

Ela o fitou com carinho, embora ainda atordoada.

— Ah, meu querido, nem sei por onde começar…

— Eu sei — Usagi foi até a geladeira e apanhou três cervejas.

— Você não pode beber. Está tomando analgésicos fortes.

— Não estou, não. Sou bastante resistente à dor.

Mamoru deu um sorriso enviesado que fez Usagi enrubescer. Maata notou um clima estranho entre eles, mas falaria disso depois.

— Bem, agora podemos nos sentar como velhos amigos e pôr as cartas na mesa.

Mamoru aceitou uma lata, abriu-a e tomou um gole.

— Irmãzinha, comece explicando por que fugiu de nosso país, como conseguiu sair de lá sem que ninguém a visse e como sabia que eu saí a sua procura.

— Para isso, tenho de ter permissão de nosso pai — Maata ia apanhar o celular, mas o príncipe a impediu.

— Eu sabia! Tudo não passa de uma artimanha do sheik, não é? Só não entendo o porquê. Mas você vai me dizer tudo. Agora!

Maata suspirou. Fizera tudo a seu alcance para manter o irmão longe de Nakabir por todos aqueles meses. Seus pais sabiam que aquele momento chegaria. Portanto, era a hora de lhe contar a verdade. Além do mais, também estava farta de tudo aquilo. Não pretendera, em momento algum, se envolver em tantas aventuras. Tudo o que queria era pôr os pingos nos "is" e voltar para sua amada Nakabir.

— A ideia foi de mamãe. Os rebeldes estão mais ousados a cada dia, e o sheik andou recebendo ameaças, que incluíam toda nossa família.

— Ele não me disse nada.

— Você é o primeiro na linha sucessória, Mamoru, e é de longe o mais bem preparado para sucedê-lo. Nosso pai, temendo que aqueles fanáticos tentassem algo contra sua pessoa, decidiu tirá-lo do país. Como papai sabia que você jamais aceitaria deixar Nakabir num momento tão crítico, pediu ajuda a mamãe.

— E por que teve de ser justo no dia de meu casamento?

— A escolha da data foi propositada. Todo o palácio estaria em polvorosa, e você muito concentrado em tudo o que viria pela frente: A cerimónia, os festejos… Se fosse pego de surpresa naquele instante, ficaria tonto o suficiente para não pensar com lógica e ver que não fazia sentido ir atrás de mim. Uma vez fora de lá papai e mamãe o impediriam de retomar sem cumprir a missão de me levar de volta.

Usagi ouvia aquilo tudo espantadíssima.

— Vocês dois são adultos. Por que ainda aceitam ordens de seus pais.

Os irmãos a fitaram como se ela tivesse proferido a maior heresia do mundo.

— Nossos pais são os nossos soberanos. A palavra deles é lei.

— Quer dizer que é verdade essa história de vocês serem príncipes?

— É. E Mamoru será o novo sheik.

— Isso ainda vai demorar, Maata. Nosso pai é vigoroso e tem só sessenta e cinco anos.

— Sim, insh Alah! — Maata tocou o centro do peito, os lábios e a testa.

— É por isso que você saiu de Nakabir sem problema algum.

— Isso mesmo. Fui directo para Londres em um de nossos jactos.

— Vocês têm mais de um jacto?

— Toda a frota de aviões de carreira e jactos de Nakabir pertencem ao sheik e sua família, Usagi.

— Ah, claro. Como não imaginei?

Maata sorriu-lhe.

— De que maneira vocês duas se conheceram? — Mamoru quis saber.

— Fui a uma joalharia oferecer minhas jóias em consignação. Naquele mesmo dia, Usagi entrou lá…

— …para fazer minha avaliação para um futuro roubo — ela disse sem constrangimento algum. — Ao ver as peças que sua irmã faz, me apaixonei, e decidi que as teria para mim.

— Mas Usagi só apanhou minhas jóias, Mamoru. Havia uma fortuna dentro do cofre, e ela não a pegou, porque soube que sr. Davidovitch, o dono da joalharia, tinha um filho que precisaria de transplante.

Usagi ficou comovida com aquela tentativa de Maata de melhorar sua imagem aos olhos do irmão.

— E se não bastasse, ela prometeu me devolver todas as peças.

— Mesmo? E por quê?

— Maata ficou de conseguir uma informação muito importante para mim.

— Deve ser mesmo. Minha irmã só usa ouro quase puro, pois de outro modo seria impossível fazer tantas filigranas. E a lapidação é fabulosa — Mamoru estreitou os olhos. — Diga, Usagi: o que mais?

Ela respirou fundo.

— Meu receptador não vende as jóias. Ele tira as pedras e derrete o ouro. Só de pensar naquelas maravilhas sendo destruídas sinto vontade de chorar.

Maata se levantou e foi até a janela. De costas para eles, falou:

— Usagi, alguém denunciou você para a polícia. Ontem eu fui presa em seu lugar.

Mamoru se voltou para Usagi com os olhos chispando.

— Eu avisei! Você colocou minha irmã em perigo!

— Um risco calculado.

Foi a vez de Maata se virar e encará-la, muito zangada.

— Como é? Você sabia que isso ia acontecer?

— Sabia que a probabilidade era muito grande.

— Não acredito!

— Acalmem-se os dois. O importante é que tudo acabou bem. Certo, eu podia ter me arrebentado naquela queda, mas ser faixa preta em karaté é algo bastante útil nessas horas. Eu sei cair sem me machucar. Você se livrou da enrascada com a maior facilidade e, Maata, e agora sei que há alguém querendo me passar para trás.

— Tive sorte. O defensor público era muito competente. Mas o que teria sido se o advogado fosse um completo idiota?

Usagi nada comentou.

— Tem mais uma coisa, Usagi.

— O que é?

— Alguém entrou em sua loja enquanto eu estava na delegacia, e arrebentou tudo. Sem dúvida, procurava por algo.

O bom e velho Seiya, na certa. Havia tempo Usagi sabia que devia bater em retirada, desaparecer do mapa. Quando realizava seus roubos, não fazia a divisão com Seiya conforme o combinado, e ele devia ter desconfiado disso. A gota d' água foi quando descobriu que ela roubara a Joalharia Davidovitch sem comunicá-lo. Desse modo, resolvera se livrar dela, entregando-a para a polícia. Contudo, para expor Usagi como a ladra tão procurada, precisaria de provas. Por isso arrebentara a loja. Se tivesse achado o que procurava, ela iria para trás das grades por muitos anos.

Tinha de dar um jeito de deixar o país. Pelo menos até a poeira baixar.

— Você conseguiu descobrir a idade de Ivan, Maata?

— Sim. Na verdade, foi o sr. Murray quem conseguiu. Ele perguntou ao investigador Yaten de um jeito que o policial não titubeou em responder.

— E então? Quantos anos o garoto tem?

— Dezasseis.

— Certeza?

— Não vejo motivo para o investigador ter mentido.

Muito bem, Ivan Davidovitch não era Shingo. De certo modo isso era bom. Usagi precisava se concentrar numa maneira de manter a cabeça sobre o pescoço, o que não seria nada fácil com um Seiya furibundo em seus calcanhares.

Mamoru observava o semblante de Usagi. Aquela era uma garota cheia de segredos. Era linda, sexy, inteligente e intrigante. Ao tê-la nos braços, experimentara uma emoção quase tão grande quanto o prazer carnal que desfrutara.

Mas ele era um príncipe; ela, uma ladra. Se não bastasse, estava noivo. Assim que chegasse a Nakabir, marcaria a nova data para seu casamento, e o mais rápido possível. Não era justo fazer Beryl esperar ainda mais.

No entanto, não tinha a menor dúvida de que jamais esqueceria aqueles lábios carnudos, aquele corpo ardente, aqueles olhos que o fitavam com incrível paixão.

— Mamoru?

A voz de Maata o despertou de seu devaneio.

— Hum?

— O que vai ser agora?

Sem responder para a irmã, o príncipe apanhou o telefone.

— Jedite? Prepare tudo. Amanhã voltaremos para Nakabir.

Os três terminaram de cruzar informações e foram almoçar numa cantina italiana.

Maata adorava lasanha à bolonhesa. Usagi preferiu esparguete aos quatro queijos, e Mamoru a acompanhou.

— Mamoru, não seria melhor se você não voltasse ainda para seu país? Digo isso por causa dos tais rebeldes — pela segunda vez, Usagi experimentou um aperto no peito, por saber que nunca mais o veria.

— Meu lugar é lá, ajudando a defender nossa família e nosso povo.

— Essa gente é capaz de tudo.

— Você deve saber.

— Engano seu. Nunca fiz mal a ninguém.

— Isso por seu ponto de vista.

Maata ouvia a leve discussão, sem interferir. Notara o modo como os dois se olhavam. Existia algo entre eles, e era muito forte.

Lamentava por Usagi. Gostava da amiga, mas ela não tinha a menor chance com Mamoru. Seu irmão jamais voltaria atrás com a palavra dada. Jurara desposar Beryl, e, mesmo que amasse outra mulher, não desapontaria o sheik em hipótese alguma. O bem de Nakabir viria sempre em primeiro lugar.

— É muito fácil para você me julgar.

— Ah, não me venha com essa conversa de "minha infância foi muito difícil". Há milhões de indivíduos nessa situação que não se tomaram ladrões.

— Concordo. Não vou bancar a vítima. Tenho horror a isso. Já falei que escolhi meu caminho e arco com as consequências disso. Mas há-de convir que ter nascido num berço de ouro como você facilita bastante as coisas.

— Bom carácter não se compra.

— Sei disso. Eu também nasci com um.

— Se é o que diz…

Usagi abriu a boca, mas, em vez de dizer algo, serviu-se de uma generosa garfada de seu esparguete e revirou os olhos, gemendo.

Mamoru ficou tenso, acusando o golpe sem querer.

Usagi limpou os lábios com o guardanapo e o encarou, muito séria.

— Escreva o que vou lhe dizer, Alteza. Ainda lhe mostrarei que todos temos uma função neste planeta. Até aqueles que, como eu, são desprezados por não seguirem os caminhos do bem têm sua utilidade. E quando isso acontecer você vai me pedir perdão de joelhos.

Mamoru a olhou com superioridade e se inclinou para a frente, ignorando por segundos a presença da irmã.

— Se um dia eu me puser ajoelhado a seus pés será por um propósito muito mais interessante, srta. Baker. Mulheres como você só servem para uma coisa.

— Mamoru! — Maata o repreendeu.

Usagi ficou de pé e atirou o guardanapo sobre a mesa.

— Sente-se!

— Você não me dá ordens! Quem pensa que é? — Usagi apanhou a bolsa e caminhou, ainda claudicante, até a saída do restaurante. De lá, voltou-se e falou de modo que todos ouvissem: — Pois se eu só sirvo para uma coisa, saiba que você nem para isso serve!

Mamoru, rubro de cólera, cerrou as pálpebras, num esforço hercúleo para não sair correndo atrás dela e colocá-la em seu devido lugar.

— O que foi aquilo, meu irmão? O que deu em você?

— Aquela mulher poderia ter arruinado sua vida, e ainda a defende?

Maata o olhou com muita atenção.

— Nunca o vi assim. Mesmo quando se zanga não deixa transparecer. Meu Deus, você está apaixonado!

— Não faz a menor diferença se estou ou não, Maata. Amanhã nós voltaremos para nosso país, e Usagi Baker será passado. Depois que colocarmos os pés em Nakabir, nunca mais quero ouvir o nome dela, entendeu bem? Beryl está a minha espera para nos casarmos, o que será feito em no máximo uma semana.

— Mas seu coração pertence a outra.

— Você é muito romântica, minha irmã. Eu sou um príncipe, e um dia serei sheik. Ainda que quisesse trocar Beryl por Usagi, como poderia? Beryl é uma moça de alta estirpe, filha do melhor amigo de nosso pai. Usagi é uma ladra! — Mamoru meneou a cabeça e chamou o garçon. — É bobagem perder tempo pensando nisso. Vamos embora, você tem de apanhar suas coisas. Depois, é melhor descansarmos bem. Jantaremos no hotel. Muitas horas de vôo nos aguardam. Ah! E nada de avisar nossos pais de nosso retorno. Jure que não dirá nada a eles.

— Mamoru… Há dias não falo com mamãe, quero ligar para ela hoje.

— Sem problemas. Apenas omita essa informação. Caso contrário, é bem capaz de nosso pai ordenar que fiquemos aqui, e eu não quero ter de desobedecê-lo.

— Está bem. Mas se eles ficarem bravos comigo, direi que a culpa é sua.

— Boa menina!

Maata pediu licença e foi ao toalete. Retocava a maquilhagem quando seu celular tocou. Apanhou-o de dentro da bolsa. Era Usagi.

— Que bom que ligou. Eu queria me despedir.

— Preciso muito falar com você, Maata. Hospedei-me no mesmo hotel de seu irmão. Assim que conseguir se livrar dele, venha falar comigo no quarto 1204.

— Certo.

— Até lá.

Mamoru levou a irmã até o apartamento dela, para buscar suas coisas.

— Ainda não me conformo por ter corrido atrás de você como um idiota durante meses, só porque meus pais temiam por minha segurança.

Maata continuava fazendo as malas, enquanto conversava com ele.

— Sossegue. Tudo acabou dando certo, nós estamos bem e vamos voltar para Nakabir. Mas ainda acho que você devia avisar o sheik.

— Nem pensar. Meu lugar é lá, do lado de minha família. Temos de eliminar essa célula rebelde. Há tantos lugares retrógrados no Oriente! Se aquela gente gosta de viver na Idade Média, que vá morar num desses locais, não é? Nakabir é progressista e continuará sendo.

— Tudo bem. Agora, me dê licença, vou tomar um banho.

Vinte minutos depois, Maata saía do banheiro. Mamoru se levantou da cadeira imediatamente e foi ao encontro dela: tocando-lhe o rosto de leve.

— O que é isto?

Ela se esquecera de disfarçar o hematoma. Agora era tarde.

— Nada de mais.

— Quem a machucou?

— Isso não importa, Mamoru.

— É culpa daquela mulher, não é?

— Não. Eu fui imprudente. Mas agora nada disso tem importância.

Maata calçou um par de ténis e disse ao irmão:

— Está tudo pronto. Podemos ir.

— Mamoru, eu o encontro mais tarde. Quero ir ao cabeleireiro.

— Você ficou bem de cabelo loiro.

— Mamãe acabará comigo se eu chegar com essa cor de cabelo em casa. Além dela, sou a única morena daquele palácio.

Maata deu um beijo no irmão e desceu no segundo andar do hotel, onde ficava o salão de beleza. Entrou na recepção, marcou hora com o melhor profissional disponível e foi conversar com Usagi, em sua suíte.

— Você demorou — ela reclamou, como cumprimento.

— Meu irmão é esperto. Despistá-lo não é tarefa simples.

— Eu que o diga — Usagi ficou vermelha. — Venha, sente-se aqui. Temos muito o que conversar.

Usagi abriu o cofre e apanhou uma bolsa.

— Aqui estão suas peças, como prometi.

Maata sorriu e conferiu uma por uma, sobre a cama.

— Venha, Usagi. Metade delas lhe pertence. pode escolher.

— Não, Maata. Você levou sustos demais. E eu não fui totalmente sincera.

— Façamos o seguinte: pegue a metade das jóias, conforme combinamos, e então me diga toda a verdade que escondeu de mim até agora. Assim, ficamos quites.

Usagi aceitou o generoso oferecimento. Em seguida, guardou em segurança as peças que ganhou.

— Sugeri que trocássemos de identidade porque foi a maneira que encontrei de descobrir se a polícia sabia algo concreto a meu respeito. Além disso, algo me dizia que Seiya queria me tirar do caminho, por achar que o passei para trás.

— E você fez isso?

— Claro!

Maata mordeu o lábio para não rir. A naturalidade com que Usagi falava sobre os próprios actos era algo no mínimo admirável. Mas jamais admitiria isso. Ia contra seus princípios.

— Mas Seiya é bandido de verdade. Ninguém vale nada para ele. Como é o único que sabe dessa minha actividade pouco recomendável, se a polícia viesse atrás de mim, teria sido por traição dele. Seiya quer as jóias que estão em meu poder.

— Ladrão que rouba de ladrão… — Maata meneou a cabeça.

— Porém, se você fosse mandada para a cadeia, como poderia fazer o que ele queria?

— Oh, criança ingénua! Entre dezenas de policiais, deve haver ao menos dez pessoas no presídio dispostas a arrancar toda e qualquer informação da pobre Usagi Baker. Agora, no entanto, Seiya está desmoralizado como informante da polícia. Mas ele não vai sossegar enquanto não fizer picadinho de mim, não me iludo quanto a isso.

— E você, o que fará?

— Tenho um plano. No entanto, ele só dará certo se você concordar em colaborar.

— De novo? Ah, sinto muito. Sabe muito bem que amanhã irei com meu irmão para meu país, e não devo voltar aqui tão cedo. Se quer dinheiro para viajar, você já tem. Basta vender as jóias.

— Dinheiro não é meu problema.

— Usagi, foi óptimo conhecê-la, acho você uma garota formidável, embora não concorde com seus métodos, mas para mim chega. Irei para Nakabir, abrirei uma joalharia e serei feliz lá, junto de meus familiares e longe de situações como essas em que me meti. Tudo isso foi bom para eu descobrir quanto é maravilhoso ter nascido princesa, ser protegida e amada. Nada do que me diga me fará mudar de ideia. partirei amanhã, e ponto final.

Usagi esboçou seu sorriso mais devastador.

— É muito bom ouvir isso, minha cara.

Maata ficou confusa.

— Seus pais deram um jeito de mandar Neyah para fora do país para protegê-lo, certo?

A princesa tomou a mão de Usagi.

— Minha querida, não alimente falsas esperanças. Não sei o que houve entre você e meu irmão, mas senti o clima entre vocês. O problema é que um romance seria impossível, Usagi. Mamoru vai se casar assim que chegarmos a Nakabir. E mesmo que ele decidisse ir contra a resolução do sheik, como poderia ter por esposa uma… ladra? Perdoe-me, meu anjo, mas não quero que você sofra.

Usagi ficou triste ao ouvir aquilo.

Com milhões de homens disponíveis no mundo, eu tinha de me apaixonar por um impossível!

Ela levou a mão ao peito. Sim, a conclusão era aquela mesma: apaixonara-se por Mamoru, não havia dúvida. E ele jamais seria dela.

Contudo, seu amor corria perigo, bem como todos aqueles que lhe eram caros. Ele poderia sofrer um atentado, ou algum de seus parentes.

Usagi sabia muito bem como podia ser assustador e doloroso perder os familiares de uma hora para outra. Não queria que Mamoru passasse por isso.

Seu coração lhe dizia que fosse para Nakabir. Tinha habilidades únicas, que talvez pudessem ser utilizadas para acabar com o movimento rebelde.

Mesmo tendo de enfrentar o tormento de ver o homem de sua vida se casar com outra, teria o consolo de haver colaborado para que ele tivesse uma vida longa e feliz ao lado dos seus.

— Maata, sou perita em entrar e sair dos lugares mais inexpugnáveis sem deixar pistas. Fora isso, meus conhecimentos de sistemas de segurança e de informática são muito bons. Posso colaborar com o sheik para descobrir um modo de encarcerar aqueles fanáticos.

Maata fez um esgar.

— Você é apenas uma garota. Homens muito experientes não conseguiram chegar nem perto daqueles miseráveis. Por que acha que seria capaz de fazer algo que eles não puderam?

— Se você pensa assim, imagine o que pensarão os homens.

Maata ia contra-argumentar, mas se calou, compreendendo o que Usagi quisera dizer.

— Ninguém desconfiaria de você.

— Não é mesmo?

A princesa se levantou e tornou a se sentar.

— Seria muito arriscado, Usagi. Se meu pai concordar com essa loucura, o que acho improvável, e você cair em mãos inimigas, na certa os rebeldes a matarão.

— Se eu continuar aqui, Seiya acabará comigo. Já que tenho de morrer mesmo, que seja por uma causa nobre. Assim talvez eu consiga um lugar mais fresquinho no inferno quando eu chegar lá.

— Usagi!

Elas deram risada.

— Mamoru não vai concordar.

— Sei que não. Ele me culpa por tudo o que lhe aconteceu e tem razão. Mas você é uma moça inteligente e vai descobrir uma maneira de me colocar dentro daquele lindo jacto sem que ninguém me veja. Terá também de misturar minha bagagem à sua. Eu irei ao shopping e adquirirei malas novas. Colocaremos minhas coisas nelas, e você dirá a Mamoru, se ele perguntar, que não resistiu a fazer mais umas compras antes de embarcar. Afinal, estamos em Nova York! Que mulher resiste a tantas lojas maravilhosas? Ainda mais com seu poder aquisitivo…

Foi a vez de Maata sorrir com malícia.

— Já sei! Porém, não poderemos errar, ou seremos desmascaradas.

— Diga!

— Neste caso, é melhor sermos metódicas — Maata apanhou um bloco e uma caneta. — Anotaremos tudo o que será necessário providenciar. Nada pode dar errado.

— E não dará.

Após repassarem toda a estratégia, as amigas se despediram.

— Tenho cabeleireiro em cinco minutos — Maata apanhou a bolsa.

— E eu tenho algumas providências a tomar antes de viajarmos.

Elas se abraçaram.

— Obrigada por tudo, Maata. E acredite quando lhe digo que sei que poderei ser útil para sua família.

Maata deu-lhe um beijo no rosto.

— Espero que sim. Mas se meu pai não permitir que você aja, ao menos irá conhecer nosso país, que é muito lindo. Férias nunca fazem mal a ninguém.

Enquanto isso, em seus aposentos, Mamoru andava de um lado para o outro. Tinha ganas de estapear Usagi Baker por ter colocado sua irmã em apuros. Imagine, uma jovem princesa, tão delicada, tão mimada, indo parar numa delegacia acusada de roubo pelo simples fato de ter feito amizade com uma ladra.

Bem, para ser justo tinha de admitir que nada daquilo teria acontecido se seus pais não houvessem resolvido afastá-lo dos problemas políticos em seu país. Na realidade, isso estava entalado em sua garganta. Fora tratado como um garoto frágil. O sheik e a rainha agiram como pais, não como soberanos. Os argumentos deles não o enganavam. Por culpa de seu excesso de zelo, sua irmã se envolvera com gente muito aquém de seu nível, como Usagi Baker, e bandidos juramentados, como o tal Seiya.

E ele, Mamoru Faraj, príncipe de Nakabir, primeiro na linha sucessória do sheik, por conta das artimanhas de seus pais, acabou tendo seu coração roubado pela mais linda ladra da face da terra.

As imagens do corpo dela se contorcendo a seu toque, implorando para ser possuída, seu aroma tão feminino exalando de todos os poros, seu suor molhando os lençóis de linho… Jamais conhecera uma mulher mais ardente e confiante. Usagi se entregou a ele como se o conhecesse a vida toda. Como se fossem um só.

Como esquecê-la? O perfume dela se entranhara em sua pele para sempre. O som de seu sorriso jamais abandonaria seus sonhos.

E aquele olhar repleto de paixão o perseguiria aonde quer que fosse. Mamoru estava condenado, e sabia disso. Tinha obrigações a cumprir, e entre elas, um casamento agora indesejado.

Nunca chegou a se apaixonar por Beryl. Ela era belíssima e muito sensual, mas o sentimento que nutria pela noiva era mais como o carinho de um irmão. O que sentia por Usagi, ao contrário, era, sem dúvida alguma, o amor de um homem por uma mulher.

Iria se casar com Beryl. Ela um dia se tornaria a rainha de seu país. Mas a soberana de seu coração seria, até o fim de seus dias, aquela fora-da-lei de olhos da cor do céu. Tinha certeza de que seria assim. Os homens de sua família só amavam uma vez.

Nunca mais colocaria os pés nos Estados Unidos. Sabia que, se o fizesse, não resistiria à tentação de falar com ela, de tentar seduzi-la e levá-la para a cama. Isso não seria justo com Usagi.

Mas o pior seria encontrá-la nos braços de um homem que não teria tantos impedimentos, e que poderia dar a ela um lar e toda sua dedicação.

Seu sangue ferveu só de imaginá-la ao lado de outro.

— Chega desse tormento!

Assim que chegasse a Nakabir iria se envolver de corpo e alma nas questões de Estado que o aguardavam e em seu casamento com Beryl. Seus afazeres no palácio e a nova família lhe tomariam todo o tempo, e talvez operassem o milagre de arrancar Usagi de seu coração.

Maata tomava o desjejum com Mamoru nos aposentos dele.

— Não acredito que comprou mais roupas ontem.

— Vocês, homens, vivem nos criticando, mas bem que adoram nos ver bonitas, bem produzidas.

Mamoru sorriu.

— Eu não sabia, mas estava com saudade de seus cabelos pretos.

— Graças a Deus, o cabeleireiro que me atendeu é excelente. Ficou óptimo, não?

— Sem dúvida.

O celular tocou. Mamoru atendeu.

— É Jedite, do aeroporto. O jacto está pronto. Vamos?

— Preciso apenas escovar os dentes. Só um minuto.

No banheiro, Maata ligou para Usagi.

— Estamos indo.

— Já estou aqui.

— Fez aquilo?

— Sim.

— Vai dar tudo certo, não vai?

— Evidente!

— Um beijo — E Maata desligou.

Assim que chegaram ao topo da escada da aeronave, Maata levou a mão à testa.

— Nossa, quase esqueci!

— O quê?

— A encomenda de mamãe. É só um instante, Mamoru. Pode entrar e tomar seu lugar como co-piloto. Vou correndo até a loja, aqui mesmo no aeroporto.

— Maata…

— Vá, meu irmão. Não demoro.

Embora contrariado, Mamoru foi para a cabine e tomou seu assento.

Maata, em vez de descer a escada, entrou no jacto e, sem fazer ruído, se agachou atrás de uma das poltronas. Aguardou alguns minutos e fez a ligação combinada com Usagi.

Sem perda de tempo, Usagi, usando um traje típico idêntico ao de Maata, com grandes óculos escuros e um véu cobrindo a cabeça e a parte inferior do rosto, saiu da loja com um pacote na mão e foi para a pista de descolagem.

Jedite a viu se aproximando e ligou o motor.

— A princesa vem vindo, Alteza.

— Óptimo.

Usagi entrou no avião, entregou o pacote a Maata e correu pelo corredor até a cabine privativa das mulheres.

Maata foi falar com o irmão.

— Pronto, podemos descolar — e mostrou a ele, muito sorridente, o embrulho em suas mãos.

— O que é isso?

— Um vaso de Murano. Mamãe faz colecção.

— Alteza, por favor, sente-se e afivele o cinto — Jedite pediu-lhe.

— Certo.

E Maata foi ao encontro de Usagi. Entrou no ambiente privativo e trancou a porta.

— Temos de falar bem baixo. Se Mamoru desconfiar, estaremos em apuros.

— Deu tudo certo, Maata!

— Ainda acho tudo isso uma loucura.

— E é. Mas é por uma boa causa.

— Bem, como lhe disse, nem meu irmão, nem Jedite entrarão aqui sem pedir licença. Eu ficarei a maior parte do tempo lá na frente, como é meu costume.

Maata abriu o pacote. Apanhou o pequeno vaso de cristal e o guardou na bolsa. Depois, pegou a sacola térmica, que continha sanduíches, leite, biscoitos e outros alimentos para Usagi.

— Não poderei dividir minhas refeições com você.

— Aqui tem mais do que o suficiente para mim — sorriu-lhe Usagi.

— Quando o avião pousar em Nakabir, virei aqui buscar minha bolsa; esse será o sinal. Você permanecerá no jacto. Logo que for possível voltarei para apanhá-la.

Com o jacto no piloto automático, Jedite e Mamoru deixaram a cabine de comando. Jedite foi ao toalete, e Mamoru se sentou ao lado da irmã.

— Com saudade de casa?

— Muita!

— Percebi ao vê-la com essa roupa. Em Nakabir você só usa jeans e camiseta.

Maata suspirou.

— Algum dia poderá me perdoar, Mamoru?

— Pelo quê?

— Por tê-lo feito de bobo.

— Ah, isso… Nós dois cumpríamos ordens. Os cidadãos comuns acham que a vida de pessoas como nós é um eterno mar-de-rosas. Mal sabem as inúmeras regras que temos de cumprir. Antes de tomarmos uma atitude, temos de pesar tantas consequências que isso chega a nos desanimar.

— Refere-se a Usagi?

Mamoru se virou para a janela.

— Nunca mais tomarei a vê-la.

A tristeza do irmão era tão evidente que por um triz Maata não lhe disse que Usagi estava ali, naquele avião, para aliviar seu sofrimento.

— "Nunca" é tempo demais, meu querido.

Ele nada comentou.

— Como é possível que em um espaço de tempo tão curto você tenha se apaixonado tanto?

— Quem pode saber? Quando vi Usagi naquela cama de hospital, fingindo ser você, senti tanta raiva dela! Era uma completa estranha se fazendo passar por minha irmã, a quem eu procurava havia meses. Achei que ela a tivesse sequestrado ou coisa assim. No entanto, ao ver aqueles olhos claros me fitando… Jamais conheci uma mulher igual. Usagi tem a exacta mistura de docilidade com um cérebro privilegiado. Além de uma sensualidade capaz de derreter pedras.

— Hum… Quer dizer que enquanto eu me afligia, por ignorar onde Usagi havia se metido, vocês dois se divertiam a valer.

Mamoru não reprimiu o riso.

— Você é terrível, Maata! — meneou a cabeça. — Mas devo confessar que sim. Eu precisava descobrir seu paradeiro, e acabei usando métodos nada ortodoxos. Porém, o resultado foi maravilhoso.

— E vocês acabaram se apaixonando.

— Eu, sim. Ela, não tenho certeza. De todo modo, estou indo de encontro a meu destino.

— Nos braços de uma mulher que você não ama.

— Isso não importa. Não posso fugir ao compromisso.

— Nem por sua felicidade?

Enfim, ele a encarou.

— Diga-me como eu poderia ser feliz ao lado de uma criminosa. Sou um príncipe, um dia serei o soberano de nosso povo. O que direi a todos: "Respeitem sua rainha. Ela foi ladra um dia, mas quem não tem seus pecados?" Só mesmo em sua cabecinha de garota romântica isso pode ser possível.

— Cuidado, Mamoru. Há milhares de cores e tonalidades, não apenas o preto e o branco. Às vezes uma pessoa que passou a vida toda sem um deslize sequer acaba mostrando um carácter para lá de duvidoso…

— Sei.

— …e as criaturas mais desprezíveis podem vir a tomar atitudes heróicas.

— Claro. Em filmes de aventuras, novelas e historinhas infantis. Na vida real não é assim.

Maata não quis discutir. Mas rezou em silêncio para que tudo se encaminhasse da melhor forma. E que seu irmão, um dia, pudesse ser feliz.

Usagi, com a orelha grudada na porta, tentava ouvir o que os irmãos conversavam. Suas vozes eram bem audíveis, mas eles dialogavam em árabe. Óbvio. Por que falariam em inglês se não havia nenhum estrangeiro por perto?

Mesmo assim, continuaria ali. Era tão excitante escutar Mamoru falando naquele idioma tão melodioso! Uma vez em Nakabir, iria se esforçar para aprender a língua deles.

Os dois se calaram, e Usagi tomou seu assento. Sem nada para fazer, colocou os fones do MP3 nos ouvidos e se recostou, confortavelmente, para admirar as nuvens branquinhas, cortadas pelas asas do avião.

Como seria Nakabir? Maata dissera que era uma ilha muito próxima ao golfo de Ácaba, entre o Egipto e a Arábia Saudita. Era um Estado progressista, com duas óptimas universidades, hospitais com equipamentos de última geração, profissionais de ponta tanto homens como mulheres, pois naquele país as mulheres desfrutavam de uma liberdade quase ocidental. A riqueza de Nakabir se baseava em extracção mineral e de petróleo. O analfabetismo fora erradicado havia décadas, e todos os habitantes, mesmo os trabalhadores rurais, viviam com dignidade.

As leis eram severíssimas, mas os julgamentos eram levados a sério, com investigações e perícias, para se evitar ao máximo que alguém fosse punido por um crime que não cometeu. O sheik, pelo visto, era um governante justo.

No palácio, elas iriam directo para o harém, onde moravam as mulheres solteiras. Por enquanto, apenas a rainha vivia no palácio propriamente dito. Em breve, Beryl, a noiva de Mamoru, também iria morar lá, com seu marido.

Maata não entrara em detalhes ao se referir a Beryl. Dissera apenas que o casamento dela com seu irmão fora acertado quando os dois eram ainda crianças, algo completamente fora da realidade de Usagi.

Respirou fundo. Não iria se permitir sonhar. Tudo o que almejava era se ver de livre de Seiya Riscoe para todo o sempre. Desde que começara com suas actividades em parceria com ele, tinha em mente que, assim que tivesse chance, pararia de roubar e se tornaria uma cidadã respeitada. Não ambicionava se tornar rica. Queria conforto e condições de sustentar seu irmão — uma vez que o encontrasse. Porém, depois que se entra para o crime, a cada minuto se torna mais difícil sair.

Seiya estava atrás do fruto do roubo de Usagi, mas também não desejava abrir mão dela. Ninguém era melhor que ela em seu ofício. Portanto, aquela fuga para Nakabir viera muito a calhar.

Usagi sempre se orgulhou de seus talentos; no entanto, como seu último pai adoptivo vivia dizendo, eles só serviam para praticar o mal. E de repente, como que caída do céu, surgia a oportunidade de fazer algo de muito bom com eles. Evidente que não sabia se ia dar certo. Na realidade, podia ser que o sheik a expulsasse do país sem a menor complacência. Isso se chegasse a ouvi-la.

Mas iria tentar. Nenhum homem era inacessível, nenhuma fortaleza, impenetrável. O tal chefe dos rebeldes tinha de ter pontos fracos, como todo mundo. E por quê, afinal de contas, não utilizar os préstimos de alguém que se oferecia para a empreitada sem querer nada em troca?

Isso mesmo. Pela primeira vez, desde que se viu abandonada, tendo de enfrentar sua existência solitária e melancólico, Usagi desejava fazer algo sem esperar por recompensa. Era seu coração que gritava para que fizesse de tudo para levar paz para seu amor. O sheik e a rainha deram a Usagi o maior presente que ela poderia esperar: Mamoru. Por causa deles tudo começava a fazer sentido.

Em seu peito apaixonado brilhava agora a luz de um caminho novo. Talvez ela tivesse nascido com um único propósito; eliminar o perigo que pairava sobre a cabeça de seu amado.

Podia parecer pretensão demais crer que uma simples mulher — quase uma garota — iria dar conta do que homens treinados para o combate não tinham conseguido. Mas na história da humanidade havia milhares de exemplos em que a astúcia vencia a força bruta.

Estava disposta a tudo. Mamoru jamais seria seu, mas Usagi teria ao menos o conforto de saber, por mais longe dele que estivesse, que seu príncipe seguia seu destino, com sua família, com seu povo, e que ela contribuíra para isso.

Todavia, podia ser que não vivesse tanto assim. Aqueles com quem iria se envolver eram fanáticos, também dispostos a tudo para alcançar seus objectivos. Se morresse, era provável que Shingo nunca viesse a saber que um dia teve uma irmã que queria muito achá-lo.

Teria de falar sobre isso com Maata…