Olá Aryel-Chan muito obrigado pelo seu apoio espero que este capitulo seja do seu agrado. Bjs

Estrela Lunar ainda bem que esta viciada nesta história…. Ainda bem que apesar da demora você gostou…. Desta vez também demorei apesar de não haver desculpas … espero que goste deste capitulo….. bjs

Esclarecimentos:

Como sabem Sailor Moon não me pertence, pertence sim a Naoko Takeuchi.

E esta linda história também não me pertence, pertence a Tuca Hassermann.

Espero que gostem de a ler como eu gostei. Quero simplesmente a da-la a conhecer mas com os nomes dos meus personagens favoritos.

O Príncepe e a Plebéia

Enjoi.

CAPÍTULO 8

Após o jantar, Maata deu boa-noite a Mamoru e foi para a cabine privativa.

Usagi terminava seu sanduíche, e a princesa colocou diante dela um pote de gelatina.

Sua sobremesa.

Obrigada. Gostaria de ganhar também um pouco daquilo que vocês comeram. Cheirava tão bem!

Jedite é bom cozinheiro.

Ele deve ganhar uma fortuna. É piloto, segurança, cozinheiro…

Maata se despiu para ir tomar seu banho.

Amanhã a esta hora você terá se fartando com a melhor refeição que já comeu em toda sua vida. Nunca enfrentei dificuldade maior do que manter a forma naquele palácio.

Maata foi para o banheiro, e Usagi a acompanhou. A princesa abriu o chuveiro, e elas aproveitaram para conversar à vontade. Com a porta fechada e o som da água, não seriam ouvidas de jeito nenhum de fora da cabine.

Como é o harém de seu pai? Tem centenas de concubinas, como nos relatos bíblicos?

Não mais. Quando se casou com minha mãe, papai desactivou o harém. Ele não proibiu a prática para os cidadãos; a poligamia não se tomou ilegal. No entanto, as concubinas têm de estar de pleno acordo. Se uma mulher for mantida num harém contra sua vontade, o responsável pode pegar trinta anos de cadeia.

Que boa notícia.

Acontece que meus pais não acharam justo mandar as mulheres embora do palácio. Algumas tinham até nascido lá. Assim, papai garantiu o sustento das que preferiram partir e arranjou bons maridos para outras. As que optaram por ficar trabalham no palácio. Quando uma moça vai se casar, são elas que lhes ensinam as artes do amor.

Usagi arqueou uma sobrancelha.

Não me diga que mulheres adultas não sabem o que um casal faz na cama.

Lógico que sim. Mas, para nós, é uma tradição milenar desfrutar ao máximo do sexo. Ou você acha que mulheres de harém fazem apenas o trivial? Por que um sheik manteria tantas concubinas se todas fizessem a mesma coisa?

Usagi suspirou. Tinha de se lembrar de agradecer àquela que ensinou aquelas delícias fabulosas a Mamoru.

Acho que vou adorar seu país.

Maata terminou o banho, enxugou-se, colocou um pijama de flanela e secou os cabelos.

Você vai dormir? Não são nem seis horas ainda.

Recuso-me a chegar abatida e com olheiras. Nem que não consiga conciliar o sono, vou relaxar bastante.

Usagi achou graça. Maata era mesmo vaidosa.

Nossa cultura é muito diferente da sua, mas Nakabir é um lugar maravilhoso. Sinto tanta saudade que mal posso esperar para pousarmos.

Por falar nisso, como será meu desembarque, Maata?

Você permanecerá no avião. Eu, Mamoru e Jedite iremos para o palácio, e assim que der, virei buscá-la.

Terei de ficar aqui, sozinha?

Não há por que ter medo. Ninguém invadiria um jacto do sheik.

Mesmo? Pelo que fiquei sabendo, alguns fanáticos andam à solta por aí querendo arranjar encrenca. Não ouviu falar?

É, de fato. Mas o aeroporto é muito bem guardado. Tenha s6 um pouco de paciência. Prometo que não me demorarei além do necessário.

O jacto pousou no aeroporto de Nakabir pouco depois da meia-noite.

Usagi se fechou no banheiro e aguardou que todos desembarcassem. Teria de ficar ali, no escuro, sozinha, numa terra estranha, aguardando que Maata a buscasse. Ninguém mais sabia que ela estava ali. Se algo desse errado…

Ora, desde quando se tomara medrosa? Não viera para tão longe para que nada de bom lhe acontecesse. Iria dormir bem, e no dia seguinte sua amiga viria apanhá-la.

Através de uma fresta da cortina, Usagi avistava a movimentação do aeroporto. Não era grande como o de Nova York, mas aeronaves pousaram e levantaram vôo até as duas da manhã.

Então, com o fim das actividades, tudo ficou no mais absoluto silêncio.

O jeito é aproveitar para dormir. Caso contrário, pela manhã parecerei uma uva passa, Usagi exagerou.

Assim, aconchegou-se melhor entre as cobertas e, dizendo a si mesma que estava ali para ajudar seu amor, e que era isso o que ia fazer, adormeceu.

Mamoru e Maata decidiram ir directo para seus aposentos. Os pais já deviam estar dormindo, bem como todos no palácio. Assim, descansariam da longa viagem e se apresentariam aos soberanos com boa disposição de ânimo.

Eles iriam precisar.

Maata se vestiu com a roupa de que sua mãe mais gostava: uma túnica branca trabalhada em finíssimos fios de prata. Uma serviçal fez-lhe uma trança muito elaborada e colocou em sua cabeça uma tiara de platina cravejada de pérolas.

A princesa conferiu sua imagem no espelho e sorriu, feliz com o resultado. Ela parecia um anjo. Precisaria usar todas as armas para conseguir a colaboração da rainha para trazer Usagi para o palácio e dar prosseguimento ao plano delas.

Obrigada, Núbia — e dispensou a criada.

Respirando fundo, Maata deixou o harém e foi falar com o irmão. Encontrou Jedite no corredor dos aposentos dos príncipes.

Bom dia, Jedite. Quero ver Mamoru. Peça a ele que me receba, por favor.

Pois não, Alteza — Jedite entrou na suite do príncipe e retomou em instantes. — Seu irmão vai recebê-la.

Maata fez-lhe um gesto gracioso e passou pelo criado. Na sala da suite, Mamoru olhava pela janela, admirando a paisagem.

Vim buscá-lo para o desjejum, Mamoru.

Será uma surpresa para nossos pais.

Espero que agradável.

Maata se aproximou e segurou a mão dele. Mamoru se virou e a fitou, encantado.

Se tem algo a pedir a eles, este é o dia, Maata. Ninguém poderia resistir a você.

Ela deu-lhe um beijo.

Tomara que esteja certo. Vamos?

A refeição matinal acabava de ser servida quando irmã o e irmão entraram, de mãos dadas. Estavam presentes o sheik, a rainha e três de seus filhos.

Mamoru! Então desobedeceu minha ordem e voltou sem minha permissão — o sheik franziu o cenho, mas não conseguia esconder a satisfação de ver seu filho mais velho, ausente havia tanto tempo.

Mamoru foi até ele e deu-lhe um abraço apertado.

Mas cumpri minha missão. Trouxe minha irmã sã e salva.

Maata, que naquele momento enchia o rosto da mãe de beijos, estendeu a mão para Artemis, que foi até ela e enlaçou a filha e a esposa ao mesmo tempo. Então, foi a vez de os irmãos trocarem cumprimentos afectuosos.

Agora, vamos todos comer. Em seguida, vocês dois irão comigo e Luna para a sala de audiências ter uma conversa reservada.

Os príncipes não interferiram. Cada um deles tinha seus afazeres, e assim que terminassem o desjejum iriam para seus respectivos escritórios para trabalhar.

Mamoru queria muito perguntar por Beryl, mas preferiu esperar.

Hassin já saiu? — a ausência de seu irmão predilecto ao café da manhã não era incomum, mas Mamoru sentia saudade dele.

O sheik e a rainha trocaram olhares.

Ele teve de viajar.

Por quê?

Coma, meu filho. Colocaremos você a par de tudo logo mais.

A maneira como Luna falou deixou bem claro que nada mais seria dito, por ora. Desse modo, todos se dedicaram a assuntos amenos até o fim do desjejum.

Muito bem, Mamoru e Maata, venham connosco.

Os quatro foram para a sala de audiência de Artemis. Mamoru teria preferido que se reunissem nos aposentos particulares de seus pais, onde sempre se sentira tão bem. Aquele ambiente era austero e desprovido do calor humano que se via em praticamente todos os cómodos do palácio.

Sentem-se, meus filhos — disse Artemis, acomodando-se à cabeceira da mesa.

Temos muito o que conversar — Luna se sentou à direita do marido e uniu as mãos, um tanto nervosa.

Onde está Beryl? Não tenho notícias dela desde que deixei Nakabir, e hoje ela não fez a refeição connosco. Nem Hassin. Por favor, me digam o que houve com minha noiva e com meu irmão. De preferência sem preâmbulos.

Artemis fez menção de falar, mas Luna tocou seu braço e o encarou de maneira bastante significativa.

Filho, nós não agimos bem em apressá-lo para que viajasse de tal modo que não houvesse tempo para que se despedisse de sua noiva. O cancelamento da festa e todo o tumulto que se seguiu foram demais para Beryl. Ela não suportou e…

Mamoru ficou de pé.

Estão me dizendo que minha noiva…

Luna se apressou em desfazer o equívoco:

Acalme-se, querido, não é nada disso. Beryl está muito viva e muito bem.

O príncipe tomou a se sentar.

Eu jamais me perdoaria se o pior tivesse acontecido — ele passou os dedos entre os cabelos. — Bem, se não foi isso, o que houve?

Mamoru, entenda que Beryl foi tomada de uma raiva e frustração enormes. A pobrezinha não era dona de seus actos.

Mamãe, eu disse "sem preâmbulos".

Mas é importante que você compreenda os motivos dela.

O que Beryl fez?

Se tiver de descontar sua raiva em alguém, que seja em mim, filho.

Mamãe!

Sua noiva subiu para os aposentos dos príncipes, escolheu aleatoriamente um dos quartos, entrou e fez a dança dos sete véus para seu irmão Hassin. Na noite em que devia se tomar sua esposa ela se tomou mulher de seu irmão.

Artemis!

Ora, Luna, até eu estava angustiado com sua demora para falar!

Mamoru empalideceu.

Não pode ser. Por que Beryl faria uma coisa dessas? Isso é uma indignidade!

Mulheres e suas hormonais! Elas são capazes de nos enlouquecer e ainda afirmar, sem o menor constrangimento, que a culpa é nossa — Artemis deu um soco na mesa. — Aliás, foi o que Beryl fez. Uma moça que embalei em meus braços várias vezes quando ela era bebé!

Mamoru fechou os olhos, e só tomou a abri-los quando sentiu que seus músculos faciais relaxaram.

Muito bem. Beryl foi ao quarto de Hassin e se deitou com ele. Por que meu irmão não a repudiou? Por que preferiu me trair?

Ele não o traiu, Mamoru. Beryl nos contou, aos prantos, que foi tomada por um ódio insano, pois sonhara com aquele dia desde menina. Por isso, querendo se vingar de todos nós, ela decidiu que se deitaria com o primeiro homem que encontrasse. Beryl entrou na suite de Hassin sem saber que se tratava dele, o que na verdade não teria feito diferença alguma. Seu irmão também não sabia que era sua noiva aquela mulher que invadia seu quarto e se oferecia sem pudor, pois Beryl manteve o rosto coberto o tempo todo — Luna não encarava o filho enquanto falava. — É bem provável que nem Beryl, nem Hassin jamais viessem a saber que tinham estados nos braços um do outro naquela ocasião se o destino não tivesse feito das suas.

Tenho até medo de perguntar.

Certo dia, Beryl me chamou em seu quarto, no harém, se atirou a meus pés pedindo perdão e me contou que estava grávida, mas que não sabia quem era o pai. Tive um trabalho e tanto para descobrir qual dos quatro príncipes se deitara com sua noiva, Mamoru. Hassin ficou desesperado quando soube o que fizera. Queria falar com você a todo custo. Mas nós o convencemos do contrário, pedimos a Maata que o mantivesse ocupado correndo atrás dela e arranjamos tudo por aqui. Os dois se casaram e o bebé vai nascer em menos de três meses.

Mamoru não sabia o que pensar. Seu cérebro se recusava a funcionar.

Onde eles estão?

Casaram-se aqui, numa cerimónia íntima e discreta e viajaram para nossa casa em Monte Carlo.

Os três olhavam para Mamoru, esperando por uma explosão que, embora não fosse de seu feitio, haveria de ser totalmente compreensível.

Você está bem, meu irmão?

Sim. Atordoado, mas bem. Começo a ver que, embora seja uma óptima garota, Beryl não servia para vir a ser rainha, um dia. É intempestiva demais. A companheira ideal para um homem que será o soberano de seu país deve ser dona de seus actos e jamais perder a cabeça — sorriu, malicioso. — Tomara que Hassin consiga dar conta daquele fogo todo.

Não ficou com raiva deles?

Como eu poderia, pai? Hassin ignorava que estava fazendo sexo com a noiva do irmão. Quando soube o que fez, agiu como o homem honrado que é e se casou com ela. Como você, mamãe, costuma dizer, o destino tem maneiras muito peculiares de agir. Decerto não era para eu me casar com ela.

Concordo, meu filho. Essa sua postura demonstra bom senso e equilíbrio. Um homem não deve se deixar levar pelas emoções.

Para ser sincero, meu pai, jamais nutri por Beryl o mesmo sentimento que você tem por mamãe.

O sheik meneou a cabeça.

Peço-lhe que me desculpe, Mamoru, por ter acertado seu casamento com Beryl sem levar em consideração sua opinião. Eu, mais do que ninguém, devia saber quanto é importante que façamos nossas próprias escolhas — Artemis fitou Luna com adoração. — O coração de um homem justo costuma fazer as melhores escolhas.

Mamoru suspirou. Se seu pai soubesse quem era o objecto de seu amor, mudaria de ideia na hora.

Devem imaginar que Maata já me contou de seu outro motivo para me manterem longe de Nakabir.

Por mim, você não voltaria enquanto tudo não estivesse terminado.

Pai, o plano que arquitectaram teria utilidade se eu fosse o único herdeiro à sucessão.

Como assim?

Tenho mais quatro irmãos homens. Se os terroristas tivessem resolvido me eliminar, teriam de fazer o mesmo com cada um de meus irmãos.

Luna fitou as mãos. O sheik pigarreou.

É… Acho que não pensamos nisso.

Mamoru arregalou os olhos.

Pelo menos que não tenha sido a mim que quiseram proteger.

Obvio que foi! — O sheik tornou a fitar a rainha, dessa vez confuso.

Maata compreendeu aonde o irmão queria chegar.

Estou correndo perigo?

Claro! Não é segredo para ninguém que todos nesta família são loucos por você, Maata — Mamoru se levantou e se aproximou de Luna. — Céus, que mulher ardilosa você é!

Não fale assim com sua mãe! — interveio o sheik.

Isso é um elogio, meu pai — Mamoru se agachou bem perto dela. — Será que todas as mulheres que amo são tortuosas em seus métodos para conseguir o que querem?

Mamoru, Luna não sabia o que os fanáticos planejavam. Eu não falei para ela, para que não se desesperasse — Artemis se dirigiu à esposa: — Diga a ele, amor. Fale que sua sugestão foi de que o tirássemos daqui e não que…

A rainha se manteve calada.

Você me enganou também? Como descobriu sobre a ideia do sequestro de Maata? Quem lhe disse?

Tenho minhas fontes, Artemis. E fiz o que fiz por um excelente propósito. Acabou dando tudo certo, não é?

Bom Deus!

As pupilas de Luna brilharam.

Você não está se referindo apenas a sua irmã e a mim, Mamoru — a rainha segurou o rosto do filho entre as mãos. — Alguém o conquistou. Quem é essa mulher?

Ele se afastou, para impedi-la de ler sua alma.

Engano seu. Eu falava apenas de você e Maata.

Sei…

Bem, o que será agora? — Maata resolveu se pronunciar. — Eu voltei, estou em nosso país e, segundo o que dizem, aqueles fanáticos pretendem me fazer mal. Houve alguma ameaça concreta, papai?

Embora relutante e zangado, o sheik decidiu que se os filhos soubessem dos fatos poderiam se precaver com mais facilidade.

Conseguimos infiltrar um espião entre os rebeldes. Foi ele quem nos informou do plano para sequestrá-la, minha filha. Entretanto, o pobre homem foi descoberto e assassinado. Por esse motivo, ignoramos se aqueles bandidos modificaram seus planos ou não.

Devemos enviar Maata para fora do país, de novo.

De modo algum, Mamoru! Ficarei aqui e enfrentarei com vocês essa corja!

Não seja tola, minha irmã. Você é nosso ponto fraco, e os rebeldes sabem disso. Protegê-la é proteger Nakabir. Não vê? Se eles a sequestrarem, teremos de atender a todas as exigências que fizerem. Jamais a deixaríamos nas mãos daqueles facínoras. Gente assim é capaz de tudo.

Mamoru tem razão, filha. Não podemos nos arriscar.

Maata quase revelou naquele mesmo instante que trouxera reforço consigo. Porém, achou melhor não alterar nada sem antes falar com Usagi.

Fingindo-se de resignada, dirigiu-se ao sheik:

Papai, tudo isso me abalou muito. Permita que eu vá para meu quarto.

Claro, filha.

Mamãe, venha comigo, sim? Não estou me sentindo muito bem.

Minha filhinha querida, não fique tão assustada. Seu pai e seus irmãos não falharão com você.

Maata trancou a porta da sala de sua suite e conduziu Luna pela mão até seu quarto, cuja porta também trancou.

Filha, não é preciso ser tão cautelosa aqui no palácio.

Mamãe, tenho um assunto importantíssimo a tratar com você. Vou lhe contar tudo desde o começo, em detalhes. Depois, irei apresentá-la a uma pessoa que se dispõe a nos dar uma mão para resolver de uma vez por todas esse problema com os rebeldes.

O que diz? Do que está falando, Maata?

Só lhe peço que me ouça.

Ao fim do relato, Luna não cabia em si, tamanho seu assombro.

O que a faz crer que essa moça possa fazer algo que os homens ainda não tentaram?

Mãezinha, não é óbvio? Tanto neste palácio como fora dele somos vistas como coisinhas frágeis e quase sem cérebro, que não podem tomar conta de si próprias. Esse é nosso trunfo! Quem imaginará que justo de uma mulher virá o perigo?

Como tudo tinha um lado ruim, viver em Nakabir, para Luna — que fizera daquele país seu lar havia décadas — apesar de toda a felicidade de que desfrutava, trazia esse travo amargo.

Entretanto, aprendera a conviver com o machismo enraizado daquele lado do mundo. Fora o preço a ser pago para estar com seu amado e formar uma família com ele.

E, não bastassem todas as alegrias que alcançou, descobrira algo importantíssimo sobre si: se não era possível caminhar directo para seu objectivo, a estratégia a ser usada era andar de lado, como se aquilo não tivesse a menor importância, até o momento certo.

Há apenas um problema, Maata. Como faremos para trazer sua amiga a Nakabir sem que ninguém mais fique sabendo?

Maata esboçou aquele seu sorriso irresistível e falou para a mãe:

Nós já nos encarregamos disso. Usagi nos espera no aeroporto; mais precisamente dentro de nosso jacto. Eu a trouxe na bagagem, por assim dizer.

A pobrezinha está lá? Pois vamos buscá-la neste instante!

Mamãe, você ouviu bem o que eu falei? Usagi é uma ladra.

E daí? Ela não demonstrou que é sua amiga?

Sim. Quero apenas garantir que você esteja bem consciente de que não estamos lidando com alguém como nós.

Querida, considerações morais nunca foram meu forte. Se essa moça se dispõe a colaborar connosco, é só o que me interessa.

Nesse caso, vamos logo. Usagi já deve estar sufocando naquele avião.

Luna e Maata pediram ao motorista que as deixassem no shopping center. Dali, elas apanharam um táxi e foram para o aeroporto.

Até que enfim! — Usagi correu a abraçar Maata assim que ela entrou no jacto. — Já estava vasculhando tudo, para encontrar um meio de sair daqui. Achei que algo tinha dado errado e que você talvez não pudesse vir me buscar.

Maata tirou o véu e deu-lhe um beijo no rosto.

Usagi, esta é minha mãe, a rainha Luna.

Usagi não soube como proceder. Devia estender-lhe a mão, fazer uma reverência ou o quê? Afinal, nunca estivera diante de uma rainha antes.

Luna resolveu seu problema, ao envolvê-la num abraço afectuoso.

Seja bem-vinda a Nakabir, Usagi Baker.

Majestade…

Luna apenas. Só os súbitos nos tratam com cerimonia. Parentes e amigos, nunca. Pegue suas coisas e venha connosco.

Maata deu ordem ao taxista que as conduzisse de volta ao shopping, e elas foram directo para a praça de alimentação.

Sugiro que coma algo leve, Usagi. Deixemos para almoçar no palácio.

Seguindo a sugestão de Luna, Usagi optou por café e pão de queijo. A rainha e a princesa pediram suco de laranja.

Minha filha me colocou a par de tudo o que aconteceu entre vocês duas.

Então você já sabe?

Do quê?

De minha profissão.

Ah, sim. E concordo plenamente com você. Alguém com seus talentos pode ser de muita utilidade. Sobretudo por ser mulher. Mas há um pequeno detalhe que Maata não me contou, e que eu quero que me diga, Usagi.

Pois não.

Qual seu interesse em tudo isso?

Usagi tomou um gole de seu café expresso. Não estava acostumada a lidar com pessoas que iam directo ao ponto, sem subterfúgios.

Eu e sua filha nos tomamos amigas. Além disso, sou uma pessoa só no mundo, e nunca vi muita utilidade em minha vida.

Acho que esta pode ser uma boa chance de fazer algo importante com as coisas que aprendi no submundo.

E o que mais?

Usagi ficou vermelha. Aquela senhora enxergava longe.

Apenas isso, Luna.

Entendo.

Então, a rainha se lembrou das palavras de Mamoru, pouco antes, na sala de audiências: Será que todas as mulheres que amo são tortuosas em seus métodos para conseguir o que querem?

É ela! Usagi é a mulher por quem meu filho está apaixonado.

E pelo visto é correspondido.

Até que ponto você chegaria para colaborar connosco? Luna a olhava no fundo dos olhos.

Usagi gostava daquela maneira franca. E foi de coração aberto que afirmou:

Não há absolutamente nada que eu não faça. Sou capaz de empregar qualquer método para assegurar que aqueles cretinos tenham o que merecem. Não dormirei em paz enquanto não tiver certeza de que você e toda a farm1ia do sheik estão a salvo desses fanáticos.

Isso é que é amor.

Como?

Luna sorriu.

Agradeço muito por sua ajuda, Usagi, e a aceito sem reservas. Hoje mesmo convocarei uma reunião com meus filhos Miled e Sardok. Sardok é o responsável pela segurança pessoal do sheik, e Miled é comandante das forças armadas. Nós cinco tentaremos encontrar uma forma de acabar com essa ameaça que paira sobre nossas cabeças.

Luna, eu não quero que Mamoru saiba que estou aqui.

Por quê? Tem algo contra ele?

Mamoru pode compreender mal meus propósitos. Na última vez em que estivemos juntos ele deixou bem claro o juízo que faz de mim. Quero apenas colaborar com vocês e depois ir embora.

Não vejo problema algum nisso. Você ficará no harém, e não diremos nada a Mamoru — a rainha apanhou o celular. — Miled? Sardok está com você? Óptimo. Tenho um assunto urgente para tratar com os dois. Venham almoçar comigo no Sbabi dentro de uma hora. Ah! Não comentem nada com ninguém. É uma ordem.

Usagi, eu achei que você iria ao cabeleireiro antes de viajar, como eu. O que foi? Gostou de ser morena?

Tive outras providências a tomar, Maata, acabou não dando tempo.

Vocês parecem irmãs — Luna estreitou os olhos.

Usagi a encarou.

Acho que estamos pensando a mesma coisa, Luna.

E o que é? — Maata quis saber.

Creio que nós vamos repetir uma receita que usamos há bem pouco tempo, minha amiga — Usagi piscou para a rainha.

E, para começar, iremos comprar algumas roupas novas — Luna apanhou a bolsa. — Para vocês duas.

No horário combinado, Luna, Usagi e Maata adentraram no Sbabi, e de imediato foram recepcionadas pelo maître.

Majestade, Alteza, senhorita… Por favor, queiram me acompanhar. Os príncipes já chegaram.

Ao vê-las se aproximar, Miled e Sardok se levantaram.

Sardok franziu o cenho, porque Usagi não usava o véu sobre a cabeça. Embora fosse o mais jovem dos irmãos, era o mais conservador.

Trouxe uma amiga, mamãe? — ele comentou, um tanto azedo.

Meus filhos, esta é Usagi, uma amiga americana de Maata.

Miled, ao contrário de Sardok, era jovial e simpático. Ele sorriu para Usagi e puxou a cadeira para que ela se sentasse a seu lado.

Todos fizeram seus pedidos ao garçon, que se afastou, não sem antes fazer uma mesura para os ilustres clientes.

Você disse que tinha algo urgente para falar connosco, mamãe. De que se trata?

Eu vou lhes dizer, meu filho. Daí então você entenderá o porquê de Usagi estar aqui connosco.

Luna fez um óptimo resumo de todos os fatos para os príncipes, tomando o cuidado de omitir os pormenores que não fizesse sentido revelar.

Os filhos a ouviram sem interrupção — Miled, com toda a tranquilidade; Sardok, tenso como uma corda de violino.

Usagi a tudo observava, sem jamais interferir. A linguagem corporal dos príncipes lhe diziam muito mais do que aquilo que eles verbalizavam.

A refeição chegou. Usagi havia estranhado que o garçon não tivesse perguntado o que eles iriam beber, mas decidiu não fazer comentário. Assim que terminou de servi-los, o rapaz encheu seus copos com chá morno.

Prefere tomar outra coisa, Usagi? — Miled indagou, muito gentil. — É costume nosso beber chá morno às refeições, ao contrário dos ocidentais, que preferem sucos, água ou refrigerantes gelados. O chá vem com a temperatura semelhante à da comida, e isso é muito benéfico para a digestão.

Usagi fitou o príncipe, sorridente.

Quer dizer que todos vocês, sem excepção, bebem chá no almoço e no jantar?

Sardok respirou fundo, exasperado.

Sim. Algum problema nisso?

Ela ignorou seu tom descortês.

Muito pelo contrário, Alteza.

Almoçaram em silêncio e com calma. Assim que todos terminaram, Sardok deu vazão a seu profundo aborrecimento:

Durante nosso almoço fiquei tentando imaginar o que faz as três acreditarem que podem interferir em assuntos de Estado. Vocês não passam de mulheres, e essa moça, além de tudo, é ocidental. Que brincadeira é essa, minha mãe? Temos um bando de arruaceiros ameaçando o bem-estar de todos nós, e você me obriga a perder tempo, vindo aqui para escutar sobre as peripécias de minha irmã caçula num país estrangeiro. Ora, faça-me o favor!

Sardok fez menção de se levantar, mas foi impedido por um simples olhar da rainha.

Cale-se e fique aí mesmo! Não lhe dei permissão para se levantar.

Eu…

Mandei que se calasse!

Sardok olhou para o irmão, à procura de apoio, mas Miled era a própria imagem da imparcialidade.

Tenho uma pergunta a lhe fazer, Sardok — a rainha endireitou a coluna e assumiu uma atitude tão autoritária que imporia respeito até mesmo ao sheik. — Faz dois anos que aqueles fanáticos vêm atormentando nossa família, fazendo exigências absurdas e ameaçando a todos nós. Somos um país pacífico em meio ao turbilhão em que se transformou o Oriente Médio. Você vem fazendo um bom trabalho cuidando da segurança do sheik. Porém, até este dia, não o vi dar uma ideia sequer do que pode ser feito para enfrentar os rebeldes. O que quero que me diga é: irá nos ajudar ou prefere se atolar em sua profunda arrogância, pelo simples fato de que não suportaria ver "simples mulheres" alcançando êxito em algo que você não conseguiu?

Ele sorriu, irónico.

É impossível entrar na fortaleza deles, mãe. E sabe por quê? Porque eles podem ver um coelho se aproximar a quilómetros de distância, devido à localização privilegiada que têm. E os desgraçados se misturam na multidão; ninguém sabe apontar com certeza nenhum dos líderes, nenhum dos membros dessa facção. Se os rebeldes vissem uma mulher tentando se aproximar, ela seria abatida a tiros antes mesmo de ter avistado seu quartel-general. Ou pior: eles a levariam para dentro, e em meia hora ela estaria implorando para morrer.

Usagi e Maata se mantinham caladas, apenas trocando rápidos olhares de vez em quando.

Sardok tem razão, Luna — Usagi meneou a cabeça. — Foi um sonho bobo que tivemos. Deixemos esses assuntos para os homens resolver.

Sardok, pela primeira vez, sorriu largo.

Pelo que vejo, você não é tão tola quanto parece — Virou-se para a mãe. — Posso ir agora, Majestade?

Luna lhe deu permissão, com um aceno quase imperceptível.

Não comente com ninguém sobre o que discutimos aqui, Sardok. E não pronuncie o nome de Usagi.

Com todo o prazer!

Assim que ele se foi, a rainha encarou Usagi.

Explique-se.

Tenho um plano.

Foi o que imaginei.

Mas Miled terá de colaborar.

Maata tomou a mão do irmão.

O que nos diz, Miled?

O príncipe suspirou.

Tenho perdido noites de sono procurando por uma boa estratégia para acabar com eles com o mínimo de derramamento de sangue. Não quero expor o povo a tiroteios, a sofrimento desnecessário. Meu instinto me diz que estamos prestes a sofrer um atentado. Aqueles sujeitos estão mais atrevidos a cada dia. E eu lhes garanto que não vou dispensar nenhuma sugestão, muito menos por orgulho. Não posso me dar a esse luxo.

Graças a Deus! — Luna deu um beijo no filho. — O que tem em mente, Usagi?

Se não se importam, preciso ficar um pouco a sós. Quero pesar todos os prós e contras antes de expor o que pretendo fazer. Então, quando eu estiver com tudo arquitectado, tornaremos a nos reunir em um local bastante seguro… — ela olhou ao redor… e arregaçaremos as mangas.

Muito bem. Vamos voltar para o palácio. Usagi, você ficará no quarto ao lado do de Maata.

Miled chamou o garçon e pediu a conta.

Não sei qual seu interesse em tudo isso, Usagi, mas, para ser franco, não quero saber. Se conseguirmos desmantelar essa célula terrorista, você terá em mim um amigo eterno.

Tudo vai dar certo, Alteza.