Capítulo 6
Acordei e reconheci o lugar onde estava, já havia ido lá algumas vezes, mas fazia muito tempo que eu não visitava alguém no St. Mungus. Tudo estava do mesmo jeito. Ron estava dormindo numa cadeira ao meu lado. O que havia acontecido? A última coisa que me lembrava antes daquilo tudo era de ter deixado o Ministério pela saída de trouxas para comprar verduras no mercado de Borough.
"Bom dia Srta. Granger, que bom que está acordada." Disse uma enfermeira entrando no quarto. Ela se aproximou de mim, colocou a mão em minha testa. "Sua febre passou." Apoiou a varinha no meu pulso. "Batimentos e pressão normais. A senhora já está bem melhor, aqueles médicos trouxas não sabem fazer nada que preste. Seu namorado nos contou que a senhora não se lembra do que aconteceu, continua não se lembrando?"
"Não me lembro." Respondi. Ron finalmente acordou, olhou para o lado nervoso, mas respirou fundo quando me viu. Ele virou-se para a enfermeira.
"Ela está bem?" Ron tinha olheiras profundas.
"Está, ela só precisa se recuperar, os machucados já foram todos cicatrizados, o único problema é a falta de memória." Disse ela batendo a ponta da varinha na testa.
Ron soltou um ruído de satisfação. "O que vocês podem fazer?"
"Nosso medi-bruxo especializado em feitiços de memória vai vê-la daqui uns instantes." A enfermeira recolheu algumas coisas do quarto e saiu.
Alguns minutos depois o tal medi-bruxo entrou no quarto. Ele era um homem que deveria ter sido bonito na juventude, por volta dos seus sessenta anos, ainda mantinha os cabelos castanhos, e boa forma, mas alguma coisa em seu rosto o deixava estranho. Deve ser por ter tratado a vida toda de pessoas com problemas de memória.
"Bom dia Srta. Granger, Sr. Weasley, eu sou Peter York, especialista em feitiços de memória. Provavelmente a pessoa que te atacou usou um feitiço para que você se esquecesse."
Alguém me atacou? – pensei nervosa, olhei para Ron, mas este olhava diretamente nos olhos do medi-bruxo. "O que realmente aconteceu comigo?" Perguntei, sem saber se na verdade gostaria de saber.
"O senhor não contou a ela?" Perguntou o medi-bruxo dirigindo-se à Ron.
Ron estava nervoso, olhou do medi-bruxo para mim. Uma nuvem negra passou por sua face. Ele olhava para mim, abria e fechava a boca sem saber como começar. Aquilo só me deixou ainda mais nervosa. Respirou fundo e começou:
"Baixinha, você foi encontrada quase morta num beco, em Waterloo. Alguém te atacou, e..." Ron não conseguiu terminar. Comecei entrar em pânico, o que poderia ter acontecido que Ron não conseguia nem dizer.
"E o quê?" Perguntei nervosa, devo ter até gritado, meu sangue estava fervendo.
Ron colocou as mãos no rosto, não sabia o como falar.
"A senhorita foi estuprada, Srta. Granger."
Por um momento não tinha entendido o que o médico havia falado. Então quando a palavra "estupro" realmente chegou ao meu cérebro algo estranho aconteceu. Me senti caindo, caindo, caindo, e essa sensação não passava. Então sensação de nojo subiu pelo meu corpo, me sentia suja, imunda. Olhei para meu corpo atordoada. Coloquei novamente as mãos na cabeça e sentia somente tufos desordenados. Como uma onda, lágrimas começaram a jorrar dos meus olhos. Chorei como nunca havia chorado na vida, aos berros. Ron segurou minha mão mas não levantou a cabeça enterrada no colchão. Eu queria morrer.
"Ron, isso é verdade?" Perguntei a ele quando enfim consegui diminuir um pouco meus soluços.
Ele só balançou a cabeça. Não tinha coragem de olhar para mim.
"A senhorita precisa se acalmar para que eu possa performar o feitiço que fará a senhora se lembrar." Pediu o medi-bruxo.
Todos os pelos do meu corpo se arrepiaram. Me lembrar? "Eu não quero me lembrar de nada." Disse irritada.
Finalmente Ron olhou para mim, tinha uma expressão forte.
"Eu sei que será difícil, baixinha, mas é a única maneira de descobrirmos o maldito que fez isso com você." Ele estava desolado, podia ver a culpa que ele sentia em seus olhos.
Eu parei, e pensei. Não queria me lembrar daquilo. Mas então olhei nos olhos de Ron, via a culpa que ele sentia, mas que não deveria estar ali. Talvez se eu me lembrasse e conseguisse descobrir quem fez aquilo eu conseguiria deixá-lo mais calmo. E, talvez, sabendo que aquele homem estaria preso, eu conseguiria esquecer de tudo novamente. Respirei fundo e acenei com a cabeça para que o medi-bruxo fosse adiante.
"Obliviate" Azarou o medi-bruxo com a varinha bem próxima a minha cabeça. Fiquei um pouco tonta. "Consegue se lembrar agora?"
Eu foquei-me nas minhas memórias, mas nenhuma delas era a do crime. "Não." Respondi.
O medi-bruxo tentou todos os feitiços de memória que ele conhecia, mas nenhum me fez lembrar do acontecido. Ele disse que ia contatar outros medi-bruxos especialistas em memória.
"Quando ela terá alta?" Perguntou Ron.
"Hoje." Respondeu o medi-bruxo. "Vou assinar agora mesmo a alta dela. Srta. Granger assim que ficar sabendo de alguma resposta entrarei em contato."
