Disclaimer: Ele não me pertence, mas que me faz ficar dias e noites sem dormir para ter atualizações, com certeza ele faz!

OBS: Sim, agora esse é o capítulo original. Eu havia reescrito ele todo com algumas partes que eu havia achado, porém qual minha surpresa ao abrir meu e-mail e ver minha fanfic inteira?

Muitíssimo obrigada AGOME CHAN, depois disso eu nunca mais vou me esquecer de você. Sério, eu realmente fiquei abismada. Obrigada, obrigada, obrigada... eu te amo!

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" Dá pra me largar?" A voz da mulher encontrava-se completamente rouca. Os cabelos desarrumados e a forma com que arfava era extremamente cômica. O hanyou, que imaginava a grande dor de cabeça que iria lhe perturbar, rolou os olhos... mais uma vez.

" Eu já disse pra você calar essa boca!" Bradou. "Se você pediu pra eu te ajudar, ótimo, já estou aqui por puro contra-gosto, agora pare de reclamar, porque se for depender desses seus passos de formiga, não chegaremos nunca." Ela respirou fundo.

" Bom, sinto dizer, hanyou, mas já chegamos." Ele levantou as duas sobrancelhas.

" Fala sério?" Ela soltou todo o ar preso em seus pulmões.

" Eu sempre falo sério. Inclusive, falei sério dentro daquele edifício também." Ele sentiu a ironia, mas não se importou com ela. "Agora me largue de uma vez, estamos exatamente na frente de casa." Ele olhou para o local aonde ela apontava.

" Você não pode estar chamando isso de casa!" Ela estreitou o olhar, e daria tudo para que ele pudesse vê-lo.

" Sim, eu chamo." Ele a colocou no chão, indelicadamente. " Antes chamar "isso" de casa, que você de delicado." Ele rolou os olhos. "Pode ir embora, agora. Ou será que quer fazer mais algum comentário gentil sobre o local onde moro?" Eles se confrontaram com o olhar.

" Entendo porque queira o trabalho do velho." Ela continuava o encarando. "Só não entendo como estava com tanto dinheiro na bolsa. Você por acaso é uma daquela mulh..."

" Eu trabalho para Totousai há bem mais tempo que você possa imaginar." Ele tentou conter a curiosidade. " Não sou uma prostituta, se é isso que você ia dizer." Ele observou as próprias garras, desistindo de olhar para o visual desastroso da outra.

" Exatamente isso." Ela continuou parada. " O que foi, quer que eu leve suas compras pra dentro também?" Ela arqueou as duas sobrancelhas.

" Você indo embora já está de ótimo tamanho." Pegou suas compras, as levando para perto da porta. "Não vou agradecer, esqueça."

" Feh!" Resmungou ele, fitando o molho de chaves composto por um chaveiro de canivete. "Eu não esperava isso de você." Ela apenas respondeu um pequeno "hm", tentando acertar a chave.

" Não sei porque ele insistiu em trocá-la." Suspirou, colocando outra, que também não fez com que a porta se abrisse.

" Isso está caindo aos pedaços, talvez eu entenda o velhote." Ela cruzou os braços.

" O que você está tentando fazer? Me irritar?" Ele deu ombros.

" Não, não estou tentando te irritar." Kagome o observou de forma debochada. " Aliás, nunca tentei isso, somos recém-conhecidos, não tenho motivos pra te irritar, humilhar ou esnobar." Sorriu, mostrando os dentes brancos, perfeitamente alinhados.

" De toda a forma, só dê seus conselhos inúteis se eu pedir." Ele imitou o que ela havia dito, com uma voz mais fina. " E pare de se fazer de imbecil. Pode ir embora, já disse." Virou-se novamente, encaixando a certa, desta vez. Deu um pequeno pulo de felicidade, entrando na própria residência.

Arrastou as compras pra dentro, as colocando na cozinha. Sua casa estava realmente destruída, mas ela gostava do jeito que era. Uma parte de sua infância, a única que não foi perdida com o tempo.

Sentiu um corpo estranho logo atrás do seu. Deu um pequeno suspiro, encarando Inuyasha.

" Você realmente mora aqui, ou é um tipo esquisito de toca?" Ela pegou nos braços dele, os apertando.

" Olha, Inuyasha, suma daqui!" Ele continuava observando os detalhes da casa. " Você conseguiu o que queria, conseguiu me irritar. Agora sabe onde está a porta, e sabe voltar pra casa. Vá, xô, xô." Ele encarou um pequeno canto, onde a rachadura da parede parecia não ter fim. " Passa daqui!" Espantou, imaginando que surtiria efeito.

Ele apenas bufou.

" Eu apenas fiz uma pergunta." Tirou as mãos dela de perto do seu corpo, rapidamente. " Você não consegue responder como uma pessoa normal?" Ela ficou pasma, piscando os olhos por alguns minutos.

" Não, desde que esteja falando com um completo idiota!" Retrucou. " Sim, eu moro aqui, qual é o problema, senhor da grana?" Ele respirou fundo. " Volte pra sua mansão, se é que você tem uma, e me deixe em paz." Começou a remexer nas compras, colocando os raméns em um armário.

" Estou com preguiça." Ela tentou ignorá-lo. " Eu andei mais de vinte quilômetros, com um peso razoável a mais no meu ombro, sem contar as compras desse pesinho." Ela continuou guardando o que havia comprado. " Estou cansado. E por ironia, você, que vive insinuando que sou rude, não teve a dignidade de oferecer ao menos um copo d'agua." Sorriu vitorioso, quando ela se virou.

" O banheiro é a próxima porta a direita." O sorriso desmanchou do rosto do meio-youkai. " É isso que vocês fazem, não é? Tomam água da privada?" Passou por ele, caminhando para algum outro cômodo.

" Como é que é?" Perguntou, a seguindo. " Não fale comigo desse jeito, sua humana desprezível!" Rosnou, adentrando a mesma porta que ela havia entrado.

Arregalou os olhos ao sentir algo metálico encostado em meio ao seu nariz. Fez uma expressão de pleno espanto, ao notar que a morena segurava uma arma.

" Como é que é, o quê?" Perguntou, dando um nó em suas sobrancelhas. "Eu sinceramente não sei se irei agüentar você até o fim dessa missão miserável." Avançou ainda mais, deixando a arma completamente colada no rosto de Inuyasha.

" Vai atirar, é?" Perguntou ele, desafiante. "Você não passa de uma inútil." Ela sorriu.

" Uma inútil que sabe atirar muito bem, e está definitivamente morrendo de vontade de puxar o gatilho." Ameaçou atirar. Inuyasha apertou as próprias mãos, vendo o dedo da mulher deslizando, pronta para dispará-la.

Em um ato súbito, apertou os pulsos dela com força, os mirando pro alto. O tiro ecoou alto, e os dois encontravam-se no solo segundos depois, enquanto Kagome tentava esmurrá-lo a todo o custo.

" Você ia me matar!" Exclamou, indignado. A feição atônita o denunciava. " Você é maluca?" Perguntou, levantando-se do chão. Observou a mulher tentar bater em seu peitoral, com força. A arma encontrava-se consideravelmente longe dos dois. Pegou novamente nos pulsos dela, fazendo uma pequena pressão em ambos.

Vendo que não conseguiria se soltar, mordeu a mão do meio-youkai com força, a qual urrou de dor, a soltando.

" VOCÊ ME MORDEU, MULHER MALUCA!" Ela cuspiu no chão, demonstrando nojo.

" E VOCÊ ESTRAGOU MEU TETO!" Estreitou as sobrancelhas, enquanto o cabelo se enchia da tintura branca juntamente com pequenas quantidades do cimento que passaram a cair após o tiro.

" VOCÊ IA ESTRAGAR MEU ROSTO!" Rosnou.

" ELE JÁ ESTÁ ESTRAGADO!" Bateu as mãos nos cachos, os limpando. " ALÉM DO MAIS, A ARMA ESTÁ DESCARREGADA, EU NÃO POSSO TE MATAR ATÉ A MERDA DA FIM DO TRABALHO!" Ele apanhou a arma do chão, verificando o cartucho da mesma.

" Ótimo, espero que esteja feliz pelo estrago que fez na própria casa." Ela rangeu os dentes. " O que você esperava, que eu fosse..." Parou de falar, a fitando longamente. " Ei! Não estava descarregada. Se estivesse você não teria atirado no teto." Ela se jogou no chão.

" Você sobreviveria de um tirinho." Sibilou em ironia. " Eu não pretendia atirar de verdade, só queria que fosse embora." Ele riu, debochadamente.

" Se quisesse era só pedir." Ela tossiu.

" E eu não pedi, ao menos umas quatro vezes?" Ele negou, descaradamente. Ela socou o chão, com força. Apanhou no bolso o maço de cigarro, completamente amassado, e acendeu a um. O hanyou fez uma careta de desgosto.

" Você ordenou, pedir, pedir, não pediu." Deu ombros. " Mas se insiste tanto, nos vemos daqui há alguns dias." Ela fingiu não o escutar, tragando o cigarro e tirando lentamente a bota em seus pés. "Espero sinceramente que chova e que você morra afogada dentro do quarto por causa do buraco no teto." Ela apenas olhou para o alto, tragando novamente o cigarro.

" Não disse que ia embora?" Perguntou, fazendo um bico de irritação. " Boa sorte com o caminho de volta. Espero que um caminhão passe por seu corpo e esmague todos os seus ossos." Ele se virou, passando a andar.

" Não se preocupe." Ela encontrou as costas largas de Inuyasha. "Não vai acontecer." Em um curto período de tempo, ouviu a porta da frente se fechar com força.

"Merda." Pensou, ao notar que ele havia feito aquilo propositalmente. A casa não estava quebrada demais na opinião dele?

Foi então que uma veia praticamente pulsou em sua testa, ao sentir a gota caindo por sobre um de seus braç começando a chover.E aquele buraco idiota não sairia de lá tão cedo.

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Chutava tudo o que ousava aparecer em sua frente. Bufava, irritado e extremamente contrariado. Aquela mulher havia o enfrentado, e quase o matado também. Totousai estava perdendo os limites. Quem achava que era, um subordinado comum? Quantas pessoas já havia pego para aquele velho? Nem ele saberia dizer.

Jogou-se contra o sofá, colocando as botas cheias de lama em cima da mesinha central. Estreitou os orbes, batendo as garras. Estava completamente molhado.

" Maldita mulher!" Exclamou, sentindo o peso dos próprios cabelos prateados. " Imprudente!" Continuou, ligando a televisão. Arqueou a sobrancelha ao notar que os canais não pegavam.

- Ótimo- Pensou, levantando-se e subindo as escadas, que davam direto há um luxuoso banheiro. Tirou as roupas, lançando-as em um canto qualquer.

Colocou o corpo embaixo da água quente, ensaboando os próprios cabelos. Vez ou outra pegava-se rosnando para o nada. Passou o sabonete por toda a extensão de seu corpo musculoso, arqueando a sobrancelha.

" MALDITA!" Gritou, socando a parede. Ridículo. Sim, ele sabia que era. " Mulher, maldita." Sentou-se no chão, deixando a água cair sobre o corpo.

Ouviu a campainha tocar. Mal havia voltado e alguém estava prestes a lhe importunar.

Pior: Durante o seu banho.

Ouviu que os toques passaram a ficar insistentes, e resolver ceder. Mesmo sem enxaguar a cabeleira, passou uma toalha pela cintura.

" Quem é?" Perguntou, rudemente. Ouviu uma risada cínica do outro lado do interfone. " Juro, velhote, que se não tivesse tanto dinheiro em questão, eu deixaria você morrer nessa chuva!"

" Abra logo." A voz rouca soava divertida. " Abra antes que eu vá embora." Inuyasha apertou o botão que abria o portão. Já estava acostumado com as chantagens de Totousai.

Voltou a subir para o banho. Deixou a toalha em cima da pia, abrindo novamente o chuveiro. O ancião adentrou no local, encostando-se na parede.

" Estou furioso com você." O hanyou não o encarou enquanto falava. " Aquela mulher é louca, sabia? Tentou me matar, antes de concluirmos a droga da missão! Por que, Totousai?" Perguntou, agora o fitando. " Por que nos uniu nessa missão?" Totousai deu ombros.

"Isso você saberá por si próprio... e antes que você imagina." Arqueou a sobrancelha, se debruçando. " Vim aqui pra dizer que sinto uma imensa vontade de te bater. Se ela quase te matou, diria que foi necessário." O hanyou se enxaguou, logo depois encarando o outro.

" Aé, é? Por que?" Desafiou.

" Primeiramente porque decidiu raptá-la, quebrando as regras e tentando agir sozinho." Fez uma expressão de raiva. " E segundo porque ela me ligou a gritos dizendo coisas indecifráveis, do tipo "aquele idiota molhou toda a minha casa", e coisas do gênero."

" Ei, ei , ei! A única coisa que eu fiz foi evitar que uma bala atravessasse meu crânio!" Se defendeu, colocando as mãos enfrente ao corpo. " Ela deveria agradecer, afinal, antes um buraco no teto do que no próprio corpo!" Totousai balançou a cabeça em negação.

" Vocês não fazem idéia do quanto são... irritantes." Suspirou, derrotado. "Parecem duas crianças brigando por um doce, puta merda." Se colocou em posição ereta. "Mas enfim, passei apenas pra te lembrar novamente de não tentar fazer gracinhas. Caso isso não aconteça, saiba que não tenho medo de te tirar dessa missão." Inuyasha rosnou. " Além disso, receio em dizer, mas você terá que protegê-la por esses dias!" O meio youkai fez uma careta.

" De modo algum! Quem tem que se proteger sou eu... e dela!" Arregalou os orbes. "Ela sabe se defender velho, ela tem armas lá!" Sentiu o olhar do mais velho repleto de deboche.

" Está com medo de uma mulher?" riu, sarcástico. " De toda forma, estamos falando de força. Temo por Kagome, antes dessa missão. Ela é mais importante que imagina." Ele deu ombros.

" Você deveria me entender! Que tipo de pessoa agüenta aquela mulher? Você não entende, ela vai arruinar tudo, velhote."

" Existem pessoas e pessoas que querem trabalhar com ela, mas eu não arriscaria colocar youkais lobos que estão perdidamente apaixonados pela mesma... daria confusão." O meio-youkai sentiu-se alterado pelo comentário.

" Feh!" Resmungou. " Seu aviso já está dado, pode ir embora agora." Totousai alongou as pernas.

"Você não precisa me dizer." Inuyasha o encarou, confuso. "Eu sempre sei quando é a hora de ir." Sorriu antes de se virar e sair pela porta.

" Eu o odeio!" Esmurrou o chão com força, enquanto o limpava com o pano. O balde resolvera ironicamente inundar durante a tempestade, fazendo com que o quarto ficasse completamente molhado.

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A morena estava ajoelhada, tentando secá-lo. Já havia desistido de não se molhar , depois do momento em que percebeu que mais goteiras se formaram no teto, deixando seu cabelo úmido. Arqueou a sobrancelha, depois de bufar pela quinta vez.

" Hipócrita!" Rangeu os dentes. " Hanyou maldito, rude e hipócrita." Rolou os olhos, quando viu o balde se enchendo até a boca novamente. " A única coisa que se presta naquele meio-youkai são os bíceps, tríceps e peitoral bem definidos." Suspirou. " Nada além disso, nada!" Se jogou de costas no chão. Estava cansada, definitivamente.

A missão seria dali há alguns dias, e nunca seu corpo havia sentido tamanha fadiga.

" Isso que dá, resolver roubar alguns bancos por semana." Respirou fundo, deixando com que a água molhasse o chão, da mesma forma que antes. " Tanto faz, posso morrer afogada agora." Fez um bico.

A casa já estava caindo aos pedaços, mesmo, e ela não se espantaria se o teto resolvesse cair em cima de sua cabeça por culpa de um único tiro.

Ouviu um movimento estranho fora de casa. Apenas virou o rosto para o lado, ignorando. Quem quer que fosse, logo apareceria. E se fosse um perigo, ela atiraria e ficariam o braço pela água, apunhalando uma arma. Arqueou a sobrancelha e bufou, vendo a sombra se aproximar.

" Parece um cavalo." Murmurou, encarando a sombra ficar ainda maior. Fechou os olhos e atirou na janela. A casa já estava um desastre, de toda a forma. Ouviu um grito masculino. " Não o matei, ainda?" Bufou, dando mais dois tiros.

Em uma questão de segundos o vidro de seu quarto estava completamente destruído, e por ele um hanyou afobado pulava, em cima da morena prostrada no chão.

" PARE DE TENTAR ME MATAR!" pediu, pausadamente.

" Ah, é só você." Deixou a arma cair no chão, esticando os braços novamente. " Pensei que fosse um bandidinho besta aí.." Ele rolou os orbes. " Mas bem que eu poderia ter te matado."

" Aquele velho é um idiota!" Kagome pareceu se interessar com a frase. " Achar que você precisa de defesa é uma loucura!" Ele a encarou. " VOCÊ é louca!"

" Obrigada pela parte super curiosa da sua opinião que me toca." Ele a fitou, agora. " Sinceramente, não estou nem aí pra o que você está falando, sabia?"

"Feh!" Saiu de perto dela, ficando prostrado na parede. " Acho melhor irmos para a minha casa e..."

" Deve ser piada." Ele irritou-se ao se ver cortado. " Você é um grande engraçadinho mesmo. Vou pra sua casa, oh, claro." Ele sorriu largamente.

" Acho que ela está mais bem conservada que "isso"." Ela não se deu ao luxo de se mover. Nem que fosse sua sobrancelha.

" E eu disse por acaso que estava?" Ele pigarreou.

" De toda a forma, ao menos lá tem um lugar bem lindo e limpo pra deitar..." Ele riu, ao notar que ela estava ensopada. " A não ser, claro, que goste de nadar todos os dias antes de dormir." Ela continuou imóvel.

" Vai encher o saco de outro." Molhou os lábios. " Já disse que não estou nem aí pra o que você fala. Aliás, não fui eu quem tive a idéia estúpida de nos unir, nem essa equivocação de que eu posso estar em perigo." Finalmente moveu o pescoço, ficando com o olhar direto para o mesmo. " Agora tente fazer algo mais importante, engraçado ou tira-tédio que ficar me azucrinando. Já destruiu meu teto e minha janela, o que mais você quer destruir?" Ironizou. Ele apenas deu ombros.

" Não sou eu quem fico dando tiros como um idiota." Ele se aproximou dela. " Você é bem crescidinha pra saber que vidros quebram. E bem mais crescidinha pra saber que balas adoram quebrar vidros." Ela se levantou, ficando sentada. Os cabelos molhados pingavam em suas costas, que encontravam-se na mesma situação.

" Ta." Ele não a compreendeu. " Tudo bem, Inuyasha." Arregalou os orbes.

" Você me chamou pelo nome... e concordou comigo?"

"Sim..." Começou ela. " Sim, eu fiz isso. Sou sua parceira, não sou?" Os olhos dela piscaram. Ele começou a desconfiar da atitude da moça.

" O que você quer?" Ela fingiu indignação. " Fale o que vai fazer, mulher!" Ela abriu um pequeno sorriso.

" Nada, não vou fazer nada." Se levantou, lentamente. " Parece estar com medo... de mim?" O olhar da morena passou a ficar psicótico. Inuyasha tossiu.

" O que você vai fazer, raios?" Perguntou temeroso. " Você não é assim."

" Você me conhece há um dia, seu estúpido." Ralhou. " Agora pare de se meter na droga da minha vida e saia dessa espelunca que eu e você nomeamos de lixo. Vá, vá, suma. Eu tenho mais o que fazer que ficar discutindo com meio-youkais." Saiu pelo corredor, pisando duro.

" Oh, eu sabia." Sussurrou ele. " Isso não vai ser nada legal." Cruzou os braços. " Aquele velho maldito." Rosnou, observando a parede.

" Ótimo... isso é ótimo." Ouviu ela gritar. Rolou os olhos. " Agora eu ainda tenho que agüentar um hanyou me perseguindo dentro de minha própria casa!" Os gritos se transformaram em sussurros. Sussurros baixos, que sabiam os dois, que por Inuyasha poderiam ser ouvidos.

O meio-youkai caminhou lentamente até a cozinha, onde a morena estava. Colocou as mãos nos bolsos da calça, a observando. Ela andava pelo aposeonto, remexendo em algumas sacolas, murmurando coisas agora inauditíveis.

" Quer que eu vá embora? Se quiser eu vou e digo pro velhote que você me obrigou a ir, com direitos a tiros na vidraça e coisas a mais." Gesticulou, mas notou que a outra fazia questão de o ignorar, como se não notasse a presença dele. " O que você está querendo ganhar com isso?" Novamente foi negada uma resposta.

Ele estava se irritando com aquela idiota.

" Vá tomar um banho, senão vai se resfriar." Se sentiu falando com a parede. " Logo vai estar espirrando e vai dizer que é minha culpa por causa da bala no teto, e então eu vou retrucar e dizer que foi porque não me ouviu." Apenas se deparou com mais silêncio. Rangeu os dentes, e rosnou baixo.

A morena passou pelo lado do hanyou, fazendo questão de esbarrar seu corpo contra o dele. Seria bom, se ela não tivesse feito do ato amoroso, um ato violento.

" Pare com isso, mulher!" Rosnou novamente. Ela olhou para os lados, apertando os olhos, como se tivesse ouvido algo. " Ou será que tenho que fazer algo mais ousada para falar comigo?" Viu ela arquear, mesmo que discretamente, a sobrancelha.

Não pensou duas vezes antes de levar uma de suas mãos para o bumbum avantajado da morena, que deu um pulo, dando um tapa forte no pulso do hanyou.

" ..MIM!" Gritou. Ele apenas abriu um sorriso cínico.

" Não me ignore que eu com certeza não relarei mais em você." Cruzou os braços. "Além do que, tanto seu estilo não me agrada, quanto você não me chama a atenção." Esnobou, mesmo sabendo que a mulher era extremamente atraente. Ela suspirou, aliviada.

" Que bom!" O sorriso no rosto dele se desmanchou. " Não agüento mais homens aos meus pés! Um amigo homossexual seria algo bom pra mim!" Desabafou.

" O que você disse?" Estreitou os orbes. " Você é muito irritante, mulher." Proferiu. Ela apenas deu ombros.

" Ao menos não fico invadindo sua casa e..."

" FORAM ORDENS DO VELHOTE!" Ela se assustou com o tom alto da voz dele. " Quer saber? Estou aqui só pra seguir ordens, e não pra ficar te seguindo como cachorro." Ela o encarou com deboche. " Então apenas arrume a droga de um lugar pra eu deitar e dormir a noite toda, porque, na minha singela opinião, a única coisa que pode te prejudicar é o demônio." Ela mordeu o canto da boca, com desdém.

" Tudo bem." As roupas dela já estavam um tanto quanto úmidas. " Tem o sofá." Apontou. " Mas, como por culpa de um certo alguém a janela do meu quarto encontra-se quebrada, eu não pretendo dormir lá, o que significa que, ou você dorme naquele sofá..." Aponta para um menor, no canto da sala. " Ou então dorme no chão." Cruzou os braços, o encarando.

" Prefiro dormir na sua cama, já que não ligo pra janela quebrada." Ela sorriu.

" Tudo bem, então. Ao menos não compartilharemos o mesmo ambiente." Piscou um olho. " Agora, com licença, que eu preciso de um banho." Continuou a andar, indo em direção ao banheiro de sua casa.

O meio-youkai sentia-se felicitado, ao notar que ao menos conseguira o melhor lugar para ém, o olhar debochado cruzou seu semblante em uma questão de segundos... precisamente assim que notou que a cama estava ensopada, por culpa da garoa que passava pela janela.

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Apanhou a toalha. Os cabelos agora lavados caiam por sobre o seio desnudo, e um sorriso delicioso cruzava sua face.A mulher se encarava no espelho, passando a mão por ele afim de o desembaçar. Apesar de ter destruído mais algumas partes da casa, sentia-se feliz. Um banho havia curado sua raiva.

Enrolou a tolha contra o corpo, e saiu assoviando. Entrou no quarto despreocupadamente, retirando a toalha e a jogando em um canto qualquer. O chão do quarto já estava relativamente mais seco, agora. Agachou, abrindo uma de suas gavetas e colocando a calcinha, de costas para a porta.

Um hanyou atônito encarava a mulher se vestir, com a boca entreaberta. Ótimo! Ela havia se esquecido completamente de sua presença, e, apenas por ela estar praticamente nua na sua frente, não se sentiu prepotente perante ao fato.

Não conseguiu se mover. Observou a calcinha de renda fazer combinação com o sutiã que ela havia acabado de pegar. Por um instante desejou que ela virasse, por mais que tentasse atirar nele o quanto antes. Ela era uma praga, realmente. Mas era linda.

Piscou os olhos ao vê-la abrir seu guarda-roupa, e se surpreendeu ao notar as roupas que continham nele. A morena apunhalou uma camisola, que chegava até o meio das suas coxas. Era vermelho, nada transparente, com alças prateadas.

Seus olhos percorreram todas as roupas, botas, acessórios e calças. Ela era exatamente o tipo, aquele tipo de mulher que a boca para dizer algo, mas foi surpreendido por um golpe, rápido, no seu peito, e após esse, vários que se seguiram.

Ela era forte, realmente, mas nada que pudesse o machucar. Ensaiou um bocejo, tentando não olhar o decote de Kagome. Em um movimento faceiro apanhou os pulsos dela, do mesmo modo do dia em que se conheceram.

" EU SABIA QUE VOCÊ ESTAVA ME ESPIONANDO!" Estreitou os olhos, tentando se soltar e se contorcendo completamente. Passou os dois pulsos agora por detrás do corpo da mulher, pressionando levemente sua coluna com o joelho.

" Pare de se debater, isso cansa!" Exclamou, notando que a mulher não parava de se movimentar. " Se sabia que eu estava, hm... "espionando", então porque simplesmente não pediu para que eu saísse antes de eu ver seu ensaio sensual para por as roupas?" Ela virou o rosto, se contorcendo de dor pelo ato.

" Porque eu ESQUECI de você, era SUA obrigação NÃO FICAR ESPIANDO, sendo que está na MINHA casa, onde EU tenho privacidade, EU!" Ele a soltou em um ato brusco, que a fez pender para frente sem conseguir se equilibrar.

O tombo fora feio, e até mesmo o meio-youkai fez uma careta ao observá-la caída naquela posição. De joelhos, com as palmas das mãos contra o solo.

" Prefiro assim que de costas." A morena se virou, agora, se sentando com lentidão. Colocou as mãos do pescoço, fazendo uma leve massagem nele, o mexendo para os lados.

" Eu te odeio!" As palavras saíram repletas de rancor. " E odeio Totousai também." Rangeu os dentes. " Eu odeio TODOS VOCÊS!" Socou o chão, sem antes gemer baixo devido a dor que não abandonava seu pescoço. " Maldito!" O encarou, apenas movendo os olhos. Ele suspirou.

" Ora, ora, que coisa mais triste!" Pronunciou, irônico. " Você me odeia?" Fez bico. " Eu não poderia nem imaginar isso se quisesse." Me dá até vontade de chorar..."

" Eu vou te fazer chorar assim que essa missão estúpida terminar, seu maldito!" Levantou lentamente. Seu pijama já se encontrava na metade de suas coxas, completamente amassado. " Vai chorar até o último suspiro, seu hanyou nojento!" Estreitaram o olhar.

" Vou fingir que acredito, só por pena." Ela arqueou a sobrancelha. " Sim, pena... esse tombo deve ter doido, não é?" Sorriu. Ela continuava com a expressão séria.

Caminhou até o telefone, em cima da cômoda. Deu um olhar fuzilante para Inuyasha, que continuava com aquela face os números, pressionando o telefone contra sua orelha. Respirou fundo, apertando as mãos com força.

" Ah, ola Totousai." Inuyasha arregalou os olhos. " Só queria saber porque mandou Inuyasha supostamente me proteger." Parou por um momento, ouvindo com atenção. "Não, não estou reclamando, apenas queria te informar que ele só tem que me proteger dele mesmo." Sorriu, se virando de costas para o meio-youkai. " Meu pescoço dói, meus ossos parecem quebrados, acho que vou pegar uma gripe e tudo por causa dele, sendo que a missão está próxima. Ah, e a janela do meu quarto está quebrada, talvez você saiba o porque." Batucou com as unhas, com seu sorriso aumentado. " É, eu também o acho incapacitado, é compreensível pensar assim." Fitou novamente o outro. " Quer falar com ele? Tudo bem, então, Totousai, querido." Estendeu o telefone.

Inuyasha rosnou, apunhalando o telefone com força. A encarou com um sorriso amarelo, ao notar o pequeno racho que se formou ao lado do mesmo.

" Parabéns." Os lábios apenas se moveram, enquanto ela batia palma. Ele se virou completamente, deixando de a encarar.

" Diga, velho." Torceu o nariz. " Ela quem me ataca, eu já disse velhote! Não sei do que você quer que eu a proteja, ela tem armas, sabe? Ela ROUBA BANCOS!" Parecia completamente indignado. " Não, eu não quero perder o dinheiro." Rolou os olhos. " Pare com essas chantaginhas ridículas, quem faz isso é criança." Fez um nó nas sobrancelhas. " Não precisava ser tão rude." A morena se aproximou. " Prometo. Eu prometo que não relo mais nessa bruxa." Olhou de esguio para Kagome, virando-se no momento em que ela colocaria o ouvido próximo ao telefone. " Feh!" Resmungou. " Tchau, velho." Desligou, se virando.

" Que cara é essa?"

" Você está completamente fodida comigo, pirralha." Ela estreitou o olhar. " Eu quase perdi uma grande bolada, sua... humana!" Falou com desprezo. Ela o enfrentou com o olhar.

" Oras, mas não é você o riquinho da história? O que aconteceu? Sumiu seu castelo de cristal?" Eles aproximaram os rostos.

" Eu juro, que se você não tivesse aquelas suas arminhas, eu te mataria agora."

" O que te impede? Eu estou sem armas no momento..." Ele arqueou a sobrancelha.

" Mas está com um corpo de matar..." A feição da morena ficou completamente furiosa, no mesmo momento em que Inuyasha riu.

E riu muito, muito mesmo.

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Infelizmente perdi minhas respostas as reviews e minhas notas... mas bom, isso é coisa chata certo? O importante está aí.

Novamente, eu te amo Agome chan!