Disclaimer: Adivinhem? Eu não lembro que Disclaimer era!
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A noite não foi uma das melhores que poderia ter. Inuyasha se remexia na cama, levemente molhada, sentindo que, se fosse humano, estaria doente uma hora dessas. O frio naquele quarto era assustador, e a aparência daquela casa deixava tudo mais mórbido que necessário.
Kagome havia dormido na sala, como combinado. Encontrava-se encolhida, abraçando as próprias pernas e sentindo uma horrível dor no cóccix. Não era habituada com sofás, muito menos com homens na própria, uma vez que seu padrasto a ajudou a não gostar muito deles... e adorar matá-los. Sua profissão a fazia assustadora, mas aqueles olhos eram realmente melancólicos, hora ou outra. O mau humor a contaminava. Era boa em reclamar, xingar, exclamar e falar em voz alta, enfim era uma mulher irritante e ela sabia daquilo. Remexeu-se novamente no sofá, enquanto o meio-youkai resmungava algo tentando esquecer-se da umidade da cama.
Sentiu uma presença estranha em cima do seu corpo. As orelhas brancas se mexeram e ela o encarou de soslaio.
" Suma aqui!" Bradou. Ele apenas colocou as mãos no sofá, aproximando-se ainda mais dela.
" Lá está frio." O hanyou abraçou o próprio corpo. " Está úmido e frio." Ela rolou os olhos. Não sabia se fazia parte de algum tipo grotesco de encenação. Virou-se de frente a Inuyasha.
" Ninguém mandou atirar no teto." Ele arqueou a sobrancelha.
" Estranho... lembro de você ter apertado o gatilho... que coisa mais engraçada, não acha?" Ela se sentou. Os olhos estavam vermelhos e com pequenas olheiras em volta deles.
" Do que exatamente Totousai queria me proteger?" Perguntou a si mesma. " Se você não tivesse aparecido meu teto estaria inteiro, minha cama estaria seca e comigo por cima dela." Inuyasha se sentou ao lado dela, suspirando.
" Acredite, eu estaria bem melhor que você." Encontrou os olhos furiosos da mulher, mas os ignorou. " Quero ver o que vai pensar quando me encontrar aos cacos para fazer essa tal missão incrivelmente complicada." Debochou. " Não sei o que tem na cabeça para me juntar a uma inútil como você." Ela estreitou os orbes.
" Sabe que penso o mesmo?"
" Ao menos não sou inteiramente humano." Seus olhares se encontraram, em plena noite. Apesar de desgastados, pareciam não querer parar
de se enfrentar. " E você, que nem sabe se defender direito? Fica aí fazendo um show com suas "arminhas", mas quando te peguei no beco você não me fez nem cócegas." Ela riu de canto.
" Olha, cômico mesmo." Ele queria ver aonde ela chegaria. " Eu resolvi não atirar em você porque queria chegar em casa. Sabe como é, se fosse outra pessoa eu até me sentiria ameaçada, mas... um meio-youkai?" A face dele endureceu completamente. " Pena que existam alguns valentões como você, não é mesmo?" Sibilou ironia. Ele rosnou.
" Não sei porque estou perdendo tempo com você, pirralha."
" Será que porque estava reclamando do lugar onde dorme?" Ele lembrou-se, enfim. "Mas é uma pena, viu? Aqui nesse sofá só tem lugar para uma pessoa, que sou eu. Meias pessoas dormem em meios sofás então, contente-se com aquele outro." Se deitou, esticando as pernas. Inuyasha sentou-se do lado dela a espremendo no sofá e rosnou com a relutância da mulher.
Inuyasha se sentiu sendo empurrado para fora e logo se viu sentado no chão. Olhou para a mulher, rosnando irritado. Em menos de alguns segundos os dois encontravam-se disputando pelo lugar maior naquele local. Kagome colocou as mãos contra o apoio, empurrando Inuyasha para fora, enquanto ele chutava levemente suas costas, para que ela se espremesse no sofá. Ela o encarou, furiosa. Passou a deferir golpes no meio-youkai, que apenas a espremia. Se Totousai visse aquela cena, ou riria de tamanha ridicularidade, ou choraria por desgosto.
" Saia...daqui" Ordenou ela com dificuldade. A voz saiu rouca e pouco convincente, já que o empurrava no momento da fala.
" Se você tivesse usado um pouco da sua educaçãozinha eu não estaria querendo dormir aqui também!" Ele falou um pouco mais alto, já que usava pouquíssima força. Ela sentiu uma veia pular em sua testa, de tamanho ódio.
" FIQUE COM ESSA MERDA ENTÃO!" Gritou, atitude que o fez tampar as orelhas. " EU ESTOU POUCO ME FODENDO COM VOCÊ, SEU VERME!" Ela já estava em pé, completamente vermelha de raiva.
Bufou, pisando firme até o pequeno sofá instalado no canto da sala. Deitou-se nele, pegando um pequeno lençol que estava próximo a ela.
" Não quer ficar com o edredon?" Inuyasha pareceu simpático, o oferecendo. Na realidade ficou com certa pena da mulher, que tremia e tentava se aquecer sozinha.
" FIQUE COM ESSA DROGA E A ENGULA!" Apontou pra ele. Os olhos soltando faísca. " ESPERO QUE O ENFIE NO MEIO DO..."
" Ei, ei, ei, sem baixaria!" Colocou as mãos em forma de defesa. " De uma boca tão bela como essa apenas deveriam sair doçuras."
" VÁ SE DANAR!" Se virou, abraçando as pernas e o corpo. O meio-youkai observou o corpo da mulher desprotegido do vento e segurou-se para não caminhar até ela.
Mulher insuportável. Era assim que a via e mesmo assim sentia-se mal por tirá-la do conforto? Vencendo sua própria consciência, se cobriu. E dormiu melhor ali do que onde estava.
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Ela acordou coberta. Os olhos se abriram lentamente, mas demorou a se acostumar com a luz. Piscou algumas vezes, antes de soltar um espirro. Fora dormir tarde demais, e seu corpo sentia uma leve fadiga. No seu rosto cansado podiam-se ver olheiras, devido à noite anterior.
Espirrou mais uma vez, irritada. Olhou para todos os lados procurando certo hanyou, a qual amaldiçoaria por alguns barulhos vindos da cozinha. Arqueou a sobrancelha, intrigada e se protegeu do frio, causado pela febre. Mais alguns barulhos foram ouvidos e um resmungo, alto. Compreendeu que era realmente o meio-youkai, mas não fazia idéia do que era aquele show vindo de dentro de um dos seus aposentos.
Ousou se levantar. As pernas fraquejaram um pouco, mas antes que pudesse dar o primeiro passo encontrou Inuyasha em frente à porta, com um sorriso longamente amarelo. Arqueou ainda mais a sobrancelha, contraindo um pouco o olhar.
" Posso saber o que está fazendo?" A voz saiu baixa e furiosa. O hanyou apenas alargou mais seu sorriso, tirando de trás de si uma bandeja. " É veneno?" Perguntou amarga. Ele apenas negou com a cabeça.
" Imagine, meu bem." Ela bufou. " Sente-se e fique confortável por favor... apenas quis te fazer um saboroso café da manhã, afinal, parece que está precisando reforçar esse corpinho." Ela respirou fundo e logo engoliu seco.
Haviam abduzido Inuyasha.
" Que?" Foi apenas o que saiu de sua garganta. Ela se sentou então, com as duas sobrancelhas arqueadas de surpresa.
" Te fiz um café, e espero que esteja bem. Is... quer dizer, sua casa estava meio desorganizada, por isso demorei para fazê-lo, e talvez não fique tão saboroso quanto eu gostaria que ficasse, já que é para uma pessoa tão importante como você." Deu passos lentos em sua direção.
Ela queria acordar daquele pesadelo, se é que era um. O meio-youkai andava sensualmente em sua direção, o que a fez se espremer contra o sofá, horrorizada. Talvez aquilo fosse alguma célula alucinógena que se fundiu com o vírus da gripe.
- Só pode ser isso! - Estreitou o olhar. Quando viu, Inuyasha já se encontrava próximo a ela. Próximo até demais, ela diria. Abaixou-se e suavemente beijou sua testa.
" Com todo o amor do mundo? Que merda é essa?" Perguntou ela quando leu o bilhetinho posto junto com a comida que havia preparado. " Você está retardado?" Ele pareceu morder os próprios lábios para não retribuir ao "elogio".
Mas com uma força sobrenatural apertou os punhos e sorriu.
" Esqueceu de ler o resto..." Apontou para o fim do bilhete. " Viu? Está dizendo que fui eu quem escreveu... Inuyasha." Ela entreabriu os lábios.
" Você também pegou gripe?" Ele pareceu um pouco assustado, e logo mexeu na gola da própria camiseta. Respirou fundo.
" Não, não... mas porque tantas perguntas? É apenas um gesto de carinho de seu novo parceiro." Um sorriso apareceu na face de Kagome quando ela depositou a bandeja em cima do sofá aonde estava.
Com alguns passos lentos rodeou o meio-youkai, que tentava se acalmar.
" Hm... vejamos." Ele sorriu. " Será que está assim porque furou mais vezes meu teto?" Ele negou.
" Não, não, querida... seria muita maldade minha e..."
" HÁ!" Gritou ela. Ele deu um pulo, colocando logo depois a mão sobre o coração.
" Sua maluca!" Rosnou, mas logo se recompôs. " Quer dizer... querida." Ela então o encarou com uma malícia cruel.
" Ou será que está com medo de que Totousai descubra que estou doente por sua culpa, três dias antes da missão?" Sua reação foi como ela esperava. Engoliu seco, desviando o olhar do dela.
" Bom... como eu poderia dizer..." Apenas uma parte de sua boca se levantou, em um meio sorriso. " Por que não acredita que isso seja apenas amor?" Ele tentou ser convincente... Mas falhou, uma vez que sua feição não era amorosa, e sim de pleno desespero.
" Se é apenas amor, me dê uma licença..." Passou por ele, com as mãos atrás do corpo. Sentia frio ainda, mas sua ânsia por deixá-lo mal era maior que ela. Sua camisola estava um pouco mais curta, já que ao menos pensara em arrumá-la no momento em que levantou.
" O que vai fazer?" Perguntou ele. Ela deu ombros.
" Vou notificar a Totousai que estou doente devido a um pequeno atrito que tive com você ontem." Ela observou todas as cores passarem pela face do meio-youkai em disparada. "Mas depois digo que você começou a amar e quem sabe ele te perdoa, não é mesmo?" Aproximou-se perigosamente do telefone, estendendo sua mão até ele.
Quando o tocou, sentiu um corpo a segurá-la com força e a empurrar para longe.
" Não me faça quebrar essa merda, humana irritante!" Rosnou em seu ouvido.
" Oh, cachorrinho, então era isso mesmo?" Tentou acerta-lhe as partes baixas, mas fracassou, pois ele já havia previsto o movimento. " Poderia me soltar? Ou quer que o grande e velho Totousai me encontre com o braço quebrado?" Ele notou a violência com que a segurava e a soltou um pouco.
" Prometa que não irá apanhar aquele telefone, sua bruxa." Ralhou os dentes. Ela deu ombros.
" E por que deveria?" Ele riu.
" Para não ter o perigo de perder alguns dentinhos preciosos?" Ela tentou dar uma cotovelada em seu estomago, mas novamente o golpe foi repelido.
" Prometo." Respondeu, irritada.
" E como posso ter certeza de que não está mentindo?" Ela suspirou.
" Apanhe uma caneta e um papel, faça um termo e eu assinarei embaixo." Ele então pareceu pensar e naquele momento de distração ela se soltou dele, correndo para a instante perto dos dois. Apanhou uma arma, apontando em sua direção.
" Você esconde armas até embaixo da cama, sua maluca?" Ficou parado, esperando por uma resposta, essa a qual não veio. " Não vamos começar com isso de novo, não é?" Perguntou ele, enfezado.
" Estamos apenas começando, querido." Ele deu um nó em suas sobrancelhas.
" O que quer agora? Que sua porta caia? Faço questão de que atire bem na maçaneta." Ela então apontou a arma para baixo, aonde ficaria o sexo do hanyou.
" Sei um lugar bem mais interessante para atirar e fazer com que caia." Ele por um momento olhou para todos os lados da casa, não achando nenhuma alternativa a não ser esquivar-se e tentar apanhá-la pelas costas.
Ela tossiu. E tossiu de novo. O momento de fragilidade fez com que ele ganhasse tempo e tirasse a arma das mãos dela.
" Droga!" Praguejou ela, vendo agora a arma apontada para si. " Pare de bobagem, Inuyasha."
" Ah, sim... agora você diz para parar, mas não lembro de ter tomado essa atitude." Ela respirou fundo, tentando encontrar algum ponto estratégico. Ele então cruzou os braços, batendo o pé.
" Não adianta... o máximo que vai achar são teias de aranha." Ela o fitou furiosa. Foi então que uma idéia lhe pareceu tentadora, e aquilo se passou por sua face. Inuyasha estranhou.
" Obrigada pelo café... e me perdoe pelo modo com que te tratei." Ele riu.
" Oras Kagome, vai tentar fazer o mesmo que eu? Isso é ridícu..." Arregalou os orbes então quando a viu tirando a camisola. O corpo curvilíneo era tentador e perfeito, tirando o fato de ter alguns vestígios de cicatrizes, não muito aparentes. A calcinha de renda fazia par com seu sutiã, vermelho. Ele abriu e fechou a boca algumas vezes.
Tinha de admitir que poucas mulheres com que deitara fossem tão... excitantes. Ele engoliu seco quando ela colocou a camisola em cima do ombro.
" Como poderia agradecer pelo café?" Sorriu, se aproximando. Os passos eram compostos com um rebolado sensual, que o fez esquecer completamente da arma. A abaixou então, tentando ritmar sua respiração.
Ela colocou um dos dedos dentro em sua própria barriga, sorrindo.
" Vai dizer que preferia tê-lo comido ao invés de outra coisa?" Riu baixinho, fingindo timidez. Ele respirou fundo o ar que emanava de seu corpo tão cheiroso.
Ela então se aproximou, empurrando seu peitoral levemente, o que o fez andar de costas até o sofá e cair sobre ele. Abriu sua camiseta lentamente, beijando seu peitoral e depositou um beijo puro e longo na base de seu pescoço, o que o fez gemer.
Ela então o encarou fogosa.
" Adeus... meu bem..." Sussurrou. Ele arqueou a sobrancelha por alguns segundos antes de ver a arma em sua testa e Kagome com as pernas abertas por sobre o seu corpo. "Espero que você morra dessa vez." Rilhou com os dentes. Quando ele fora dizer algo, a porta novamente se abriu.
Inuyasha suspirou, já que havia sentido o cheiro do velho alguns instantes antes.
" Você não sabe a alegria que eu sinto cada vez que os vejo juntos." Totousai suspirou, irritado. Kagome espirrou alto, o que o fez tampar os olhos com raiva.
Inuyasha notou duas pessoas o acompanhando e apenas tirou a arma da mulher, a puxando sobre seu corpo.
" Eu te odeio, sabia?" Perguntou ele, a jogando contra o sofá e a cobrindo, feito que a fez estranhar.
" Vocês são incorrigíveis." Bufou ele, tentando não matar os dois "idiotas" a qual havia unido.
A surpresa era evidente na feição dos outros dois convidados. Nada poderia ter saído mais desastroso.
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" Então quer dizer que você tentou o matar..." Inuyasha o olhou bravo. "Segundo Inuyasha, não pela primeira vez..." Observou Kagome, agora já vestida, com os braços cruzados. "Porque ele não passa de um insuportável que além de atrapalhá-la e irritá-la a deixou sem as cobertas ontem, atitude que a fez ficar com uma forte gripe..." Inuyasha tossiu. " Por causa do tiro que Kagome deu no teto na noite anterior, fazendo com que ele dormisse em uma cama úmida e prejudicial a sua saúde?" Ambos concordaram e negaram em algumas partes.
Obviamente diferentes.
Havia um homem com roupas de monge segurando o riso, ao lado de Totousai. Seus cabelos eram curtos e negros, e seus olhos castanhos estampavam demasiada diversão. Era belo e parecia ter um belo corpo esportivo; este, escondido por suas próprias vestes. Ao lado deste havia uma mulher, calada. Seu corpo era maravilhoso, o que notava-se através de suas roupas apertadas. O cabelo castanho ia até o meio de suas costas, preso em um rabo de cavalo. Seus olhos castanhos eram mais escuros que os do monge, e mais agressivos também, e, apesar de toda essa voracidade presente nela, não conteve um sorriso zombador.
" E o que fará quanto a isso?" Perguntou Kagome. O nariz dela estava vermelho e ameaçando escorrer.
" Infelizmente não posso torturá-los." Ambos suspiraram aliviados. " Por enquanto." Os dilacerou com o olhar. " Achou mesmo que eu passaria a mão na cabeça de vocês? Estão agindo feito crianças birrentas." Kagome arqueou a sobrancelha.
"Eu estava sendo "menos criança" antes desse... bastardo aparecer." Sua voz já estava fanha, o que fez o hanyou gargalhar.
" Me poupe, senhora seios avantajados." Ela lançou-lhe um olhar de censura. " Totousai, eu apenas recomendo que passe a escolher melhor seus ajudantes." Ele se largou ainda mais no sofá, olhando Kagome de forma superior.
" Melhor que você, você quer dizer?" Perguntou ela, o fuzilando com o olhar. O monge se levantou.
" Deve ser melhor que ele mesmo." A mulher de olhos castanhos tapou os orbes com as mãos, já sabendo o que viria. " Afinal, ela é ótima, se é que me entende." Se ajoelhou enfrente a Kagome, sorrindo. " Gostaria de ter um filho meu?"
Silêncio. Um silêncio predominou o local momentaneamente.
" Miroku, você é um idiota." A mulher balançou negativamente a cabeça ao notar o amigo jogado no chão.
" Você pensa que é quem, seu animal?" Kagome se mantinha em pé, após dar um soco na cabeça do homem com roupas de monge.
" Sangozinha, ela é mais forte que você." Murmurou com a voz chorosa. Inuyasha rosnava baixo observando a cena e o novo depravado que faria parceria com eles.
Se é que fariam.
" Preciso, definitivamente, escolher melhor meus subordinados." Murmurou baixo Totousai, em um último suspiro de auto-piedade.
Ótimo.
" Que emocionante. Além de eu ter que agüentar uma mulher medíocre ainda terei que agüentar um monge depravado e outra mulher com os nervos a flor da pele. É isso que eu entendi?" Inuyasha tentava controlar a respiração. O meio-youkai odiava ter parceiros, ainda mais parceiros tão... estranhos como aqueles.
" Sim, isso mesmo que você entendeu, Inuyasha." O velho sorriu. " Vai fazer alguma reclamação e poderemos reduzir o número a três ou vai ficar quietinho como deve ficar?" Kagome riu sardônica.
" Pensei realmente que fossemos amigos." Totousai rolou os olhos.
" O mais legal é que a renda será dividida para nós cinco. Não é emocionante?" Kagome e Inuyasha cerraram os olhos na mesma hora, como se fosse combinado. " Isso se deve a falta de responsabilidade de vocês dois. Se quiserem podem sair da missão, porque eu acho, sinceramente, que um hanyou apressado e uma mulher doente apenas tendem a piorar o plano." Os encarou sorrindo. " Vocês que sabem, amigos".
Interessante, Totousai encontrava-se completamente irritado.
" Feh! Por mim tanto faz. Mas se alguém se machucar nessa eu não vou perder meu tempo." Kagome deu ombros.
" Sabe que eu não tenho vocação para ajudar pessoas também."
" É velhote, espero que seus novos colegas não acabem mortos. Isso é... ela eu espero que morra antes mesmo da missão começar, mas como querer não é poder..." Rosnou um pouco ao sentir o cheiro da fumaça. Ela havia acendido outro cigarro e ele tinha certeza que não era apenas pelo vicio, e sim para irritá-lo.
" Isso é paixão reprimida, hanyou?" Perguntou ela. Miroku se pôs em meio à discussão.
" O que eu sinto por você é, senhorita Kagome." Ajoelhou-se mais uma vez. " Desde que a vi pela primeira vez notei como era linda." Os olhos brilhavam cada vez mais que se aproximava da moça. " Pena que apenas viemos nos apresentar hoje. Queria ficar mais tempo ao seu lado e aproveitar sua deliciosa companhia." Aproveitou ainda mais para se juntar ao seu lado. " Ao menos nos veremos no dia da missão, senhorita." Ela então arregalou os olhos quando sentiu a mão do homem tocar-lhe a coxa, descaradamente.
A cena que correu rapidamente foi hilária, já que não teve que mover o punho para que visse o monge jogado no chão. Sango já havia lhe batido, no mesmo momento em que Inuyasha avançou e o velho lhe deu um peteleco.
Ele estava detonado.
" Bom... " Sango prosseguiu. " Perdoe-me os modos de meu querido... amigo." Sorriu amarelo. " Mas saibam que ele é muito bom quando o assunto é roubar bancos."
" Acredito." Ironizou o meio-youkai enquanto rolava os olhos.
" Ele é ainda mais competente que você, Inuyasha." Totousai aproximou-se. " Menos convencido e mais delicado com as mulheres, apesar de sempre tocá-las. " Kagome arqueou a sobrancelha e sorriu de canto. " Não abra a boca se for pra falar asneiras, estou cansado dessas suas sutilezas." Inuyasha cerrou os olhos.
" Então é só isso?" O hanyou estranhou o fato da mulher começar a falar e encerrar a conversa, já que tinha a oportunidade perfeita de vê-lo humilhado. " Eles vão com a gente, temos mais chance de sermos pegos e... é isso ai?" Ela cruzou as pernas, sentando-se no sofá.
" Sim... "é isso ai"." Confirmou ele. " Eu pensei que poderia ter uma tarde agradável, comer algo e falar sobre assuntos banais, mas sinceramente não agüento mais um minuto aqui dentro, já que estou sofrendo estresse." Torceu os lábios em desgosto. " De toda forma, vou indo. Se entupa de remédios Kagome, não quero te ver nem um pouco gripada, senão está fora da jogada." Ela apenas olhou de soslaio para o hanyou, que abriu um sorriso sem graça. "Tentem não se matar... e olhe que estou cansado de pedir isso a vocês."
" Até mais pra vocês dois." Sango se aproximou e deu a mão para os novos parceiros. "Espero nos darmos bem." Fechou os olhos, graciosamente para uma mulher de humor explosivo.
" Tchau senhorita Kagome." Ela não respondeu. Sango apertou o próprio punho, já irritada. " Calma Sangozinha, sabe que minhas mãos são de todas, mas meu coração é apenas seu." Inuyasha arqueou a sobrancelha.
" Essa foi a coisa mais estúpida que eu já ouvi." Kagome riu.
" Não é que concordamos com algumas coisas, hanyou?" Ele rosnou baixo.
" Por que me trata tão mal, senhorita?" Ela notou o olhar teatralmente triste do monge. " De toda forma, saiba que não irei desistir de você." Piscou um olho. "Até o grande dia." Virou-se então, passando a mão agora no fim das costas de Sango, que momentaneamente lhe bateu no rosto.
Totousai já estava em disparada da casa, fazendo que os outros dois o seguissem.
" Você me fodeu, sabia?" Perguntou a morena, vendo a porta se fechar. " Se eles me tirarem dessa missão eu perco muito dinheiro." Ela olhou para o hanyou.
" Feh! Ao menos dividirei a bolada com apenas outros três." Ela rangeu os dentes. " O que foi, mulher? Não tenho culpa que pegou um pequeno resfriado..." Ela levantou lhe apontado o dedo, bem enfrente a sua face.
" Não, Inuyasha, não? Você foi simplesmente o ÚNICO culpado!" Ele a olhou com deboche.
" Deveria estar feliz por eu não estar te xingando pela última cena." Ela apertou as mãos. " Afinal, você estava novamente com uma arma apontada pra mim. Alguma hora você acerta o tiro, não é? Está louquinha pra me matar, mas quando eu digo que não me importo com você, você fica toda irritadinha. Você merece isso, humana." Ela socou as próprias pernas.
" Você é um prepotente!" Tossiu, espirrando logo em cima. O hanyou riu alto. " Isso terá volta, pode ter certeza disso." Ele a encarou malicioso.
" Se essa revanche envolver você apenas com roupas intimas novamente eu adorarei." Ela cruzou os braços e soltou um pequeno grito indignado. " O que foi? A idéia foi unicamente sua de sair rebolando em minha direção." A face dela se contorceu.
" Eu te odeio tanto, Inuyasha, mas tanto, que eu ficaria nua se fosse pra te ver morto em seguida." Ele se levantou.
" Se for pra ser morto de prazer, eu topo." Ela grunhiu. Virou-se e saiu pisando firme, resmungando pequenos palavrões.
" Isso terá volta, seu maldito impostor!" Ela o fuzilou com o olhar uma ultima vez. " Você terá os piores dias da sua vida ao meu lado. Ah, se terá!" Ele sorriu galanteador.
" Já estou tendo, querida." Ela arqueou a sobrancelha, de costas pra ele. " Pode ter certeza que estou." Ele ignorou o vaso sendo lançado em sua direção, já que foi capaz de desviar, e se sentou novamente, observando as próprias garras.
Ela envergou a testa e espirrou alto. Ele então a encarou, notando a fúria nos olhos azuis da constatou que deveria pensar mais antes de se atrair por alguém que detestava tanto, enquanto Kagome apenas se remoia em raiva.
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É meio frustrante saber que eu refiz dois capítulos inteiros a toa e comi um tempo que eu poderia ter feito um outro capítulo. Mas isso foi pra eu aprender.
Se não fosse (novamente) a Agome chan, nunca mais eu teria conseguido pegar os originais de novo e isso sim acabaria comigo.
Bom, vamos voltar ao rumo normal da fanfic.
Um beijo a todas e até o próximo!
