Disclaimer: Pouco importa se ele me pertence. O que importa é que eu posso matá-lo a hora que eu quiser, ahá X)! (Claro que só em minhas fanfics... mas já é um grande avanço para quem não tinha absolutamente nada!).

Espero que todas aprovem o capítulo! Beijos e até o próximo! (Sem gracinhas dessa vez).

OBS: Preciso urgentemente de uma beta-reader.

oOo

Faltavam dois dias para que a missão começasse. Dois dias que praticamente não eram nada para Totousai.

Ele confiava cegamente em Kagome, sabia. Também compreendia que as habilidades de Inuyasha eram importantes caso alguém mais forte resolvesse aparecer pela causa de Kikyou. Armas não eram suficientes, afinal.

Suspirou, acendendo um charuto em seus dedos trêmulos. Sentia que algo daria errado caso continuassem a agir de maneira tão... ridícula.

Sua idéia de admitir mais dois agentes dera errado. Pensou que um monge seria ideal para colocar as coisas em ordem. Que nada! Apenas se deparara com um pervertido que não pouparia Kagome de suas mãos.

Mais um problema, já que algum incidente como esse poderia ocorrer quando estivessem em ação.

" Bando de problemáticos." Rinchou, entortando a face. " Quem dera fossem um pouco mais humanizados." Pensou em Inuyasha e riu. "É, talvez ele devesse pensar mais em sua forma humana de vez em quando."

Não que não estivesse agindo. Sentiu isso quando estava próximo a Kagome e não deixou que a vissem seminua. Um olhar agressor aos que entravam na residência como se quisesse defendê-la. Mas, ao invés de se aliviar, apenas se viu em mais um problema.

" Podem se apaixonar." Arqueou a sobrancelha e riu exageradamente alto. " Aqueles dois imbecis podem se apaixonar, daí sim, estarei ferrado." Rilhou os dentes ao mesmo tempo em que rolou os orbes.

Uma velha senhora, um pouco corcunda, com cabelos já completamente brancos e uma espécie de "tampão" em seu olho esquerdo se aproximou. Sorriu, massageando-lhe os ombros.

" Deixe disso, Kaede. No final das contas, acho que estou me preocupando a toa. Não são crianças. Se falharem, morrem... não vejo tão grande problema nisso." A velha sorriu.

" Oh, claro que não. Estamos apenas falando de Inuyasha, que já te salvou duas vezes sem ao menos precisar de você e de Kagome, que criou como sua filha, praticamente. Não haverá nenhum problema MESMO se eles acabassem morrendo por falta de treino ou de equipamentos, quem sabe." Deu ombros, dando ainda mais ênfase a ironia. " Pare de se enganar Totousai, você sabe que precisa deles como precisam de você... vai acabar se tornando um velho carrancudo se acreditar mesmo que o que menos te importa é vê-los vivos." Ele tossiu levemente.

" Não posso pensar muito nisso, Kaede, a minha, nossa e acima de tudo, fonte de dinheiro DELES vem disso. Vem de matar ou morrer, de se arriscar. Se eu ficar pensando muito na quantidade de riscos que correm eles acabam sem serviço algum. Sabe... tem pessoas que nascem pra estrelar, algumas pra varrer chão... algumas pra direcionar empresas. Eles nasceram pra roubar, Kaede... e infelizmente é isso que são, apesar de serem ótimas pessoas, são do crime." Ele riu com o próprio discurso, enquanto Kaede suspirou.

Definitivamente, aquilo tudo era bem melhor que passar fome, como antes Kagome passava.

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Inuyasha dormia pesadamente no quarto. A cama já estava bem mais seca que antes e ele achara alguns cobertores para forrá-la.

Não havia gostado muito da idéia de dormir lá novamente, já que sabia que corria o risco de chover durante a madrugada. Mas antes isso que ter que brigar com Kagome pelo sofá como na noite anterior.

A tarde havia sido tensa. A morena perdeu todo o seu tempo preparando uma refeição completamente recheada de pimenta após descobrir "acidentalmente" que o hanyou não agüentava comer comidas picantes. Além de seu tato ser mais forte que o de Kagome, só o olfato já se via altamente prejudicado por culpa disso. Via pimenta, sabia que tinha pimenta, comia pimenta... espirrava sem parar.

E foi exatamente isso que ela fez. Não se importou em jorrar um molho "caseiro" picante em seu ramén antes de entregá-lo. Sabia que Inuyasha sentira o cheiro e mesmo assim tivera a coragem de sorrir para ele enquanto lhe entregava o prato.

Fora isso Inuyasha também aproveitou-se da situação. Quando Kagome teve que tomar banho ele se aproximou dos cabos de força. Parou a energia elétrica quando imaginou que ela estava enxaguando os cabelos.

E ironicamente, acertou. Ouviu gritos e protestos dela que apareceu na porta do banheiro com uma tolha –muito mal ajustada- sobre o corpo. Os olhos vermelhos por culpa do sabão ter entrado neles no momento de pânico e o cabelo repleto de sabonete (já que ele escondera todos os seus shampoos) se faziam cômicos na cena.

Claro, até o momento em que ela lhe apontou novamente a arma. Aos poucos Inuyasha ia descobrindo os "esconderijos" das belezinhas de Kagome, como passou a chamar. Mas, dessa vez ela apenas usou da ameaça para que ele ligasse a força e ela pudesse terminar o banho.

Olhares raivosos eram notados em todo o momento. Estranhamente o meio-youkai conseguia sempre recuperar a calma mais fácil, já a humana ficava por horas bufando e suspirando alto, isso sem contar nos pequenos gritinhos que dava sempre que ele lhe direcionava a palavra em horas desapropriadas, como ela mesmo nomeou.

Enfim, eles sentiram-se exaustos e fizeram um acordo – mudo – de quem dormiria no sofá e quem dormiria no quarto. Inuyasha sentiu ainda um leve tremor quando ela lhe deu um olhar fulminante e suspeito de boa noite. Esgotado por tanto batalhar toda a tarde não cedeu ao macio do travesseiro e acabou por dormir rapidamente.

Kagome, ao contrário do que se imaginava se remexia desconfortavelmente no sofá sem conseguir dormir. Talvez fosse a adrenalina que insistia em não sair do seu sangue, ou era seu ódio que se mostrava ainda maior do que a vez que havia sido baleada por um gordinho careca no shopping, há um ano atrás.

" Aquele maldito." Proferiu ela, remexendo-se do sofá. " Se não fosse por causa dele eu teria alguns milhões na minha conta bancária agora, e certamente não estaria aqui com um meio-youkai nojento." Murmurou no mesmo instante em que lamentava.

Estava coberta com um edredon extremamente fofo e seu corpo se esquentava também com três blusas de frio grossas. Não ousaria colocar outra camisola, ainda mais tendo tanta febre como naquele momento.

" Eu te odeio, Inuyasha." Rangeu os dentes como se ele pudesse vê-la e ouvi-la. Não podia negar que o achava completamente atraente. Fora isso, sua relação era de puro rancor. Levantou-se impaciente. Não gostava de ter um "estranho" em sua casa. SUA casa desde que havia nascido. Viu seus pais sendo mortos ali, conheceu Totousai ali, e agora teria que abrigar um hanyou que referia-se a seu lar como uma suposta "coisa".

Caminhou até a cozinha e apunhalou uma panela juntamente com uma colher de madeira. Sorriu perversamente voltando para a sala e então rumando para seu quarto. Abriu a porta com cuidado, não notando nenhum movimento estranho, e foi então que viu.

Inuyasha dormia tranquilamente em sua cama. Sua boca estava entreaberta, e vez ou outra o sentia sorrir. Suas orelhinhas se mexiam no topo da cabeça, mas pareciam não detectar nenhum som.

Por um momento sentiu pena de acordá-lo. Encostou-se na batente da porta e o encarou longamente, já que ele não sabia que ela estava lá. Piscou uma ou duas vezes antes de suspirar. Ele ficava completamente sereno e belo quando dormia. Os cabelos prateados caiam por seu ombro com uma delicadeza que ela jamais pensou ser vista em um hanyou tão arrogante.

Quando olhou pra cima foi que sua sobriedade voltou. Ele a havia feito atirar no próprio teto, e como se não bastasse a adoeceu e nem ao menos se desculpou por aquilo! Arqueando a sobrancelha agressivamente lembrou-se da sua promessa para o hanyou: a de que ele teria os piores dias de sua vida ao seu lado, nem que fossem os poucos que faltavam.

" Maldito." Resmungou caminhando até a cama com as pontas dos pés. Passou a mão enfrente a face adormecida a ponto de ver o grau de seu sono. Ele nem se mexeu. " Ótimo." Fez uma posição de ataque e sem mais nenhum tipo de melodrama colidiu a colher com o fundo da panela.

O barulho foi alto e estridente, e se repetiu várias e várias vezes. O meio-youkai já estava acordado agora. Os olhos arregalados e vermelhos pelo pouco tempo que havia dormido.

" SUA MULHER MALUCA!" Conseguiu gritar, mas logo depois voltou a respirar pela boca. Os olhos estavam completamente estalados apesar de ela já ter parado de produzir o som irritante e agora estar rindo sem cessar. Sentia como se as ondas sonoras estivessem presas em suas orelhas e não parassem de ressoar com violência.

" Tinha de ver sua cara!" Disse ela entre um riso e outro. Já estava no chão abraçando com força sua barriga, rolando um pouco. Lágrimas saiam de seus olhos toda a vez que ela se lembrava das garras de Inuyasha prontas para o ataque assim que ouviu o barulho. " Adorei!" Continuou ainda.

Ele continuou estático. Olhava pelo seu redor atordoado.

" Sua idiota, você sabe que tenho audição apurada!" Rosnou, voltando aos poucos a se locomover.

" Exatamente por isso, meu querido." Sua barriga doía como nunca e então ela decidiu que parar seria melhor para ela. Tentou se sentar, e foi o que fez com certo cuidado. " Acho que nunca mais irei me divertir tanto." Seu olhar era de vitória, e sua face encontrava-se seriamente divertida. " Bom, acho que isso vale pelo banho frio." Piscou um olho e apontou o dedo para ele como uma "arminha". Ele então mordeu os lábios a encarando longamente.

Ele não falava nada, apenas ficava imóvel em seu olhar. A morena sentiu-se estranhamente incomodada com aquilo.

" Oras Inuyasha, o que foi?" Perguntou ela, forçando uma ironia. " Preferia ter sido acordado com beijinhos, é?" Claro que não eram nem duas horas da manhã, e obviamente eles só acordariam mais tarde devido ao fato de terem de descansar por aqueles dias, mas ela resolveu insistir. " Pare de me olhar dessa forma, senão acabarei me sentindo culpada." O sarcasmo continuava evidente em sua voz.

" Está doendo?" Ele perguntou ainda sem demonstrar expressão alguma.

" O que?" A pergunta soou confusa. Ele continuou com o olhar fixo.

" Sua barriga." Apontou. " Você estava rindo demais... estou perguntando se dói." Ela engoliu seco.

" Bom..." Começou. " Um pouco. Mas... por que quer saber disso?" Seu sorriso saiu torto e ameaçado. Ele apenas abriu um sorriso malicioso.

Levantou-se em um pulo da cama se aproximando dela. Ela não conseguiu se afastar mais de um ou dois passos de onde estava, já que encontrava-se sentada.

" O que vai fazer?" Perguntou, não tendo resposta. " O que vai fazer, hanyou?" O sorriso dele duplicou-se.

" Nada... " Os olhos agora possuíam um pingo de ironia e ela ao menos foi capaz de sentir QUANDO ele havia posto as garras em torno de sua cintura lhe fazendo uma onda de cócegas.

Ela caiu novamente no chão rindo alto. Inuyasha não evitou sorrir também, mas desta vez com certo divertimento verdadeiro. As mãos desnudaram parte de sua barriga e a cobriram de cócegas. A morena se contorcia de tanto rir, apertando os braços do hanyou com força para que ele parasse, sem sucesso.

" Por favor..." Ela ria euforicamente. " Por favor, pare... PARE!" Gritou voltando a ser contagiada com um riso estridente. " Eu não consigo respirar...eu não consigo... respirar!" Disse sentindo sua força se esvairar, mas ele não parava.

" Diga que me ama." Ela negou com a cabeça. " Diga que me ama e que eu sou o seu senhor." Suas pernas masculinas prenderam as dela entre as suas e as mãos grossas encontraram suas costelas finas. Ela passou a chorar devido à falta de piedade do meio-youkai que não deixou que ela parasse de rir momento algum.

" Inuya... INUYASHA!" Gritou novamente. Suas mãos finas passaram para o seu peitoral definido na tentativa de pará-lo novamente, mas aquilo apenas o incentivou a aumentar a rapidez das mãos.

" Fale. " Disse em um tom de ordem. " Vamos, não lhe custa nada." Ela tentou tomar ar, sem sucesso.

" Eu te amo e você é o meu senhor." Disse com a voz fina e baixa. Suas palavras foram tão rápidas que nem puderam ser ouvidas direito, mas ele resolveu parar.

" Mais uma dessas molecagens e eu JURO, Kagome." Seu olhar foi de aviso. " Que eu não paro na próxima vez." Ela soltou um suspiro completamente aliviado ao sentir seu corpo ser deixado sozinho no chão. " E agora, boa noite. " Ele disse, completamente atordoado enquanto deitava-se na cama do lado oposto da visão do corpo dela.

" Okay, okay." Suspirou em derrota. " Até amanhã." Com o corpo verdadeiramente cansado dessa vez ela se levantou, caminhando lentamente para o sofá.

Inuyasha encarava a parede com desespero.

Mais uma dessas e ele não agüentaria soltá-la... não conseguiria suportar a tentação de tê-la apenas pra ele.

" Humana estúpida." Murmurou tentando dormir, agora com certa dificuldade.

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A mulher alta e pouco sorridente descia com elegância do avião. As roupas exageradamente chamativas combinavam com os cachecóis em seu pescoço que caiam-lhe graciosamente – ainda sim – pelos ombros.

Em contradição com toda aquela roupa sufocante de inverno ela possuía um óculos escuro na face, que se mostrava presente em um rosto tão demasiado claro e sem quaisquer sinais de rugas, mesmo parecendo ter certa idade.

Os cabelos não tão longos moveram-se de acordo com que o pouco vento bateu contra eles, e , juntamente com a cabeleireira bem cuidada, virou-se para trás.

" Bankotsu, pegue minhas malas." Ordenou. Soltando um pequeno suspiro de frustração ela baixou os óculos, dando visão aos seus olhos castanhos, completamente gélidos.

" Claro madame." Respondeu com prontidão. O suposto guarda-costas possuía cabelos compridos presos em uma trança parcialmente mal-feita devido à viagem e possuía um corpo bastante atlético. Os olhos azuis escuros davam a sua face um pingo gracioso, mesmo sendo ele um homem aparentemente sério.

" Faz idéia de onde coloquei meus perfumes?" Perguntou com a voz baixa. Não parecia feliz por ter voltado as suas terras, assim como costumavam chamá-las.

" Está em uma bagagem individual senhorita Kikyou. Não permitiremos que aconteça como o ano passado... perdemos dinheiro o bastante para cometermos o mesmo erro." Ela nada disse, apenas fez um consentimento silencioso.

Cheio de malas de diversificados tamanhos ele se dispôs a seguir sua chefe, tomando cuidado para que nenhuma tombasse muito. Colocou-as no chão limpando a testa que já começava a escorrer.

" Esperaremos aqui o táxi." Anunciou ela, ainda sem encará-lo. " Odeio esse lugar... esse calor sufocante durante o dia. Eu odeio essa cidadela." Tirando os cachecóis de seu pescoço com lentidão os jogou em cima de suas próprias malas.

" Se a odeia tanto, me permita perguntar..." O silêncio feito demonstrou que ele poderia prosseguir. " Por que voltou mais cedo que o combinado? Tínhamos dois dias em Londres, ainda." Ela deu ombros.

" Houve um contratempo. Naraku me queria de volta para falar de negócios." Sorriu friamente. " Eu não imaginei que ele perderia o controle da situação por aqui, ao menos, dizem rumores, que não é suficiente para dar conta do recado." Bankotsu soltou um pequeno suspiros.

" Ainda não pegaram aqueles... bandidos?" Perguntou cautelosamente. Poucas eram as vezes que Kikyou o tratava como o respeitável youkai que era.

" Não." Respondeu simplesmente. " Mas mesmo assim acho que são descartáveis. Logo somem por aí, é natural." Pela primeira vez arriscou olhar o empregado diretamente nos olhos. " Eles não seriam idiotas o bastante para se aproximarem de mim, você sabe." Diferentemente do que imaginou ele não lhe desviou o olhar.

" Sim, eu sei." Movendo os lábios com desconforto encarou a outra direção da rua. " Olhe... o táxi chegou." Arqueando levemente as sobrancelhas a morena sentiu-se aliviada.

" Finalmente sairei desse sol infernal." Os saltos altos finalmente sentiram-se aconchegados dentro do carro enquanto o outro prontificava-se de que toda a bagagem coubesse no porta-malas. " Qualquer coisa faremos duas viagens Bankotsu, o piloto certificou-se de cuidar de minhas coisas por mais tempo." Ele assentiu batendo a porta e sentando-se no banco de trás.

Haviam regressado, afinal.

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" Que olheiras horríveis." Alfinetou ele enquanto a observava morder com pouca paciência uma maçã. Dando-lhe um pequeno olhar de aviso, não respondeu a provocação. " Vá se maquiar depois. Aquele velho pode querer reaparecer das cinzas, e se te ver dessa forma pode estar certa de que te tirará da jogada." Pegou uma pêra da fruteira e a mordeu também.

" Cale a boca." Sibilou com raiva. Ele sorriu.

" Ora minha querida princesa, vai dizer que estou mentindo? Isso porque nem citei essa sua cara branca... parece que está sem comer a dias." Kagome rolou os olhos tentando ignorá-lo. Dormira facilmente depois da pequena "guerra" com o meio-youkai, mas mesmo assim sentia que seu corpo precisava de mais conforto e descanso. Aqueles dias estavam não só acabando com sua paciência, mas também com sua coluna, pescoço e costas.

" É tudo culpa sua." Resmungou. " Vive reclamando pelos cantos, gritando, esperneando e me atormentando. Se não fosse por você eu estaria exalando juventude." Ele arqueou a sobrancelha ironicamente.

" Oh, claro, esqueci que fui eu quem te acordou com um som ensurdecedor ontem a noite." Ela fez uma careta.

" Faça um relatório e depois entregue pro Totousai, seu idiota." Levantou-se da cadeira caminhando até a prateleira. Apanhou um cigarro o acendendo lentamente.

" Vou seguir seu conselho e fazer um, mesmo. Aproveito pra colocar o quanto você está prejudicando minha saúde com esses malditos cigarros." Afastou-se um pouco, pendurando-se no parede.

" Você está na minha casa, animal." Certamente ela não estava com muito humor. " Se não gosta que eu fume perto de você então se afaste. Eu não fumo só pra te irritar senhor-do-mundo, eu fumo também porque tenho uma coisa chamada vício." Ele sorriu sardônico.

" Apenas os fracos se viciam." Ela não evitou rir baixo.

" Olhe só quem fala." Olhou-o diretamente nos olhos. " Esqueceu seu pequeno amor por ramén?" Perguntou lentamente enquanto de sua boca um pequeno sorriso se formava.

" Feh!" Proferiu. " Posso ficar sem ramén se quiser."

" Se quiser..." Ele pareceu se atacar com a insinuação.

" Posso ficar sem ramén sim, sua imbecil." Disse-lhe aumentando alguns tons de sua voz.

" Eu também posso ficar sem cigarros... se quiser." Riu baixo, o irritando profundamente.

" Quer apostar o que, humana inútil?" Perguntou se aproximando furiosamente.

" O quando quiser, hanyou." Estendeu a mão em sua direção. " Pena que já sei que vai perder... geralmente apostas assim não tem graça." Rolou os orbes demonstrando impaciência. Inuyasha inesperadamente apertou sua mão com força.

" Uma semana." Ela arqueou a sobrancelha em confusão. " Se você conseguir ficar uma semana sem fumar eu faço o que você quiser... vale o mesmo pra mim."

" Ah, que amor, não?" Ele bufou. " Eu vou passar um estresse imenso quando assaltarmos Kikyou e não poderei fumar. Quando fico nervosa, eu fumo. Diferentemente de mim você não precisa comer quando entra em colapso." Ele prendeu a respiração.

" Tudo bem. Uma semana você e duas semanas eu. O que acha?" Seus olhos brilhavam em profundo desafio.

" Eu topo." Retribuiu o aperto com a mesma força que ele. " Espero que esteja com o psicológico pronto pra derrota meio-youkai, afinal, não serei piedosa no momento em que escolher seu castigo." Soltaram as mãos.

" Veremos, magrela." Os olhos dela faiscaram. " O que foi, bruxa? Não gostou do apelido?" Ela rangeu os dentes.

" Cale a boca." Disse por fim rumando ao seu quarto. Ele torceu o nariz ao sentir ainda o cheiro do cigarro pelo aposento.

" A APOSTA COMEÇA AGORA!" Gritou ele. Esperou alguns segundos e a viu voltando com raiva.

" Aé? Então toma!" Respondeu irritada enquanto jogava o cigarro na direção de Inuyasha. Por pouco a ponta acesa não pegou em seu cabelo, coisa que causaria certo estrago.

" BRUXA!" Pisou com raiva no cigarro enquanto rosnava. " Mulher repugnante." Ela sorriu.

" Ao seu dispor." Foi a vez dele bater os pés enquanto saia dali.

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" Tem certeza de que isso será necessário?" Totousai perguntou com cautela para o monge que encontrava-se sentado em sua frente.

" Não sou eu a ditar as regras por aqui, Totousai." Disse de forma respeitosa. " Mas eu e Sango estávamos pelo centro da cidade quando a notícia correu. Ao que me parece verdadeiramente voltaram mais cedo." A mulher encarou o velho assentindo a cabeça.

" Rumores são rumores, estamos certos disso, afinal, não somos um par de principiantes." A voz fina ressoou pelo local.

" Sei bem disso." Proferiu Totousai. " Imaginei que esse tipo de coisa poderia acontecer, mas porque Kagome tem que sair de sua casa?" A pergunta soava nada óbvia, na verdade, bastante confusa.

" Parece que voltou porque Naraku a chamou com urgência aqui." O olhar do monge parecia sério apesar do sorriso moldado em sua face. " Kagome vive em uma casa suspeita; sabe que é essa a imagem que o xerife tem de nós." Deu ombros. " Ao que me informou, Inuyasha mora em uma casa grande e aconchegante. Nunca que suspeitariam de lá. Não podemos deixar vestígios, Totousai." O velho coçou a garganta.

" De fato. O melhor será fazê-los pensar que desistimos da cidade." Respirou fundo. " Kaede..." Chamou. Apesar da idade a audição da senhora parecia boa, já que chegara ao local já no primeiro chamado.

" Diga." Miroku e Sango encararam a senhora com uma pequena curiosidade. Não sabiam que Totousai morava com outra pessoa, muito menos com uma mulher.

" Ligue para a Kagome e a informe da mudança de planos." Um pequeno brilho brotou em seus olhos. " Caso haja relutância informe-a de que estou sem paciência alguma, ela entendera o recado." Kaede consentiu saindo do local com rapidez. " Agradeço a vocês pela informação... admito que teria passado despercebido por mim." Admitiu ele. Os dois sorriram.

" É apenas nosso trabalho." A mulher prontificou-se a dizer. Totousai sorriu em alivio.

Apesar de serem uma mulher estressada e um monge tarado... não havia errado em adicioná-los ao grupo...

Mesmo que não fosse nenhum orgulho isso.

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" Alô?" Kagome adentrou na sala como um vulto ao ouvir o som do telefone, mas não fora mais rápida que o intruso Inuyasha Taisho, que já estava com o telefone entre os dedos másculos. " Ah, é pra você." Disse com desdém estendendo a ela. " Demorou."Assobiou. Ela revirou os orbes.

" Oh, jura?" Perguntou em ironia. " Achei que por ser o rei do mundo estavam ligando pra você." Ele estreitou o olhar, mas logo se deparou com as costas da mulher. " Kaede? Ora, há quanto tempo que não ouço sua voz... que boas ou más notícias se devem a esse telefonema?" Ele viu que Kagome tremia levemente.

- Abstinência.- Pensou ele, apesar de não terem passado nem duas horas.

" O quê? Como assim, casa do Inuyasha?" Ela se virou encarando o hanyou. " Não, de modo algum, eu não vou pra lá!" Começou a bater os pés freneticamente. " Como? Totousai disse que me demitiria? Como assim, eu não sou ao menos registrada!" Exclamou com tons de voz acima do normal. " Não, diga a ele que não! Ele sabe o como é importante pra mim preservar esse lugar. Por deus, podem invadi-la se eu não estiver por perto, ele sabe disso, ele sabe!" Inuyasha arqueou a sobrancelha.

Aquela cena parecia-lhe surreal. Por que uma humana preocupar-se-ia com uma casa como aquela?

" Tudo bem, já entendi." Voltou a encará-la ao notar a voz repleta de mágoa. " Diga-lhe que se acontecer algo durante minha ausência, o mínimo que seja, eu ficarei imensamente angustiada, e a culpa será toda dele." Kagome mordeu os lábios com suavidade. " Devemos partir que dia?" A pausa seguiu-se com um longo suspiro. " Tudo bem... até mais, Kaede." A morena desligou o telefone com raiva.

Passou reto por Inuyasha e caminhou até o sofá em que dormia e sentou-se.

" Ótimo, iremos para o seu palácio agora, está feliz?" Ele coçou a cabeça.

" De certa forma." Sorriu torto. " Dormir naquele colchão úmido não é uma coisa tão boa." Ela batucou o braço do sofá.

" Teremos que ir hoje, mais precisamente agora." Seu olhar dirigia-se para todo o canto do cômodo. " Oh, droga, droga." Agitou-se, levantando e andando de um lado para o outro. " Ótimo, pego algumas blusas, minha escova de dentes... os raméns que comprei para mim, já que não apostei que não comeria." Lançou ao meio-youkai um olhar ranzinza. " E... acho que só. Alguns dias eu sobrevivo longe de casa."

" Não sei porque se preocupa tanto em deixá-la." Kagome continuava a andar de um lado para o outro. " Ninguém terá interesse em roubá-la. Mesmo se quisessem destruí-la, bom... já está caindo aos pedaços, que mal tão grande pode haver?" Ela apertou os cabelos angustiada.

" É algo que você nunca entenderá, hanyou." Seus dedos passaram para a boca, onde ela iniciou um novo ritual para se acalmar: roer unhas. " É maior do que sua compreensão chula." Ele rosnou imediatamente.

" Então quer dizer que quando fica sem cigarros vira essa coisinha, humana desprezível?" Ela o encarou com raiva.

" Quer brigar, é?" Ela parecia extremamente disposta a isso. " Pode vir, garanhão. Te arrebento por inteiro." Ele entreabriu os lábios.

Então é isso que a abstinência faz com a pessoa?

" Há quanto tempo fuma?" Ele perguntou. " Ou melhor, quantos anos tem, baixinha?" Ela deu um gritinho de indignação, como costumava fazer.

" Ótimo, já foi magrela e baixinha, do que mais quer me chamar?" A voz dela saia como gritos, agora. " E o que te inporta há quanto tempo fumo ou há quanto tempo vivo, seu imbecil?"

" Ow, que língua afiada!" Provocou ele. " Pare com isso, tudo bem? Não fui eu quem quis apostar algo sabendo que não conseguiria." Ela socou a parede, voltando-se ao meio da sala novamente. Inuyasha caminhou até ela e a segurou pelos braços com força, mantendo-a parada.

" Me solte." Ordenou não olhando diretamente em seus olhos. Ele suspirou.

" Pare de andar como uma zumbi, então. Isso irrita, sabia?" Ela engoliu seco e soltou-se das mãos dele com uma força brutal.

" Vou pegar minhas coisas, então. Vamos logo para seu palácio de cristal e veremos se as coisas melhoram. Espero que seja grande como você insinua indiretamente ser, meio-youkai, assim ao menos só nos trombaremos de vez em quando!" Empurrou-o com toda a força que tinha e foi para o quarto. Ele arqueou a sobrancelha tentando reprocessar o que havia passado.

Aquela mulher era um demônio!

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" Você não pode estar falando sério que tudo isso saiu de pequenos esconderijos." Os olhos do hanyou estavam completamente arregalados.

" Cale a boca, sua voz está me irritando." Ele ao menos prestou atenção na mulher – aparentemente muito estressada pela falta de cigarros-. Voltou a observar a quantidade de armas existentes na casa, deixando o queixo cair.

" Quantas tem aí?" Ela terminou de fazer sua mala com apenas o necessário e a fechou.

" Umas trinta, quarenta, não sei. Não estou fazendo nenhuma faculdade que envolva cálculos."

" Nem nenhuma outra." Concluiu ele. Kagome surtou.

" Vamos logo!" Ordenou ela. " Vamos logo antes que eu use cada uma delas, Inuyasha, apenas para te ver morto." Ele tossiu propositalmente.

" Pare de ser birrenta, mulher! Esqueceu-se que terei que te levar pra lá e pra cá nas costas?" Ela aproximou-se dele e apontou o dedo diretamente em sua face.

" Não, não esqueci. E tente não me levar que te dedo para aquele velho filho de uma puta!" Ele riu baixo. " Do que está rindo, seu desnutrido?" Ele sorriu ainda mais.

" Desnutrido? Então todos esses músculos são o que, minha cara? Não sou eu o magrelinho por aqui." Ela mostrou o dedo do meio, afoitamente.

" Vá para o inferno!" Blasfemou.

" Eu nunca deveria ter feito essa aposta estúpida com você. Preferia morrer por ser um fumante passivo que agüentar uma mulher gritando e xingando feito louca." Falou em tom de deboche. " Suba logo em minhas costas, e se puder, por favor, cale-se todo o trajeto. TODO o trajeto, tudo bem, ou quer que eu escreva em uma folha para você ficar lendo?" Ela mordeu o canto da boca com uma força desnecessária.

" Não vou nem responder. Juro, juro mesmo que não vou perder meu tempo." Ele sorriu malicioso.

" Podemos perder tempo com outra coisa. Sabe... eu gosto de baixinhas, ao menos elas são portáteis, e eu posso te segurar no colo pelo bumbum e te levar para onde quiser." Ela o encarou completamente descrente do que havia acabado de ouvir.

" Eu definitivamente não me enganei ao odiar os homens." Ela começou a rir, deixando a mala cair de sua mão. " Ora, como vocês são nojentos! Como pode me falar isso justamente quando estou sofrendo de estresse?" O sorriso dele duplicou.

" Exatamente benzinho. Estou apenas tentando te livrar de todo esse estresse. Você me vê como um homem insensível, desonesto e estúpido, mas às vezes eu sou bem cavalheiro." Ela prendeu a respiração.

" Ah, claro! Quando você está com a cabeça do pênis ocupada a outra não tem tempo de pensar em ironias bestas, não é?" Ele fingiu certo espanto.

" Kagome... como pode pensar isso de mim? Que absurdo, senti-me completamente constrangido e humilhado." Torceu a feição. " Não vou mais perder meu tempo tentando ser gentil com você e pensando no seu bem-estar. Espero que morra cheia de rugas por culpa da irritabilidade." Virou-se de costas para ela e se abaixou. " Suba em minhas costas logo. Sempre odiei esse papel, mas fazer o quê. Tudo pelo grande bolo de dinheiro." Ela arqueou a sobrancelha ironicamente.

" E você acha que eu adoro subir em suas costas, não é? Ora, que grande excêntrico você é. Me dá vontade de esmurrar essa sua cara sem-vergonha." Grunhiu. Aproximou-se dele e pulou sem jeito em suas costas. " Pegue as malas. Não gosto muito de ficar voando por aí. Você pode querer me largar a qualquer momento, eu sei. Então não posso me descuidar deixando minhas mãos ocupadas com outro lugar a não ser seus ombros."

" Se você os apertar e pegar meu nervo, considere-se uma mulher fodida. E olha que nem chegamos ao nível sexual." Ela puxou sua orelha rudemente. Ele gritou. " NÃO faça mais isso. Lembre-se que sua vidinha INÚTIL depende de mim agora." Ele respirou fundo.

" Vamos logo, não estou com saco pra ouvir um mimadinho como você resmungando." Pigarreou. " Só dois dias... ah, como é bom saber que logo estarei longe de você, seu grande saco de pulgas!" Ele apertou as pernas dela sem cuidado, a fazendo soltar um gritinho.

" Lembra de quando eu falei pra você calar a boca? Então, deixe sua preciosa boquinha fechada, senão chegará em casa aos retalhos, e terei que voltar pelo caminho para pegar vestígios seus e colá-los com super bonder." Ela estranhamente relaxou o corpo depois do hanyou tê-la ameaçado.

" Desculpe... o que disse?" Ele rosnou e pulou abruptamente, sentindo as mãos frágeis da humana apertarem seu ombro.

Ele riu alto ao sentir seu medo, e a vontade de rir apenas aumentou durante os trancos que percorria durante o caminho.

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Nenhuma nota. Acho que o que eu tenho pra dizer já foi dito em Gotas de Solidão. Ah! Estou ficando velha até pra isso...

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ANNY TAISHO: Ahh, sério mesmo que você é a escritora daquela fic preciosa? Poxa, deixa sua amiga pra lá e continua sozinha x), você não sabe a quanto tempo eu espero aquela continuação! Ah, eu queria ver a pistola do Inu... mas não apenas vê-la, senti-la também seria uma coisa bem, mas beeem legal! AHEUAHUEHUAHEA Eu não ligo de você "pegar emprestado" o Inuyasha da minha fanfic, desde que eu consiga pegar os vários Sesshoumaru's espalhados por aí. Ou o Inuyasha da sua mesmo, afinal, ele é namorado de aluguel, então , creio que nos daríamos bem XD! Obrigada por dizer que minha fanfic está perfeita, fico muito feliz por saber que acha isso *-*! Beijosss, e até o próximo!

-0 IUMMY-CHAN 0-: Te desculpar pela expressão chula? Oh! Mas é claro que te desculpo, afinal... como eu não poderia XD? Obrigada por dizer que estou unindo bem esse sentimento humor e ódio, acredite, estou me sacrificando pra deixar a fanfic divertida AAHUEHUAHEA! Sim, eles estão se amando mesmo, sem dúvida! Muito obrigada pela review e espero que continue acompanhando! Kissus e Já Ne!

COSETTE: Ahh, você já ama a fic? Que booom *O*! Essa coisa de ler várias fanfics de uma autora e apenas comentar em uma delas é normal AUEHUAHEA, eu por exemplo vivo fazendo disso na maior cara de pau do mundo x)! Eu também adorava a escola, só percebi na faculdade mesmo. Na escola era tudo de bom, podia dormir a vontade, apesar das carteiras serem um pouco desconfortáveis =T! Eu também sou fã dessa coisa amor/ódio. É sempre tão encantador, né? E claro que o Inuyasha tem que ser o gostosudo, senão não tem graça XD! Eu também espero pelo momento em que os dois vão se atarracar. Não vai demorar nada nada, eu acho =P! E sim, depois vão se declarar, como não? Muito obrigada pela review, guria, e até o próximo capítulo!

DANDA JABUR: A fanfic é ótima, sério? *O*! Que bom que você riu com ela, eu estou me matando horrores pra deixá-la engraçada, acredite xD! É normal ficar sem dormir e escrever reviews nada decentes. Eu entendo disso, acredite AHUEHUAHEa. Bom, então é isso aí, guria! Obrigada pelo comentário e até o próximo capítulo! Beijos!

JHENNIE LEE: Ohh, fico tão contente que esteja amando minha história! Ela está me dando um trabalho, viu! Fanfiction é um site demolidor de neurônios, por deus. Estou quase enfartando com essa vida xD! A continuação está aqui, espero que continue acompanhado, viu? Beijoss querida, e até o próximo capítulo!

AGOME CHAN: Aquele que disse que tem que fazer facul pra se dar bem estava drogado. Pura ilusão. A gente se mata por aí pra depois terminar em empregos que não tem correlação alguma com a faculdade prestada. Ah, ser humano é mesmo um ser detestável! A Kagome de camisola pra provocar o Inuyasha? Acredite, essa é a primeira fanfic em que o que ela realmente quer, por hora, é matá-lo AHEUHAUEHA! Trocas de carinho vão rolar mesmo, é inevitável, afinal. Seus dragões continuarão bem amarradinhos que eu sei X) AHUEHAUhEUHAUEA! Obrigada pela review, viu? E até o próximo capítulo!