DISCLAIMER: Se Inuyasha me pertencesse, ele não faria parte do anime... apenas da minha cama.
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" Eles tem uma teoria." Kouga iniciou o diálogo. " Acreditam mesmo que vocês dois acabaram se matando." Deu de ombros e logo após suspirou.
Eles haviam seguido para a casa do monge, assim como planejado. Nada de surpresas durante o caminho, o que sinceramente havia facilitado muito.
Inuyasha sempre havia adorado o modo como a vida se agitava, às vezes. Porém, mediante o risco e a saúde de Kagome, ele realmente não queria que nada de errado acontecesse.
E ele estava com medo também. Claro que ele não admitiria aquilo.
O lobo sorria galante para a morena sempre que podia. Às vezes piscava um olho só ou então suspirava quando seus orbes se encontravam.
Inuyasha, obviamente, se irritou. Claro que ele também não admitiria aquilo. Mas poderia muito bem demonstrar, se aquele lobo imundo continuasse a molhar os lábios em direção a Kagome, que estava deitada em um sofá, certamente desconfortável com a dor que ainda deveria estar sentindo.
" Então foi a droga de uma armadilha?" O hanyou perguntou. Ele concordou com desdém e voltou a encarar Kagome.
" Eu nunca tive tamanho medo em minha vida." Inuyasha tentou ignorar, novamente.
" E então porque essa caçada pela cidade?" Miroku apareceu no aposento com uma garrafa de sake. Sango o encarou e sorriu, notando que o que mais tinha na casa eram objetos antigos e garrafas vazias, meramente para enfeite. Muitas delas.
" Para obterem certeza?" A voz do velho se realçou. " Estamos em uma enrascada. Eles nos querem mortos a todo o custo, e é só." Bateu os dedos levemente contra a madeira. " Nós poderíamos até mudar completamente o visual de Kagome, mas... o problema dela é o cheiro. Esses malditos youkais sentem tudo!"
" O que você tem contra youkais?" Kouga perguntou divertido. " Nosso olfato é uma benção, Totousai. Uma pena que nessa situação seja um completo problema." Inuyasha rangeu os dentes imaginando o que se seguiria.
Mas nada se seguiu.
" Nós precisamos fugir daqui." Miroku aconchegou-se ao lado de Sango e ela tremeu.
" É. Acho que teremos que dar completamente o fora." Kagome finalmente falou. A voz saiu um pouco rouca e Inuyasha suspeitou que ela tivesse começado a se gripar, como se o resto não fosse suficiente.
" E para onde iremos, senhores da inteligência?" Inuyasha rosnou. " Você tem quantas propriedades Totousai? Milhões delas?" O velho tossiu.
" Cale a boca, Inuyasha." Ele ouviu Kouga rir baixo e então suspirar novamente na direção de Kagome. " Você prefere ficar aqui até nos encontrarem? Eu adoraria te ver morrer, mas está fora de questão no momento." Inuyasha sorriu largamente.
" Você morreria se eu morresse, velho. Admita minha importância."
" Você só é importante para irritar pessoas. Nisso, não existe ninguém melhor." Ele desviou o olhar e observou Kouga se levantar e ir até a morena. Rangeu os dentes inconscientemente, atitude que fez com que todos os encarassem.
" Como vai você?" Kouga perguntou sentando-se num canto do sofá. " Aquele imbecil te machucou, não é mesmo?" Kagome piscou os orbes algumas vezes.
" Pare de falar como se eu fosse uma criança." Fez uma careta quando sentiu a mão dele pousar em seu estomago.
" Desculpe-me, é que eu realmente estou preocupado. Diferentemente de..."
Sentiu seu corpo ser puxado para trás e então, literalmente "voou" por metade do caminho. Seus pés fixaram-se ao chão e ele rosnou.
" Cachorro sarnento!" Vociferou. Inuyasha cruzou os braços, arqueou ambas as sobrancelhas e sorriu ironicamente. Kagome piscou os olhos algumas vezes antes de assimilar a cena.
" Vai um pouco?" Sussurrou Miroku ao pé do ouvido de Sango e ela sorriu, apanhando a garrafa e tomando um pouco do liquido ainda no gargalo.
" Vocês são perfeitos um para o outro." O velho ironizou, já colocando a mão sobre a testa, certamente irritado com a situação. " Tem certeza que ninguém o seguiu, Kouga?" Silêncio. " Kouga?" O youkai o encarou.
Irritado.
" Tenho." Simplesmente respondeu. Voltou a se sentar onde estava de início, não querendo perturbar ainda mais Kagome, que estava mais pálida que o normal.
" Acho que nós deveríamos matar todos. Todos eles." Kagome disse. " Esse jogo de gato e rato é ridículo. A coisa é sair atirando em todo mundo." Inuyasha riu.
" Vai lá, magrela. Uma boa sorte com os youkais." Ela acentuou uma sobrancelha.
" Está com medo?" Ele cerrou os orbes, como se relembrasse o como era brigar com a humana. Tão fraca, porém tão incrivelmente áspera.
" Estou com medo por você. Essas suas perninhas não percorrem nem duas quadras sozinhas antes de alguém conseguir te matar." Ela bufou e entreabriu os lábios para responder, entretanto Totousai se mostrou mais rápido.
" Precisamos a todo custo pegar o dinheiro que está em minha antiga residência." Disse ele. " Acho que eu devo ir, tanto que se voltarem a minha casa e não encontrarem ninguém lá, podem desconfiar. Eu não tenho mais ideias, elas simplesmente evacuaram! Precisamos ao menos estar com a bolada, antes que acabemos comendo areia." Kouga suspirou.
" Vocês estão ferrados." Inuyasha o encarou com desdém. " De toda a forma, eu vou averiguar mais a fundo os planos da patrulha. Não quero que Kagome fique em risco, nunca." E então rosnou. Ótimo, ele realmente era seu inimigo.
Kagome colocou a mão sobre a testa. Bom, talvez não.
" Quando faremos isso?" Totousai os encarou.
" Descansem mais um pouco. Tenho que pensar... mas logo terei a resposta. Não se preocupem mais." Levantou-se e virou, apenas deixando um suspiro cansado.
Brincar de gato e rato não era nada divertido.
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" Eu quero vivos!" Ela gritou esmurrando a mesa. " Se não estiverem, eu quero os corpos. Corpos de ambos, em cima de minha mesa... quero vê-los mortos." Kikyou andou de um lado para o outro. O robe de cetim era longo e desenhado, que moldava perfeitamente seu corpo.
" Senhorita, eles devem ter percorrido milhas." Bankotsu tentou acalmá-la.
" Não, não percorreram!" Naraku deu um longo suspiro. " Você me disse que ele estava em forma demoníaca!" Rilhou. " Que raios de youkai iria levar a bela dama até longe para depois devorá-la? Ainda mais cheirando a sangue?" Ela parecia descontrolada agora.
" Nós os encontraremos." Ele assegurou. " Vivos ou mortos." Kikyou arqueou uma sobrancelha, a acentuando o máximo que podia.
" Acho realmente bom." Aproximou-se impaciente. " Quero ele aqui, e se estiver vivo, ordeno ficar face-a-face com aquele meio-youkai." Os olhos estavam ainda mais frios que o normal... e irritados também. " Quero meu dinheiro de volta, e além disso fazer uma proposta." Naraku a fitou curiosamente.
" E que tipo de proposta seria essa?" Ela sorriu.
" Uma que um simples empregado não tem o direito de saber." Riu de canto. " Eu te dou uma semana para que os consiga. E ah! Não esqueça do meu dinheiro." Sorriu enquanto se virava. " Pelo bem de seu emprego e de sua moradia longe de grades." Naraku segurou um gemido.
Ele estava ferrado agora.
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" Então é isso." Kagome encarou Inuyasha por um longo momento. " Nós vamos pegar as coisas e partir, como se nada aqui nos pertencesse." Inuyasha deu de ombros.
" Eu pensei muito nisso." Virou-se para ela, deixando com que os olhares se cruzassem. " E não vai fazer tanta diferença. Na realidade, eu nem me importo." Se jogou contra o travesseiro, se arrumando ao lado dela. " Eu não tenho nada importante aqui." Ela sorriu.
" Nem eu." Ficaram alguns segundos em silêncio. " Eu tinha a minha casa, mas desde que ela foi destruída, talvez nada me prenda aqui..."
" Será que o velho vai junto?" Perguntou ele. " Eles viram apenas nós dois... os outros não tem necessidade de nos acompanhar. Além de nós termos conhecido o monge e Sango há pouco tempo. Não temos nenhum vínculo a não ser o profissional." Kagome apoiou o rosto sobre a mão e virou-se para ele.
" Comigo também." Ele sorriu, encarando a parede. " E então nós iremos, e nada deixaria de ser profissional." Inuyasha pensou por algum momento.
" Na verdade, acho que é mais que isso."
" O que seria partir sem mim?" Ela arriscou perguntar. Aquele estresse estava fazendo mal a ela, deduzira. Mas de toda a forma, ela tinha que perguntar.
" Seria... estranho." Admitiu. " Não teria ninguém para brigar, ou para dizer o quanto sou estúpido e arrogante." Ela riu. " Nós caímos de cabeça dentro dessa, não?" Ela concordou.
" Sem dúvidas! Parecia muito fácil." Um braço dele se aconchegou sobre a barriga dela.
" E continua parecendo..." Ele ergueu os orbes dourados na direção de Kagome. " Podemos forjar uma morte." Ela piscou os olhos algumas vezes.
" E então você arruma uma mulher parecidíssima comigo e joga embaixo de uma sarjeta." Ele torceu a feição debochadamente. " Continua sendo mais difícil que parece, Inuyasha." Se aconchegou um pouco para o lado, inconscientemente.
" Totousai se trancou no quarto há duas horas." Quebrou o silêncio. " O que será que está pensando?"
" Não deve ser nada bom." Disse. " Talvez algo que nos salve dessa encrenca." Ele riu.
" Isso vai nos perseguir sempre. Somos foragidos, isso não é o máximo?" Ela sorriu juntamente com ele e aquilo parecia surreal.
Para ambos.
" Aqui não é lá grande coisa." A morena suspirou. " Alias, nós acabamos por achar isso porque estamos presos a essa cidadezinha."
" Acho que gosto de você." Ela arqueou a sobrancelha abruptamente e ele se soltou dela da mesma forma. " Isso é, não é nada." A face dele ficou vermelha, mesmo que ele não admitisse. Levantou-se da cama e ela sentiu uma imensa vontade de puxá-lo pela mão.
Mas não fez isso.
" Vou chamar Totousai." Deu as costas e abriu a porta, saindo por ela.
E pela primeira vez, Kagome ficou verdadeiramente sem reação.
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Totousai gemeu encarando a televisão velha, com uma vontade quase estúpida de roer as unhas.
Inuyasha e Kagome estavam sendo descritos com os mínimos detalhes, dados como foragidos e altamente perigosos.
Kikyou atreveu-se a depor, prometendo uma quantia extremamente alta a quem conseguisse a façanha de informar algo sobre ambos. Mesmo que mortos, o que fez o velho quase infartar.
Aquilo era sério.
Havia pensado que conseguiria um tempo. Tinha sido perfeita a transformação de Inuyasha, mas parecia que não havia os convencido nem um pouco.
" Está em tudo!" Disse a si mesmo, apertando todos os canais possíveis. Estava prestes a cair em crise histérica. Como poderia apanhar o dinheiro em sua casa e se mandar antes que alguém simplesmente invadisse todas as residências?
Totousai tremeu da cabeça aos pés. Nesse exato momento Inuyasha entrou, totalmente eufórico.
" O que está fazendo?" Totousai perguntou quase engasgado. O hanyou se sentou na cadeira e balançou o corpo para frente e para trás, com as mãos na cabeça.
" Estou enlouquecendo." O velho bufou e rolou os orbes. Atrás de si, a televisão anunciava o nome de seus empregados, isto é, de Kagome e Inuyasha, e a sua frente aquilo?
" Por que VOCÊ está enlouquecendo?" Pensou em dizer que era ironia, para talvez Inuyasha prestar algum tipo exótico de atenção no ambiente e notar o que se passava. Mas bom, ele perceberia.
" Acho que estou pirando. Digo coisas sem sentido, só pode ser!" O velho se alarmou.
" Inuyasha." Apanhou a cabeça dele e a firmou em direção a tela. " Olhe aquilo! Está em todos os noticiários!" O hanyou colocou ambas as mãos para o alto.
" E o que devo fazer? Chorar?" Totousai bufou.
" Fuja o mais rápido que puder e o mais longe também!" Ele parecia falar sério. " Suma com Kagome em algum lugar e então, eu vejo como encontrá-los." O hanyou se afastou um pouco.
" Calma velho! Não será tão fácil assim nos encontrar!" Ele parecia certo daquilo. " Sei que devemos agir o mais rápido possível, isso é claro... mas não é tão fácil assim encontrarem uma casa onde estamos refugiados." Sorriu sem-graça.
" Talvez pela primeira vez na sua inútil vida você tenha razão." Totousai sentou-se ao lado de Inuyasha e imitou seus gestos. E então, deu um pulo. " Afinal, que merda estamos fazendo?" O hanyou foi responder, porém foi cortado. " Por que agir como ratos acovardados?"
" Nem me fale em ratos..."
" Isso é ridículo!" Ele cuspiu. " Estamos nos preocupando uns com os outros, exatamente por isso estamos sendo impedidos de lutar, e isso é algo que eu não admito!" Cruzou os braços e então seu olhar brilhou. " Estamos sendo estúpidos." Inuyasha arqueou a sobrancelha.
" E o que exatamente está propondo?" Ousou perguntar. O outro sorriu largamente.
" Chame Sango, Miroku e Kagome."
" Achou alguma solução?" O hanyou pareceu realmente interessado. O velho negou com a cabeça.
" Não achei a solução." Piscou os olhos algumas vezes. " Nunca precisamos decerto de uma."
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" Faz sentido." A morena se arrumou lentamente sobre o sofá, sentindo-se confortável. " Então nós... quebramos as regras?" Molhou os lábios com a língua incerta do que dizia. Totousai confirmou.
" Isso está claro! Há muito tempo eu tenho alertado a todos o como não poderíamos nos preocupar." Sango arqueou a sobrancelha. " Estamos nos escondendo por medo de pegarem os outros, mas se estivéssemos menos preocupados com toda essa merda, certamente estaríamos mais longe! Pensem direito." Miroku coçou a garganta.
" Acho que você tem razão." O moreno encarou Sango, que já não estava com a face completamente confusa. " Esse medo nos deixou um pouco inválidos para pensar direito. Afinal, Kagome e Inuyasha quase morreram por minha culpa... estávamos assustados por nosso plano ter dado tão errado." O hanyou deu de ombros.
" Keh!" Cruzou os braços com lentidão. " O velhote está certo." Disse relutantemente. " O que faremos então?" Totousai tomou uma posição de liderança.
" Eu, Sango e Miroku iremos para minha antiga casa. Enquanto eu pego o dinheiro, Sango verá quais os esgotos da cidade e para onde dão cada uma deles." Sango suspirou.
" E para que isso?..."
" Não está óbvio?"
" Não?"
" Nós fugiremos." A voz de Kagome se pronunciou. " Nós poderíamos marcar um encontro, mas seria arriscado. Nós podemos descer pelo esgoto e sair em algum lugar... afinal, eles percorrem toda a cidade." Mordeu o canto da boca. " Depois poderemos seguir pelas vielas, não deve ser muito difícil." Inuyasha estava sério naquele momento. Miroku notou a apreensão do outro, mas não questionou.
" E então faremos isso hoje?" Deduziu, mas ainda não teve certeza do que dizia. Totousai confirmou.
" Com toda a certeza. Pedirei para Kaede tomar conta de cada esquina, e para Kouga que colete o maior número de informações sobre onde os policiais estarão. Claro que todos ficarão espalhados, eu sei, mas eu digo... até onde eles chegariam, fora dessa cidade." Kagome concordou.
" E onde ficaremos?" O velho deu ombros.
" Não importa." Sango quase tossiu. " Nós já passamos por problemas parecidos. Peguem seus brinquedinhos e se alguém aparecer, simplesmente os matem." Ele parecia estar falando sério.
" Tem a casa de meu irmão." A atenção centrou-se em Inuyasha completamente. Ele estava com a face um pouco para o lado, irritado com o que ele próprio havia dito. " Ele mora em uma vila bem afastada... há umas duas cidades daqui." Fingiu indiferença. " Normalmente ele está por lá a noite e eu sei como chegar a sua casa." Kagome notou a completa relutância do outro, mas não comentou.
" Ótimo." Totousai suspirou. " Finalmente voltamos a ser quem éramos. Esse teatro estava me enojando." Claro que ninguém acreditou naquilo.
Muito menos ele.
" Arrumem suas coisas." Kagome se levantou com calma, anunciando com a voz firme que há alguns dias não usava. " Eu e Inuyasha esperaremos vocês aqui, é isso?" Os outros confirmaram.
" Passe em casa, velhote." Levantou-se também. " Pegue o que achar necessário. Não me importo muito com isso." Totousai concordou, ignorando a forma com que Inuyasha sempre o chamava.
" Então vamos, mocinhas." Observou um por um. " E nada de drama, afinal, isso finalmente deixou de ser uma novela mexicana." Ao menos, era isso que ele esperava
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Totousai, Miroku e Sango haviam saído há aproximadamente uma hora. Kagome estava eufórica, andando de um lado para o outro. Era óbvia a vontade que ela estava de fumar, ainda mais com o ar que puxava em seus lábios inconscientemente.
Sentia-se até mesmo curada. Kouga havia ligado avisando que apesar do alerta geral da população, os policiais só estavam autorizados a chegar até a cidade vizinha. Decerto, alguns mais longe para procurarem notícias sobre pessoas mortas, indigentes.
Com um suspiro também anunciou perigo, com um grupo que ela não soube dizer decerto o que era. Mas de toda a forma, já tinha conseguido disfarces para ela e o hanyou, mesmo que confiasse na rapidez, era óbvio que Naraku estava furioso, e ela não estava com vontade de confrontá-lo daquela maneira.
Inuyasha tocou seu ombro com leveza. Ela o encarou, respirando fundo.
" Então, vamos voltar a ativa?" Ela perguntou com um sorriso amarelo. Ele lhe sorriu de volta.
" Tem certeza que está pronta pra isso, magrela?" Ela pousou a mão na própria barriga e molhou os lábios.
" Poderia ser pior." Deu de ombros e se afastou dele, virando-se. Ele mirou suas costas, um pouco desnudas devido a roupa que ela usava. " Poderia ser muito pior mesmo." Ele suspirou, sentando-se em cima de uma mesa.
" Acredito que sim." Piscou os orbes dourados algumas vezes. " A resposta que procurávamos está aí. Decerto eles vão conosco." Kagome soltou um riso baixo.
" Ainda bem." Se virou e piscou os olhos delicadamente. " Não queria me afastar de Totousai, ele é como... o pai que tive por muito pouco tempo." Inuyasha encarou o teto, pensativo. Claro que adoraria saber mais sobre Kagome, mas ela decerto detestava falar sobre si. Então, resolveu não forçá-la a nada. " Então..." Sua atenção focou-se nela novamente. " Nós iremos para a casa daquele seu meio-irmão que você jurou que não sabia onde morava?" O ar dela era divertido e ele quis massacrá-la.
Ele se importava tanto em perguntar sobre as coisas e ela lhe dizia de forma tão arrogante?
Maldita humana.
" Keh." Rolou os orbes. " Sim, é ele. É um caso de urgência, caso não fosse eu morreria feliz sem vê-lo." O sorriso dela triplicou.
" Admita que está com saudade."
" Cale a boca, Kagome." Rilhou, seriamente. " Eu o odeio, e ele me odeia. Talvez quando ver a cena mais linda do mundo, isto é, em relação ao nosso reencontro, você acredite em mim."
" Yo-ho." Ela se aproximou. " Você também me odeia e vive me agarrando." Ele rosnou.
" Você é muito irritante." A empurrou com leveza (apenas pelo machucado, fosse o contrário certamente a empurraria com a maior força que poderia). " Saia de perto de mim, mulher, havia me esquecido o quanto te odiava." Uma pontada de tristeza passou por seus olhos, mas o sorriso sarcástico que preencheu sua face fora ainda maior.
" Ainda bem." Se afastou, agora, por vontade própria. " Não agüentaria um chato grudento como você no meu pé." Ele tossiu.
" Você só pode estar brincando." Ela acentuou uma sobrancelha. " A única coisa que você sabia reclamar é o como eu era estúpido."
" Por que você é." Ele arqueou a sobrancelha também e cruzou os braços enfrente ao peitoral.
" Vai terminar de arrumar as coisas, vai magrela." O canto de sua boca subiu um pouco, com um leve sorriso.
" Já terminei."
" Então... arrume algo para fazer."
" Eu não sou uma criança, seu idiota." Os olhos dela se cerraram um pouco.
" Mas age como uma." Ela tossiu violentamente. Riu um pouco, deixando algumas lágrimas nos olhos, tanto da pequena tosse quanto de seu riso.
" Está falando sério? O grande Inuyasha, completamente compulsivo e eloquente me chamando de criança?" Colocou as mãos para o alto. " Só pode ser uma brincadeira de mal gosto. Sinceramente, nos colocarem juntos nessa missão já foi uma grande e inusitada brincadeira de mal gosto." Ele sorriu galante.
" Você me ama, Kagome... admita." Ela sorriu.
" Com toda a certeza. Te amo tanto a ponto de te matar, se preciso." Ele não tirou o sorriso dos lábios.
" Lembro mesmo de quando eu estava no chão e você me beijou. Queria me matar asfixiado, como eu não percebi aquilo?" Ela não se deixou abalar, mesmo que suas bochechas ficaram levemente arroxeadas.
" Ainda bem que notou." Deu de ombros. " Não queria que ficasse iludido com aquela cena." Ele deu dois passos longos em sua direção, e prendeu o corpo pequeno, já que suas duas mãos prensaram-se na pia atrás dela.
" E se eu quisesse te matar agora?" Ela rolou os orbes, perdendo o sorriso.
" Inuyasha, dá pra parar de me seguir?" Ela perguntou, colocando a mão em seu peitoral. " Você não tem jeito mesmo!" A voz dela ficou alguns tons mais alta, demonstrando indignação.
" Admita que está adorando." Ela o encarou.
" Você não passa de um arrogante!" Bateu em seu peitoral, agora.
" Um arrogante com um corpo e tanto, hem?" Ele abaixou um pouco a cabeça, ficando com os lábios afastados por milímetros. Ela sorriu com escárnio.
" Você não tem nada melhor para fazer, não?" Ela perguntou e ele sorriu sincero.
" Claro que tenho." E nesse momento, ele a beijou de forma intensa. Suas pernas fraquejaram com o contato rápido e ele a abraçou. A sua língua penetrou com suavidade na boca de Kagome, forçando-a para abrir-se para ele. A morena gemeu baixo, enlaçando seu pescoço com calma e o puxando para si. Sentiu uma vontade quase repulsiva de enlaçar seu corpo, sentindo seus sentidos palpitarem forte. Mas não o fez.
Inuyasha apertou sua cintura mais forte, demonstrando a luxúria do momento. Ele a queria ali, para ele e somente para ele. Se não fosse o tempo curto, com toda a certeza ele faria aquilo acontecer, ainda mais quando ela virou a boca da dele apenas para gemer e ele mordeu o pescoço branco, deixando uma pequena marca ali, logo após o sugando. Ela o encarou então, com os orbes azulados repletos de desejo, entretanto não apenas com isso.
O hanyou devolveu o olhar, a fitando com toda a intensidade que podia e mordendo os lábios dela, voltando a beijá-la da forma que podia, ali, naquele momento na cozinha. Ela massageou os cabelos compridos com as pontas dos dedos, e ele gemeu baixo agora, sentindo os dedos minúsculos apertarem suas orelhas.
E nesse contexto bem estranho, eles sabiam...
Era uma ridícula cena de amor.
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Estavam todos sentados, um ao lado do outro. Naraku estalava os dedos tentando manter a calma, se é que isso era possível.
O nervosismo era evidente, ainda mais após ordens tão explicitas de Kikyou. O grupo não entendia muito bem, mas se contentaram em apenas o silêncio.
" E então, o que você acha disso, Suikotsu?" Pelo menos, até agora.
O outro então arqueou a sobrancelha. Seu rosto era passivo, e facilmente seria confundido por algum bom monge.
" Por enquanto me abstenho de comentários." Encarou a própria mão um pouco contrariado. Renkotsu rolou os orbes, ignorando a personalidade boa que às vezes afligia seu irmão.
" O que acha disso tudo Naraku? Afinal, Kouga já os deu como mortos." Renkotsu era extremamente inteligente, e certamente não gostará de quando Kouga havia dado informações tão levianas quanto a morte dos foragidos. Mas, sinceramente ele não gostava de trabalhar, isto é, perder algumas noites que poderia muito bem aproveitar com uma ou outra. Engoliu um suspiro frustrado, consciente de que dessa vez ele não se livraria do fardo.
As roupas largas faziam sua personalidade, e a estria roxa em seu olho direito fora feito por um golpe youkai, em uma última luta há alguns meses atrás.
" Não importa." Naraku rilhou, encarando o maior deles, conhecido por Kyoukotsu. " Senhorita Kikyou deixou claro que quer eles vivos ou mortos, e caso impossível, exige malditas evidências concretas." Jakotsu sorriu.
" Está com medo, chefia?" Naraku o retalhou com o olhar. O moreno era o líder do grupo, o pior deles, afinal. Porém, reconhecia a qualidade dos Shitinintai, e não gostaria nada de perdê-los em um momento tão crucial, ainda mais o problema se tratando de simples ladrões.
" Não estou com medo." Certificou. " Apenas quero que façam seu maldito trabalho. Não sei se serão necessários todos vocês, vou avaliar o caso depois, meticulosamente e..."
" Até quando?" Renkotsu interviu. " Nos coloque em posições diferentes, em cantos da cidade. Não é mais fácil assim?" Seu sorriso era de deboche, e estava claro que a zombaria fora proposital. Naraku apertou o punho, segurando-se para não partir para cima do 'cérebro' do grupo. Com uma calma de se estranhar, ele tragou o ar fundo em seus pulmões, dando-lhe as costas.
" Apenas os encontrem." Sem nenhum outro ataque histérico, ele deu um pequeno riso baixo. " O mais rápido possível." E dizendo isso, saiu da sala sem pronunciar mais palavra alguma.
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" Estamos prontos." Totousai segurou a mala preta com força na mão direita. Inuyasha arqueou a sobrancelha enquanto abotoava os últimos botões da camiseta social. Sango sorriu simpática, com o vestido simples que usava.
Com armas bem colocadas no sobretudo que escondia boa parte dele, claro.
Miroku estava com o traje de monge, sorrindo confiante. Totousai arqueou as duas sobrancelhas, e nesse momento Kaede se colocou em meio deles, calma.
Kagome com alguma dificuldade se levantou, tentando a todo custo ignorar os olhares insinuantes de Kouga, ou os raivosos do hanyou quanto à situação.
Saíram todos, com algumas malas nas mãos. As necessárias, claro. Totousai era o encarregado de levar todo o dinheiro; ao menos assim ele não teria algum ataque caso algo desse errado. Confiava em todos, mas não tanto quanto em si mesmo, obviamente.
" Precisamos ir para o esgoto." Disse ele, segurando um pequeno aparelho na mão. " Isso é fácil... mas bom, acho que o central seria melhor." Com um sorriso amarelo ignorou qualquer olhar que recaiu sobre ele perante o comentário.
" E quanto tempo demorará para chegarmos a casa do meio-irmão de Inuyasha?" Kagome perguntou, observando a rua completamente fria e deserta, assim que abriu a porta.
" Não muito." O velho anunciou. " E por favor..." Os lançou um último olhar. " Dessa vez, eu não quero que ninguém quebre regra alguma." Eles concordaram então, sentindo o vento batendo levemente contra a face de cada um.
Agora tudo daria certo, afinal. Ao menos, esse era o esperado...
Novamente.
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Pessoal do bem, perdoem-me a demora imperdoável. Mas eu estou cheia de provas, com mais de mil páginas chatas para ler e eu simplesmente estou enlouquecendo! Apenas AGORA que eu sei o que vou fazer com essa fanfic, o que também dificultou muito o fato de eu escrever rápido um novo chapter.
Mas enfim, espero que tenham gostado! Finalmente Sesshoumaru vai aparecer e também, claro... a fanfic tem chances de terminar.
Um grande beijo a todas, inclusive para minha beta, que neste exato momento está corrigindo a fanfic. AHUEHUAHEUHAUHEUA
Até o próximo! ( Dúvidas, críticas, sugestões, é só apertar o botão roxo e mandar uma review =D).
E claro, agradecendo minha beta; Eu a amo. Sempre!
N/B: As demoras são tecnicamente programadas para que vocês fiquem bastante ansiosas pelos capítulos seguintes. Hahahahha, não nos matem, por favor ^^". O capítulo está adorável. Até o próximo! ;*
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K-DANI: Sim, Totousai infelizmente estragou o clima, pra variar um pouco! O capítulo foi bem tranqüilo sim, esse também... mas não tenho como levar a fanfic sem esses "intermediários", eu estou morrendo para continuá-la, juro! AHEHUAHUEHA. Sim, eu vou deixar os sentimentos deles mais evidentes a cada capítulo, ao menos é isso que espero! Esse lance de não gostar de capítulos, sério, eu odeio todos eles. O problema é que se eu ficar lendo, eu vou acabar deletando tudo de volta e vou surtar! De toda forma, muito obrigada pela review guria, e que bom que tenha gostado! Um beijo e até o próximo!
BELLE LUNE'S: Oláá, querida. Aqui estou eu! Então, apenas procure no Orkut por " Marge (Cramunhão)", certamente você vai me encontrar agora, garanto! Sobre Inuyasha e Kagome se beijarem sempre após uma discussão, acho que isso vai perpetuar pela eternidade. Não tem como eles simplesmente deixarem de serem arrogantes, ao menos eu quero acreditar nisso AHUAHUA! Obrigada pelo "perfect" guria, fico feliz que tenha gostado! Um grande beijo e até o próximo (esperoespero).
COSETTE: AH! Você pegou essa do " eu apenas disse que era eu!", não acredito! AHUHEUAHUEA, eu achei que ninguém iria notar o que eu quis dizer com essa frase, ainda bem que você percebeu *_*. Eu já decidi quem vai falar primeiro, mas adivinha? É, eu não vou contar UHAHUEHAUHEA. O totousai é um pai para Kagome, não teria como ele não gostar dela, abor! Isso, nunca esqueça da fanfic, mesmo se for pelas malditas ratazanas! AHUAHAUHAUHAU. Obrigada por gostar da fanfic e acompanhá-la guria, sério! Um beijo, te amo e me desculpa por escrever seu nome errado por tanto tempo AHUEHUAHEUA.
LYKAH-CHAN: Situação diabética (hipertensa) entre Inuyasha e Totousai sobre Kagome. Eu ensaiei por um tempão pra conseguir fazer essa cena, acredite! Minha mãe também vive falando isso... mas bom, mães, quem vai entendê-las? AHUEHAUHEA. Hostilidade nas frases 100¨% também... que bom que te faço rir, nada melhor que ouvir isso *_*! Sim, ele morre de ciúmes da Kagome, não tem outra forma de se pensar nisso AUHAUHUA Ela mentiu MESMO. Quando ele souber ( e ele vai saber) que ela disse que o amava, aí já é ouuuutra história! De toda a forma, ela não iria admitir, ainda mais sendo ela, não? Quanto ao seu pedido, ele está incluso no fim da fanfic. Ele vai aparecer sim, não fique imaginando como seria um pedido não atendido, guria xD! Eu também fiquei com pena do Inuyasha, certamente porque ele estava em forma demoníaca... cruel vai ser quando eu tiver que fazê-lo humano.. eu nunca fiz isso, mimimimi. E bom, que bom que achou maravilhoso o capítulo guria, eu te faço feliz e você me faz feliz! Incrível! *_* AHUEHUAHUEA. Um beijo e até o próximo, viu? =**
AGOME-CHAN: Eu também colocaria várias armadilhas. Inclusive amarraria ele ao pé da cama, nem que tivesse que algemá-lo por causa da "forcinha" dele. Sim, NADA melhor do que um Inuyasha cuidado de você. APOIADA 100% A IDÉIA AUEHUAHUEHAUHEUA! Fechado, você me manda a armadura e eu te mando o capítulo. Tráfico no fanfiction parte I! AHUEHAUHEUA. Claro que pode me add no Orkut, sinta-se a vontade! É Marge (cramunhão), acho que eu vou aparecer em primeiro lá (sim, eu tenho o cabelo roxo). E UHUL, VOCÊ VAI TER MAIS DESSA FIC VICIANTE! UHUL, VOCÊ VAI TER MAIS DESSA FIC VICIANTE! HUAHUAHUAHUAHAU. Um beijão guria, até o próximo!
KIRIE MERYL: Adorou minha fanfic? Que bom guria, é sempre bom conseguir novos leitores =D! O enredo dela foi meio difícil de aceitar ( é, eu pensei bem antes de investir nele HAUHEUHAUEA), mas fico feliz também por terem aceito da forma que está (mesmo que confuso muitas vezes, admito). Eu trabalho e faço faculdade, você não sabe o inferno que está sendo pra eu conseguir postar, ainda mais saindo de casa as 7 e voltando meia-noite. É de morrer, menine. Aqui está a continuação, como pedido. Espero que tenha gostado, e até o próximo viu? Beijo, continue acompanhando!
BELINHA CHAN: Olá, guria! Você está triste por a fanfic estar acabando? Eu estou quase surtando de felicidade! Eu não gosto de encerrar fanfic, isso é fato. Mas é difícil eu continuar com ela e com VEDD nesses épocas de provas e trabalhos. Estou quase morrendo e é sério EUHAUHEA, de toda a forma, fico até feliz que você esteja triste (você entende, certo?) E sim, a Kikyou vai aparecer de novo. E de novo e de novo ( ao menos eu acredito que isso vá acontecer. Se vai mesmo, eu não sei AEHAUHEUA). Sim, ele quase disse que a amava! Momento tenso quando eu paro eles nesses momentos, hem? AHUHAUHEUHAUHE! Muito obrigada pela review, belinha! Espero que continue acompanhando! :D! Até o próximo!
