Disclaimer: Se me pertencesse eu já teria sido morta há muito tempo.

oOo

"Ótimo. Isso é real e incrivelmente ótimo." O moreno se arrumou em uma posição que lhe parecia confortável. Um de seus olhos estava roxo e a boca dele parecia um pouco torta demais.

"É um grande prazer." Inuyasha cuspiu com um sorriso que lhe percorria toda a face. "Eu não saberia lhe explicar o como é delicioso te ver por aqui. Quer um chá?" Kagome riu com Inuyasha, apesar da dor que ainda não havia abandonado seu corpo.

"Vocês são realmente muito engraçados." O homem retrucou. Acho que deveriam fazer um show de humor, não acham?" Ele lhes lançou um olhar cruel, demonstrando todo o ódio que sentia naquele momento.

"Engraçado é saber que aqui dentro você não tem nenhum capanga, Naraku." Naraku arqueou a sobrancelha e o encarou com repudio. "Você sabe que eu posso te matar mesmo sem ter os dois braços, não sabe?" Inuyasha se aproximou lentamente e o apanhou pela gola da camiseta. "Você sabe o quanto é fraco perto de mim. Você faz idéia de tudo isso, não é?" O sorriso passou a ser cruel e Naraku sentiu um arrepio lhe percorrer toda a coluna vertebral.

"Não acho que deveria gastar sua energia com tão pouco." Ele ouviu a voz de Kagome atrás de si, mas não se preocupou em tirar os olhos do inimigo.

"Que bom que você acha." Ele apertou a camisa com um pouco mais de força. "Por que, como ambos sabemos, eu nunca me importei com a sua opinião." Kagome desferiu um golpe em suas costas, porém, devido ao seu estado, não causou ao menos susto no meio-youkai.

"Seu grande imbecil." Vociferou. "Eu adoraria que vocês dois se ferrassem juntos." Inuyasha molhou os lábios.

"Que bom." Naraku tentou se desvencilhar das mãos do meio-youkai, entretanto essa atitude apenas fez com que a outra mão de Inuyasha passasse para seu pescoço e o apertasse. "Novamente entramos naquela questão de eu não me importar com sua opinião, certo?" Kagome suspirou e se sentou, encostando a cabeça contra a parede.

Inuyasha apertou a mão com mais força no pescoço do homem quando o viu tossir e logo sua respiração ficar mais pesada. Com um riso completamente irônico ele soltou Naraku, que caiu no chão com uma busca ávida por ar.

"Bastardo." Inuyasha sorriu, porém seu punho se fechou de imediato.

"Sabe Naraku... eu não o chamaria assim se fosse você." Apesar de tudo, Kagome riu com a cena. Obstante fosse toda a piada que jazia ali. Inuyasha deu as costas ao inimigo e sentou-se ao lado de Kagome.

"Observe o pânico na expressão dele." Kagome apenas acenou positivamente. "Apenas agora eu entendo como é delicioso ver o sofrimento alheio." Kagome concordou muda.

"Vocês... vocês..." Naraku tossiu algumas vezes e puxou o ar fundo em seus pulmões. "Vocês estão enrascados."

"Apenas nós?" Kagome perguntou circense. A morena ainda forçou se levantar e se aproximar do corpo caído, agora um pouco mais recuperado. "Acho melhor você encurtar essa língua e falar um pouco mais baixo, Naraku. Não sei se você se lembra, mas estamos no mesmo ambiente agora. E ele tem grades. E você não pode fugir." Ela mordeu os lábios aproveitando o gosto do momento.

Ela adoraria o punir por tudo que havia feito com ela.

"Agora a pergunta que não quer calar." A voz de Inuyasha ressoou no lugar. "Afinal, porque te jogaram nessa jaula nojenta, Naraku? Fez algo que magoasse a mylade?" Naraku imediatamente rangeu os lábios.

"Aquela cadela..." Vociferou. "Não tenho que dar explicação a vocês." Simplesmente disse. Kagome socou-lhe a face com uma rapidez inimaginável, até mesmo para o meio-youkai.

"Yo-ho." Inuyasha exclamou divertido.

"Acredite Naraku, você deve muitas explicações por aqui." Ela apontou o dedo rente a sua face. "E se não quer falar por bem, não mediremos esforços para que o faça por mal..." O homem trincou os dentes com raiva e a encarou com intensidade.

"Assim que vocês chegaram aqui nas mãos de meus capangas, Kikyou anunciou que eu não seria mais necessário, além de claro, me culpar por tudo que havia acontecido e também me dizer que sou incompetente."

"Ela não mentiu até então..." Inuyasha o cortou, porém Naraku continuou.

"É só isso. Ela é uma cadela." Kagome sorriu com desdém e voltou-se a Inuyasha.

"Nada que não soubéssemos." Inuyasha sorriu com ela. "Bom, acho que temos um motivo para gostarmos dela, não é mesmo?" O meio-youkai deu de ombros ainda se livrando da tontura.

"Digamos que ela recuperou nossas forças." Kagome concordou e o hanyou observou Naraku se arrumando contra a parede.

"Eu sei como sair daqui." Ele se pronunciou com a voz baixa, chamando a atenção de Kagome e Inuyasha.

"E está esperando o que para falar?" Ele suspirou irritado.

"Vocês pararem com essa maldita imprudência." Cuspiu. "Vocês são dois grandes estúpidos." Inuyasha deu de ombros.

"Nunca dissemos que não éramos." Naraku respirou fundo tentando conter a raiva. Não que quisesse libertar a ambos, mas obviamente necessitaria dos dois para sair de lá.

"Apenas quero que me tirem dessa merda com vocês." Ele propôs com incrível relutância.

"Uou." Inuyasha sorriu. " Tanto trabalho para nos capturar e então quer nos soltar com tamanha facilidade?" Ele riu com ainda mais gosto. "Diga-nos, qual é o plano chefe?" Naraku rilhou os dentes e rolou os orbes.

"Você verdadeiramente quer que eu te diga agora?"

"Seria interessante." Respondeu de imediato.

"Acho que a vigia está bem interessada em saber sobre o que nós vamos conversar por enquanto..." Começou. "Não seria nada legal que alguém ouvisse." Inuyasha deu de ombros.

"Faz sentido." O barulho da chave assustou o hanyou que se virou em direção à porta. Kagome arqueou a sobrancelha notando Renkotsu.

"Mais surpresas agradáveis?" Ela perguntou sarcástica.

"Não para você..." Seu sorriso morreu imediatamente. "Mas acho que Inuyasha ficará alegre." Renkotsu estalou os dedos e esperou que Jakotsu se colocasse ao seu lado.

"Não me lembrava de ser tão bonito, gracinha." A maquiagem estava berrante aquele dia. "Sugiro que seja um bom rapaz e nos acompanhe de forma comportada. Claro que a algema fará um bom trabalho, ainda mais com esse ótimo material, caso você resolva se transformar naquela coisa demoníaca." Ele subiu o par de algemas notoriamente mais pesadas que o normal. "Vamos meu amor, antes que a Kikyou fique irritada com a demora."

oOo

"Isso é bem pesadinho mesmo." O hanyou cinicamente disse. "Do que raios é feito isso? Pesa mais que um prédio." O meio-youkai se mexia com demasiada dificuldade perante ao peso feito em seus pulsos.

"Pare com viadagem." Jakotsu pronunciou e Inuyasha sentiu uma súbita vontade de rir. "Acho que aquela poção não fez nada bem pra você, meio-youkai. Não é tão pesada assim." Renkotsu o puxou com estupidez e observou Inuyasha tropeçar.

"Por que você não se fode?" Rosnou.

"Depois eu volto para a cela ao lado de sua bela companheira e farei isso por você." Inuyasha inconscientemente levantou as garras, porém o peso fez com que seus pulsos caíssem.

"Puta merda." Ele gemeu. "Essa merda é muito pesada."

"Achou que estivéssemos blefando ou o quê?" Jakotsu perguntou ríspido.

"Você ainda não superou aquele dia?" Inuyasha sorriu de canto. "Sabe como é, eu não esperava que fosse me transformar e vocês virassem umas mocinhas perto de mim." Renkotsu parou abruptamente e Inuyasha bateu contra ele.

"Olhe aqui..." Renkotsu se aproximou e apontou o dedo em sua direção. "Recomendo que cale essa sua maldita boca antes que eu faça Jakotsu TE transformar em uma mocinha." Inuyasha não abandonou o sorriso dos lábios.

"Vocês estão bem malvados hoje, não?" Riu em seguida e foi calado pelo puxão em seu pulso. "Keh!" Bradou. "Vocês são repugnantes." Renkotsu o ignorou e o arremessou na primeira porta que estava aberta.

Inuyasha sentiu o peso da algema bater contra seu estômago e gemeu.

"Poderia ter sido pior." A voz feminina ressoou no local e Inuyasha abruptamente abriu os orbes. "Você sabe que um pouco para baixo doeria muito mais, não sabe?" Inuyasha se levantou e colocou-se em posição defensiva, mesmo com o peso absurdo em seus pulsos. "Não precisamos disso, hanyou." Kikyou se sentou na cadeira e cruzou as pernas. "Podem sair vocês dois."

"Mas senhorita..."

"Eu disse para saírem." Ela os encarou de relance causando calafrios em ambos. "Não tomem mais do meu tempo, tudo bem?" Renkotsu e Jakotsu fecharam a porta completamente contrariados.

"Olha só como eles foram bem domesticados." Inuyasha sorriu longamente. "O que você anda dando para eles, hem?" Kikyou ignorou completamente a ironia.

"Que tal falarmos sobre negócios, Inuyasha?" Ele fechou o sorriso ao notar a expressão sombria da mulher a sua frente. De fato ela se parecia muito com Kagome, entretanto bastava conhecer ambas para saber como eram completamente diferentes. "Me diga, onde você escondeu todo meu dinheiro?" Inuyasha se sentou.

"Você não pode estar falando sério." Ele riu. "O que você pretende com essa pergunta? Nem mesmo um imbecil responderia." Ela sorriu com leveza e puxou um cigarro de dentro do maço colocando-o na boca. Inuyasha inconscientemente torceu a feição.

"Eu não estou perguntando." Ela continuou sorrindo enquanto acendia o cigarro. "Sabe, vocês não roubaram tudo, mas roubaram muito." Ela tragou lentamente, não tirando os olhos do meio-youkai. "Você me diz onde está o dinheiro e eu te dou um cargo aqui. Você toma o lugar de Naraku, hanyou." Ela mexeu os lábios sentindo a grossa camada do batom vermelho. "Sinto que você não será tão inútil quanto ele foi."

"Keh!" Ele balbuciou. "Me dê um motivo para acreditar na mulher que joga o antigo xerife da cidade na mesma cela que seus inimigos." Ela riu.

"Viu? Você é ótimo nisso." Ela tragou novamente o cigarro. "É exatamente disso que falo, Inuyasha, e é exatamente disso que preciso. Talvez existam mais como você e sua parceirinha por aí, certo? Não existe ninguém melhor que você para tomar conta dessa cidadela imunda... e conseqüentemente do meu dinheiro, claro." Ele piscou os orbes algumas vezes em confusão.

"Mesmo que eu aceitasse..." Ele começou. "Eu não estou com a droga do seu dinheiro." Ele sorriu largamente. "Não sei se você lembra, mas nós fomos aprisionados assim que conseguimos roubar aquela grande quantia. Acontecesse que meus "parceiros" eram recentes o suficiente para me deixarem na mão e fugirem, para quem sabe, bem longe daqui." Ele deu de ombros e ela fechou as mãos com raiva.

"Ótimo." Ela pronunciou. "Quem está enganando a quem agora?" O tom da voz dela aumentou um pouco e Inuyasha se sentiu aliviado pela mudança, afinal a neutralidade da mulher era realmente sufocante.

"Não tenho motivos para mentir."

"Há!" Ela retrucou irônica. "Realmente, não tem." Ela respirou fundo e suspirou, logo em seguida tragando o cigarro. "Então me diga, até quando quer levar adiante esse joguinho?" Ele molhou os lábios.

"Não é nenhum jogo, querendo você ou não. E então eu que quero saber, quando terminamos aqui? Não vejo a hora de voltar a minha confortável cela." Ela se levantou enquanto apagava o cigarro.

"Olhe, meio-youkai..." A voz dela tornou-se mais grave enquanto ela se aproximava. "Eu não disse que era realmente necessário devolver meu dinheiro. A proposta continua, meu querido. Vai aceitar tornar-se o xerife ou não?" Ele sorriu.

"A resposta é evidente, humana." Ela ficou rente ao corpo dele, que ousou se levantar também. "Eu imagino que não seja nada divertido ficar a sua mercê." Ela encostou o dedo no rosto do hanyou e desceu lentamente a unha até seu queixo.

"Você não sabe o que acabou de fazer." O batom vermelho nunca esteve tão vivo quanto naquele momento e ele sabia que ela fez isso justamente para lembrá-lo que em uma coisa ela era ótima:

Derramar sangue...

Preferencialmente o de Kagome.

oOo

"O que aconteceu naquela sala?" Jakotsu perguntou interessado. Seus olhos brilhavam em uma estranha curiosidade que Inuyasha jurava que nunca poderiam ter. "Responda hanyou!" Rilhou ele enquanto puxava abruptamente sua corrente.

"O que eu preciso fazer para você acreditar que eu NÃO vou falar o que ela queria?" Perguntou debochadamente. Renkotsu encarou o parceiro e sorriu.

"Podemos ficar aqui até amanhã." Cruzou vagarosamente os braços e o encarou. "Ou quem sabe três, quatro, cinco dias... acho que você não vai se incomodar com essas correntes não é?" Inuyasha suspirou.

"Vocês são chatos." Disse simplesmente. "Me levem logo para a cela antes que eu me irrite com vocês." Jakotsu arqueou a sobrancelha.

"Há-há, que cãozinho engraçado." Inuyasha bufou. " Você não pode estar falando sério." O hanyou apenas concordou sem revidar a tentativa de ofensa.

"Leve logo ele." Renkotsu ordenou e Jakotsu o encarou com raiva, atitude que não passou despercebida pelo meio-youkai. "Mas bom hanyou, temos ordens para deixá-lo em outra cela, então vamos acabar logo com essa merda." Ele lhe deu um puxão forte na corrente que bateu imediatamente contra sua alma.

"O quê?" Perguntou tentando demonstrar interesse. "Por que outra cela?" Jakotsu deu de ombros.

"Não sabemos nem o que conversaram naquela sala, seu inútil." Ele parecia nervoso agora. "Como acha que vamos saber?" O coração do hanyou ficou imediatamente descompassado.

"Olha, vamos fazer assim." Jakotsu arqueou a sobrancelha. "Eu conto pra vocês o que ela me disse e então vocês me devolvem a minha cela."

"Acho que já perdi o interesse." Jakotsu deu um puxão no hanyou que deu alguns passos para frente.

"Não, não perdeu." Renkotsu cruzou os braços, desconfiado. "É algo que talvez vocês devam saber... isso é, deixa pra lá." Ele deu um sorrisinho de lado. "Esqueçam essa bobagem toda e vamos para minha cela nova e confor..."

"Cale a boca." Renkotsu rosnou enquanto apertava seu pescoço. Inuyasha tossiu momentaneamente com a força que Renkotsu colocara em sua mão. "Fale logo antes que eu realmente me irrite com você, seu imbecil." Seus olhos fecharam lentamente em forma de ameaça.

"Okay, okay." Ele disse e sentiu o aperto afrouxar. Sorriu involuntariamente ao pensar que talvez aquilo o ajudasse. "Kikyou me propôs ficar no lugar de Naraku." Jakotsu abriu os lábios em surpresa.

"O quê?" Ele perguntou revoltado. " O que ela quer com isso? Ela já tem a nós!" Sua voz aumentou alguns tons.

"E como podemos saber que está falando a verdade?" Renkotsu perguntou enquanto apertava os cabelos ruivos involuntariamente.

"O que mais ela poderia querer? Jogaram o Naraku na minha cela e depois me chamaram... obviamente tem conexão." Ele deu de ombros. "Não estou mentindo..."

"Aquela vagabunda." Proferiu Jakotsu.

"Ah, e ela também disse algo sobre preferir Bankostu a vocês. É esse o nome dele?" Ambos o encararam com ódio. "Não sei direito o que ela quis com isso, mas acho que deve haver alguma disputa de poder entre vocês... isso é..," ele sorriu. "Acho difícil, afinal... vocês são um grupo unido, não?" Inuyasha sorriu internamente ao notar que os dois ficaram mudos por determinado tempo e então rangeram os dentes.

"Vamos para sua cela..." O ruivo o puxou pela corrente com força o fazendo gemer baixinho, atitude que estranhamente não fez nenhum dos irmãos sorrirem.

"Onde está me levando?" Ele perguntou. "E nosso trato?"

"Não temos nenhum trato." Renkotsu respondeu friamente enquanto o jogava com força dentro da cela vazia. "E mesmo se tivéssemos, eu costumo mentir."

oOo

"Onde está aquele imbecil?" Kagome suspirou. Naraku deu de ombros, completamente desinteressado.

"Eu apenas sei que se ele não chegar logo eu vou sem ele." Kagome o observou por alguns instantes.

"Sabe, você não deveria ter destruído minha casa." Ele a encarou.

"Aquilo ela sua casa? Digo... aquilo?" Ela rolou os orbes.

"Sim, era onde eu costumava viver." Ela encostou a cabeça contra a parede.

"E você não deveria ter me dado o prejuízo que me deu, sua rata." Ela o ignorou completamente. "Eu não estou arrependido, você sabe disso."

"Nem eu." Ambos ficaram em silêncio quando escutaram alguém se aproximar. Kagome arqueou a sobrancelha ao ouvir o tinir dos saltos contra o piso gélido.

"É ela." Ele disse imediatamente e ela apenas concordou. "Espero que ela não tenha descoberto nada." Sussurrou ele e observou enquanto Kagome pedia descoordenadamente para ele falar baixo.

"Seu imbecil." Ela mexeu os lábios. "Aqui as paredes tem ouvidos..."

"Quê?" Ela não teve tempo sequer de encará-lo com deboche, pois o barulho do cadeado sendo aberto a alertou de forma instantânea.

"Ora, ora... que casal bonito." O sorriso vermelho se fez presente. "Incrível como nem sequer quiseram acertas as contas." Ela riu enquanto entrava na cela. Kagome se levantou na mesma velocidade em que Kikyou lhe apontou a arma. "Adoro conversar com humanos, é sempre tão mais... fácil." A morena estreitou os orbes.

"O que você quer Kikyou?" Naraku perguntou sem rodeio. Ela o observou com desprezo.

"Não vim por você." Sua atenção voltou-se completamente para Kagome. "Sabia que seu parceiro dedurou onde guardaram o dinheiro?" Perguntou sem tirar o sorriso da face. "O nomeei como o novo xerife da cidade e também como meu amante." Kikyou observou atentamente as expressões da outra, que incrivelmente mantiveram-se neutras.

"Interessante." Respondeu ela. "Era só isso?" Ela se sentou novamente no chão e arrumou a franja atrás da orelha. Teria que cortá-la assim que pudesse, pensou.

"Tenho uma proposta para você também." Ela disse com a voz um pouco estridente. Kagome concluiu que ela não havia esperado pela reação. "Eu preciso ir pegar o dinheiro com seus amigos e tudo ficaria mais fácil se você o pegasse para mim." A morena suspirou lentamente. "Nós iremos juntas até o local, você os engana e então ganha um posto aqui dentro também." Ela massageou os lábios e então esperou pela resposta com calma.

"Você acha que sou idiota?" Kagome a encarou diretamente nos olhos. "Ele não te contou onde está o dinheiro, não é?" ela sorriu largamente. "Como ele poderia dizer onde está se nem mesmo nós dois sabemos?" Ela riu grotescamente. "Você é mais estúpida que imaginei." Kagome arregalou os orbes quando ouviu o tiro e sentiu seu ombro ferver e gritou de forma agoniada.

"O próximo será na cabeça." Kikyou disse calmamente enquanto a encarava. "E acredite, eu realmente amaria matar você." Kagome segurou o ombro com força enquanto contia os gemidos o máximo que podia.

"Cadela..." Ela rosnou. "Você é uma vadia." Ela respondeu enquanto apertava o ombro com mais força que deveria. Kikyou estava prestes a apertar o gatilho quando sentiu um corpo junto ao seu e virou-se assustada.

"Você é MALUCO?" Ela gritou enquanto arfava. "O que pensa que está fazendo?" O tom de autoridade se fez presente, entretanto não surtiu o efeito esperado.

"Temos que conversar." Suikotsu disse.

"Ah, vocês dão ordens agora?" Ela observou os cinco, um por um, com cautela. "Acho que não perceberam que apareceram em hora errada, não é?" ela sorriu. "Dessa vez os perdoarei, pois estou me divertindo muito. Mas na próxima, infelizmente não posso responder por meus atos." Suikotsu apertou seu pulso agilmente e a fez soltar a arma. Kikyou arregalou os orbes castanhos imediatamente e entreabriu os lábios.

"Muito menos nós." Renkotsu sorriu por trás do irmão, encarando o olhar assustado da patroa.

"Você é nossa, Kikyou." Ele se aproximou e passou a mão sobre a face de porcelana. "E não o contrário." Com um sorriso cruel ele observou, enquanto Suikotsu soltava lentamente a mulher. "E se um de nós disse que vamos conversar, é porque vamos conversar, entendeu bem?" E então o impossível aconteceu:

Ela simplesmente engoliu em seco e concordou.

oOo

"Droga!" Inuyasha rosnou enquanto tentava esmurrar a parede. "Malditas algemas." Ele rangeu os dentes com raiva. "Malditos youkais, maldita Kikyou, malditos! Malditos!" Ele bateu com força contra a parede e suspirou. "Eu odeio todos vocês." Sentou-se no chão e arfou.

Observou de forma paranóica por toda a cela. Não era possível que não houvesse nenhum tipo de saída, nenhuma parede oca ou qualquer tipo bizarro de túnel.

"Na verdade é bem possível." Suspirou em desânimo. "Ótimo. Só falta um parceiro que me estupre agora." Ele fez uma careta assim que terminou a fala e se xingou mentalmente pelo feito.

Foi então que suas orelhas mexeram lentamente e ele ouviu algo se aproximar. Os passos estavam em excesso, o que obviamente significava que havia várias pessoas indo em direção a cela. Ele fez posição de ataque e esperou que abrissem novamente o cadeado...

E nada aconteceu.

"Estamos realmente de saco cheio disso tudo." Ele ouviu a voz grave de Renkotsu. "E realmente não queríamos chegar a esse ponto, mas porque não?" Inuyasha observou enquanto os Shichinin-tai passavam diante de seus olhos e carregavam Kikyou com eles.

"E ficamos realmente felizes ao notar que está quieta." Bankotsu sorriu largamente enquanto a puxava da forma mais rude que podia. "Sempre quis vê-la com a boca calada." Kikyou apertou as próprias mãos com força.

"Eu não faria isso se fosse vocês, rapazes." Disse ela com a voz calma.

"E o que você faria?" Mukotsu perguntou sarcasticamente e então Inuyasha ouviu o barulho da porta batendo. Assim que ocorreu a cena, o cheiro do sangue de Kagome apoderou-se de seu nariz e ele mostrou-se completamente assustado.

"Kagome?" Perguntou se aproximando das grades e observando fora dela. "Kagome?" A voz dele ficou mais alta e ele balançou as grades.

"Quer calar a boca?" Ela sussurrou em tom baixo. Suas mãos agilmente abriram o cadeado com um molho de chaves enorme.

"Onde conseguiu isso?" Perguntou incrédulo.

"Onde você acha?" Naraku colocou-se ao lado dela e observou, enquanto Inuyasha saia da cela.

"Vocês vão demorar mais? Porque aquela porta imensa realmente abafa o cheiro, mas sangue é sempre agradável para o nariz sensível dos youkais." Kagome socou-lhe o braço e começou a caminhar juntamente com o meio-youkai.

"Dá pra irem mais rápido?" Ele perguntou novamente, incomodado.

"Use essas algemas então!" Inuyasha respondeu ríspido. Naraku parou Kagome, puxou as chaves de sua mão, e com uma incrível habilidade abriu as algemas do pulso do hanyou.

"Levíssimas hein?" Kagome perguntou debochada ao ouvir o barulho que a mesma fez ao colidir com o chão.

"Mais que você." Ele respondeu e ela arqueou a sobrancelha. Com rapidez ele a colocou sobre seu ombro e apanhou Naraku com o outro braço correndo em direção a saída.

"Por que está levando esse imbecil junto?" A morena perguntou rudemente enquanto Inuyasha calculava como pularia o muro.

"Eu tenho as chaves do portão também." Inuyasha o observou e sorriu.

"Por causa disso." Kagome suspirou e gemeu inconscientemente ao sentir a dor no ombro. Inuyasha a ajeitou de forma mais confortável e então pulou para fora da prisão com um grande sorriso nos lábios.

"Divertido." Ele disse enquanto corria em qualquer direção.

"Para onde vai?" Naraku perguntou curioso e Kagome apenas suspirou, tentando não desmaiar durante o trajeto.

"Pra longe daqui." Simplesmente respondeu. "Vou achar qualquer lugar para te deixar e depois penso." Naraku deu de ombros. "Como conseguiram as chaves? Se era tão fácil porque não pegou antes?"

"Estavam escondidas atrás de um piso falso." Respondeu com simplicidade. "Eu imaginei que Kikyou pudesse fazer algo. Sinceramente, nunca confiei nela." Ele deu um pequeno grito quando Inuyasha começou a pular sobre as árvores. "Uou, vou ter que me acostumar com isso..."

"Não, não vai." Inuyasha o cortou. "Continue."

"Enfim, obviamente não era meu propósito ajudá-los. Eu realmente adoraria vê-los morrer lentamente." Inuyasha o apertou e ele tossiu com força. "Então..." Rosnou ele. "Assim que os Shichinin-tai apareceram furiosos, eu vi o momento perfeito para escapar. Eles estavam tão putos que acho que mesmo que sentissem o nosso cheiro não nos procurariam." Inuyasha sorriu.

"Então quer dizer que fiz um bom trabalho?"

"O que quer dizer com isso?" A voz fraca da humana entrou em seus ouvidos e ele sentiu uma forte preocupação.

"Não te interessa agora." Ele disse correndo em direção a cidade de que viera.

"Você não deveria voltar pra cá."

"Dá pra calar a boca?"

"Como vocês trabalham juntos?" Naraku perguntou assustado, e então obteve o silêncio como resposta.

Inuyasha estava ocupado demais rangendo os dentes, enquanto Kagome estava ocupada demais perdendo a consciência.

oOo

Me perdoem leitores, sei que vocês já colocaram meu nome no Death Note, já fizeram voodoo, macumba e tudo o que poderiam fazer...

Se consola a vocês eu me ferrei bastante no tempo que não postei, viram? Hahaha

Pretendo terminar no próximo capítulo. Eu me odeio por NÃO CONSEGUIR fazer finais de forma rápida e satisfatória, me perdoem... mas farei o possível, tudo bem?

Quero terminar antes de voltar minhas aulas, isto é... tenho duas semanas HAHAHA. Sei que parece impossível, mas não custa tentar, não é?

Um beijo a todos vocês que não me abandonaram, okay? E me perdoem por não responder reviews, é que faz muito tempo que não posto e as respostas vão parecer (completamente) confusas!

Amo todas vocês de coração!

E me perdoem mais uma vez, hihi. (Eu sei que quando não tiver perdão as coisas são resolverão quando eu estiver no caixão, droga!)

Nota da beta: Acrescentem mais alguns dias de atraso devido a lerdeza da beta e a sua internet que não funciona. =D

Não, a Tmizinha não é a única culpada, então você podem amaldiçoar a nós duas. Haha!

Mas depois desse capítulo, o atraso é perdoável, né? ;D