Disclaimer: Tenho o direito apenas de me ajoelhar e pedir perdão pela demora.

" Bom, pelo menos você calou a boca." Inuyasha provocou enquanto tentava disfarçar o incômodo pelo silêncio. "Dá pra falar alguma coisa?" Ele pediu com a voz um pouco raivosa. "Anda logo mulher, não me faça dar trancos com você aí nas minhas costas..."

" Inuyasha..." Naraku o chamou baixo.

" Você adora me irritar, não é mesmo?" Ele pulou para a árvore mais alta, que assustou o homem em suas costas.

" Ei, dá pra parar com isso, seu imbecil?" Perguntou um pouco mais alto.

" Claro que dá." Ele parou abruptamente fazendo Naraku dar um pequeno grito. "Deixando você aqui, seu veado." Respondeu ríspido.

" Por que você não deixa ela?" Perguntou irritado. "Afinal ela está desmaiada, é só um peso morto." Inuyasha arqueou a sobrancelha.

" Kagome?" Ele se balançou fazendo com que os outros dois balançassem também. "Menina estúpida, fale alguma coisa."

" Eu estou bem." Naraku forçou uma voz feminina, atitude que fez o hanyou apenas cerrar os orbes. "Vamos logo, querido... quer dizer, seu idiota." Ele continuou enquanto abria um pequeno sorriso. "Vamos para o fim do arco-íris onde está todo o dinheiro de Kikyou e..."

" Cala a boca." Ele o cortou. "Cala a sua maldita boca antes que eu te mate."

" Então quer dizer que estamos ficando raivosos agora?" Ele perguntou debochadamente. "Olha hanyou, se você não começar a correr logo quem vai morrer aqui não será apenas eu." Inuyasha bufou.

" Aqueles imbecis estão ocupados demais discutindo entre si ou matando Kikyou." Respondeu. " Kagome droga, abra os olhos." Ele se balançou novamente e Naraku rangeu os dentes.

" PARE COM ISSO." Deferiu um pequeno golpe no ombro do hanyou. "Ela só vai perder mais sangue desse jeito." O humano reparou que Inuyasha abaixou um pouco a cabeça, visivelmente preocupado dessa vez.

" Ótimo, e então?" Ele perguntou. "Me dê alguma idéia, eu não sei nenhum lugar que possa levá-la!" Sua voz começou a aumentar inconscientemente. " E se ela morrer, puta merda?" Naraku respirou fundo.

" Tem uma casa aqui perto... mas é arriscado demais."

" Foda-se que é arriscado." Ele o cortou. "Onde é essa casa e de quem estamos falando? De quem é a casa?"

" Calma, você faz muitas perguntas." Inuyasha calou-se instantaneamente. " Kagura é o nome dela. E é no fim dessa floresta maldita, perto do rio."

" Que rio, meu deus?" Perguntou irritado. "Você acha que eu sei realmente para onde estou indo?"

" E seu olfato?"

" Água não tem cheiro, caralho!" Se alarmou.

" Cheiro de terra molhada, sei lá... ou que tal sua audição?" Ele perguntou lentamente e Inuyasha sorriu. "Você pode escutar o riacho, não pode? Sei lá, eu não sei direito o que essas orelhas fazem..." Antes que ele obtivesse resposta Inuyasha voltou a pular as árvores, bem mais rápido que anteriormente. " Dá pra ir mais devagar?"

" Claro que dá." Ele respondeu. " Mas eu não quero." Naraku bufou. "Ou então eu te deixo no meio do caminho, porque ir mais devagar seria o mesmo que esperar ela morrer nas minhas costas, seu energúmeno."

" Vocês se odeiam..." O homem disse. "Então porque não deixa ela morrer de uma vez?"

" Olha... você é a única pessoa no mundo que eu deixaria morrer só porque odeio." Ele respondeu. "Você e meu irmão, na verdade. Isto é, ele não é bem um humano..."

" Hanyous." Disse com desprezo o homem e Inuyasha o encarou de relance.

" Se eu não dependesse de você eu juro que te deixava aqui mesmo." Respondeu ríspido. " E ele não é um hanyou, se fosse talvez não seria a merda que é."

" Não vou nem perguntar." Inuyasha captou o tom curioso do outro e rangeu os dentes.

" Eu não responderia." Disse simplesmente. " E juro que até agora eu não sei porque estou falando com você."

" Por que eu te ajudei?"

" Você me ajudou porque sem mim não teria saído de lá.

" Por que estou te ajudando?"

" Não me ajudaria se eu aceitasse deixar ela para trás ou se não tivesse parado de correr fazendo você correr o risco de morrer na mão de seus antigos comparças."

" Então vá se ferrar, Inuyasha."

" Keh!" Bufou e ali mesmo fez questão de que a conversa terminasse.

oOo

" O que faremos?" Sango perguntou preocupada. " Eles foram pegos e até agora não fazemos sequer idéia de onde podem estar." Totousai inspirou fundo.

" Eles estão bem." Respondeu com pouca confiança. "Eles devem ter dado um jeito de escapar, aqueles dois não se renderiam tão fácil."

" Mas eles já conseguiram uma vez, você não entende?" Sango perguntou enquanto apertava os cabelos. "A segurança com certeza estará reforçada, Totousai..."

" Desde quando começou a se preocupar tanto com eles?" Perguntou.

" Desde o momento em que viramos parceiros." Ela respondeu sincera. "Sei que não devíamos nos preocupar uns com os outros, mas o fato é que eles acabaram de certa forma fazendo parte de nós... eles se sacrificaram pelo nosso plano e não nos entregaram quando poderiam..."

" E por que entregariam? O dinheiro seria pego também."

" Eu sei que está falando isso para me testar." Ela suspirou e se jogou contra o sofá. " Você ama aqueles dois mais que todo mundo aqui dentro, então pare de me fazer essas perguntas sem sentido." Totousai sorriu cansado e se sentou junto a ela.

" Eles vão dar um jeito." Ele colocou a mão levemente sobre o ombro da mulher. " E se não derem até o amanhecer, nós os tiraremos de lá.

" E se os matarem?"

" Não os matariam, Sango." Miroku apareceu a porta com um sorriso consolador nos lábios. "O que eles querem é o dinheiro. Não digo sobre os torturarem..." Ele se arrependeu momentaneamente mas se recompôs. "Eles ficarão vivos até terem certeza de onde está o dinheiro ou de que não sabem... nos resta esperar e pensarmos em algo." Sango concordou regulando a respiração.

" Vocês querem algo para comer?" A voz doce de Rin ecoou no lugar e todos sentiram-se estranhamente leves com o sorriso que ela levava consigo.

E então descobriram o porque o temido Sesshoumaru havia decidido se casar com ela...

oOo

Inuyasha parou em frente a casa de madeira aparentemente bem antiga. Observou então o riacho há alguns metros de si e suspirou aliviado ao sentir a respiração de Kagome, mesmo que fraca em seu pescoço.

" Desça de cima de mim, seu gordo." O hanyou soltou Naraku da forma mais desajeitada possível e o ouviu gemer ao colidir com o chão. "Que ótimos reflexos Naraku, não me surpreende que Kagome sempre tenha consigo roubar de você." O homem cerrou os orbes e bufou enquanto levantava-se do chão e passava a mão nas calças que haviam se sujado levemente pela terra.

" Você é mais insuportável que ela." Ele resmungou dando alguns passos em direção a porta. "Honestamente eu não consigo nem entender o como ela te agüenta." Inuyasha rolou os orbes sentindo a impaciência tomar-lhe o corpo.

"Anda logo." Disse simplesmente e observou quando Naraku bateu contra a porta e uma sombra projetou-se na janela.

" Sou eu Kagura." Ele disse em um tom alto e rapidamente a porta se abriu. Inuyasha arqueou a sobrancelha ao se deparar com uma bela mulher de uns trinta e poucos anos, seios fartos e cabelos morenos lisos incrivelmente bonitos.

" Imaginei que encontraríamos uma velha." Naraku encarou Inuyasha por algum tempo antes de abrir um longo sorriso sarcástico.

" Fazia tempo que você não vinha para cá." A voz fria da mulher ressoou no local e a atenção de Inuyasha voltou-se novamente para ela. " O que você quer dessa vez?" Perguntou assim que cruzou os braços.

" Preciso que cuide da garota."

" Isso é um pedido?" Ela perguntou surpresa e então ele suspirou.

" Com toda a certeza não." Naraku a encarou longamente antes de desviar os orbes dos dela. "Não te livrei a toa da cadeia e você sabe disso."

" Vejo que não fui a única." Ela sorriu irônica enquanto encarava Inuyasha. "Seu rosto está por todo o lugar, sabia?" Inuyasha riu enquanto se aproximava.

" Não desperdiçariam um rosto tão lindo quanto o meu." Deu ombros. "Sempre soube que viraria famoso algum dia." Seu sorriso morreu assim que sentiu a respiração de Kagome ficar mais baixa.

" Entre logo." Kagura deu espaço para que entrassem na casa notando o desespero na face do hanyou. "Vá até o fim do corredor e entre no primeiro quarto." Ela instruiu. "A coloque sobre a cama enquanto eu preparo algumas ervas para o ferimento."

" Que tipo de ervas?" Apesar da voz extremamente desconfiada ela apenas sorriu de volta.

" Se você não quer que ela morra eu receito que pare de fazer perguntas inúteis e faça o que eu te falei." Inuyasha não retrucou dessa vez, certamente assustado com a condição da morena.

" Droga Kagome, me desculpe pela demora..." Ele murmurou assim que a colocou sobre os lençóis vermelhos. "Me desculpe..." Naraku observou Inuyasha se ajoelhando ao lado dela e apertando sua mão com leveza.

E então até mesmo ele deduziu que o hanyou a amava.

oOo

" Nem pensar." Os cabelos de Kikyou estavam completamente bagunçados e sua expressão demonstrava fúria. "Eu não vou dar todo o resto do meu dinheiro para vocês, nem que eu tenha que morrer por ele!" Renkotsu deu um sorriso de escanteio enquanto se agachava e passava a mão sobre a face porcelana.

" Ele não fará tanta diferença no inferno eu acho." O olhar dela ficou tão frio naquele momento que o youkai jurou que o congelaria.

" Vamos chamar isso de pagamento atrasado, que tal?" Bankotsu perguntou se aproximando do corpo feminino. "Você faz idéia de quantas malas eu carreguei pra você?" O sorriso do mesmo aumentou absurdamente. "Você não imagina quantas vezes eu quis matar você, Kikyou... sua voz me irritou por tanto tempo e mesmo assim sempre cumpri suas ordens." Ele se afastou cruzando os braços. "Acerto de contas, é isso que vai ser... você querendo ou não." Os lábios dela se fecharam e ela os mordeu em seguida.

" Gananciosos." Ela retrucou. "O que pensam que são? Eu lhes dei emprego e uma boa reputação, seus imbecis." Jakotsu riu, entretanto não saiu de seu lugar.

" Você está maluca?" Ele perguntou entre risos. "Que boa reputação você nos deu? Você sabe muito bem que nos empregou pois éramos um risco para você... nós também tomávamos conta da cidade, lembra? E então nos prometeu um ótimo salário e a tal ótima reputação que nunca nos serviu de nada!" Renkotsu se colocou ao lado do irmão e suspirou.

" Em outras palavras, você nos afundou na merda." Piscou um olho e riu. "Nós nunca precisamos de você, mas você sempre precisou de nós... e mesmo assim se achava no direito de ser nossa patroa."

"Ei, eu lhes dei um bom salário!" Ela se alarmou e colocou as mãos em posição defensiva.

" Claro que nos deu. Nos fez dividir os vinte por cento entre nós três a cada oitenta que ficava com você de toda a grana que nós conseguíamos." Mukotsu se pronunciou. "E não precisamos ficar de papo furado, nós queremos o que sobrou do dinheiro com você e pronto."

" Peguem o hanyou e a humana, seus imbecis!" Ela rilhou o dente se achando a beira da loucura. "Os force a dar o dinheiro que roubaram de mim e fiquem para vocês, pronto!" Renkotsu puxou-lhe o cabelo de forma rude e ela gemeu.

" Eles não estão mais aqui e estamos pouco nos fodendo com eles." Ele disse completamente irritado. "Eles roubaram uma boa quantia? Pois foda-se Kikyou, nós queremos o que restou e sabemos que é muito mais que eles têm em mãos." Soltou os cabelos morenos e a encarou ameaçador. "Ou isso ou você morre... e nós inventaremos um ótimo fim para você e toda essa sua glória."A humana engoliu seco encarando os cinco e mesmo com o pânico instalado em seu corpo ela friamente passou o olhar em cada um deles antes de abrir novamente os lábios.

"Então acho que vocês podem se programar para aparecer nos jornais." Ela sorriu com desdém. "Por que vocês não vão colocar suas mãos em um centavo meu sequer."

oOo

Totousai observou enquanto Rin timidamente conversava com Sango. Já havia anoitecido e ele estava verdadeiramente começando a ficar nervoso com a situação. Se tivessem fugido, provavelmente já haveriam notícias acerca do caso e ele sabia disso.

Miroku passou a mão levemente pela cintura de Sango e apoiou-se contra o ombro dela. Totousai arqueou a sobrancelha ao notar que ela não se esquivara daquela vez. Rin olhou diretamente para os orbes perdidos e sorriu.

" O que está pensando?" Ela perguntou enquanto se aproximava. Os pés descalços ficaram gelados ao colidirem com o chão, mas ela não se importou. "Eles estão bem... parece besteira, mas eu sinto, entende?" Ela colocou as pontas dos dedos levemente sobre o rosto enrugado e suspirou. "Sesshoumaru está para chegar, o que pretendem fazer?" O velho deu ombros, afastou-se e sorriu.

" Dormir está nos meus planos." Disse simplesmente. A mão dela estava longe de seu corpo agora, mas ele ainda a sentia em sua pele.

E então deduzira que por mais que Rin fosse a doçura em pessoa, nunca se igualaria a sua Kagome. E aquilo doeu em seu coração ao pensar que ela pudesse estar ferida.

oOo

" Não faz diferença segurar a mão dela." Naraku pigarreou perturbado com a cena que já havia durado aproximadamente três horas. "Você é patético." Disse enquanto se aproximava do corpo do hanyou. Inuyasha arqueou a sobrancelha e virou-se para ele.

" Grande merda." Disse. "Eu não me importo com a sua opinião." Virou-se novamente para o corpo da morena e suspirou.

"Abra os olhos, Kagome... abra a droga dos seus olhos." Ele mordeu o lábio inferior vendo que a mulher não se mexia. A respiração ainda estava fraca, mas ela parecia menos febril.

" Se ela acordar, não será agora." Ele ouviu a voz feminina ecoar no quarto. "Vá comer alguma coisa e a deixe descansar... não sei por que vocês acham que vai fazer alguma diferença ficar perto do enfermo."

" Vocês não." Naraku proferiu. "Só esse imbecil está fazendo isso." Riu largamente quando percebeu que começara a irritar o meio-youkai.

" Não, não." Ela disse simplesmente. "Quando você me tirou daquela cadeia eu me lembro muito bem que acordei com você ao meu lado." Ela sorriu sardônica e o sorriso dele morreu em seus lábios.

" Um dia eu gostei de você." Ele disse com simplicidade. "Pena que eu ainda não tivesse cérebro naquela época." Inuyasha riu.

" Você nunca o teve e nunca terá." Levantou-se levemente e estalou o pescoço.

" E então, desistiu de velar o sono da princesa?" O humano perguntou sarcasticamente e Inuyasha discordou.

" Vou ao banheiro." Respondeu. "E realmente não sei de onde tirou tanta coragem, mas eu diria para parar com essas piadinhas nojentas antes que eu quebre seu pescoço." Deu uma última olhada para o corpo de Kagome e saiu do recinto. Naraku encarou Kagura que lhe deu ombros e suspirou.

" Ela vai melhorar." Informou-lhe.

" Não me importa." Ele respondeu. "Essa mulher só significou problema em minha vida, conseqüentemente eu não me importo se ela morrer." Kagura sorriu antes de se retirar.

" Vejo que não mudou muito." Naraku concordou e logo a seguiu.

" Na verdade, antigamente eu costumava amar..." Ela parou no meio do caminho e o encarou curiosa. "Você."

oOo

" Nove horas da manhã." Sango disse abrindo um pequeno sorriso. Os outros estavam sentados ao redor da mesa e apenas concordaram. "Acho que é hora de agirmos." Totousai pigarreou e a encarou.

" Precisamos dar um jeito de sumir com esse dinheiro." Seu olhar passou por todos que estavam sentados. " E eu já pensei nisso. Talvez tenha tardado, mas algo me veio a memória ontem antes de dormir." Ele abriu um sorriso otimista que surpreendeu a todos. "Me digam... o que vocês acham do México?" Sango arqueou a sobrancelha.

" Por que a pergunta?" Ela perguntou evidentemente curiosa.

" Faz mais de trinta anos que eu vim para essa cidade, Sango." Ele revelou. "Eu e Kaede viemos juntos para cá e alguns anos depois eu encontrei Kagome. Como fazia muito tempo eu fiz questão de esquecer minha vida por lá." Ele colocou as mãos sobre a mesa e entrelaçou os dedos. "Entretanto, não pude deixar de lembrar que nós tínhamos uma casa por lá... uma casa com um cofre, grande o suficiente para caber muito dinheiro e seguro o suficiente para até mesmo me deixar confuso quando ia tirar as coisas de lá."

" O que está propondo?" Miroku perguntou e Totousai sorriu.

" Vamos para lá." Disse simplesmente. "Vocês não me parecem ter muito a perder e eu também não tenho. Podemos até ser perseguidos lá, mas não presos." Ele pareceu realmente otimista. "Vamos recuperar Kagome e Inuyasha e então partiremos assim que estivermos todos aqui."

" E como acha que vamos?" Miroku perguntou relutante. "Eu não gostaria de andar até o México por esgotos." Sango o encarou debochada.

" Entendo. Lá tem muitas ratazanas." Miroku riu em sua direção e ela acabou sorrindo também.

" Nós temos dinheiro, pessoal." Ele lhes informou. "Eu conheço um homem que nos levaria de avião para qualquer lugar por uma pequena quantia. O nome dele é Myouga e já fomos parceiros há um bom tempo. Como disse, eu já pensei em tudo." Sango não evitou o sorriso longo.

" Bom, então vamos para o México!" Ela anunciou. " Só precisamos dar um jeito de tirar aqueles dois de lá agora..." Sua voz foi interrompida pela porta que foi aberta de forma desastrosa.

" Onde se meteram aqueles dois?" Kouga apareceu completamente descabelado e ofegante. "Eles fugiram de lá ontem, fiquei apenas sabendo pela manhã!" Totousai encarou os dois em sua frente e logo depois virou-se para o youkai. "Está tudo uma grande bagunça!"

" O que houve, Kouga?" Ele perguntou calmamente e observou o lobo se sentar uno a eles.

" Quando cheguei pela manhã fui vê-los e já havia até mesmo pensado no pretexto que usaria caso fosse interrogado." Relatou. "Entretanto, ninguém apareceu para me questionar e quando cheguei a cela, eles não estavam lá!" Ele se alarmou. "Em toda a delegacia só havia o segurança e até mesmo ele parecia confuso, dizendo que os dois haviam fugido com Naraku e que os Shichinin-tai partiram sem nenhum aviso com a senhorita Kikyou." Ele fez uma careta. "Não faço idéia sobre o grupo, sobre Inuyasha ou Kagome e muito menos sobre Kikyou." Totousai coçou a garganta antes de suspirar.

" Bom, então eles se safaram." Sango o encarou.

" Mas... o que Naraku fazia com eles?" Totousai ficou sério e desviou o olhar.

" Nos resta esperar que eles apareçam, porque pela primeira vez... eu não faço idéia do que está acontecendo." Sango concordou muda. "Vamos ligar a TV, quem sabe ela nos dê alguma informação."

oOo

Kagome tossiu algumas vezes antes de conseguir abrir os olhos. As pálpebras abriram lentamente para que os olhos pudessem se acostumar com a luz, mesmo que pouca. Ela notou estar suada e soltou todo o ar preso em seus pulmões.

Seu ombro ardia, mas ela fazia idéia de que poderia estar doendo muito mais. Seus orbes tiraram fotos de todo o ambiente estranho e ela apenas não tremeu por notar que seu ombro estava enfaixado.

" Onde estou?" A voz saiu mais rouca que ela imaginou e então sua mão foi apertada por outra. Kagome virou pela primeira vez seus olhos em direção ao chão e notou que Inuyasha estava sentado ao lado da cama. Os olhos dourados a fitaram por um bom tempo antes que ele tivesse a reação de sorrir.

" Você... está bem?" Ele perguntou e ela tentou se sentar com dificuldade. O hanyou se levantou do chão e a ajudou a ficar sentada.

" Acredito que sim." Ela respondeu. "Meu ombro dói como o inferno!" Ela reclamou e rangeu os dentes. "Dá pra acreditar que aquela vagabunda atirou no mesmo lugar que a primeira vez?" Ele acomodou-se ao lado dela e voltou a apanhar sua mão.

" Você é mesmo uma azarada."

" Quanto tempo eu dormi?" Ela perguntou olhando diretamente em seus olhos.

" Quase um dia todo." Ele disse e logo em seguida sua mão passou para a face porcelana antes de arrumar sua franja. "Foi pior que das outras vezes." Confessou.

" Acho que perdi muito sangue." Kagome desvencilhou-se do seu toque e apertou o ombro machucado. "Onde estamos?"

" Naraku nos trouxe para cá." Ele disse com cautela e esperou pela repreensão.

" E o que te faz acreditar que não é uma armadilha?" A voz dela soou alta e completamente indignada. "Como podemos confiar nesse homem, Inuyasha?" O hanyou deu ombros.

" Você está curada, não está? Ou bem ao menos..." Ele levantou-se da cama e cruzou os braços. "Você quase morreu nos meus ombros, sua imbecil." Ela abriu um sorriso irônico.

" Coitadinho, deve ter ficado em desespero." Inuyasha sentiu seu coração palpitar ao vê-la novamente daquela forma.

" De fato... e por um momento, quase morri contigo." A humana notou o olhar inexpressivo do hanyou e arqueou a sobrancelha.

" Inuyasha?" O chamou e ele piscou os olhos algumas vezes. " O que houve? Você está bem?" Ela perguntou e então ele sorriu.

" Não é nada." Respondeu. "Vou chamar Kagura e ela te ajuda a tomar um banho. Depois temos que partir, antes que aqueles imbecis resolvam fazer alguma coisa."

" Kagura?" Ela perguntou. " Ela não estava morta?" Inuyasha arqueou a sobrancelha e entreabriu os lábios.

" Você a conhece?" Ela riu e gemeu em seguida pela pontada em seu ombro.

" Sim..." Disse desconfortavelmente. "Isso é, ouvi dizer. Lembro quando a prenderam há muito tempo atrás, eu ainda era uma menina." Ela sorriu. "Ao que soube, ela havia sido morta."

" Existem várias Kaguras por aí." Ela pigarreou.

" Não, não existem." Ela engoliu seco e tentou se levantar. Inuyasha bufou e a segurou pela cintura.

" Pare de tentar se levantar sozinha." Ele rosnou. "Sinceramente, eu prefiro você dormindo." Ela cerrou os orbes azuis.

" Keh!" Fez quase como ele. "Chame logo então, mesmo sabendo que eu posso fazer sozinha." Ele rolou os orbes. Sem responder a provocação ele a arrastou para o outro cômodo e ela observou a mulher sentada a mesa de madeira.

" Vejo que acordou." Ela não conseguiu reconhecer nenhuma emoção na voz da outra. "Quer ajuda com algo?" Ela não respondeu de imediato, o que fez Inuyasha responder por ela.

" Um banho." Disse ele. "Precisamos partir logo." Ela se levantou e caminhou até Kagome.

" Tudo bem."

" Onde está Naraku?" Ele perguntou enquanto se soltava de Kagome para que a mulher pudesse apoiá-la em si.

" Ele saiu." Disse. "Não sei se volta... normalmente ele faz isso." Kagome encarou Inuyasha preocupada e ele deu ombros. "Não se preocupem, ele está tão ferrado quanto vocês, segundo o próprio." Ela sorriu começando a caminhar. "Além do mais, ele sempre vai embora porque é um covarde. Éramos bem chegados antes." Inuyasha a acompanhou.

" Eu queria estar acordada para deixá-lo em algum lugar da floresta." Kagome pronunciou. "Seria extremamente engraçado." Inuyasha riu.

" Você estragou toda a graça, Kagome." Ela concordou. "Entretanto, a dívida dele já está paga... não tenho tanta vontade de matá-lo... não mais." Kagura entrou no quarto e fechou a porta. Inuyasha notou a madeira quase bater em seu nariz.

"Ei, sua estúpida!" Ele urrou contra a porta e Kagura abriu apenas uma pequena fresta.

" Se não tem problema vê-la nua, então porque você foi encher o meu saco?" Ele ficou sem fala. "Se não tem nada a dizer, só volte quando ela estiver limpa e trocada." Bateu novamente a porta e ele arqueou a sobrancelha.

" Espero que vocês nunca sejam amigas..." Sussurrou para si mesmo e voltou para a sala.

oOo

" Quanto dinheiro, u-lá-lá!" Bankotsu sorriu largamente apertando as notas contra o rosto. Jakotsu o encarou e sorriu.

" Isso é sujo." Bankotsu o encarou desentendido. "O dinheiro é sujo. Você não sabe disso?"

" Foda-se." Ele respondeu. "Você é um frescurento, sabia?" Ele olhou para o lado e observou Renkotsu abraçando as notas também. Com um sorriso raso ele encarou os irmãos e observou Kikyou sentada na cadeira com a feição torcida. "Adoramos seu avião, é realmente luxuoso." Ela apertou suas mãos de forma que se ferisse com as próprias unhas.

" Calem a boca." Ela ergueu a face machucada e os olhou com ódio. "Eu quero do fundo do meu coração que vocês se ferrem." Bankotsu se aproximou da mulher de cabelos despenteados e deu ombros.

" O mundo gira, minha donzela." Ele apanhou um pano e passou sobre os lábios cortados da mesma. "Você está horrível." Ele proferiu. "Mas uma semana será suficiente para você melhorar." Ela rangeu os dentes e o encarou gélida.

" Ótimo, vocês estão com o dinheiro." Ela disse. "Vocês tem todas as minhas senhas, todas as minhas chaves e conhecem todos os pontos onde guardo meu dinheiro." Sua voz saiu amargurada. "Agora dá para me deixarem ir?" Renkotsu olhou para os pulsos de Kikyou vermelhos após ela tentar fugir das correntes da noite anterior.

" Bom, não." O ruivo respondeu. " O que nos garante que você não mudará todas as senhas? Ou então, quem garante que os pontos que você passou são verdadeiros e que todas as chaves abrem realmente portas? E quanto a segurança e todo o resto?" Jakotsu apanhou a maquiagem dentro da bolsa da mulher e a encarou sorrindo.

" Posso te ajudar com seu rosto." Ele riu. "Mas terá que ser uma boa garota..."

" E para quê?" Ela pareceu explodir. " Qual a diferença de estar com a merda do meu rosto deformado ou não perto de vocês, seus maníacos mal-agradecidos?" Ela levantou-se abruptamente, entretanto os pulsos amarrados na cadeira a fizeram cair novamente sentada. "Eu os odeio."

" Simples." Bankotsu respondeu. "Você vai aparecer na televisão daqui há alguns minutos." Kikyou arregalou os orbes enquanto os quatro sorriam. " Suikotsu, vá um pouco mais rápido." Pediu ao irmão que pilotava o avião.

" Okay!" O outro respondeu alto o suficiente para que fosse ouvido. Silenciosamente os irmãos sentiram o avião pousar e sorriram sardonicamente para a mulher.

" Prepare-se, minha dama." Renkotsu sorriu. " Vamos comprar uma bela câmera para filmá-la, certo? Jakotsu tomará conta de você." Jakotsu apanhou a maquiagem e se aproximou do corpo magro da mulher. Suikotsu o encarou agonizado.

" Você acha que estamos fazendo o certo?" Ele perguntou. " Não podemos fazer isso com ela..." Jakotsu o observou com desdém.

"Sem essa de personalidade boa, tudo bem?" Ele sorriu em direção do irmão e suspirou. "Finalmente conseguiremos uma grana boa e vamos viver em paz."

oOo

" Tomara que meu irmão não esteja em casa." Kagome estava nas costas de Inuyasha completamente insegura por estarem expostos.

" Entre logo." Disse ríspida. "Se alguém quiser nos encontrar, o primeiro lugar que irão procurar é aqui!" Ele suspirou lentamente.

" Naraku voltou, você viu." Ela olhou para baixo, mas não encontrou os orbes dourados. "Acho que talvez ele goste dela." Ela deu ombros.

" Passei tanto a perna nele que não me importo se ele não se ferrar no final." Ele concordou mudo.

" Então, vamos lá..." Quando sua mão tocou a maçaneta a mesma girou sozinha e a porta se abriu. Antes que ele pudesse arquear a sobrancelha trombou com o youkai lobo, que olhava preocupadamente para a humana em suas costas.

" Me dá ela!" Ele ordenou e Inuyasha fez uma careta de desgosto. "Anda logo, você nos preocupou seu hanyou!" Inuyasha adentrou na casa e empurrou o youkai.

" Cale a boca, lobo fedido." Rosnou. "E não chegue perto de mim." Cerrou os orbes e virou-se para as demais figuras que sorriam em sua direção.

" Nem acredito que estão bem!" Sango mordeu os lábios e correu na direção de Inuyasha. Onde vocês estavam? Estávamos realmente preocupados!" Inuyasha continuou andando e colocou Kagome sobre o sofá.

" Outro tiro?" Totousai perguntou. "E no mesmo lugar?" Ela sorriu amargurada.

" Pois é, eu só me fodo." O velho sorriu relaxado e se sentou ao seu lado.

" Culpa do Inuyasha, tenho certeza." Inuyasha engasgou. "Ele não presta para muita coisa, já sabia desde o princípio."

" Cale a boca, seu velho." Ele respondeu grosso. "Eu levei ela nas minhas costas até darmos um jeito de salvá-la e você me diz isso?" Totousai riu da raiva do hanyou e deu ombros. " Naraku nos ajudou, dá pra acreditar?" Kouga piscou os olhos. "Nos ajudou a fugir e também salvou Kagome..." Sesshoumaru entrou no recinto e encarou os seis na sala, suspirando logo em seguida.

" Não foram embora?" Perguntou seco e Kagome o encarou. "E Inuyasha voltou, que maravilha!" Rin se aproximou e apertou seu braço. "Acredite, eu estava bem feliz quando pensei que tivesse morrido mesmo." Inuyasha arqueou a sobrancelha.

" Keh!" Bufou. "E por que achou isso? Eu não morro tão fácil."

" Infelizmente." O meio-irmão proclamou. "Achei que tivesse morrido pelo que está passando na televisão." Todos encararam a tela e não viram absolutamente nada. "Esse televisão é mais atrasada que a outra." Disse seco. "Eu diria para aumentarem o volume... e irem embora logo depois." Inuyasha ignorou Sesshoumaru e apanhou o controle. Assim que o volume aumentou a transmissão foi interrompida pelo rosto de Kikyou, exageradamente maquiada.

" Bom, tenho algumas notícias importantes." A voz dela estava completamente manipulada e Inuyasha sentiu aquilo. " Anuncio aqui a morte de Inuyasha e Kagome, os ladrões a qual ofereci uma boa quantia a quem os resgatasse." Ela engoliu seco e suspirou. "A morte de ambos foi confirmada ontem pelo grupo Shichinin-Tai, que agora será responsável por cuidar de meu dinheiro. Enfim, estou bem e estarei indo para Londres esse fim de semana." Ela se mexeu contra a cadeira e Inuyasha imaginou que ela estivesse amarrada. "Naraku continuará cuidando da cidade e nomeio Kouga seu novo ajudante." Uma pequena risada foi ouvida, mas Inuyasha não soube distinguir qual dos sete havia rido. " Metade do dinheiro deverá ser colocada em minha conta a qual Naraku tem acesso e a outra ficará para os bens da cidade. Que todos tenham uma ótima tarde." A transmissão foi interrompida abruptamente e todos se encararam.

" Que lindo." Kagome falou com deboche após uma pausa. " Os Shichinin-Tai fizeram ela fazer exatamente tudo o que ela não queria." Inuyasha concordou e observou Totousai perplexo.

" Eu realmente não esperava por isso." Disse e os outros concordaram. " E então, o que faremos agora que estamos mortos?" Todos se encararam.

" Já temos planos." Disse. " E bom, ele estava meio difícil mas agora não está mais." Ele ainda estava absorvendo a informação do vídeo e os outros perceberam isso. " De toda a forma, vão fazer suas malas e iremos já ao anoitecer... esse grupo é louco e eu não quero nem imaginar se isso for uma armadilha."

" Isso, vão todos embora." Sesshoumaru disse e sorriu ironicamente. "Pela primeira vez eu estou feliz juntamente com meu irmãozinho."

" Keh!" Inuyasha foi em direção a escada. " Estamos feliz pelo mesmo motivo." Sem ao menos encará-lo subiu as escadas e se fechou no quarto. Kagome deu ombros e encarou o lobo que ainda não havia dito nada.

" Não acredito que fui escalado." Ele olhou Kagome com os lábios entreabertos. "Dá pra acreditar?" Ela sorriu amarelo e o observou abrir um enorme sorriso.

" É Kouga, nem eu." Ele continuou sorrindo até o momento em que Sesshoumaru se aproximou da porta e a abriu.

" Você não tem malas para fazer, então vá embora logo." Disse seco e Kouga riu. "Não estou vendo a mínima graça nisso." O velho encarou a cena e não pode fazer nada a não ser rir também.

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" Desça as bagagens." Kikyou ordenou enquanto esfregava as pulsos vermelhos um no outro. Bankotsu a encarou debochado e jogou as malas contra os pés dela.

" Me desculpe informar, mas nós mudamos esse relacionamento." Ela o encarou com ódio e as apanhou.

" Faz um maldito mês." Ela proferiu. "Eu já peguei toda a merda do dinheiro que vocês queriam e vocês continuam me amarrando nessa maldita cadeira!" Ela rosnou.

" Sim, faz um mês." Bankotsu abriu um sorriso mostrando os dentes brancos. "Viajamos bastante, não?" Kikyou passou por ele raivosa e desceu do avião antes dos demais.

"Venham logo, não posso nem ao menos comprar um salgado sem vocês, seus malditos." Ela se irritou. " O que estão olhando?" Renkotsu observou a figura branca e magra se enfurecer e então sorrindo acenou a ela.

" Até mais." Disse ele e ela arregalou os orbes.

" O quê?" Ela olhou a sua volta desesperada. "Justo aqui, nessa cidadela?" Ele riu e se apoiou no ombro do irmão.

" Retornamos ao início." Bankotsu riu e ela observou enquanto Suikotsu começava a colocar o avião no ar. "Obrigada pela fortuna!" Ele gritou antes que a porta se fechasse e o avião fosse posto no ar. Kikyou observou incrédula a cidadela e sua respiração ficou completamente irregular.

" Não é possível." Ela disse pasma enquanto soltava as malas. "Eles levaram todo o meu dinheiro...e só me deixaram com a chave de casa." Ela abriu um sorriso insano. "Todo ele... todo o meu dinheiro." Piscou os olhos algumas vezes e apertou os cabelos sujos, talvez pela primeira vez em toda a sua vida.

" Bem vinda a nossa nobre cidade." Kikyou se virou e deparou-se com Naraku. Sem saber que reação tomar apenas se aproximou e o encarou. "Espero que goste daqui." Com um sorriso irônico ele apanhou as malas dela e começou a andar.

Aquilo tudo era muito engraçado.

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" Droga, droga, droga." Kagome sussurrou para si mesma enquanto apertava os dois sacos de dinheiro em sua mão. "Eu jurava que não tinham seguranças aqui." Ela segurou firme a respiração e se espremeu dentro do armário sufocadoramente pequeno.

Cinco seguranças estavam bem próximos de onde ela estava e ela já podia imaginar que estavam a vendo. Apertou então a arma e se preparou para sair do armário e pegá-los de surpresa.

" Cinco, quatro, três, dois... que merda foi essa?" Ela arqueou a sobrancelha ao notar os seguranças caírem no chão um por um. Piscou os olhos mais de uma vez antes de vez a cabeleira prateada se aproximar do caixa e não encontrar nada.

" Eu jurava que tinha grana aqui!" A voz ressoou no local e ele se irritou. "e eu ainda tive que dopar esses imbecis e esperar fazer efeito. Perdi minha noite, isso mesmo!" Kagome observou Inuyasha se aproximar dos seguranças e rosnar. "Que cheiro é esse?" A mulher abriu o armário abruptamente e saiu dele desgovernada. Inuyasha observou enquanto ela jogava um dos sacos para ele e ia em direção a porta.

" Idiota." Ela disse baixo. "Tanto lugar nesse maldito México e você vem assaltar justo a mesma loja que eu?" Ela continuou andando. "Que droga, Inuyasha! Você é um estraga-prazeres." Ela disse debochada e então sentiu ele puxá-la contra seu corpo e colocá-la agilmente em suas costas.

" Eu te procurei por uma semana, sua... sua imbecil!" Ele rosnou. "Eu não faço idéia de como se fala mexicano, eu não gosto dessas pessoas e não gosto do cheiro daqui!" Ele saiu pela porta principal sem se importar se havia alguma câmera por lá. Agilmente ele correu pelas ruas mais estreitas que encontrou e logo que viu um beco parou nele. "Eu odeio esse lugar... e eu também te odeio!" Ele rosnou e ela sorriu.

" Deixa disso, Inuyasha." Ela proclamou. "Antes isso que sei lá... andar pela rua e todos te chamarem de zumbi." Ela suspirou e colocou o cabelo atrás da orelha. Inuyasha observou atentamente ao ato e logo a mediu inteira. Em uma semana os cabelos dela haviam crescido e as ondas de seu cabelo por estarem com mais peso desapareciam, de forma a parecer liso. As olheiras em seus olhos chamaram a atenção, mas não era incomum vê-las no rosto da morena. "O que foi?" Ela perguntou desconcertada e ele bufou.

" Desde que chegamos aqui eu te vi duas vezes!" Ele desabafou. "Eu sei que você me odeia e blábláblá todo aquele papo, mas... eu realmente não sou apto a mudanças." Ela o encarou irônica.

" Percebe-se." Ele a olhou curioso. "Digo... se você adorasse mudanças não estaria tentando roubar." Ela deu ombros. "Estamos bem ricos agora, Inuyasha... e você não depende mais do seu irmão e nem de ninguém. Com o dinheiro que tiramos de Kikyou podemos viver sossegados... e olha que o que temos é apenas uma parte." Ela apertou o bolso da calça e logo tirou um maço de cigarros de lá. Lentamente o colocou na boca e não encarou o hanyou para não se deparar com a feição de desgosto.

" Ah, que ótimo!" Ele riu. " Olha só quem está falando de mim... ao que sei, você quem estava com os dois sacos."

" Percebe-se que eu sou melhor que você." Ela disse e o encarou debochada. Tragou o cigarro e sorriu. "Sou melhor ladra que você." O hanyou riu alto.

" Cale a boca." Ele disse ríspido fechando o riso.

" Não preciso me explicar." Ela disse com simplicidade. "Eu roubo e é isso que eu sei fazer... não quero me invalidar, Inuyasha." Ele notou o tom sincero. "O que quer que eu faça? Fique jogando vídeo-game?"

" Você comprou um vídeo-game?" Ele a cortou abruptamente. Quando Kagome o fitou não agüentou segurar o riso. Inuyasha não disfarçou o entusiasmo perante ao que ela havia dito.

"Não." Ela se encostou no muro e viu a feição dele se distorcer.

" Admita que também está odiando aqui." Ela não quis encará-lo e ele se aproximou apanhando a face de Kagome, fazendo com que ela o encarasse. " Nós odiamos esse lugar Kagome e estamos completamente sozinhos."

" É o começo." Ela se desvencilhou do toque dele. "Logo nos acostumaremos e é isso. Isso é tudo." Ele se aproximou novamente e a prendeu contra o muro. Quando o silêncio de fez ele sentiu-se completamente feliz por poder fitar os olhos azuis de perto e então um sentimento forte se apossou no hanyou. Sem falar mais nada aproximou os lábios dos dela e ameaçou beijá-la. Kagome tentou levantar a perna para nocauteá-lo, porém ele colocou a sua na frente e sorriu.

" Kagome... você já tentou isso uma vez, porque acha que vai dar certo?" Ela bufou e tentou afastá-lo.

"Droga Inuyasha!" Ela se irritou. "Que reação estúpida foi essa? Não teve clima nenhum nem absolutamente nada para você vir... chegando!" Ela tentou empurrá-lo novamente, mas não conseguiu ao menos movê-lo de onde ele estava. "Pare com isso hanyou!" Ele aproximou os lábios dos ouvidos femininos.

" Não quero." Ele sussurrou. "Estava com saudades de você e isso é tudo." Ela tremeu e sentiu o corpo todo arrepiar. Inconscientemente as mãos femininas foram até os cabelos prata e os massageou. "Sua bruxa magrela." Ela riu e virou o rosto dele. Mordeu o canto dos lábios e o puxou, deixando seus lábios a centímetros do dele. Inuyasha suspirou e baixou toda a guarda de seu corpo e foi nesse momento que Kagome subiu a perna o nocauteando. Inuyasha gemeu alto e se deitou no chão apertando as jóias da família. Kagome bateu as mãos e apanhou os sacos.

" É por isso que eu acho que ainda vai funcionar." Ela riu e o encarou. "Até mais, Inuyasha."

" Não ouse sair daqui." Ele disse entre gemidos. "Se você der um passo eu juro que levante e te esquartejo, sua magrela!" Ele rosnou a encarando com ódio. "Por que fez isso?"

" Porque eu quis provar que conseguia." Ela piscou um olho de forma divertida. " Além do mais, o que me faria acreditar que você iria conseguir me achar?" Ele tentou se levantar, mas ainda sentia dor demais para aquilo.

" Eu consigo distinguir melhor o cheiro do local agora." Ele rangeu os dentes e gemeu de novo. "Eu juro que acho você para te matar." Ela suspirou.

" Inuyasha, sem drama." Ela pediu e ele cerrou os orbes. "Olha, não é por nada, eu juro... mas você tem que entender." Ele lambeu os lábios e se colocou ereto, tentando não demonstrar que sentia um pouco de dor. " Eu fiquei todos esses anos sozinha porque é melhor assim, Inuyasha." Ela o encarou diretamente nos olhos e suspirou. "Eu nunca quis uma parceria e ainda não quero. Eu trabalho melhor sozinha e vivo também... então, como completamos nossa missão juntos, acho que deveríamos seguir rumos diferentes. É só isso."

" Só isso?" Ele perguntou debochado. "Nós decidimos juntos que não levaríamos o resto para cá. Totousai, Sango, Miroku e Kaede ficaram para trás e estão vivendo muito bem e felizes. Nós dois tivemos que convencê-los que seria melhor para nós dois, e então nos metemos nessa merda de fim de mundo sem mais ninguém. Nós fizemos tudo o que eles queriam, conseguimos uma puta de uma bolada e eles que estão lá, sem ter que aturar esse tipo de mudança!" A voz dele continha desespero e ela ficou séria.

" Nós fomos pegos, Inuyasha." Ela disse. "Eles não precisavam vir pra cá e deixar tudo que tinham para trás. Eles tinham uma vida, tinham pessoas que amavam e que sentiriam falta deles. Nós não, hanyou e fomos nós que fomos dados como mortos."

" A gente vivia escondido, porra!" Ele explodiu. "Nós apenas saíamos a noite para roubar e eu sei que você também fazia isso!" Ele se irritou.

" E você vai dizer isso agora?" Ela se alarmou. "Foi horrível ter que deixar Totousai, Inuyasha... ele era como um pai para mim, putamerda!" Ela jogou os sacos no chão com raiva.

" Eieieiei." Ele começou. "Calmos, vamos ficar... calmos." Ambos respiraram fundo e soltaram a respiração. "Olha, nós conversamos bastante sobre isso, não é?" Ela concordou muda. "Então daqui há dois meses a gente volta e vê o velho. Se ele quiser vir com a gente, okay. Se não quiser, tudo bem também." Ela continuou muda. " E por mais que não tivéssemos exatamente uma vida para deixar para trás... nós temos agora." Ela o encarou confusa. "Você sabe, não precisamos passar por isso sozinhos. Eu sei que você vai vir com todo aquele papo para cima de mim, mas não quero nenhum relacionamento com você!" Ele fez uma careta e ela arqueou a sobrancelha. "É só até nos habituarmos..."

" Tudo bem, Inuyasha!" Ela disse irritada. "Eu mantenho contato com você."

" E vai me mostrar onde está morando." Ela o encarou debochada.

" É pedir demais."

" Antigamente você me obrigava a te levar nas costas até sua casa. Se é que era uma casa." Ela continuou com a face de deboche. "E então, o que acha? Não vou morar com você nem nada do tipo, então para com esse fogo e vamos logo antes que eu me irrite e deixe você para trás."

" Haha." Ela forçou. "Nem a pau, hanyou. Você fica pulando por aí feito um imbecil e me leva para lugares onde eu não faço idéia de onde são." Ele arqueou a sobrancelha. "Isso mesmo, eu não sei onde estou." Ele riu e ela colocou uma de suas mãos na cintura.

E por mais que não soubesse onde estava, ela sabia exatamente o como se sentia.

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Lindos! Eu sei que prometi que seria o último capítulo, me perdoem por isso, me perdoem e me perdoem! Mas é que já foram vinte páginas e ficaria muito grande se eu colocasse o hentai ainda nesse capítulo.

E bom, vocês devem ter sorrido com isso.

O último capítulo será realmente o último capítulo e ele está reservado para algumas coisitas. Então, não se desesperem! Eu minto, mas não minto tanto assim! Hahahaha

E bom, provavelmente pouquíssima gente vai ler. Esse capítulo não foi revisado, pois minha beta está literalmente sem tempo! Esse capítulo está ponto há SECULOS, mas acreditem se quiser, meu computador não acessava o fanfiction e quando eu tentava acessar em outro computador ele não acessava minha conta! Foi por conta disso minha demora e conseqüentemente meu sumiço. Mil perdões leitores, não sei nem o que dizer =(

Um beijo a todas!