Capítulo 2

(James Sirius' POV)

Quando voltei para casa, o crepúsculo já coloria o céu. Eu subi para o meu quarto e me joguei na minha cama, fechando os olhos. Estava cansado, afinal, a viagem de Hogwarts até Londres fora longa, e ainda tive que agüentar todos as lamurias de Claire, minha ex-namorada, que ainda insistia que voltássemos, mesmo nós termos acabado o relacionamento a mais de um mês.

Ouvi a voz de Lily perto da porta do meu quarto, ela falava docemente com alguém. Depois escuto a voz da minha mãe, e passos.

- James? – ouço-a, chamar-me por detrás da porta. – Posso entrar, filho?

- Pode.

Ela abriu a porta e entrou, sentando-se na ponta da minha cama em seguida.

- Aconteceu alguma coisa? – ela me perguntou, mirando os olhos castanhos em mim, com uma expressão serena no rosto.

- Não. – respondi-lhe. – Por quê?

- Lily disse-me que você e Claire terminaram o namoro...

Revirei os olhos. Aquela menina não consegue manter a boca fechada?

- E não é como se eu tivesse chateado com isso.

- Não está, mesmo?

- Não, já estava cansado da tagarelice dela. E eu percebi que eu nunca gostei dela, não de verdade.

- Ah. – minha mãe franziu o cenho por um tempo, e olhou-me. – Daqui a pouco iremos jantar, sim?

Assenti e voltei a fechar os olhos. Ouvi-a levantar-se e sair do quarto, fechando a porta depois.


Tédio. Há duas semanas eu havia voltado para casa para as férias de verão e há duas semanas que havia visto Emily Simon pela primeira vez.

Por incrível que possa parecer, ela não saíra da minha cabeça depois daquele mínimo e desinteressante encontro. Chegava até ser ridícula a quantidade de minutos que a desconhecida ruiva povoava minha mente. Percebi que ficara mais quieto, e não fui o único, por várias vezes alguém me perguntava se eu estava me sentido bem, alegando eu estar mais quieto do que nunca fora antes. Percebi também que comecei a andar mais pelos arredores de casa na esperança de encontrá-la novamente, e saciar a minha vontade de conhecer a ruiva.

Esta era uma das vezes que eu havia saído de casa para andar por aí, desisti de ficar apenas pelos quarteirões já tão percorridos e decidi ir mais longe, aventurando-me em uma pequena praça que achara. Sentei-me ao pé de uma grande árvore e com o rosto banhado pelo sol, passei a apenas observar a todos que passavam por mim.

Chegara a uma conclusão sobre Emily. Ela deveria ser trouxa, obviamente, já que não demonstrara nenhum tipo de surpresa à menção de meu sobrenome, e eu nunca a vira antes em Hogwarts ou qualquer outro lugar bruxo. E isso tornava a minha busca por ela ainda mais impossível, afinal, seria muito mais fácil se ela fosse bruxa, não há tantos assim, como existem trouxas, certo? E de qualquer forma, se ela fosse como eu, eu a encontraria em Hogwarts, o que, de uma maneira bizarra, deixava-me mais feliz ao simples pensamento de vê-la todos os dias.

Continuei a observar as pessoas que passavam por mim. E decidi que já era tarde o suficiente para ir para casa, já que hoje nós jantaríamos n'A Toca, pois era aniversário de Dominique. Levantei-me e comecei a andar em direção a minha casa. Quando sinto esbarrar em algo... de novo.

- Parece-me que nós sempre iremos nos encontrar aos tropeços. – escutei a voz de Emily, falando divertida.

Ergui o olhar para ela, e vi que aquela que roubava meus pensamentos durante as últimas duas semanas, estava mais próxima do que eu poderia imaginar. Mas antes que eu pudesse fazer alguma coisa, ela se afastou e sorriu.

- James, certo? – perguntou-me.

- Exatamente, Emily. – os olhos azuis brilharam para mim.

- Tudo bem com você?

- Sim e com você?

- Ah, as férias são sempre tediosas! – ela riu.

- Concordo, mas é um tédio bom, não?

- Com toda certeza. Está com pressa?

- Não. – menti.

- Ótimo, já que o destino quis que nós nos reencontrássemos, vamos pelo menos conversar, pode ser? – ela perguntou-me com as bochechas um pouco coradas.

- Claro. – concordei, sorrindo. – Andam fazendo belos dias, não?

Uau, James. Ótima ideia falar sobre o clima, realmente emocionante. De qualquer maneira, começamos a caminhar pela praça lado a lado, mantendo uma distância razoável entre nós.

- Sim. – ela olhou para o céu, ainda sorrindo. – Eu adoro quando o verão está assim.

- Eu também. – respondi, observando-a.

- Suponho que esteja na faculdade, você tem o quê? Dezenove? – perguntou-me casualmente.

Eu ri.

- Tenho dezessete, e não estou na faculdade. – nota mental: agradecer a tia Mione por nos falar tanto dos trouxas.

- Eu também tenho dezessete. E também não estou na faculdade, obviamente. Segundo ano do ensino médio...

- Ahn, eu também. – menti.

Ela sorriu, e os cachos de seu cabelo balançaram com o vento. O sorriso dela era lindo, constatei, ele chegava aos olhos, e deixava o azul mais brilhante, eles pareciam refletir um oceano. Desci meu olhar e percebi que as bochechas dela estavam coradas, e uma das sobrancelhas estava erguida, enquanto um sorriso zombeteiro povoava seus lábios. Oh, por que fui reparar nos lábios dela?

- O que está olhando? – perguntou-me, brincalhona.

- Você tem bonitos olhos. – disse, sem pensar, corando logo em seguida.

Ela riu.

- Obrigada, os seus são lindos também. Nunca havia visto assim antes, castanho-esverdeados, certo?

Assenti, e olhei para o céu. O pôr-do-sol já se iniciava, e alguns tons de laranja já eram visíveis. Suspirei.

- O que foi? – perguntou.

- Tenho que ir. É aniversário de uma prima minha hoje. – disse-lhe, parando de andar, e voltando-me para ela.

- Ah. – ela murmurou. – Mande meus parabéns para ela por mim.

- Pode deixar.

Nos encaramos por alguns instante. Se dependesse de mim, Dominique que adiasse sua comemoração, por que a vontade que eu tinha de sair de perto de Emily era muito próxima a zero.

- Ahn, eu sei que não deveria ser eu a convidar, mas... Vai fazer alguma coisa amanhã à tarde? – Emily corou, novamente.

- Não irei fazer nada, por quê?

- Se você quiser... er... poderíamos, sei lá, nos encontrar nessa praça novamente?

- Claro, ótima ideia! – disse, empolgado. – Lá pelas... quatro, pode ser?

- Pode. Então, até lá. – sorriu.

- Até. – retribui o sorriso, e me aproximei sem jeito.

Abracei-a e rapidamente nos separamos, meio encabulados.

- Tchau. – despedi-me, pela última vez, e comecei a seguir o caminho até a minha casa.

Sorrindo, caminhei rapidamente pela calçada. Esperando chegar a tempo em casa, já prevendo as palavras de minha mãe, e o interminável interrogatório que se seguiria.

Abri a porta e entrei em casa silenciosamente.

- Onde é que o senhor estava? – ouvi minha mãe. – Está atrasado! Esqueceu que vamos jantar n'A Toca hoje por causa da Dominique?

- Desculpe, mãe. – disse-lhe, sorrindo.

- James, você está bem? – ela franziu o cenho.

- Melhor impossível!

Beijei-lhe a bochecha e subi para o meu quarto, para me arrumar. Quando desci, encontrei somente Albus e papai sentados no sofá, o primeiro lendo um livro (claro) e o segundo, encarando a parede (supimpa). Sentei ao lado de meu pai, e postei-me a esperar – como sempre – minha mãe e Lily.

Suspirei, e sorri ao lembrar-me do finalzinho da tarde que tive, e os poucos minutos que passara com Emily ocuparam meus pensamentos. Mal podia acreditar, que aquela mesma pessoa que eu por acaso esbarrei há duas semanas estaria tão presente em meus pensamentos, ou que eu estaria tão ansioso para revê-la amanhã.

- James! – escutei a voz doce da minha irmã, exclamando muito próximo ao meu ouvido.

Acordei de meus devaneios, e encarei-a.

- Que foi, Lily? – perguntei, controlando a minha vontade de esganá-la.

- Nada. – ela me respondeu, sorrindo zombeteira. – É que você estava com uma cara estranha, parecia estar sonhando...

Revirei os olhos.

- Legal, Lily.

Ela riu, e saltitando foi se sentar entre Alvo e papai.


N/A: Segundo capítulo, darlings! Muito, muito, muito obrigada pelas reviews, eu realmente espero que vocês gostem dessa fic tanto quanto eu gostei de escrevê-la! Lys x