Capítulo 4
(James Sirius' POV)
- Hey James! – ouvi Emily dizer, atrás de mim.
Virei-me e caminhei até ela.
- Oi, Emily. – sorri para ela, no que ela retribui.
- Como passou as últimas – ela olhou para um relógio de pulso – menos de vinte e quatro horas?
Eu ri.
- Bem, e você?
- Ótima! Eu vi um filme fantástico na TV ontem...
Sorri torto. Eu não fizera muita coisa que houvesse magia, mas mesmo assim, seria uma história vazia se ocultasse alguns fatos, logo decidi-me por não tentar contar.
- Verdade?
- Aham – ela assentiu também, sorrindo – Como foi a festa da sua prima?
- Tediosa.
Ela riu, e nós começamos a caminhar lado a lado, assim como ontem.
- Ela, sua prima, é mais nova que você? – perguntou-me.
- Sim.
- Ah, minhas condolências, então. Lembro-me das festas das minhas primas, onde todas as amigas delas ficavam correndo de um lado para o outro sabe Deus por que...
- Graças a Merl... Deus, as amigas dela não estavam lá, mas meus outros primos, sim, então acho que compensa.
- Se forem muitos.
- E são. – sorri. – Minha mãe tem cinco irmãos.
Ela arregalou os olhos.
- Isso explica a quantidade de primos. – ela disse, rindo.
Ficamos um tempo em silêncio, somente andando, até que ela perguntou:
– Estranho isso, não?
- O quê? – franzi o cenho.
- Como nós nos conhecemos, afinal você não pensa em conhecer alguém depois de esbarrar com ela no meio da rua, não é?
- Não, mas fico feliz que tenha acontecido.
- Idem. – ela olhou-me, e sorriu. – Então, já que somos amigos, conte-me uma coisa que ainda não disse.
- Hum... – pensei, há algo que eu possa contar sem mencionar o fato de eu ser bruxo? – Eu tenho dois irmãos, Albus e Lily, os dois são mais novos do que eu.
- Ah, eu sou filha única. – ela piscou um dos olhos para mim. – E... uma coisa que eu ainda não disse... Hum. Eu toco piano.
Obrigado a aula de estudos trouxas, que mesmo eu não a fazendo mais, eu lembro que já estudei algo sobre esse instrumento.
- Sério? Eu não sei tocar nenhum instrumento.
- Que decadência. – ela brincou. – Eu pretendia fazer faculdade de música, mas mudei de ideia, sabe? Agora eu decidir ser psicóloga. – Ela sorriu.
- Hã, eu, bem, eu ainda não me decidi. – menti, já que desde o quinto ano eu havia me decidido seguir a mesma carreira que meu pai.
Agoniava-me ter que mentir para ela o tempo todo, mas é a única saída, certo? Passei a mão nos cabelos, nervoso – gesto no qual, fora um das coisas que herdei de meu pai e meu avô.
- Normal. – ela me disse, sorrindo, encorajadoramente. – Na nossa idade temos que errar muitas vezes, até decidirmos o que é certo.
Ergui uma sobrancelha.
- É filosofa também e não me disse? – brinquei.
- Claro que sim, eu sou uma parente distante de Shakespeare. – nós rimos.
Desviamos do caminho, e fomos até perto de uma árvore. Sentamos em sua sombra e encostamo-nos no seu tronco. Ouvi Emily suspirar e a vi fechar os olhos.
- Qual é o seu estilo musical favorito? – ela perguntou de repente, me encarando com os brilhantes olhos azuis.
- Não escuto muita música... – retribui o seu olhar.
Ela arregalou os olhos, e desencostou do tronco rapidamente.
- Como assim?
- Não é que eu não goste, Emily.
- Ah, ótimo. – ela voltou a encostar-se. – Mas, mesmo assim, é estranho.
A tarde passou rapidamente, e quando vimos já estava anoitecendo. Nos despedimos e marcamos de nos encontrar no mesmo lugar, amanhã um pouco mais cedo.
Como vários sábios trouxas afirmam, o tempo passa rapidamente quando estamos nos divertindo, e todas as afirmações foram confirmadas por mim e por Emily, que com o passar dos dias tornava-se cada vez mais próxima de mim. Nós já havíamos mudado de lugar de encontro, passamos a variar os parques, e praças de Londres. Todas as tardes, conversávamos e conhecíamos um ao outro, e quando me dei conta, já estava apaixonado por ela.
Havia mais ou menos um mês e algumas semanas desde quando eu a vi pela primeira vez, e depois que começamos a sair, estávamos cada vez mais próximos, e eu poderia afirmar, que sabia boa parte da vida dela. Apesar, de conhecê-la há pouco tempo, eu sentia que podia confiar nela, e sabia, de certa forma, que ela sentia o mesmo em relação a mim.
Todos – meus pais e meus irmãos – perceberam minha repentina mudança de hábito, não passava muito tempo em casa, e sempre quando voltava estava sorrindo e com ótimo humor. Meu pai sempre lançava-me um olhar maroto, sendo repreendido por mamãe que sempre me perguntava onde eu estava e porque não passava mais tempo em casa.
Era uma linda tarde de quarta-feira, e eu e Emily estávamos em um dos pontos turísticos de Londres, tomando sorvete e conversando.
- Ah, James, não acredito que você fez isso com a sua irmã..! – dizia Emily, enquanto ria de uma das histórias – que não revelavam o fato de sermos de mundos diferentes – que eu havia feito algo a Lily.
- Pois acredite, que é verdade. – olhei-a.
Ela estava magnífica, como sempre. Vestia um vestido rosa simples, que combinavam com os óculos, e estava concentrada em seu sorvete. Continuamos a andar vagarosamente, até que a vejo tropeçar em algo, e rapidamente a seguro.
- Opa. – ela murmurou, e levantou os olhos para mim.
Estávamos a centímetros de distância um do outro. Eu podia contar cada sarda de seu nariz, e ver onde os tons de azul do olho dela variavam, até que fechei os olhos, quando sinto os lábios dela nos meus. Era um beijo tímido, que aos poucos foi tornando-se mais maduro, esqueci-me do sorvete e deixei-o cair, levando minhas mãos para sua cintura e puxando-a para mais perto, enquanto os braços dela envolviam o meu pescoço. Passados alguns minutos, ou segundos, ou dias, não sei ao certo afirmar, nos separamos.
- Me desculpa, James, eu agi por impulso e... – coloquei um dedo em seus lábios.
- Não se desculpe, Em. – disse-lhe, sorrindo.
Tirei o dedo dos seus lábios, e ela sorriu em resposta.
- Bem, isso não estava nos planos – ela disse, olhando para baixo.
Acompanhei o seu olhar, e vi os sorvetes esparramados no chão. Nós rimos, e voltamos a caminhar, de mãos dadas, dessa vez.
- Pai, eu preciso falar com você. – disse-lhe, enquanto entrava na pequena biblioteca que tínhamos em casa.
Ele fechou o livro que estava nas mãos, e encarou-me.
- Diga, filho.
- É sobre a Emily. – ele assentiu. – Eu não consigo mais esconder parte da minha vida, pai. Ela vai começar a perceber, se já não começou, que há coisas que não fazem sentido. E eu não agüento mais ter que mentir para ela.
Eu falava tudo rapidamente, andando de um lado para o outro, na frente da poltrona que meu pai estava sentado.
- Você gosta mesmo dela, não, James? – ele questionou.
- Não, pai. – eu me virei para encará-lo. – Eu a amo. Eu me sinto bem perto dela, e toda vez que tenho que mentir é como se eu estivesse enganando a mim mesmo, entende?
Ele assentiu.
- Sente-se, James. – ele disse, e indicou a poltrona que estava à frente dele.
Sentei-me e apoiei os cotovelos nas pernas, sustentando a cabeça.
- Talvez isso seja mais complicado do que eu gostaria que fosse.
Endireitei-me na poltrona.
- O que quer dizer?
- Eu estou querendo lhe lembrar do sigilo que somos obrigados a ter sobre a magia. – disse-me meu pai. – Nós não podemos contar a qualquer um quem somos, filho, e eu sei que Emily, para você, não é qualquer pessoa, mas e se você deixar de gostar dela?
- Pai, com ela é diferente.
- Eu acredito em você, James. – ele dizia, sério. – Mas temos que pensar em todas as hipóteses antes de tomar uma decisão tão séria como essa, certo?
Assenti, e fechei os olhos, suspirando.
- Por que tem que ser tão complicado? – perguntei, retoricamente.
Meu pai riu, levemente.
- Ah, James, eu me perguntava a mesma coisa quando eu e sua mãe brigávamos na sua idade... – abri os olhos, e o vi sorrindo. – Já que você vai contar tudo a ela, nós teremos a honra de conhecer aquela que roubou a atenção e o coração do meu filho?
- Sim, eu suponho. Mas tudo depende se ela vai ou não pensar que eu sou louco.
- Com isso não se preocupe, James. Se ela gostar de você da mesma maneira que vejo que você gosta dela, ela irá acreditar.
- Obrigado, pai. – agradeci, levantando-me.
- Disponha. – disse-me ele, sorrindo.
Enquanto andava até a porta, me virei, e perguntei:
- Eu posso levá-la para o Beco Diagonal?
Meu pai franziu o cenho.
- Presumo que sim.
- Ótimo, e depois, se ela estiver consciente, claro. – meu pai riu. – Posso trazê-la aqui?
- Claro, e pode deixar que eu falarei com a sua mãe.
Assenti e sai da biblioteca, decidido a contar tudo a Emily no dia seguinte.
