Capítulo 5
(James Sirius' POV)
Era hoje que eu esclareceria tudo para a Emily, e se Merlin me ajudasse, ela acreditaria e não se importaria. Me arrumei, e desci para tomar café, como sempre. Na cozinha encontrei apenas minha mãe, que estava terminando de fazer o café.
- Bom dia. – lhe desejei, e beijei-lhe a bochecha.
- Bom dia, James. – ela respondeu, sorrindo. - Acordou cedo.
- Papai já deve ter falado com você, não?
- Falou, sim. – ela virou-se para mim. – E não se preocupe, vai dar tudo certo, filho.
Eu sorri.
- Obrigada, mãe.
Tomei meu café, conversando com minha mãe, e quando estávamos quase acabando, Lily e Albus desceram e nos acompanharam. Depois, nós ficamos na sala, jogando xadrez de bruxo, por um bom tempo. Na hora do almoço, meu pai chegou e nós comemos, ou melhor, eles comeram, eu só dei uma mexida na comida para não magoar minha mãe.
Chegando a hora que havia marcado com a Emily, saí de casa e me dirigi até onde nós iríamos nos encontrar. Quando cheguei, logo a encontrei sentada em um banco, lendo um livro, concentrada.
- Olá, Em. – eu disse, assustando-a, e sentando ao seu lado.
- Pelo amor de Deus, Jay! Não me assuste assim se quiser que eu continue viva!
- Certo. – eu ri.
Ela sorriu para mim, e fechou o livro que estava lendo, e guardou-o na bolsa.
- Eu tenho uma coisa séria para falar para você. – comecei, pegando sua mão. – Não queria que fosse agora, mas se eu tiver que passar mais um tempo sem te falar eu acho que enlouqueço.
- Está começando a me deixar preocupada. – ela parara de sorrir, e me olhava apreensiva.
- Emily, pode parecer estranho, ou você pode achar que eu estou louco, mas é verdade... E, bem, eu sou um bruxo.
Ela olhou-me com os olhos arregalados por alguns instantes, e depois começou a gargalhar.
- 1º de Abril adiantado, James? – ela perguntou, risonha.
- Não. – eu disse, sério. – É verdade. Não posso provar aqui, e agora, mas eu posso lhe levar em um lugar onde você verá.
Ela ergue uma das sobrancelhas.
- James...
- Emily, é verdade, deixe-me provar. Por favor.
- Certo, mas...
- Confie em mim. – pedi.
- Eu confio.
- Ótimo – apertei um pouco mais sua mão, e levantei-me levando-a junto.
Começamos a caminhar, e por sorte, nós estávamos próximos do Caldeirão Furado, logo que entramos, vi Emily fazer uma careta.
- O que estamos fazendo aqui? – perguntou-me, com o cenho franzido.
- Você verá. – respondi, lançando-lhe um sorriso.
Fomos para a já conhecida parede, e peguei minha varinha, encostei-a nos específicos tijolos, e lentamente, a parede foi-se alternando e logo víamos a entrada do Beco Diagonal. Me virei para Emily, e vi que ela estava com o queixo caído, ri da sua expressão.
- Acredita em mim, agora? – perguntei-lhe, divertido.
Ela olhou-me com as grandes íris azuis extremamente esbugalhadas, e assentiu.
- Vamos, tem muita coisa ainda para ver. – disse-lhe, e puxei-a levemente por entre o beco.
Aos poucos, ela foi voltando ao normal, e observou tudo com curiosidade. Mostrei-lhe a loja da Madame Malkin e do Olivaras, expliquei-lhe sobre o Quadribol quando passamos na frente da loja de artigos, falei-lhe sobre o correio coruja, e, dentre todas as outras lojas, a que Emily mais se interessou, com toda certeza, foi a Floreios e Borrões. Ela implorou para que entrássemos, e se encantou com o tamanho da livraria, passando pelas estantes com os olhos brilhando. Quando passamos na frente do Gringotes, lhe expliquei como usávamos o dinheiro bruxo, deixei a loja dos meus tios por último, e quando entramos já fomos recepcionados por tio George.
- James, o filho do meu cunhado favorito! A que devo a honra da sua ilustre visita? – recepcionou-nos meu tio.
- Tio George, o meu pai é o seu único cunhado. – disse-lhe, risonho.
- Sim, eu sei, por isso é o favorito. – explicou-me como se eu tivesse dois anos e não soubesse que dois mais dois eram quatro.
- E eu estou mostrando o Beco para Emily. – lhe respondi, apontando com a cabeça, para Em que estava olhando para tudo com curiosidade. – E, bem, Em esse é o meu tio George, tio George essa é a Emily.
- Muito prazer. – recepcionou-o Emily, estendendo a mão.
- O prazer é meu, senhorita. – respondeu ele, segurando a mão dela.
Emily olhava tudo tentando entender como elas funcionavam, sem a eletricidade dos trouxas.
- James, como é que tudo está se sustentando no ar sem que nada os segure?
Meu tio ergueu uma das sobrancelhas.
- É magia, Em. – resumi.
- Ah. – ela fez um muxoxo. – Poxa! Queria ser bruxa também, olha só, a minha vida seria bilhões de vezes mais fácil!
Eu e tio George rimos.
- Não é engraçado. – ela falou, fingindo seriedade. – Estou extremamente frustrada, a vida é muito injusta.
- Chega de drama, Em. – disse-lhe, lhe beijando a mão, que segurava, fazendo-a corar. – Agora, temos que ir, antes que meu pai venha nos arrastar até em casa para lhe conhecer.
- E eu tenho que voltar a atender os clientes, antes que Angelina venha e arranque minha última orelha. – tio George, falou, sério.
Rimos, e nos despedimos, saindo da loja logo depois. Andamos pelo mesmo caminho, em direção ao Caldeirão Furado.
- Incrível como existe um mundo completamente diferente do que eu estou acostumada a viver. – Emily disse, subitamente. – É meio... chocante.
- Imagino que seja. – falei, virando o rosto para encará-la. – Espero não tê-la chocado muito, então.
- Não, imagina, Jay. – ela sorriu para mim. – Isso prova que você confia em mim.
- Claro que confio, e para provar irei lhe fazer uma pergunta.
Ela franziu o cenho, e parou de andar, andou até parar na minha frente.
- Como assim?
- Emily, eu gostaria de saber se você gostaria de ser a minha namorada.
Ela arregalou os olhos, e levou uma das mãos até a boca, surpresa.
- J-james, eu... – ela gaguejou.
- Tudo bem se não quiser. – disse-lhe, tentando parecer, indiferente. - Eu me precipitei, desculpe.
- Não! Não é isso, é claro que quero ser a sua namorada. É que você me pegou de surpresa, só isso. – ela falou rapidamente.
Sorri para ela, e beijei-lhe os lábios levemente.
- Que bom porque eu realmente não queria lhe apresentar para a minha família, como "minha amiga".
- E eu estava me consolando que seria mais constrangedor se eu não fosse sua namorada.
Nós rimos, e continuamos a andar de mãos dadas.
- Não se preocupe, a minha família é como qualquer outra. – tranqüilizei-a.
- O único detalhe é que são bruxos. – ela completou.
- Talvez.
- Como assim? Quer dizer que vocês são vampiros também?
- Não, bem, eu suponho que não, já que nunca vi nenhum de nós bebendo sangue.
- Certo, isso deixa o meu pescoço muito mais feliz.
Nós rimos, e continuamos a andar pelo Beco.
- Agora entendo porque algumas histórias suas não faziam tanto sentido.
- Desculpe-me por isso. – pedi-lhe. – É que eu não posso sair contando isso para todo mundo, entende? Nós temos que viver sigilosamente.
- Ah... Isso tem alguma coisa a ver com as antigas histórias de bruxos que eram queimados ou coisa parecida?
- Tem, sim.
Vez ou outra, enquanto caminhávamos, Emily perguntava-me alguma coisa sobre como vivíamos ou como algumas coisas aconteciam para nós. Já estava anoitecendo, quando entramos na rua de casa, caminhamos lentamente, e percebi que conforme íamos nos aproximando, Emily ficava mais quieta.
- Que foi? – perguntei-lhe, subitamente.
- Hã? – indagou, confusa.
- Você ficou quieta de repente...
- Ah, é que... er... Eu nunca fiz isso antes, sabe? Digo, eu já tive uns dois outros namorados, mas eu nunca fui apresentada para a família de nenhum deles. – explicou-se.
- Se servir de consolo, eu também nunca apresentei nenhuma das minhas namoradas antes.
Emily riu.
- É, talvez tenha me consolado um pouquinho.
Sorri, e beijei-lhe levemente nos lábios.
- Vamos. – encorajei-a, e a puxei subindo as escadas que davam para a minha casa.
Abri a porta, e entramos. Albus que estava sentado na sala levantou o olhar para mim.
- Ah, olá, James. – ele cumprimentou-me, e passou o olhar para Emily. – Wow.
- Mais respeito, e além do mais, não se esqueceu da Ana, esqueceu? – perguntei-lhe, com um sorriso malicioso.
Ele revirou os olhos, se levantou, e encaminhou-se até Emily, estendendo a mão para ela, depois.
- Albus Potter. – apresentou-se.
- Emily Simon. – ela aceitou a mão dele, e meu irmão depositou um beijo nas costas da mão dela.
Revirei os olhos.
- James, finalmente você escolheu bem, meu irmão! – exclamou Alvo.
- Albus, você é tão discreto... – ouvi a voz de Lily.
Ela apareceu na sala, e observou-nos, sorrindo quando os olhos bateram em Emily. Por que eu a trouxe aqui mesmo?
- Finalmente, terei a honra de conhecer aquela que roubou os pensamentos e o coração do meu irmão? – ela perguntou, marota.
Emily corou, e eu balancei a cabeça negativamente. Lily andou e parou próxima a nós, elas se apresentaram.
- Ouvi falar muito de você. – Emily comentou.
- Espero que bem. – ela olhou diretamente para mim, com uma das sobrancelhas erguidas.
- O que? Preocupada que seus podres espalhem, Lily? – provoquei-a.
- Há. – ela exclamou, com desdém. – Nada disso, honey, eu não tenho nada com que tenha que me preocupar, afinal, eu sou um anjinho.
- Anjinho meio demoníaco... – murmurou Alvo.
Assenti rindo, e olhei para Emily que observava-nos sorrindo.
- Eu sempre quis ter irmãos. – ela comentou.
- Pois seja feliz porque não os tem, não está perdendo nada. – disse Lily.
- Vamos, antes que esses doidos façam algo que você desista de ser a minha namorada. – disse-lhe, puxando-a para ver o resto da casa, e procurar meus pais.
- Oh! – Lily exclamou – O Jamesinho tá namorando!
Revirei os olhos de novo, e puxei Emily pela mão, de repente meu pai apareceu, descendo as escadas.
- Emily, esse é meu pai Harry Potter. – apresentei-lhe, quando meu pai havia terminado de descer os degraus.
