Capítulo 7

(James Sirius' POV)

- É incrível, não? – eu ouvi Emily perguntar, enquanto eu olhava assombrado para o relógio imenso que se estendia a minha frente.

Olhei-a, e a vi sorrindo encantada. Eu admirava a capacidade de Emily se encantar com tudo, não importando o quão insignificante ou esplendido seja.

- É... incrível. – concordei, ainda olhando-a.

Ela virou o rosto para me encarar, ainda sorrindo, e apertou a minha mão levemente.

- Que bom que gostou. – ela disse. – Agora pode se considerar um legitimo londrino.

Fiz uma careta, e ela começou a rir.

- Ah, James... – ela suspirou, e apoiou a cabeça no meu ombro. – O que vamos fazer agora? Pode ser bem impressionante e tal, mas ficar horas encarando o relógio é meio estranho, concorda?

- Sim, um pouco. - eu ri.

- Eu tive uma ideia... – ela começou. – Mas, não.

- Diga. – ela levantou a cabeça do meu ombro e começamos a andar, na direção contrária a do Big Ben.

- É que como você me mostrou tantas coisas sobre você ontem, eu pensei que hoje eu poderia mostrar mais um pouco de mim... entende? Mas eu não tenho nada tão grandioso para lhe contar.

- Ótima ideia. – eu disse, e ela me olhou descrente – Verdade.

- Mesmo?

- Mesmo. – eu disse, beijando-lhe a bochecha.

- Ah, aí não. – ela resmungou.

Virei rapidamente, surpreendendo-a, e a beijei. Ela suspirou enquanto nos beijávamos, e logo após nos separarmos ela sussurrou no meu ouvido:

- Bem melhor, não?

Nós rimos, e continuamos a andar. Passamos por vários lugares trouxas, onde apenas observávamos, íamos calmamente embrenhando-nos pelas ruas de Londres, onde apenas ela sabia o caminho para onde estávamos seguindo.

- Verdade? Eu nunca havia lhe perguntado isso, não? – perguntei-lhe após ela dizer que os pais dela moravam nos Estados Unidos desde o ano passado e ela se recusara a mudar antes de terminar de estudar, e ir para a universidade.

- É, e eu realmente esqueci-me de comentar. – ela falou, com um quê de desculpas na voz. – Eu moro com a minha prima Bonnie desde o começo do ano passado... Ela é legal.

Continuamos nossa caminhada, até sabe-se lá onde, e aos poucos reconheci que tomávamos o mesmo caminho que fizera ontem à noite quando levei Emily para casa. Chegamos a frente da casa dela, e subimos os degraus até a porta, Emily a abriu, e nós entramos num pequeno aposento onde se localizava a sala de estar.

- Sinta-se a vontade. – ela disse, me olhando enquanto eu observava tudo minuciosamente, afinal, eu nunca estivera numa casa inteiramente trouxa antes.

Após alguns instantes, Emily segurou minha mão novamente, e começou a me puxar casa adentro, mostrando-me onde era tudo.

- Aqui é a cozinha... E logo...

- O que é isso? – perguntei, enquanto aproximava-me do objeto estranho, que refletia a minha imagem. Seria um espelho? Mas para que um espelho teria uma porta e números ao lado? Ou por que raios estaria na cozinha?

- É um microondas, Jay. – ela respondeu, risonha.

- Oh! – exclamei. – E o que seria?

Ela deu uma risadinha, e aproximou-se de mim e do micro-alguma-coisa. Puxou a portinha que tinha na frente, no que deu para ver que dentro havia uma espécie de bandeja e uma luzinha estranha que acendia quando você abria a tal porta.

- Serve para preparar comida. – ela resumiu. – Tanto para aquecê-la, quanto para fazê-la.

- Ah, sim. – eu assenti. – Que criatividade!

- Nós não temos como tudo simplesmente ficar quente ou pronto de uma hora para a outra! Temos que arranjar outros métodos...

Nós rimos, e ela continuou a me mostrar o resto da casa, até que chegamos à única sala em que ela não dera atenção quando passamos pela primeira vez. Ela abriu a porta, e quando entrei na sala, logo vi um piano de calda – exatamente como ela havia descrito que seria, em uma das vezes que estávamos caminhando em algum parque – preto e reluzente.

- E aqui a minha parte favorita da casa. – ela falou, sorrindo.

- Então, enfim estou conhecendo o tão falado piano... – eu comentei, brincando.

- É... – ela corou.

- Mostre-me, então. – ela olhou-me interrogativa. – Você tocando.

- Ah, n-não... é que... – ela gaguejou e corou mais ainda.

- Por favor.

Ela negou com a cabeça, e eu encarei fixamente seus olhos.

- Por favor.

Ela sorriu torto e caminhou até o piano, sentou-se no banquinho à frente e indicou que eu fizesse o mesmo. Sentei-me ao seu lado, e ela abriu o tampo que cobriam as teclas.

- Eu ainda não terminei de compor essa música, e não tenho certeza que está boa... Eu nunca a mostrei a ninguém para saber.

Ela tamborilou os dedos nas teclas brancas por alguns segundos, até que começou a tocar nas teclas rápida e graciosamente. De repente, a voz dela juntou-se com a melodia, e ela começou a cantar:

- Can you feel me?

(Você pode me sentir?)

When I think about you

(Quando eu penso em você)

With every breath I take

(Com cada respiração)

Every minute

(A cada minuto)

No matter what I do

(Não importa o que eu faça)

My world is an empty place

(Meu mundo é um lugar vazio)

Like I've been wondering desert

(Como se eu estivesse no deserto)

For a thousand days

(Por mil dias)

Don't know if it's a mirage

(Não sei se a uma miragem)

But I always see your face, baby

(Mas eu sempre vejo o seu rosto, baby)

De repente, ela se interrompeu, e continuou apenas tocando no piano, rindo.

- O que foi? – perguntei, com o cenho franzido.

Ela balançou a cabeça, em sinal de negação, ainda com um riso nos lábios.

- Eu ainda não escrevi o resto da letra... – ela explicou. – E, eu acho que, nunca foi tão difícil de terminar.

- E por que você acha isso?

- Estou completamente sem criatividade.

Ela continuou a tocar a melodia, após um tempo, às notas foram se tornando mais lentas e então Emily descansou as mãos sobre as teclas.

- Linda. – disse, segurando suas mãos entre as minhas.

- O quê, eu ou a música? – ela perguntou, irônica.

- As duas. – sorri e lhe dei um selinho.

Ela retribuiu o sorriso, depois que nós nos separamos, e virou-se para olhar o piano, ainda com a mão entre as minhas.

- Eu comecei a escrever essa música alguns dias depois de ter conhecido você. – ela disse, meio baixo. – Você já povoava a minha mente por mais tempo do que eu poderia suportar sem ao menos saber direito quem você era.

- Digamos que passei pelo mesmo... Mas eu não escrevi uma música sobre isso.

Ela riu.

- Deve ser algum tipo de mania minha, eu me lembro de escrever músicas sobre o que sinto desde que eu me entendo por gente. – ela fez uma careta. – Certo, o que quer fazer agora?

- Eu não sei, a dona da casa é você, Srta. Simon. – eu disse, cordialmente.

Continuamos por alguns minutos naquela sala, enquanto Em tentava inutilmente me ensinar a tocar alguma coisa no piano. Já era final de tarde quando ela desistiu de tentar colocar algum "dó" na minha cabeça, e nós decidimos ir procurar algum lugar para jantar.


N/A: Repetindo: eu escrevi essa fic quando era menor. Então, sim, a música acima é A Year Without Rain da Selena Gomez. Oh, Merlin, por que eu decidi publicar isso mesmo? lol, obrigada pelos comentários, seus lindos. Lys x