Capítulo 8
(James Sirius' POV)
Era uma bela tarde de sábado, eu e Emily estávamos sentados em baixo de uma grande árvore, ela com a cabeça apoiada no meu peito, e eu encostado no tronco da árvore. Já estávamos no meio de Julho, e há alguns dias havíamos feito duas semanas de namoro, cada dia parecia ser melhor do que o outro, enquanto estávamos juntos. Tornara-se comum me ver entrado em casa, no começo da noite, estourando de felicidade, ou como Lily dizia "com cara de bobo alegre".
- No que está pensando? – Emily interrompeu os meus pensamentos, levantando a cabeça para me encarar.
- Em como estou feliz com você. – a respondi, e ela sorriu.
- Eu já disse que você é muito fofo?
Eu ri.
- Creio que sim.
Ela sorriu, novamente, e voltou a olhar para frente. Fiquei mexendo no cabelo dela, observando os fios ruivos deslizarem por entre os meus dedos. Passado algum tempo, ela suspirou.
- Eu não quero que esse verão acabe. – ela murmurou.
Franzi o cenho.
- Por que, não? – perguntei, confuso.
- Jay, depois que as férias acabarem, você vai para o seu último ano em Hogwarts, e eu irei para o meu último ano no colegial. – ela virou-se para mim e explicou. – Nós não iremos nos ver.
Não a respondi. Eu não havia pensado nisso ainda, não havia nem ao menos passado a possibilidade na minha mente... Emily não é bruxa... Ela não irá para Hogwarts comigo, e nós não poderíamos nos ver, além de qualquer tipo de comunicação seja diferente, e portanto, impossível.
- Você não havia pensado nisso ainda, não é? – ela deduziu.
- Não. – respondi. – Eu não havia nem cogitado a ideia.
- Eu também, não... até agora. – os olhos dela marejaram levemente. – Eu não quero que acabe, James.
Uma única lágrima caiu de seus olhos lentamente, Emily fez menção de limpá-la, e eu a impedi. Tirei-lhe os óculos do rosto, e beijei suas pálpebras, fazendo com que mais lágrimas caíssem de seus olhos quando ela as abriu. Ela pousou uma das mãos no meu rosto, e com o polegar começou a fazer movimentos circulares na minha bochecha. Fechei os olhos, e senti os lábios dela sobre os meus, beijando-me levemente, quando ela começou a se afastar, puxei-a pela nuca para um beijo diferente de qualquer outro. Nele havia saudade – saudade na qual ainda nem havíamos sentido, mas que já receávamos em sentir.
- Eu te amo. – ela sussurrou, quando nos separamos.
Abri os olhos rapidamente, e fixei-os nas íris azuis dela, não mais marejadas, apenas um tanto quanto assustadas, agora.
- M-me desculpe! – ela murmurou, e começou a se afastar.
Mais uma vez, eu a impedi, e a fiz me encarar.
- Está se desculpando pelo que? – perguntei, baixinho, ainda encarando-a nos olhos fixamente. – Eu também te amo, Em. Pode ser estranho, ou precipitado, mas é verdade.
Ela corou.
- Precipitado? Nós praticamente nos apaixonamos do nada, James! – ela falou, risonha – Se pensarmos bem foi um tanto estranho, não? Nós nos esbarramos naquele dia, depois de alguns dias de novo e conversamos, depois começamos a nos conhecer, e agora estamos namorando.
Nós rimos, e ela voltou a se encostar no meu peito, enquanto brincava com uma das minhas mãos. Ela estava entretida com os meus dedos, quando começou a cantarolar, depois de uns instantes, percebi que era a música que ela havia me mostrado no dia em fui na casa dela.
- Conseguiu terminá-la? – perguntei, referindo-me a música.
- Não. – ela suspirou. – Talvez um dia eu consiga terminar.
- Tenho certeza que você vai conseguir.
- Espero que esteja certo.
De repente Emily começou a se levantar.
- Vamos, Jay. Eu te disse que assistiríamos um filme trouxa hoje, e eu costumo cumprir com a minha palavra. – ela disse, brincando.
- Sim, Srta. Simon. – disse, sério.
Caminhamos até a calçada e logo achamos o carro de Emily – dessa vez ela insistira em mudar um pouco a locação, e como era longe, resolvemos vir de carro – nós entramos, e ela deu a partida. Eu sempre gostei de andar de carro, nós – minha família e eu – o usávamos apenas quando precisávamos ir a lugares trouxas ou coisas parecidas, então, não era muito freqüente.
Emily ligou o som, e uma música lenta instalou-se por tudo, logo ela começou a cantarolar junto com a cantora. Depois de um tempo, nós chegamos na casa dela, e ela estacionou o carro. Rapidamente, já estávamos lá dentro.
- Então, que filme nós vamos ver? – perguntei-lhe, enquanto ela deixava a bolsa em cima de uma pequena estante.
- Eu não faço à mínima ideia. – Em respondeu, simplesmente, risonha.
- Maravilha. – eu disse, e ela riu.
- Agora vamos nos preocupar com algo mais importante... A pipoca.
- Certo.
Ela me puxou até a cozinha, chegando lá, pegou um pote, e um pacote de pipoca, depois abriu o micro... microon... micro-alguma-coisa (N/A: microondas), e o ligou.
- Uuuuh! – eu exclamei, encarando fixamente o troço que ficava rodando e de vez em quando um "póp" engraçado.
- O que você está fazendo? – ouvi Emily me perguntar, parando ao meu lado e olhando para a mesma direção que eu.
- Nada. – respondi, rapidamente, e comecei a olhar outra coisa, ou melhor, alguém.
Emily deve ter percebido o meu olhar, porque ela o retribuiu, e corou ligeiramente. Quando eu fiz menção de dar um passo, um barulho estranho e cheio de "pí-pí-pí" nos sobressaltou, e ela correu para tirar a pipoca do microondas e colocar no pote.
- Prontinho. – ela disse, pegando uma pipoca colocando na boca. – Vamos escolher o filme?
- Claro. – fiz um gesto para que ela fosse à frente e nós nos dirigimos até a sala, onde havia a televisão e todos os "equipamentos" necessários para assistir o filme.
Emily deixou a pipoca na mesa de centro, e olhou pensativa, para a televisão.
- Tem um filme, que eu realmente gosto... Mas eu não sei se você gostaria... Talvez seja muito "meloso" – ela disse, e fez aspas no ar.
- Tanto faz para mim, pode escolher a vontade.
- Certo, então. – ela sorriu. – Vamos lá pegá-lo.
Nós subimos as escadas até o quarto dela, aparentemente, eu nunca havia entrado lá, realmente, só havia passado por ele, ou o visto por fora, porque sempre que eu vinha na casa da Emily, nós ficávamos ou na sala do piano, ou na sala de estar. O quarto era pintado de lilás e branco, haviam algumas prateleiras com vários livros, e em cima da escrivaninha tinha aquele troço, o tal de computador – cujo a Lily vive pedindo para ela, sabe-se lá para que, já que em casa não tem eletricidade, mas tudo bem. Emily foi em direção a um armarinho na escrivaninha, agachou-se, e começou a procurar o DVD.
- Quer ajuda para procurar? – perguntei-lhe, depois de um tempo.
- Não, eu já o acho, obrigada, Jay. Eu o assisti por esses dias, tem que estar por aqui... AHÁ! – ela exclamou, e levantou uma caixinha retangular, com os dizeres "A Última Música".
Ela se levantou, e sorriu para mim.
- Você promete que não rir se eu começar a chorar durante o filme? – ela me perguntou, receosa.
- Hã, prometo. – eu respondi.
- Ótimo, vamos?
Assenti, ela atravessou o quarto e chegou ao meu lado. Nós sorrimos um para o outro, e eu a enlacei pela cintura, trazendo-a para mais perto, e a abracei. Ela ficou surpresa por alguns instantes, mas depois me abraçou de volta. Fechei os olhos, e enterrei o rosto nos cabelos dela, ficamos um tempo assim, só abraçados, sem palavras, sem explicação. Quando nos separamos, lhe beijei a testa, e ela suspirou. Nós descemos e ela colocou o DVD para nós assistirmos, era um filme romântico, e como ela havia dito antes, um tanto "meloso", além de ela ter chorado no final como dissera que poderia acontecer.
- Amanhã eu vou à casa dos meus avós, como em todos os domingos. E eu estava pensando... Você não quer ir comigo? – perguntei-lhe, depois que o filme já havia acabado, e eu estava com a cabeça deitada nas pernas dela.
- James, a sua família é enorme.
- E...?
- E que eu sou trouxa.
- Isso não tem na a ver, Emily.
- Mas eu acho melhor não, James. Me desculpe.
- Tudo bem, então.
- Vai ficar chateado comigo?
- Não, era apenas uma ideia, Em.
Ela sorriu, e diminuiu a distância entre nós, dando-me um beijo rápido.
