Epílogo

(James Sirius' POV)

Nove anos depois...

- Papai. – Sarah chamou-me, vindo saltitando em minha direção.

Sarah era parecidíssima com a Emily, os cabelos eram ruivos e cacheados, além de o nariz e a boca terem os mesmos formatos, mas os olhos eram iguais aos meus, castanho-esverdeados.

- Sim, meu anjo? – respondi, pegando-a no colo, e sentando-a nas minhas pernas.

- Nós vamos na casa do vovô hoje, né?

- Vamos, sim.

- O Eddy vai estar lá?

Edward era o filho de Albus, ele tinha exatos cinco meses de idade, e era a cópia do meu irmão.

- Vai sim, filha. – disse-lhe e ela sorriu.

- Que bom.

- Sarah! – ouvi Emily, exclamar, do andar de cima da nossa casa. – Eu não lhe disse para me esperar, filha?

Olhei para a pequena ruivinha no meu colo, interrogando-a.

- Opa. – ela murmurou, e colocou as mãozinhas em cima da boca, tampando-a.

Sorri para ela, e levantei-me, ainda segurando-a nos meus braços. Subi as escadas, e fui para o meu quarto, onde Emily estava arrumando os cabelos.

- Desculpe, mamãe! – disse Sarah, virando o rostinho para Em.

- Tudo bem. Agora me dê ela aqui, Jay.

Passei Sarah para Emily, que a colocou sentada na bancada do banheiro e começou a pentear os cachos dela. Fiquei-as observando. Há exatos cinco anos eu havia me casado com Emily, assim que ela terminou a faculdade de psicologia, para ser mais exato, e há quatro anos Sarah havia nascido, deixando nossa vida cada vez mais perfeita.

- Prontinho. – cantarolou Emily.

- Vamos, então?

Emily assentiu, e pegou Sarah no colo, saindo do banheiro, apaguei as luzes, e nós descemos até o primeiro andar, onde nós iríamos via flu para a casa dos meus pais - a magia estava constantemente presente no nosso cotidiano, e o fato de Emily ser trouxa não o alterava em nada. Peguei Sarah do colo de Emily, e entramos na lareira todos juntos, por último, coloquei um pouco de pó na minha mão.

- Tampe o nariz, filha. – falei-lhe, no que ela enterrou o rosto no meu pescoço.

Joguei o pó no chão e exclamei:

- Casa dos Potter's!

Rapidamente, a comum sensação invadiu-me por um instante, e eu apertei mais Sarah nos meus braços, depois de várias lareiras passando a nossa frente, a sala estar da casa dos meus pais fez-se presente. Sarah levantou o rosto, e espirrou.

- Por que nós temos que usar a lareira, mesmo? – perguntou-nos, tirando um pouco de pó do vestido rosa que estava usando.

- Ah, vocês chegaram! – ouvi meu pai dizer, e eu virei o olhar para a entrada do corredor, e lá estava ele.

- Vovô! – exclamou Sarah, estendendo os braços na direção dele.

Coloquei-a no chão e ela correu na direção do meu pai, que logo a pegou no colo.

- E aí, princesa? Já conseguiu colocar a casa a baixo?

Sarah riu.

- Não.

- E não dê ideias, Harry, pelo amor de Deus! – pediu Emily, com tom de falsa suplica.

Nós rimos, e o barulho da lareira, nos fez virar para sua direção.

- Boa tarde, Potters! – exclamou Lily, detrás da poeira da lareira. – Ahh, Daniel eu falei que nós não conseguiríamos chegar antes do James!

- Lily, desista. – falei, sorrindo, no que ela me respondeu mostrando-me a língua.

Sarah começou a rir da nossa breve discussão e Lily correu para pegá-la dos braços do meu pai e começar a fazer cócegas nela. Não sei se já mencionei, mas Lily é madrinha de Sarah, juntamente com Albus, que é o padrinho.

- Não... Tia... Lily...! - falava minha filha, entre os risos.

- Quase todo mundo chegou, e ninguém para me avisar? – perguntou minha mãe, com os braços no quadril e uma expressão severamente fingida.

Minha mãe cumprimentou-nos um por um.

- Agora só temos que esperar, Albus, Edward e Samantha. – disse minha mãe, sorrindo.

Logo, ela, Lily e Emily foram para a cozinha, e sobramos eu, meu pai, Daniel e Sarah, na sala. Os minutos passaram-se depressa, enquanto falávamos sobre as últimas partidas de Quadribol, e Sarah olhava-nos, curiosa. De repente, a campainha tocou e meu pai foi atender a porta, e Edward, meu irmão e Samantha – esposa dele – passaram por ela.

- Desculpe-nos o atraso. – meu irmão falou, quando chegou à sala. – Mas deve ter algum evento trouxa por aí, porque o transito está horrível.

- Sem problemas. – falou meu pai, que voltara com Edward no colo.

Meu pai falava palavras desconexas para o bebê enquanto o mesmo tentava – sem sucesso – tirar os óculos do meu pai do rosto dele. Meu pai tem sérios problemas com crianças.

- Ah, que bom que vocês chegaram! – exclamou minha mãe, enquanto limpava as mãos no avental que usava. – Vamos todos nos sentando!

Assim como fazíamos quando eu, Albus e Lily éramos crianças, os almoços de domingo eram sempre com todos reunidos. Ficara mais difícil reunir toda a família como antes, principalmente depois que vovó e vovô faleceram, mas vez ou outra nós marcamos um grande almoço com todos os Weasley's, Lupin's e afiliados. Mas como todo ano tem casamento, e a maioria de nós trabalha no Ministério, nós nos vemos com freqüência.

O almoço passou-se tranqüilo -, com todos nós entretidos em diversas conversas, e lembranças de outras épocas. Ficamos boa parte da tarde na casa dos meus pais, e o sol começara a se por quando finalmente fomos embora.

- Mas, papai, eu não quero ir para casa! – reclamava Sarah, enquanto íamos até a lareira, após Lily e Daniel ter desaparecido pela mesma.

- Mas nós temos que ir, anjo. – respondi-a.

- Não podemos nem ir passear um pouquinhozinho?

Emily riu.

- Não sei a quem ela puxou... – disse ela, ainda rindo. – Aonde você quer ir, Sarah?

- Qualquer lugar.

- Certo, nós vamos primeiro em casa, e de lá nós decidimos aonde vamos, pode ser?

- Promete de dedinho? – perguntou Sarah, estendendo o dedo mínimo na direção de Em.

- Prometo. – respondeu ela, e as duas entrelaçaram os dedos.

Ri baixinho, balançando a cabeça negativamente.

- Agora vamos?

As duas assentiram, e nós nos despedimos mais uma vez de meus pais, já que Alvo, Edward e Samantha já haviam ido de carro -, pois Eddy é muito pequeno para usar qualquer meio de transporte bruxo. Nós entramos na lareira, e fomos para casa.

- Já decidiu, mamãe? – perguntou Sarah, assim que a coloquei no chão.

Emily riu.

- Ainda, não. – respondeu – Você teve alguma ideia?

- Não. – Sarah sorriu, sapeca. – Então, enquanto não pensamos em nada, você podia me mostrar como tocar alguma música no piano, mamãe!

Emily e eu nos entreolhamos. Desde pequena Sarah mostrou-se interessada pelo instrumento que Emily insistira em trazer para casa, mesmo não tocando nele como antes. Quando ela ainda estava na barriga de Em, nós costumávamos ficar sentados à frente do piano por horas, enquanto Emily tamborilava as teclas, e fazia pequenas melodias, vez ou outra cantando e tocando músicas completas.

- Por favor, por favor! – insistiu a pequena, vendo a nossa falta de reação.

Emily sorriu, e dirigiu-se até ela, pegando-a no colo. Segui-as, até onde o piano ficava – na sala de estar mesmo, perto de uma das janelas, e com uma boa distância do sofá – as duas sentaram à frente dele, e Emily colocou as mãos de Sarah em baixo das suas, tocando as teclas. Encostei-me na parede e depois de alguns instantes, percebi que a música que Emily estava ensinando-a era a mesma que ela fizera antes de nos casarmos.

A música lembrou-me de quando pedi Emily em casamento, fora um mês depois que ela terminara a faculdade, e não fora uma grande surpresa, já que há alguns meses antes nós já pensávamos em algo como casamento. Não demorara tanto para eu perceber que não conseguia viver sem Emily, e que ela era a mulher que eu escolhera para passar o resto da minha vida. Uns seis meses depois de tê-la feito o pedido, nós nos casamos, em uma cerimônia simples e tipicamente trouxa. Passamos a lua-de-mel em Paris, e pouco tempo depois, soubemos que Sarah estaria chegando em nove meses.

Sarah nasceu no dia 21 de Julho de 2026, as 7h45 da manhã, no hospital St. Mungus, cujo fora o primeiro que eu pensara em aparatar assim que a bolsa rompeu. Fora um parto normal, mesmo sendo o primeiro, e depois de uma hora e meia esperando, nossa filha nasceu. Os primeiros dias de Sarah em casa foram tensos, nós, pais de primeira viagem, não sabíamos ao certo como reagir a um choro, ou qualquer outra coisa que acontecesse, levando assim, minha mãe para morar uns dias na nossa casa, até que aprendêssemos tudo.

- James? – ouvi Emily, despertando-me dos meus pensamentos. – No que estava pensando?

Olhei-a e reparei que ela não estava mais ao piano, e sim na minha frente, e não havia sinal de Sarah.

- Ela foi até o quarto. – explicou-me Em, quando passei a procurar a pequena com os olhos.

- Ah. – respondi, e sorri maliciosamente. – E ela vai demorar à descer?

Emily deu um tapa no meu braço, e eu ri.

- James! – ela exclamou, repreendendo-me.

- Eu estava brincando! – me redimi, e num ato rápido puxei-a para mais perto pela cintura. – Ou não.

Emily riu, e espalmou as mãos no meu peito.

- Você não tem jeito. – ela falou, balançando a cabeça.

Sorri, e inclinei minha cabeça em sua direção, capturando seus lábios com os meus, iniciando um beijo calmo e maduro. Nós beijávamos de uma forma completamente diferente da qual o fazíamos há alguns anos, nós sabíamos o que estávamos fazendo agora, nós nos conhecíamos melhor, afinal nós já vivemos alguma coisa juntos. Nós nos separamos, e ficamos nos olhando, até que Emily sorriu.

- Eu nunca acreditei em amor a primeira vista. – ela murmurou, novamente. – Mas você me fez repensar nesse "nunca".

- Eu te amo.

Nos beijamos mais uma vez, e subimos para brincar com Sarah.

Fim


N/A: E então, esse é o último capítulo de Um Amor Para Recordar, espero que tenham gostado! Obrigada por todas as reviews, vocês são lindos! haha, até a próxima!

Lys x