Palavras da autora: Bleach não me pertence, eu apenas peguei emprestado xD.

Em respeito a Obra de TITE kUBO vou me esforçar para homenageá-lo.

Comentem, critiquem, dê sua opnião, elas contribuem para melhorar a criatividade da estória.


O Hollow de cabelos castanhos e olhos esverdeados chamado Kaliver, caminhava calmamente e despreocupadamente dentro daquele túnel escuro, ele sentia várias energias espirituais espalhados por todos os lugares e seguia uma em particular, mas enquanto caminha ele começa a lembrar gradativamente de alguma coisa de seu passado.


Flashback


- Kaliver Shadowheart, você será designado como o acompanhante do experimento primordial. Diz Magnus em seu salão sozinho com o Hollow que de joelhos responde automaticamente.

- Sim senhor Mestre.

- Sua missão é fazê-la sobreviver a tudo.

- Sim senhor mestre.

Instantes depois Kaliver se dirige para um grande salão branco onde uma porta de metal reforçada faz um grande contraste com o ambiente, Ele se aproxima e coloca sua impressão digital no painel, a porta se abre lateralmente, mas tudo está escuro, o que não é problema para ele, suas pupilas se dilatam tornando-se totalmente enegrecidas e ele passa a enxergar como se estivesse claro como o dia, ele percebe a criança encolhida no canto do quarto e vai se aproximando em passos calmos, a criança chorava, mas pára quando ouve os passos, porém ainda não erguia a cabeça. Kaliver pára diante dela e olhando para baixo diz:

- Kurosaki Hisana, sou Kaliver Shadowheart e a partir de hoje serei seu vigia, levante-se o experimento número dois a aguarda.

-...

- Não repetirei novamente.

Hisana se levanta e parte para cima de Kaliver deslizando por debaixo de suas pernas, ela rapidamente se ergue e começa a correr para a porta de saída.

- Que estupidez. Kaliver retira um dispositivo do bolso da calça e aperta um dos pequenos botões.

Hisana começa a levar um choque fortíssimo que passa por todo o seu corpo através de um colar em seu pescoço como pequenas faíscas visíveis. Ela grita de dor e cai no chão.

- Garota, eu não estou para brincadeiras, me obedeça, recebi ordens de mantê-la viva, mas somente viva.

Kaliver se dirige até onde está a menina e começa a arrastá-la pelos pés em direção ao que chama de "experimento dois". Hisana atordoada não reage e sua vista está embaçada, ela apenas olha impotente para as costas de seu mais novo carrasco.


End of Flashback


Kaliver volta a si quando percebe que havia chegado ao seu destino, um grande portão metálico aparentemente intransponível que assim que chega começa a abrir lentamente. A luz forte vinda do outro lado do portão faz seus olhos se adaptarem novamente diminuindo o tamanho da pupila, assim ele consegue enxergar os dois homens que o esperavam sem sorriso nos lábios e sem olhar de alegria.

- Entre, antes que o vejam. Urahara fala sendo direto e impaciente.

Kaliver entra e já é conduzido pelo rapaz de cabelos loiros para o lado direito do portão em direção a uma sala mais escondida.


- Futuro? Isso é algum tipo de piada por que não teve graça! Exclama Ichigo cheio de energia.

- Não é piada, tanto que também não estou rindo, lógico que esperava que não acreditassem em mim a princípio, mas me digam uma coisa; Hisana se projeta um pouco mais sobre a mesa e olha para todos, - O que acharam daqueles inimigos que quase os mataram algumas horas atrás?

Nesse momento há uma pausa bem longa e o silêncio toma conta do local. Urahara olha para seus amigos tentando entender o silêncio e Yoruichi já prestava atenção na conversa que no momento não exatamente acontecia, então tanto ela quanto Urahara se lembram do que aconteceu horas atrás.

Ururu entra andando despreocupamente na loja e vai até a sala onde estavam Yoruichi em sua forma felina e Urahara conversando, ela entra pedindo licença e diz com tanta naturalidade que Urahara e Yoruichi levam um tempinho para realmente entenderem a situação.

- Kisuke-san, Yoruichi-san, temos visitas inconscientes à porta.

- Tudo bem Ururu eu já estou indo lá. Diz Urahara em resposta.

Ururu sai normalmente em direção à porta de entrada da loja novamente.

-... Yoruichi olha para Urahara.

-... Urahara olha para Yoruichi

- O QUÊ! Exclamam os dois juntos correndo atropelando Ururu e passando pelas mercadorias indo em direção à entrada principal. Eles enxergam vários pés no chão, então começam a andar mais cautelosamente, até que:

- Kurosaki-kun! Grita Urahara fazendo Tessai ouvir e correr para ver o que acontecia.

Yoruichi sente um cheiro diferente e se arrepia indo em direção à parte mais externa da porta.

- Não se preocupem, eles só precisam descansar. Vem a voz atrás da porta.

Urahara e Yoruichi olham ao mesmo tempo na direção de onde ouvem a voz.

Hisana fica na frente da porta olhando para os dois.

Urahara e Yoruichi se preparam para atacar.

- Acalmem-se, por favor! Eu não sou inimiga de ninguém aqui (Hisana faz um gesto com as mãos para eles se acalmarem), apenas lhes peço que os deixem descansar aqui, por favor, eles estão muito cansados.

- O que aconteceu com eles? Pergunta Urahara com voz forte.

- Urahara-san! Tessai chega até eles junto a Ururu e Jinta.

Urahara faz sinal para eles esperarem. Yoruichi fica à espreita.

- Eles foram atacados por hollows.

- Impossível você mente, não sentimos nenhum deles em combate e nem mesmo hollows! Urahara responde com voz ainda forte.

- E é por isso que vocês precisam me deixar entrar Urahara-san, por que tenho um assunto para tratar com vocês. Ela olha para os jovens caídos. – E com eles também. Termina de falar Hisana.

- Você é louca! Nunca vimos você antes acha que deixaremos você aqui sem nos dar nenhuma explicação?

- Yoruichi-san, diz Hisana olhando para o gato ao seu lado. – Eu sei que você tem algo a dizer não é?

- Gatos não falam menina. Diz Urahara.

- Mas essa eu sei que é especial certo? Fala Hisana sorrindo.

-... (Yoruichi olha nos olhos da jovem e depois olha para os amigos no chão). – Deixem-na entrar e ajudem a carregá-los. Diz Yoruichi se virando e indo em direção a sala de visitas.

Hisana já se abaixava para carregar Sado.

- Não encoste as mãos nele. Vem a voz de Yoruichi séria logo à frente.

Hisana pára e olha para ela.

- Me siga garota. Completa a felina

- Com licença, Hisana cumprimenta todos em respeito e segue Yoruichi.

Tessai, Ururu, Jinta e Urahara levam Ichigo, Rukia e os outros para um quarto separado onde possam descansar. Enquanto isso Yoruichi leva Hisana até a sala de visitas

- Sente e espere aqui, não tente fazer nenhuma tolice por que você pode aparentemente saber quem nós somos, mas não sabe do que realmente somos capazes, espero que não tenha nada a ver com os ferimentos deles garota.

- Desculpe Yoruichi-san...

-... Vou mandar Tessai lhe trazer um chá.

- Obrigada.

Assim que Yoruichi sai da sala Hisana olha ao redor tentando reconhecer detalhes diferentes naquela casa. Ela ri baixinho para si.

- Esse lugar não mudou nem depois de tanto tempo.

No quarto onde já estavam acomodados Ichigo, Rukia e os outros, os ocupantes da casa se designavam a fazer alguma coisa, Tessai verificava um por um para ter certeza que realmente estavam bem, Ururu e Jinta passavam toalhas umedecidas na testa de todos para deixá-los com uma temperatura corporal mais agradável.

- O que você acha Yoruichi-san? Pergunta Urahara a Yoruichi sentada ao seu lado enquanto observavam o trabalho dos outros.

- Não sei o que dizer, ela não parece inimiga a princípio, pois trouxe todos aqui; o que me intriga é como uma pessoa pode me conhecer sem que eu nunca tenha visto tal pessoa e também a história sobre hollows terem atacado eles sem que tenhamos percebido, nenhum hollow comum teria feito isso a eles, principalmente a Ichigo.

- Tem razão. Urahara olha para um pequeno monitor que está de seu outro lado e fica observando as ações de Hisana, ela por sua vez aparentemente não faz nada suspeito apenas mexia em pequenos objetos na sala e servia-se às vezes do chá que Tessai trouxera-lhe minutos antes. – Ela disse que tinha algo a nos dizer, mas é melhor esperarmos alguém acordar e reconhecê-la antes que possamos julgá-la realmente.

- Concordo.

Urahara e Yoruichi observam o monitor enquanto aguardam algum dos jovens acordarem.


- E Então? O que me dizem? Pergunta Hisana outra vez aos que se encontravam no recinto e fazendo Yoruichi e Urahara voltarem a si.

- Deep Hollows... Lembra-se Ichigo. – Eles se proclamavam Deep Hollows.

- Exato. Responde Hisana.

- Me lembro disso também, mas afinal, o que são esses Deep Hollows? Pergunta Rukia.

- São uma nova espécie de hollows, provindos do lugar de onde venho, Eles são altamente especializados e poderosos, além de não medirem esforços ou demonstrar quaisquer escrúpulos para concluir seus objetivos. Responde Hisana com olhar mais sério agora.

- O quê? Mas Hisa-san... O que nós temos a ver com eles? Por que queriam nos matar? Quem os mandou? Inoue faz tantas perguntas que já poupa a saliva da maioria dos que ali estavam.

- Por que no futuro vocês serão o maior empecilho capaz de evitar que eles destruam completamente este mundo. Responde Hisana olhando para ela.

- Isso é loucura! Eu não acredito que estou ouvindo isso! Diz Ichigo se levantando e querendo sair.

- Se acalme ichigo sente-se e ouça o que ela tem a nos dizer. Diz Rukia Puxando o braço dele.

- Isso é besteira Rukia! Futuro? Isso não existe! Vocês querem mesmo ouvir isso!

- Tudo bem Ichigo-san, eu compreendo o que sente perfeitamente. Diz Hisana fazendo uma pausa.

- Ótimo, eu vou nessa, tchau para vocês. Ichigo começa a sair da sala mancando e quando abre a porta ouve Hisana dizer:

- É uma pena que não queira saber como você morreu... Diz Hisana de olhos fechados e cabeça baixa enfatizando a sentença.

Todos na sala olham espantados para Hisana assim que ouvem isso.

Ichigo pára diante da porta e vira-se com olhos igualmente espantados e suando frio.

- O... O que foi que você disse?


Kaliver e o jovem de cabelos loiros entram na sala e Urahara também logo em seguida. Antes que se acomodem na pequena sala Urahara pergunta:

- Já faz muito tempo que você não vem aqui Kaliver, me diga o que quer desta vez?

- Exato! Hollows nunca foram e jamais serão bem-vindos aqui! Acrescenta mais ainda o rapaz energicamente olhando para o visitante.

Kaliver olha para o rapaz cheio de raiva e sem esboçar qualquer expressão pergunta:

- O que você tem contra mim moleque? Já esqueceu que se não fosse por mim sua namoradinha nunca estaria viva?

- Seu maldito eu não admito que fale assim de Hisana! O rapaz responde ferozmente partindo para cima de Kaliver pronto para desembainhar a espada da cintura.

- Já chega Shihouin Katsuya!

O filho de Urahara pára com a lâmina afiada encostada no pescoço de Kaliver, ele por sua vez encarava o jovem loiro.

- Seu pai salvou a sua vida moleque, agradeça.

Katsuya olha para o peito e vê a mão de Kaliver apontando dois dedos em seu coração concentrado uma pequena energia negra. Katsuya retira a espada e a coloca na bainha.

- Mas ele também salvou a sua. Katsuya volta a encará-lo assim que guarda a espada.

Kaliver sem demonstrar expressão só faz limpar o pequeno filete de sangue escorrendo pelo seu pescoço.

- Katsuya, se você fizer mais alguma coisa desnecessária, pode se retirar daqui, pois não vou repetir novamente, Kaliver diga logo o que veio fazer aqui, você também sabe que sua presença nunca foi do agrado de ninguém aqui.

- Vim apenas avisá-los que eu tinha razão e que era estupidez mandar Hisana ao passado para consertar algo dessa magnitude sozinha, isso fez Magnus começar a mobilizar seus melhores soldados para agir em breve e como previsto recebi uma ordem do qual não tenho escolha.

- O que quer dizer, que ordem? Pergunta Urahara intrigado.

- Matar Kurosaki Hisana.

Urahara e Katsuya reagem assustados.


- Minha... Morte...? Ichigo olha para Hisana e ela abre os olhos fitando-o com olhos tristes. – Acho que isso também não é uma piada não é mesmo?

- Infelizmente não... Responde Hisana com seu olhar ainda triste.

- O que aconteceu comigo? Pergunta Ichigo mostrando mais interesse agora.

- Sente-se Ichigo-san, não vou contar o que aconteceu apenas com você, mas sim o que aconteceu com todos vocês e principalmente, por que eu estou aqui.

Ichigo caminha timidamente e senta-se outra vez o lado e Rukia dando-lhe o mesmo olhar desconfiado de antes.


- Matar Hisana! Isso é besteira! Katsuya vomita as palavras abruptamente.

- Por que essa ordem repentina para você? Pensei que você fosse o chefe da guarda que mantinha Hisana encarcerada, que era a elite de Magnus.

- Por isso mesmo, Nós somos aqueles que mais conviviam com ela e temos mais chances de rastreá-la além de conhecermos bem suas técnicas, Magnus já mandou dois dos meus comandados para serem eliminados por ela, porém creio que ele esteja desconfiando de minhas ações e por isso esteja me ordenando matá-la agora, para testar minha lealdade e se eu falhar ele descobrirá o que pretendem.

-... Você não viria até aqui apenas para me dizer isso viria? Pergunta Urahara.

- Não. Kaliver coloca a mão no bolso e retira um envelope dando-o para Urahara.

- O que é isso? Urahara pergunta novamente para ele com o olhar ainda intrigado.

- Um fio de esperança. Responde Kaliver sem expressão. – E por isso, farão exatamente o que eu disser.


Hisana olhava para seus amigos que olhavam de volta ansiosos e atenciosos em busca de respostas. Ela suspira e então começa.

**Há muito tempo quando a Soul Society tinha suas bases, regras e leis ainda em construção, os Shinigamis mais do que guerreiros, eram lordes que promulgavam paz e ordem no mundo espiritual e nessa época não existia o que hoje chamamos de "Academia Shinigami" por que eles nasciam imortais tendo absoluto controle sobre a morte. O Grande Rei, Senhor de toda vida, designou os seus mais preciosos filhos como guardiões do mundo e para cada um foi dado o poder de "Controlar" os seus desígnios.

**Entre esses Shinigamis Primordiais um em especial havia recebido um poder que nunca deveria ser usado sem antes ter recebido as ordens diretas do Grande Rei, esse poder era tão grandioso que somente o mais especial de seus lordes teve o direito de ganhá-lo e a esse Shinigami também foi dado um novo nome: Magnus o manipulador do tempo-espaço. Pois para o Grande Rei ele havia sido o primeiro ser digno de tal poder.


- Me lembro de ter ouvido uma história dessas... Onde foi mesmo... Rukia coloca o polegar e o indicador no queixo apoiando o cotovelo com a outra mão fazendo pose intelectual tentando se lembrar. – Ah, é! Nos registros da biblioteca da minha casa! Relembra Rukia estalando os dedos.

- Rukia... Ichigo olha pra ela com olhar esquisito.

- Que foi? Rukia o olha sem entender.

- Deixa a Hisa contar a história dela...

- Eh?... Desculpa. Rukia desculpa-se da intromissão com um sorriso sem graça.

Hisana sorri.

- Está tudo bem Rukia-san, você tem razão, os registros da mansão Kuchiki possuem alguns relatos fiéis do que estou lhes contando, inclusive tive acesso a alguns desses registros há algum tempo.

- Hisa-san, Hisa-san! Continue! Fala Inoue empolgada.

- Tudo bem.

Hisana se concentra outra vez.


**Desde o principio dos tempos a Soul Society existia e coexistia com os outros mundos em paz e harmonia, todo hollow que era purificado reencarnava por direito em quarenta anos assim mantinha-se o fluxo espiritual terrestre na balança, Magnus assistia seus amigos shinigamis no trabalho árduo no plano espiritual provendo assistência a estes seres tão pequenos que embora morressem tão cedo viviam vigorosamente o pouco tempo que o Grande Rei lhes dava, o que causava em cada lorde grande alegria nos seus enterros espirituais, o que chamamos "konso", no fundo eles sabiam que em apenas quarenta anos, poderiam ver aquelas mesmas criaturas repetindo este ciclo de vigor mais uma vez para todo o sempre, pois para um Shinigami daquela época tempo era tudo, mas também não significava absolutamente nada.

**O tempo foi passando e Magnus continuava a ver aquele ciclo que incansavelmente se repetia, às vezes passava meses, anos na terra assistindo a evolução de carne e ossos que acontecia bem diante de seus olhos e foi em uma dessas observações entusiásticas que ele a viu pela primeira vez.

**Magnus passava pelas ruas de uma cidade rústica observando e rindo algumas vezes de alguns humanos que faziam suas proezas impensadas, quando sem perceber uma mulher passa por dentro de seu corpo espiritual causando-lhe uma sensação que ele nunca tinha sentido antes, Era um calafrio, talvez um calor, mas o que quer que tenha passado por ele fez seu coração ficar elétrico. Ele olha espantando para aquele ser.

- Me perdoe senhor, eu andava sem atenção por isso não percebi quando passei esbarrando-o. Diz a jovem moça de proporções esculturais olhos amendoados e cabelos negros na altura dos ombros, ela vestia uma roupa simples que tornava sua silhueta mais sensual.

Magnus estava sem palavras, olhava para ela com tanto espanto que se fosse de carne e ossos teria deixado vários mosquitos adentrarem sua cavidade bucal. A jovem sorri quando vê Magnus sem reação e mais uma vez em reverência e respeito a ele, pede licença e se retira calmamente seguindo seu caminho.

- Espere! Grita Magnus chamando a atenção da moça, uma vez que somente ela era capaz de vê-lo.

Ela vira-se para ele e sorri outra vez.

- Você... Pode me ver?

- Sim, meu senhor. Diz ela respeitosamente.

- Mas como isso é possível?

- Meu senhor, sinto decepcioná-lo, mas infelizmente não sei responder vossa pergunta.

- Pela sua reação tão natural creio que não sou o primeiro que você vê correto?

- Sim, já vi outros como meu senhor de quimonos negros como a noite, nos vigiando sob a luz do sol e da lua, garantindo nossa existência em vida e na morte.

- Desde quando pode nos ver?

- Creio eu meu senhor que a primeira vez que os vi, minha mãe era guiada para o outro mundo por uma das vossas companheiras de espada magnífica na cintura, me lembro de vê-la tocar-lhe a fronte de minha mãe antes de seu último suspiro e de uma pequena esfera de luz radiante sair-lhe do peito e ir em direção aos céus enquanto era acompanhada lado a lado por vossa companheira de quimonos negros.

- Fascinante! Exclama Magnus. – Jovem Humana como se chama?

- Sua serva se chama Elena, meu senhor. Responde ela fazendo reverência com muita educação.

- Nos veremos novamente Jovem Elena até lá tenha um bom dia.

- Sua serva não merece tais palavras meu senhor.

Magnus sorri e some dentro de um portal circular.


- Peraí! O konso era realizado quando os humanos ainda estavam vivos? Indaga Ichigo sendo o intrometido agora.

- Sim. Responde Hisana.

- Mas por quê?

- Naquela época era uma forma segura de evitar-se ao máximo que almas perdidas se tornassem hollows, não estou afirmando que era o único meio, mas sim o mais seguro, e como antigamente não existia academia shinigami, o número deles era muito limitado, em outras palavras, o controle das almas era mais difícil, mas nem por isso os shinigamis sentiam-se "sobrecarregados", pois era uma grande honra guiar almas.

- Uhm... Essa parte eu entendi, mas o que eu não entendo é por que hoje em dia ninguém mais faz mais isso.

- Por que eu acho que hoje em dia Ichigo os Shinigamis não são apenas responsáveis por guiar almas ou purificar hollows, eles estão envolvidos com várias outras coisas inclusive burocráticas, Talvez, encontrar um Hollow e purificá-lo com a espada ou um espírito perdido seja um método mais fácil do que simplesmente esperar o momento ideal para realizar o konso hoje em dia. Responde Rukia.

- Não deixa de ser verdade. Diz Hisana.

- Tá, mas que diferença faz aplicar o konso em um espírito e não em alguém à beira da morte?

- Imagine a dor e o sofrimento que um espírito passa quando se torna hollow... O desespero de querer se libertar daquela prisão e não poder... Assistir a si mesmo cometendo atrocidades e não conseguir impedir. Diz Inoue se intrometendo na conversa dos dois.

Todos ficam em silêncio entrando em consenso com as palavras de Inoue.

- Inoue-san tem razão, por isso os shinigamis não dormiam, pois eles não queriam que aqueles espíritos se perdessem de tal forma, e mesmo quando não conseguiam evitar, eles purificavam os hollows rapidamente para que os mesmo não sentissem dor e guiavam seus espíritos pessoalmente.

- Continua Hisa-san! Estou começando a gostar dessa história. Exclama Inoue mais uma vez empolgada.

- Não sei nem como vocês conseguem entender a história interrompendo ela desse jeito... Fala Ishida aos amigos.

Sado concorda com a cabeça.

- Perdão!... Dizem Ichigo, Rukia e Inoue ao mesmo tempo.

- Continue Hisa-san, por favor. Fala Ishida educadamente enquanto ajeita os óculos.

Hisana acha graça da cena e até ri um pouco, mas continua normalmente com a história.


**Algumas horas depois de se encontrar com a jovem, Magnus estava em conferência diante de seus amigos.

- O que diz é verdade mesmo Magnus? Pergunta a jovem shinigami de cabelos loiros cheia de entusiasmo.

- Sim e ela se lembra até mesmo do konso!

- Que extraordinário! Nunca imaginei que os humanos pudessem evoluir a ponto de nos verem, mas como isso é possível? Quantos já podem fazer isso? Pergunta um com aparência mais velha e cabelos grisalhos.

- Eu ainda não sei, quero perguntar do Grande Rei por que ele está permitindo que os humanos nos vejam agora.

- Creio que não há necessidade Magnus, se isso é obra do Grande Rei basta a todos nós aceitar e aproveitar a oportunidade de interagir com eles! Diz a mulher.

- Isso mesmo ela tem razão Magnus, pense nas possibilidades infinitas que surge diante de nós! O aprendizado, a troca de experiência, a evolução! Exclama o homem grisalho cheio de idéias.

Magnus ouvia seus amigos falando e sua cabeça começava a lembrar da jovem Elena que tratava o desconhecido com tanta segurança que acabara por cativar-lhe.

- Com licença amigos, voltarei a terra e tentarei achar mais destes humanos especiais. Fala Magnus reverenciando-se e saindo.

- Boa idéia Magnus, eu começarei a pesquisar mais possibilidades de comunicação com esses humanos e se existe alguma coisa especial em seus espíritos! Diz o grisalho correndo para algum lugar só seu.

- Ah! Se você começarem a correr atrás desses humanos vou ficar com ciúmes heim! Tão me ouvindo? Grita a mulher correndo atrás do que fazer também.

Magnus procurava por Elena em todos os lugares, mas a mulher havia desaparecido, ele entrava nas casas, vagava pelas ruas e corria pelos céus, mas ela não era encontrada em lugar nenhum, quando estava para desistir, ele encontra uma pessoa no chão debaixo de uma árvore próximo ao rio, tentando saber do que se tratava ele se aproxima e para sua surpresa era a mulher que ele havia procurado o dia inteiro, ela dormia tranquilamente naquele lugar inóspito sem maiores preocupações, Magnus se aproxima mais ainda para observar a expressão serena da jovem mulher.

- Se meu senhor tem algo a me dizer não precisa esperar que eu abra os olhos.

A mulher fala tão repentinamente que faz Magnus dar um salto para trás. Elena sorri e abre os olhos levantando vagarosamente e espreguiçando-se.

- Como você sabia que eu estava aqui? Pergunta Magnus.

- Eu senti o meu senhor se aproximando enquanto cochilava, por isso não fiquei preocupada com vossa aproximação. Responde ela naturalmente.

- Sentiu a minha presença? Isso era novidade para ele.

- Sim, meu senhor. Mas não sei explicar por que consigo fazer isso.

- O que você fazia dormindo em um lugar como este?

- Há algo de errado em dormir em um lugar como este, meu senhor?

- Claro que há! Você deve ter casa e família, não tem por que dormir aqui, é perigoso!

Elena ri.

- Meu senhor, por que eu deveria temer alguma coisa?

- Ãhn?

- Não é para isso que o senhor está aqui? Para me proteger?

-... Não quis dizer isso.

- Então por que o meu senhor ficou o dia inteiro atrás de mim?

- Você? Como sabe que era de você?

- Por que meu senhor parece mais tranqüilo agora que está aqui. Diz ela sorrindo.

Magnus fica sem graça, que mulherzinha mais esperta, ele já estava se sentindo um idiota.

Elena senta-se novamente sob a árvore e faz um sinal para Magnus sentar-se ao seu lado. Ele meio que acanhado fica ao lado dela olhando em seus olhos.

- Pode sentar-se prometo que eu não mordo. Diz ela sorrindo para ele com ternura.

Magnus senta.

- Por que estava atrás de mim, meu senhor?

- Por que você foi a primeira pessoa que pôde me ver, então tive vontade de conhecê-la mais para tentar entender por que isso é possível.

- Entendo... Elena faz uma cara triste.

- Algum problema? Pergunta Magnus.

- Meu senhor... Eu sou tão estranha assim? Pergunta Elena olhando para ele.

- Estranha? Como assim?

- É por que desde pequena eu posso ver espíritos, desde o dia em que minha mãe morreu, todos os outros da vila dizem que eu sou estranha, que falo com maus espíritos, isso me entristece muito por que eu nunca quis ser assim... Ela vira-se para Magnus. – O meu senhor não pode ser um espírito mau, eu vi outros como o senhor destruindo monstros e salvando almas, eles estão mentindo sobre mim eu não sou estranha... Ou será que eu sou? Diz ela baixando a cabeça desta vez.

Magnus olha para ela de cabeça baixa e olhos tristes, ele suspira e então responde.

- Você não é estranha, essa é a palavra que as pessoas de sua vila encontraram para definir a inveja que sentem por não ser como você.

- Como eu?

- Sim, você é especial. Magnus fala esboçando um sorriso bem simples, porém natural. – As pessoas temem o que não conhecem, esse é o principio do medo e também é o principio da fé, você pode ver aquilo que eles desconhecem, sem medo, mas mesmo assim mantendo sua fé, se eu estivesse no lugar deles como um humano tão limitado, também teria muita inveja de você. Ele sorri.

Elena se sente feliz ao ouvir essas palavras.

- Obrigada meu senhor, suas palavras alegram meu coração.

- Magnus.

- Ãhn? Elena olha para ele.

- Meu nome, Magnus.

- Oh! Muito prazer Meu senhor Magnus. Responde Elena fazendo reverência.

- Pare com isso esse "meu senhor" já está me dando nos nervos, me sinto esquisito quando você me chama assim e só faz eu me sentir mais velho.

- Hahahaha. Elena não consegue segurar a risada. Magnus tinha aparência jovem e esbelta, seus cabelos prateados curtos davam um ar mais misterioso ao seu semblante que a fazia sentir-se bem, como uma aventureira explorando uma caverna desconhecida. – Então, Magnus, correto?

Ele balança a cabeça positivamente.

- Se você se sente tão velho então quantos anos você tem?

-...

- Vou tentar interpretar o vosso silêncio. Diz ela sorrindo.

- Nem ouse fazer isso! Exclama Magnus sem graça.

- Ah é? Então eu acho que você deve ter uns "XXXX" anos correto? Diz ela fazendo uns cálculos inexistentes na cabeça.

- Eu não tenho "XXXX" anos! Tá doida humana!

- O quê! Você é mais velho que isso? Diz ela brincando e rindo muito.

- Claro que não, eu não quis dizer isso! Peraí por que essa conversa está me afetando! Diz Magnus começando a entender a provocação e olhando para ela com olhar suspeito.

Elena ri muito.

- Você é incrível, não se passaram nem dez minutos e o senhor já me fez rir como nunca ri em toda a minha vida, obrigada Magnus.

- Ei, Ei, Ei! Eu não sou um bufão, não me lembro de ter contado piadinhas para você rir! Peraí tem alguma coisa na minha cara? Magnus se levanta e vai até o rio.

Elena começa a rir de novo.

- Não tem nada Magnus, foi uma forma carinhosa de dizer que fiquei feliz por você alegrar meu coração.

Magnus olha para ela.

- Eu alegrei seu coração?

- Muito obrigada por ter feito meu dia inesquecível, meu senhor.

Magnus fica corado e sem palavras.

- Nós... Veremos-nos amanhã meu senhor? Pergunta Elena.

- Se assim você desejar...

- E quanto ao meu senhor? O senhor deseja?

- Só se você parar de me chamar de "velho", responde Magnus.

Os dois sorriem.

** Magnus não tinha idéia de onde estava se metendo, dia a dia ele e Elena se encontravam e compartilhavam de experiências únicas vivenciadas apenas por suas próprias limitações e era isso que fazia cada encontro ser especial. Com o tempo a ânsia de ver aquela mulher aumentava e ele desejava que o dia passasse mais rápido para que um novo sol raiasse e assim pudesse vê-la, mas sem perceber, um sentimento diferente foi nascendo dentro do coração de cada um, algo que ele nunca sentira antes e culminaria com o seu maior erro, um ato proibido que mudaria para sempre as dimensões do mundo.


- Peraí Hisa-san. Interrompe Ishida levantando a mão e se achando no direito de fazer isso agora.

- Sim?

- Você disse que veio até aqui para contar sobre o que aconteceu com a gente no futuro inclusive disse que o Ichigo morreu e todo mundo está aqui esperando para você contar isso, mas você de repente começou a contar a história de um shinigami e uma mulher que nem conhecemos... Por que isso de repente?

- Por que foi ele que matou o Ichigo correto? Responde Yoruichi seguido de uma pergunta.

Todos olham para ela.

- Correto Yoruichi-san. Todos se viram para Hisana agora. – Mas não inteiramente correto.

- O que quer dizer? Pergunta Ishida.

- Magnus não matou apenas Kurosaki Ichigo, ele matou a todos vocês.

- O QUÊ! Todos exclamam ao mesmo tempo.

- Só pode ser brincadeira! Você está falando sério? Grita Ichigo.

- Por que eu perderia meu tempo aqui mentindo para vocês? Diz Hisana olhando para ele.

-... Mas que merda!

Rukia dá um cascudo em Ichigo. – Que droga Ichigo fica quieto! Você tá achando que é o único preocupado aqui?

- Tsc! Pára de me bater, tá pensando que eu sou o teu marido pombas!

Todos olham espantados para Ichigo e Rukia.

Hisana ri.

- E você tá rindo do quê! Gritam Ichigo e Rukia ao mesmo tempo pra ela.

Hisana engole seco.

- E ele é tão poderoso assim? Pergunta Ishida demonstrando preocupação.

- Muito poderoso.

- Você consegue expressar o quão forte ele seria? vem a pergunta outra vez.

- Acho que não existem palavras que descrevam o que ele é realmente, mas se existir talvez seja apenas uma.

- Qual?

- Morte.

Todos ficam em silêncio.

- Tem uma coisa que eu não entendo Hisa-san, você está dizendo que este homem chamado Magnus nos matará no futuro, mas por que ele parece feliz na sua história? Indaga Inoue.

- Por que todo monstro que nasce tem um passado a revelar e alguns monstros nem sempre nascem monstros. Responde Hisana sendo bem sincera.

- Você comentou algo sobre ele ter cometido um erro que mudaria o curso da história correto? Pergunta Yoruichi desta vez.

- Exatamente.

- O que foi que ele fez? Pergunta Rukia com uma sobrancelha levantada.

- Ele apaixonou-se por uma humana.


- Kaliver, por que você faria isso? Pergunta-lhe Urahara.

- Tenho os meus motivos, cabe a vocês apenas aceitar os fatos e fazer o que eu disse.

- Eu não entendo... Você é um inimigo... Diz Katsuya sem entender o que ouviu.

- Penso o mesmo de vocês, mas existe algo que Kurosaki Hisana me disse anos atrás que se aplica perfeitamente a esta situação.

- O que ela lhe disse? Pergunta Katsuya.

- "O inimigo de meu inimigo é meu amigo".

- Faz sentido. Fala Urahara assentindo com a cabeça.

- Então, vamos começar. Diz Kaliver.

- O que você pretende faz...?

Antes que termine a sentença Kaliver parte para cima de Katsuya que tem seu peito perfurado pelas mãos vazias do hollow que não expressa nenhuma reação enquanto olha nos olhos do rapaz que cospe sangue e sente a visão embaçar.

- Seu... Desgra... Çado... Trai... Dor... Katsuya desfalece.

- Katsuya! Grita Urahara sem entender e retirando sua zampakutou corre em direção de Kaliver para atacá-lo.

Kaliver estende a mão desocupada na direção de Urahara e concentra uma densa energia negra desferindo-a contra ele. Urahara não tem tempo de desviar da poderosa energia que explode no seu peito.

- Ahhhh! Ele grita ao receber o golpe.

Urahara cai morto no chão.


Continua...


Olá pessoas do meu Brasil varonil xD, oh! nóis aqui travêis!

Meu pé continua magoado comigo mas aqui está mais um capítulo. espero que tenham gostado da leitura.

Caso vocês tenham notado Magnus e Elena não possuem um nome oriental, resolvi fazer isso pra deixar bem diferenciado o nome original dos personagens do anime com os que eu mesma criei, deixando a leitura mais facil de localizar, inclusive alguns outros personagens também não tem nome oriental, pessoalmente me sinto mais confortável em trabalhar assim xD.

Deu pra notar também que eu já comecei revelando o passado do vilão antes mesmo do passado da Hisana, mas é justamente o que vai ajudar a entender melhor o por que de certas coisas terem acontecido com ela, que aliás já começaram a ser mostradas, mas ainda tem muita coisa pra contar... OMG quantos capítulos vai ter essa história!?

God bless my fingers...

No próximo capítulo: A decadência de Magnus.

PS (eu nunca esqueço desse troço): REVIEWS! só naum tento cometer suicídio pulando do muro de novo por que dói demais _ e também por que nem consigo subir do jeito que eu estou. xD.