Amy percebeu que realmente não conhecia a casa direito. Uma das causas de ter chegado a esta conclusão era a sala em que estavam agora. Bem iluminada por janelas gigantescas cobertas por cortinas que iam até o chão, tinha exatamente no seu meio um piano de calda, preto e pomposo.
Ian a conduziu para ele. Ambos se sentaram no banco envernizado.
– Está era a minha surpresa. Sabe, estava me lembrando que a primeira vez em que toquei um piano na sua frente não foi em uma situação muito agradável e eu fui grosseiro e cruel - tudo bem que não era exatamente um piano, mas um cravo -, mas mesmo assim você me salvou de ser explodido e queimado junto com ele. Obrigado, Amy, eu não estaria aqui se não fosse por você. Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, mas uma música vinda daqui – Ele disse apontando para o coração. – vale mais do que qualquer ação.
E nisso, ainda de boca aberta e visivelmente abalada, Amy viu os dedos longos de Ian começarem a percorrer as alvas teclas de marfim e sua voz macia encher a sala com a suavidade de um garoto apaixonado.
Come up to meet you, tell you I'm sorry
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, And ask me your questions
Oh let's go back to the start
Vim te encontrar, te dizer que eu sinto muito
Você não sabe quão adorável você é
Eu tive que encontrar você, te dizer que eu preciso de você
E te dizer que eu te deixei de lado
Me conte seus segredos e me pergunte suas dúvidas
Oh, vamos voltar para o começo
Running in circles, Coming in tails
Heads on a science apart
Correndo em círculos, atrás de nossos rabos
Cabeças em uma ciência distante
Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start
Ninguém disse que era fácil
Oh, é mesmo uma pena nós nos separarmos
Ninguém disse que era fácil
Ninguém nunca disse que seria tão difícil
Oh, leve-me de volta ao começo
I was just guessing at numbers and figures
Pulling the puzzles apart
Questions of science, science and progress
Don't speak as loud as my heart
And tell me you love me, Come back and haunt me
Oh when I rush to the start
Eu há pouco estava adivinhando números e dígitos
Solucionando os quebra-cabeças
Questões de ciência, ciência e progresso
Não falam tão alto quanto meu coração
Diga-me que me ama, volte e me assombre
Oh, e eu corro para o começo
Running in circles, Chasing tails
Coming back as we are
Correndo em círculos, perseguindo nossos rabos
Voltando para o que nós somos
Nobody said it was easy
Oh it's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be so hard
I'm going back to the start
Ninguém disse que era fácil
Oh, é mesmo uma pena nós nos separarmos
Ninguém disse que era fácil
Ninguém nunca disse que seria tão difícil
Eu estou voltando para o começo
Então, quando a música parou, um silêncio absoluto pairou sobre eles.
Naquele momento, Amy não podia deixar de pensar o quanto aquela música tinha a ver com eles, com a busca às pista, com tudo.
Dizem que uma pessoa só sente falta de algo e vê o quanto aquilo é importante depois de perdê-lo. Pelo menos isso não havia acontecido com eles. Por pouco.
Aquela busca, muitas vezes chamada de imbecil pelos próprios, havia afastado-os quando o seu verdadeiro propósito era apenas uni-los. Quanto tempo foi preciso para eles olharem o que estava bem à frente dos seus olhos? Quanto tempo seria preciso para eles perdoarem a si mesmos e ao outro? Será que um dia tudo aquilo seria apenas uma névoa, um passado distante, um borrão indecifrável nas suas vidas? Será que um dia tudo aquilo seria apagado e desculpado? Eram essas as perguntas que cada um fazia em seu silêncio. Era tudo que eles mais queriam, mas por que tinha que ser tão difícil dizer adeus ao passado? Não se pode viver com alguém sem antes perdoar seus erros. E era o que eles tentavam fazer naquele momento. Perdoar aos seus erros, resolver tudo isso dentro de si. Por que tinha que ser tão difícil? Por que aquelas duras lembranças voltavam para assombrá-los quando tudo estava tão bem, quase perfeito?
Porém nada daquilo, nem os códigos ou os frascos e soros, havia os separados a ponto de não se verem nunca mais. Nada daquilo foi suficiente, nem com as atitudes sádicas da Isabel, para dizerem não ao coração, ao que sentiam quando se olhavam nos olhos.
Amy estava completamente sem ação, só conseguia piscar os olhos para ver se suas lágrimas, como por um milagre, não cairiam mais uma vez.
Ian olhava para ela com os olhos de um pecador arrependido, esperando ansiosamente o veredicto final para saber se ia para o paraíso, ficando eternamente ao lado da amada, ou ficaria no purgatório, sendo castigado por toda a eternidade por tudo o que havia feito, longe do que, para ele, agora era a sua vida.
Visto que ficou esperando um longo tempo sem nenhuma reação dela, resolveu falar algo, porque era melhor falar do que ter a garganta apertado por algo que parecia um corda de forca. Ele pegou nas mão da garota.
– Desculpe, desculpe por tudo. Por tudo que eu fiz, por tudo que eu pretendi fazer, por tudo que eu poderia ter feito, por tudo que minha mãe fez um dia com você e com sua família. Me perdoe, Amy. Vamos voltar para o começo e esquecer tudo de ruim pelo que nós passamos. Eu sei que eu fui um imbecil e que eu não te mereço, mas eu te amo e acho que isso basta, não? Eu sei o quanto é difícil esquecer tudo que aconteceu antes, mas eu preciso de você. – Ele abaixou a cabeça por um momento e depois levantou-a com um olhar conformado de perdedor. – Mas não se sinta pressionada. Se não quiser nada, tudo bem, eu vou entender. Eu sei do peso das minhas ações.
– Se eu não quero, Ian? – Ela deu um sorriso. – Eu esperei esse tempo todo, pensando se um dia minha tristeza finalmente acabaria, pensando se um dia tudo entre nós ficaria resolvido, imaginando e ansiando por esse momento. E eu te amo, Ian, mesmo conhecendo os seus defeitos, até porque eu também tenho os meus, e perdoando suas falhas. Ninguém é perfeito.
Terminada aquela frase, Ian se debruçou sobre ela e deixou que seu coração o guiasse. Os lábios de Amy eram macios...
Um frio vento soprou na sala, agitando as cortinas e rebelando seus cabelos. Ian podia sentir o paraíso próximo...
-xXx-
Natalie torceu o nariz ao assistir àquela cena. Com Ian apaixonado seria muito mais difícil conseguir alguma coisa como sua mãe realmente esperava e queria que eles conseguissem.
Um vento soprou no seu rosto, fazendo com que um tremor involuntário percorresse seu corpo fino. "Os Kabras não sentem medo, os Karas não sentem medo" ela repetiu a si mesma. A verdade era que ela não gostava daquele lugar, não mesmo. Daquele clima, nem daquela casa, nem de nada. Gostava de Londres com suas lojas maravilhosas e o ar opaco e espesso e as pessoas estilosas com seus salto altos, suas minissaias e seus óculos escuros e imensos para seus rostos pálidos.
Aquilo nada mais foi do que um impulso para conseguir logo o que queria e voltar à sua vida normal novamente. Era tudo o que ela queria. Era só o que ela queria.
People, people, people!
Pois é. Como o feriado do dia dos professores foi adiado pra hoje, estou descansando aqui. Pena que amanhã começa a vida dura de novo... Mas não vamos antecipar meu sofrimento! Ainda é feriado e eu estou happy! - por pouco tempo...
Gostaram da surpresa do Ian? E a Natalie, muito sombria, não? O que será que ela vai fazer pra conseguir o que ela/a mãe quer? Esperem e verão!
Eu sei que vocês andam muito ansiosas para que comecem a acontecer os acontecimentos sombrios e tal... mas será que não dá pra esperar um pouquinho e deixar os dois curtirem um momento mais love? Eles agradecem...
Eu realmente pensei e colocar uma música da Adele, mas depois, pensando melhor, achei que ficaria um pouco estranho o Ian cantando uma música dela... kkkkkkkkkk
Enfim, espero que vocês tenham gostado da música escolhida - que é The Scientist, do Coldplay e é originalmente tocada por violão, mas tudo bem... - e do capítulo também! Por isso não se esqueçam das minhas reviews!
Um obrigada especial pra Fê que foi quem me deu a ideia desse capítulo há muito tempo atrás...!
Beijinhos de batom - não, não de batom de maquiagem, mas de batom de chocolate, da Garoto! É que eu acabei de devorar um aqui! :9 hehehehehehehe!
