Amy se sentia sobressaltada e nervosa naquela noite. Sentada na biblioteca, tentando ler, assustava-se quando a mobília estalava. Uma ou duas vezes, olhou por cima do ombro e encolheu de medo. Disse a si mesma repetidamente que os incidentes da porta e do caminho no jardim não queriam dizer nada. Não passavam de uma coincidência. De qualquer jeito, a localização da porta e do caminho eram só uma questão de bom-senso. Afinal quem não iria querer uma vista para o mar da janela da sala de visitas ou uma porta que desse acesso à cozinha pela sala de jantar?

Sem admitir que estava nervosa, teve receio em subir para dormir. Quando afinal se levantou, desligou as luzes e abriu a porta para o hall, percebeu que estava com medo de subir as escadas. Venceu-as quase que correndo, com pressa, voou pelos corredores e abriu a porta do quarto. Já dentro dele, sentiu de repente que seus medos se atenuaram e ficou mais calma. Passou os olhos pelo quarto com afeição. Sentia-se segura ali, segura e feliz. Sim, ali estava ela, e estava segura. "Segura em relação a que, sua idiota?", ela perguntou a si mesma. Olhou para o pijama, estendido na cama, e para os chinelos no chão.

"Francamente, Amy, você parece uma garotinha de seis anos! Você merece usar umas pantufas de bichinhos, coelhinhos ou algo do tipo!"

Depois do banho, deitou-se com uma sensação de alívio e logo pegou no sono...

-xXx-

Na manhã seguinte acordou com Buddy lambendo a ponta dos seus dedos, que estavam para fora da cama pendurado junto com seu braço.

– Bom dia, amigo – ela saudou-o ao mesmo tempo que dava um longo e preguiçoso bocejo. Ele lambeu ainda mais, como se pedisse para lhe levar à cama.

– Que foi, hein? Tá com fome, é? Daqui a pouco eu peço para Andy trazer seu leite, viu? – e virou-se, cobrindo o rosto com o lençol, em uma tentativa de impedir a luz de entrar e voltar a dormir.

Ele deu uns latidos fracos, chamando-a novamente.

– O que houve, Buddy? Eu estou aqui...

Ele continuou com seus resmungos e lamentos incessantes e irritantes. Viu que seria difícil, se não impossível, voltar a dormir com Buddy miando ao pé do seu ouvido. Por que ele também não podia dormir mais um pouquinho? Mas ele continuava e continuava sem parar. Vencida pela insistência do filhote, resolveu, por fim, acordar.

– Ok, ok, acordei, Buddy. Você conseguiu.

Porém não estava com raiva dele. Era impossível ficar com raiva dele. Virou-se na cama até ficar de lado e olhar para o chão, onde estava seu amigo peludo com aqueles grandes e dramáticos olhos azuis. Ela deu uma risada. Como conseguia ser tão fofo? Ela esticou a mão e fez um carinho na sua cabeça.

Buddy chamou sua atenção mais uma vez e pegou algo que estava no chão, colocando em sua mão.

– O que é isso?

Era um pedaço fino e quebradiço de alguma coisa rosa, parecia um pedaço de gesso rosa. Só então ela reparou que era da mesma cor da parede do seu quarto. Ah, claro! Era um pedaço de tinta que cobria a parede do seu quarto e que Buddy provavelmente havia arrancado com seus novos dentinhos afiados.

– Ei, você não pode ficar destruindo tudo só porque seus dentes nasceram – ela brincou, encostando o dedo no seu nariz úmido e pequeno.

Acabou por levantar. Tomou um banho e desceu para pegar o seu café da manhã e o de Buddy. Resolveu levar o seu café para o quarto e comer junto com seu amigo. Chegando no quarto, deixou a sua bandeja em cima da mesa de cabeceira e foi colocar o leite de Buddy na vasilha dele.

Então, repentinamente, soltou um grito de pavor e ficou imóvel, estarrecida. O vidro de leite, já vazio, caiu de sua mão, fazendo um estalo e quebrando-se em miúdos pedacinhos pelo chão de pedra.

O pequeno pedaço da parede, tirado por Buddy, revelava o papel de parede original, que no resto do aposento havia sido substituído pela tinta rosada. O quarto já tivera um papel de parede alegre e vistoso, floral, com ramalhetes de lírios brancos alternados com buquês de lírios laranjas...

-xXx-

Amy ficou observando aquilo por um longo tempo... Depois cambaleou até a cama e sentou-se.

Ali estava ela, numa casa em que nunca estivera antes, num país que nunca visitara - e apenas poucos dias antes ela sentara na cama imaginando um papel de parede para aquele mesmo quarto -, e o papel que imaginara era exatamente igual ao papel que um dia decorou aquelas paredes.

Indícios dispersos de possíveis explicações giravam na sua mente de maneira confusa e dispersa...

Ela podia explicar o caminho do jardim e a porta de passagem como coincidências - mas ali não podia haver uma coincidência. Não era concebível imaginar um papel de parede com desing tão peculiar e então descobrir que ele é exatamente como o imaginado... Não havia alguma explicação que lhe escapava e que, sim, a assustava. O tempo inteiro ela via coisas, não o que estava por acontecer, mas o que já ocorrera - o que ocorrera com casa no passado. A qualquer momento ela poderia ver algo mais - algo que não queria ver... Estava com medo da casa... Mas era a casa ou era ela mesma? Ela não queria ser uma daquelas pessoas que enxergam coisa...

Respirou fundo, levantou da cama e saiu porta afora, seguindo pelo caminho que dava ao quarto de Ian. Bateu na porta e esperou ansiosamente ela se abrir e revelar o belo garoto. Entrou furtivamente, não queria ficar lá fora sozinha. Olhou aflita para ele e disse:

– Aquele convite para Londres ainda está de pé?

Ian a olhou com surpresa. Ele já estava vestido e perfumado. Sorriu.

– Pensava que você ainda estava dormindo.

– Acordei há pouco tempo.

Do rosto dele aflorou um sorriso. Amy estava ofegante e pálida, mas se sentiu melhor na presença dele. Mas foi então que Ian assumiu uma expressão um tanto preocupada.

– Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa para você mudar de ideia?

– Está... tudo bem. Não aconteceu nada. Só achei que a sua descrição de Londres pareceu muito atraente. Acordei hoje e pensei "Por que não?" – ela deu uma pausa. Ian sorriu novamente e ela relaxou ao ver que o namorado de nada desconfiava. – E então? – voltou a perguntar.

– Quando você quiser ir, a partir de amanhã.

– Amanhã?

– Sim. Eu preciso avisar aos meus primos que eles terão uma convidada especial. Você vai ficar com eles uns dois, no máximo três dias. Tenho que fazer umas coisas em Surrey. – Amy olhou alarmada para ele. – Não se preocupe, lhe garanto que não é nada do que você está pensando.

– E... e como eles são? – ela perguntou com um pé atrás. Ian riu, passando o braço ao redor da cintura delgada da menina.

– São ótimos, embora sejam quinze anos mais velhos que nós. – Seu rosto fechou de repente e ele falou sério. – Eles são normais, Amy. Não sabem nada sobre as pistas ou... ou qualquer coisa do tipo. Não são Lucians, nem Cahill. Na verdade são filhos da minha madrinha, mas eu os chamo de primos. O filho dela é um escritor de tramas policiais e a esposa dele é atriz. Eles são muito legais. Você vai se divertir bastante com eles, tenho certeza. Eles amam levar seus convidados à museus, peças de teatro, essas coisas – ele voltou a sorrir. – Vai ser divertido.

Amy sorriu. Ir a peças, museus, se afastar da casa, de tudo aquilo e apenas se divertir, seria bom.

– Certo. Mas depois você vai se juntar a nós, não vai?

– Claro. Eu não perderia essa oportunidade de me divertir com você, Amy, por nada.

– Obrigada – ela disse aliviada e ele lhe deu um beijo que imediatamente fez Amy se esquecer de todos os seus temores momentâneos...

Gente!

Eu sei, demorei pra postar, mas é que eu fiquei muito triste com a notícia da saída da Maari. Fiquei meio deprê, desmotivada, como se o fanfiction, com a sua saída, perdesse uma importante fatia do bolo. Por isso, se estiver lendo isso, amiga, saiba que vou sentir muuuuuuuito a sua saudades!

Mas como nem tudo são flores, a gente segue e vai indo...

Bom, espero que o capítulo tenha ficado apresentável.

No próximo capítulo, a Amy vai conhecer os primos do Ian e vai acontecer... Ah, quer saber? Não vou contar! Deixa eu deixar a surpresa pro próximo capítulo e nesse capítulo deixar um gostinho de 'quero mais'!

Reviews...?

Beijinhos!