Capitulo dois

A primeiro momento Sakura não pensou em nada somente observou; não tinha idéia do que poderia falar, pediria desculpa pela divida? Perguntaria o porque dela ter que ir morar lá? Qualquer pergunta parecia uma ofensa ao jovem a sua frente afinal essa confusão só aconteceu por conta da sua avó se não o contrato não teria que ser executado, mas algo era curioso... Fujitaka havia mencionado que o tal Jovem Mestre poderia parecer assustador mais não tinha nada de assustador nele, pelo contrario sentia até uma certa simpatia vinda do garoto ainda que parecia estar de mal humor. Entretanto ele também não ousou falar nada, só que por motivos diferentes, provavelmente esperava que ela se apresentasse formalmente ao invés de deixar que Wang só lhe apresentasse por nome. Fitava a menina que ainda vestia uniforme escolar publico, ela não possuía nenhum tipo de estrutura de alguém de etiqueta.

_Pelo visto não é nada culta_ Murmurou ele o suficiente para todos lá ouvirem, Wang deu um sorrisinho sem graça com cara de 'mas já vai implicar com ela?', enquanto Sakura arqueou a sobrancelha curiosa "Que garoto mal criado" pensou ela, adoraria retrucar, no entanto, não estava em condições de fazer isso, não na situação atual.

_É um prazer também... _Respondeu num tom irônico.

_Que seja..._Voltou a direção voltando a subir as escadaria_ Venha, temos algo para discutir_ Depois disso seguiu caminho e Sakura foi atrás dele junto a Fujitaka.

Quanto mais ela andava por aquela casa mais encantada ficava, seus olhos mais uma vez se perderam por tantas coisas curiosas e grande parte ela nem sabia o que era, Shaoran as vezes a fitava pelo canto do olho e ria da expressão dela. Ela chegou a vê-lo fazendo isso e estranhou, não parecia alguém que sorria facilmente.

Em um corredor de quatro portas ele entrou dos lados do corredor que possuía somente uma, pelo visto era o maior quarto, isso se fosse um. Era um quarto, entretanto ao fundo dele tinha uma espécie de área de escritório, sinceramente era mais um escritório que um quarto, duas estantes enormes preenchiam um lado inteiro e mais comprido do quarto cheias de livros, alguns finos outros mais largos que a mão dela conseguiria agarrar. Uma cama de casal grande ficava perto de uma porta do lado esquerdo supôs que fosse um banheiro. Não possuía muitos quadros nem muitos enfeites como lá fora , era um local um tanto escuro se sentia em um daqueles quartos onde os mafiosos mandavam matar quem quer que fosse. A atrás da mesa tinha uma poltrona preta e alta e a sua frente duas cadeiras bem desenhadas parecendo àquelas indianas. Uma janela enorme tampada por uma cortina escura ficava atrás desses móveis. Era um ambiente assustadoramente elegante e sombrio, os únicos que deviam gostar disso era batman e esse garoto.

Shaoran que já estava sentado na poltrona, na verdade Sakura se segurou para não ir quando viu aquele garoto pequeno quase afundado naquela coisa de couro, e ao seu lado estava Sr. Fujitaka sorrindo simpaticamente como sempre. A única coisa que ela não notou era que o garoto estava mais impaciente e irritado do que antes.

_Será que dá pra você sentar!_bufou ele nervoso, para ela que ainda analisava tudo, o mirou com um olhar irônico e se sentou.

_Pelo visto não é nada culto_ retrucou imitando o murmuro dele de antes, tirou um sorriso de Wang que não conseguiu se conter, mas bastou um olhar zangado daqueles orbes que pareciam mais escuras para o homem fechar o sorriso.

_Bom... Como você já deve saber... _Foi interrompido pela menina que levantava a mão como se estivesse numa sala de aula. _O que é?

_O Sr. Fujitaka vai ficar em pé?_Perguntou ela e logo bateu a mão na cadeira que tinha ao seu lado_ Sente-se aqui!_ Ele continuou com o mesmo sorriso enquanto Li ficava mais estressado.

_Ele não precisa, está acostumado... _Tomou fôlego para voltar ao assunto e continuou_ Como eu ia dizendo...

_Sabe você não devia franzir tanto o rosto desta maneira. _O interrompeu novamente, se inclinou e apoio-se na mesa e levou as mãos à face dele tentando tirar a expressão zangada dele em vão, parecia que a cada menino ele ficava mais estressado.

_ sтª Kinomoto será que pode sentar e me ouvir!_Qualquer um nesse momento se sentiria intimidado, ele gritava com um tom de autoridade bem elevado, se não fosse tão novo deveria causar medo, mas na certa intimidava muitos, só que para menina que estava sempre ouvindo gritos dos outros por ser um tanto lerda, aquilo na verdade era um tanto engraçado "Que garoto estressado" pensou ela. Claro que o sorrisinho que ela soltou não agradou nem um pouco ele, entretanto, queria dar um fim naquele assunto e aproveitou o momento que tinha a atenção dela. _Como sabe temos um contrato á cumprir querendo ou não, só que eu sugiro que tentemos ver por outro lado que não sabe o padrão que é aquela coisa de sentimentalismo e etc. Até porque isso e só no papel mesmo, por isso veremos de uma forma onde somos beneficiados, ou seja, na financeira, afinal é o único beneficio que tem está união...

_Isso não tem sentido, minha família é pobre... Quer dizer não miserável sabe... _

Interrompeu novamente "será que ela não consegue ficar calada?" pensou ele.

_Na realidade vocês só são por causa do seu avô que não quis administra nem pegar o dinheiro que as ações dele gera, mas com esta união seus respectivos vinte por cento se juntaram aos meus, enfim nenhum de nós iremos sair prejudicados totalmente e você vai poder ter acesso á quantia que quiser basta me pedir... Obviamente que tudo se tem limite, mas eu duvido que você consiga pedir um valor tão alto.

Sakura tinha uma noção que querendo ou não essa seria a condição, mas não compreendia a conexão de sua família com essas pessoas.

_Se meu avô não queria que mexêssemos nesse dinheiro, então você não terá problemas porque não pretendo pedir um centavo, acredito que bancando a gente já seja suficiente. _Ele agora a fitava incrédulo, ela estava dizendo que não ia querer o dinheiro só porque o avô dela não tinha liberado para a família "ou ela é burra ou gostava demais do avô fazer isso" pensou ele.

_Se você diz..._disse ele em um tom baixo, enquanto ela levantava a mão novamente "ela vai fazer isso toda vez que for fazer uma pergunta?" se questionou rindo, já não estava tão estressado quanto antes.

_Sim?

_Isso não é ilegal? Sabe... casamento entre menores e...

_Aqui sim, mas esse contrato foi naturalizado na índia se não me engano e muita gente foi subordinada na época para da-lo como válido, por isso esqueça a idéia de uma saída porque não tem._Se aquele quarto era assustador em seu ambiente normal ele se tornava mais ainda naquele silêncio feito, não tinha mais esperança, o jeito era se conformar.

_E como fica a gente? Eu, minha mãe e a vovó?

_Vão morar aqui normalmente...

_Por quê?_Interrompeu ela.

_Se importa em não me interromper, quem te educou?... Isso é requerimento do contrato, já a sua casa... Bom, depois vejo o que fazer com aquela coisa.

_Mas não posso morar aqui é muito longe do meu colégio!

_O motorista que te trouxe aqui está sobe seus serviços, ele vai te levar e trazer.

_Ah eu quase me esqueci... Não é para dar nem emprestar nada para minha avó esta bem?_Falou seriamente, ela tinha certeza que a avó sabia desse contrato e devia tê-lo quebrado justamente para que ela pudesse ter acesso ao dinheiro dessa família.

Sorrio largamente para o pedido da menina, ainda que ela não tivesse pedido ele não daria mesmo dinheiro aquela velha, pelo o que lhe foi informado Sakura e a mãe eram bem controladas, mas Sonomi era um caso serio no ponto de vista econômico do Jovem Mestre.

_Com muito prazer, até porque ela não tem esse direito. _Concluiu ele.

_Ela provavelmente irá dizer que eu mandei te pedir, só que pode ter certeza que é mentira, minha avó e bem esperta Shaoran, ela é pior que adolescente roubando carteiras dos pais._Explicou ela, ele voltou a franzir o cenho... ela chamou ele pelo nome? Ninguém o chamava pelo nome, a não ser seu avô.

_Li.

_O que?

_Não me chame pelo nome, me chame de Li ou Jovem Mestre como os outros._Ela arqueou a sobrancelha confusa " Não vou chamar ninguém de Mestre!".

_Por quê?

_Por que sim! É questão de respeito!

_Desde quando é desrespeito chamar alguém pelo nome?

_Desde que eu não te conheço!_A menina rio dele, ele se estressava por qualquer coisa.

_Prefere ser chamado de Shaoranzinho?

_Você não ousaria_ Agora sim seus olhos queimaram de raiva, enquanto ela se levantava para se retirar.

_Então se contente com shaoran!_E saio da sala, ele e Wang se entreolharam, Fujitaka espantado com o senso de liberdade dela e Shaoran com a irritação por aquela menina abusada.

Essa era um interessante inicio de união de dois mundos completamente diferentes se chocando, mas será que eram tão diferentes assim?

Só que querendo ou não Sakura Kinomoto a partir daquele dia se tornava Sakura Li Kinomoto, não ouve trocas de alianças de beijos ou caricias talvez de ironias e provocações e estava longe de ser um final feliz como ela queria que sua historia encaminhasse, mas era o inicio de uma cheia de mistérios a se descobrir, começando pelos que rondava sua própria família, quem afinal era Masaki Kinomoto, um simples eletricista estava obvio que não era, e por que deixar aquilo para trás?...