Capitulo 3

Era mais do que aceitável que Sakura ainda não se conforma-se com a situação, no entanto, sua mente limitada não conseguia pensar em saída alguma. No mesmo dia lhe deram um quarto no mesmo corredor em que ficava o quarto do jovem Mestre, ela não achou que aquilo fosse necessário, mas falar com os empregados parecia fazer o mesmo efeito de falar com uma porta, enquanto sua mãe e avó ficavam no andar de baixo, a velha ficou furiosa, mas também não teve muita diferença também.

Quando suas coisas foram levadas para cima duas arrumadeiras que pareciam agir da mesma forma disseram estar lá para ajudar a menina, o mais estranho era aquelas garotas de aparentemente uns 20 a 24 anos agirem como se estivessem com medo.

_Onde deseja que eu coloque isso sтª Li_ Disse a arrumadeira morena segurando uma caixa larga e rasa com xícaras pequenas enfileiradas na horizontal. "sтª Li?" isso saiu tão errado quando trocar o nome dela, o corpo da menina chegou a estremecer fazendo a lembrar que de certa forma a emprega estava com a razão do sobrenome.

_Por favor, não me chamem assim_ Ela tomou a coleção de xícaras dela que fitava Sakura confusa. _Me chamem pelo nome está bem? A Propósito qual o nome de vocês?_disse suavemente que sorriram.

_Eu sou Margo..._a loira atrás dela falou timidamente.

_Katarine_ Disse a da frente tocando a mão dela. _Chamaremos você assim, só que o Jovem Mestre não pode saber... _Sakura sempre demorava a recordar quem era o "jovem mestre", não estava acostumada a ouvir esse tipo de titulo.

_Ah Por ele ser grilado com essa distorção de que chamar pelo nome é falta de respeito... _Disse lembrando da conversa no escritório.

_Grilado? Ele é um ditador isso sim_ Falou Katarine com indignação Sakura rio pensando "Que exagero".

_Ele não me parecer ser tão mal assim. _Foi até a cama e pegando as roupas e colocando no guarda-roupa embutido.

_Oh mas, é evidente Katarine os dois estão apaixonados e são casados e...

_Não, não, não vocês estão enganadas não e bem por ai, na verdade eu o conheci ontem e esse casamento e meio que forçado_ Falou a menina tentando explicar a situação em poucas palavras, elas se entreolharam não muito surpresa.

_Eu sabia!_Gritou Katarine rindo_ Eu te disse que ele tinha arrumado treta pra se casar. _Apontou o dedo para a amiga que ria também.

_Ele?_ Questionou ela, as garotas miraram ela com certa pena, ao que parece Sakura era uma boa menina e estava entrando em um ninho de cobras.

_Escuta eu vou te contar isso, mas que fique só entre a gente está bem? Por que se o Jovem Mestre descobre e manda a gente para rua. _Sakura concordou com a cabeça e ouviu todos os relatos que elas tinham ouvido e presenciado.

Pelo que parecia todo mundo naquela casa tinha medo daquele garoto de treze anos, e para muitos tinha um bom motivo. As arrumadeiras contaram que ele vivia demitindo os empregados e se alguém cometesse um só erro além de levar uma bela bronca não interessava o porquê de aquilo ter acontecido seria mandado embora. Não era só com os serviçais e sim basicamente com todo mundo, repetindo o exemplo do Sr. Liang seu avô que era um homem tão assustador quanto o neto. O único na casa que elas contaram que se salvava seria por enquanto o pequeno Lei que parece ser o irmão mais novo de Shaoran, mas que também tinha seus momentos de ataques e somente Shaoran conseguia conter. Ao terminar de arrumar seu quarto as meninas saíram um tanto felizes e ela também, tinha feito amizade já com algumas pessoas da casa, seu martírio não seria tão grande. Mas aquela historia realmente a deixou curioso. Por que somente Shaoran e seu irmão moravam ali? Onde estavam os parentes do retrato da entrada? Pela aparência das pessoas daquela foto pareciam ser uma família bem tradicional, mas essas respostas às empregadas não souberam responder.

Saiu do quarto já com fome o dia anterior ela não havia comido nada a não ser o café da manhã e nem no decorrer do dia de hoje, estava quase na hora do jantar e ela não estava pensando em bons modos quando descer lá para comer.

Andando por aquele corredor sentiu a sensação de estar sendo observada, olhou de um lado para o outro, mas não avistou ninguém. No entanto não estava errada, duas orbes grandes e esverdeadas a fitaram intensamente, curioso, os cabelos escuros sobre o rosto demonstravam timidez, entretanto, a curiosidade de conhecer a nova inquilina era maior, escondido atrás de uma mesinha de decoração e foi procurando que Sakura ouviu os passos firmes de um garoto e seu mordomo ou seja lá qual a função que Wang desempenhava se aproximava. De longe eles avistaram tanto a menina quanto o pequenino agachado atrás da mesinha.

_Lei o que está aprontando?_Perguntou Sharon com a expressão zangada "Será que ele nunca fica calmo" se perguntou Sakura.

_Venha conhecer a sтª Kinomoto Lei_ Chamou o Wang carinhosamente.

Aquela criança em um impulso rápido correu e grudou nas pernas do Jovem Mestre tentando agora esconder o rosto atrás dele. A garota se encanto ao vê-lo, o pequeno parecia um bonequinho de porcelana de tão branquinho possuía algumas sardinhas espalhadas nas bochechas e os olhos tão grandes quanto aos do Shaoran, na verdade era bem parecido com ele tirando algumas características como o nariz e o cabelo, enquanto Jovem mestre tinha os cabelos castanhos escuros em um liso rebelde o Lei era dono de um cabelo bem escuro, preto mais liso que o do irmão.

_Oi_Falou a menina se abaixando para ficar na altura dele, soltou o melhor sorriso que tinha para cativa-lo, mas ele continuou grudado no irmão.

_Você não ouviu ela te cumprimentar?_O tom grosso do Jovem Mestre fez ele apenas fita-lo_ Vamos mostre que tem ao menos um pingo de educação e cumprimente ela!_concluiu puxando o garoto fazendo-o larga de suas pernas, "aquele tom era mesmo necessário?" se perguntou, enquanto via aquela fofura de criança juntar coragem para fita-la diretamente nos olhos prendendo a respiração com os dedinhos se apertando, "meu Deus quanta timidez numa criança só" penso a menina sorrindo.

_Salut!_Disse ele finalmente com toda a força reunida, no entanto, não é como se Sakura tivesse entendido. Shaoran suspirou acenando negativamente com a cabeça.

_Lei diga no nosso idioma. _Falou Fujitaka se agachando ajudando o menino que olhava para o irmão confuso, meio envergonha pensou melhor e por fim tentou de novo.

_Ola?_Saio mais como uma pergunta do que como um cumprimento, mas o Jovem Mestre não iria prolongar essa apresentação discutindo com o pequeno.

_Isso!_Wang voltou a ficar de pé para conversa direito com a menina. _Gostou do vosso quarto sтª Kinomoto?

_Eh... Claro, eu gostei muito. _se levantando também.

_Ótimo!_Falou Shaoran encerrando o assunto_ Lei vai com o Wang, ele vai te dar banho!

Ele assentiu e seguiu Fujiataka, saíram de perto entrando no quarto ao lado do dela onde devia ser o do garotinho. Shaoran e Sakura ficaram no corredor, ele a observava de uma forma intensa e quanto mais a fitava menos entendia a ligação entre as famílias, o que os Kinomotos tinham em comum com os Li? A seu ver nada. A verdade era que Li procurava nela traços comuns em famílias tradicionais que geralmente eram únicos, mas nada na menina o fazia lembrar de algo comum em famílias de status. Então qual a conexão entre seu avô que foi sempre um homem orgulhoso cheio de rigor e uma postura implacável e admirada com eles?

Depois de alguns minutos Sakura foi começando a ficar incomodada com ele a encarando continuamente, tinha algo errado no rosto dela? Só que ele não era o único intrigado com essa ligação, tudo o que viesse á partir de agora sobre seu avô com eles seria novidade. Shaoran não gostava de pessoas que se indagava inferior e Sakura de quem se indagava superior e na medida em que se fitavam um viu o que não gostava no outro, a menina humilde no olhar humilde e ele em um olhar mais superior.

Sakura naquele momento de analise lembrou mais intrigada da conversa com as arrumadeiras, elas falavam de um Jovem Mestre grosso, assustador, malvado, sem qualquer compaixão ou sentimento pelo próximo, no entanto, fitando não parecia passar de um menino.

_Seu irmão é uma graça!_Falou ela tentando quebrar aquela tensão sobre o silêncio incomodo.

Ele não respondeu, arqueou uma das sobrancelhas só que a encarando ainda, não querendo se sentir intimidada o encarou de volta.

_Então shaoran, sabe depois eu gostaria de saber um pouco mais sobre seu avô e... ah também sobre a nossa casa porq...

_Eu não tenho tempo para conversa furada!_interrompeu ele com o tom rude_ Se quer saber de algo ou conversar fale com o Fujitaka ou qualquer idiota que esteja disposto a ouvir._Deu de ombros para a menina_ Eu tenho mais o que fazer..._concluiu sem receio com a braveza de sempre e uma ponta de indiferença no olhar.

Foi nesse momento que Sakura viu o monstrinho do qual as meninas falavam com pavor, entretanto, ela não sentiu medo estranhamente hostilidade não era algo que lhe assustava, mas aquilo á deixou curiosa a fazendo lembrar das coisas que seu amado avô lhe dizia.

Certa vez quando bem pequena tentou levar um gato de rua para casa, só que no pegar ele levou uma mordida e voltou para casa aos prantos. Masaki rindo da neta se aproximou tentando cessar o choro da criança.

"_Vamos pare de chorar, você mais assustou ele do que á você!_ela cerrou as lágrimas na hora confusa e até zangada na mente dela o culpado era o gato._ele a pegou no colo e limpou o rosto dela_ Veja bem Saki alguns animais e mesmo pessoas vêem ameaça até em coisas que para muitos é inofensivos, geralmente meu anjo isso é por que eles passaram por coisas terríveis ao ponto de não confiar em ninguém, quando se chega nisso cada um se defende como pode._Concluiu ele."

Na época ela nem tinha entendido o que aquilo significava, no entanto, era curioso relacionar tal acontecimento com o momento de agora, mas isso a fez soltar uma risadinha.

Shaoran mirou ela novamente que ria moderadamente para si mesma, ela andou passando por ele observando de lado.

_Vou encarar isso como um "a gente conversa mais tarde"? Essa grosseria toda não me intimida_ disse ainda rindo saindo de perto dele sem esperar resposta.

Ele entrou para dentro de seu quarto "Quem essa garota pensa que é?" Se perguntou e vindo uma resposta um tanto irônica na sua mente fazendo o rir "Uma Li".

Parou á frente do retrato do avô que estava em uma postura formal com o olhar sério de sempre. Fazia um ano e alguns meses desde que o acidente aconteceu e o "velho" como o chamava de alguma forma fazia falta. Algumas vezes quando acordava sentia que ia vê-lo no café da manha dando ordens e reclamando de tudo, apesar de sua suposta mãe ainda estar viva e o fato de a família Li fosse bastante grande motivos aceitáveis o fazia sentir-se como um completo órfão. Com a intenção de calar aqueles que o questionavam na empresa pensou que o contrato foi de grande ajuda uma vez que seus 47% se juntariam com os do Kinomoto. Obvio que teve que pagar um preço por isso, agora tinha uma menina sem noção na casa dele e uma velha doida para gastar seu dinheiro, mas seria o tempo dela fazer dezoito anos e já ao seria problema dele, no entanto, se perguntou se seria mesmo um sacrifício? Concluiu que era uma dúvida muito recente para ser saber a resposta.

No jantar ficou calado, enquanto a nova inquilina de roupas simples e jeito modesto falava sem pausas, ele não entendia praticamente nada das coisas que ela dizia, certamente em outra ocasião se intrometeria, mas notou que seu protegido e amado irmão se divertia a cada sílaba por ela pronunciado. Ele mesmo mal acreditava no que via, o pequeno não ficava daquele jeito desde a morte do avô, ela fez em uma hora o que ele tentou em um ano, lógico que Shaoran não era o divertimento em pessoa para alegra o irmão, na verdade não conhecia nenhum tipo de brincadeira ou piadinha, mas estava sempre tentando alegrar Lei.

Depois do jantar voltou ao quarto e se aquietou na poltrona, um tanto aliviado podia se dizer, alguma utilidade àquela menina tinha. Pegou a papelada que estava sobre a mesa colocou o óculos e começou a ler e fazer cálculos. Fujitaka com um sorriso largo no rosto entrou e se aproximou do Jovem Mestre que nem se quer perdeu tempo mirando ele.

_Devia ter visto o Lei, ele já se apegou a sтª Kinomoto e está até agora...

_Eu sei! Eu vi Wang, agora saia e me deixa que eu tenho trabalho para fazer_Interrompeu o homem pegando seu notebook e ligando.

_Sr. está um pouco tarde, você terminou tudo mais cedo! Amanhã ligo para o Sr. Hu e mando ele organizar. _ Shaoran se quer se mexeu, quantas e quantas vezes já tinha ouvido aquilo ou discutido sobre isso.

_Só estou adiantando, vou dormir assim que acabar aqui... _Fez uma pausa esfregando os olhos por debaixo do óculos e concluindo_ Assim quando aquele velho estúpido ver com clareza os números avançarem mais rápido do que a cabeça miúda dele consegue seguir vai parar de me chamar de moleque pelas costas.

_Eu no seu lugar já tinha demitido ele, o não tem tido utilidade nenhuma mesmo!

_Não Wang, eu gosto de obstáculos, quanto mais melhor, de certa forma faz meu sangue chamuscar e querer continuar._Ele já imaginava o sentimento de ver o velho se desculpando implorando que não o mandasse embora._Mas não se preocupe quando ele me entediar eu mesmo ponho ele na rua com o mesmo sorriso sarcástico que ele me olha_ Concluiu voltando a fitar o notebook.

_Sr. tem um assunto que acho importante de ser visado..._A expressão do homem ficou um pouco mais tensa mirando o garoto que nem ligava_ O que pretende fazer quando os Li descobrirem sobre o matrimônio entre você e a sтª Kinomoto?_Essa conversa parecia mesmo séria Shaoran parou na hora o que fez com um ar meio confuso.

_Eu ainda não sei, estou contanto com a sorte para que demorem a descobrir, rezo fortemente para que não saia daqui por enquanto se não você já pode imaginar o que a velha Yang pode querer fazer. _ Fujitaka suspirou fundo não querendo imaginar.

_Jovem Mestre a sтª Kinomoto não agüentaria aquele inferno, precisa dar um jeito de que não exijam a presença dela...

_Não se preocupe com isso até lá eu devo ter pensado em uma saída para Kinomoto._Voltou a mexer no computador, tentando esvaziar a mente.

O homem com a face pálida sorriu de lado e saiu do quarto, voltou à sala e viu a jovem brincando com Lei, ficou muito feliz ao ver essa cena Fujitaka tinha um amor muito grande pelo pequeno maior que o carinho que tinha pelo Jovem Mestre, talvez por causa da frieza dele.

Naquela noite todos dormiram em paz exceto um garoto que digitava e multiplicava quase na velocidade que seus olhos seguiam as margens, sua noite tinha se resumido ao trabalho, trabalhou tanto que nem viu o sono chegar e faze-lo tombar sobre a mesa e os papeis, enquanto a menina dormia feliz e descansada crendo que tinha feito um irmãozinho, louca para brincar com ele no dia seguinte.