Capítulo Quatro
ou
Aquele em que Meena (en)canta na SFA-sei-lá-mais-o-quê
23h22 WET, sexta-feira, 17 de setembro
Sala Precisa
Algum lugar da Escócia (Hogwarts)
— Por favor, Albinho. Me tira pra dançar! — a voz enjoada e irritante da corvinal Madison Corner chegou aos ouvidos de Albus pela quinta vez desde as dez da noite.
Na verdade, Madison não era uma garota feia. Seus cabelos negros como a noite, os olhos levemente puxados como o de sua mãe e o corpo torneado pelo quadribol a tornava uma das garotas mais bonitas de Hogwarts - alguns achavam que ela só perdia para sua prima, Dominique Weasley. Da parte de Albus, ela era só mais uma idiota mimada e cheia de maquiagem no rosto.
— Eu já disse para você não me chamar de Albinho — ele falou, contendo a voz — Esse nome nem existe!
— Maioria dos apelidos não existe.
— Pois é. Mas o meu apelido é Al e eu não aceito mais nenhum outro.
— Nem um apelido carinhoso? — Madison perguntou arranhando o rosto de Albus com suas unhas gigantes pintadas de rosa. O sonserino sentiu-se enjoado.
— Nem um apelido carinhoso — ele afirmou se afastando.
Saiu de perto da garota, indo em direção ao bar no fundo da sala onde Scorpius e Jason estavam sentados, fazendo o que eles chamavam de "Pré-Festa" - simplesmente bebiam a maior quantidade se Firewhisky que um elfo pode servir até a banda subir no palco. Cumprimentando-os com a cabeça, o garoto sentou-se e pediu ao elfo que Scorpius havia contratado para a festa um copo de Firewhisky.
— Ela é grudenta, não é? — Jason perguntou abaixando o copo. Surpreendentemente, sua voz ainda não estava enrolada. Ele pareceu perceber a surpresa de Albus, pois completou maneando a cabeça — É, eu sei. Meu pai chama isso de resistência ao álcool.
— Ah, que bom para você — Albus riu — Sim, nada mais grudento e chato que Madison Corner.
— Você devia agradecer, Potter — Scorpius disse. Ao contrário de Jason, a voz do loiro estava quase incompreensível apesar dele ainda aparentar levemente sóbrio — Poucas são as garotas que conseguem gostar dessa sua cara feia.
O moreno revirou os olhos e rodou seu banco para ficar de frente para o palco. Aqueles pensamentos sobre a tal cantora estavam lhe afligindo mais uma vez. Quase azarou Hugo para tentar descobrir quem ela era e o porquê de ainda não estar se preparando com a banda, mas ele disse que não lhe responderia. Rose e Penélope Longbottom já haviam entrado e o cumprimentado, porem sua prima apenas riu quando ele a repreendeu pelo atraso da tal garota.
Ele estava tendo um sentimento estranho em relação a isso. Não ficava ansioso com freqüência, mas havia algo naquele mistério todo que o intrigava. Albus tinha absoluta certeza de que, de alguma maneira ou em algum momento, havia cruzado com a menina - o que era óbvio, pois, por mais que Hogwarts fosse grande, o corpo discente era limitado demais para qualquer um ser desconhecido.
— Oi, Albinho!
— Madison, eu já disse que-. Ah, oi Domi! — Tudo bem. Albus Potter poderia até parecer inatingível em relação a garotas, mas nem ele poderia evitar sorrir para uma descendente de veela.
— Posso te chamar assim, não é? Vi você reclamando com a Corner sobre isso...
— Não. Ela não pode, mas você...
Ele passou a mão no cabelo, bagunçando-o só um pouco graças ao trato que sua irmã havia dado nele antes da festa. Ao seu lado, Jason deu uma risada pelo nariz e se engasgou com a bebida.
— Ah, oi pra você também, Zabini — falou Dominique, falando com o tom mais azedo do que quando falava com Albus.
Ela voltou a se virar para o primo, mas quando abriu a boca para falar, alguém parou a musica e Rose subiu no palco um pouco desequilibrada. Uma onda de aplausos e assobios vindos de vários garotos encheu o ambiente e Albus viu Dominique rolar os olhos e dar um sorriso irônico.
— Parece que alguém resolveu se divertir — ela comentou baixinho.
— Boa noite, gente — gritou a ruiva com a voz magicamente amplificada — Bem vindosa Super Festa Anual do Super Albus Potter, ou como minha querida amiga, Penélope Longbottom prefere chamar, SFASAP.
Uma roda se abriu no meio da pista de dança e as pessoas puderam ver Penélope totalmente corada quase correndo para o bar.
— Desculpa Penny. Escapou — Rose falou soltando risinhos e mostrando para todos que ela estava no primeiro estágio da bebedeira — Ignorando isso, boa noite e bem vindos. Eu só vim aqui para anunciar que a melhor parte da festa vai começar. Recebam agora o pessoal do The Blondie.
Albus e Dominique se entreolharam em dúvida. Pelo que os dois sabiam, Hugo e os outros só tocavam juntos por conveniência e não formavam banda nenhuma. Independentes disso, os convidados aplaudiram em expectativa enquanto Hugo, Adam, Derek e Sean entravam no palco, pegando seus instrumentos.
Ali, naquele instante, a cantora desconhecida entrou no palco. Ela usava uma bota que vinha até um pouco abaixo de seu joelho que deixava um pouco de uma meia listrada visível. Sua blusa cinza, no estilo moletom, que declarava que o amor era uma droga caia sobre seu short curto e um anel parecendo um arranha-céu negro estava no dedo de sua mão esquerda, enquanto que uma luva com espinhos pratas calçava sua mão direita. Seus olhos eram cobertos por um óculos RayBan enquanto estes pareciam ainda mais encobertos pelos cabelos loiros ondulados, eu brilhavam com vida. Ele nunca havia visto nada mais...Combustível.
A garota fez um sinal para os garotos, que iniciaram a música.
— Aproveitando a deixa, quer dançar comigo? — Dominique não esperou pela resposta, já puxando o sonserino pela mão e se jogando no meio do mar de convidados que se juntou para dançar a música animada que o The Blondie tocava.
Waitin' all night not a call in sight
(Esperando toda noite por um convite a vista)
I got the bait but I got no bite
(Eu tenho a isca, mas não tenho mordida)
Wanna have some fun, wanna have someone
(Quero ter mais diversão, quero ter alguém)
Who can make me feel alright
(Quem possa me fazer sentir bem)
Albus não reconheceu a música e parecia que Dominique também não, já que, diferente da maioria das vezes, ela não estava cantando-a enquanto dançavam. Mas isso pouco importava para ele naquele momento. Seus olhos verdes estavam completamente encantados com a figura loira que estava no palco, cantando a letra numa felicidade quase palpável. Até agora, ele ainda não havia reconhecido a garota, mas tinha absoluta certeza de que não a tinha visto em nenhum lugar em Hogwarts, o que o fez supor por alguns instantes que ela talvez não fosse uma aluna da escola.
I'm lookin at you, you're lookin' at me too
(Eu estou te olhando, você está me olhando também)
Yeah you know what I wanna do
(Sim, você sabe o que eu quero fazer)
But your girlfriend wants the night to end
(Mas sua namorada quer que a noite termine)
Baby, tell me somethin' new!
(Baby, me diga alguma coisa nova!)
It's too bad about your girl
(É uma pena sobre sua garota)
She doesn't look like she's much fun
(Ela não me parece ser muito divertida)
It's too bad you got a date tonight
(É uma pena que você tenha um encontro esta noite)
'Cause you're lookin' like you're the one
(Porque você estava me parecendo como se você fosse o cara)
No momento em que a garota cantou aquela parte, ela pareceu estar olhando diretamente para Albus, cantando aquilo para ele - o que poderia ser verdade, já que Dominique, ao notar que o garoto nem ao menos desgrudava os olhos da cantora, mostrava cada vez mais o lado ruim de seu sangue de veela, aparentando mais um monstro do que uma bela garota.
She left but now she's back, stickin' out her rack
(Ela saiu, mas agora está de volta, fincando sua tortura)
She's got you runnin' down the wrong track
(Ela te mantém na exaustão, uma trilha errada)
Can't wait to see her face when I'm in her place
(Mal posso esperar pra ver sua cara quando eu estiver em seu lugar)
And I'm tryin' get you in the sack
(E eu estou tentando te agarrar no saco)
Exceto pela última parte do trecho, ela estava descrevendo totalmente a situação com Dominique naquele instante. A todo o momento, a garota virava Albus de costa para o palco, puxando-o para ela e fazendo com que seus corpos ficassem quase colados. Já ele, é claro, como todo bom sonserino, fazia-a girar tão rápido que, mal a garota piscava, ela ficava de costas para o palco enquanto ele podia observar o desempenho da banda mais uma vez - truque que ele nunca admitiria a ninguém que aprendera com Scorpius, que sempre estava com uma garota enquanto observava outra.
It's too bad about your girl
(É uma pena sobre sua garota)
She doesn't look like she's much fun
(Ela não me parece ser muito divertida)
It's too bad you got a date tonight
(É uma pena que você tenha um encontro esta noite)
'Cause you're lookin' like you're the one
(Porque você estava me parecendo como se você fosse o cara)
Tell her to leave
(Diga a ela para ir embora)
Soon it'll be too late
(Daqui a pouco vai ser tarde demais)
It's like New Year's Eve
(Isto é como a noite de Ano Novo)
'Cause I just can't wait
(Porque eu não consigo esperar)
Too bad
(É uma pena)
(You got a date tonight!)
(Você ter um encontro esta noite!)
Too bad about your girl
(É uma pena sobre sua garota)
Yeah, it's too bad
(Sim, isso é uma pena)
(You got a date tonight!)
(Você ter um encontro esta noite!)
Too bad about your girl
(É uma pena sobre sua garota)
Yeah!
Para completar o encanto do garoto, ela havia convencido Adam e Sean a fazerem o coro para ela - uma coisa que ela pensava ser impossível de se fazer, já que nenhum dos dois eram cantores.
Naquela parte da música, estava sendo quase impossível dançar com Dominique. Ela pisava inúmeras vezes no pé de Albus para chamar a sua atenção além de dar semi-gritos histéricos todas as vezes que ele a ignorava, assustando as pessoas que estavam dançando ao redor dos dois. Não que ele se importasse, já que mal estava ouvindo alguma coisa afora a voz da outra loira.
If you were smart, you'd send her home on BART
(Se você for esperto, você mandará ela pra
casa por um BART)
Before the real trouble starts
(Antes dos reais problemas começarem)
'Cause who's she gonna slap when she sees me in your lap
(Porque é ela que vai bater quando me ver no seu colo)
And you say you had a change of heart
(E você disse que você teve uma mudança de coração)
I gotta make you mine but we're runnin outta time
(Eu tenho que ter você pra mim e nosso tempo está acabando)
But she's got you guarded like the Guggenheim
(Mas ela mantém você protegido como os Guggenheim)
It's all that I can take, let's make a jailbreak
(Isso é tudo que eu posso fazer, vamos fugir da prisão)
Or we'll be doin' time in Anaheim!
(Ou nós vamos ficar presos em Anaheim!)
Graças a Merlin, sua prima havia parado de encará-lo; o problema era que, agora, a função de Albus passou a ser o de segurar Dominique para que ela não pulasse em cima do palco e esganasse a cantora - pelo olhar que ela carregava, talvez ela fizesse pior. A loira no palco, por sua vez, parecia se divertir observando-os de lá, sorrindo de maneira debochada, provocando a meia-veela.
O garoto teria o maior prazer de seguir o aviso quase claro que ela estava dando, mas, no momento, ele estava mais ocupado tentando evitar que um homicídio ocorresse em sua festa.
It's too bad about your girl
(É uma pena sobre sua garota)
She doesn't look like she's much fun
(Ela não me parece ser muito divertida)
It's too bad you got a date tonight
(É uma pena que você tenha um encontro esta noite)
'Cause you're lookin' like you're the one
(Porque você estava me parecendo como se você fosse o cara)
Ela finalizou a música e Dominique soltou-se bruscamente do primo, dando gritinhos enquanto seguia para a porta, chamando a atenção de todas as pessoas por quem passava.
Albus olhou mais uma vez para o palco, mas a banda já estava começando outra música. A garota não olhou mais em sua direção e ele voltou frustrado ao bar, onde Jason estava sentado com uma garota - Penélope Longbottom, ele logo a reconheceu.
— E aí, cara? Como é que foi com a Domi? — o sonserino perguntou, virando-se para o outro. Albus percebeu a careta que se formou no rosto da filha do diretor quando Jason mencionou Dominique.
— Não tão bem assim.
— É, eu vi daqui.
— Então porque perguntou? — Albus retrucou aborrecido - tanto pela rejeição da cantora quanto pela irritação com Dominique.
— Hey! Vai com calma — Penélope riu, levantando as mãos em direção ao garoto — Ficou assim só porque a Meen nem olhou mais pra você, foi?
— Meen? Esse é o nome dela?
— Nossa! Nem precisei utilizar minhas táticas de interrogatório — comentou a morena erguendo suas sobrancelhas, admirada.
— E quais seriam elas? Um dia você pode me mostrar? — Jason flertou e sorriu maliciosamente para a menina. Albus sentiu-se enjoado.
— Jay, se liga! Ela é a filha do diretor — ele falou, pensando na cara feia que Neville Longbottom faria se visse "sua garotinha" - como ele a chamava em público - conversando com o sonserino Jason Zabini.
— Com licença, Potter, mas eu tenho nome. Se você não souber, eu me apresento: Penélope Longbottom — falou ela lentamente, como se o sonserino tivesse algum tipo de problema mental.
Ela estendeu a mão e Albus resolveu entrar na brincadeira, cumprimentando-a como se não a conhecesse desde pequeno.
— Prazer. Albus Potter.
— Prazer é só para os íntimos, meu caro. Alguns diriam até que seria na cama, mas sou educada demais para isso — Penélope disse polidamente, fazendo duas pessoas ao lado deles explodirem em risadas escandalosas.
O garoto olhou para o casal que estava sentado a dois bancos de Jason no bar e percebeu que aqueles dois em Scorpius e Rose. Ah, não!
— Essa foi boa, Penny.
— Boa? Nem pra - irc– elogiar alguém você -irc– presta, Weasley — Scorpius falou, sendo interrompido a todo instante por um soluço. Uma pessoa que não pudesse vê-lo acharia que, naquele instante, ele estaria a metros de distância de Rose e não com ela em seu colo pelo tom que ele usou — Tomou uma tirada de uma - irc–lufana, Potter. Irc!
— Lufanas com orgulho, eba! — Rose gritou antes de explodir em risadas mais uma vez — Espero que aprecie seu presente de aniversário adiantado, Jay. Uma garota dessas, só a Rosie aqui para encontrar em Hogwarts.
Penélope corou mais uma vez pela vergonha causada pela amiga bêbada, mas Jason olhou-a com uma intensidade que fez Albus olhar para longe.
— Vão pra um - irc– QUARTO!
— Cale a boca, Malfoy!
Rolando os olhos, o loiro voltou a cochichar no ouvido de Rose - fazendo Albus passar mal pela terceira vez naquela noite. Ele sentou-se num banco e pediu um Firewhisky. Ao seu lado, Penélope e Jason saíram para dançar e só voltaram muito tempo depois, quando a banda terminou a apresentação.
A garota ficou subitamente animada e puxou Rose do colo de Scorpius. As duas ficaram de pé por um tempo, Penélope tagarelando com Rose enquanto esta parecia se esforçar para entender as palavras rápidas da amiga. Então o que elas estavam esperando pereceu finalmente acontecer. Um caminho se abriu entre os convidados a partir da lateral do palco e Albus finalmente viu de perto o que queria ver: a cantora, Meen, pelo que a filha do- Penélopehavia dito.
— Ah! Meena! — a morena gritou, jogando-se para abraçar a recém-chegada — Você foi ótima, o look ficou incrível! Eu mal te reconheci!
Agora Albus entendeu o porquê de ter achado que nunca a tinha visto antes. Talvez ela seja aquele tipo de garota que é irreconhecível fora da escola, ele pensou, observando-a de cima a baixo.
— Obrigada, Penny — ela agradeceu de uma forma um tanto... Seca? — Rose, nós temos que ter um papo de garota mais tarde. Você vai adorar saber o que eu vi de lá de cima.
— Mas é óbvio. E eu tenho que fazer uma revelação imperdível pra vocês duas mais tarde — a ruiva pareceu pensar e então sorriu feliz — Melhor ainda; porque eu não faço isso agora? Então todos vão saber que eu estou apaixonada pelo-.
— Calada, ruivona. Acho melhor você não fazer revelação nenhuma agora, se não os garotos vão ficar com ciúmes — Meena interrompeu Rose, provavelmente prevendo o desastre que seria quando ela soubesse o que havia falado quando estivesse sóbria — A propósito, você viu o aniversariante? Não o achei em lugar nenhum lá de cima, mas acho que foram os óculos.
Juntando todo sua arrogância e orgulho sonserinos, Albus saiu de seu transe e se pronunciou:
— Sou eu.
Não podia ver pelos óculos escuros, mas pelo arqueamento das sobrancelhas, ele achou que ela estava de olhos arregalados.
— Você? — perguntou num tom descrente, mas logo se recompôs — Oh, sim. Agora eu o reconheço. Não devia tentar domar a fera que é o seu cabelo, Potter. Pode fazer todas nós cometermos um erro.
Albus franziu o cenho em confusão, mas parece que Scorpius entendeu, pois caiu na gargalhada. Ele e Jason se entreolharam.
— Deve ser aquele tipo de coisa que só bêbado entende — o outro sentenciou, dando de ombros.
— Bem, já que você me conhece e eu não te conheço, poderia se apresentar? — ele pediu, tentando manter algum tipo de conversa.
— Era de se esperar — ela comentou antes de se aproximar e retirar os óculos, revelando seus olhos amarelos-ouro — Meena Harper, não ao seu dispor, felizmente.
00h43 WET, sábado, 18 de setembro
Sala Precisa
Algum lugar da Escócia (Hogwarts)
— Meena Harper, não ao seu dispor, felizmente.
Assim que ela falou, Scorpius Malfoy, que estava tomando mais um gole do seu Firewhisky - o que Meena achava não aconselhável, considerando o seu atual estado -, cuspiu-o todo aos pés de Jason Zabini, que, assim como o Potter, abriu sua boca quase até o chão, tamanha havia sido a surpresa.
Ora, mas quem não se surpreenderia, ela pensou e deu um sorriso petulante para si mesma, fazendo com que a boca dos garotos se abrisse um pouco mais.
— Feche a boca, Al. A sssaliva vai essscorrer — Rose falou, começando a puxar o "s" das palavras, fazendo a loira quase rir do quão engraçada sua amiga sempre ficava quando bêbada - ainda mais alguém como Rose, que quase dava perda total com cinco copos de Vodka diluída em suco de laranja.
O único problema era que a ruiva não havia entendido que o porquê da surpresa dos garotos havia sido o nome de Meena, que era mais conhecida na escola como...
— A Garota Você-Vai-Morrer? — perguntou Jason, que se recuperou do choque antes de Albus. O último só conseguiu refazer sua pose quando a loira balançou a cabeça, confirmando — Nossa! Como o mundo é pequeno, não é mesmo?
— Hey, Jason. Não chame ela assim, okay? — pediu Penélope, a voz levemente magoada por conta do garoto que ela tanto gostava — Ela também é gente.
A face do garoto ficou num tom vermelho-escuro e Roso soltou uma risada esganiçada.
— Já pode me ver morrendo, Meen; Jason Zabini corou em público pela primeira vez.
Meena revirou os olhos para a amiga e se virou para o Potter mais uma vez. Ela não podia acreditar que o garoto que observava do palco era ele. Por Merlin, ela ficou até feliz de fazer charme para ele de lá de cima, por ter achado mais um garoto dentro daquela escola que a achasse bonita - o fato de ter irritado Dominique Weasley havia sido mais um bônus, na opinião dela, que havia prendido o riso quando viu a vadiazinha fazendo um escândalo no meio da festa. Tudo bem, ela seria doida se não admitisse, ao menos para si, que Albus Severus Potter não era bonito - e, por uma obra infeliz do destino, ser o tipo de garoto que ela gostasse. Mas deveria superar aquilo e ser o quão educada a vida lhe permitia naquele momento.
— Feliz aniversário, idiota; que Merlin me dê a dádiva de ver você em minhas visões. Toma o seu presente, e eu estou vazando. Tenho mais o que fazer — ela finalizou, a voz monótona durante toda sentença, deixando os três sóbrios e os dois bêbados boquiabertos com o seu comportamento.
Um elfo ia passando com uma bandeja de Cerveja Amanteigada e Meena pegou uma para si. Entornou-a rapidamente, colocando a caneca sobre o balcão e saiu da Sala Precisa como se nem lá tivesse um dia pisado.
01h11 WET, sábado, 18 de setembro
Planície da Sibéria
Rússia (próximo ao Rio Ob)
O adolescente de dezessete anos aparatou em meio a altos pinheiros, vegetação predominante do território russo. Ele sabia que estava terrivelmente atrasado, mas toda a espera para poder sair da maldita festa de aniversário do Potter e o longo caminho até chegar a Hogsmead tomava o tempo de qualquer um - mesmo que este fosse o neto de Tom Riddle.
No fim das contas, ele não tinha culpa de nada. William havia exigido que o filho seguisse todos os passos daquela garota, a todo instante sem perdê-la de vista e era exatamente aquilo que seu filho estava fazendo. Mal sabia seu pai que ele estava tendo um imenso prazer de "persegui-la", afinal, Meena era realmente um colírio para os olhos e, para os planos que ele tinha para os dois, o seu poder vinha apenas como uma bonificação. Ao pensar no dom da garota, ele acelerou seu passo; precisava conversar com seu pai o mais rápido o possível, pois havia conseguido provas óbvias e claras dos poderes de Meena, afinal.
— Está atrasado — a voz de seu pai soava gélida mesmo pela ofidioglossia. Ao longe, ele ouviu o uivo dos lobisomens que estavam na floresta naquele primeiro dia de lua cheia.
— Perdão, mas ela saiu da festa há poucos minutos — ele respondeu na mesma língua — Até porque, eu deveria segui-la a todo instante.
— Claro, claro. Porque não me acompanha numa caçada nesta primeira noite de lua cheia? Soube que já fez uso de sua primeira Maldição Imperdoável — um sorriso idêntico recheado de malícia tomou conta do rosto de ambos. Porem, o pai completou — Mas, como sempre digo, não considero a maldição Cruciatus tão ruim assim.
O sorriso se apagou do rosto do mais novo e ele olhou seu pai, uma nevoa vermelha escurecendo sua íris clara. William estava olhando ao redor e perdeu o olhar assassino do filho.
— Você teme a morte assim como meu avô, não é, pai? Aprecia a morte dos outros, mas teme a sua.
Na opinião dele, seu pai só não fazia horcuxes porque sua mãe nunca o permitiria chegar tão longe. Ele sabia que a maior fraqueza de William era o amor por sua mãe - o que ele intimamente achava um erro.
— E você é exatamente como sua avó: aprecia a dor, tanto a sua quanto a dos outros. Pelo menos podemos dizer que temos a quem puxar — comentou o pai, ainda sem perceber que a névoa que havia tomado os orbes do filho estava se solidificado, fazendo o olho do mais novo ter a cor carmesim — De qualquer forma, ainda tenho que ver como você se sai usando uma maldição da morte. E hoje é o dia perfeito para acabarmos com uma boa parcela da escória bruxa.
A expressão do garoto ficou exultante com a perspectiva de matar alguns lobisomens - principalmente os russos na primeira noite de lua cheia, quando essas criaturas naturalmente brutas ficavam ainda pior. Por ser uma área praticamente sem moradores e pelo clima frio, os lobisomens daquele país se concentravam naquela mesma floresta para suas transformações. Ele sorriu com o pensamento de uma matilha ser morta por sua varinha.
— Como vão as coisas no Ministério?
— Boas. Ou melhor, ótimas — o homem pareceu orgulhoso de si mesmo naquele momento — Posso apenas dizer que meu pai não sabia como organizar as coisas já que nem o experiente ministro Quim Shacklebolt está desconfiando de mim.
— Não se esqueça que graças a Dumbledore, vovô havia perdido o elemento surpresa. Todos já estavam com as guardas levantadas, prevenidos contra uma posse.
— Pensando assim — William falou, maneando a cabeça — Ainda assim, acho que os planos para o 4 de maio estão indo de vento em polpa. E se nossas apostas sobre a sua amiguinha Harper forem corretas...
Ele riu na esperança do que poderia acontecer. Uma risada fria, que parecia não possuir diversão.
Depois de pouco tempo andando, pai e filho chegaram até uma clareira onde duas daquelas criaturas vis travavam uma briga sangrenta - provavelmente pelo azar de terem se encontrado naquela primeira transformação.
— A propósito, hoje essa nossa teoria foi posta a prova — ele parou ao lado de seu pai — E posso dizer que Meena Harper passou com méritos. Não foi dessa vez que o velho Slughorn foi ter um encontro com Merlin.
— Oh, não fale assim, filho. Ele já ajudou muito seu avô no passado.
— Sem ter a verdadeira intenção — o adolescente rolou os olhos, irritado, mas seu pai não viu mais uma vez.
— Independente disso, vamos voltar a nossa atenção para a nossa caçada. Esse será só um teste, portanto devemos esperar um deles acabar com o outro e então veremos como você se sai. Empunhe a varinha e espere.
Ele sacou sua varinha e não precisou esperar muito. O lobo mais alto deu a mordida mortal no outro, arrancando-lhe a cabeça. Sedento por mais sangue, ele farejou o ar e rapidamente virou-se para os dois homens. William desaparatou e reapareceu do outro lado da clareira, mas o lobisomem nem ao menos se importou com isso. Calmamente, o filho apontou-lhe a varinha e, quando estavam a dois metros de distância, ele murmurou friamente:
— Avada Kedavra.
O corpo da criatura caiu aos seus pés e seu pai aplaudiu do outro lado da clareira. Mas o que William não havia notado mais uma vez foi que a névoa rubra nos olhos de seu filho haviam se solidificado no momento em que ele pronunciou a maldição, deixando os belos olhos do garoto semelhantes aos de um demônio.
N/A: Traduzindo: BART - transporte publico da Califórnia; Guggenheim - família famosa americana; Anaheim - cidade onde fica a Disney californiana.
Podem me bater pela parte minuscula da Meena, mas eu não queria deixa-la de fora do capitulo; sobre o assassinato dos lobisomens, eu tive que faze-lo :'( A musica se chama Too Bad About Your Girl e é de uma banda chamada The Donnas - nunca tinha ouvido falar até começar a pesquisar alguma musica que se encaixasse com a situação que a minha mente doentia criou.
Beijos e até o próximo!
