Espero que estejam a gostar até agora!
Se tiverem algumas sugestões para fazer, do que gostavam de ver acontecer ou algo do género, podem fazê-lo!
Nota: Volto a dizer que a saga da Stephenie Meyer não me pertence e não pretendo lucrar nada com isto.
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SUNSET - PÔR DO SOL
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Capítulo III: O Último Dia
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Enquanto caminhávamos de volta à minha pequena casa, Renesmee saltitava ao meu lado enquanto Bella e eu mantínhamos uma conversa trivial. Ela abriu a mala do carro, tirou de lá uma pequena mochila e entregou-ma. Deu-me um último abraço, beijou a filha no rosto e partiu no seu carro cintilante. Quando desapareceu na estrada, Nessie trocou um olhar comigo e ambos sorrimos de contentamento.
- Vamos passear? – perguntou-me ela, com os olhos brilhantes.
- Não podemos, querida. – respondi-lhe. Ela pareceu desapontada. – Temos de ficar aqui com o Billy. Ele já deve ter acordado. Não te importas pois não?
Ela tocou-me no braço a dizer-me que não. Depois, dei-lhe a mão e entrámos em casa. Rachel já tinha saído. Fomos até ao quarto de Billy. Ele continuava deitado na cama a olhar para o tecto, da mesma forma que eu o deixara há duas horas atrás. Nessie beijou-lhe a testa.
- Olá nora! – cumprimentou o meu pai, com um sorriso esforçado no rosto.
- Olá sogro! – usavam sempre este cumprimento e mesmo assim ela não resistia a rir às gargalhadas. Cada vez que ela ria, Billy parecia mais contente. Nessie contagiava sempre toda a gente à sua volta.
- Nessie, vai ver televisão ou brincar lá para fora.
A menina obedeceu, hesitando à porta, e eu fiquei a olhar, intrigado, para o meu pai. Quando ela cá estava, Billy adorava estar perto dela. Arqueei as sobrancelhas.
- O que se passa, Jake? Ela vai-se embora, não vai?
Fiquei admirado. Como é que o meu pai sabia?
- Vai. Como é que sabes?
- Pela tua cara, pela forma relutante dela quando saiu. Nenhum de vocês quer perder um único minuto com o outro. Ela só pode estar de partida.
Não respondi, limitando-me a fitá-lo. Uma lágrima escapou-se-lhe dos olhos castanhos.
- Então pai? O que foi?
- Oh, Jake… - o meu pai soluçava, engasgando-se com as próprias lágrimas. Ajudei-o a virar-se de lado, e ele gemeu de dor. – Desculpa filho…
- Desculpar o quê, pai? – murmurei.
- A culpa é minha de tu não a poderes ver. Eu vejo o teu sofrimento meu filho, e culpo-me todos os dias por isso. Eu não devia continuar a viver…
- Pai! – interrompi-o. – Não digas uma coisa dessas! Eu estou aqui porque quero, porque quero tratar de ti…
- Não, Jake. Tu estás aqui porque te sentes na obrigação. Qualquer bom filho como tu faria o mesmo, mas qualquer pai não deveria permitir que um filho desperdiçasse a sua juventude assim. Tu e a Rachel sempre podiam revezar-se ou contratar uma enfermeira, ou…
- Pai! Tu sabes que eu não vou fazer isso à Rach. Ela tem a sua própria família. E também não vou contratar uma desconhecida para passar o dia todo aqui. Não te sintas culpado.
- Mas a verdade é que sinto Jacob, e nada poderá mudar isso. Mas vai ter com ela, não percas mais o teu tempo.
Ia a abrir a boca para protestar mas ele silenciou-me. Afaguei-lhe o rosto cansado, dei-lhe um beijo, e saí do pequeno quarto. Nessie brincava nas traseiras da casa com as folhas secas de Outono.
- Então Ness, o que é que vamos fazer hoje?
Nessie sorriu para mim.
- Não podemos é sair de casa, querida…
O sorriso esmoreceu um bocadinho.
- Não faz mal… - disse ela. – Podemos jogar um jogo…
Concordei com ela, um pouco contrafeito. Os jogos que ela gostava de jogar eram daqueles com perguntas de cultura geral que nada tinham de "geral". Quase que eram um questionário sobre um doutoramento numa ciência esquisita qualquer. Eram umas pequenas cartas que Edward lhe tinha feito porque os jogos no mercado eram demasiado infantis para a mente daquela gente. Eu perdia sempre.
Enquanto jogávamos, eu fazia o almoço. Ela tagarelava sem parar, às vezes esquecendo-se do jogo. Outras vezes estava tão concentrada que parecia uma prova oral de universidade. Quando estava tudo pronto, fomos dar o almoço a Billy e depois comemos nós na pequena mesa da cozinha.
- Gosto muito dos teus cozinhados, Jake. – disse-me ela, sorridente. Eu sabia que ela preferia mil vezes beber sangue do que comer comida, mas gostava de me agradar.
- Não gostas nada rapariga, tu gostas é de ser uma sanguessuga!
Com ela, esta palavra era fruto de risota. Se estivéssemos em frente a Bella, ela começaria a ralhar-me por usar esses termos sobre a "espécie" dela, ou a menina podia ficar traumatizada. Nessie tinha um sentido de humor fantástico que Bella não entendia.
Passámos o resto do dia a fazer as mais diversas actividades. Limpei as folhas secas do jardim, enquanto ela desfazia os meus montes perfeitos, saltando efusivamente. Arrumei a cozinha, enquanto ela me ajudava a limpar a loiça, limpei o pó enquanto ela via televisão. Estar com Nessie não me impedia de fazer tarefas domésticas nem de quebrar a minha rotina diária. Ela não era uma menina que exigia atenção como uma criança humana de dez anos; era uma adulta presa naquele corpo infantil. Além disso, a verdade é que precisavamos de nos manter ocupados com alguma coisa naquela casa, caso contrário a realidade abater-se ia de forma desastrosa sobre nós.
Depois do jantar, enquanto ela me ajudava a guardar a loiça nos armários, as suas conversas sempre alegres e entusiastas começaram a perder o ânimo. Notei principalmente esta diferença quando ao jantar estávamos silenciosos a olhar para a nossa comida intacta. Depois de tudo limpo, agarrei em Nessie ao colo e levei-a para o meu quarto, onde ela costumava dormir sempre que lá ficava. Por ser muito pequeno, colocava um colchão no chão para podermos dormir os dois juntos. A minha cama sempre fora demasiado pequena até para mim.
Como sempre fazia, deixei Nessie no quarto sozinha para vestir o pijama e preparar-se para dormir enquanto ia ajudar o meu pai a arranjar-se também ele para dormir.
- Aproveita todos os segundos que tiveres com ela, Jake. – disse-me o meu pai quando eu estava a sair. Sorri tristemente.
- Não te preocupes. – e saí daquele quarto minúsculo, dirigindo-me ao meu, onde ela me aguardava.
Quando cheguei, a menina já estava deitada no colchão, enroscada nos lençóis. Apenas via a sua cabeleira dourada a contrastar com o branco dos lençóis da cama improvisada. Vesti igualmente o meu pijama e deitei-me a seu lado
- Nessie, já estás a dormir? – perguntei eu, ansioso. Não queria que ela adormecesse já.
Ela não respondeu. Conclui que talvez ela estivesse mesmo a dormir, mas a sua respiração acelerada não condizia em nada com o que ela me queria mostrar.
- O que é que se passa meu amor?
Passados uns segundos, a menina voltou o seu rosto para mim. Fiquei chocado quando vi o seu rosto angelical vermelho e grossas lágrimas a escorrerem-lhe dos olhos castanhos. O seu lábio tremia e soluçava vigorosamente. Abracei-a até ela se acalmar, preocupado e extremamente inquieto.
- Jake… - balbuciou ela contra o meu peito. Afastei a sua cabeça do meu corpo para lhe poder ver o rosto. Olhava fixamente os meus olhos, desejando dizer alguma coisa. Levantou a sua pequena mão e pousou-a na minha face. Fiquei aterrorizado com o que me mostrou.
Conversas interminveis com Bella e com Edward, em que ela chorava e discutia, noites em claro que passara sem dormir. Conversas persuasoras com Rosalie, Esme e Carlisle. A dor dentro do seu peito, a saudade ainda antes da separação. Os dias felizes que passara comigo, aquele dia que havia passado que ela sentira que seria o último. E, por fim, o grande amor que sentia por mim. Não era o amor de uma criança a um pai ou a um familiar. Era mais forte, mais ardente. Não era um amor físico, mas era igualmente apaixonado e irresistível. Fiquei surpreendido por ela me amar tanto como eu a amava a ela. Nunca me tinha mostrado aquilo durante aqueles três anos.
- Oh Nessie… - consegui balbuciar passados uns segundos. – Eu também te amo. Mais do que tu possas imaginar.
As lágrimas recomeçaram a escorrer-lhe pelo rosto abaixo.
- Mas vamo-nos separar outra vez!
- Ouve, querida. – agarrei-lhe no rosto perfeito com as minhas mãos, para ela me olhar nos olhos. – Nós nunca nos iremos separar, porque o nosso amor é mais forte do que isso. Tu vais viver para outro sítio, e eu não vou sair daqui. Podes vir sempre que quiseres, podes telefonar-me sempre que quiseres… - dizia palavras que não sentia, pois, tal como ela, achava que aquela seria uma separação irremediável. Mas não queria que o meu amor se sentisse também assim, desesperado, ansioso, torturado. Queria que ela visse isto como uma coisa não tão negativa.
- Jacob, tu sabes que isso não é bem assim…
- É claro que é assim, meu amor. Eu amo-te mais que tudo neste mundo. Eu continuo a viver porque tu existes. Eu vou telefonar-te todos os dias, vou mandar-te prendas, vou tentar ir visitar-te uma ou duas vezes. Não é o fim do mundo. Se o Billy ficar melhor, posso ir ter contigo mais vezes, querida. Não, não chores outra vez. – ela recomeçara naquele pranto inconsolável. – Oh, Nessie, não chores…
Um aperto esmagou-me a garganta. Não, eu não podia chorar em frente a ela. Não faria isso à pessoa que mais estimava no mundo. Limpei as lágrimas do seu rosto com a minha mão e a menina agarrou-se a ela com uma força sobrenatural. Eu ia abrir a boca para falar, quando ela me silenciou com o seu olhar penetrante.
- Não digas mais nada, Jake. – pediu-me ela, fervorosamente. Depois, disse as palavras das quais me lembro mais nitidamente. Talvez por raramente as dizer em voz alta, aquelas palavras fizeram-me continuar a agarrar-me à vida. Aquela simples frase que preencheu o meu coração. – Lembra-te apenas que eu te amo. Mais do que tudo neste mundo.
Dito isto, ficámos a olhar um para o outro até ela adormecer nos meus braços. Vi todos os sonhos que teve nessa noite, ficando a absorver tudo aquilo como se o mundo fosse acabar no dia seguinte. De certa forma não deixava de ser verdade. O meu mundo iria, certamente, desmoronar-se no dia seguinte.
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Continua...
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Gostava de agradecer a Neffer-Tari pelo incentivo, por isso, obrigada :)
Continuem as leituras!
