Acho que devemos estar aproximadamente a meio da história, a partir daqui é que as coisas vão começar a ficar interessantes.
Contem-me o que acham!
Nota: Digo outra vez que a saga da Stephenie Meyer não me pertence, apenas procuro divertir-me.
SUNSET - PÔR DO SOL
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Capítulo V: Presente
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- Jake!
Alguém me chamava ao longe. Eu ainda fitava o mar imenso à minha frente, sentado naqueles troncos da praia. Não me virei.
- Jake! – voltou a mesma voz feminina a chamar. Estava cada vez mais perto. – Estás a ouvir-me, Jacob?
Reconheci a voz. Não me dei ao trabalho de confirmar quem era. Sentou-se ao meu lado, ofegante da caminhada, deixando Sarah e Cynthia correrem para a beira-mar.
- Está tudo bem? – perguntou-me ela com uma expressão preocupada.
- Sim, Rach, está tudo bem. Porque é que não haveria de estar?
- Não me respondias…
A minha irmã às vezes conseguia ser irritante.
- Se não tiveres nada de importante para me dizer podes ir-te embora. – retorqui friamente. Rachel olhou-me, chocada, com o lábio a tremer. Arrependi-me de imediato do que dissera. – Desculpa, estou só um bocado irritado…
- Estás sempre irritado! Estás sempre frustrado! Cada vez que alguém tenta falar contigo é isto! Estou farta, Jake, farta! Eu faço tudo por ti e tu não tens a mínima decência em tratar-me bem! As tuas sobrinhas já nem quase sabem que és tio delas! – a minha irmã quase gritava. Devia sentir-me mal ou arrependido, mas aquele buraco que não sarava no meu peito, impedia-me de não ter qualquer sentimento além da dor profunda provocada pelas saudades.
- Rachel, desculpa, a sério… tinhas alguma coisa para me dizer…? – tentei ser simpático. A minha irmã pareceu esquecer-se da minha atitude anterior.
- Sim, tenho duas. Muito importantes…
- Ai sim?... – tentei parecer interessado. Era frustrante ter de manter uma conversa normal. Cada vez que falava com alguém desejava que outra pessoa estivesse no seu lugar…
- Sim. Estou grávida, Jake! – anunciou a minha irmã, com um sorriso de orelha a orelha no rosto. O que me deveria fazer feliz, foi como um tiro no meu peito ferido. Todos avançavam na sua vida, todos cumpriam os seus objectivos, todos eram felizes…
- Parabéns. – respondi passados uns segundos. Tentei parecer engraçado e descontraído. – Tens de pensar em parar de ter filhos! Por este andar quando chegares aos quarenta tens duas equipas de futebol…
A minha irmã deve ter notado o meu esforço, mas fingiu que não tinha percebido, soltando um riso abafado.
- Não era só isso que tinha para te dizer… - continuou ela passados uns minutos de silêncio.
- Então? – começava a ficar já exasperado. Dois minutos de socialização normal conseguiam ser extremamente frustrantes.
- Têm estado a ligar lá para casa sem parar, Jake…
- Qual casa? Quem? – o meu coração disparou de repente. Seria…? Não, não podia dar-me esperanças. Tornaria a realidade muito mais cruel. Nessie no dia anterior contara-me que brevemente me daria a data do seu regresso pois planeavam uma breve visita a Forks para reverem Charlie, passados estes três anos. Seriam muito discretos, mas o suficiente para eu poder vê-la novamente. Por esta altura, a minha menina aparentaria ter cerca de 17 anos. A minha irmã sorriu docemente, atirando a sua cabeleira negra para trás.
- Para a tua casa, para a minha… é ela Jacob. A Nessie não pára de ligar. Vi-me forçada a vir para aqui. Tinha mesmo acabado de vir do médico quando vi que já nos tinham ligado 20 vezes!... – a minha irmã estava radiante. Também ela estava a par da boa notícia que estaria para vir.
Arregalei os olhos e sorri abertamente. Deveria ser a primeira vez nestes anos que eu sorria por causa de algo. Dei um beijo na testa da minha irmã, despedi-me das minhas sobrinhas e corri a toda a velocidade para casa.
Aquela corrida demorou mais do que eu gostaria. O pôr-do-sol tornava-se cada vez mais escuro, transitando do dia para a noite. O vento cortante gelava-me o rosto, mas eu nem me importei. Entrei de rompante em casa e liguei directamente para o telemóvel de Renesmee. Estava ocupado. Com uma dose muito elevada de nervosismo e ansiedade, tive de desligar e esperar que ela me telefonasse. Passados uns longos trinta segundos, o telefone de minha casa tocou.
- Jake! Estás aí? – o som melódico da sua voz ecoou até mim como uma carícia. Respirei fundo.
- Sim, Nessie, estou…. – ouvi-a suster a respiração. Quase que conseguia ouvir o seu coração a bater descompassadamente.
- Oh, Jake! Já sei quando vamos voltar! A mãe e o pai estiveram hoje a falar e…
- Quando?
- Para o mês que vem! Já só falta um mês, Jake, está quase! Oh, tenho tantas saudades tuas! Nem sabes…
- Sei, meu amor, claro que sei. Eu sofro mil vezes mais que tu, querida.
- Olha que não sei. Eu quase que morro quando penso em ti. E estou quase sempre a pensar em ti.
Sorri. As palavras de Nessie preenchiam o buraco enorme que havia no meu peito. Uma onda de esperança e alegria invadiu-me o espírito. Iria ter Nessie de volta. E agora, mais ninguém ma iria tirar.
- Tenho de ir, Jake! Telefono-te amanhã à mesma hora de sempre!
- Está bem, querida. Amo-te!
- Também te amo, meu Jacob.
Esperei que ela desligasse o telefone. Quando o som do aparelho ecoava nos meus ouvidos, pousei o auscultador e sentei-me, atónito, no sofá. Só teria de esperar um mês para ter o amor da minha vida nos braços. Pela primeira vez em três anos, eu senti-me feliz. A minha consciência alertava-me para não ter demasiadas esperanças, pois poder-me-ia sair o tiro pela culatra. Mas a sensação de alegria estava há tanto tempo perdida, que sabia muito bem tê-la de volta. Faltava um mês para a minha vida voltar a fazer sentido.
Mas um mês era muito tempo. Quando queremos alcançar algo, quando temos a nossa meta bem definida, o tempo parece arrastar-se ainda mais até ela. Sabia disso, portanto tive de pensar em distrair-me o suficiente para não pensar no tempo que faltava. Decidi pôr a minha vida em ordem. Há séculos que a minha vida social estava uma desgraça. Iria começar nesse mesmo dia. Telefonei para a minha irmã, para vir com a família jantar a nossa casa. Iria preparar uma grande refeição para nós todos, como o meu pai me andava a pedir há imenso tempo. A minha irmã adorou a ideia, pois assim poderia dar a boa notícia ao seu pai. E eu estava radiante por poder fazer os outros felizes.
Fui às compras, onde encontrei um dos meus melhores amigos, Quil, com a sua alma gémea Claire, que ia nesse ano entrar para a escola. Desde que os Cullen haviam partido, nunca mais tinha tido coragem de falar com ele, pois eu desejava acima de tudo o que ele tinha, que constituía algo que eu não podia possuir. Ele ficou admirado por eu estar tão alegre a falar com ele, e aproveitei e convidei-o também para o jantar. Ele sorriu, prometendo aparecer.
- Estás… diferente. – disse ele quando nos despedíamos. – Estás contente. O que aconteceu?
Expliquei-lhe brevemente a situação e ele mostrou-me um sorriso enorme. Demos um abraço rápido e corri para casa com as compras imensas nas mãos.
- Já estou em casa, pai! – berrei eu para o quarto. Não obtive resposta. Estranhei o facto de o meu pai estar a dormir àquelas horas, por isso decidi ir verificar ao seu quarto.
Quando entrei, apanhei o meu pai meio sentado na cama, a respirar pesadamente, sem se conseguir mexer.
- PAI! O que é que pensas que estás a fazer? – o meu pai fora proibido pelo médico de se sentar sem qualquer ajuda. A sua coluna estava a piorar cada vez mais.
- Jake… eu só queria sentar-me… estavas a demorar muito…
Abanei a cabeça e ajudei-o a deitar-se novamente.
- Não voltes a fazer isso, Billy. Não me assustes. Qualquer dia cais e morres de vez!
O meu pai não respondeu. Tive medo de estar a compreender o seu silêncio, portanto decidi dar-lhe os medicamentos e ir imediatamente preparar o jantar. Era estranho constatar que quando os nossos próprios problemas nos deixam de atormentar, os dos outros passam a afectar-nos muito mais. Eu devia andar nestes últimos tempos muito insensível para o meu pai, pois a sua condição de saúde preocupou-me particularmente naquele dia.
Fiz um grande assado no forno com batatas. Limpei a casa até ficar a brilhar e pus a mesa bem ornamentada. Ainda tive tempo de fazer uma sobremesa e tomar banho. Quando acabava de apertar a camisa, ouvi a campainha tocar.
- Boa noite, Jake! Cheira bem! – Paul mostrava-me o seu melhor sorriso. Há uns tempos que não conversava com ele, o que me fez ter a sensação de que era apenas o meu cunhado e não o meu melhor amigo.
- Boa noite, Paul! – respondi-lhe, entusiasmado. Abracei-o, e depois à minha irmã, que sorriu, contente por mim também. Dei um beijo às minhas sobrinhas, que, agora que as via bem, tinham crescido imenso e estavam lindas de morrer. Apesar de Sarah ter o nome da nossa mãe, Cynthia era a que mais se parecia com ela. Encaminhei-os para a mesa, onde todos elogiaram o aparato. Eu sorri, satisfeito. – Vou buscar o pai. – murmurei para a minha irmã.
Deixei os convidados na sala e encaminhei-me para a arrecadação, onde guardava a cadeira de rodas, indo ter depois ao quarto do meu pai. Ele estava bastante determinado em participar naquele jantar de família, esforçando-se por pôr o aparelho, tomar os comprimidos para as dores e sentar-se na cadeira. Eu sabia que ele tinha cada vez mais dores e mais problemas de saúde, mas mesmo assim ele esforçava-se ao máximo para participar naquele jantar. Empurrei a cadeira com o maior dos cuidados para a sala, enquanto a campainha tocava. Era Quil, que vinha sozinho, e cumprimentou-me muito timidamente. Assim que viu Paul, a festa começou realmente.
O jantar corria muito bem. Depois de termos comido todos na minúscula mesa da cozinha, instalou-se uma conversa animada entre nós todos, tendo as meninas ido brincar e saltitar à volta do meu pai, que notava estar profundamente feliz. Sentia o seu coração bater aceleradamente, o que deduzi ser da excitação. Quando a nossa conversa abrandou, Rachel tomou as rédeas da mesma.
- Bem, eu vim aqui principalmente para vos dar uma novidade. O Jake já sabe. – ela estava radiante. Nunca a vira tão contente, talvez também por não passar muito tempo com ela. Percebi naquele momento que nem Paul sabia, o que me fez ficar ainda mais contente por ser o único a saber da novidade. O meu pai sorria, com uma expressão de cansaço no rosto. Nunca gostara de suspense. – Estou grávida!
Paul abriu a boca de espanto, Quil arregalou os olhos e o meu pai sorriu, contendo as lágrimas. Depois Paul mostrou um sorriso enorme, como eu nunca vira, abraçando a mulher e sentindo-lhe a barriga. Quil deu-lhe os parabéns e o meu pai pediu para abraçá-la. As meninas continuavam a dançar à volta da cadeira do avô.
Depois da novidade, a conversa que se seguira girava à volta de bebés e assuntos relacionados com o mesmo. Paul discutia com Quil onde comprar uma casa nova ou aumentar a actual, para a chegada do novo membro. Eu e Rachel falávamos sobre o nome que ela poderia dar à criança. Eu estava realmente a gostar da noite. Ter amigos e família era realmente tudo quanto podia desejar (excluindo ter Nessie perto de mim).
Por estarmos tão envolvidos nas nossas conversas paralelas, não reparámos que o meu pai não participava. Foi quando ele deu um grito de dor que todos nos calámos e apercebemos que há muito tempo que alguma coisa estava errada. Levantei-me, derrubando a cadeira, e corri para o meu pai, agarrando-lhe no rosto e nas costas para se manter direito.
- O que se passa, Pai? Está tudo bem? – ele não respondeu, agarrando-se ao peito e gritando novamente. – Chamem uma ambulância!
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Continua...
Sei que é terrível quando um capítulo acaba assim, mas terão de esperar até ao próximo para descobrirem o que irá acontecer!
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