Aqui está um novo capítulo, peço desculpa por ter demorado mais tempo que os outros. Para a próxima será mais rápido.
A todos o que acompanham a história, agradeço que deixem reviews, pois é muito importante saber a vossa opinião, para que possa melhorar a escrita e a história! :) Todos os escritores aqui sabem como é importante receber feedback!
Nota: A saga da Stephenie Meyer não me pertence e só escrevo por diversão, sem qualquer tipo de lucro.
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SUNSET - PÔR-DO-SOL
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Capítulo VI: Billy
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A minha irmã chorava e tremia, com as filhas agarradas às suas pernas. Carregou nas teclas do telemóvel demasiado atrapalhadamente. Quil e Paul saíram a correr de casa e ouvi as suas roupas rasgarem-se, transformando-se nas suas formas de lobo. Eu não sabia o que fazer, olhando a minha irmã nos olhos depois de ter feito a chamada. Tivemos o mesmo pressentimento.
Em dois minutos, Quil e Paul chegaram com o médico e a enfermeira da reserva às costas, transformando-se depois em humanos e, completamente nus, dirigiram-se automaticamente ao meu quarto para vestirem alguma roupa, depois de uma indicação minha.
Enquanto a ambulância não chegava, o médico tentava ajudar o meu pai, deitando-o na cama e tentando reanimá-lo. Não quis observar pois temia o veredicto que se aproximava. Não queria que o meu pai morresse. Não queria mesmo, por mais que a sua condição me impedisse de ver Renesmee. A ambulância chegou vinte minutos depois, levando o meu pai, a mim e à minha irmã para o hospital de Forks. Quil e Paul permaneceram na reserva juntamente com as meninas.
A viagem para o hospital foi longa demais, por estradas de pedras e buracos, que fazia com que o veículo andasse aos solavancos. O meu pai jazia impassível na maca, e a minha irmã agarrava-se ao colar da sorte da nossa mãe, fazendo rezas e orações, e levando a mão à barriga de vez em quando. Eu permanecia a fixar o meu pai, com o coração a bater nervosamente. Quando finalmente chegámos, o nosso pai foi transportado muito depressa para dentro do hospital, connosco atrás, e depois para um aposento onde não nos foi cedida a entrada.
Ficámos pelo menos uma hora sentados naquela sala. A minha irmã chorava silenciosamente, continuando a rezar. Eu dava voltas e voltas à pequena sala de espera, bebendo café, olhando pela janela, observando a minha irmã. Não trocamos uma única palavra.
Finalmente apareceu uma médica vestida com uma bata branca, um estetoscópio ao pescoço, e um ar muito cansado. Vinha com alguns papéis na mão. Era já velha, ou pelo menos parecia. Sorriu-nos tristemente.
- Vieram com Billy Black?
- Sim. Somos os filhos. – respondi, ansioso. A senhora suspirou.
- Sou a Dra. Tamara Rose. Tenho estado a acompanhar o vosso pai. Ele sofreu um grave enfarte do miocárdio. – nem eu nem a minha irmã dissemos nada. A Dra. Rose continuou. – Está tudo bem por agora, não têm nada com que se preocupar neste momento. O Sr. Black vai ter de ficar internado até melhorar. A sua coluna agravou muito e o coração está muito débil. Vai precisar de uma assistência permanente. Não consegue inclusive respirar sozinho. – continuámos sem responder. Eu lutava para não chorar. O mau pai estava a morrer, embora ela não o dissesse. Sentia que ela estava nervosa, pois ainda não dissera tudo. Observou-nos demoradamente com uns olhos verdes brilhantes. – Ele…
Não conseguiu continuar. Esperava que nós disséssemos algo.
- O que se passa mais, doutora? – perguntou delicadamente a minha irmã.
- O vosso pai não dá luta. Ele está a sucumbir à doença, não tem força psicológica para a combater. Sei que ele tem estado à sua guarda. – disse, virando-se para mim. – O que se tem passado?
Não respondi, pois sabia o motivo. O meu pai queria morrer pela minha felicidade. Não resisti e deixei-me levar pelas lágrimas que me ardiam nos olhos. A minha irmã abraçou-me silenciosamente, afagando-me o cabelo, beijando-me a cabeça, acariciando-me as costas. Abracei-a com força, mas sem a magoar. Uns instantes depois, a Dra. Rose retirou-se.
Como é que eu permitira que o meu pai chegasse àquele sentimento de culpa? Não podia tratá-lo mal, ele era o meu pai! Como pude ter deixado a situação chegar àquele limite? Amaldiçoei-me por não ter sido forte o suficiente para controlar os meus próprios problemas. Agora que estava mais lúcido, lembrava-me da minha acidez com o meu pai, da brusquidão, das vezes em que eu gritava com ele quando não conseguia cooperar. Larguei a minha irmã, beijando-lhe o rosto demoradamente, sentindo as suas lágrimas salgadas na minha boca.
- A culpa não é tua, Jake. – murmurou ela, fixando os seus olhos castanhos nos meus. Bufei, levando as mãos à cabeça. – Jake…
- É claro que a culpa é minha, Rachel! Sou eu quem tem tomado conta dele, por amor de Deus! Eu…
- Jacob! – interrompeu-me a minha irmã. – Vais-me ouvir. – ela estava séria, já não chorava, embora a voz lhe tremesse. – Ele sabe que tu o amas. Ponho as minhas mãos no fogo por isso. Ele sabe o que é a impressão natural, sabe quão forte é, embora nunca tenha sentido. Ele observava-vos, Jake. Por isso é que ele sabe o quanto gostas dela. Não o abandonaste para ir ter com ela. No fundo tu sabes que mais vale desperdiçar estes primeiros momentos com a tua alma gémea do que perder os últimos do teu pai. E ele também sabe isso, Jake. Eu nem quero imaginar o que seria não ter o Paul ao pé de mim, por isso imagino o teu sofrimento. E percebo também o quanto amas o nosso pai. Eu teria feito exactamente o mesmo que tu fizeste, e, tal como tu, não iria sempre andar de bom humor. Jake, não te preocupes… - a sua voz falhou. – Já está na hora…
As lágrimas voltaram a escorrer-lhe pelo rosto abaixo, tapando-o com as mãos e sentando-se no banco. Ia dizer alguma coisa quando vimos Charlie e Sue aparecerem, com Seth e Leah atrás. Cumprimentámo-los e contámos-lhe o sucedido. Sue começou a chorar e Charlie levou as mãos à cabeça, indo até à janela. Seth e Leah ficaram com uma expressão desolada, sentando-se ao lado de Rachel, confortando-a. Lembrei-me de Rebecca de repente. Agarrei no telemóvel e telefonei-lhe. Quando soube do sucedido, começou aos berros e a chorar, falando para o marido ao mesmo tempo, a dizer que teria de regressar a La Push rapidamente. Deixou de falar comigo e eu desliguei o telemóvel. Também ela se sentia culpada, mas por outros motivos. Naqueles seis anos em que o meu pai estivera doente, ela apenas passara uma semana por ano com a família em nossa casa.
Pudemos mais tarde visitar o meu pai, que estava todo entubado e com máquinas ligadas ao corpo todo. Nenhum de nós aguentou muito tempo naquele quarto, recebendo depois o conselho da médica para irmos todos para casa. Charlie, Sue, Leah e Seth seguiram no seu carro e Rachel e eu ficámos na entrada do hospital à espera de Paul. Eu não me queria ir embora, mas a minha irmã persuadira-me a ter uma boa noite de sono.
- Vens para nossa casa, está bem? – pediu-me Rachel quando as luzes do carro do meu amigo se avistaram no início da estrada.
- Rach, não é preciso, a sério…
- Eu não te estou a pedir, estou a exigir. Não ficas esta noite sozinho. – a minha irmã afagou-me o cabelo como se eu fosse o seu pequeno bebé. Mesmo depois destes anos todos, ela continuava a tratar-me como o seu irmãozinho mais novo. Acabei por ceder e Paul conduziu-nos até à sua pequena casa.
Assim que entrámos para a sala de estar, encontrámos Quil a dormir no sofá com a televisão sem som ainda ligada e uma lata de cerveja vazia no chão. Quando a minha irmã fechou a porta, o meu amigo sobressaltou-se e acordou. Arrumou a lata, ajeitou o cabelo, despediu-se de nós, depois de Paul lhe agradecer, e saiu porta fora a bocejar, transformando-se em lobo mais à frente.
Suspiramos os três, tristemente, tendo Paul seguido para o seu quarto enquanto a minha irmã me colocava algumas mantas e uma almofada em cima do sofá.
- Podes usar o que quiseres da cozinha e… bem, podes usar o que quiseres. Não ligues demasiado alto a televisão porque as meninas podem acordar. – ela sorriu melancolicamente. Abracei a minha irmã, que recomeçou a chorar silenciosamente.
- Obrigada, Rach. Vai correr tudo bem…
- Tenho tanto medo, Jake… - respondeu ela contra o meu pescoço.
- Se tiver de acontecer, é porque está na hora. Tens de te preocupar é com o teu bebé…
A minha irmã afastou-se de mim, limpou as lágrimas e acariciou o ventre.
- Tens razão. Vai-te deitar, já é tarde.
- Está bem. Boa noite mana.
- Dorme bem, Jacob.
Afastou-se do aposento, fechando a porta atrás de si. Ouvi mais portas a abrir e a fechar, murmúrios ditos muito silenciosamente. Deitei-me no sofá, e não me lembro de mais nada.
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Continua...
Eu sei que foi pequeno, mas espero que tenham gostado!
Sei que foi tudo à volta de Billy, mas prometo que a chegada da Renesmee está muito próxima!
