Obrigada a todos os que têm acompanhado a história! Deixem as vossas opiniões, são muito importantes para qualquer escritor :)
Bem, agora é que as coisas vão ficar interessantes, pois como devem ter percebido do capítulo anterior, Renesmee vai entrar em cena, mas ainda há umas complicações pelo caminho (tem de ser), hihi.
Nota: A saga da Stephenie Meyer não me pertence e procuro apenas divertir-me sem lucrar nada.
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SUNSET - PÔR-DO-SOL
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Capítulo VIII: Uma nova vida
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Ela caminhava graciosamente, a uns escassos dez metros de mim. O cabelo longuíssimo que lhe chegava à cintura, esvoaçava atrás de si, encaracolado, dourado, cintilante. Os olhos negros brilhavam e tinham a forma perfeita de uma amêndoa. O nariz direito, os lábios bem desenhados, as sobrancelhas definidas. As fotografias não faziam justiça àquela beleza tão pura. Perfeição seria uma palavra demasiado rudimentar para a descrever. Vestia uma roupa simples, que lhe acentuava o corpo esguio e bem feito. Só podia ser uma miragem, só podia ser a minha imaginação. Tinha endoidecido de vez.
- Jake. – disse ela, na sua voz melódica. Parara a uma distância suficiente de mim para a poder ver em toda a sua magia. A sua voz era música para os meus ouvidos - era vibrante, suave, nem muito aguda, nem muito grave. Como veludo, como mel.
Um nó estrangulou-me a garganta e eu mordi o lábio inferior com força. Levantei-me lentamente. Não me atrevi a pronunciar uma única palavra sequer, com medo de estragar o momento, ou que a imagem desaparecesse. Continuava com o queixo descaído e já perdera a conta às batidas do coração. Provavelmente tinha parado.
– Tive tantas saudades… - a sua voz falhou, e eu corri para ela.
Abracei-a com todas as minhas forças, para ela não voltar a escapar. Não, não a iria perder novamente. Ela retribuiu o abraço, não ficando incomodada com a minha força. Agarrou na minha camisola enquanto eu enterrava a minha cara no seu cabelo deslumbrante, que cheirava a flores, que cheirava a ela.
Felicidade, alegria, paixão, desespero, ansiedade, desejo, saudade, amor. Senti tudo demasiado fortemente naquele momento. O buraco fechou-se. Completei-me naquele instante. E mal podia acreditar.
Não sei quanto tempo ficámos assim, mas ela acabou por me afastar lentamente, olhando-me nos olhos. Eu estava demasiado atónito para dizer fosse o que fosse. Ela levantou a sua mão e colocou-a no meu rosto. Mostrou-me tudo quanto se lembrava de mim, todo o seu sofrimento, toda a sua dor. Não contou a sua estadia em Hanover nem me atualizou sobre os acontecimentos da família. Só nós os dois importávamos naquele momento.
- Nessie… - consegui proferir. Com estas palavras, ela soltou lágrimas há muito contidas.
- Oh, Jacob…
Voltei a abraçá-la, desta vez com mais suavidade. Oh, sim, ela estava ali. Estava viva nos meus braços, em carne e osso. Soltei tantas lágrimas quanto ela, aliviando aquele nó apertado na minha garganta. Acariciava-lhe o cabelo enquanto ela chorava contra o meu peito. Voltou a mostrar-me o que sentia, mas desta vez era uma alegria extrema, tal como eu a sentia também. As suas lágrimas abrandaram, bem como as minhas. A nossa respiração acalmou, voltando gradualmente, e em uníssono, ao normal. Agarrei-lhe no rosto com as mãos, afastando-a ligeiramente de mim.
- Estás tão bonita, Nessie! Mais bonita que nunca!
Ela sorriu, mostrando os seus dentes brancos e brilhantes.
- E tu estás exatamente na mesma! – disse ela. E, alargando o seu sorriso, acrescentou, baixando o olhar. - Mas continuas lindo de morrer…
Ri abertamente, voltando a encostá-la a mim. Eu estava tão feliz que não seria possível descrever. Era um sentimento novo, mas o mais forte e belo que havia tido até então. Sentámo-nos na areia, observando o que restava do pôr-do-sol. Rodeei os seus ombros com o meu braço e ela encostou-se ao meu peito.
- Tinha saudades do teu calor, Jake. – disse ela, rindo. – Numa casa cheia de vampiros é impossível mantermo-nos razoavelmente quentes!
Ri-me. Havia tanta coisa que lhe queria dizer… abri a boca para falar, mas depressa a fechei. Queria saborear aquele momento, que eu esperava que se prolongasse durante muito tempo. Poderia esperar até lhe falar sobre outras coisas, pois tinha esperança de que teríamos muito tempo disponível só para nós.
- Eu amo-te. – disse ela, baixinho, interrompendo os meus pensamentos. O buraco que estava agora completo, enchia-se tanto que podia rebentar a qualquer momento.
- Eu também te amo, querida. Para sempre.
Não falámos até o sol desaparecer completamente no horizonte. Estava a ficar frio, por isso ela chegou-se mais para mim.
- Quando tens de ir embora? – atrevi-me a perguntar. Não queria realmente saber a resposta.
- Não tenho. – disse ela, rindo. Suspirei, aliviado. – Mas amanhã a mãe queria que fosses lá… hum… jantar. – completou, salientando aquela palavra absurda, tratando-se de uma família de vampiros.
- Está combinado. Mas agora vamos para casa, que a Rachel já deve ter feito o jantar.
Levantámo-nos os dois, e caminhámos muito lentamente até à casa da minha irmã, sempre muito juntos, com os seus ombros debaixo do meu braço para não ter frio. Ela ia-me mostrando vários episódios da sua estadia em Hanover e das imensas viagens pelo mundo que fizera durante esse período. Quando chegámos, bati à porta com a mão livre.
- Jake! Chegaste mesmo a tempo! Eu… - ia dizendo a minha irmã, enquanto abria a porta. Quando viu Nessie, abriu a boca, tapando-a de seguida com a mão, soltando lágrimas de estupefação. Olhou para mim, que deveria ter uma expressão de extrema felicidade, olhou para Nessie, e repetiu este processo algumas vezes, até voltar a poisar o seu olhar em mim, e sorrir de alegria. – Bem-vinda, Renesmee. Tivemos imensas saudades tuas! Estás linda…– Rachel abraçou a minha Nessie, olhando para mim pelo canto do olho e sorrindo. – Entrem! O jantar está na mesa.
Entrámos na pequena casa da minha irmã, que cheirava a frango assado. Sentámo-nos à mesa, juntamente com as meninas, quer vieram cumprimentar a nova visita, e Paul, que lhe deu um longo abraço, não conseguindo parar de rir enquanto falava com ela. Toda a gente gostava de Nessie. Ela tinha uma imensa influência sobre todos os seres vivos do planeta.
Durante o jantar, a minha irmã e o meu amigo não paravam de conversar com ela, que respondia amavelmente, falando avidamente, gesticulando, entusiasmada. Eu não tirava os olhos dela, completamente maravilhado e hipnotizado com a sua presença. Depois do jantar, enquanto conversávamos, ainda na mesa, lembrei-me de um pequeno pormenor. Rebecca estava instalada em minha casa, e a da minha irmã era demasiado pequena para nós os dois. Como é que dormiríamos naquela noite?
- Rachel? – interrompi eu a conversa que ela tinha com Nessie.
- Sim, Jake?
- Onde é que nós vamos dormir?
A minha irmã olhou para mim, refletindo por uns instantes.
- Hum… não sei. Se quiserem podem dormir aqui na sala, eu arranjo alguma coisa para por no chão, ou assim…
- Há algum problema com a tua casa? – interrogou-me Renesmee.
- Não. Já te tinha dito que a minha irmã Becca está cá não já? – ela assentiu com a cabeça. – Pois, ainda não se foi embora…
Nessie contorceu os lábios, pensando. Tocou-me, hesitante, no braço, mostrando uma possibilidade. Aterrorizei-me por completo.
- Não! Não vais embora Nessie! Só por cima do meu cadáver!
Ela sorriu, face ao meu medo perante aquela situação. A minha irmã acabou por nos convencer a ficar em casa dela. Iria arranjar algo confortável para eu dormir no chão enquanto Nessie ficava no sofá. Ela não se importou, parecendo entusiasmada. Mais tarde, a minha família retirou-se, depois de Rachel me colocar uma grande quantidade de cobertores ao lado do sofá. Estávamos, finalmente, sós.
Ela estava deitada no sofá, enquanto eu estava sentado no chão, de frente para ela. Iluminava-nos um pequeno candeeiro de mesa. Até na penumbra ela conseguia ser bela.
- Como está a Bella? – perguntei.
- Está bem. Tem saudades tuas. – ela sorriu, suspirando. – Não os ouvia falar muito de ti, para que eu não me lembrasse. Por acaso, eles são muito bons a manterem-me distraída. Só à noite tinha crises de saudades sem eles saberem.
Ficámos uns momentos em silêncio.
- Porque é que nunca me visitaste? – perguntei, murmurando. Era algo que sempre me atormentara. Tantas viagens que tinha feito, e, nenhuma delas, por mais rápida que fosse, fora na península Olímpica.
Ela suspirou novamente.
- Oh, Jake, eu bem queria. Ficamos pouco tempo em Hanover. Andámos sempre de um lado para o outro. – fez uma pausa, retomando depois, num murmúrio. - Sabes, o Demetri andava a tentar localizar-nos. Conseguimos desviá-lo há pouco tempo, por isso é que voltámos para aqui. Mas vamos ter de partir novamente.
Um arrepio percorreu-me a espinha.
- Porque é que nunca me disseste? – incriminei. Deveria ser algo que eu devesse saber, não? Tratava-se da segurança da minha menina… que já não era bem uma menina, mas pronto.
- Tu sabes o que isso implicaria. Virias atrás de mim, deixando as tuas obrigações para trás, chateavas-te com o meu pai por não nos saber proteger, envolvias a alcateia nisto…
A rapariga conhecia-me bem. Melhor do que eu alguma vez sonharia. Aceitei a realidade que poderia ter acontecido, mas apenas porque não estava com a mínima disposição de me enfurecer ou de arruinar aquele dia inacreditável.
- Tens razão. Talvez, no fundo, tenha valido a pena ter esperado este tempo todo. Agora, parece que… - queria completar, mas intimidei-me. Ela olhava para mim com uns olhos penetrantes, que pareciam perscrutar toda a minha alma. Arqueou as sobrancelhas, incentivando-me. Baixei a cabeça, envergonhado.
- Parece que…? – repetiu ela, numa entoação cómica.
- Parece que te amo ainda mais… - disse finalmente. Ela perdeu o sorriso, fitando-me.
- Eu também. – sussurrou. Qualquer humano não a teria ouvido, mas ela sabia que eu conseguiria.
O que aconteceu a seguir… eu não estava, de todo, a contar. Nada.
Ela ergueu uma mão para o meu rosto, lentamente e deixou-a pousada contra a minha face. O meu coração batia descompassadamente e deixara de saber como se respirava. Ela sorriu ligeiramente, sentindo o meu nervosismo.
Com um dedo, contornou o meu maxilar e o meu queixo, lentamente, fazendo com que os cabelos da minha nunca se eriçassem. Depois passou-o pelo meu nariz, pelas sobrancelhas. Parecia distraída, como se não fosse essa a sua verdadeira intenção. Passou os dedos pelo meu pescoço, contornando cada musculo e deteve-se mais tempo na covinha entre as clavículas. Voltou a subir a mão e, parando antes por momentos, contornou, leve e calmamente, o meu lábio inferior. O seu toque fazia ampliar todas as sensações. Involuntariamente, deixei cair o queixo e ela retirou a mão, como se finalmente se apercebesse do que estava a fazer. Senti um calor imenso nas bochechas e apressei-me a deitar-me na minha cama improvisada.
Sentia uma sensação diferente, agora. Não era aquela felicidade que esbordava do meu peito. Era algo preocupante e intenso. Sentia o estômago às voltas, a minha barriga parecia possuída por algum demónio e a minha respiração era presa, como se não conseguisse respirar profundamente. Era uma sensação igual à que temos quando temos de fazer alguma decisão importante e o tempo está a acabar e ainda não sabemos o que fazer. Não sabia o que se passava mas achei que era demasiado cedo para estar algo errado.
Voltei a olhar para ela, mas ela já se voltara de costas e parecia respirar pesadamente.
- Boa noite, Nessie. – disse, com receio de a acordar. Noutras circunstâncias dar-lhe-ia um beijo na testa ou fazia-lhe uma festa no rosto, mas algo me impedia de a tocar, como se o corpo dela me fosse queimar. Ela não respondeu e eu acabei por adormecer passados uns minutos.
Fomos acordados pelos risos estridentes de Sarah e Cynthia, que corriam para a sala para tomar o pequeno-almoço. Abri os olhos. Nessie sorria para mim, com os olhos meio fechados.
- Bom dia. – murmurei para ela, forçando uma entoação alegre.
- Bom dia. – cumprimentou, bocejando de seguida, com uma expressão neutra.
Tomámos o pequeno-almoço com a minha família, que não parava de conversar novamente com a convidada, que por sua vez voltava a responder entusiasticamente. Agradeci-lhes mentalmente por isso, pois agora a ideia de ter de falar com ela, de tocar-lhe ou estar sozinho com ela aterrorizava-me pois não sabia como reagir.
- Nessie, querida, devias ir visitar o Charlie! – disse a minha irmã. – Ele sofre quase tanto como o Jake, é terrível. Está cheio de saudades tuas.
- Eu acho uma excelente ideia! – respondi, talvez um pouco demasiado alto. Não olhei para Nessie, simplesmente engoli o que restava das minhas panquecas.
- Por acaso, estava a planear fazer exatamente isso.
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Continua...
O que acham que se passa com o Jake? Têm alguma ideia? :P
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