CAPÍTULO II

As voltas que a vida dá

- Se importaria se eu não fosse com vocês para discoteca, Eiri? - perguntou uma loirinha com cara de enjôo; fazia dias que acordava no banheiro. - Não estou com clima para festas!

- Não está se sentindo bem de novo? - indagou Eiri à amiga com semblante entristecido e ao mesmo tempo preocupado - Quando vai procurar um médico, Esmeralda? Toda mulher grávida precisa de um acompanhamento, é importantíssimo isso e você já está com quase 3 meses!

- Tomei uma decisão!

- Que decisão?

- Vou contar ao Ikki hoje a noite!

- E sério? - surpreendeu-se Eiri.

- É, de modo que ele também disse que precisava conversar comigo e preferimos dar uma volta pela cidade! É mais tranqüilo que uma discoteca!

- Entendo! - disse Eiri desanimada.

- Acho que você e o Hyoga precisam mesmo ficar sozinhos! Eu e o Ikki só seguraríamos vela, atrapalharíamos o casal!

- Mas é que...não acha que vai ficar muito explícito? - Eiri sentou ao lado de Esmeralda no sofá.

- Explícito? Como assim?

- Ele pode achar que fiz você desistir de ir e assim você arrastou o Ikki junto! Sabe como são os homens! Pode pensar que eu estou criando um clima...

- Eiri, isso é obsessão! Há homens que se acham, mas o Hyoga não parece ser do tipo que vá pensar algo tão estratégico assim! - explicou Esmeralda, tapando a boca e correndo para o banheiro; Eiri a seguiu, parecia alheia ao estado da amiga.

- Será que ele me acha fácil?

Esmeralda levantou-se e serviu-se de uma pequena toalha para limpar-se, ainda ajoelhada no chão.

- Você? Fácil? Eiri se o Keanu Reeves descesse aqui de para-quedas, você com certeza o examinaria de todos os lados antes de se atirar ao pescoço dele! - dirigiu-se ao quarto.

- Você esqueceu a parte do desmaio! - ratificou a loira, com olhos brilhantes ao imaginar o Neo voando sobre os céus de Atenas.

- E então?

- Então o que? - perguntou Eiri, olhando a amiga parada próxima ao guarda-roupa.

- Já decidiu a roupa? - Esmeralda abrindo as gavetas. - É o primeiro encontro, tem de dar uma boa impressão!

- Ahn, não! Alguma opção?

- Nada muito decotado! Mas uma saia um tanto curta ficaria bem! Esta! - mostrando uma peça jeans - Só tome cuidado! O Ikki ama quando uso esta saia, portanto... - atirando para cima dela.

- Esmeralda, você está bem? - Eiri pega a saia no ar e fita a amiga, como descobrindo uma certa impaciência nos gestos da garota; Esmeralda a olhou séria. - Parece nervosa!

- Não adianta fingir, não é! Minha cara não é das melhores! - jogou-se em sua cama - Estou preocupada!

- Com a reação do Ikki?

- Eiri, tenho medo de perder a coragem na hora H!

- Do que você tem medo realmente? De que ele te deixe? Isso é absurdo!

- Eu sei! O Ikki, ele pode ser qualquer coisa, mas não é um canalha! Mesmo que ele me deixasse, com certeza assumiria o filho!

- Então, o que teme?

- Não sei! Desde terça feira que tento entrar no assunto e dizer a ele, mas sempre perco a postura! Ele está estranhando meus enjôos, meus desmaios, mas nunca fez alusão de que pudesse se tratar de uma gravidez!

- É óbvio que não! Eles nunca acham que acontecerão com eles! Vem cá, vocês não sabem o que é preservativo, não? - brincou Eiri, mas pelo olhar que recebeu da amiga, ficou séria novamente.

- As vezes a gente se esquece! - defendeu-se a outra, fechando o armário.

- E o remédio? Esmeralda, você sempre foi tão responsável!

- É que era só as vezes que ele esquecia, então eu não tomava e fique sabendo que o anticoncepcional é só 95% eficaz! - ratificou, prendendo os cabelos num rabo de cavalo. - Que calor infernal!

- Ah, claro! Eu tinha esquecido os 5% de ineficácia! - ironizou Eiri; Esmeralda a olhou séria.

- Bem, não adianta chorar ou se desesperar, não é verdade? É chegar e falar com ele e pronto! - Esmeralda levantou-se.

- É... - respondeu Eiri vagamente; Logo se levantou, calçándo as sandálias e agarrando a bolsa.

- Para onde vai? - perguntou Esmeralda.

- Ao salão de beleza! Preciso dá um jeitinho...você entende! - disse Eiri - Vai ficar em casa o dia inteiro?

- Sim! O Ikki vai passar a tarde fazendo provas! Você sabe, daqui a 3 dias ficamos de férias! Ele é um dos monitores!

- Como uma pessoa pode gostar de estudar física quântica? - resmungou Eiri, saindo do quarto; Esmeralda sorriu.

o.O.o

- Vai fazer provas hoje?

- Não!

- E por que vai para universidade?

- Preciso pegar uns papéis!

- Ikki, dá pra parar e responder as minhas perguntas?

- Shun, estou atrasado!

Um apressado Ikki disparou pelas escadas da república de estudantes com uns documentos dentro de uma pasta. Shun, abanando a cabeça, olhou para um tranqüilo Shiryu que passava a sesta muito calmamente escolhendo arroz:

- O que vai fazer? - perguntou aproximando-se.

- Uma comida chinesa que vocês vão adorar! - Shun afastou-se jogando-se no sofá - Foi a Shunrey quem me ensinou! Ela cozinha muito bem!

- E com certeza deve cozinhar melhor ainda quando você está lá! - brincou Shun - Uma sexta-feira a tarde e eu aqui, sem nada que fazer! - suspirou.

- Vá estudar! - gritou Seiya.

- Olha só quem me manda para os livros! - Shun sorriu cínico.

- Você quer fazer algo, não quer?

- Algo divertido!

- Estudar é divertido! - respondeu Shiryu indignado; Seiya e Shun viraram os olhos.

- Alguma idéia? - perguntou Seiya, também sentando-se no sofá.

- Onde está o hyoga? - lembrou-se Shun.

- Ótima idéia! - Seiya jogou a cabeça para trás, fechando os olhos.

- É sério! Ele disse que ia não sei aonde e voltava dentro de 15 minutos! Faz 2 horas que ele saiu!

- O Hyoga foi ao salão de beleza! - respondeu calmamente Shiryu, separando alguns grãozinhos de arroz que pareciam enegrecidos.

- Foi aonde? - perguntaram dois embasbacados rapazes em uníssono.

o.O.o

- Está tudo certo!

- Endereços, fichas...tudo em ordem? - perguntou Ikki, levemente nervoso com as papeladas que assinava - A carta da universidade também está aqui, com o selo a as assinaturas devidas do consulado!

- Sim! Falta a confirmação da matrícula que deverá ser feita na própria reitoria do curso! Agora assine aqui e estará tudo finalizado!

- Ok, mal posso acreditar! - assinou, entregando o papel ao responsável pelo intercâmbio curricular da faculdade de Atenas.

- Pronto, Amamiya! Agora é só arrumar as malas e embarcar para Havard! - sorriu o velhinho através de seus óculos; Ikki, com seu semblante costumeiramente sério, não pôde deixar de sorrir satisfatoriamente por dentro.

- Obrigado! Não falta mais nada? Posso me retirar? - levantando-se.

- Já confirmou a passagem no aeroporto juntamente com o passaporte? Não esqueceu de pedir o visto de estudante e mais o atestado médico confirmando seu bem estar de saúde?

- Sim! Está tudo em ordem, Sr. Lonikus! Não esqueci nenhum detalhe, o senhor me conhece melhor do que ninguém!

- E quando será transferido? Já te deram uma data ou ainda estão analisando a melhor época para que você possa ingressar na grade curricular?

- Terça-feira devo estar chegando nos EUA por volta das 4 da manhã! Será um sonho realizado e com o diploma de Havard não haverá lugar no mundo que não aceitará me dar um trabalho! - sorriu com orgulho.

- E seu irmão? Já se conformou com a idéia de que terá de deixá-lo sozinho?

- Sim, ele ficará aqui! Mas já me fez uma lista de coisas pra trazer de lá quando eu vier nas férias! - sorriu Ikki.

- Seu pai ficaria orgulhoso, Amamiya! Eu o conheci, era um homem exemplar! Sua fraqueza foi só ter se envolvido com a mulher errada, uma mulher casada!

- Eu sei! Conheci pouco meu pai, abandonou a mim e ao meu irmão, juntamente com minha mãe, quando eu tinha só 11 anos, jamáis me esquecerei as privaçoes pelas quais passamos depois que foi embora com esta...mulher! Mas assim é a vida e é inútil remoer coisas passadas! O que importa é o futuro! - suspirou levemente perturbado; não gostava que falassem em seu passado.

- Você e seu irmão são ótimos alunos! O futuro de vocês se abre mais do que brilhante! Shun será um verdadeiro artista quando saia da faculdade e até pode ir fazer companhia a você na América!

Ikki o fitou carregado; estendeu a mão fazendo menção de retirar-se.

- Bem, Até! Obrigado por me ajudar na transferência, senhor Lonikus! Espero que um dia possa lhe agradecer!

- Não me agradeça! Suas notas o levaram a ganhar a bolsa! Não é qualquer um que tem o privilégio de estudar numa faculdade como Havard! - ponderou o velhinho; o rapaz sorriu, ele sabia de tudo aquilo, é claro! - Não perca essa chance, meu rapaz, é uma oportunidade que não se repete na vida de um jovem!

- Obrigado pelos conselhos!

- Boa viagem, Ikki!

o.O.o

- Linda! Perfeita! Di-vi-na! MA-RA-VI-LHO-SA!

Um homem (ou seria uma mulher?) de longos cabelos azuis e uma pinta embaixo do olho direito perfeitamente delineado, dava gritinhos finos segurando um espelho diante de uma moça loira que trocara seus cabelos longos e loiros por um modelo um tanto moderno, um pouco curto e desfiado que lhe dava um ar felino. Sorriu:

- Afrodite, você adivinha meus pensamentos! - gritou Eiri levantando-se e abraçando-se ao cabeleireiro.

- Querida, eu tenho tato para essas coisas, por isso meu salão é o melhor de toda Grécia! hahahahahahaha... Mas termine de me contar aquele babado! - puxando-a para um canto mais reservado do enorme salão, o mais badalado de Atenas - Então quer dizer que a fofucha está de "barriga cheia", não posso acreditar! Não vejo a hora de contar para as meninas!

- É isso mesmo! E hoje ela vai contar para ele, mas está com medo!

- Minha nossa! E eu que a achava tão ajuizada! Esse mundo está perdido mesmo! - levando a mão na boca.

- Pois é! Mas me deixa ir que tenho que fazer as pernas e ainda tenho que pintar as unhas, uma porção de coisas! É a primeira vez que saimos e não posso fazer feio!

- Me trocou por aquele aparelho elétrico? Estou com ciúmes! - fazendo biquinho.

- Frô, sabe que não troco você por nada nesse mundo! - deu um selinho no homem e se dirigiu para o corredor que dava para saída - Tchau, Dite! Amanhã mesmo venho aqui para te contar as fofocas! - soltou um beijo distante e saiu sorridente.

A noite.

- Eiri, estou indo! O Ikki está ai embaixo me esperando! - pronunciou Esmeralda da porta do quarto, para uma ocupada garota que tentava a todo custo fazer o rímel parar de borrar.

- Está bem! Boa sorte, amiga! - Eiri correu até ela e lhe deu um beijo na face, depois, correndo, voltou para frente do espelho, dando atenção aos olhos; Esmeralda deu de ombros e foi ao encontro do namorado - Esta porcaria de rímel, porque não consegue fazer um traço perfeito? Eu vou me atrasar logo no primeiro encontro!

Ikki estava vestido em seu estilo sério/sportista/sofisticado de sempre, que fazia as meninas se derreterem por ele. Esmeralda aproximava-se completamente encantada dele, dentro de uma camisa preta de mangas dobradas. Encostado no portão, o rapaz não escondia o quanto a sainha estilo colegial e a comportada blusa que ela estava, deixando o sutiã aparecer sutilmente, lhe acendia a imaginação. Olhava-a dos pés a cabeça, já imaginando onde, com certeza, aquele passeio terminaria. A garota aproximou-se e o beijou tão lascivamente que o próprio Ikki, por sinal um quase ninfomaníaco, se surpreendeu, mas soube corresponder a altura a carícia da moça, fazendo-a fechar os olhos com um leve gemido.

- Se continuarmos nesse papo podemos subir imediatamente! - prontificou-se o rapaz.

- Não seria má idéia, se a Eiri não estivesse em casa! - Ikki fez cara de falsa tristeza; Esmeralda sorriu.

- Vamos! - disse ele, tomando a mão quente dela; principiaram a caminhar pelas ruas quase vazias naquela noite de sexta-feira - Precisamos conversar seriamente!

- A praia deve estar ótima agora a noite! - comentou ela.

- Eu estava pensando nisso! É um lugar calmo para que possamos falar, o que eu tenho para dizer é muito importante, Esmeralda! - suspirou ele; seu semblante se tornou sério; Esmeralda o fitou.

- O que houve, Ikki? Desde quarta que me disseste que tinhas algo para falar, mas ainda não o fez! Você anda nervoso e me deixa nervosa pelo que pode ser!

- Quando chegarmos iremos conversar direitinho! - ele a olhou - Agora aproveitemos a noite, está uma delícia!

- É algo ruim? - preocupou-se ela - Vai me deixar triste?

- Eu não encararia dessa forma! Mas exigirá um sacrifício de nossa parte! Se o nosso amor é forte e verdadeiro, superaremos todos os obstáculos!

- Sacrificio, Ikki? Que sacrifício? Eu não gosto desta palavra!

- Você ficará sabendo! Mas quanto a você, também me disse que tinha algo para me contar e também não o fez! Toda vez fica adiando ou mudando de assunto!

- Sim, eu tenho, algo muito, mas muito importante para dizer! Mas prefiro fazê-lo depois que souber o que está havendo com você! Então poderei ficar mais tranquila e contar tudo, tenho certeza que, seja lá qual for o seu segredo, ele não é mais importante que o meu!

Ikki franziu o cenho. Nunca a havia visto com aquele olhar austero e sério e um tom de severidade e melancolia na voz. Esmeralda costumava ser entusiamada e muito doce.

- Não quer me contar agora? Nossa conversa será longa!

- Acredite, meu amor! A minha será mais! - disse ela, olhando-o docemente, mas com feição séria.

- Ok, então!

A noite estava deveras agradável. Nem muito fria nem muito quente, algo raro no mês de julho, quando a temperatura no mediterrâneo subia. Sentaram-se ambos na areia, próximo a um sopé de montanha que embelezava essa área do mar Egeu. Ikki, encostado na rocha, apoiava o corpo da garota no seu. Fazia uma brisa suave naquelas localidades e a alguns quilômetros, um grupo jovens jogava vôlei.

- Então? - disse a loira, fitando o mar que se descortinava a sua frente - Quer começar primeiro? Estou curiosa!

- Esmeralda quero que saiba antes de tudo que amo você! - ele disse de forma calma, mas muito séria; Ela sentou-se e o olhou - A amo mais que tudo e não importa o que aconteça, sempre estarei pensando em ti e prometo que ficaremos juntos...no futuro!

- No futuro? - ela franziu o cenho - Como assim no futuro? O que houve?

- Há 2 meses eu e mais alguns alunos de minha turma, com as maiores notas, fomos escolhidos pela universidade para um teste...- começou ele pressurosamente, falava com eloqüência, mas um tanto apressado.

- Sim...um teste...que teste?

- A faculdade nos pediu permissão para enviar uma carta em nossos nomes a algumas universidades estrangeiras...para uma bolsa de estudo! Se fóssemos aceitos, terminaríamos nossa graduaçao na tal universidade, mais o mestrado e o doutorado, tudo por conta da própria universidade, além de sair com um trabalho fixo na sua área! Era uma oportunidade que jamás eu teria ou voltarei a ter algum dia, não pude recusar!

- Continue Ikki... - pediu ela serena, encarando o namorado com muita seriedade, seu semblante estava levemente afetado - Prossiga, por favor...

- Dois desses estudantes foram aceitos em 2 dessas faculdades e eu fui um deles! - Ikki calou-se, esperando que ela lhe dissesse algo; porém, a reposta não veio; Esmeralda limitava-se a esperar o desfecho, que certamente viria - Bem, eu fui aceito em Havard para concluir o curso e mais 6 anos de especialização! É isso! Estou indo para os EUA na terça feira, vou morar lá para terminar os estudos e depois voltarei para que nos casemos!

A moça o olhava perplexa. Suas feições não esboçavam qualquer reação, embora por dentro estivesse gritando. Se naquele momento lhe tivessem perguntado o que estava sentindo, poderia dizer sinceramente que não sabia. Era uma confusão de pensamentos que atravessavam sua cabeça que por um momento, deixou-se a ficar olhando o namorado a sua frente, sério, esperando alguma palavra vinda dela. Por alguns segundos tudo apagou-se, como se tivesse começado a viver naquele momento, mas tão logo suas idéias voltaram para o lugar, teve por fim a sensação de que o mundo se abria sob os seus pés:

- Você não havia me contado nada! - conseguiu dizer ao final de um longo silêncio, seu rosto estava do mesmo modo impassível - Nunca me disseste uma palavra sobre isso, sobre os teus planos, sobre teus desejos de sair da Grécia e tentar a vida em outro país, nunca me contaste sobre este teste e...

- Não queria deixá-la triste com a possibilidade de uma separação ainda incerta! Não sabia que iria ser chamado! - ela desviou os olhos para a areia - Eu juro que só quis fazer uma surpresa, nem eu mesmo imaginava ser selecionado, aceitei fazer o exame só para não me arrepender depois, pensando qual teria sido o resultado! Você me conhece, eu arrisco, é o meu jeito!

- Quanto tempo estará fora, Ikki?

- Ao todo são 8 anos, uma vez que me falta 2 anos da graduação, mais 3 anos do mestrado, e outros 3 do doutorado!

Ela o fitou, incrédula.

- Esmeralda, eu prometo que volto para buscá-la! E se não der, você irá morar comigo lá, eu juro! Só te peço um pouco de tempo para que possa me estabelecer lá sob minhas próprias bases! Estou indo por conta da universidade, não posso assumir uma despesa extra nem posso levá-la para que passe necessidade! Ao menos preciso encontrar um emprego e durante algum tempo não poderei trabalhar, por conta da bolsa de estudos! Se trabalho, perco a bolsa, entende? Eu prometo que é por pouco tempo...

- Ikki, o que está me dizendo é algo muito grave! - seu semblante, intransponível até aquele momento, deixou estravazar todo seu drama interior; seus olhos se encheram de lágrimas - Uma separação de 8 anos...Você está indo para América, para um outro continente, não para uma outra cidade! Já pensou que isso poderia significar o nosso fim?

- Eu sei! Perdoe-me por não ter contado desde o início! Queria fazer uma surpresa! - ele a segurou pelos braços, naquele momento ela tentara levantar-se, mas ele a impediu - Olhe para mim! - ela o fitou - Não acredito que será o nosso fim, ao contrário, será um início, com meu diploma posso ter trabalho aonde quiser e poderei dar a você uma boa vida...

- Ikki, por favor! Eu nunca te pedi uma boa vida, só te pedi para estar ao seu lado! Eu...eu preciso pensar... - ele a soltou; Esmeralda andou a passos rápidos até a água; Ikki a seguiu.

- Eu prometo que ficaremos juntos! Também está sendo difícil para mim! - defendeu-se o rapaz, abraçando-a por trás; lágrimas escorriam do rosto delicado de Esmeralda - Mas entenda que não posso voltar atrás, não quero!

- Tudo bem! - ela tomara sua decisão, o coração estava apertado, mas não poderia fazer aquilo, não naquele momento; virou-se para ele e olhando-o dentro dos olhos, proferiu com firmeza - Mas não prometa nada! Se o que sentes por mim for de matéria pura e infinita, você com certeza retornará para mim um dia, mas se o que sentes agora for apenas uma explosão de luz, então teu destino se encarregará de te guiar para sua missão. Mas eu terei valido a pena, pois poderás dizer que viste uma explosão de luz!

Seus lábios tremeram e cerrando os olhos, encostou-se no peito do rapaz, completamente ensimesmado pelas palavras da garota.

- O que é eterno sempre volta, Esmeralda e eu voltarei para você!

- Não, Ikki, o que é eterno nunca vai, o que é eterno permanece! Assim como eu permanecerei contigo!

- Você não é algo passageiro! É uma promessa: Ou eu venho te buscar ou você irá me encontrar nos EUA! Dois anos no máximo até eu conseguir um emprego na minha área lá e ter um lugar para gente ficar!

- Eu estarei sempre aqui, Ikki! Eu não tenho para onde ir mesmo! - disse abraçando-o forte, como se ele fosse ser tirado dela naquele mesmo instante; Ela o olhou com o semblante terrivelmente preocupado - Promete que vai se cuidar?

- (ele sorriu) Esse se cuidar inclui não olhar as meninas?

Ela deu-lhe um tapa leve no ombro com carinha cínica.

- Bobo! - ela encostou-se nele pensativa; ele a apertou mais forte dando um beijo na cabeça dela - Se alguma americana siliconada tocar em você, sou capaz de voar até lá e socar a cara dela!

- Moraremos num apartamento no centro de N.Y citty! - disse ele em tom de brincadeira - Com vista para a baía de Manhattan!

- O que você vai fazer? Vai roubar um banco? - ela também brincou.

- Não, dá muito trabalho! Talvez eu vire pastor, soube que dá muito dinheiro lá! O que acha?

- Bom, pelo menos teremos a salvação! - disse ela beijando-o nos lábios; recuperara-se do choque inicial.

- E o que você tinha a me dizer? - perguntou ele, enlaçando-a pela cintura; ela o olhou docemente, sentiu vontade de chorar de novo, mas o coração falou mais alto - Não esqueci de seu segredo importante! Vamos, conte pra mim!

- Não é nada! Só meu pai que parece ter aceitado nosso namoro! - disse ela com voz nada convincente, mas que não foi percebida pelo rapaz, tamanha a euforia dele.

- É sério? - retomaram a caminhada pela orla - O seu pai me aceitou? É difícil acreditar depois da minha apresentação oficial! Parecia que queria me decapitar!

- Não "parecia", ele realmente queria te decapitar! - riram - Mas o papai tem bom coração! Era só isso, só quis fazer um suspense! - disse sorrindo para ele; beijaram-se.

- Voltemos ao apartamento! - falou Ikki - Eu quero despedir-me de você esses poucos dias que nos falta! Uma despedida como tem de ser!

o.O.o

Era 4:30 da manhã quando Eiri, vagarosamente adentrou no apartamento envolvido pela escuridão. As sandálias nas mãos, rodou com cuidado a chave na fechadura e trancou a porta sem fazer barulho. Não era preciso luz para ver um enorme sorriso em seus lábios, mas mesmo assim a acendeu e assustou-se ao ver uma figura branca, aparentemente vestida do mesmo modo que saiu, sentada no extremo do sofá a olhar a noite pela janela aberta. E não movera um músculo sequer a chegada da amiga:

- Esmeralda? O que faz acordada a essa hora? - Eiri chegou diante dela, preocupada; o semblante da loirinha era terrível - Esmeralda? - chamou, ajoelhando-se perto dela - Aconteceu algo?

- Ele vai embora! - disse muito séria, sem mirar a amiga - Vai me deixar, Eiri, vai para longe e eu sinto que nunca mais o verei novamente!

- Embora? Ele vai te abandonar? - assustou-se Eiri - Como assim? Não estou entendendo! Que papo é esse?

- Não, Eiri, não faça essa cara como se o Ikki fosse algum canalha que abusou de mim e agora me abandona sem me deixar nenhuma reparação! Ele não sabe de nada!

- Que? Como não sabe de nada se o encontro dessa noite era justamente para que ele ficasse sabendo? Esmeralda, você não contou?

- Não. Ele vai continuar sem saber! - Esmeralda a fitou séria.

- Mas você não ia...Não estou entendendo mais nada!

- Ele vai estudar nos EUA! Vai terminar os estudos lá, ganhou uma bolsa para...

- Nos EUA? Como assim?

- Ele foi admitido em Havard, Eiri! Vai passar 8 anos lá como mínimo! - a loira suspirou; Eiri intrigou-se.

- E você ficou calada? Você não disse nada? Você ficou louca?

- O que queria que eu fizesse?

- Que dissesse a ele o que está acontecendo! - exasperou-se Eiri; Esmeralda se levantou, encarando-a.

- Queria que eu destruísse os planos dele, a felicidade dele, algo que ele lutou tanto para conseguir? Acha isso justo?

- Defina justiça! O que é justo para você, Esmeralda? Arcar com as responsabilidades de uma gravidez, sozinha, enquanto o pai do seu filho, que tem tanto dever quanto você, vai para a América se divertir? Isso é justo? - gritou Eiri muito séria.

- Ele não vai se divertir! Me fez uma promessa de que dentro de dois anos estaremos juntos de novo!

- Dois anos? E o que vai fazer até lá?

- Minha decisão já está tomada e nada do que você me disser mudará minha opinião! Não posso fazer isso com ele! Ele vai entender! Pretendo contar quando ele estiver estabilizado lá, é só uma questão de tempo!

- E até isso acontecer, Esmeralda Hernandes, vai fazer o que quando a barriga começar a crescer?

- Eiri...eu vou voltar para casa!

- Claro que vai, as férias estão vindo ai! Mas e depois? Vai deixar a barriga em casa para ir para faculdade? O Shun vai ver, os garotos vão ver, a universidade inteira vai saber! Acha que ninguém vai contar para o Ikki?

Esmeralda a fitava serena, entendia todo o desespero da amiga, que era o seu mesmo.

- Eiri, o Shun não vai ver, ninguém vai ver, não se preocupe com isso...

- Não? Ele é cego agora? - ironizou.

- Eu vou largar o curso! - Eiri a olhou.

- Isso é um grande absurdo! - ponderou num tom surdo - Não pode fazer isto! É a coisa mais absurda que já escutei em toda minha vida...

- Mas é o que farei!

- Esmeralda, o Ikki tem direito de saber! E dever também!

- Isso é um problema meu! Eu espero que respeite minha decisão! - fitou-a com semblante aflito.

- Como você mesma disse, isso é um problema seu! - entrou no banheiro, mas antes de fechar a porta, disse - Só espero que saiba o que está fazendo!

- Posso não saber o que estou fazendo... - Esmeralda aproximou-se da porta do cômodo - Mas se erro é tentando fazer o melhor!

As duas entreolharam-se por um momento, até que Eiri fechou a porta e entrou no chuveiro; Esmeralda se dirigiu para o quarto e jogando-se na cama, ficou a olhar o teto; o cheiro dele já estava impregnado nela e suspirando pronfundamente, sorriu ao aspirar o já tão seu conhecido aroma.

..v..

O fim de semana passou, chegou a véspera da viagem, frigidíssima, uma chuva forte desabava sobre a cidade de Atenas como um prenúncio de uma tempestade maior que estaria por vir e ainda que não soubesse explicar, Esmeralda sentia um profundo mal estar interior, um sentimento horrível que não era capaz de identificar. Por um tempo pensou que já era a saudade presente entre os dois, que se tornava cada vez mais palpável com a aproximação do fatídico dia.

Mas pensando consigo, deu-se conta que não era somente isso. Sentia como que um torpor, um nervosismo, como uma núvem negra que estivesse pairando sobre suas cabeças. Mas naquele momento, afastou completamente aqueles pensamentos lúgubres e entregou-se com mais afinco a ele. Estavam deitados nus sobre a cama, os peitos ofegantes e roucos de gemidos a pouco expelidos.

O braço de Ikki enlaçava com domínio um corpo arredondado de mulher, que estava estendido sensualmente sobre o leito, a cabeça deitada em seu tórax. Os olhos masculinos, azuis, pareciam escurecidos pelo cansaço e os fios loiros da garota insistiam em permanecer grudados na alva pele encharcada de suor. A mão forte do rapaz acariciava o doce rosto da jovem ao seu lado que, por sua vez, passava seus dedos no torso masculino a fim de desfazer algumas gotículas de suor que se haviam acumulado aí.

- Por mim, ficaríamos aqui para sempre! - sussurrou ela, fazendo-o sorrir.

- Foste louca em vir na república no meio da madrugada!

- Não gostou da visita? - Esmeralda ergueu uma sobrancelha, sorrindo cínica.

- Quem sou eu para discordar de algo?- comentou ele, olhando-a com doçura - Queria poder levar você comigo agora, mas prometo que farei o possível para abreviar este tempo em que estaremos separados!

- Esqueçamos a separação esta noite, meu amor...- ela o acariciou nos cabelos - Por hoje, somente hoje, não existe o universo e estamos sozinhos no mundo! Hoje, eu quero ser somente a tua mulher!

Ao dizer isso, seus lábios foram tomados com fúria, com desejo, pelos experientes lábios masculinos e virando-a de costas na cama, ficou por cima do corpo feminino para começar a explorá-lo com avidez e com a mesma fome de instantes atrás.

As mãos fortes do jovem censuravam suas coxas alvas e macias, apertando-as, enquanto ela, enlaçando sensualmente suas pernas ao redor da cintura dele, passeava suas mãos pelo corpo bem definido. Ikki parou, por um momento, o beijo ardente em que seus lábios se consumiam, para fitá-la sedento e ela lhe retribuiu lascivamente o olhar. Mas de repente, o estudante deparou-se com uma cena que o fez comover-se e entregar-se completamente, entendendo de vez seu destino, que era morrer no destino dela, para sempre. Seguindo-a e amando-a para toda a eternidade. E quanto a ela? Ela sabia que vivia de sua vida. Dos olhos verdes, enegrecidos pelo desejo, Ikki pôde ver duas lágrimas escorrerem das órbitas.

Sorriu, roçando seu rosto no dela, carinhoso. Ela, de olhos fechados, sentiu a língua dele quente, subindo-lhe levemente pelas bochechas, sugando as gotas do líquido salgado. Então, abraçando-se a ele, com a cabeça apoiada em seu ombro, preparou-se para recebê-lo dentro de si mais uma vez.

Terça-feira, no aeroporto...

- Te amo! Prometo que estaremos juntos em dois anos!

Ikki encostara sua cabeça na cabeça da pequena loira que tinha em seus braços. Esmeralda não conseguia evitar as lágrimas. Haviam feito promessas e juras tão edificantes que embora o rapaz se tivesse preparado tanto para este que seria o pior momento, estava prestes a deixar transparecer toda sua emoção. Sabia que seria difícil, mas não podia esperar que fosse tanto. Abraçou-a.:

- Nas férias venho te ver! Darei um jeito de conseguir burlar os diretores, de acordo com a lei do visto, tenho de morar dois anos consecutivos em solo americano para ganhar a residência, mas vou ver o que posso fazer!

- Se cuida! Promete me escrever?

- Sempre! - beijou-a demoradamente, naquele momento uma voz anunciava a última chamada para o vôo com destino à Massachusetts.

Ikki abraçou o irmão mais novo, em prantos também, mais uma vez e despediu-se também de seus amigos. Aproximou-se da namorada e a beijou ardentemente:

- Eiri, cuide dela! - recomendou sorrindo.

- Pode deixar! - disse ela, também emocionada pela despedida - Boa viagem, Ikki!

- Obrigado! Adeus, amigos!

Através dos vidros, o grupo de jovens pôde avistar a decolagem. Após alguns minutos, dirigiram-se para fora do aeroporto, alguns tinham suas viagens marcadas para aquele dia mesmo, afinal, estavam em férias. Shiryu tomou sua mala e precipitou-se para o portão de embarque, o vôo com destino a Pequim já estava sendo anunciado.

- Até setembro, galera!

Eiri e Esmeralda permaneciam paradas esperando um táxi. Shun, Hyoga e Seiya preferiram manter a distância, o semblante da namorada de Ikki não era dos mais agradáveis. Shun ainda estava visivelmente abalado pela separação de seu niisan:

- No final do ano irei para lá!

- Pelo menos você terá um lugar interessante para ir! - ponderou Seiya sorrindo.

- Seiya, eu odeio os EUA, só irei pelo meu niisan! - respondeu Shun.

- A Esmeralda está muito pálida, parece que vai desmaiar a qualquer momento! - notificou Hyoga, que observava as duas.

- É uma situação complicada! Oito anos é uma vida! - comentou Seiya com as mãos nos bolsos.

- Acha que consegue chegar em casa direitinho, Esmeralda? - perguntou Eiri, num ponto mais afastado dos meninos.

- Sim, não se preocupe! São só algumas horas em trem!

- Bem, então vamos! Táxi! - chamou Eiri; ambas entraram no veículo - A que horas sai o seu trem?

- Às 21:00, temos algúm tempo, terminarei de arrumar a bagagem!

- Para onde elas vão? - perguntou Shun.

- A Eiri foi levá-la na estação de trem! - respondeu o loiro.

- E nem se despediu! - comentou Seiya - A Esmeralda está mesmo muito diferente, ela nunca foi assim, calada, sempre foi tão social e simpática!

- Ela está triste! - ponderou Shun choroso - É normal, eu também estou!

- Sabe, a verdade é que elas andam muito esquisitas! - suspirou Hyoga.

Na estação...

- Seu pai vai buscá-la na estação?

- Sim! - suspirou - Não sei como vou encará-lo, Eiri! Quando eu olhar em seu rosto, minhas forças vão me abandonar!

- Ele pode ser rude no seu trato social, mas ama você e embora vá ficar bravo, não terá coragem de negar-lhe ajuda! - disse Eiri, sem acreditar muito em suas próprias palavras - É seu pai!

- Se quiser aparecer, minha casa fica só a 5 horas de distância de Atenas! - sorriu Esmeralda.

- Eu irei! Seu celular estará sempre com você?

- Sim, mas deixe que eu ligo! - pegou a mochila preparando-se para entrar no vagão - É menos perigoso, meu pai ás vezes costuma ser muito indiscreto!

De repente, ou porque talvez estivesse bêbado ou porque, devido ao frio que fazia desde o dia anterior, estivesse com as orelhas tapadas por uma boina, o fato é que, uma locomotiva que havia entrado na estação, apitando estridentemente, agarrou em cheio a um ajudante de bordo que, tentando desatrelar uns ferros que estavam nos trilhos, não vira o transporte aproximar-se em alta velocidade.

O trem o arrastou como a um saco, levando-o por alguns metros até que, impresando-o entre as rodas bem oleadas, fez com que as mesmas se detivessem por conta do obstáculo. O trem deu um forte rugido e estagnou de forma brusca, um alarme barulhento começando a atroar por todo recinto. Todos correram. Gritos, vozes alteradas, algumas mulheres tapavam os olhos com a mão a fim de não ver a cena.

A duas garotas, que estavam na margem oposta, cujo trem com destino a Esparta estava para sair, viram, petrificadas, o acidente, que aconteceu diante delas mesmas. Eiri havia gritado, selvagemente, equanto ao seu lado, Esmeralda, paralisada pelo choque, os olhos muito abertos de espanto, não conseguiu esboçar uma reação, mas sentiu-se desfalecer quando suas pernas pareceram mergulhar num mar ondeado e sua cabeça girou diversas vezes. Terminou vomitando. Eiri a amparou para que não fosse ao chão.

- Você está bem?

- Isso é mal, é muito mal, Eiri! - Esmeralda estava trêmula, limpando a boca com as costas da mão. - Isso é mal presságio!

- Bobagem, foi um acidente horrível, mas você não deve pensar nisso agora!

Eiri a levou até um banco, com certeza a viagem seria atrasada alguns instantes. O maquinista saiu do seu posto e foi observar a cena, algumas pessoas que passavam de volta, faziam comentários.

- Está partido em três! - dizia um.

- Horrível! - dizia outra. - O trem cortou a cabeça dele!

Era impossível não escutar. Esmeralda tomou um pouco de água e pôde relaxar. Após uma hora de espera, finalmente os passageiros puderam recomeçar o embarque. A polícia estava no local e o corpo já havia sido retirado. Esmeralda levantou-se com sua mochila e seguida por Eiri, embarcou, sentando-se na janela.

- Boa sorte, amiga! E não se esqueça de ir ao médico!

- Está bem! - disse a loira, acomodando-se numa poltrona - Não se preocupe! Estaremos bem! - acariciando a barriga.

- Mande fotos! A propósito, vou acampar com o Hyoga e os meninos agora em julho!

- Sério?

- A June e a Saori vão, ou seja, um "acampamento" muito inocente! - ironizou Eiri.

- Imagino! Mas, a Saori não é a neta do dono da fundação Graad?

- Pois é...

- De onde a conhece? - perguntou Esmeralda intrigada.

- Eu consegui arranjar um estágio no hospital da fundação que fica no mesmo prédio do orfanato Filhos das Estrelas!

- Fico feliz, Eiri! - sorriu a menina.

- Detalhe: O Seiya está pegando!

- Depois dessa não me admiro mais de nada! - ponderou a loirinha de dentro do trem - Adeus, Eiri! - despediu-se quando o mesmo se pôs em movimento - Nos veremos em breve!

- Irei vê-la! Prometo! - gritou Eiri acenando; depois dirigiu-se para o apartamento afim de arrumar o necessário para um mês no meio do mato; seria bem interessante.

o.O.o

Esmeralda chegou a Esparta as 02:00 em ponto e ao descer do comboio, a primeira pessoa que avistou foi seu pai, com sua velha postura séria e um tanto assustadora. Guilty era muito alto e robusto e suas feições severas e grosseiras causavam uma má impressão nas pessoas, que o achavam rude e insensível. Não estavam enganadas. Aproximou-se da filha ajudando-a com a bagagem e embora realmente a amasse, nunca fora de deixar transparecer seus sentimentos. Limitou-se a olhá-la sério:

- Fez boa viagem? - perguntou em sua voz grave.

- Sim, papai! - respondeu a menina, ao vê-lo, todo temor de sua situação veio a tona.

- Que bom! - comentou, dando por encerrado o assunto; a garota suspirou.

Em casa, Esmeralda sentiu-se dentro de seu mundo. Seu pai nunca fora um homem de posses, sempre passaram dificuldades. Sua casa ficava numa rua mediana, era um lar mediano, mas devido a severidade da personalidade de seu pai e das imposições financeiras a que estavam constantemente submetidos, só possuíam o necessário para se habitar um lar. Dormiu em sua cama, ou pelo menos tentou, no seu quarto que tanto amava e que ele havia pintado de rosa quando tinha apenas sete anos. Pensava em Ikki. Já estava morrendo de saudades dele, mas foi melhor assim, afinal, era o futuro dele. Virou-se para a parede, mas estava difícil de conciliar o sono.

Durante o café da manhã no dia seguinte, preparado como sempre por ela, quando estava em casa, Guilty, servindo-se de leite, não dizia uma só palavra seja de raiva, afeto ou simplesmente indiferença. Esmeralda já acostumara-se ao jeito do pai, que as vezes a fazia rir, mas por ela ter algo tão sério para falar-lhe, desejava que ele lhe dissesse algo, nem que fosse para brigar. Nunca sentira tanta falta de suas broncas. E olhando-o timidamente, implorava em pensamento para que fosse ele a quebrar o silêncio. Parece que suas preces foram ouvidas:

- Então? Quando voltará a aulas? - indagou ele fitando-a sério; conhecia sua filha o bastante para saber que algo não ia bem.

- Em setembro! - respondeu num fio de voz.

- E aquele seu...namorado? - mastigou o último nome.

- O Ikki? Ele está bem!

- Está gostando da faculdade?

- Sim! É diferente da escola!

- Tivemos sorte de conseguir esta bolsa de estudos pra você!

- É...muita sorte...

- Quer me dizer algo? - Guilty apertou o olhar no da filha; esta desviou os seus.

- Não...quer dizer... - suspirou, olhou o pai nos olhos.

- Então? - perguntou de forma brusca, já estava se impacientando com a demora - Vai ficar ai olhando sem dizer nada ou vai desembuchar de uma vez?

- Pai, preciso contar uma coisa! - prontificou-se, se tinha que ser, que fosse rápido.

- Estava muito bom para ser verdade! - disse recostando-se na cadeira, olhava-a severamente - Se perderes esta bolsa, voltará a se enfiar aqui! Não tenho dinheiro para pagar a universidade nem para te sustentar! - bradou cruzando as mãos no abdômen.

- Não é nada com a faculdade, embora eu não vá mais voltar lá!

- (Guilty apurou o olhar) Como assim não vai mais voltar? O que você aprontou dessa vez? - começara a exasperar-se; assustada, ela disparou a queima roupa.

- Estou grávida!

o.O.o Continua... o.O.o