CAPÍTULO IV

Mistérios

o.O.o Massachusetts, EUA o.O.o

- Não existe! Definitivamente não existe!

Exclamava um rapaz alto, de cabelos azuis rebeldes, na altura dos ombros, olhos de um tom mais claro e traços felinos, jeito descontraído e um olhar cínico, observando um grupo de mulheres que haviam entrado, naquele momento, no restaurante da imensa universidade de Havard, mais precisamente no edifício das Engenharias. Às suas palavras, seus dois acompanhantes, um rapaz de cabelos azuis curtos e olhos azuis e outro de cabelos castanhos claros e olhos também azuis, voltaram-se para trás, olhando na direção que o outro indicava discretamente, enquanto tomava sua cerveja.

- O que não existe, Milo? - perguntou o aloirado, abrindo um sorriso ao se deparar com as beldades.

- Não existe outro assunto, quaqluer outro assunto, que seja melhor que mulher! - respondeu Milo, com seu forte sotaque ateniense. - Concorda Ikki?

- Bem, se Deus fez algo melhor que mulher, certamente que guardou pra ele! - respondeu o jovem de fortes olhos azuis, também admirando os belos exemplares - Pena que eu já seja comprometido! - voltando-se para o seu copo em cima da mesa.

- Ora, Amamiya! Sua mulher está a mais de mil quilômetros daqui! Não vai nem saber, relaxa! - volveu Milo.

- Mas eu saberei, e isso para mim é suficiente! Eu jamais trairia a Esmeralda, ainda que aparecesse aqui a própria Jenifer Lópes! - e fez cara de sarcasmo, imaginando a JLO parada na sua frente - Por Zeus, que belo traseiro! É simplesmente a melhor coisa que eu já vi desde que inventaram arroz à grega!

- Você se preocupa com a sua, que está longe, e a minha? Está aqui do lado! - falou Aioria, voltando aos amigos. - Sorte que a Marin não é ciumenta, porque com a quantidade de meninas que vivem no meu pé, já teria infartado!

- De que adianta ter tanta mulher em cima de você, se você não tem coragem de pegar nenhuma? - ironizou Milo.

- Oras, Demopoulos, eu só tenho olhos para a ruiva esportista estudante de Biomedicina! - sorriu o grego de cabelos dourados. - Há muitas mulheres bonitas no mundo, mas todas elas têm o mesmo problema: não são a minha Marin!

Ikki, sorrindo, deu um tapa amistoso nas costas do companheiro de classe, uma vez que os dois estudavam Engenharia química, enquanto Milo, revirando os olhos aos céus, esvaziou o copo, servindo-se de mais cerveja. Ele estudava mecânica. Era sexta a noite e haviam decidido sair para esfriar a cabeça depois de uma semana completa de provas e leituras.

- Será que poderíamos falar de outra coisa hoje que não seja mulher? - perguntou Aioria - A gente só fala nisso! Não é possível que sejamos tão dependentes e previsíveis!

- Apoiado! Tenho certeza que somos capazes de desenvolver outros colóquios que sejam mais maduros, mais edificantes e mais filosóficos! - comentou Ikki, também enchendo o copo.

- Nem precisa ser tão edificante assim, basta só não ter uma vagina no meio! - rebateu Aioria.

- Falemos de futebol! Futebol não tem vagina no meio! - exclamou Milo, sorrindo. - A menos que tenha algum morde fronha jogando no meio de campo de algum desses times por ai!

- São os únicos assuntos que temos disponíveis? Futebol e universidade? - Ikki franziu o cenho - E futebol não discuto porque meu time está em péssima colocação!

- E a universidade não é um assunto muito alternativo, porque nós só estamos aqui para um dia ter um bom trabalho pra pegar mulher! - respondeu Milo.

- Ei, espera ai, eu não vou trabalhar só pra pegar mulher! - defendeu-se Aioria.

- Não? - Ikki deu uma gargalhada irônica - Quer dizer que se não existisse mulher no mundo, você ia sair da sua casa às 4 da manhã, num frio polar que faz nessa cidade, para chegar naquela classe completamente sonolento, e passar 12 horas escutando o professor conversar no teu ouvido quando na verdade, você queria era tá na sua cama, dormindo?

- Exato! - apoiou Milo, apertando a mão de Ikki - E tudo isso pra que? Pra sair daqui, encontrar um trabalho, ganhar seu salario que sempre não dá pra nada, porque quanto mais você ganha, mais os meses se tornam intermináveis, para sair para gastar com os amigos? E para gastar sabe-se lá onde, porque eu não estaria neste restaurate se não houvesse a possibilidade de entrar, por aquela porta, uma mulher belíssima!

- E ai estão vocês: mulher, mulher, mulher...Não dá pra mudar de assunto, não? - falou Aioria.

- Falemos do companheirismo! - disse Milo - O companheirismo entre os homens, é um assunto legal e não é mulher!

- Milo, por favor, sem viadagem! - rebateu Ikki, chamando o garçom e pedindo outra garrafa.

- Não é viadagem, espírito pobre! Falo da camaradagem entre os homens, a amizade sincera, que é algo muito mais bonito e muito mais interessante do que o amor entre um homem e uma mulher. Porque as mulheres jamais são sinceras!

- Pois é...- Ikki o olhou irônico - Viadagem!

- Internet! - falou Aioria - É um tremendo assunto e não tem nada a ver com mulher!

- Internet não tem nada a ver com mulher? - Milo encara o amigo incrédulo.

- Não!

- Quando foi a última vez que você entrou na internet e não olhou uma foto sequer de mulher pelada? - perguntou Ikki.

- Tem razão! Internet tem tudo a ver com mulher!

- É mesmo, e por que?

Naquele momento, um grupo de três amigas entraram no restaurante. Uma delas, ruiva, de olhos azuis, vestida com saias, botas e um casaco muito feminino, sorriu ao ver os rapazes a um canto e caminhou na direção deles. Chegou por trás do seu namorado, assustando-o com sua interferência. Aioria sorri amarelo e levanta-se para recebê-la.

- Marin!

- Parece surpreso em me ver! - ela o olha irônica - Falavam de mulheres?

- Como adivinhou? - Milo sorri com sarcasmo.

- Intuição feminina! - respondeu ela no mesmo tom - Podemos sentar com vocês?

- Claro! - responde Aioria, recebendo um olhar mortal de Ikki e Milo - Você já conhece os rapazes, não é? Milo, Ikki...

Os garotos acenam sem jeito para a namorada de Aioria. Ela sorri e abre espaço para as suas amigas.

- Estas são as meninas que dividem o apartamento comigo. - disse Marin - Shina e Pandora!

Milo e Ikki levantam-se para rebecê-las, oferecendo suas cadeiras enquanto buscavam outras para si. Foi quando Ikki levantou os olhos e encontrou os orbes negros da bela alemã diante de si. Seu sorriso se desfez e ela, encarando-o algo atônita, finalmente disse, após alguns segundos de silêncio.

- Você!

- Eu! - rebateu ele.

- Se conhecem? - perguntou Marin.

- Ele é o cara do táxi que eu contava a você! - disse Pandora, sem afastar seus olhos de Ikki.

- Mas você não disse que ele era insuportável? - falou Shina, olhando Ikki dos pés a cabeça - Por que não falou que era um deus?

- Obrigado pelo elogio, senhorita! - disse Ikki, pegando a mão de Shina e beijando-a. Esta sorriu insinuante. - Esse mundo é mesmo muito pequeno!

- Sentem-se! - disse Milo - O que vão beber? Nos acompanham?

- Não! - disse Pandora - Hoje vamos de tequila!

- Tequila? - assustou-se Aioria, olhando Marin.

- Então, se é assim, somos nós quem vamos acompanhá-las!

Disse Milo, chamando o garçom e fazendo o pedido de 2 garrafas. Ikki e Aioria se entreolharam sem dizer nada.

...v...v...

Ele abriu os olhos ainda sonolento, os traços másculos franzidos numa horrível careta. Sua cabeça pesava terrivelmente, uma forte dor impediu que pudesse sentar-se completamente. Voltou a deitar. Mas de repente, vendo uma mulher parada a alguns metros de distância, sentou-se imediatamente, em alerta, olhando para ela como se tratasse de um alienígena, um demônio ou qualquer coisa estranha nesse mundo. Abriu a boca por duas ou três vezes, mas as palavras não sairam:

- Não lembra do meu nome, não é? - perguntou ela, sem importância. Levava uma camisa masculina por cima do seu corpo, parecia ter-se levantado naquele exato momento. - Tudo bem, está mais do que na hora de nos apresentarmos, afinal, parece que sempre estamos cruzando o caminho um do outro!

Ela saiu de trás do pequeno balcão que separava a minúscula cozinha da sala/quarto de dormir. Os cabelos negros estavam molhados e segurava uma xícara fulmegante de café. Ikki a seguia com o olhar completamente abismado. Na verdade, depois daquele primeiro encontro fatídico no taxi, sempre estavam batendo-se pelos corredores da universidade de Havard. Para o seu pesadelo, aquela mulher insuportável e arrogante, também era uma aluna de intercâmbio, vinda da Alemanha e cursava Engenharia genética.

- Eu sou a senhorita Chata, como você tão bem sabe, tanto que até me deu este carinhoso apelido ontem a noite e o senhor é...deixe-me ver, o senhor BBB: Bruto, Bêbado e Babaca! Sim, porque, pelo modo como estava a noite, mas parecia um cachorro faminto!

- Espera aí, deixa eu ver se entendi...- Ikki limpa os olhos, tentando concentrar as idéias - Eu cheguei aqui? Na sua casa? Ontem de noite? Do que está falando?

- Tá pensando o que? Que eu pus um revólver na sua cabeça e te arrastei até aqui? Você veio com seus próprios pés e eu ainda só não os cortei porque isso mancharia minha futura e brilhante carreira como geneticista! - sarcástica.

- O que eu vim fazer aqui? - olhou-se, pela primeira vez deu-se conta de que estava completamente pelado; Espantou-se e levantando-se, disparou - Fizemos sexo?

- De verdade você não lembra de nada? - ela o fitou cínica. - Acho que precisa de um café!

- Onde estão minhas calças? - procurando por todo lado.

- Não sei, deve está por ai! Não vai querer que eu procure, vai? - jogando-se em cima do sofá e olhando-o com a cara mais cínica e safada que encontrou.

- Ao menos a noite foi boa pra você? - perguntou ele, olhando debaixo do sofá a procura das roupas.

- Sim, nada de especial! - lixando as unhas.

- Peço desculpas, não costumo entrar na casa de alguém assim, principalmente na casa de uma mulher! Eu sempre me lembro com quem estou e jamais estaria com você porque já estou com alguém, ou seja, eu tenho alguém, sou comprometido e...- tentando se explicar, completamente nervoso.

- Mein Gott! - ela levou a mão ao coração, fingindo surpresa - Você acha que tivemos sexo?

Naquele momento, uma ruiva entra na sala, cara de sono, os cabelos presos, os olhos azuis sarcásticos e um pouco irritados. Ainda estava vestida com a roupa de dormir. Olhou pra Ikki e fez cara de tédio.

- Você deixou isso no meu quarto, Amamiya! - e jogou aos pés dele uma cueca samba-canção preta.

- Oh, meu Deus...Marin? Eu...você...eu deixei? - perdido - O Aioria vai me matar! Também deixei minhas calças no teu quarto?

- Não, quando você entrou já não tinha calça nenhuma! - disse ela, virando-se e indo pegar uma xícara de café. - Pandora, do que você está rindo?

A mulher pálida de cabelos pretos, sentada no sofá, controlou-se naquele momento ao receber um olhar fulminante de Ikki.

- Não sejam más, que infantilidade! - disse outra mulher, uma de cabelos verdes e rebeldes, olhos verdes e um corpo escultural, chegando da sua ginástica.

- Shina, você também? - sua face tornou-se lívida. - Não pode ser, eu jamais trairia a Esmeralda, eu...

- Shina quê? - perguntou ela, olhando-o com insinuação - Se tivemos sexo? Sim! Muito! Não sabia que meu corpo fosse capaz de sentir tanta paixão...- esfregando-se nele, Ikki estava assustado. - E que eu tivesse gostado tanto...- piscou um olho pra ele e saiu.

Pandora apiedou-se e sentando-se bem no sofá:

- Já se sente melhor?

- Eu não sabia que viviam todas juntas! Diga-me, por favor, eu fiz sexo com alguém neste apartamento noite passada? - esperando pelo pior.

Após um minuto de silêncio, ela respondeu:

- Não, com ninguém!

- Sinto muito! - desculpou-se Shina, sorrindo.

- Muito obrigado, sua traidora! - todas começaram a rir - Isso, isso, riam, divirtam-se de um pobre homem idiota pelado! - irritado, muito irritado, vestindo a cueca.

- Suas calças estão no meu quarto, se você ainda a quer, me acompanhe! - Pandora levanta e vai na direção do quarto.

Ikki levanta e sai atrás dela, Marin e Shina olham sua bunda sem a menor discrição e a morena italiana, batendo palmas exageradamente, grita, enquanto Marin assovia:

- Lindo, bravo, nota dez! Isso é um homem de verdade, cáspita!

- Como eu cheguei aqui?

Perguntou Ikki entrando no pequeno quarto, enquanto a jovem fechava a porta para que ele pudesse se trocar.

- Bem, você estava com seus amigos, um deles o Aioria, namorado da minha amiga, Marin. Vocês estavam no...

- No restaurante da universidade, jantando, e vocês chegaram, eu lembro, ficaram na nossa mesa porque o idiota do Aioria se esqueceu que nossa saída era só de macho e quis a namoradinha do lado! - falando com asco.

- Exato e então todos começamos a tomar tequila porque o Milo, um grego beberrão que divide o quarto com vocês, disse que ninguém tomava mais que ele e como homem não admite perder para outro, vocês enfiaram quase 15 garrafas de tequila por goela abaixo!

Agarrou a calça e a soltou diante do homem a sua frente, virando-se de costas para que ele se trocasse.

- Continue...- pediu ele, vestindo a calça.

- Então, quando estávamos saindo, você me agarrou e disse que só me soltaria quando eu dissesse que você era o melhor...

- Eu fiz isso?

- E como isso jamás irá passar, tive que trazer você aqui! Creio que pensou que estava na sua casa, porque você chegou, tirou a roupa e deitou na minha cama e me agarrou! Só pude me soltar quando você adormeceu, o que não demorou muito! Depois, de madrugada, você acordou chamando uma tal Esmeralda e foi pro sofá!

- Não posso acreditar que fiz isso! - agarrou a camisa que ela lhe passava e vestiu - Eu preciso ir, tenho aula...

- Relaxa, hoje é sábado, não temos aulas, e você tem um lindo pênis!

Ikki avermelhou-se até o último fio de cabelo. Ficaram se encarando por alguns segundos e sem saber porque, Ikki sentiu uma intensa vontade de beijá-la, aquela mulher arrogante, com pose de superior, que tanto odiava. Pandora o observava, com sua camisa masculina de botoes, até a metade das coxas, as mangas dobradas até os cotovelos, dava-lhe um ar tão lascivo, como uma menina que estivesse esperando ser violentada. Foi ela quem desviou os olhos em outra direção. Ikki fez o mesmo, odiando-se pelos pensamentos pecaminosos que haviam invadido, sem que ele quisesse, sua cabeça.

- Eu vou indo...- disse ele - Depois a gente se fala...

Ela não respondeu, deixou-o passar, mas quando abriu a porta, Marin e Shina quase cairam dentro do quarto. Ikki olhou para Pandora e com uma expressão cínica e impasciente, passou pelas duas garotas, abriu a porta e saiu. Naquele momento o telefone tocou. Shina se precipita para atender e volta ao quarto de Pandora oferecendo-lhe o aparelho.

- Quer falar com você!

- Quem é?

- Não sei, não disse o nome, mas tem uma voz grave e muito sedutora! - insinuante.

Pandora agarra o telefone com um suspiro, já imaginando quem é. Se tranca no banheiro enquanto as duas amigas se jogam sobre a sua cama.

- Quem é, Shina? - Marin pergunta, curiosa.

- Não disse quem era, mas com certeza deve ser uma chamada de Londres!

o.O.o Grécia o.O.o

- Está conseguindo ver?

Giovanni movimentava, com delicadeza, o pequeno aparelho de ultrassom sobre o ventre imenso da jovem loira deitada na cama. Esmeralda levantou-se um pouco, apoiando-se nos cotovelos, para melhor acompanhar as imagens no computador, onde podia ver melhor detalhada que na tela ao alto.

- Mais ou menos! Não entendo bem, não sou capaz de identificar muita coisa, só as cabecinhas!

- Está bem aqui! Consegue ver agora? Aqui estão as perninhas e estas são as colunas vertebrais de ambos, como você pode ver, estão em perfeito estado!

- Sim...- ela sorriu, voltando a deitar-se.

- Só não consigo distinguir o sexo do que está atrás! A posição em que se encontra, torna-se quase impossível, o da frente está com um dos braços na frente do outro!

- Ao menos terei uma surpresa...E o outro? É possível saber?

- Sim, já te digo! Me dá um minuto!

O médico, com um forte sotaque italiano, examinou com cuidado, ás vezes aumentando a imagem, outras, diminuindo enquanto fazia alguns cálculos e ditava á Daphne alguns dato para Esmeralda, completamente desconhecidos. Por fim sorriu:

- É um menino! Um belo rapaz e já está encaixado na pelvis, o que significa que você poderá ter um parto absolutamente natural, sem nenhum problema! Ele será o primeiro a sair!

- Tomara que o outro seja uma menina! - pediu Esmeralda - Assim terei um lindo casal de gêmeos, nem posso acreditar!

- Sim, esperemos!

Esmeralda estava na sala de ultra-som. Desde que passara mal e fora medicada pelo doutor D'Angeri, que ia mensalmente ao consultório para fazer exames. É verdade que a principio, sua pressão preocupara o médico, mas como ele agora a acompanhava, poderia ficar um pouco mais aliviada. Ia nos 8 meses e suas relações com o pai pareciam um pouco estabilizadas. Ao final da consulta, levantou-se e trocou de roupa, recebendo do médico as fotos e os dados de como estavam os bebês naquele mês. Despediu-se e saiu, um sorriso explêndido abrindo-se nos seus lábios finos e rosados. Já não aguentava mais de vontade de pegar o telefone e dizer tudo a Ikki. Mas já estava no final do caminho, não custaria esperar mais um pouco.

Chegou em casa, abriu a porta e percebendo que o seu pai não estava em casa, correu para o quarto e pôs-se a escrever a Eiri, contando as últimas novidades. Fazia já dois meses que não enviava nenhuma carta. De repente, o telefone fixo soou. Esmeralda dirigu-se à sala e agarrando o aparelho, entrou novamente no seu quarto, sentando-se na cama e atendendo a chamada.

- Eiri! - animou-se ao escutar a voz da amiga - Estava escrevendo a você, que bom que ligou! Mas já te disse que evitasse o telefone fixo, meu pai não vai gostar de saber que recebo ligaçoes!

- Esmeralda, já estou morrendo de saudades suas. Me conta, como estão as coisas? Como foi com o seu pai? Você ainda não me disse como ele recebeu a notícia!

- Foi aquele escândalo, você sabe, Eiri, eu até apanhei! Se não fosse um poder maior que tivesse segurado sua mão, acho que ele tinha me matado!

- Mas agora ele já acalmou, né?

- Mal fala comigo, não me olha nos olhos, mas acho que depois que os bebês nascerem, ele vai terminar se acostumando!

- Eu espero...Você precisa ter os seus bebês em paz!

- Eu fui no médico, já sei que um é um menino, mas o outro não deu para ver, infelizmente!

- Jura? Ai que bom, que lindo! Fico tão feliz por você! O Ikki vai se derreter quando souber que tem um filho homem! Todos eles querem ter um herdeiro, né!

- É um malandro, Eiri, acredita que pôs o bracinho na frente do sexo do outro? Não dá pra saber se é outro menino ou se é uma menina!

- E me fala, você tem falado com o Ikki?

- Ele me ligou uma vez, assim rapidinho e...

Esmeralda congelou, com o telefone na mão. O sorriso desapareceu, lentamente, de seus lábios e os seus olhos focalizaram a figura austera e severa de seu pai que acabara de entrar no seu dormitório. Guilty, como sempre, tinha cara de poucos amigos, encarou a filha com autoridade e colocando as mãos nos bolsos, fez um gesto de impasciência, para que ela desligasse o aparelho. A loira entendera, e com um suspiro profundo de resignação, saudou ao pai, voltando a falar com a amiga:

- Oi, pai... O meu pai chegou aqui, depois a gente se fala! Você já sabe quando vem por aqui?

- Ainda não, estou vendo um estágio aqui que acho que vai acabar rolando... Mas prometo que irei pro nascimento dos meus sobrinhos! Mas olha, vou desligar porque já estão indo meus créditos, além disso, não quero que seu pai me mate!

- Ok, um beijo... - despediu-se Esmeralda.

- E outro pra você, ou melhor, três, um para cada um! E me escreve contando tudo, ok?

- Escrevo sim, pode deixar!

Esmeralda desliga o telefone, colocando-o em cima de sua cama e em pé, a imensa barriga definida pelo tecido do vestido que usava, encarou ao pai, séria, esperando o que ele queria dizer-lhe.

- Você fez uma ligação internacional do nosso telefone?

- Não pai, falava com a Eiri, não com o meu namorado e foi ela quem ligou, não se preocupe. Ela tentou o meu celular, mas tá sem carga porque esqueci de pôr pra carregar...

- Já recebeu algum dinheiro do desgraçado?

- Ainda não, pai, mas com certeza em breve vou receber! Eu até necessito mesmo pagar a consulta, o doutor D'angeri disse que eu podia pagar esse mês. Estou certa que o Ikki vai depositar em breve...- sorriu sem jeito, uma vez que ninguém depositaria dinheiro algum e ela teria de fazer mágica para arranjar alguma coisa.

- E pra mim? Você não ficou devendo nada? O dinheiro que eu te mandava pra você estudar, comer, achando que você estava na universidade, não vai ter volta?

A filha o olhou perplexa, aqueles olhos castanhos, sarcásticos, que pareciam brincar cruelmente com ela. Não podia acreditar que seu pai a estivesse cobrando, ainda mais naquela situação na qual se encontrava. Engoliu em seco, não encontrando as palavras para uma boa resposta. Talvez fosse melhor assim, responder ao seu pai era praticamente uma tentativa de suicídio. E de certo modo, não podia tirar o seu direito de sentir raiva. Reconhecia sua irresponsabilidade, mas não merecia ser tratada de forma tão humilhante. Não mesmo!

- Tudo bem... - pôde articular por fim, baixando os olhos.

- Sabe, filha, eu estava pensando ontem, você disse que seu namorado foi pros EUA, isso significa que tem dinheiro... - começou Guilty, num tom sério, o cenho franzido, mas um ar de zombaria na voz.

- Ele foi com uma proposta de trabalho, pai...

- Não importa, não é qualquer um que vai pra américa, não é mesmo?

- Sim...

- Mas ele bancou a sua gravidez, não? Dinheiro pra médico, exames, enquanto você estava lá, em Atenas...

- Sim, sim... - mentiu ela - E queria dizer também que todo aquele dinheiro que eu te pedi a mais, em junho, foi pra ir a um congresso da universidade mesmo, foi aplicado nos meus estudos, eu juro... Não tinha nada a ver com a gravidez!

- Sei... - fingindo que acreditava - E porque você não pediu a ele? Com certeza tem mais do que nós, não?

- Pai, não podia fazer isso, não tive coragem... Fiquei com vergonha, afinal, era só meu namorado...

Guilty, pela primeira vez em anos, deu uma estrondosa, uma súbita e divertida gargalhada. sob o olhar embasbacado da sua filha que, apesar de surpresa, sentiu-se ferver pela fúria crescente que lhe subia no peito, vendo aquele olhar de troça que o pai lhe ofereceia, como se ela fosse ainda uma criança idiota que acreditava que o Papai Noel tinha deixado seu presente.

- Essa é muito boa, filha! Ficou com vergonha! - sua voz era tranquila, um ar risonho no rosto severo - Mas não teve vergonha de ir pra cama com ele, não teve vergonha de carregar um filho dele na sua barriga, mas teve vergonha de pedir pra pagar algo da faculdade. - seguia falando baixo, calmo - É que pra mim, pra mim é sempre o pior pedaço, não é mesmo? O que sobra, aquilo que ninguém quer, é que vem pro meu prato! O que é bom vai pros outros, vai pra um estranho!

O sorriso desapareceu, dando lugar a uma careta de indignação.

- Nunca pude realizar nenhum sonho na mina vida, nenhum! O unico que tive, depois que aquela vagabunda foi embora, foi ver minha filha formada, trabalhando num bom emprego, conhecendo um rapaz de boa familia, com um futuro bonito pela frente, e o que acontece? Você me aparece aqui, grávida de um desconhecido, do qual eu sequer lembro o nome, do qual vi a cara somente uma vez e não gostei do que vi. Acha que está certo que me pagues com esta ingratidão tudo o que eu te dei? Me fala! - a última frase saiu num urro ensurdecedor.

- Chega...

Enquanto seu pai falava, as lágrimas começaram a cair quentes pelo seu rosto já avermelhado. Apertou as mãos uma na outra, nervosa, estava trêmula. Todos os dias era a mesma coisa, a mesma tempestade, as mesmas brigas.

- Chega, pai, que eu já não aguento mais! - enxugando as lágrimas, aumentando a voz embargada pelo pranto contido - Desde o dia em que cheguei aqui, você não me falou uma palavra, pai, uma palavra de carinho ou de apoio! Que tipo de pai é você que não estende a mão uma única vez, uma ÚNICA vez, para uma filha que está em pedaços? Será que o senhor não percebe, não percebe que eu estou no chão, que eu estou no fundo de um poço, que eu preciso de colo, preciso de atenção?

E numa súbita rajada de fúria, agarra o travesseiro e o atira longe. Agarrando-se dos cabelos, se joga na cama, afundando o rosto no colchão. Guilty a olhava, sério, severo, podia-se dizer penalizado. Mas não deu o braço a torcer.

- Você não pensou em nada disso quando você fez o que fez, não foi? A única coisa que você sabia fazer era: "pai, estou doente, me manda 300 euros", eu mandava. "Pai, tenho um congresso, me manda 500 euros", eu mandava, "pai, passei o dia vomitando, tenho de ir ao médico, me manda 1000 euros", o idiota aqui te mandava. E agora volta assim? Quando seus filhos nascerem, quero os três na rua!

Àquelas palavras, Esmeralda soltou um gemido maior, no seu pranto copioso. Não ousou olhar o pai, contorcia-se na cama, como uma criança mal criada de quem haviam tomado o brinquedo preferido e fizesse escândalo para reavê-lo.

- Todo pai ama incondicionamente a um filho, não importando os erros que comete! - grunhiu ela, entre lágrimas, aos soluços.

- Tem razão, um pai o faz, mas não eu! Talvez eu esteja sendo demasiado duro, mas, minha querida filha, foi assim que me ensinaram a ser durante toda a minha vida!

E olhando-a uma última vez, saiu do quarto, deixando-a sozinha.

o.O.o Atenas o.O.o

Eiri estava sentada numa das mesas do refeitorio da universidade, um livro de biologia nas mãos. Lia atentamente algumas partes, enquanto dava mordidas no seu sanduiche de verdura, um copo de suco ao lado. Diante dela, um rapazinho de cabelos e olhos verdes lhe fazia companhia, uma vez que seu amigo, namorado da garota em questão, lhe havia pedido que a acompanhasse enquanto ele não vinha. Hyoga tinha um exame importante e iria se atrasar. Shun olhou o relógio, já passara do meio dia e a tarde estava absurdamente fresca. Estavam em pleno inverno europeu e a chuva não dava tregua. na noite anterior havia granizado e as temperatiras baixaram até 2 graus positivos.

- Quando você a verá novamente, Eiri? - disparou Shun, as mãos cruzadas em cima da mesa, numa atitude de tédio, para a loirinha que, àquela pergunta, engasgou e necessitou tomar do suco para voltar ao normal.

- Verei quem? - perguntou, fingindo-se de desentendida.

- A Esmeralda, quem mais?

- Ai, Shun, de novo esse papo sobre a Esmeralda! - impascientou-se - Não sabe perguntar de outra coisa, não? Acaso você está apaixonado por ela? Olha que o Ikki não vai gostar de saber disso, hein! Ele é teu irmão!

- Não distorça as coisas, Eiri! - Shun ficou sério - Se pergunto pela Esmeralda, é só pelo fato de estranhar que uma garota tão dedicada e responsável, simplesmente tenha sumido, desistido de tudo só porque o namorado foi embora! O Ikki prometeu a ela que voltaria para se casar, eu sei, ele me disse, não entendo esta reação então!

- Por que não pergunta ao Ikki? - Eiri deu de ombros, tomando outro gole de suco.

- Não quero preocupar meu irmão com suposiçoes ou pensamentos, além disso, se algo estivesse mal entre eles, o Ikki já teria comentado algo nas cartas ou nas ligaçoes...

- Então, se o Ikki não comenta nada, é porque tá tudo bem! Relaxa e esquece a Esmeralda, eu preciso continuar estudando!

Shun fez um gesto de rendição e naquele momento sorriu quando viu Seiya e Shiryu aproximando-se da mesa com suas respectivas bandejas. Os dois garotos cumprimentaram aos dois jovens sentados e sentaram-se por sua vez. Foi Seiya que, com seu jeito maroto e indiscreto, novamente interrompeu Eiri.

- Então, futura senhora Mikhailovitch, quando a Esmeralda vai resolver aparecer na universidade de novo? - abrindo o ketchup.

- Verdade, desde junho que não a vejo! - comentou Shiryu - Não retomará o curso? Desistiu de verdade?

- Outro! - comentou Eiri, fechando o livro numa atitude de entrega e dando atenção aos amigos - Se querem saber mesmo, sim, ela desistiu e não, não retomará o curso, ao menos por enquanto!

- Você a tem visto? - volveu Shun.

- Tenho falado com ela, ela mora longe!

- E quando a verá novamente em pessoa? - rebateu Seiya, dando uma mordida no seu hamburguer.

- Talvez eu vá agora em janeiro quando os be... - gaguejou, tossiu, ia dizer besteira.

- Quando os quê? - Shun ficou curioso.

- Quando o pai dela for se operar! - consertou confusa.

- Sei... - Shun parecia incrédulo.

- O pai dela está doente de quê, mesmo? - voltou Seiya, realmente caindo no conto.

- Coração! - terminando o sanduiche e dando conta do suco.

- Ué, mas você não tinha dito que era do fígado? - Shun franziu o cenho. Eiri o olhou espantada.

- Era! Mas agora ele vai por uma...safena, sabem como é, a velhice...

- Oi galera! - Hyoga chegou naquele momento, acenou aos amigos e foi beijar a namorada.

- Meu amor, achei que não fosse vir mais!

Eiri estava afobada, levantara-se assim que escutou sua voz e nem ao menos o deixou beijar-lhe. Hyoga puxou uma cadeira para sentar-se.

- Estava terminando um trabalho e...

- Não! - gritou Eiri, impedindo-o de completar a ação. Hyoga a olha assustado.

- O que foi?

- Lembrei que preciso ir ali, vamos comigo!

Levantou-se, puxando-o pela mão e saiu a passos rápidos, arrastando a Hyoga como um brinquedo. Shun os observava afastando-se, mas não disse nada, seu olhar sempre tão doce estava muito intrigado, com um ar de desconfiança. Suspirou.

- E então, Amamiya? - Seiya bateu-lhe nas costas, estava tão distraído que esquecera dos amigos. - Como foi no exame?

- Bem, como sempre! - respondeu.

- Nossa, Shun, o que houve? Parece que viu um fantasma!

- Não sei se é um fantasma, Shiryu, mas algo me diz que alguma coisa de muito grave está passando!

- Por que diz isso? Fala da Esmeralda? - perguntou Seiya, de boca cheia.

- Sim, dela mesma, a Esmeralda...

- E o que tem ela? - indagou Shiryu.

- Primeiro abandona o curso sem mais nem menos...

- Ah, Shun, sem essa! Um monte de gente largou a faculdade esse semestre! - comentou Seiya.

- Eu sei, mas...

- Você desconfia de algo? - volveu Shiryu, realmente interessado. - Na verdade, confesso que a Eiri anda muito estranha quando se fala nela!

- Eu não soube de nada, ainda! - proferiu o rapaz de cabelos verdes, muito sério - Mas a Eiri, sim, me deixa muito intrigado!

- Não era a Esmeralda? - Seiya parecia confuso.

- A Eiri anda escondendo alguma coisa com relação a Esmeralda! - ratificou Shun.

- Elas são amigas, absolutamente normal que tenham segredos! - disse o chinês de longos cabelos negros.

- Mas ela está mentindo, entende? A Eiri se contradiz o tempo inteiro! Olha, eu não vou tirar conclusoes precipitadas, mas acho que a Esmeralda está, sim, com algum problema! - se levantou e colocou a mochila nas costas.

- Aonde vai? - perguntou Shiryu.

- Marquei de pegar a June no cabelereiro agora a tarde! Vamos ver uma peça! - olhou o relógio.

- Hoje eu e a Saori iremos numa conferência, onde o avô dela representará o nosso país! - ponderou Seiya, sorrindo. Seu namoro com a neta do magnata japonês estava de vento em popa.

- Obrigado por me deixarem sozinho! - Shiryu fez cara de falsa tristeza; os outros dois sorriram.

- Quando vai se declarar pra Shunrey? - perguntou Seiya.

- Não fale imbesilidades, Ogawara! Ela é praticamente uma irmã!

- Praticamente não significa que o seja de verdade! - comentou Shun - Bem, eu vou lá!

- Tenha uma boa noite, Shun! - disse Shiryu, sorrindo.

- E lembre-se: - gritou Seiya com voz séria, fazendo Shun, que já estava a uma certa distância, virar-se para ele - Use camisinha! - Shun arregalou os olhos e vermelho, deu as costas e seguiu seu caminho.

- Seiya, você realmente consegue ser incoveniente! - comentou Shiryu.

- Falo pro bem dele, afinal...

- Afinal o quê? Desembucha!

- Eu sei que ele e a June estão trasando!

- Como é? - o chinês interessou-se - O Shun? O irmão do Ikki? O mais tímido da turma? Com aquele mulherão? Sim, porque a June é muita areia pro caminhãozinho dele!

- Naquele dia que você dormiu na casa da Anna, pra estudar e o Hyoga ficou na casa da Eiri, eu estava só, vendo televisão, quando o Shun e a June chegaram lá no apartamento...

- E? Fala logo!

- Daí que, do meu quarto, no final do corredor, com a porta fechada, deu pra escutar tudinho! - Seiya sorria maroto. Shiru¡yu o acompanhou.

- Quem diria... O Shun! - Shiryu não acreditava.

- Pois é, de santo ele só tem a cara! - Seiya caiu na gargalhada; Shiryu balançou a cabeça.

Um pouco distante dali, Eiri continuava andando rapidamente, puxando Hyoga atrás de si, como uma mãe que levasse o filho de castigo. De repente, o loiro, já irritado, estacou a marcha e puxou, por sua vez, a namorada, fazendo-a parar e olhar para trás.

- Basta, chega, não suporto mais essa situação! Não posso mais falar com meus amigos, conversar, quando você está por perto, que parece que isso te deixa maluca, louca, não sei...

- Está dizendo que eu sou louca? - ela soltou sua mão, ofendida.

- Está se comportando como uma! O que tem de mal falar na Esmeralda? Aconteceu algo? Ela, por acaso, está traindo o Ikki?

Eiri tornou-se séria. Jamais imaginou que pudesse passar aquilo pelas cabeças dos rapazes. Será que Shun estaria pensando o mesmo?

- Não, claro que não! De onde você tira essas idéias, Hyoga? A Esmeralda ama o Ikki e por favor, não volte a fazer esse tipo de comentário de novo!

- Tudo bem, não precisa ficar chateada, mas é que você reage de forma tão intempestiva que... Por que saiu assim, tão afobada?

- Já disse que preciso ir a um lugar! - voltou a andar, mas calma, mas Hyoga a deteve de novo.

- Por que você tem evitado o Shun? Ele te fez alguma coisa? É meu melhor amigo, me magoa que você o trate mal! - o loiro parecia preocupado.

- Ele não me fez nada nem estou evitando ele, só estou com pressa!

- Eiri, toda vez que o Shun vai estar em algum lugar, você desiste de ir, quando ele chega, você inventa uma desculpa para sair...

- É só coincidência, já disse que nunca me fez nada...

- Por isso mesmo!

- É que toda vez ele me pergunta pela cunhada! - explodiu a loira.

- Já notei isso e também já notei que você tem evitado falar nela!

- Hyoga, já te disse que não sou correio! - deu as costas ao namorado; Hyoga a alcançou.

- Me diz a verdade: vocês brigaram?

- Não!

- Então por que se sente tão irritada quando alguém te pergunta sobre ela? Não pode, simplesmente, responder com normalidade?

- Mas eu respondo!

- Você rosna! Qualquer um que se aproxime pra saber da Esmeralda, você trata super mal! Você não era assim!

- Hyoga, estou cheia de problemas, eu realmente preciso ir! Depois a gente se fala!

- Tudo bem! - o loiro a fitou sem graça - Amanhã a gente se vê, então!

Ele a beijou nos lábios com carinho e a garota seguiu seu caminho. Hyoga suspirou e resolveu ir andando pra casa. Mas fez um juramento. Arrancaria de Eiri o que estava passando, era uma questão de honra agora!

o.O.o

O sol estava se pondo quando Shun abriu a porta de vidro todo chamuscado de desenhos femininos do salão mais requisitado pelas atenienses. Não entendia o porque de sua namorada necessitar toda uma tarde trancada ali, naquele lugar, apenas para ir ao teatro. Suspirou, com um sorriso maroto nos lábios, enquanto buscava, por todos os lados, a sua garota.

- Mulheres, todas iguais! - murmurou, ao ver o ambiente repleto.

Entre as dezenas de progesteronas falantes dentro do recinto, conseguiu divisar sua namorada conversando alegremente com o propietário do negócio, um grande empresário, conhecido por todos por ser bastante íntimo das estrelas da televisão e também das garotas do curso de Artes. Esmeralda e Eiri sempre o tinham em grande conta.

- Querido, aqui! - gritou June, acenando para que se aproximasse.

Afrodite em pé, com as mãos cruzadas na altura do queixo, deixou que uma leve exclamação saísse de seus lábios, juntamente com uma erguida discreta de sua bem delineada sobrancelha.

- Você está linda! - comentou Shun, recepcionando a namorada com um fevroroso beijo nos lábios.

- Dite é maravilhoso, não sei o que seria de mim sem ele! - comentou sorrindo.

Afrodite fez uma pequena reverência em agradecimento, recebendo um cumrpimento do jovem universitário. Shun voltou a fitar a namorada.

- Então, vamos? Se não chegaremos atrasados!

- Sim! - respondeu June, voltando-se para Afrodite - Depois venho para continuarmos aquele assunto...

- Mi casa es su casa! - brincou o comerciante - A propósito...- Afrodite encarou a Shun - Como está sua cunhada?

O rapaz deixou que seu doce sorriso fosse gradativamente desaparecendo. Encarou o homem afeminado a sua frente com ar interrogativo. Como se não houvesse entendido a pergunta.

- Minha cunhada? A Esmeralda?

- A menos que você tenha outra...- Afrodite sorriu - Eu acho que ela é, sim!

- Ela deixou a faculdade há alguns meses, não sabia? - Shun respondeu um pouco sem jeito.

- Claro que eu sabia, aqui fico sabendo de tudo! - Afrodite espanejava as mãos no ar, indicando os ouvidos - Mas falo sobre os be...

Estacou, olhando para a porta de entrada. June voltou sua atenção na direção do olhar do cabaleireiro. Apenas Shun continuava prestando atenção no que ele iria dizer.

- Sobre os... - tentou continuar, mas Afrodite parecia alheio.

- Com licença! - pediu o homem, abrindo um sorriso.

E dirigindo-se para a prota, foi receber a neta do ilustre magnata japonês, Mistumasa Kido. June sorriu, e chamando Shun a si, comentou:

- Ela é tão elegante, não é? O Seiya vai se dá bem!

Shun fitou a namorada, completamente desentendido. Sabia que Afrodite estivera prestes a lhe dizer talvez a chave daquele enigma, mas a chegada de Saori havia atrapalhado.

- Vamos? - chamou June.

- Sim, vamos! - suspirou Shun.

O casal cumprimentou a namorada de Seiya e saindo do salão, dirigiram-se ao teatro municipal de Atenas. Afrodite acenou um adeus aos dois e olhando pra Shun, um sorriso cínico nos seus lábios pintados, disse:

- Mas que deus grego, minha deusa Afrodite! Definitivamente, eu sou gay!

o.O.o Continua... o.O.o