– Você passou a noite com Finn Hudson? – Santana perguntou a Rachel.

– Shhh, fala baixo! – Rachel pediu, colocando a mão na boca da outra. – Quer que todo mundo saiba?

Elas estavam sentadas em suas mesas, na redação da revista, e havia várias pessoas em volta.

– Mas... Logo ele, de quem você tanto fala mal?

Estava óbvio pela expressão de Santana que ela estava achando tudo muito hilário. Rachel respirou fundo, tentando manter a calma diante da situação em que se encontrava. Até o presente momento, não tinha revelado que a pessoa com a qual passara a noite, três dias atrás, era Finn Hudson. No entanto, Santana não havia facilitado a vida dela, desde que Rachel acordara na manhã seguinte, com uma dor de cabeça de matar.

Rachel não só estava envergonhada pelo fato de ter dormido com uma pessoa que mal conhecia, o que não era do feitio dela de maneira alguma, como também estava mortificada por ser justamente um homem do tipo de Finn Hudson, que ela sempre declarara não gostar.

– Eu tinha bebido um pouquinho e estava com a cabeça cheia das coisas que você tinha me falado. – Rachel falou, em tom acusatório.

– Agora a culpa é minha? – Santana nem ao menos parecia se importar, ao contrário, ria abertamente. – Porque se for, ótimo, me sinto honrada por ter feito você agir como uma mulher normal e saudável, sem se sentir presa àquele Jesse, que não merece o mínimo da sua consideração.

– Tá, tá, tudo bem. – a última coisa na qual Rachel queria pensar agora era em Jesse.

– Foi bom, pelo menos? – Santana perguntou, com um sorriso de canto. – Quer dizer, até mesmo eu sinto o apelo sexual vindo de um cara como Finn.

Rachel ficou calada, recusando-se a responder. Não diria a Santana que tivera o melhor sexo de toda sua vida com um tipo cafajeste como ele. Mas a amiga ficou cutucando-a na cintura com o dedo indicador, para provocar, até que Rachel não conseguiu aguentar e deixou escapar uma risada.

– Eu sabia! – Santana exclamou. – Sua safada!

– Fala baixo, pelo amor de Deus!

Santana chegou mais perto dela e abaixou o tom.

– E agora, como vai ser?

– Como assim "como vai ser"? Simplesmente não vai ser. Pretendo agir como se nada tivesse acontecido, assim como agi até agora. Finn nem sequer sabia o meu nome.

– Como você sabe disso?

– Porque quando falei o nome dele, ele pareceu surpreendido, como se não se lembrasse de me conhecer. Achei melhor não informar qual era meu nome.

– Você fez sexo com um cara que nem sequer sabia o seu nome. Rachel! – Santana parecia satisfeita. – É isso aí!


– Pensando na mulher misteriosa outra vez? – Puck perguntou a Finn.

Sentado no sofá de seu apartamento, Finn estivera até agora olhando para o nada, lembrando-se da noite que passara com a morena que povoava sua mente desde então. Ainda não se conformava em ter sido deixado sozinho na cama por ela. Geralmente acontecia o contrário, ele era quem ia embora na surdina. Nunca em sua vida acontecera de uma mulher abandoná-lo.

Até porque raramente trazia alguém para seu apartamento, justamente porque assim poderia ir embora livremente, quando bem entendesse, no meio da noite. Mas aquela morena o deixara tão louco que a trouxera para lá, já que seu apartamento ficava bem próximo à boate e Finn não soubera dizer se poderia esperar muito tempo mais.

Desde daquele momento, vez ou outra, pegava-se pensando naquela mulher e onde diabos ela estaria agora. A situação era ridícula, pois nem ao menos sabia o nome dela. No entanto, ela sabia o nome dele, pois havia falado, quando atingira o orgasmo.

A lembrança fez Finn sorrir.

Mas, voltando ao assunto, aquilo significava que eles se conheciam de algum lugar, mas de onde...?

– Finn! – Puck aumentou a voz para chamar a atenção.

– Eu tenho que encontrá-la, Puck. Eu tenho.


Uma semana depois, Rachel e Santana estavam no elevador, indo embora para casa, no fim do expediente. A porta do elevador se abriu e as figuras de Finn Hudson e o amigo de cabelo moicano dele, cujo nome Rachel não fazia ideia, apareceram.

Rachel arregalou os olhos ao vê-los e segurou a mão de Santana firmemente. Até então, a sorte tinha estado ao lado dela, e os dois ainda não haviam se encontrado. Mas a sorte não dura para sempre, pelo visto.

Finn estava rindo, olhando para o outro homem e apenas olhou para frente no momento em que deu um passo para dentro do elevador.

– Boa tard... – ele parou como se tivesse topado com uma parede invisível e devolveu o olhar surpreendido de Rachel. Uns instantes de intenso silêncio se passaram, com a porta do elevador ainda aberta. – Você! – Finn exclamou, finalmente, apontando para Rachel.

– Me desculpe? – a essa altura, Rachel já se recuperara maios ou menos do choque inicial e decidira que o melhor era fingir indiferença.

– Você é a mulher da boate! – Finn concluiu.

Rachel engoliu saliva, tentando manter a compostura.

– Não sei do que está falando. – ao dizer isso, sentiu o olhar de Santana para ela, bem como o do amigo dele, que também a olhou com atenção, avaliando-a.

– Não, é você sim. – o amigo disse. Ele já estava dentro do elevador agora, o qual pôde continuar com o seu trajeto de descida. – Eu lembro.

– Desculpem, mas não sei do que estão falando. – Rachel estava uma pilha de nervos por dentro. Nem sequer sabia como estava conseguindo falar sem a voz tremer. Pelo visto, possuía um autocontrole melhor do que imaginava.

Finn a olhava com expressão confusa.

– Não, não, espera... Você sabe quem eu sou. Você falou o meu nome!

A porta do elevador se abriu e Rachel, que ainda segurava a mão de Santana, disse:

– Não, desculpa, mas não sei quem você é. – ela respondeu, andando depressa para fora do elevador, levando Santana, que observara a cena atenta demais para conseguir dizer alguma coisa, junto consigo.

Ouviu Finn andando atrás dela, chamando-a, mas Rachel foi rápida e, em pouco tempo, estava na rua, misturando-se à multidão que passava por ali.


Finn deu um gole em seu café, que tomava enquanto ia para o trabalho, andando pelas ruas de Nova York com Puck.

– E então, descobriu em que andar ela trabalha? – ele perguntou.

– Ainda não. Perguntei aqui e ali, mas ninguém sabia de quem eu estava falando, pela descrição.

– Que mulher mais difícil de se achar. – Finn declarou, de forma frustrada.

– Talvez seja porque ela não queira ser achada.

– Humpf! – foi o que Finn respondeu.

Estava intrigado por aquela mulher. E tinha decidido que descobriria em que andar ela trabalhava, para poderem conversar olho no olho dessa vez e então ela explicaria direitinho o porquê de ter fingido não se lembrar da noite que passaram juntos. Sim, porque Finn tinha absoluta certeza de que ela lembrava e havia mentido. Vira em seu rosto, momentos antes dela mudar de expressão e fingir não conhecê-lo. E também tinha certeza absoluta de que ela não estava bêbada naquela noite ao ponto de ter esquecido.

– Você está meio obcecado com isso, hein? – Puck perguntou.

– Nenhuma mulher me deixa sozinho na cama, sem dizer nada, e depois finge que não se lembra de mim!

Puck riu do tom ultrajado na voz dele. Sendo o mulherengo de carteirinha que era, Finn não se conformava em não ser lembrado no dia seguinte. Seu orgulho masculino estava profundamente afetado.


Perto da máquina de café, Rachel conversava amigavelmente com o novo funcionário da revista, Kurt Hummel. Ele estava trabalhando ali há cerca de uma semana e Rachel sentiu uma identificação imediata com ele, como se se conhecessem há anos.

– Meu irmão trabalha neste prédio também. – Kurt dizia.

– É mesmo?

– Sim. Foi por ele que eu soube da vaga em aberto aqui na revista, ele viu o anúncio e me avisou.

Rachel fez cara de pensativa.

– Humm... Agora mesmo não consigo lembrar de ninguém de sobrenome Hummel que trabalhe neste prédio.

– Bom, na verdade, não somos irmãos de sangue. Meu pai se casou com a mãe dele quando éramos adolescentes. – Kurt explicou. – Não nos demos bem no início. – ele riu por um momento. – Mas não durou muito tempo. A vida no colégio não era muito fácil para alguém como eu, se é que me entende, e ele meio que se tornou o meu guarda-costas, me protegendo dos brutamontes do time de futebol, mesmo que ele fosse um deles.

– Parece ser um irmão legal.

– O melhor. Finn e eu nos tornamos melhores amigos.

Finn?

O sinal vermelho acendeu na mente de Rachel.

– Me desculpe... – pediu ela. – Como é mesmo o nome do seu irmão?

– Finn. Finn Hudson.

– Ah...

Que ótimo.


– Ei, espere, você deixou cair isto! – Finn correu atrás da moça que deixara cair um papel no chão da rua. Mesmo antes de chegar perto dela, reconheceu-a imediatamente. Apressando-se ainda mais, cutucou seu ombro e ela se virou.

Era ninguém mais ninguém menos do que a pessoa que viera procurando há dias.

Os dois ficaram se olhando até que Rachel pegou o papel da mão dele.

– Obrigada. – ia se virando novamente, mas ele a impediu.

– Não vai fugir de mim de novo. – apontou o dedo para ela, que olhou para a ponta do dedo dele e depois para seu rosto. – E nem pense em dizer que não se lembra de mim, que não vai colar.

Queria não se sentir tão atraída por aquele homem. Mesmo que insistisse para sua própria cabeça que não estava interessada nele, seu corpo dizia totalmente o contrário. Lembrava-se das mãos de Finn em cima dela e sentia os pelos se arrepiarem. Mas Rachel cruzou os braços e concedeu a ele um olhar que pretendia ser arrogante.

– O que você quer, afinal de contas?

– Você vai me deixar te levar para jantar e então nós vamos conversar.

Rachel soltou uma gargalhada.

– Eu vou, é?

– Sim. E vai me explicar porque fingiu não me conhecer. Nenhuma mulher me dispensou antes.

– Ah. Então é isso. Você está ofendido porque eu te deixei e não você que me deixou, é isso?

– Claro que não. – podia até ser, mas Finn não ia admitir. – Qual é o seu nome?

– Não digo.

– Deixe de ser teimosa. Eu vou descobrir uma hora ou outra e você sabe.

Sim, provavelmente ele ia mesmo, já que estava ela agora trabalhando com o irmão dele. Adiar seria apenas perda de tempo. E queria dizer seu nome a ele. Por alguma razão muito esquisita, queria que Finn soubesse seu nome e nunca mais esquecesse.

– Rachel. – respondeu, enfim. – Rachel Berry.

Finn deu um amplo sorriso ao ouvir o nome, como se gostasse e aprovasse, o que fez com que ela engolisse em seco, nervosa pela perfeição das covinhas que apareceram nas bochechas.

– Finalmente. Um nome para o rosto. E para o corpo também, diga-se de passagem. – acrescentou ele, fazendo Rachel ficar vermelha. O que na opinião dele, deixou-a ainda mais atraente. – Rachel Berry. Eu gosto. Combina com você. Eu sou Finn Hudson, mas suponho que você já sabe.

Rachel ficou em silêncio. Seu nome sendo pronunciado pela boca dele causara-lhe calafrios. Ao pensar na boca dele, lembrou-se de onde ela esteve naquela noite, causando intenso prazer e...

Rachel limpou a garganta para voltar a si e tentou disfarçar, mas a expressão dela a entregava e sabia disso.

Amaldiçoou-se diversas vezes por não ter se controlado e ter gritado o nome dele naquele dia, mas fora simplesmente impossível segurar.

– Próximo sábado. – Finn falou.

– O quê?

– O jantar.

– Não mesmo. – Rachel se virou para seguir com o caminho em que ia antes de ser interrompida e Finn a seguiu.

– Por que não?

– Porque eu não quero.

– É claro que quer.

Ela parou de andar e ficou de frente para ele novamente.

– Você é mesmo bem convencido de si, não é?

Ele sorriu de canto. Um gesto que amenizava sua expressão e fazia com que Finn ficasse mais bonito.

– Não há problema em querer sair comigo, sabia? – ele disse a ela. – Eu também quero.

– Vai ficar querendo. – ela recomeçou a andar, achando que ficar pensando em como ele era bonito não ia ajudar em nada.

– Se eu sou convencido, você é teimosa. – Finn voltou a acusar, seguindo-a.

– Que seja. – ela levantou uma mão para interrompê-lo no momento em que ele ia retrucar. – Não insista, Finn Hudson. O que aconteceu naquela noite foi um erro e nunca deveria ter acontecido. Agora, faça um favor a nós dois e esqueça que aconteceu.

Dizendo isso, Rachel voltou a andar, deixando um Finn ainda mais indignado para trás. Já era a terceira vez que ela o dispensava e não haveria uma quarta!


Obrigada pelas reviews do primeiro capítulo. E também por todas as favoritadas e alertas da fic. :)