– Então você achou que eu não te encontraria de novo?
Finn se aproximou de Rachel por trás, quando ela estava parada de frente para a porta do elevador. Ela respirou fundo ao ouvi-lo.
– Você está me perseguindo, ao algo assim, Hudson? Eu posso chamar a polícia.
Finn segurou as mãos atrás das costas e riu, parando ao lado dela, esperando pelo elevador também.
– Apenas vim falar com meu irmão que trabalha aqui, o Kurt.
Rachel não respondeu e decidiu que o melhor seria passar a ignorá-lo, fingir que não o estava escutando, quem sabe assim ele se tocava.
– Rachel. – Santana apareceu do outro lado dele. – Só queria avisar que não vou voltar para o apartamento hoje à noite, vou ficar com a Brittany. – ela olhou para Finn e sorriu amplamente. – Oi.
– Olá. – Finn retribuiu o cumprimento no mesmo tom amigável.
Rachel rolou os olhos ao observá-los. Sofrera nas mãos da amiga todo aquele tempo, ouvindo que deveria deixar de bancar a santa e aceitar as investidas de Finn. Sim, talvez o mais provável fosse que ele a abandonasse depois que conseguisse o que queria mesmo, mas e daí, pelo menos ela também poderia se divertir mais um pouco. Ou, pelo menos, era disso que Santana tentava convencê-la.
Porém, Rachel se manteve firme e, orgulhosa, não pretendia levar adiante uma situação que não daria em nada mais do que dor de cabeça.
– Eu sou Santana Lopez.
Finn apertou a mão que Santana oferecia.
– Finn Hudson.
– É um prazer conhecê-lo, Finn. – Santana olhou para Rachel e acrescentou, com um sorriso malicioso: – Ouvi muito falar de você.
Ele levantou as sobrancelhas e também olhou para Rachel, que agora lançava laser na direção de Santana através do olhar.
– É mesmo? – Finn indagou. – Bom saber.
– Você não tem que ir, Santana? – Rachel perguntou, apertando os dentes.
Santana ignorou e voltou a sorrir para Finn.
– Claro. Foi um prazer novamente, Finn. – ela deu uma piscadela para ele – Tchau. E comportem-se, crianças.
Santana se foi e Rachel ainda olhava feio na direção dela, enquanto que Finn não poderia parecer mais satisfeito.
– Então ela ouviu muito falar de mim?
– Só coisas ruins, acredite.
– Não sei se acredito, não.
Rachel começou a bater o pé no chão, com impaciência. Finn e Santana a distraíram e fizeram com que ela perdesse o elevador, quando ele abriu anteriormente, e agora estava demorando para voltar. Algum idiota deveria estar segurando.
– Ei, aonde você vai? – Finn perguntou a Rachel, apressando-se a segui-la. Tinha a impressão de que era só isso que fazia ultimamente, correr atrás dela.
– Vou descer pela escada, pode ficar aí.
– Talvez descer pela escada não seja má ideia.
Rachel fez uma careta e continuou andando, sem dar a mínima atenção a ele, que vinha logo atrás. A intenção de ir pela escada era se livrar dele, mas, de repente, viu-se ali completamente sozinha com Finn Hudson. O tiro saíra totalmente pela culatra.
– Não sabe receber um não como resposta de uma mulher? – quis saber ela, com tom tom de voz ríspido.
– Na verdade não. Não estou acostumado, elas sempre dizem sim. – ele tinha um sorriso convencido nos lábios.
Rachel riu de maneira sarcástica. O cafajeste não tinha nem a decência de negar.
– Pois aprenda, sempre há uma primeira vez.
– Que não será essa. – ele a segurou pelo braço, impedindo que ela continuasse a descer.
Rachel olhou para a mão em seu braço. A proximidade de Finn a deixava nervosa e seu corpo reagiu imediatamente ao toque. Era incrível como se sentia sensível perto dele. Aquele homem lançara um feitiço sobre ela, só podia ser isso.
– Tenho certeza que há outras mulheres interessadas em dar o que você quer, então, por que não vai em busca de alguma delas?
Tinha certeza disso mesmo, já que ouvia constantemente comentários sobre ele ali naquele prédio, como, por exemplo, entre as mulheres que trabalhavam na revista com ela. Rachel não sabia porque passara a ter um súbito sentimento de posse sempre que isso acontecia, mas procurava ignorar. Não valia a pena perder tempo pensando em alguém como Finn Hudson.
Ele se aproximou perigosamente e o coração dela começou a bater acelerado. Sem contar as borboletas que sentia no estômago e, pior ainda, a sensação que foi passando a se fazer presente entre suas pernas. O que era aquilo, afinal? Estava sentindo todas essas coisas só porque ele a tocava no braço e a olhava fixamente?
Sim, definitivamente Finn lhe lançara um feitiço, não era possível!
Viu quando ele fixou o olhar nos lábios dela e Rachel lambeu-os instintivamente. O olhar dele ficou ainda mais brilhante depois disso.
– Não faça isso. – Rachel murmurou, mas não de forma muito convincente.
Finn nem sequer hesitou e continuou a baixar os lábios na direção dos dela. A mente de Rachel gritava que deveria parar aquilo, mas seu corpo estava completamente atraído e não tinha mais jeito, estava perdida.
No momento em que ele a beijou, Rachel lutou contra, tentando manter o orgulho, debatendo-se entre os braços dele, mas Finn a segurou forte, até que Rachel desistiu e cedeu. Não adiantava negar a si mesma que queria que aquilo acontecesse. Entreabriu a boca lentamente e deixou que ele deslizasse a língua para dentro.
Ah, sim...
Não se dera conta, até aquele instante, do quanto havia realmente desejado que ele a beijasse outra vez. Sentiu a parede atrás de si e o corpo dele pressionando-a contra a mesma. Agora com o corpo dela preso, Finn segurou o rosto de Rachel com as duas mãos, firmemente, como se temesse que ela desviasse a cabeça e retirasse a boca da sua.
Mas, a esta altura, isso já estava muito longe do que se passava na cabeça dela. No lugar disso, Rachel mordeu o lábio inferior dele e depois voltou a inserir a língua em sua boca. Vendo que ela estava respondendo satisfatoriamente, Finn passou a abraçá-la pela cintura. Podia ficar ali, beijando-a, por horas a fio. Sentia-se tão envolvido por aquela mulher, que sua mente estava nublada devido ao contato entre os corpos e entre as bocas.
Rachel não ficava atrás. Inclusive, chegou a pensar que podia permitir que ele fizesse sexo com ela ali mesmo, para finalmente aliviar a tensão que sentia em suas partes íntimas, desde o momento em que pôs os pés para fora do apartamento dele, e que a tinha acompanhado desde então, aumentando cada vez que pensava em Finn e em suas mãos habilidosas tocando-a.
Este pensamento, que não continha o mínimo de pudor, assustou-a. Que tipo de mulher se permitiria uma situação daquela? Fazer sexo em plena escada do prédio onde trabalhava? Estava louca!
Empurrou-o para se afastar dele. Claramente pego desprevenido, Finn deu alguns passos para trás e ela conseguiu escapar pelo lado.
– Fique longe de mim, Hudson. – Rachel apertava os punhos ao lado do corpo. Estava nervosa e não podia mais deixar que um homem que causava tal falta de controle nela ficasse por perto. – Já disse que não estou interessada.
Ele os dedos pelos próprios lábios, sabendo que eles estavam tão inchados quanto os dela, devido aos beijos.
– Não foi o que pareceu.
Ajeitando a roupa para recuperar a compostura, ela o olhou e disse:
– De uma vez por todas, deixe-me em paz.
E foi embora.
Finn encostou o ombro contra a parede. É, parece que estava errado. Lá estava a quarta vez em que era dispensado.
Mas, pelo menos, havia feito algum progresso, pensou, sorrindo e ajeitando a gravata que ela, com mãos ansiosas, havia puxado e retirado do devido lugar.
O despertador começou a soar, alto e irritante, no quarto de Rachel e ela se virou na cama para desligá-lo, numa rapidez tão grande que quase o derrubou da mesa de cabeceira. Depois que o silêncio retornou, ela pressionou os olhos com os dedos indicador e polegar da mão direita.
Estivera, de novo, sonhando com Finn. Sonhos que beiravam a obscenidade, diga-se de passagem. Isso havia se tornado uma rotina desde que passara a noite com ele e, a cada dia, eles se tornavam mais e mais reais, deixando-a num constante estado de necessidade. A latência que sentia, lá embaixo, era uma lembrança de como estivera aproveitando o que vivenciava durante o sonho.
Suspirou profundamente em frustração e se virou na cama de modo que ficou encarando o teto do quarto. Não estava conseguido reconhecer a si mesma. Nunca fora esse tipo de pessoa que só pensava em sexo até mesmo dormindo.
Por que ela tinha que tê-lo encontrado naquela boate? Por quê, destino, por quê?
Sua vida continuaria caminhando na calma de sempre e seus sonhos permaneceriam tranquilos e relaxantes, se não fosse por aquela maldita noite.
Mordeu o lábio inferior e depois fez uma careta, porque sabia, no fundo, que não se arrependia de nada. Fora a melhor noite de sua vida e as constantes vezes que parava o que quer que estivesse fazendo durante o dia, para ficar pensando naquele momento, servia para lembrá-la disso.
Levantou-se da cama e foi até o banheiro, achando que um banho frio seria de grande ajuda.
Esse era justamente um dos motivos pelos quais não aceitara e nem pretendia aceitar os constantes pedidos de Finn para sair com ele. Tinha a leve impressão de que poderia se envolver mais do que o aconselhável com aquele homem, se se permitisse. E sabia que o mesmo não aconteceria com ele. Ou seja, Rachel, no final, sairia da história devastada, depois de levar um pé na bunda, porque isso era o que homens como Finn costumavam agir. Talvez saísse, até mesmo, ainda mais devastada do que depois do término do namoro com Jesse, que já havia sido horrível o bastante.
Ela levantou o rosto contra a água que caía do chuveiro, esperando que aquilo aliviasse a tensão. A água fria bateu em sua pele quente e a deixou arrepiada por um momento. Pegou um sabonete e começou a deslizá-lo pelo corpo. Ao fazer isso, lembrou-se de quando Finn deslizou as mãos por esses mesmos lugares. Pescoço, barriga, seios...
Foco, Rachel! Foco!
Pelo amor de Deus, precisava tirar aquele homem e a noite que passaram juntos da cabeça!
Continuar daquele jeito não a levaria a lugar nenhum. Estivera tão distraída ultimamente que até mesmo no trabalho estava se prejudicando. Levara uma bronca daquelas de sua chefe, depois de perder o prazo de entrega de uma matéria. Isso nunca acontecera com ela antes. E, agora, Rachel se vira na obrigação de recompensar o ato falho de alguma forma, pois isso poderia prejudicá-la na promoção que estava almejando.
Já tinha pensado numa maneira. Estivera preparando uma matéria especial que achava que Sue Sylvester iria aprovar. Mas o projeto ficara emperrado, pois tinha metido na cabeça que aquela matéria precisaria de uma boa arte gráfica, uma que fosse ainda mais elaborada do que as que o pessoal da revista estava acostumado a fazer. Rachel estava urgentemente necessitada de perfeição.
Kurt havia sugerido que ela pedisse a ajuda de Finn. Logo ele, dentre todas as pessoas!
Finn era o responsável pela arte gráfica da empresa de publicidade em que ele e o amigo do cabelo moicano, que fazia questão de ser chamado de Puck, agora ela já sabia, trabalhavam. Kurt dizia o quanto Finn era bom e dissera a ela mais de uma vez que o procurasse. Mas claro que Rachel não faria isso, de jeito nenhum. Estava fora de cogitação.
Kurt já estava completamente inteirado de tudo o que se passara entre ela e o irmão dele. Santana, aquela traidora, abrira a boca grande e contara tudo. Mas, ao que parecia, o próprio Finn tinha se encarregado de informar os últimos detalhes que faltavam. Os quais, obviamente, Kurt fizera questão de reportar a Santana.
Rachel bufou, enquanto saía do banheiro, enrolada numa toalha. Estava bem servida de amigos, que não perdiam tempo para fofocar sobre a vida dela.
Desde então, os dois estavam engajados na batalha de Finn para levá-la para um encontro. Como se não bastasse, Finn agora tinha até o apoio dos amigos dela!
Santana estava sempre falando que ela deveria deixar de ser uma covarde e uma puritana e aproveitasse a vida enquanto pudesse, porque o corpinho bonito e os peitinhos arrebitados não duravam para sempre. Já Kurt se encarregava de contar histórias do passado com a intenção de fazer Finn parecer menos cafajeste e mais humano, uma vez que o que Rachel mais reclamava em relação a ele fosse justamente o lado cafajeste e mulherengo de ser.
Por mais que não quisesse se impressionar com as coisas que Kurt dizia, tinha que admitir que ficara tocada quando ele contou de uma determinada vez que Finn o protegeu de uns brutamontes do colégio, que praticavam bullying. Aliás, não fora só uma vez, haviam sido várias as vezes que o próprio Finn fora alvo de chacota e até mesmo de violência por tentar defender Kurt. Mas ele nunca se acovardava e sempre estava ali para proteger o irmão.
Sim, isso era legal, ela pensou, quando se olhou no espelho para checar a roupa que escolhera para aquele dia, com olhar de aprovação a respeito da própria figura. Mas não fazia de Finn Hudson menos destruidor de corações femininos e o melhor que Rachel tinha a fazer era manter a maior distância possível.
Rachel estava desmoralizada consigo mesma.
Tanto que dissera que não aceitaria a ajuda de Finn e lá estava ela, no apartamento dele. Apartamento este que lhe trazia muitas recordações que tentara, com todas as forças, manter sob controle.
Mas não adiantara. Estava realmente precisando da ajuda dele se quisesse compensar Sue pelo que tinha feito. A editora-chefe da revista estivera olhando feio para ela a semana inteira e Rachel tremia só de relembrar as coisas que tinha ouvido dela. Para completar, Kurt e Santana falaram tanto que acabaram fazendo-a a aceitar a ajuda de Finn.
Ele estivera olhando-a com um sorriso convencido nos lábios desde então.
– Eu sabia que você voltaria uma hora ou outra, Rach. – Finn falou, fazendo com que Rachel fosse obrigada a tirar a atenção do sorriso nos lábios dele e a voltasse para os olhos. O apelido na voz dele fizera com que ela tivesse uma sensação boa na base do estômago e Rachel balançou a cabeça para espantar tais pensamentos.
– Não comece com isso, Hudson. E não me olhe com essa cara de lobo prestes a atacar. – ela completou, dando alguns passos para trás, ao ver que ele dava passos para frente, na direção dela, ali onde estavam, na sala de estar do apartamento dele. – Não é para isto que você está pensando que eu vim aqui. Como já fiz questão de deixar bem claro antes. Estou aqui por questões de trabalho. – falou, com uma voz que pretendia que soasse firme e decidida.
O sorriso nos lábios dele se ampliou e agora dava para ver os dentes perfeitamente formados, que Rachel lembrava muito bem de tê-los sentido dando mordiscadas em determinadas partes de seu corpo...
– Se é o que diz... – ele murmurou, com uma voz baixa e sedutora. Rachel teve que fechar as mãos num punho para se controlar e evitar pular em cima daquele homem.
O caso estava ficando cada vez mais sério. A sanidade dela parecia estar indo embora a cada dia e isso era realmente preocupante. Tinha que lembrar constantemente a si mesma do porquê estava ali. Precisava trabalhar. Era isso. Trabalho. Tinha que ocupar a mente com isso, por mais difícil que fosse, tendo-o tão perto.
Ela respirou fundo e forçou um sorriso. Deveria manter-se simpática, afinal, ele estava prestando-lhe um favor. Por mais que Finn dissesse, ou até mesmo fizesse, coisas inapropriadas aquela noite, Rachel deveria tentar ser o mais educada possível para que ele não desistisse de ajudá-la.
Foi isso que tentou manter em mente, quando já estava sentada à mesa da sala, ao lado de Finn. Tinha que admitir, Kurt estava certo. Finn era um bom profissional e, uma vez que eles começaram a discutir o que Rachel tinha em mente, ele deixara o lado sedutor à margem e realmente assumira o lado profissional. Coisa que Rachel agradecia, porque facilitou a vida dela. Se Finn continuasse falando com aquele tom de voz, ao mesmo tempo em que a olhava daquele jeito tão penetrante, como só ele fazia, ela não saberia dizer se seria capaz de manter a linha de raciocínio.
Mas Finn fora profissional e Rachel estava muito impressionada com todas as dicas que ele dera. Estava satisfeita com o rumo que as coisas estavam tomando no que dizia respeito à matéria que tinha em mente. Ele não apenas entendera o que ela tinha em mente, como ajudara a melhorar as ideias.
Ainda que Rachel tenha se distraído algumas vezes enquanto ele falava, quando Finn se inclinava e chegava um pouco mais perto dela, fixando, sem querer, o olhar nos lábios masculinos, ou sentindo o cheiro da colônia que ele usava, ou até mesmo achando adoráveis as sardas que salpicavam o rosto dele, conseguira dar andamento ao projeto.
E olha que o fato dele também ficar encarando-a, quando achava que ela não estava percebendo, não ajudava em nada. Sentia o olhar de Finn no rosto dela também e seu coração batia acelerado toda vez que isso acontecia.
Em determinado momento, quando ele estivera olhando-a por um tempo já, Rachel sentiu a mão de Finn colocando uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. Ela levantou o olhar e encontrou com o dele. Os dois ficaram se fitando por alguns instantes. Rachel podia ver a vontade de beijá-la estampada no rosto de Finn. Uma vontade tão grande quanto a que ela sentia para que ele fizesse exatamente isso.
Mas aí o telefone dele começou a tocar, o que fez ambos dar um pulo em suas cadeiras, e acabar com o momento.
Rolando os olhos, como quem lamenta profundamente, Finn se levantou e pegou o aparelho, atendendo depois de conferir quem era no visor. Rachel deu graças a Deus por aquela intromissão bem a tempo. Engoliu saliva e tentou voltar a colocar os nervos em ordem, enquanto esperava Finn terminar a ligação.
– Sim, sim, eu sei... Nós podemos nos encontrar amanhã e depois posso levá-la a um restaurante.
Rachel apurou os ouvidos para escutar bem a conversa.
– Vou escolher um bom restaurante para nós dois, não se preocupe. – Finn continuou a falar. A voz dele era doce e o sorriso nos lábios também. Rachel se perguntou com quem ele estaria falando. – Meu bem, eu sei do que você gosta... – Finn sorriu. Meu bem? – Claro que você vai dormir aqui no meu apartamento, o que estava pensando?
Rachel soltou uma baixa risada irônica. Finn provavelmente estava falando com mais uma das amantes dele e nem sequer se importava com o fato dela estar ali. Só provava ainda mais o quanto era cafajeste. Ele continuou falando com aquela mulher, que Rachel não sabia porque, mas tivera que súbita uma vontade de esganar, quem quer que fosse. Mas, claro, só depois de esganar aquele cretino safado!
– O apartamento do Kurt é muito pequeno, mal dá para ele mesmo. – Finn disse. Rachel ficou imaginando o que Kurt tinha a ver com aquela conversa. – Você pode ficar aqui, mãe, eu durmo no sofá, sem problemas. E Puck fará o possível para não atrapalhar. Não vou deixá-la ficar sozinha num hotel sem necessidade.
Mãe?
Agora Rachel começou a rir com vontade, levando uma das mãos à testa. Pelo amor de Deus, estivera nutrindo uma vontade de esganar a mãe de Finn!
Ele não estava falando com uma das muitas amantes e sim com a mãe. Rachel se sentiu patética. Quando Finn desligou e voltou a se sentar ao lado dela, Rachel o olhou, sentindo-se culpada por ter estado pensando barbaridades a respeito dele, quando ele simplesmente tentava ser amável e cuidadoso com a própria mãe. O que era adorável, diga-se de passagem. Finn podia ter vários defeitos, mas era o tipo de pessoa que dava muito valor a família e isso concedia alguns pontos ao nível de caráter dele.
Os dois voltaram ao trabalho e, meia hora depois, o amigo dele, Puck, chegou em casa.
Com um ar de quem estava entendendo tudo, ou de quem achava que estava entendendo tudo, Puck ficou olhando para Finn e Rachel, sentados próximos. Provavelmente ele achava que os dois estiveram fazendo qualquer coisa, menos trabalhando durante aquelas horas ali.
Chegou um momento que Rachel já estava ficando incomodada e deu o encontro por terminado.
– Obrigada, Finn. – ela falou, quando já estava de pé em frente à porta, pronta para ir embora. – Sua ajuda foi muito importante e eu estou bem satisfeita com o que fizemos hoje.
Rachel pôde ouvir a risadinha que Puck deu, desde a cozinha, depois dela ter dito isso. Finn riu também.
– Ignore a mente pervertida do meu amigo.
Rachel fez que sim com a cabeça, achando que, depois dele tê-la ajudado tanto, não seria próprio dizer que a mente dele era, provavelmente, tão pervertida quanto. No lugar disso, ela sorriu também e levantou a mão para apertar a que Finn oferecia.
Apertaram as mãos um do outro, o que fez Rachel sentir um tipo de corrente elétrica desde a palma, até atingir a ponta dos pés, através do contato. Era a primeira vez que se tocavam em dias, desde que ele a beijara na escada do prédio onde trabalhavam. Pensar naquele beijo fez com que ela sentisse outra corrente atravessá-la.
Finn manteve o aperto firmemente, não deixando-a retirar a mão. Ele a olhava agora da mesma forma que olhara quando Rachel chegara lá, antes deles começarem a trabalhar. Ela não se surpreendia com o fato dele ter tantas mulheres aos seus pés. Ela mesma teve que se esforçar para não ficar hipnotizada por aqueles olhos e fazer qualquer coisa que ele pedisse, aqui e agora.
Não entendia porque Finn insistia em correr atrás dela, quando poderia ter qualquer mulher. E Rachel não se considerava nenhuma grande beleza para justificar tamanho interesse. Talvez tenha sido por que o dispensara, coisa que Finn não estava acostumado. Isso devia ter ferido o orgulho dele e Finn a via como um desafio a ser conquistado.
Mas Rachel não iria permitir que isso acontecesse.
Não estava disposta a ser nenhum desafio na vida de ninguém!
Retirou, finalmente, a mão da dele e, agradecendo mais uma vez, apressou-se a ir embora antes que fosse tarde demais.
Capítulo grande esse, hein? Acho que foi o maior que eu já fiz, de todas as fics.
Enfim... Como falei antes, a fic tem 6 capítulo, o que significa que já estamos na metade.
