– Finn Hudson ainda está pior do que antes, pelo que eu ouvi dizer. – uma voz fez-se ouvir, quando Rachel estava sentada em sua mesa, na redação da revista. Um grupinho de mulheres fofocava ali perto dela. – Está sendo visto em praticamente todas as festas da cidade.

– Não sei porquê a surpresa. – falou outra das mulheres. – Hudson sempre foi um libertino.

– Sim, bom, isso é verdade...

– Dizem as más línguas que ele levou um pé na bunda.

– O quê? – alguém exclamou, surpresa. – Ninguém dá o pé na bunda em Finn Hudson! Quem seria louca?

As outras do grupo riram e expressaram suas respectivas concordâncias com a última que tinha falado.

– Só sendo muito louca mesmo.

Rachel ficou calada escutando a conversa e imaginando o que elas diriam se soubessem que a "louca" estava bem ali ao lado.

Depois, sentiu a pontada de culpa voltando a incomodá-la. Não era a primeira vez que acontecia, desde a noite de ano-novo, mais de duas semanas atrás. Sabia que tinha dito algumas palavras ásperas para Finn. Mas aí lembrava a si mesma que não havia motivos para sentir pena, porque Finn não era nenhum santinho também. Por que teria remorso por dispensar um cara que não pensava duas vezes para dispensar uma mulher?

Finn estava acostumado a colecionar corações partidos, e ela não partira o dele, tinha certeza. Apenas o deixara ofendido porque não estava rastejando aos seus pés, como faziam todas as outras. E, para garantir que sua masculinidade permanecesse intacta, estava andando por aí seduzindo o dobro de mulheres que seduzia antes. Que aliás, já era um número bastante considerável.

Era por isso que não havia o menor motivo para se sentir culpada. A maneira de Finn de reagir ao que acontecera só fazia comprovar o quanto ele não era digno de confiança. O quanto era imaturo e não merecia o risco. Manter um relacionamento com Finn Hudson era um risco muito maior do que escalar o Everest. A chance de que ele a abandonasse com o coração nas mãos e aos pedaços era quase de cem por cento.

Já correra este risco com Jesse e a experiência resultara em algo traumatizante. Homens como Finn e Jesse não eram de confiança. Eram bonitos e charmosos demais para manter as outras mulheres à margem.

Respirando fundo, Rachel tentou parar de pensar em homens e em como eles eram insensíveis, para voltar ao trabalho.


Mais duas semanas depois, Rachel decidira que tinha que sair de casa para não ficar enclausurada pensando em coisas que não devia. Por mais que tentasse convencer a si mesma do contrário, tinha saudades de Finn. E olha que nem sequer passara tanto tempo com ele assim, para já estar sentindo a falta dele em sua vida.

Em mais de uma ocasião, ficara encarando o telefone, travando uma batalha interna sobre se deveria ligar para ele ou não. Acabava decidindo pelo não todas as vezes.

Os sonhos que estivera tendo com ele, ficavam piores a cada dia. Rachel se acordava no meio da noite, suada e molhada. Aquele homem conseguia deixá-la assim quando nem mesmo estava lá! Num simples sonho, Rachel já ficava completamente excitada! Isso nunca acontecera com Jesse, ou com qualquer outro homem antes, nunca. Jamais.

Mas seu subconsciente não parecia querer deixá-la ter uma sequência de noites de sono tranquila. E, se sua mente era povoada por ele durante a noite, durante o dia era ainda pior. Com medo de estar desenvolvendo um sério caso de obsessão, decidira aceitar o convite de Kurt para ir a um bar, já que Santana tinha marcado um programa com Brittany.

Mas conseguia perceber que estava bebendo demais.

Kurt trouxera Blaine junto com ele, o que não fizera muito bem a Rachel, porque ela os observava, trocando carinhos e afagos, e constatava que era a única que estava sozinha, sem ninguém que a amasse. Kurt tinha Blaine e Santana tinha Brittany. Ela não tinha ninguém.

Estando ali, segurando vela para o casal, começara a beber para afogar as mágoas. Enquanto sua vida profissional ia de vento em popa – graças a Finn, aliás, que a ajudara imensamente, fazendo com que Sue gostasse tanto do que ela havia preparado que Rachel acabara ganhando uma coluna só dela na revista – a vida pessoal estava uma desgraça ainda maior do que antes.

Enviara um e-mail para ele, agradecendo a ajuda e contando sobre a boa notícia. Mas não recebera uma resposta de volta. Eles se encontraram algumas vezes no prédio onde trabalhavam, mas em nenhum momento chegaram a trocar palavras. Rachel tinha vontade de agradecê-lo pessoalmente, mas Finn não parecia estar com um ar muito amigável em relação a ela.

E assim caminharam as coisas entre eles desde então. Era como se nem sequer tivessem se conhecido algum dia. Rachel não sabia porque isso a incomodava tanto se era justamente o que queria. Conseguira fazer Finn ficar distante dela e agora podia seguir com sua vida. Mas a verdade era que tinha vontade de gritar umas coisas na cara dele, sempre que Finn virava o rosto, ignorando-a.

O que ele diria se ela fizesse isso, depois de ter deixado óbvio que pensava tão pouco dele, naquela noite de ano-novo? Provavelmente acharia que estava maluca.

Viu um homem parecido com Finn perto do balcão do bar. Mas não deu tanta atenção. Não era a primeira vez. Agora estava com essa mania também, como se já não tivesse problemas o suficiente. Pensava tanto em Finn que acabava vendo-o por todos os lados, confundindo outros homens com ele. Talvez ela estivesse um pouco maluca mesmo, no fim das contas, pensou, esvaziando outro drink.

Já perdera as contas da quantidade de drinks que tomara, mas tinha certeza de que eram muitos, pois sua cabeça já estava começando a rodar.

– Não acha que já tomou demais, Rachel? – Kurt perguntou, com ar preocupado. – É melhor parar.

– Me deixa, Kurt. – ela respondeu, com voz bastante enrolada. – Deixa eu esquecer os meus problemas em paz.

Kurt trocou olhares com Blaine o que a fez ficar ainda mais irritada.

– Não olhem um para o outro desse jeito. Não preciso que ninguém fique com pena de mim.

– Não é de você que eu sinto pena, acredite. Você merece sofrer por ser tão teimosa. – Kurt declarou. – Mas outros acabam sofrendo junto.

Rachel olhou para ele confusa. O que queria dizer com aquilo? Que, por acaso, Finn estava sofrendo? Tal pensamento fez com que ela gargalhasse. A mera ideia era hilária. Finn não sofreria por uma mulher.

Ela deu pouca importância ao que Kurt disse com um gesto de mão e com uma careta de quem não dava bola, voltando a dar atenção a sua própria bebida. Em determinado momento, olhou na direção do homem que tinha visto antes e ele se pareceu ainda mais com Finn. Impaciente por não conseguir controlar a própria mente, levantou-se de sua cadeira com dificuldade, quase caindo devido ao desequilíbrio. Blaine se levantou rapidamente também para ampará-la, mas Rachel o impediu, conseguindo ficar de pé.

– Vou até o bar. Não aguento mais ver a felicidade de vocês dois, está me deixando meio enjoada.

– Acho que o que está te deixando enjoada é outra coisa. – Kurt apontou para o copo que ela tinha na mão.

Dando de ombros, ela saiu de lá e foi até o bar. Apoiou-se no balcão e pediu outra bebida. Poucos minutos depois, um homem se aproximou dela.

– Boa noite. – ele disse.

Rachel o olhou, mas nem sequer conseguia focalizá-lo direito. No entanto, achou que ele parecia ser bonitinho, com seus cabelos loiros encaracolados, e sorriu bobamente.

– Oooooiii. – cumprimentou de volta. Ele riu levemente com a atitude dela. – Estou bêbada. – ela acrescentou, um pouco mais séria.

– Estou percebendo.

– O que quero dizer... – Rachel começou, mas parou para dar um soluço. – É que você é bonito, ou pelo menos parece ser, mas eu não tenho forças suficientes para flertar, neste momento.

Ele se aproximou dela, passando as mãos pelos cabelos.

– Quem sabe se nós pularmos a fase do flerte e irmos direto para o meu apartamento.

Rachel olhou para ele e piscou algumas vezes, aturdida. Será que tinha ouvido direito?

– Ah...

– Ela não está interessada. – uma outra voz masculina falou ali perto.

Rachel girou a cabeça em direção a ela, o que fez o recinto girar ainda mais, e viu ninguém mais ninguém menos do que a razão de seus tormentos, Finn Hudson. Então a mente dela não estivera imaginando coisas e Finn realmente estava ali. Menos mal... Pelo menos ainda não estava completamente biruta.

– Não acho que ninguém aqui pediu a sua opinião. – o loiro se dirigiu a Finn. – Vá procurar alguém que ainda não esteja acompanhada. – dizendo isso, tentou ignorar Finn, voltando a atenção para Rachel.

Finn colocou a mão no ombro dele e o empurrou de leve.

– Não toque em mim, cara. – a voz do loiro agora era mais ameaçadora.

– Você é mesmo do tipo que se aproveita de uma mulher claramente embriagada? – o tom de voz de Finn não ficava atrás.

Rachel, que estivera passando o olhar de um para o outro durante a breve conversa, resolveu que era hora de se fazer presente.

– Não estou embriagada! – contradisse Finn, só porque foi o que achava que devia fazer, porque até o mais idiota veria que ele estava certo.

– Viu? – o loiro perguntou a ele.

– Olha, amigo, eu não quero criar confusão aqui, tá legal? Eu a conheço e ela está comigo. – Finn disse e Rachel abriu a boca para contradizê-lo de novo, mas ele continuou, sem deixa-la dizer nada, colocando um braço em volta de seus ombros. – Rachel está comigo, portanto, talvez quem deva procurar outra companhia aqui é você. O bar está cheio, tenho certeza de que encontrará alguém.

O loiro olhou em volta e pareceu ter decidido que o que Finn dissera era verdade e que teria menos problemas se os deixasse e fosse investir em outra.

– Talvez tenha razão.

Quando ele já tinha ido embora, Finn retirou o braço que a envolvia e ficou de frente para Rachel.

– Deixe o copo aí em cima e vamos embora.

– Acho que não. – Rachel respondeu, irritada por ele achar que tinha o direito de dizer o que ela tinha ou não tinha que fazer. Ainda mais depois de ter colocado seu novo amigo loiro para correr, sem que ela sequer pedisse.

Finn rolou os olhos. Estava enraivecido consigo mesmo por se importar. Encontrara-se com Kurt, minutos antes, que o informara de que Rachel estaria ali, já bastante bêbada. Dissera a si mesmo que não iria até lá, mas não se dera ouvidos. Todos aqueles dias, estivera tentando ficar com raiva dela, porém, falhara em seu intento. Aquela mulher, por alguma razão, o afetava como nenhuma outra e negar a si mesmo seria apenas perda de tempo.

Sentia por ela algo novo, que ninguém havia conseguido despertar antes. E olha que muitas tentaram. E aí veio Rachel que, sem o mínimo de esforço, muito pelo contrário, parecia deixar marcas dentro dele cada vez mais. Finn se pegava pensando nela e desejando estar com ela. E não apenas no sentido sexual.

Vendo que não adiantaria discutir, ele mesmo pegou o copo dela e pôs no balcão, puxando-a pela mão.

– Ei! – Rachel exclamou. – Eu disse que não ia!

Finn nem sequer se deu ao trabalho de responder, carregando-a facilmente, já que ela não estava com a mínima condição de se opor. Vendo-a cambalear, no entanto, passou um braço por sua cintura e continuou o caminho. Foi até Kurt e avisou que estavam de saída.

Finn parou um táxi e colocou Rachel para dentro, apesar dos protestos dela, entrando logo depois.

– Você é um Neandertal, Finn Hudson. – ela disse, com voz ainda mais engrolada. – Achando que pode me arrastar desse jeito sem o meu consentimento.

Ignorando-a mais uma vez, Finn deu ao taxista o endereço de seu apartamento.

– Não! – Rachel protestou. – Não vou para o seu apartamento. – mais uma vez, Finn não disse nada. – Está mudo?

Dessa vez, ele riu e a olhou.

– Você obviamente precisa de alguém para cuidar de você hoje e Kurt me disse que Santana não está em casa.

– Não preciso que ninguém cuide de mim!

– Não acho que você seja capaz de dar dois passos sozinha sem cair, Rachel. Portanto, não pode ficar sozinha.

Ela fez cara feia.

– E por que você se importaria?

Ele estava fazendo essa mesma pergunta a si mesmo. Mas o fato era que se importava e ponto final.

Cansada demais para continuar reclamando, ela desistiu e repousou a cabeça no ombro dele, sentindo as pálpebras cansadas. Fechando os olhos, ela se conchegou um pouco mais e Finn retirou, carinhosamente, o cabelo que estava no rosto dela.

– Eu gosto do seu cheiro, sabia? – ela sussurrou, meio sonolenta. – Na verdade, eu temo seriamente que não exista alguma coisa em você que eu não goste.

Finn sorriu e sentiu o coração bater mais forte. Provavelmente Rachel não faria aquelas confissões estando sóbria.

– Eu posso dizer o mesmo. – confessou também. – Talvez sua teimosia seja um pouco irritante, mas também dá um certo charme. Tudo o que vale a pena custa trabalho, certo?

Ele a sentiu sorrir contra seu pescoço.

O táxi chegou ao destino e Finn saiu dele e tirou Rachel também, com dificuldade.

– Boa sorte, amigo. – o taxista falou, indicando Rachel.

– Obrigado.

Finn pagou e o táxi foi embora. Vendo que Rachel não conseguiria caminhar sozinha, ele a segurou no colo, passando um braço por trás dos joelhos. Rachel protestou mais uma vez, dizendo que podia muito bem se virar sozinha, mas envolveu o pescoço dele com os braços e voltou a descansar a cabeça em seu ombro.

– Eu também gosto quando você me segura assim. – murmurou ela, apesar dos protestos anteriores.

Finn riu. Estava gostando da versão bêbada de Rachel Berry, que dizia coisas que a versão sóbria não diria nunca. Provavelmente não se lembraria de nada disso no dia seguinte, mas ele faria questão de lembrá-la por ela.

Quando entrou no apartamento, Rachel dava pequenos e leves beijos ao longo do pescoço e da mandíbula dele e às vezes soltava umas risadinhas do nada.

Finn foi até seu banheiro e a sentou no sanitário.

– Você não pretende fazer com que eu durma aqui, não é? Porque eu não posso dormir aqui...

– Acho que hoje você não terá muita escolha.

Rachel balançou a cabeça negativamente, não querendo dar o braço a torcer, mas não disse mais nada, encostando-se pesadamente na parede atrás dela. Finn ligou o chuveiro e ajustou a temperatura para fria, depois se virou para ela, que já estava quase dormindo.

Ele a desencostou.

– Vamos, Rach, não durma.

Ela soltou outra risadinha.

– Quando você diz "Rach", eu sinto coisas... Se é que me entende.

– É mesmo?

– Uhummmm... – ela murmurou, longamente. Finn começou a retirar a blusa que ela estava usando. – Você vai se aproveitar de mim?

– Eu vou te dar um banho.

– Eu não quero tomar banho. – a voz dela estava bastante grogue.

– Já disse que hoje você não tem muita escolha.

Ele já tinha tirado a blusa e estava terminando de tirar a saia e as sandálias. Não demorou muito e ela também já estava sem calcinha, totalmente nua.

– Estou nua.

– Eu sei.

– Não é justo, você também tem que ficar nu.

– Agora não. – ele a levantou nos braços mais uma vez.

– Eu gosto de ver você nu. – ela voltou com as confissões. – Eu te acho muito gostoso, sabia? Você é tão diferente do Jesse. Jesse era frio, mas Finn não... Finn é quente. Bem quente.

Ele sorria no momento em que a colocava debaixo do chuveiro. Rachel gritou e tentou sair.

– Está um gelo! – reclamou ela.

– Você merece, depois de ter bebido tanto.

Finn!

Ele a manteve no mesmo lugar, apesar da tentativa de escapulir, ficando ele mesmo todo molhado também, até que chegou uma hora que ela se resignou e ficou parada.

– Eu te odeio. – ela disse, depois de um tempo em silêncio.

– Tudo bem.

Finn terminou de dar banho nela e Rachel já parecia estar com um aspecto um pouco melhor do que quando a vira pela primeira vez naquela noite. Eles saíram do banheiro e Finn a enrolou com uma toalha. O corpo dela tremia levemente de frio e ele passou as mãos por seus braços, de cima abaixo, para ajudar a esquentar.

Feito isso, a conduziu até a cama e a fez se deitar, cobrindo-a com o cobertor.

– Falei que não posso dormir aqui. – ela disse, mas já foi se aconchegando entre os travesseiros e fechando os olhos. – Mas acho que não faz mal dar um cochilinho... Só um instantinho...

– Sim, só um instantinho. – Ele disse, passando as mãos pelo rosto e cabelos dela. Demorou apenas poucos segundos e Rachel já estava dormindo.

Ele se inclinou e a beijou na testa, antes de tirar as próprias roupas e deitar-se também. Mandou uma mensagem para Santana, avisando de que Rachel estava com ele, e depois se virou de lado, passou um braço pela cintura dela para dormir.


Depois de um capítulo hot, um capítulo fofo...

Eu conheço uma pessoa que é assim quando está de pileque, fica falando um monte de coisa que não falaria se estivesse sóbria. rs... Me inspirei nessa pessoa.

Penúltimo capítulo, agora só resta mais um.